O Som da Morte

Crítica – O Som da Morte

Sinopse (imdb): Um grupo de estudantes desajustados do ensino médio se depara com um artefato amaldiçoado, um antigo apito mortal asteca. Eles descobrem que, ao soarem o apito e ouvirem o som aterrorizante que ele emite, suas futuras mortes os assombrarão.

Bora pra mais um terror genérico?

Em O Som da Morte (Whistle, no original), um grupo de jovens estudantes acha um antigo apito maia (ou asteca – já vou comentar sobre isso), e todos os que ouvem o som desse apito são perseguidos pela morte.

Sim, a premissa parece Premonição. A diferença é que em Premonição as pessoas que estão fugindo da morte acabam sofrendo acidentes bizarros e imprevisíveis (e isso acabou sendo o melhor da saga), enquanto aqui a pessoa é perseguida pelo seu “eu futuro”. Tipo assim: se você vai morrer daqui a dez anos em um acidente, você passa a ser perseguido por um fantasma que é você acidentado, dez anos mais velho.

(Existe um problema de conveniência de roteiro. A velocidade que o fantasma te alcança depende de quanto o roteiro está precisando. Pode ser imediatamente, pode ser depois de dias. Mas, não vou reclamar, porque isso é algo recorrente em filmes assim – inclusive no citado Premonição.)

O Som da Morte até tem seus méritos, mas o roteiro é bem fraco. Por exemplo, a protagonista se muda pra casa do primo, e o filme nem mostra se existe uma família ou não (são adolescentes, deveria ter um pai e/ou uma mãe). Todo o núcleo de personagens é muito mal elaborado, eles não se gostam, mas do nada inventam uma festa e todos são convidados – e só eles estão presentes, não tem mais ninguém. Isso sem contar as facilitações tipo um professor que consegue ler o que está escrito em asteca (ou maia), ou uma personagem que só entra em cena para dizer fatos exatos sobre o artefato. Além disso, o roteiro é cheio de clichês que parecem tirados de outros filmes. Tem Premonição, tem Fale Comigo, tem Sorria 2, tem Linha Mortal, tem até Clube dos Cinco!

(Sobre o maia ou asteca: determinada cena eles estão pesquisando cultura asteca, outra cena é cultura maia. Afinal, o artefato vem de onde?)

Mesmo assim, não achei de todo ruim. A direção é de Corin Hardy, de A Freira e da série Gangs of London. Tem algumas boas sacadas na direção, gostei do plano sequência na feira. E algumas mortes são bem legais – a do acidente de carro ficou muito boa.

No elenco, o papel principal é de Dafne Keen, a X23 de Logan. Sophie Nélisse, de Yellowjackets, é talvez a melhor num elenco fraco. O filme também tem participações especiais de Nick Frost e Michelle Fairley.

Tem uma cena no meio dos créditos com um gancho para uma possível continuação. Mas na minha humilde opinião podia parar por aí mesmo.

Gangs Of London – Segunda Temporada

Crítica – Gangs Of London – Segunda Temporada

Sinopse (Amazon Prime): Um ano após a morte de Sean Wallace, o mapa de Londres foi reescrito e existe uma nova e brutal força no poder. Mas com uma rebelião sendo fermentada, quem vai ganhar a batalha pela alma de Londres?

Heu achei que tinha falado ano passado sobre a primeira temporada de Gangs Of London, mas não achei nem aqui nem no youtube. Devo ter comentado alguma coisa no Podcrastinadores, mas certamente apaguei minhas anotações. Vou comentar a segunda temporada, mas antes aproveitarei pra falar um pouco sobre a primeira.

Gangs Of London e uma série violentíssima, criada por Matt Flannery e Gareth Evans (responsáveis pelos dois Operação Invasão). Na primeira temporada a gente acompanha uma família irlandesa que lidera gangues de várias etnias, como nigerianos, paquistaneses, libaneses e albaneses, no submundo do crime da Londres dos dias de hoje.

A segunda temporada traz um novo e perigoso personagem que quer tomar o posto de líder dos criminosos. E se você não viu, recomendo não ler muita coisa porque existem surpresas ao longo da temporada.

Uma coisa que senti falta foi de um “previously”. Começou a temporada sem nada pra resumir o que tinha sido exibido um ano atrás. Tive que rever o último episódio da primeira temporada antes de seguir com a segunda.

Gangs Of London tem dois pontos fortes. Um, o mais claro é a qualidade e quantidade de violência gráfica. Não me lembro de nenhuma outra série de TV tão violenta. Vou além: arriscaria dizer que não existe nada mais brutal do que o episódio 5 da primeira temporada, uma das peças mais violentas da história do audiovisual, um espetáculo de tiros, explosões e sangue. A segunda temporada não tem nenhum episódio dirigido pelo Gareth Evans (o responsável pelos momentos de maior violência gráfica), mas tem alguns momentos com bastante gore.

O outro ponto a ser citado é o xadrez de poder que vemos na série. Vemos jogadas ousadas, onde os personagens não têm problema em sacrificar peças do tabuleiro para alcançar o objetivo. E aqui não tem ninguém bonzinho, o protagonista Elliot está longe de ser um cara “do bem”.

Tenho um mimimi sobre o novo personagem, Koba. Ok, a gente vê que ele é mau muito mau, mas quando ele surge em cena, um cara magrelo com o cabelo oxigenado, a gente lembra do Rafael Portugal. E lembrar do Rafael Portugal não é nada amedrontador.

Queria fazer outro comentário sobre o elenco. No sexto episódio a gente vê a Lale lutando contra vários oponentes. Quero ver um filme de ação com a atriz Narges Rashidi!

Heu preferia que a história tivesse terminado aqui, mas o último episódio deixa um gancho para uma terceira temporada. Que mantenham a qualidade!

A Freira

Crítica – A Freira

Sinopse (imdb): Um padre com um passado assombrado e uma noviça no limiar de seus votos finais são enviados pelo Vaticano para investigar a morte de uma jovem freira na Romênia e confrontar uma força malévola na forma de uma freira demoníaca.

E continua a expansão do “Waniverse”!

Pra quem não está ligado: James Wan é um dos nomes mais importantes do terror contemporâneo, por ter dirigido os dois Sobrenatural e os dois Invocação do Mal (além de Jogos Mortais alguns anos antes). Talentoso, o cara foi chamado pra dirigir outros estilos de filme (Velozes e Furiosos 7, Aquaman). Mas, mesmo sem Wan, o universo dos seus filmes continua sendo expandido com spin-offs. Já tivemos dois Annabelle, e agora este A Freira – todos os três são derivados do Invocação do Mal.

A Freira (The Nun, no original) foi dirigido por Corin Hardy (A Maldição da Floresta) – James Wan aqui está creditado na produção e na história. Isso é um problema, claro. Com um diretor genérico, o filme é até divertido, mas está longe de ser memorável.

Pelo menos o filme é divertido. Diferente da onda “pós terror” de Hereditário, A Freira é terror pop. O público fã do estilo vai se divertir com vários jump scares. Além disso, a ambientação é legal, os cenários de um castelo na Romênia ajudam a criar um bom clima. Cronologicamente, A Freira é o primeiro filme da série, já que se passa antes de Annabelle 2: A Criação do Mal. Mas é claro que é melhor ver na ordem que foram filmados.

Uma coisa curiosa no elenco: a protagonista é Taissa Farmiga, irmã mais nova (21 anos de diferença!) da Vera Farmiga, protagonista de Invocação do Mal. As duas são muito parecidas, mas suas personagens não são parentes. Também no elenco, Demián Bichir, Jonas Bloquet e Bonnie Aarons.

Parece que o próximo filme do “Waniverse” vai ser sobre The Crooked Man, sobre o Homem Torto, que aparece no segundo Invocação do Mal. Aguardemos.