Crítica – O Telefone Preto 2
Sinopse (imdb): Enquanto Finn, de 17 anos, lida com a vida após seu cativeiro, sua irmã recebe ligações do telefone preto em seus sonhos e tem visões perturbadoras de três meninos perseguidos no acampamento de Alpine Lake.
Quatro anos atrás, terminei minha crítica de O Telefone Preto com a pergunta: será que veremos novamente o vilão “Grabber”? Bem, o filme custou 18 milhões e a bilheteria foi mais de 161 milhões. Além disso, é uma produção da Blumhouse, que tem várias franquias. Então, para surpresa de ninguém, chegou a continuação.
O problema é que – spoiler do primeiro filme – o vilão morreu. E agora? Como criar algo com um vilão que não está no mundo dos vivos? Por sorte, o filme tem temática sobrenatural. O Grabber virou uma espécie de Freddy Kruger – voltarei a esse ponto mais tarde.
O Telefone Preto 2 (Black Phone 2, no original) repete Scott Derrickson na direção, além de quase todo o elenco. Se passaram alguns anos, as crianças agora são quase jovens adultos, que vivem com o trauma do que aconteceu no primeiro filme. Gwen, a irmã mais nova, tem pesadelos que se mostram cada vez mais perigosos. Eles resolvem ir a uma espécie de acampamento de férias num lago congelado para investigar, e acabam presos lá por causa de uma nevasca.
Assim como no filme anterior, Scott Derrickson consegue criar um bom clima de tensão ao longo do filme. Agora não temos mais um cárcere num porão, mas por outro lado, durante boa parte do filme os personagens estão presos no tal acampamento, isolado por causa da neve – o visual é uma mistura de Sexta Feira 13 (Crystal Lake) com O Iluminado (isolados pela neve). A ambientação no início dos anos 80 também é muito boa, assim como aconteceu no filme anterior (que era no fim dos anos 70).
Scott Derrickson sabe usar sua câmera, e algumas sequências são bem legais. Tem uma onde o personagem está numa cabine telefônica e a câmera está rodando em volta que é muito boa! E ainda tem algumas cenas onde o gore é bem usado.
Sobre a citação ao Freddy Kruger, determinado momento o filme entra numa vibe meio Hora do Pesadelo 3 Os Guerreiros dos Sonhos. Em ambos os filmes, o personagem que está sonhando precisa aprender a lutar dentro do sonho para enfrentar o vilão. Ou seja, ideia repetida. Só não achei um problema porque Hora do Pesadelo 3 foi lançado 38 anos atrás. Ok, já tá liberado reciclar a ideia.
No elenco, Mason Thames e Madeleine McGraw cresceram, e o roteiro soube aproveitar isso, agora os personagens são quase adultos. Aliás, o ator que faz o Ernesto também estava no primeiro filme. Se no outro filme Finn era o principal, agora Gwen tem mais protagonismo. E é curioso que Ethan Hawke não mostra o rosto nenhuma vez. Pode até ser outro ator debaixo da máscara e da maquiagem – imagino ele conversando com o diretor (devem ser amigos, já fizeram três filmes juntos), “Scott, deve estar uma friaca lá, filma com o meu dublê e depois coloco a voz!”.
O Telefone Preto 2 não é o melhor terror do ano, mas não vai fazer feio com a garotada que curte terror pipoca no fim de semana no shopping.








