72 Horas

72 Horas

O professor universitário John Brennan (Russell Crowe) levava uma vida normal, até sua esposa Lara (Elizabeth Banks) ser presa acusada do assassinato de sua patroa. Depois de ver a justiça negar vários recursos, John resolve montar um um plano de fuga para tirá-la da prisão.

Eficiente thriller escrito e dirigido por Paul Haggis, 72 Horas funciona muito bem ao colocar um homem comum exposto a situações fora de sua realidade. Porque quando John Brennan começa a arquitetar o plano, ele quebra a cara algumas vezes, justamente porque não é um cara “do mal”.

O roteiro é muito bem escrito ao construir o plano, dividindo o filme em três partes (3 anos, 3 meses, 3 dias). A parte final – quando o plano é finalmente posto em prática – é eletrizante, é daquele tipo de filme que te prende na cadeira e te faz roer as unhas de nervoso.

Paul Haggis é hoje um nome de respeito em Hollywood, por causa de seu trabalho em filmes como Crash – No Limite, onde ele ganhou o Oscar de melhor roteiro e foi indicado ao Oscar de melhor diretor, e pelos roteiros de Menina de Ouro e Cartas de Iwo Jima, ambos indicados ao Oscar.

O elenco traz um Russell Crowe em boa forma, e tem talvez o melhor papel da carreira da eterna coadjuvante Elizabeth Banks. E traz um grande número de atores famosos em papeis menores – achei estranho ver Liam Neeson em apenas uma cena! Outros também têm pequenas participações, como Olivia Wilde, Brian Dennehy e Daniel Stern.

72 Horas não é um filme “obrigatório” de fuga de prisão, como Um Sonho de Liberdade, por exemplo. Mas é um bom filme, uma boa opção entre os últimos lançamentos.

Tron – O Legado

Tron – O Legado

Finalmente, estreou o aguardado Tron – O Legado!

Kevin Flynn (Jeff Bridges) desapareceu alguns anos depois do primeiro filme. Nos dias de hoje, seu filho, Sam Flynn, hoje com 27 anos, é o rebelde herdeiro da gigante Encom. Acidentalmente, Sam vai parar dentro do mundo digital, que está sendo controlado ditatorialmente por Clu, uma cópia digital de Kevin Flynn.

Dirigido pelo estreante Joseph Kosinski, Tron – O Legado é provavelmente o filme mais aguardado dos últimos tempos. Lembro de um trailer que rolou na Comic Con de 2008 (algum filme já teve paineis em três Comic Cons seguidas?). E fica a pergunta: valeu tanta espera? A resposta é sim e não. O visual do filme é deslumbrante. Mas infelizmente isso não apaga as falhas do filme…

O primeiro Tron, de 1982, foi um marco na história dos efeitos especiais no cinema. Era um filme passado boa parte dentro de um computador, numa época que quase ninguém tinha intimidade com computadores, uma época que efeitos especiais por computador eram raros. Tron – O Legado seguiu a tradição e trouxe uma inovação que provavelmente será moda em Hollywood em breve: um ator rejuvenescido digitalmente. Jeff Bridges aparece em duas versões: o Kevin Flynn atual, com sessenta anos, e Clu, a versão digital, com a mesma cara que ele tinha 28 anos atrás.

Ficou perfeito? Bem, acho que daqui a alguns anos a gente vai rever e achar tosco. Mas, pela tecnologia que existe hoje em dia, ficou muito bom! É impressionante ver o Jeff Bridges mais novo atuando ao lado do atual. Não é um “Jar Jar Binks”, um simples boneco digital. É o mesmo ator que já vimos em tantos filmes por aí. (Diz a lenda que James Cameron, ao ver o resultado, disse para o Spielberg preparar um novo Indiana Jones para o Harrison Ford…)

Aliado a isso, foi feito um grande upgrade no mundo digital apresentado no primeiro filme. Os mesmos veículos, roupas, objetos, cenários, tudo voltou melhorado. Até os jogos, que às vezes parecem meio confusos (síndrome de Transformers?), estão muito mais bem feitos. O visual é um pouco escuro, mas é de deixar o queixo caído.

(Só não gostei do 3D. Achei um desperdício. Poucas cenas realmente usam todo o potencial. Podia ser só em 2D que não ia fazer diferença.)

Mas aí vem o lado fraco: o roteiro. Alguns elementos são jogados na história e depois deixados de lado, como por exemplo todo o discurso sobre software livre que rola no início do filme. Ou então a interessante e sub-aproveitada história dos ISOs. Isso tornou o filme um pouco longo demais (pouco mais de duas horas), desnecessariamente.

Mesmo assim, achei o resultado positivo. Pode não ser um dos melhores filmes do ano, mas não decepciona.

No elenco, o grande nome é Jeff Bridges, que faz um vilão digital e um mocinho meio guru, meio Lebowski. Outros dois nomes do elenco também chamam a atenção. Um é Michael Sheen, exagerado no ponto exato (adorei a dancinha que ele faz no meio da briga). A outra é Olivia Wilde, linda, linda, linda. Bruce Boxleitner, do primeiro filme, também volta em uma rápida versão rejuvenescida digitalmente, mas, como é um ator muito menos conhecido, aparece pouco na tela. Pena que o ator principal, Garrett Hedlund, é tão fraquinho…

(Fiquei com vontade de rever Turistas, aquele filme ruinzinho filmado no Brasil. Tem a Olivia Wilde de biquini, e também tem nudez gratuita da Beau Garret, que faz a Gem aqui em Tron – O Legado)

A inspirada trilha sonora, a cargo da dupla francesa Daft Punk, é outro dos acertos do filme. Com temas instrumentais meio vintage meio sinfônicos, a trilha funciona perfeitamente. E ainda rola um cameo da dupla: eles são os djs que estão na festa no End Of The Line Club.

No fim, o resultado não ficou de todo ruim. Mas fica aquela sensação de que, com um roteiro melhor e talvez um diretor mais experiente, poderia ser bem melhor.

Ano Um

Ano Um

Gosto do Jack Black. E admiro o Harold Ramis desde a época dos Caça Fantasmas. Por que não ver um filme estrelado pelo primeiro e dirigido pelo segundo?

Bem, na verdade Ano Um é bem fraco, infelizmente. Acompanhamos Zed (Black) e Oh (Michael Cera, de Juno), que viajam presenciando vários acontecimentos bíblicos.

O filme começa com homens das cavernas, e de repente tudo “evolui” (mais de uma vez), até eles chegarem em Sodoma e Gomorra. A princípio parece estranho, mas isso até que funcionou.

Acho que o problema é outro: a maior parte das piadas é sem graça. O filme é muito bobo!

Pena, porque o elenco é bem legal: além dos citados Black e Cera, temos Oliver Platt, Vinnie Jones, David Cross, Olivia Wilde, Hank Azaria, Christopher Mintz-Plasse (Superbad), e, de quebra, um Paul Rudd não creditado.

Só recomendado para os pouco exigentes.