Crítica – Red Sonja (2025)
Sinopse (imdb): Uma adaptação da história em quadrinhos Red Sonja, uma guerreira vingativa conhecida como “Diabo com uma espada”.
40 anos depois, temos um novo filme da Red Sonja!
Antes do filme, um breve comentário sobre o nome “Sonja”. Na minha juventude, sempre ouvi “Sonja”, com som de “J”. Mas sei que em alguns idiomas o “J” tem som de “I”, e achava que deveria ser “Sonia”. Bem, prestei atenção no filme, a pronúncia é “Sonia” mesmo.
(Lembro do meu ensino fundamental, em Petrópolis, tinha uma coleguinha chamada “Vanja”, todos pronunciavam com som de “J”, inclusive ela. Me pergunto se era realmente essa a pronúncia correta…)
Enfim, vamos ao novo Red Sonja. Mas antes um aviso. Nunca li os quadrinhos da personagem, e não me lembro de nada do filme de 1985, que aqui no Brasil ganhou o título Guerreiros de Fogo, estrelado por Brigitte Nielsen e Arnold Schwarzenegger. Ou seja, os comentários serão só sobre o filme de 2025.
Vi no imdb que, ao longo de décadas, houve várias tentativas de se fazer um novo filme com a personagem, incluindo uma versão em 2008 que seria dirigida pelo Robert Rodriguez e estrelada pela Rose McGowan (e que certamente ia ser melhor do que esta versão). Também rolava uma ideia de que estaria no mesmo universo do Conan estrelado pelo Jason Momoa, de 2011. Foram várias trocas de diretor e elenco e vários atrasos de lá pra cá.
Dirigido por MJ Basset e estrelado por Matilda Lutz, Red Sonja tem um problema grave: parece uma produção de baixo orçamento para a TV, de algumas décadas atrás. Durante o filme, me lembrei de Legend of the Seeker, seriado meia boca do mesmo estilo “guerreiros e feitiçaria” que passava em alguma TV a cabo. Não era ruim, mas era bem tosquinha.
Claro, os efeitos especiais em cgi aqui são bem fracos. Tem uma cena com um ciclope gigante que parece PlayStation velho. Mas quem me conhece sabe que isso nem me incomoda muito. Porque, pra mim, o pior foram as batalhas – todas ruins. No mesmo ano que vimos a Ana de Armas em Bailarina, foi triste ver as cenas de ação, todas mal coreografadas e mal filmadas. Tem até algum sangue lááá longe, mas a violência é quase zero, os golpes nunca mostram o que foi golpeado. Essa pobreza visual reforça a cara de produto de baixo orçamento pra TV.
(Curioso lembrar que poucos anos atrás a mesma Matilda Lutz fez Vingança, que é bem mais violento e tem muito mais sangue!)
Tudo é muito “limpo”. Zero nudez, pouca violência. Não conheço as HQs, mas desconfio que devia ter uma proposta mais, digamos “apelativa”. E quase que o filme foi nesse sentido, olha o que li no imdb: “Durante o longo e caótico desenvolvimento deste segundo filme da Red Sonja, que começou em algum momento no início dos anos 2000, a maioria dos roteiros iniciais sempre incluía muita nudez feminina e violência sangrenta e gráfica. Por exemplo, no roteiro de 2001, havia uma cena prolongada em que Sonja era perseguida enquanto nadava nua em um lago e, em seguida, tinha que lutar nua contra agressores monstruosos que tentavam agredi-la sexualmente.” Não sei se ia ser melhor ou pior, mas seria um filme bem diferente deste.
Se tem um elogio que posso fazer é para alguns cenários com esculturas gigantes em volta. Provavelmente tudo em cgi, mas ficou bonito. E sobre o visual, uma coisa curiosa: na primeira vez que Sonja vai pra arena, ela recebe um biquíni de metal, e rola um diálogo que ela tem que usar aquilo que não protege nada, só porque o público gosta. Ok, ela era uma escrava transformada em gladiadora, precisava usar isso. Mas, depois que se liberta, por que continua com o biquíni de metal até o fim do filme?
No elenco, Matilda Lutz não faz feio, mas ela não tem o porte físico que uma personagem dessas pede, nem as habilidades de lutas para convencer o espectador. Para Anônimo, Bob Odenkirk praticou lutas por dois anos – e quando o vemos em tela, ele convence, apesar de não ter o porte físico. Talvez Matilda precisasse praticar mais. No resto do elenco, achei curioso ver Rhona Mitra em um papel pequeno – pelo que entendi ela esteve cotada para estrelar uma das várias tentativas durante os vários anos de pré produção, devem ter oferecido um papel para ela como prêmio de consolação. O resto do elenco todo é de atores ruins e desconhecidos.
Red Sonja tem tanta cara de produto pra TV que a história fecha, mas tem uma cena no fim com um gancho para uma nova aventura – inclusive cita o “rei bárbaro da Ciméria”, que provavelmente deve ser o Conan. Semana que vem, no mesmo canal!



