Casa de Dinamite

Crítica – Casa de Dinamite

Sinopse (imdb): Centrado nos funcionários da Casa Branca que lidam com um ataque iminente de mísseis contra os Estados Unidos, esse drama emocionante se desenrola em tempo real à medida que as tensões aumentam.

Filme novo da Kathryn Bigelow, com elenco cheio de gente legal!

A trama é simples: alguém, no Pacífico – ainda não sabem quem – lançou um míssil nuclear, em direção aos EUA, com possibilidade de atingir uma grande cidade. Eles só têm 19 minutos antes do impacto, pra tentar alguma defesa, ou pra pensar em retaliação.

Heu gosto do formato do roteiro de Noah Oppenheim (curioso um cara com esse sobrenome escrever um roteiro usando uma arma nuclear…). A gente acompanha a história, e depois recomeça tudo sob outro ponto de vista. Quando revemos, às vezes vemos parte dos diálogos mas pelo ponto de vista de outro interlocutor, outras vezes vemos novos elementos. Ok, tem o problema da gente já saber algumas coisas quando revemos, mas mesmo assim o roteiro consegue segurar a atenção do espectador.

(Essa trama me lembrou Maré Vermelha, do Tony Scott, onde um submarino perde o contato com a base, e seus próximos passos podem impedir uma guerra ou começá-la.)

Olhando de longe, Casa de Dinamite lembra o recente Guerra dos Mundos, porque quase todas as cenas são internas, nos bastidores. Mas é a única semelhança. Casa de Dinamite é infinitamente superior. Kathryn Bigelow é muito eficiente ao usar uma câmera nervosa entre o elenco, mantendo a tensão lá no alto.

Não gostei do final. Mas podem ficar tranquilos que não vou falar spoilers. O espectador acompanha um momento tenso, mais de uma vez, e o filme aponta a direção do que vai acontecer, mas não mostra. Kathryn Bigelow quis focar seu filme nas pessoas que estavam conectadas ao evento, e não no que aconteceria no mundo logo depois. Entendo essa opção, mas foi muito anti climático.

O elenco é muito bom. Não tem um protagonista, a trama fica entre os núcleos. Todos estão bem: Rebecca Ferguson, Idris Elba, Jared Harris, Anthony Ramos, Greta Lee, Jason Clarke, Gabriel Basso e Willa Fitzgerald, entre outros.

Casa de Dinamite estreou recentemente na Netflix.

Oppenheimer

Crítica – Oppenheimer

Sinopse (imdb): A história do cientista americano J. Robert Oppenheimer e o seu papel no desenvolvimento da bomba atômica.

Ontem falei de Barbie, hoje vamos de Oppenheimer!

Christopher Nolan é um grande diretor, ninguém questiona isso. Mas, muitas vezes, seus filmes são chatos e pretensiosos. Tecnicamente, Oppenheimer é muito bem feito. Mas… é chato.

São intermináveis três horas de blá-blá-blá, com inúmeros personagens entrando e saindo de tela, com pelo menos três linhas temporais distintas. E é daquele tipo de narrativa que se você se distrai e perde um único diálogo, você se perde pelo resto do filme.

Agora, não podemos dizer que é um filme ruim. Nolan sabe filmar, tecnicamente falando Oppenheimer é muito bom, além de ter uma reconstituição de época irretocável. E o elenco estelar está sensacional.

É até complicado de se falar de tantos atores famosos juntos. Cillian Murphy está muito bem como o principal, e nem sei quem seria o segundo nome mais importante, num elenco que conta com Robert Downey Jr, Matt Damon, Emily Blunt, Florence Pugh, Gary Oldman, Josh Hartnett, Kenneth Branagh, Rami Malek, Alden Ehrenreich, Jason Clarke, Tom Conti, Alex Wolff, Matthew Modine, David Dastmalchian, Dane DeHaan, Jack Quaid, Gustaf Skarsgård e Casey Affleck – entre outros. Se for pra destacar alguém, heu diria que Robert Downey Jr pode ganhar uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante – não só ele está bem diferente do usual como seu personagem tem um bom desenvolvimento. Outro destaque seria para Gary Oldman, que ganhou um Oscar interpretando um líder político na Segunda Guerra Mundial, e agora interpreta outro líder político na mesma guerra. Oldman só aparece em uma cena, mas está sensacional!

A trama vai e vem entre 3 linhas temporais, e a fotografia alterna entre cor e p&b, ajudando o espectador a se situar, a parte em cores seriam divagações sobre a vida do Robert Oppenheimer, enquanto a parte p&b seria documental sobre o julgamento que o cientista foi submetido. Mesmo assim, como tem muita informação ao longo de muito tempo de filme, vai ter espectador perdido.

Confesso que rolou uma certa decepção com a explosão. Nolan é um cara que gosta de filmar coisas reais – o que é algo muito positivo, diga-se de passagem. Em Dunkirk, em uma cena com milhares de soldados na praia, ele fez questão de ter atores até nas fileiras lá atrás onde poderiam ser figuras de papelão. Em Tenet, ele usou um avião de verdade na cena onde o avião bate no hangar. Aqui ele se propôs a mostrar uma explosão atômica sem usar cgi. Ok, é uma explosão bem filmada, mas, não encheu os olhos.

Ouvi gente comentando positivamente sobre a mixagem do som. Mas discordo, achei falha. Em algumas cenas os diálogos ficam embolados atrás de uma trilha sonora alta e efeitos sonoros igualmente altos. Entendo que Nolan queria passar para o espectador que o personagem estava passando por um momento de confusão mental, mas faltou equilíbrio, ficou ruim. Dito isso, preciso admitir que gostei da densa trilha sonora de Ludwig Göransson.

Vai ter muito fã do Nolan elogiando Oppenheimer, afinal, o filme tem seus pontos positivos. Mas, vai ter muito “espectador comum” saindo cansado e confuso da sessão, pensando que teria sido melhor ter comprado ingresso pra ver Barbie.

Cemitério Maldito 2019

Crítica – Cemitério Maldito (2019)

Sinopse (imdb): Dr. Louis Creed e sua esposa, Rachel, mudam-se de Boston para o Maine rural com seus dois filhos pequenos. O casal logo descobre um misterioso cemitério escondido nas florestas perto de sua nova casa.

Nova versão de Cemitério Maldito, um dos livros mais populares de Stephen King. E aí?

Dirigido pela desconhecida dupla Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, este Cemitério Maldito (Pet Sematary, no original), não é um filme ruim. Longe disso. Mas… É igualzinho ao filme feito 30 anos antes. Acho que a palavra certa é “desnecessário”.

Mas… vou repetir um parágrafo que escrevi quando falei da refilmagem de Papillon: “A refilmagem é quase igual ao filme original. Aí fica a pergunta: precisa? O caso é parecido com o recente Assassinato no Expresso do Oriente. A refilmagem não traz nenhuma novidade com relação ao original. Mas por outro lado, dificilmente uma pessoa mais nova vai procurar um filme feito nos anos 70. E é aí que a refilmagem tem o seu espaço: mostrar um filme velho para uma nova geração.”

É por aí. Este Cemitério Maldito tem a mesma função de Papillon e Assassinato no Expresso Oriente. Só precisa mudar “anos 70” pra “anos 80″… 😉

Cemitério Maldito tem uma boa ambientação e acerta no clima de terror (nisso, é mais eficiente que o original). Mas a narrativa é lenta demais, e quase todas as surpresas estão no trailer. Mas admito que gostei do fim.

Sobre o elenco, traço comentários parecidos com o anterior. O casal principal (Jason Clarke e Amy Seimetz) não atrapalha, mas também não se destaca. John Lithgow, como sempre, manda bem. E a menininha Jeté Laurence é fantástica.

Sem querer soar repetitivo, este novo Cemitério Maldito até vale, pra quem não viu o original, ou pra quem viu há muito tempo. Mas é desnecessário.

p.s.: A imagem do cartaz, com as crianças mascaradas (que também estão no trailer) traz uma ideia muito boa, mas sub utilizada. Queria ver mais dessas crianças, pena que elas pouco aparecem…