Para Sempre Medo

Crítica – Para Sempre Medo

Sinopse (filmeb): O casal Malcolm e Liz viaja para uma cabana isolada para uma celebração romântica. Quando Malcolm parte inesperadamente para a cidade, Liz é confrontada por uma presença sinistra.

Em 2024, o diretor Osgood Perkins – ou Oz Perkins – lançou Longlegs, terror misturado com filme de investigação. Logo no ano seguinte, ele fez o divertido O Macaco, slasher misturado com comédia de humor negro. Lembro que na época que O Macaco foi lançado alguém me falou que tinha outro filme do mesmo diretor previsto para o mesmo ano, que era este Para Sempre Medo (Keeper, no original). A previsão era pra 2025, mas adiaram pro início de 2026.

Ti West dirigiu X, Pearl e Maxxxine, três filmes independentes, se passam em épocas diferentes, com personagens diferentes – mas três filmes que “conversam” entre si e podem ser vistos como uma trilogia. Já esses últimos três filmes do Oz Perkins estão bem longe de ser uma trilogia. Para Sempre Medo é um suspense onde uma mulher acha que está presa a um relacionamento abusivo, com uma pegada de terror sobrenatural na parte final – não digo mais por causa de spoilers.

(Heu acho que o melhor seria assistir Para Sempre Medo sem saber da parte sobrenatural, mas, mais uma vez, o trailer entrega mais do que deveria. Seria tão bom se trailers fossem pensados para guardar surpresas…)

Para Sempre Medo traz Liz, uma mulher que viaja com o namorado para uma cabana isolada no meio do mato. Ele precisa se ausentar, e ela começa a desconfiar dele. Só que as coisas escalam de uma maneira bem rápida. E existe um grande segredo escondido.

Para Sempre Medo é um filme curto, com uma história meio simples, mas Oz Perkins sabe criar um clima tenso. Além disso, algumas cenas são muito bem filmadas, Oz Perkins sabe posicionar sua câmera – gostei de um momento onde Liz está numa banheira, e o fundo aos poucos se transforma num rio. E curti a parte que entra no sobrenatural, fiquei curioso pra saber se é uma mitologia que já existe ou se foi algo inventado pelo roteirista.

O elenco é reduzido, mas funciona bem para o que o filme pede. Tatiana Maslany e Rossif Sutherland fazem o casal principal; Birkett Turton e Eden Weiss aparecem menos, como o irmão e sua namorada. Aliás, uma curiosidade sobre “nepobabies”: o diretor Oz Perkins é filho de Anthony Perkins; Rossif Sutherland é filho do Donald Sutherland, meio irmão do Kiefer Sutherland.

Para Sempre Medo não chega a ser ruim, até gostei do que vi. Mas é um filme inferior aos dois anteriores. Vamos torcer pro Oz Perkins dar uma respirada antes do próximo projeto, afinal, sempre preferimos qualidade do que quantidade.

O Macaco

Crítica – O Macaco

Sinopse (imdb): Quando os gêmeos Bill e Hal encontram no sótão um velho macaco de brinquedo do pai, começa uma série de mortes terríveis. Os irmãos decidem jogar o brinquedo fora e seguir em frente com suas vidas, distanciando-se com o passar dos anos.

O Macaco (The Monkey, no original) estava na minha lista de expectativas para 2025, por ser uma história do Stephen King, e dirigida por Osgood Perkins, que ano passado apresentou o bom Longlegs.

Gostei de Longlegs e gostei ainda mais de O Macaco. Se o primeiro era um terror sério, o segundo traz várias cenas de humor negro que fizeram o cinema dar gargalhadas várias vezes ao longo da projeção. São muitas cenas de mortes, e com muito gore. E ao mesmo tempo são cenas engraçadíssimas! Às vezes lembra o clima da franquia Premonição, onde a gente fica esperando mortes cada vez mais absurdas.

O humor negro não está só nas mortes. Vários diálogos também são neste estilo. E preciso dizer que adorei o tom do humor. Olha, há muito tempo heu não ria tanto numa sessão. Lembro que há pouco vi a comédia Bridget Jones Louca Pelo Garoto, e não ri quase nada…

Não li o conto original do Stephen King. Não sei se já era engraçado, ou se o humor negro foi uma adição do diretor e roteirista Oz Perkins (que é filho do Anthony Perkins, pra quem não sabe). Independente de quem é o autor, achei perfeito, este é o meu estilo de humor!

(Alguns amigos meus estão chamando O Macaco de “terrir”. Sei lá, pra mim, “terrir” está mais ligado ao estilo do Ivan Cardoso, filmes tipo As Sete Vampiras ou O Escorpião Escarlate, que eram filmes de terror, mas meio trash. O Macaco não é nada trash!)

O Macaco apresenta um brinquedo que, quando dão corda e ele bate no tambor, uma morte aleatória vai acontecer. O irmãos gêmeos Bill e Hal herdam esse brinquedo, mas tentam se afastar depois que descobrem os efeitos desagradáveis e imprevisíveis.

Curiosidade sobre o brinquedo: segundo o imdb, Oz Perkins resolveu fazer o macaco bater em um tambor em vez de pratos porque os direitos da versão com pratos são de propriedade da The Walt Disney Company, já que o brinquedo apareceu como personagem em Toy Story 3. O que é irônico, porque o macaco com pratos estava em Toy Story 3 porque seu diretor Lee Unkrich é fã de Stephen King.

Oz Perkins, na minha humilde opinião, está num bom momento da carreira. Lembro de quando vi Maria e João, o Conto das Bruxas, que achei bem filmado, mas entediante. Longlegs foi bem melhor, parecia uma uma mistura de Silêncio dos Inocentes com Zodíaco, mas em versão terror. O cara sabe filmar, sabe posicionar sua câmera, seus filmes fogem do óbvio. E agora, com O Macaco, Perkins acertou em cheio. E ainda tem um filme novo dele, Keeper, com previsão de lançar em outubro deste ano!

Os gêmeos Bill e Hal são interpretados pelo mesmo ator: Christian Convery quando adolescentes; Theo James quando adultos. Eles estão bem: achei que eram dois atores diferentes interpretando os adolescentes. Tatiana Maslany interpreta a mãe durante a primeira parte do filme. O Macaco ainda tem participações especiais de Elijah Wood e Adam Scott, cada um faz uma cena. E o diretor Oz Perkins tem um papel bem divertido, o tio dos meninos.

Alguns amigos meus falaram mal de O Macaco quando acabou a sessão. Mas te garanto que a sala inteira do cinema estava gargalhando alto. Acho que esses amigos esperavam um filme sério…