Velhos Bandidos

Crítica – Velhos Bandidos

Sinopse (imdb): Um casal de idosos aposentados se junta a jovens parceiros para planejar um audacioso roubo a banco, enquanto tenta despistar um detetive determinado a impedi-los.

Heu não ia falar sobre este Velhos Bandidos. Não é um grande filme, é uma apenas diversão bobinha. Mas tem tanta gente falando mal que me vi obrigado a vir aqui defender o filme.

Um casal rouba residências de idosos enquanto estes viajam em cruzeiros. Durante um roubo, o casal de velhinhos que mora naquela casa volta e consegue prender os dois. Mas em vez de levá-los à polícia, os convida para um assalto bem mais ambicioso.

Vamulá. Como falei, Velhos Bandidos não é um grande filme. É uma comédia bobinha, previsível e cheia de clichês. Mas… Sempre defendi que o cinema nacional precisa de maior diversidade de estilos se quiser evoluir. A grande maioria das filmes brasileiros ou são filmes cult querendo premiações em festivais, ou são comédias bestas com Leandros Hassums e Ingrids Guimarães da vida. Nada contra a existência desses filmes – o primeiro grupo traz prestígio internacional, o segundo vende muitos ingressos. Mas precisamos de variedade. Precisamos de terror, de aventura, de ficção científica, de musicais. Então quando aparece um filme nacional que não se enquadra em nenhum desses dois grupos, heu defendo (a não ser que seja um filme muito ruim). Defendi a refilmagem do suspense Quarto do Pânico, vou defender Velhos Bandidos, que é uma comédia de ação em cima de um roubo – estilo chamado de “heist movie” em Hollywood. Nenhum dos dois é um grande filme, mas ambos são diversões honestas. E ambos ajudam a evolução do cinema nacional como um todo.

A direção é de Claudio Torres, filho da protagonista Fernanda Montenegro, que dirigiu A Mulher Invisível e O Homem do Futuro (entre outros) – outras duas comédias leves e divertidas que também não carregam a pretensão de serem grandes filmes. Às vezes um filme pode ser despretensioso e mesmo assim pode ser elogiado!

Além disso, o elenco de Velhos Bandidos é ótimo. Afinal, não é todo dia que reunimos Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Bruna Marquezine, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos e Reginaldo Faria. O elenco secundário também traz alguns grandes nomes, como Vera Fischer, Tony Tornado, Hamilton Vaz Pereira e Nathalia Timberg – mas esses mereciam um roteiro melhor, algumas dessas participações parecem estar ali só pelo nome famoso, alguns personagens são bem bestas. Mas mesmo assim, só por esse elenco, já vale ver o filme.

Acho que o que pesou para parte das pessoas que reclamaram é que a Fernandona disse que este seria seu último filme – ela está com impressionantes 96 anos! De repente queriam que ela encerrasse a carreira com um grande filme. Ou seja, é uma espécie de head canon: o problema não é o filme, e sim a expectativa criada pelo filme.

Não ouçam os críticos rabugentos. Vá ao cinema e divirta-se!

O Quarto do Pânico (2025)

Crítica – O Quarto do Pânico (2025)

Sinopse (imdb): Após perder o marido e se mudar, uma mulher e sua filha pré-adolescente se escondem na sala secreta de sua nova casa durante uma invasão. O problema é que os ladrões procuram algo guardado justamente naquele cômodo.

O Quarto do Pânico é um filme de 2002, dirigido por David Fincher e estrelado por Jodie Foster, Kristen Stewart, Forest Whitaker e Jared Leto, Vi na época, lembro que gostei, mas nunca revi. Claro, lembro de pouca coisa do filme. Aí agora apareceu uma refilmagem brasileira. Vou comentar a refilmagem como se não tivesse visto o filme original, ok?

Traumatizada pela perda do marido em um assalto, Mari se muda com sua filha para uma casa que tem um “quarto do pânico”, um cômodo onde pode se esconder se a casa for assaltada. Claro que a casa será invadida…

A direção é de Gabriela Amaral Almeida, de O Animal Cordial. Gabriela consegue construir um bom clima de tensão ao longo de pouco mais de uma hora e meia de projeção. As reações dos personagens, tanto dos invasores quanto das vítimas, parecem legítimas. Por outro lado, existe um problema em trazer o filme para os dias de hoje, porque tudo hoje em dia é super conectado. E os ladrões conseguem facilmente entrar na casa e cortar os sinais de telefone e internet, não sei se seria algo tão fácil de se fazer. Em 2002 o mundo era menos online, talvez fosse melhor situar o filme naquela época.

(Tem um outro problema, menor, mas preciso citar. Ela está se mudando pra uma mansão cheia de aparatos tecnológicos, mas tem alguma falha na energia elétrica, e a luz de vez em quando pisca. Aí resolveram incluir uma subtrama de “o fantasma do seu marido está observando através das luzes piscando”. Sério? Quem tem dinheiro pra se mudar pra uma casa dessas tem dinheiro pra chamar um eletricista e checar a fiação da casa! Essa subtrama do fantasma do marido ficou péssima!)

O nome principal do elenco é Isis Valverde, que está ok (pelo menos está bem melhor que em Código Alarum). Mas o melhor do elenco está nos três invasores, cada um com uma personalidade diferente. André Ramiro faz o “ladrão profissional”, o lance dele é o roubo e só; Caco Ciocler faz um cara que prefere a violência quando surge um problema; e Marco Pigossi está ótimo como o ladrão completamente alucinado. Curti o over acting!

Provavelmente alguns dos elogios aqui seriam feitos igualmente ao filme original, não sei se tem algo aqui que se sobressai. Mas, defendo quando o cinema nacional sai do óbvio. E não é todo dia que vemos um suspense feito no Brasil. Então O Quarto do Pânico tem a minha defesa, mesmo que seja ideia reciclada.

O Quarto do Pânico passou no Festival do Rio do ano passado, mas não vai ser lançado no cinema, foi direto pro streaming.

Cidade Oculta

Crítica – Cidade Oculta

Sinopse (imdb): Uma misteriosa dançarina de cabaré envolve-se com um bandido e acaba na mira de policiais corruptos. O universo marginal de uma metrópole fundindo elementos da cultura pop, do “film noir” e das histórias em quadrinhos.

E vamos dar continuidade à playlist de filmes ligados ao rock nacional dos anos 80. Hoje é dia de Cidade Oculta, de 1986, dirigido por Chico Botelho.

Cidade Oculta tem pelo menos duas grandes diferenças para os outros seis filmes que citei aqui. Uma delas é a ambientação em São Paulo. Não sou um grande entendedor de Embrafilme nos anos 80, mas os outros filmes da minha playlist têm mais cara de cariocas. Bete Balanço e Rádio Pirata se passam no Rio; não me lembro se Rock Estrela também, ou se é em uma cidade indeterminada. As Sete Vampiras se passa boa parte no Quitandinha, em Petrópolis, cidade serrana ao lado do Rio. Menino do Rio, bem é “do Rio”, né? E na continuação, Garota Dourada, os personagens viajam para o Sul, mas o filme começa e termina no Rio.

Cidade Oculta é assumidamente paulista. Inclusive, descobri que existe uma “trilogia da noite paulistana”, com Cidade Oculta (de 1986), A Dama do Cine Shangai e Anjos do Arrabalde (ambos de 1987). Vi A Dama do Cine Shangai há muito tempo e nem me lembro, e acho que não vi Anjos do Arrabalde. São três filmes de diretores diferentes, não sei qual é a semelhança entre eles pra formarem uma trilogia.

Se os filmes “cariocas” são mais diurnos, Cidade Oculta é mais noturno. Os realizadores paulistas usavam a expressão “neon-realismo” (o nome é um trocadilho com o movimento neorrealismo, do pós guerra). Os filmes que usavam o “neon-realismo” destacavam o neon e outros elementos visuais urbanos presentes na noite paulistana.

A outra diferença é no estilo musical. Os outros filmes que citei usam músicas de artistas que fizeram muito mais sucesso comercial, como Barão Vermelho, Leo Jaime, RPM, Metrô, Marina, Rádio Táxi, Ritchie, etc. Cidade Oculta traz a galera da vanguarda paulista, como Arrigo Barnabé, Tetê Espíndola e Patife Band. A vanguarda paulista era bem conceituada entre a crítica e a galera alternativa, mas nunca foi sucesso de público (talvez só a Tetê Espíndola no Festival dos Festivais, em 1985, com Escrito nas Estrelas). Aposto como boa parte do público do heuvi não conhece esses nomes…

Em Cidade Oculta, conhecemos Anjo, que passou um tempo preso, e quando sai, ao reencontrar o parceiro, este agora é o líder da gangue. Anjo começa a se relacionar com Shirley Sombra, dançarina e cantora do clube SP Zero.

(A boate SP Zero nunca existiu, usaram como set de filmagens o Madame Satã, um dos points culturais mais badalados de São Paulo na década de 1980. Muitas bandas fizeram seus primeiros shows lá, como Titãs, Ira!, RPM, entre outras. A boate foi inaugurada em 1983, fechou em 2009 e reabriu em 2012.)

O clima do filme lembra o cinema noir, com personagens marginais e mulheres fatais. Também tem um que de história em quadrinhos – um dos roteiristas é Luiz Gê, que no mesmo ano de 86 trabalhou como editor da revista Circo, na qual trabalhou com Laerte, Angeli e Glauco.

Os outros roteiristas foram o diretor Chico Botelho e o protagonista Arrigo Barnabé. Foi o segundo e último longa dirigido por Chico Botelho, que faleceu em 1991, com apenas 43 anos de idade.

No elenco, Arrigo Barnabé está bem como o protagonista – curiosamente, ele é o autor da trilha sonora, mas seu personagem não tem nenhum número musical. Carla Camurati também está muito bem como Shirley Sombra. Jô Soares faz uma participação especial em uma única cena. Também no elenco, Cláudio Mamberti e Celso Saiki.

Lembro de ter visto Cidade Oculta no Rio Cine Festival, de 1986, em uma sessão no antigo Ricamar (onde hoje é a Sala Baden Powell). O filme ganhou cinco prêmios neste festival: melhor filme, diretor, fotografia, música original e ator coadjuvante (Cláudio Mamberti).

Cidade Oculta está disponível completo no youtube, inclusive com a cena de nudez e sexo do casal principal…

Enterre Seus Mortos

Crítica – Enterre Seus Mortos

Sinopse (imdb): Em uma paisagem rural apocalíptica, o coletor de animais atropelados Edgar Wilson planeja uma fuga com sua namorada Nete, mas tem sonhos violentos.

Enterre Seus Mortos passou no Festival do Rio ano passado, não consegui ver, mas alguns amigos viram, e todos foram unânimes: era um dos piores filmes daquele ano. Mais de um ano depois, passou nos cinemas e finalmente tive oportunidade de assistir, e concordo com eles. Pensei em não fazer texto sobre Enterre Seus Mortos, porque não gosto muito de falar mal de terror nacional. Mas Enterre Seus Mortos foi tão decepcionante que talvez ele volte no top 10 de piores do ano. Então bora comentar logo.

Enterre Seus Mortos é o novo filme dirigido por Marco Dutra. Não sou muito fã do estilo dele, mas já vi alguns dos seus filmes. E ele merece respeito porque quase sempre consegue colocar seus filmes no circuito, coisa rara em se falando em terror nacional. O filme foi baseado no livro homônimo, escrito por Ana Paula Maia, que co-escreveu o roteiro com Dutra.

(Enterre Seus Mortos estava em cartaz. Fui ao Cinemark Downtown numa segunda feira para assistir. E heu era o ÚNICO dentro da sala de cinema. Fico triste pela bilheteria ruim. Mas, olhando pelo lado egoísta, olha só, não tinha ninguem usando celular…)

Enterre Seus Mortos começa bem. O espectador cai direto num mundo apocalíptico, onde pessoas estão fugindo do planeta e uma religião fundamentalista toma conta da sociedade. Somos apresentados a Edgar Wilson, um cara cujo trabalho é recolher animais mortos que podem estar contaminados.

(Sabe aquelas coisas que só heu penso? Toda vez que ouvia “Edgar Wilson” me lembrava de Ed Wilson, cantor da época da Jovem Guarda, um dos fundadores da banda Renato e Seus Blue Caps…)

A trama é arrastada, mas reconheço que estava gostando desse clima apocalíptico maluco. Mas, na parte final, o filme muda para uma direção completamente diferente. Mas vou ter que entrar nos spoilers pra comentar isso.

SPOILERS!

A distopia apocalíptica estava andando bem. Mas do nada mudam o foco do filme e vira um filme de possessão demoníaca. De onde veio isso?

Depois ainda tem uma maluquice de uma menina polvo. Mas quando isso apareceu, o filme já tinha me perdido com a possessão.

FIM DOS SPOILERS!

No elenco, gostei de ver Selton Mello num papel um pouco diferente do de sempre. Não que seja uma grande atuação, não é. Mas, sabe aquele estilo sempre igual, que ele repete em qualquer filme ou programa de TV? Aqui ele não está igual. Já Marjorie Estiano, grande atriz, aqui só faz o feijão com arroz. Também no elenco, Betty Faria, Danilo Grangheia e Gilda Nomacce.

Gosto do Marco Dutra, gosto de prestigiar terror nacional. Tomara que 2025 tenha dez filmes piores…

Garota Dourada

Crítica – Garota Dourada

Sinopse: Em um belo recanto do litoral, uma sensual jovem provoca a rivalidade entre dois surfistas que desejam conquistá-la. Um deles tenta esquecer uma antiga paixão mas esta reaparece, deixando-o dividido.

Fazia décadas desde a última vez que tinha visto Menino do Rio e Garota Dourada. Rever Menino do Rio foi uma agradável surpresa, o filme é melhor do que heu lembrava. Já Garota Dourada foi uma outra surpresa, mas negativa. É bem inferior ao filme anterior.

Se passaram alguns anos, vemos Valente com uma filha e separado da Patrícia. Resolve então viajar para Santa Catarina, com a companhia de Zeca, que hoje é um popstar da música. Lá ele conhece Diana, e arranja um novo rival, Betinho.

Sabe qual é o problema? Parece que não desenvolveram direito nenhum dos possíveis plots. Essa história entre Valente, Patrícia e Betinho podia ser um bom triângulo amoroso, principalmente porque Patrícia volta na parte final do filme. Mas não, em vez disso perdemos tempo com uma trama paralela com um ser místico que fala com voz metálica (e, sem legendas, não dá pra entender nada do que ele fala), e que tem um circo, ou algo parecido. Essa sub trama não leva a lugar nenhum e só atrasa o filme.

Tem outro plot secundário mal desenvolvido que é uma fã do Zeca que viaja até onde eles estão e eles acabam ficando juntos. Mas ele briga com ela quando descobre que ela era uma fã. Ué, ele gosta dela, ela gosta dele, por que brigar?

Teve uma coisa que não sei se achei legal. O personagem Pepeu, vivido por Ricardo Graça Melo, morre no primeiro filme. Mas o ator está de volta, interpretando Kid, o irmão do Pepeu, numa outra trama paralela. O problema é que é uma trama besta – além de uma forçação pra incluir uma participação sem graça da Marina Lima.

Ainda existe um problema geográfico. No primeiro filme, Valente viaja para Saquarema e conhece Patrícia, e depois se reencontram no Rio de Janeiro. Ok, são cidades perto, cerca de 100 km de distância, é algo possível de acontecer, pessoas que foram passar um fim de semana numa cidade pequena perto, mas voltam pra cidade grande depois. Mas, Santa Catarina não é tão perto assim do Rio, são mais de mil quilômetros entre Rio e Florianópolis. Todos se reencontrarem no Rio forçou a barra…

Na parte final, temos algumas participações musicais. Tem trechos de shows com Ritchie (com o Lobão na bateria), Guilherme Arantes e Marina (num dueto com Ricardo Graça Melo). Ok, foi legal ver esses momentos musicais.

Sobre a trilha sonora, tem uma história que ouvi de um amigo, mas não consegui confirmar se é verdade ou lenda urbana. No filme Menino do Rio, toca a música Garota Dourada. E segundo diz a lenda, o diretor Antônio Calmon pretendia fazer uma trilogia, e o terceiro filme se chamaria “Menina Veneno” – música que toca na trilha de Garota Dourada. Catei no google, mas não achei nenhuma fonte confiável que confirmasse esse terceiro filme.

No elenco, temos a volta de André de Biase, Cláudia Magno, Sérgio Mallandro e Ricardo Graça Mello. As novidades são Bianca Byington e Roberto Bataglin (como as outras duas arestas do triângulo), e Andréa Beltrão num papel que parece um protótipo da Zelda Scott que ela faria a partir do ano seguinte em Armação Ilimitada (ao lado do André de Biase). Alexandre Frota, estreando no cinema, faz parte da galera que anda com Valente. Geraldo Del Rey e Carlos Wilson também têm papéis importantes. E, segundo o imdb, Marcos Palmeira está no elenco, mas não vi…

Garota Dourada só vale pela nostalgia. Porque infelizmente não é um bom filme.

Menino do Rio

Crítica – Menino do Rio

Sinopse (imdb): Aventuras românticas de um grupo de adolescentes e surfistas do Rio de Janeiro.

E vamos a mais um filme da playlist rock nacional anos 80!

Falei dos três filmes do Lael Rodrigues, lançados em 1984, 85 e 87, época que o rock nacional estava na crista da onda. Menino do Rio é de 1982, o rock era novidade. Ou seja, este está mais para um filme sobre jovens, que usa o rock nacional na trilha sonora; do que um “filme do RockBR”.

Escrito por Bruno Barreto e dirigido por Antônio Calmon, Menino do Rio nos apresenta Valente, típico “playboy da zona sul” (apesar de não morar na zona sul). Ele surfa, voa de asa delta, e trabalha fazendo pranchas. Claro, tem um pai rico. Valente conhece Patrícia, e eles começam a namorar, mas se separam por um motivo bem imaturo, na minha humilde opinião (se bem que até hoje tem gente que pensa que nem ele).

(O filme não deixa claro onde ele mora, mas tem cara de ser naquelas praias depois do Recreio. Me pareceu ser a praia depois do Pontal.)

A história é original, mas o personagem foi inspirado em uma pessoa real, José Arthur Machado, também conhecido como Petit, um surfista com um dragão tatuado no braço (numa época que quase ninguém tinha tatuagens), que inspirou Caetano Veloso a escrever a música Menino do Rio em 1979. Petit tem uma história triste: sofreu um acidente de moto em 1987 e acabou cometendo suicídio dois anos depois.

Menino do Rio tem o perfil das produções nacionais da época. Produção boa, som ruim. E, claro alguma nudez gratuita. Foi um grande sucesso de público na época, tornando-se um fenômeno cultural e um dos filmes nacionais de maior bilheteria do período.

Queria fazer dois comentários sobre a parte musical do filme. O primeiro é que, diferente dos quatro filmes comentados nas últimas semanas (Bete Balanço, Rock Estrela, Rádio Pirata e As Sete Vampiras), a música Menino do Rio, sucesso em 1980 na voz de Baby Consuelo, não toca no filme. Curiosamente, a música Garota Dourada toca, mais de uma vez, na versão conhecida e em uma versão instrumental, mais lenta, num momento triste do filme. E a continuação de Menino do Rio se chama justamente Garota Dourada.

O outro comentário é sobre o momento que a música brasileira estava passando. Nos filmes do Lael Rodrigues, o RockBR estava no auge da fama; mas aqui, em 1982, ainda era novidade. Vamos voltar um pouco no tempo. Em 1980, o rock brasileiro era underground. Rita Lee já tinha deixado o Tutti Frutti e estava fazendo um som mais pop, tinha lançado um disco com Lança Perfume, Baila Comigo e Bem Me Quer; Raul Seixas estava na área, mas sua carreira não estava em alta. Até que, em 1981, a Gang 90 tocou Perdidos na Selva no festival MPB Shell, da rede Globo, e lançou uma fagulha que incendiaria a música brasileira: em 1982, foram lançados discos da Blitz, Lobão, Lulu Santos, Barão Vermelho, Rádio Táxi e Herva Doce. Ou seja, na época que Menino do Rio foi feito, o rock nacional ainda não era um produto consolidado – mas certamente o sucesso do filme ajudou a explosão do RockBR.

O elenco é bom. Valente é interpretado por André de Biase, que alguns anos depois seria protagonista de um seriado que marcou a minha geração: Armação Ilimitada. Patrícia era Cláudia Magno, que fez sucesso em novelas, mas faleceu precocemente aos 35 anos. Dois nomes curiosos estão entre os principais coadjuvantes. Um é Sérgio Mallandro, o caricato “glu glu ié ié” tem um papel grande, rolam boatos de que ele improvisou boa parte dos diálogos. Outro é Evandro Mesquita, vocalista e principal nome da Blitz. Digo que sua presença é curiosa porque não tem Blitz na trilha sonora (Cazuza atua em Bete Balanço, filme que tem mais de uma música do Barão Vermelho). Também no elenco, Ricardo Graça Melo, Cissa Guimarães, Claudia Ohana, Nina de Pádua e Tania Boscoli.

Em 1983 veio a continuação, Garota Dourada, dirigida pelo mesmo Antônio Calmon. Em breve comento aqui!

O Agente Secreto

Crítica – O Agente Secreto

Sinopse (Festival do Rio): Brasil, 1977. Fugindo de um passado misterioso, Marcelo, um especialista em tecnologia na casa dos quarenta, volta ao Recife em busca de um pouco de paz, mas percebe que a cidade está longe de ser o refúgio que procura.

Antes de tudo, preciso dizer que não sou um grande fã do Kleber Mendonça Filho. Respeito seu trabalho, já vi alguns dos seus filmes, mas, diferente de alguns amigos próximos, não acho nada tão genial. Vi O Som ao Redor, o filme não me disse nada. Gostei de Bacurau, mas não achei melhor que, por exemplo, Aumenta que É Rock’n’Roll. Um novo filme do Rodrigo Aragão me empolga muito mais que um novo do Kleber Mendonça Filho. Digo isso porque amigos críticos entraram na sessão de O Agente Secreto com uma pré disposição para adorarem o filme, e esse não é o meu caso.

Ou seja, reconheço que O Agente Secreto é muito bom. Mas não achei essa perfeição toda que estão propagando por aí aos quatro ventos…

O Agente Secreto acompanha a vida de Marcelo, pesquisador universitário, em Recife, em 1977. Marcelo está fugindo de algo que não é muito explicado no filme*, e vive numa espécie de pensão com outras pessoas em situação semelhante. Curiosamente, não tem nenhum agente secreto na trama.

(*O filme mostra uma discussão que Marcelo tem com um homem corrupto e poderoso. Mas essa simples discussão não seria algo grande o suficiente pro cara mandar matá-lo. Deve ter algo a mais que não é dito ao espectador – assim como a morte da esposa de Marcelo, que não explicam o que aconteceu. São coisas essenciais para acompanhar o filme? Não, o espectador pode seguir sem saber. Mas não acho que seria ruim deixar o espectador por dentro do que está acontecendo.)

Claro que vai rolar comparação com Ainda Estou Aqui, afinal são dois filmes passados nos anos 70 durante o regime militar, e O Agente Secreto é o filme brasileiro enviado ao Oscar este ano. Mas são filmes beeem diferentes.

(Um parênteses sobre o Oscar de melhor filme internacional. Cada país tem direito a enviar um filme para o Oscar. A Academia escolhe cinco, que são os que vão efetivamente concorrer. O Agente Secreto ainda não está concorrendo. É o filme enviado pelo Brasil, mas ainda não saiu a lista dos cinco que vão concorrer à estatueta.)

A ambientação de época é perfeita. O ritmo do filme é envolvente, mas, são duas horas e trinta e oito minutos, chega a cansar um pouco. A trama tem uns saltos temporais, umas inserções nos dias de hoje com duas estudantes universitárias, que são bem menos interessantes que a trama principal – essas inserções poderiam ser eliminadas do filme, ficando só o epílogo.

O elenco está muito bem. Wagner Moura está excelente, tanto que está cotado para ser indicado ao Oscar de melhor ator (existe um site de apostas para o Oscar onde Wagner figura na lista dos cinco prrováveis). Outro destaque é Tânia Maria, a senhorinha que cuida da pensão. Não me parece uma atuação, tive a impressão de que ela deve ter assim na vida real. Personagem ou não, ela é ótima. Também no elenco, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Hermila Guedes e uma divertida ponta de Udo Kier (que já tinha trabalhado com Kleber em Bacurau).

Preciso falar da cena da “perna peluda”! No meio do filme, rola uma sequência falando de uma notícia de jornal sobre a “perna peluda”. Heu gostei da sequência, mas acho que não tem nada a ver com o resto do filme. Vemos uma perna meio apodrecida ganhar vida e pular até uma praça onde várias pessoas estão envolvidas em atos sexuais nem sempre convencionais, e a perna começa a atacar. Mas, sabe qual é o problema? É uma sequência completamente desconexa do resto do filme. Se você tirar essa sequência, a trama segue exatamente igual. Digo mais: vai ter gente incomodada com as imagens gráficas das pessoas transando em público. Mas, como disse, heu gostei. Heu veria um filme inteiro com a perna peluda!

Não gostei do final, de como a trama se encerra. Vou tentar falar evitando spoilers. O filme entra num ritmo eletrizante, com tiroteios e perseguições, e isso é interrompido por uma notícia de jornal falando como a história terminou. Ok, o espectador sabe a conclusão, mas foi bem anticlimático. Depois disso tem um epílogo que é até legal, mas a história mesmo se encerra naquela notícia de jornal, o epílogo se passa anos depois.

Agora a gente fica na torcida pra lista dos indicados ao Oscar!

A Própria Carne

Crítica – A Própria Carne

Sinopse (Festival do Rio): Três soldados desertores durante a Guerra do Paraguai, em 1870, cada um lutando pela sobrevivência à sua maneira, encontram uma casa isolada na fronteira, habitada apenas por um fazendeiro misterioso e uma jovem. O que parecia ser um refúgio seguro se transforma em um pesadelo aterrorizante quando os soldados descobrem que a casa esconde segredos macabros, confrontando-os com um destino ainda mais horrível do que a guerra da qual fugiram.

E vamos ao terror do Jovem Nerd!

Reconheço que A Própria Carne foi uma agradável surpresa. Explico. Em primeiro lugar, Jovem Nerd hoje é mais conhecido como um bem humorado podcast. Não é um podcast de humor, mas certamente tem momentos engraçados. E em segundo lugar, o diretor do filme é Ian SBF, mais conhecido por dirigir dezenas (talvez centenas) de esquetes do canal Porta dos Fundos. Além disso, muitas vezes o cinema de terror flerta com o trash galhofa. Não acho isso algo negativo, gosto muito dos filmes do Rodrigo Aragão e do Paulo Biscaia Filho, ambos têm um pé fincado no trash, só estou constatando que existe essa conexão.

Quando ouvi falar que o Jovem Nerd ia fazer um filme de terror, achei que ia pro caminho da comédia trash. Mas não, olha que boa notícia: A Própria Carne é um filme sério e tenso! Zero trash!

(Não tenho nenhum contato direto com a galera do Jovem Nerd. O Azaghal uma vez gravou um áudio pro Podcrastinadores, mas foi só isso, sem uma interação. Sou amigo do Carlos Voltor e do Afonso 3D, que são ligados ao Jovem Nerd.)

Além do clima sério e tenso, outro elogio aqui vai para a bem cuidada produção de época. Cenários, figurinos e props, tudo está muito bem feito, nem parece uma produção independente.

Agora, o maior mérito de A Própria Carne está na escolha do ator Luiz Carlos Persy, mais famoso por ser o dublador de nomes como Stellan Skarsgård, Ralph Fiennes, Bryan Cranston e John Goodman. Persy está sensacional, cada frase proferida por ele causa medo. Seu personagem, o velho que cuida da cabana, é assustador, e, de longe, a melhor coisa do filme.

Por outro lado, não gostei da Jade Mascarenhas, a personagem dela não me passou consistência – quando estão cuidando da perna de um dos soldados, ela está rindo, achei meio nada a ver. Os três soldados desertores estão ok: George Sauma, Jorge Guerreiro e Pierre Baitelli.

Na parte final, o roteiro dá umas escorregadas. Os três desertores sabem que estão numa roubada, mas nada fazem pra tentar fugir. A história se encerra, mas o final deixa um gancho pra uma continuação – mas na minha humilde opinião, o melhor seria parar por aí mesmo.

A Própria Carne não é um grande marco do terror nacional, mas é uma diversão honesta. Quem venham outros filmes brasileiros do mesmo nível!

As Sete Vampiras (texto revisado e ampliado)

DEDE

Crítica – As Sete Vampiras

Sinopse (imdb): Um botânico é incapaz de lidar com uma planta carnívora que transforma suas vítimas em vampiros. Um detetive desajeitado e sua secretária são contratados para solucionar as mortes misteriosas que acontecem em um show em uma boate.

Depois da “trilogia Lael Rodrigues”, vamos para algo um pouco diferente.

Tive dúvidas se As Sete Vampiras poderia estar nesta playlist de filmes ligados ao rock nacional dos anos 80. Porque é muito mais um “filme do Ivan Cardoso” do que um filme ligado ao rock BR. Mas, a música As Sete Vampiras, feita para o filme, foi um grande sucesso, o Leo Jaime é um dos atores principais, e ainda tem participação especial da banda João Penca e seus Miquinhos Amestrados. Ou seja, por mim entra na lista.

(Sou muito fã de João Penca. Achei muito mais legal ver o João Penca aqui do que o Barão Vermelho em Bete Balanço ou o Metrô em Rock Estrela.)

As Sete Vampiras marcou minha adolescência, por três motivos, e reconheço que um deles é algo que não me orgulho. Gostava do filme porque tinha Leo Jaime e João Penca, e também gostava porque parte do filme se passa no Quitandinha, em Petrópolis, local onde morei por alguns meses quando tinha uns 8 ou 9 anos de idade. Foi legal ver na tela alguns cenários que fizeram parte da minha infância. O terceiro motivo não é muito nobre, é um guilty pleasure: vi As Sete Vampiras na minha adolescência, e gostava de ver as mulheres nuas – coisa bastante comum nos filmes do Ivan Cardoso, diga-se de passagem.

As Sete Vampiras é, na minha humilde opinião, o melhor filme dirigido pelo Ivan Cardoso – talvez o maior nome do trash brasileiro – conheço outros diretores que fazem filmes trash, mas nenhum teve o alcance do Ivan – talvez só o Zé do Caixão, mas, entre os dois, prefiro o estilo galhofa do Ivan. Ele mistura o terror com a comédia, foi com os seus filmes que conheci o termo “terrir” (que achei que era invenção dele, mas anos depois descobri que já existia em uma revista do fim dos anos 60!)

O roteiro é de Rubens Francisco Lucchetti, ou RF Lucchetti, nome não muito conhecido do grande público, mas cultuado no underground como “o papa do pulp no Brasil”. Além de As Sete Vampiras, Lucchetti escreveu roteiros para outros filmes do Ivan, como O Segredo da Múmia, O Escorpião Escarlate e Um Lobisomem na Amazônia (além de alguns filmes do Zé do Caixão). Recentemente ouvi falar do seu nome quando a Vigor Mortis lançou, em 2022, a webserie A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti, já comentado aqui no heuvi.

Vamos ao filme. A história é uma bobagem deliciosa. A trama envolve uma planta carnívora importada da África, vampiros, anos 50 e misteriosos assassinatos em série. E muitos clichês de filmes de terror, como um assassino mascarado empunhando uma faca, referência aos filmes giallo.

Aqui nada é para se levar a sério. Tem uma planta carnívora tosca tosca tosca, parece tirada de um seriado televisivo infantil tipo Castelo Rá Tim Bum. E ainda tem algumas referências divertidas, como o personagem do Nuno Leal Maia, Raimundo Marlou, homenagem ao escritor Raymond Chandler e seu personagem Philip Marlowe.

Rola MUITA nudez gratuita! Quase todas as atrizes tiram a roupa, e quase sempre sem justificativa – coisa normal nos filmes do diretor. O Helvecio adolescente curtia muito, mas hoje reconheço que é exagerado. Enfim, nudez gratuita sempre foi algo comum no cinema nacional. Aqui tem mais do que nos três filmes comentados nas últimas semanas, mas naqueles filmes também tem: Débora Bloch em Bete Balanço, Malu Mader em Rock Estrela e Lidia Brondi em Rádio Pirata.

O elenco conta com um monte de nomes interessantes, como Nuno Leal Maia, Leo Jaime, Nicole Puzzi, Lucélia Santos, Simone Carvalho, Susana Matos, Andréa Beltrão, Danielle Daumerie, Dedina Bernardeli, Tania Boscoli, Wilson Grey, John Herbert, Ivon Cury, Pedro Cardoso, Tião Macalé, Carlo Mossy e Colé Santana. Tem uma ponta do Dedé Santana, dizem os boatos que ele foi ao set para vigiar a namorada Susana Matos, mas não achei nada que confirme isso.

Foi muito legal rever o número musical com o Leo Jaime cantando a música As Sete Vampiras. Não reconheci todos os músicos da banda, mas dá pra ver o guitarrista Sergio Serra, que depois foi para o Ultraje a Rigor. E temos os quatro “miquinhos” do João Penca fazendo uma coreografia gaiata: Selvagem Big Abreu, Bob Gallo, Leandro (na época que encarnava o “guitarrista mascarado”) e Avellar Love.

Teve uma coisa no roteiro que achei estranha, mas não sei se posso dizer que é uma falha ou uma ousadia estilística. Alguns personagens terminam o filme como protagonistas, mas só aparecem no meio da trama, como os interpretados por Leo Jaime, Nuno Leal Maia e Andrea Beltrão, que entram no filme perto dos 40 minutos de projeção.

As Sete Vampiras não é um filme para qualquer público. Mas continuo gostando!

Rádio Pirata

Crítica – Rádio Pirata

Sinopse (imdb): Após descobrir uma fraude em um centro de processamento de dados, um casal é falsamente acusado de assassinato. Escondidos em uma van, eles montam uma rádio pirata para tentar mobilizar a opinião pública.

E vamos ao terceiro (e último) filme do Lael Rodrigues!

Se Bete Balanço e Rock Estrela são bem parecidos, Rádio Pirata já é um pouco diferente. Tem menos números musicais e uma história mais bem elaborada. Quase poderia ser o melhor dos três filmes – mas tem um final tão ruim que acaba sendo o pior.

Começo por uma coisa que não entendi: Bete Balanço e Rock Estrela usam a músicas homônimas como tema principal, aquela que toca mais de uma vez, na abertura e durante o filme. Aqui não. Não tem a música Rádio Pirata, do RPM; o tema do filme é Brasil, do Cazuza. Não achei informações, mas desconfio que tenha rolado algum problema de direitos autorais.

No filme, o protagonista Pedro Bravo (Jaime Periard) descobre uma fraude no trabalho e acaba envolvido em uma grande conspiração que coloca sua vida em risco. Na mesma época, ele conhece Alice (Lídia Brondi), e começam namorar. Ela ajuda ele a montar uma rádio pirata para denunciar a fraude.

Sim, é uma trama mais densa que os outros dois filmes. Mas ainda tem algumas tosqueiras com cara de videoclipe, como a participação do grupo teatral Banduendes. Entendo que a personagem da Lídia Brondi precisava ter algum background, mas essa saída ficou bem tosca, e destoa do clima mais sério do resto do filme.

(Coisas da minha memória… Lembro do segundo disco da Blitz, no encarte dizia que a música “Apocalipse Não” tinha “participação especial de Banduendes por Acaso Estrelados”. Quarenta anos depois, sei quem são esses tais Banduendes!)

Rádio Pirata tem algumas cenas muito boas. Tem até uma perseguição de carros por Santa Teresa impressionantemente bem filmada. Agora, o roteiro tem suas falhas. Por exemplo, em determinado momento, bandidos armados entram na casa de Pedro para matá-lo, mas ele consegue fugir de asa delta. A fuga não foi um problema, ele morava numa casa onde tinha uma asa delta, e dava pra pular de lá. O problema é que logo na cena seguinte ele volta pra casa e nunca mais ninguém se preocupa com os bandidos. Caramba, se o objetivo dos caras era uma “queima de arquivo”, eles iam voltar!

Mas nada é pior do que o final. Lembro de ter visto no cinema na época do lançamento e não me lembro do final ser tão chocante. Vou falar, mas antes, os avisos de spoiler.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

O casal de mocinhos tem um plano: sequestrar a filha do vilão. Sério, o plano deles é um sequestro de uma criança. Mas calma que fica pior. Eles trocam a menina pelo vilão, que acaba confessando, e eles captam o áudio e jogam ao vivo pela rádio pirata, no meio de um jogo de futebol, e milhares de pessoas ouvem essa confissão. Ok, os mocinhos cometeram um crime, mas era pra conseguir desmascarar o vilão, certo? Que nada. Depois da confissão, Alice dá um tiro no peito dele e o mata a sangue frio. Ou seja, os mocinhos terminam o filme como sequestradores e assassinos. Sério que nos anos 80 ninguém achou isso estranho?

FIM DOS SPOILERS!

Se não fosse esse final, Rádio Pirata seria um filme bem melhor do que Bete Balanço e Rock Estrela, apesar dos Banduendes caricatos. Vemos um nítido amadurecimento do Lael Rodrigues na parte narrativa. Mas esse final é tão ruim que, se for pra rankear os três, Rádio Pirata fica em último.