Crítica – Corra que a Polícia Vem Aí (2025)
Sinopse (imdb): Apenas um homem tem as habilidades necessárias para liderar o Esquadrão Policial e salvar o mundo.
Lembro quando anunciaram o novo Corra Que a Polícia Vem Aí. Não tenho ideia do motivo de terem escalado Liam Neeson para o papel principal – talvez pela piada besta dele ter o sobrenome parecido com o protagonista anterior, Leslie Nielsen. Enfim, não sei o motivo, mas posso afirmar que foi uma boa escolha. Corra Que a Polícia Vem Aí é divertidíssimo, e Liam Neeson está ótimo no papel!
Mas antes de entrar no filme, uma pequena recapitulação. Nem todos lembram, mas antes do primeiro Corra Que a Polícia Vem Aí, existiu um seriado, lançado em 1982, que acho que não passou nas tvs brasileiras na época, mas tenho certeza de que foi lançado em VHS no fim dos anos 80 ou início dos 90 (sei disso porque heu vi, eram só seis episódios de vinte e poucos minutos cada, dava pra ver tudo alugando as fitas). A série era uma criação do trio ZAZ, David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker, os mesmos criadores de Apertem os Cintos o Piloto Sumiu e Top Secret, duas das melhores comédias nonsense da história do cinema. Lançado em 1988, o primeiro Corra Que a Polícia Vem Aí foi dirigido por David Zucker com roteiro do trio, e o mesmo aconteceu com o segundo, Corra Que a Polícia Vem Aí 2 1/2, de 1991. Em 94 fizeram o terceiro, Corra Que a Polícia Vem Aí 33 1/3, que já tinha outro diretor e outro roteirista.
Anos se passaram, agora chegou a continuação, Corra Que a Polícia Vem Aí (o mesmo nome, problema semelhante ao recente Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado – por que não colocar um número???). Nenhum dos três ZAZ está presente aqui. A direção é de Akiva Schaffer, diretor do excelente (e pouco conhecido) Tico e Teco e os Defensores da Lei. A boa notícia é que Schaffer consegue recriar o estilo de humor nonsense semelhante ao do trio. Sabe aquele humor absurdo, tipo o protagonista mastigar um revólver para mostrar que é muito forte? Poizé, isso acontecia naqueles filmes e também acontece aqui.
Vou além: Schaffer também usa uma coisa que heu chamo de “piada em duas camadas” (nem sei se esse termo existe), que é quando o filme está contando uma piada, e lá ao fundo acontece outra piada diferente. Tipo quando, logo no início, Frank Debrin entra na delegacia e estão tirando a foto de um suspeito (o “mugshot”) e tem um ventilador pro cabelo do suspeito ficar esvoaçante. Isso não é importante pra trama, é algo que está lá ao fundo – mesmo assim, é uma piada bem construída e bem executada. Isso tinha de monte nos filmes dos ZAZ, Schaffer soube recriar a ideia, você pode rever o filme e encontrar novas piadas que estão ao fundo das cenas.
Há tempos heu não via uma comédia tão engraçada numa sala de cinema. Atualmente, os filmes mais engraçados são os filmes de super herói, tipo Deadpool e Wolverine. Fui checar aqui no heuvi, de um ano pra cá só vi seis comédias: Golpe de Sorte em Paris, Anora, Operação Natal, Lobos, Bridget Jones e O Esquema Fenício – nenhum dos seis chega a causar gargalhadas. Vou te falar que Corra Que a Polícia Vem Aí sozinho tem mais piadas que todos os seis somados!
(Vou falar uma heresia. Semana passada revi o primeiro Corra Que a Polícia Vem Aí de 1988, pra me lembrar do clima do filme. E preciso dizer que ri mais neste novo filme de 2025.)
E, assim como Leslie Nielsen funcionava muito bem como o Frank Debrin pai nos filmes dos anos 80 e 90, Liam Neeson aqui está ótimo. O personagem tem que ser um cara completamente sem noção, e manter uma expressão séria diante de vários absurdos. Heu ia dizer que é o melhor filme do Liam Neeson em muito tempo, mas isso é fácil, ele só tem feito porcarias de um bom tempo pra cá. Ah, curiosidade: não parece, mas Liam Neeson hoje é bem mais velho do que Leslie Nielsen quando fazia os filmes. Neeson está com 72 anos; Nielsen tinha 67 quando filmou o terceiro, Corra Que a Polícia Vem Aí 33 1/3.
Claro, nem todas as piadas funcionam. Mas é uma crítica que também faço aos filmes antigos, porque não acho graça em “piada de pum” – como quando Frank Debrin está mostrando as filmagens da câmera corporal e a gente vê que ele teve diarreia. Mas, como esse estilo de piada também estava nos outros filmes, não cabe reclamar agora – no primeiro filme, Frank Debrin vai ao banheiro com um microfone de lapela ligado ao som de uma entrevista coletiva. Mesmo assim, as boas piadas superam as piadas ruins.
No elenco, o único nome que vale ser citado além de Neeson é Pamela Anderson, que entrou bem no clima das piadas absurdas. Também no elenco, Danny Houston, Kevin Duran, Paul Walter Hauser e CCH Pounder.
No fim do filme, são duas cenas pós créditos. Mas as piadas não ficam só nessas duas cenas. Tem uma música nos créditos que é continuação de uma piada do filme; e ao longo dos créditos, várias piadinhas espalhadas. Vale ficar pra ler.
Por fim, a sessão de imprensa foi dublada, o que achei ruim. Entendo que queiram adaptar algumas piadas para o público brasileiro, mas sempre acho que um filme perde com a dublagem.


