Enterre Seus Mortos

Crítica – Enterre Seus Mortos

Sinopse (imdb): Em uma paisagem rural apocalíptica, o coletor de animais atropelados Edgar Wilson planeja uma fuga com sua namorada Nete, mas tem sonhos violentos.

Enterre Seus Mortos passou no Festival do Rio ano passado, não consegui ver, mas alguns amigos viram, e todos foram unânimes: era um dos piores filmes daquele ano. Mais de um ano depois, passou nos cinemas e finalmente tive oportunidade de assistir, e concordo com eles. Pensei em não fazer texto sobre Enterre Seus Mortos, porque não gosto muito de falar mal de terror nacional. Mas Enterre Seus Mortos foi tão decepcionante que talvez ele volte no top 10 de piores do ano. Então bora comentar logo.

Enterre Seus Mortos é o novo filme dirigido por Marco Dutra. Não sou muito fã do estilo dele, mas já vi alguns dos seus filmes. E ele merece respeito porque quase sempre consegue colocar seus filmes no circuito, coisa rara em se falando em terror nacional. O filme foi baseado no livro homônimo, escrito por Ana Paula Maia, que co-escreveu o roteiro com Dutra.

(Enterre Seus Mortos estava em cartaz. Fui ao Cinemark Downtown numa segunda feira para assistir. E heu era o ÚNICO dentro da sala de cinema. Fico triste pela bilheteria ruim. Mas, olhando pelo lado egoísta, olha só, não tinha ninguem usando celular…)

Enterre Seus Mortos começa bem. O espectador cai direto num mundo apocalíptico, onde pessoas estão fugindo do planeta e uma religião fundamentalista toma conta da sociedade. Somos apresentados a Edgar Wilson, um cara cujo trabalho é recolher animais mortos que podem estar contaminados.

(Sabe aquelas coisas que só heu penso? Toda vez que ouvia “Edgar Wilson” me lembrava de Ed Wilson, cantor da época da Jovem Guarda, um dos fundadores da banda Renato e Seus Blue Caps…)

A trama é arrastada, mas reconheço que estava gostando desse clima apocalíptico maluco. Mas, na parte final, o filme muda para uma direção completamente diferente. Mas vou ter que entrar nos spoilers pra comentar isso.

SPOILERS!

A distopia apocalíptica estava andando bem. Mas do nada mudam o foco do filme e vira um filme de possessão demoníaca. De onde veio isso?

Depois ainda tem uma maluquice de uma menina polvo. Mas quando isso apareceu, o filme já tinha me perdido com a possessão.

FIM DOS SPOILERS!

No elenco, gostei de ver Selton Mello num papel um pouco diferente do de sempre. Não que seja uma grande atuação, não é. Mas, sabe aquele estilo sempre igual, que ele repete em qualquer filme ou programa de TV? Aqui ele não está igual. Já Marjorie Estiano, grande atriz, aqui só faz o feijão com arroz. Também no elenco, Betty Faria, Danilo Grangheia e Gilda Nomacce.

Gosto do Marco Dutra, gosto de prestigiar terror nacional. Tomara que 2025 tenha dez filmes piores…

Abraço de Mãe

Crítica – Abraço de Mãe

Sinopse (imdb): Durante uma grande tempestade no Rio de Janeiro em 1996, a bombeira Ana e sua equipe de bombeiros precisam evacuar uma casa de repouso em colapso, mas os misteriosos residentes têm outros planos sinistros.

Ih, olha lá, tem terror nacional novo na Netflix!

Quando li sobre Abraço de Mãe, achei que era um filme argentino, porque o diretor Cristian Ponce é argentino. Mas não, é uma produção brasileira. Legal!

Abraço de Mãe traz a história de Ana. Depois de um prólogo nos anos 70 que explica seu trauma de infância, vemos Ana trabalhando no corpo de bombeiros, na época de uma grande chuva no Rio de Janeiro, em 1996.

(Curioso que pelo filme, o Rio de Janeiro teria tido uma traumática tempestade em 1996. Morei quase minha vida inteira no Rio, já vivi grandes chuvas em diversos anos, não me lembro de 96 ter sido pior…)

Tecnicamente, Abraço de Mãe é muito bom. Bom elenco, bons cenários, boa reconstituição de época, efeitos especiais simples e eficientes. O melhor aqui é o clima de mistério que rola naquele asilo onde boa parte do filme se passa. Excelente uso da locação. Outro ponto a ser elogiado é o elenco. Principalmente a protagonista Marjorie Estiano. Sou fã dela pela série Sob Pressão, e aqui ela dá um show.

Mas… O clima é muito bom, a trama é envolvente e está andando num bom ritmo, mas o final aberto demais me incomodou. Preciso falar do final. Segue um aviso de spoilers:

SPOILERS!

Na minha humilde opinião, o final do filme é decepcionante. Abraço de Mãe levanta algumas coisas legais e instigantes, mas não desenvolve nada. Vemos que existe um monstro ou criatura, vemos garras e tentáculos, mas não sabemos o que é a criatura, se é algo sobrenatural ou alienígena ou sei lá o que poderia ser. Vemos que pessoas estavam esperando uma grande tempestade pra fazer um culto ou algo parecido, mas não sabemos o que seria aquilo. A filha do argentino estava sendo preparada, mas não sabemos para que.

Não acho que um filme precisa explicar todos os detalhes, mas levantar ideias boas e não desenvolvê-las me pareceu um desperdício. Sempre defendo filmes curtos, mas neste caso em particular, acho que seria melhor ver mais 10 minutos mostrando mais cenas sobre esses elementos misteriosos.

FIM DOS SPOILERS!

Mesmo decepcionado com o final, ainda acho que Abraço de Mãe foi uma boa experiência. Que vejamos mais terror nacional na Netflix!