Crítica – Tron: Ares
Sinopse (imdb): Um altamente sofisticado programa, Ares, é enviado do mundo digital para o mundo real em uma missão perigosa.
O primeiro Tron, de 1982, foi um grande marco nos efeitos especiais. Revisto hoje, o filme é meio besta, e os efeitos parecem vergonhosos, mas, na época, explodiu cabeças: era um filme que se passava parcialmente dentro de um computador!
(Heu nasci em 1971. Vi Tron no cinema, na época do lançamento, e achei aquilo o máximo. Mas… revi semana passada, antes de ver o novo, e constatei que os efeitos estão realmente vencidos. É tudo meio monocromático, às vezes parece até animação em rotoscopia. E os gráficos só com linhas, objetos sem volume 3D, são muito toscos.)
Foi um marco, mas até onde sei, nunca teve um grande fandom. Muita gente respeita, mas pouca gente é fã. Tanto que a continuação só veio 28 anos depois, em 2010. E Tron: Legacy é um filme tão esquecível que só me lembro da trilha sonora do Daft Punk e do efeito de rejuvenescimento digital no Jeff Bridges, que na época era novidade, mas hoje em dia já “perdeu a validade”
Mais quinze anos, e chega ao circuito o terceiro filme. Ninguém pediu, ninguém se importa, mas está em cartaz
(Antes, uma piadinha ruim sobre o nome. “Tron Três” parece trava línguas, “um tigre, dois tigres, Tron três tigres”. E “Tron Ares” soa bem parecido com o ex jogador do Fluminense, “Jhon Arias”. Quando ouço alguém falando “Tron Ares” muitas vezes me confundo.)
Dirigido por Joachim Rønning, Tron: Ares volta ao universo criado no primeiro filme, mas com uma novidade: agora os programas podem sair do computador e interagir com humanos no mundo real. Mas, mais uma vez, o resultado não empolga. Tron: Ares é um filme bonito, com efeitos especiais excelentes, uma boa trilha sonora, mas só isso. Será esquecido, assim como Tron: Legacy.
Bem, reconheço que algumas sequências são boas. Sabe aquelas motos que fazem uma “parede” por onde passam, criando um labirinto em um jogo? A gente vê uma cena com essas motos numa rua no mundo real. Ok, aquilo não faz sentido se a gente parar pra pensar, aquelas paredes de energia iam causar danos generalizados, gente ia morrer – mas a cena ficou bonita. Também gostei de uma cena que mostra um sistema sendo invadido e o antivírus reagindo, e vemos isso como se fossem guerreiros. Boa sacada.
E tem uma sequência pra afagar a memória de quem lembra do primeiro filme, uma sequência emulando o cenário e os efeitos “velhos”. Foi legal rever aqueles cenários, mas tenho um mimimi. Aparece o Jeff Bridges, cujo personagem ficou lá. Mas, caramba, é um ambiente digital, por que ele está velho? Seria mais legal vê-lo exatamente igual ao visual que ele tinha em 1982. Certamente hoje ia ficar melhor que o Jeff Bridges rejuvenescido digitalmente que a gente viu quinze anos atrás.
(Aproveito pra outro mimimi: o filme se chama Tron, mas o personagem Tron não aparece. Nada a ver!)
Comentários sobre a trilha sonora. O primeiro filme traz trilha da Wendy Carlos (pioneira do uso de sintetizadores na música clássica, autora das trilhas de Laranja Mecânica (quando ainda assinava Walter Carlos) e O Iluminado); o segundo tem a trilha assinada pelo grupo Daft Punk – ambas as trilhas são excelentes. Agora a trilha ficou a cargo da banda Nine Inch Nails, e também é um dos pontos altos do filme. Mas… Reconheço que o trabalho do Nine Inch Nails foi muito bom, mas não tem nenhum tema marcante, e o segundo filme tinha. Se heu for assistir um show, vou preferir Nine Inch Nails do que Daft Punk, mas preciso reconhecer que o Daft Punk fez um trabalho melhor.
No elenco, Jared Leto faz aquele clichê da IA que começa a questionar seu criador – mas ele mais uma vez não convence. Evan Peters se sai melhor dentro de outro clichê, o CEO rico que se acha dono do mundo. Greta Lee está apenas ok, e Gillian Anderson está desperdiçada (assim como Jeff Bridges).
Rola uma cena pós créditos com um gancho pra mais um Tron. Claro que vou ver se fizerem. Mas não faço questão.

