Song Sung Blue – Um Sonho A Dois

Crítica – Song Sung Blue – Um Sonho A Dois

Sinopse (imdb): Lightning and Thunder, um casal de Milwaukee que presta homenagem a Neil Diamond, experimentam um sucesso avassalador e uma decepção devastadora em sua jornada musical juntos.

Estava na dúvida se valia a pena ou não ver Song Sung Blue. É um filme sobre um duo que faz cover de Neil Diamond, cantor que sei da existência mas não conheço nenhuma música. Mas pensei, Hugh Jackman, Kate Hudson, gosto de filmes ligados a música, resolvi arriscar. Que bom que arrisquei, foi uma boa surpresa, Song Sung Blue é um filme bem agradável.

Mike, que usa o apelido Lightning, é um músico que faz cover. Quando conhece Claire, ela sugere que ele crie um show tributo ao Neil Diamond. Mike e Claire são pessoas reais, o filme conta a história deles. Heu nunca tinha ouvido falar na dupla Lightning and Thunder, então, pra mim, tudo era novidade na história do duo. E a história deles é muito boa, realmente merecia ser contada.

O ritmo do filme começa bem, mas tem uma queda na segunda metade, depois que acontece um acidente. Song Sung Blue tem duas horas e doze minutos, talvez apresentasse um resultado melhor se desse uma enxugada nesse miolo. Pelo menos melhora depois, a parte final é empolgante. Mesmo a história não sendo toda “feel good” (a história do casal tem altos e baixos), o espectador sai feliz do cinema.

A parte musical é muito boa. Não conhecia as músicas do Neil Diamond – na verdade, só reconheci os refrães de Song Sung Blue e Sweet Caroline. Mas algumas músicas são muito boas, como aquela do primeiro ensaio na garagem, ou aquela quase gospel no show perto do fim do filme. Mas, mais importante que isso é a interpretação dos atores músicos. Sempre quando vejo um ator interpretando um músico, presto atenção em suas mãos, em sua postura. O cara não precisa saber tocar, mas precisa convencer que está tocando – quando vemos um ator interpretando um cirurgião, ele não precisa saber operar, mas precisa parecer que sabe o que está fazendo. E neste aspecto, Song Sung Blue é muito bom, são vários momentos musicais, e em todos os atores realmente convencem – tanto nos instrumentos quanto na voz. Um exemplo: tem uma apresentação em um funeral, ouvimos um dedilhado de guitarra, os dedos do guitarrista estão coerentes com o que a gente ouve. Se são as notas certas? Não importa, o que vale é que ele realmente parece saber o que está fazendo.

Dito isso, queria fazer um mimimi de tecladista. Existem diferentes tipos de teclados, para diferentes objetivos. Tem simulador de órgão, piano digital, sintetizadores com opções de sintetizar os timbres, controladores midi, workstations (que são uma espécie de tudo em um), etc. E existem arranjadores, que têm opção de acompanhamento e caixas de som, e normalmente são usados em casa, ou em pequenos shows só com o tecladista e o cantor. Isso independe de preços, existem opções mais ou menos caras pra cada tipo. Normalmente não se usa um arranjador em uma banda, porque eles têm menos recursos. E durante todo o filme, a Kate Hudson usa um arranjador, que parece ser o Yamaha PSR-350. Ficou estranho ver uma banda abrindo pro Pearl Jam, usando um teclado arranjador. Kate foi casada por sete anos com Chris Robinson, vocalista do Black Crowes, ela deve ter alguma experiência em instrumentos musicais, será que ela não achou estranho? Acho que isso deve ser algo da dupla original Lightning and Thunder, mas catei no google e no youtube e não achei nenhuma imagem da Thunder tocando, ela está sempre cantando ou no máximo segurando uma pandeirola. Não sei o motivo de terem usado um PSR no filme, mas que ficou estranho, ah, ficou…

No elenco, os dois principais estão muito bem. Já tinha visto Hugh Jackman cantando (O Rei do Show, Os Miseráveis), mas não lembro da Kate Hudson cantando em outro filme. E aqui ambos cantam, e bem. E digo mais: Kate está tão bem no seu papel que foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz por este papel. Também no elenco, Michael Imperioli, Fisher Stevens e Jim Belushi.

Song Sung Blue foi co-escrito e dirigido por Craig Brewer, diretor que heu não conhecia. Mas certamente ficarei de olho nos seus próximos projetos.

Glass Onion: Um Mistério Knives Out

Crítica – Glass Onion: Um Mistério Knives Out

Sinopse (Netflix): O famoso detetive Benoit Blanc vai à Grécia para desvendar um mistério que envolve um bilionário e seu eclético círculo de amizades.

Em 2019, fomos apresentados a Entre Facas e Segredos, um divertido “whodoneit”, com elenco estelar e algumas boas reviravoltas no roteiro. Pra quem curtiu, temos agora outro filme com o mesmo detetive, o Benoit Blanc de Daniel Craig. Não é uma continuação, é apenas outra história com o mesmo personagem.

(Glossário: Whodunit é o estilo de história onde acontece um crime, a trama levanta vários suspeitos e o espectador é instigado a descobrir quem é o culpado.)

Escrito e dirigido pelo mesmo Rian Johnson do primeiro filme, Glass Onion: Um Mistério Knives Out (Glass Onion: A Knives Out Mystery, no original) leva Benoit Blanc para uma festa particular onde deveria acontecer um jogo, mas uma pessoa acaba morrendo e o espectador então precisa descobrir quem é culpado e qual é o motivo. E, assim como acontece no filme anterior, o roteiro (muito bem escrito, precisamos reconhecer) dá um monte de voltas, e nem sempre o que parece que estamos vendo é o que realmente estamos vendo.

(Gostei muito do roteiro de Glass Onion, mas preciso reconhecer que algumas coisas soam meio forçadas. Só vi o filme uma vez, mas desconfio que ao rever a gente deve encontrar algumas inconsistências aqui e ali. Nada grave, felizmente.)

Sim, o espectador vai pensar no jogo Detetive. E isso é citado no filme, vira uma piada no roteiro. Aliás, outra coisa boa a se falar do roteiro é que achei o humor muito bem dosado. Glass Onion não é uma comédia escrachada, mas tem algumas cenas bem engraçadas. E aquele personagem aleatório que está passeando pela ilha cria algumas cenas hilárias!

Ainda queria falar dos cenários. Glass Onion foi filmado num hotel chique na Grécia. O hotel é tão caro que os atores não puderam ficar hospedados lá! E o visual é muito bonito, coerente com uma casa de um bilionário com dinheiro sobrando. Ah, a cebola de vidro no topo da construção é cgi.

Como acontece no primeiro filme, o elenco também é muito bom. Além do já citado Daniel Craig, o elenco conta com Edward Norton, Kate Hudson, Dave Bautista, Janelle Monáe, Kathryn Hahn, Jessica Henwick, Leslie Odom Jor. e Madelyn Cline, e rápidas participações de Ethan Hawke e Hugh Grant. Além deles, vemos Stephen Sondheim, Angela Lansbury, Natasha Lyonne e Kareem Abdul-Jabbar num jogo de Among Us online. E a voz do “relógio” é do Joseph Gordon Levitt.

Por fim, queria falar do nome do filme. O primeiro filme se chama “Knives Out”, e foi traduzido com o nome galhofa “Entre Facas e Segredos”. Ok, estamos acostumados com nomes galhofa, tipo “Loucademia de Polícia” ou “Todo Mundo Quase Morto”, isso é algo comum no cinema aqui no Brasil. Aí lançaram um segundo filme “Glass Onion: A Knives Out Mystery”. Por que? Glass Onion, ok, mas aqui não tem nada de Knives Out – as facas são algo importante no primeiro filme, não são aqui. Mas, ok, fizeram essa lambança no título original. Aí vão traduzir aqui, e deveria ser “Cebola de Vidro: Entre Facas e Segredos 2”, ou algo parecido. Mas não, mantiveram partes do nome em inglês: “Glass Onion: um Mistério Knives Out”. Caramba, por que??? Era pra avisar ao público que esse filme tem a ver com aquele? Mas aqui no Brasil o primeiro filme não se chama “Knives Out”!!!

Dívida de Sangue / Good People

good peopleCrítica – Dívida de Sangue / Good People

Um casal americano, morando na Inglaterra e com dificuldades financeiras, encontra uma mala cheia de dinheiro, que pertencia a um inquilino, encontrado morto por uma overdose. Só que os donos do dinheiro não tardam a aparecer.

Estreia hollywoodiana do dinamarquês Henrik Ruben Genz, Dívida de Sangue / Good People tem alguns problemas básicos. Em primeiro lugar, a trama é batida, a gente já viu este tipo de filme antes (quem mais se lembrou do Cova Rasa?). Mas o ritmo do início do filme é bom, e a gente até esquece esse detalhe – afinal, tem muito filme bom que parte de ideias recicladas.

Mas, do meio pro fim, o filme toma vários rumos que fogem de qualquer lógica. Várias situações que a gente pensa “isso nunca aconteceria na vida real” – tipo quando eles fogem para “se esconder” no motel mas todo mundo sabe onde eles estão. Além disso, tudo fica previsível demais, conseguimos antecipar cada passo do filme. E quando vemos o momento “armadilhas do Esqueceram de Mim“, o filme já perdeu qualquer credibilidade que ainda podia lhe restar.

Pena, porque o elenco nem está mal. Kate Hudson e James Franco funcionam bem juntos (e Kate ainda brinda seus fãs com uma rápida cena de nudez parcial). Também no elenco, Anna Friel, Tom Wilkinson, Omar Sy e Sam Spruel.

Dispensável. Vale mais a pena rever o citado Cova Rasa.

Clear History

Crítica – Clear History

Um filme escrito e estrelado por Larry David e dirigido por Greg Mottola, o mesmo de Paul? Claro que quero ver!

Às vésperas de um lançamento de um novo modelo de carro elétrico, um dos sócios encrenca com o nome do produto e decide abrir mão de sua parte na sociedade. Mas o carro é um sucesso e ele deixa de ganhar milhões. Dez anos depois, vivendo sob um pseudônimo, ele decide armar uma vingança contra seu antigo sócio.

Larry David é um dos criadores de Seinfeld, ao lado do Jerry Seinfeld, mas hoje em dia ele é mais famoso pela série Segura A Onda / Curb Your Enthusiasm, escrita e estrelada por ele. Acompanhei algumas temporadas, a série tinha uma fórmula básica: David interpretava ele mesmo, sempre se metendo em situações sociais constrangedoras.

Clear History só não parece um episódio esticado de Curb Your Enthusiasm pelo aspecto técnico – a série tinha estética de câmera na mão e imagem de vídeo caseiro, opção felizmente não usada pelo diretor Greg Mottola. Mas o personagem Nathan / Rolly parece ter saído direto da série.

A lógica social de Larry David muitas vezes soa forçada no “mundo real”. Me parece quase sempre uma “tempestade em copo d’água. Por exemplo: determinado momento do filme, cria-se um clima tenso por causa de talheres colocados em cima da mesa de um restaurante. Este é o problema de Clear History. A trama se baseia em um sujeito constrangido porque perdeu muito dinheiro em um negócio mal conduzido. Mas para o filme funcionar, TODOS precisam se lembrar dos detalhes da história, mesmo dez anos depois. E na vida real, as pessoas iam se esquecer por ser um fato menos relevante.

Deixando esse detalhe de lado, o filme é bem divertido. Os órfãos da série (foi ao ar entre 2000 e 2011) podem se reencontrar com o velho rabugento que questiona várias convenções sociais, e quase sempre sem o menor tato ao fazer isso…

O elenco é cheio de nomes legais, como John Hamm, Kate Hudson, Eva Mendes, Amy Ryan, Bill Hader, Danny McBride e Philip Baker Hall, além do próprio Larry David, claro. Mas o melhor do elenco sem dúvida é Michael Keaton, que parece fazer uma versão “viva” do seu Beetlejuice!

Clear History é um “filme de tv”, foi feito pela HBO e não foi lançado nos cinemas lá fora. Por isso, não sei se vai entrar no circuito por aqui…

The Killer Inside Me

The Killer Inside Me

Lou Ford (Casey Affleck) é o xerife de uma pequena cidade do Texas, e tem um enorme carisma e goza da simpatia de todos à sua volta. Porém, por trás dessa aparência tranquila e segura, reside uma personalidade perigosamente instável e violenta.

Além de ser um filme demasiado lento, The Killer Inside Me tem outro problema: o seu protagonista. Não li o livro homônimo de Jim Thompson onde o filme se baseou, não sei como era o Lou Ford original. Mas o de Casey Affleck não empolga.

E Affleck não é o único sub aproveitado no elenco. Kate Hudson está apagada, nem parece a mesma de filmes como Quase Famosos e A Chave Mestra. Jessica Alba está ok, mas, convenhamos, ela fez alguns filmes legais (Sin City, Machete), mas nunca foi mais do que um rosto bonito…

(O elenco traz outros bons nomes, como Elias Koteas, Bill Pullman Simon Baker e Ned Beatty. Mas todos também com atuações burocráticas.)

A violência presente no filme causou uma certa polêmica, mas acho que foi por mostrar com crueza cenas de mulheres apanhando. Afinal, o cinema hoje em dia mostra coisa bem pior.

O diretor é Michel Winterbottom, que já fez filmes convencionais como A Festa Nunca Termina, mas também polêmicos como o quase pornô 9 Songs. Este The Killer Inside Me, apesar da violência, está entre os convencionais.

Enfim, não é ruim, mas tem coisa melhor por aí.

A Chave Mestra

A Chave Mestra

A jovem enfermeira Caroline Ellis (Kate Hudson) desiste de trabalhar em hospitais e resolve pegar um emprego cuidando de um senhor com problemas de paralisia, numa velha e sinsitra mansão cheia de quartos, em Nova Orleans.

Apesar de dos nomes principais deste filme (a atriz Kate Hudson e o diretor Ian Softley) não terem feito outras produções do gênero, “A Chave Mestra” (“The Skeleton Key”), de 2005, é um dos melhores suspenses dos últimos anos!

“A Chave Mestra” fala do hodu, uma espécie de vodu, praticado em Nova Orleans. O hodu é uma antiga magia afro-americana que só funciona se você acredita nela.

Um dos trunfos do filme é o velho casarão onde a trama se passa. Inclusive, a tal “chave mestra” do título tem a ver com a casa – é a chave que serve para abrir (quase todos) os diversos cômodos que vivem trancados. Muito boa a escolha do cenário!

A carreira do diretor inglês Ian Softley é curiosa: de 1994 até hoje, ele só fez seis longas, de diversos estilos. Este é o seu único filme de terror. Ele também fez filmes como “Backbeat – Os Cinco Rapazes de Liverpool”, “Hackers”, “K-Pax” e, recentemente, “Coração de Tinta”.

O elenco está excelente. Kate Hudson, a Penny Lane do maravilhoso “Quase Famosos“, e que atualmente parece que se especializou em fazer comédias românticas, está ótima como a cética Caroline. E John Hurt impressiona ao interpretar o quase paralisado Ben Devereaux. De quebra, ainda temos Peter Sarsgaard, que recentemente também mandou bem no ótimo “A Órfã“. Ainda no elenco, Gena Rowlands e Joy Bryant.

Você lembra do furacão Katrina? Para quem não lembra: o Katrina destruiu quase toda Nova Orleans, porque boa parte da cidade fica abaixo do nível do mar. Isso aparece no filme, no fim, quando chove daquele jeito e a água não escoa. E o curioso é que “A Chave Mestra” passou aqui no Brasil logo depois da tragédia em Nova Orleans.

Por fim, preciso falar que gosto muito do fim deste filme. O fim foge dos padrões hollywoodianos, heu quase citei este filme no Top 10 de finais surpreendentes!

Quase Famosos

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Quase Famosos

Outro dia falei aqui do filme Rock Star, que mostra os bastidores de uma banda de rock dos anos 80 através de um personagem mais novo, no caso, um cantor de uma banda cover. Quase Famosos é parecido: conhecemos os bastidores de uma banda de rock, só que desta vez dos anos 70; através de um outro personagem mais novo ainda, um adolescente que se passa por repórter da revista Rolling Stone.

Mas esse filme não é uma cópia, longe disso! Arrisco dizer que esse é ainda melhor que Rock Star!

O filme foi baseado na experiência do próprio diretor Cameron Crowe, que escreveu para a mesma Rolling Stone quando ainda era novo – acredito que não tão novo quanto William Miller, o garoto que mata aulas na escola pra acompanhar a Stillwater, uma banda em ascenção que está prestes a virar matéria de capa da revista.

E o jovem William Miller e sua saga nos deram um dos melhores filmes da história do rock’n’roll!

Esse filme é delicioso. Tudo funciona direitinho. O elenco é perfeito, liderado pelo quase desconhecido Patrick Fugit, e com nomes como Kate Hudson, Billy Crudup, Jason Lee, Anna Paquin, Frances McDormand e Philipp Seymour Hoffman. A trilha sonora tem muitas músicas boas de muitos artistas dos anos 70, como Led Zeppelin, The Who, Elton John, Black Sabbath, Yes, Lynyrd Skynyrd, Beach Boys, etc. E a banda Stillwater passa a impressão de que realmente estava lá!

A banda “fake” Stillwater merece um parágrafo… Eles realmente ensaiaram 4 horas por dia, 5 dias por semana, durante 6 semanas! As músicas interpretadas pela banda foram compostas pelo diretor Cameron Crowe, sua esposa Nancy Wilson (ex vocalista do Heart) e “um tal de” Peter Frampton. Frampton, inclusive, ensinou a Billy Crudup a postura de palco de um verdadeiro guitarrista (quem diria, o peladão azul de Watchmen toca guitarra!). E o nosso vocalista Jason Lee copia o estilo de Paul Rodgers, aquele mesmo que está hoje no Queen.

O resultado? Como poucas vezes na história de Hollywood, a banda parece realmente uma banda na tela… Temos até a briga de egos da dupla vocalista / guitarrista, que quer ser como Robert Plant vs Jimmy Page, ou Ian Gillan vs Ritchie Blackmore!

O filme tem várias cenas memoráveis, como a sensacional cena da pane no avião, ou toda a sequência da “fuga” de Russell Hammond e sua volta, com a galera cantando Tiny Dancer no ônibus…

Foi lançado aqui no Brasil um dvd duplo, com a versão que passou nos cinemas e outra versão, a do diretor, com duas horas e quarenta de filme. Recomendo fortemente essa versão mais longa. Acredite, não parece muito num filme desses…