Extermínio: O Templo dos Ossos

Crítica – Extermínio: O Templo dos Ossos

Sinopse (filmeB): Dr. Kelson se vê envolvido num novo relacionamento chocante – com consequências que podem mudar o mundo como eles o conhecem – e o encontro de Spike com Jimmy Crystal se torna um pesadelo do qual ele não consegue escapar.

Perdi a sessão de imprensa de Extermínio O Templo dos Ossos, ou Extermínio 4 (mais fácil, né?). Não foi porque achei o Extermínio 3 ruim, na verdade heu tinha outro compromisso no dia. Perdi o “bonde do hype”, mas vou comentar, mesmo atrasado.

Mas antes queria fazer um último comentário sobre o Extermínio 3. Meu maior problema com o filme foi que não consegui “comprar a ideia”. O terceiro filme era pra ter sido “28 Meses Depois”, continuando a proposta do título original, que se baseia na linha do tempo (28 dias – 28 semanas – 28 meses). Mas resolveram mudar pra “28 Anos Depois”. Galera, 28 anos é muito tempo. Em primeiro lugar, não teriam mais infectados – no segundo filme são poucos, porque a maioria morreu de fome. Além disso, ia ter gente querendo voltar pra Inglaterra. A infecção se espalhava muito rápido, imagina quantos ingleses não estariam viajando, fora da Inglaterra, quando estourou a infecção? Eles iam querer voltar pra casa! Fazer o filme 28 anos depois da infecção me pedia uma suspensão de descrença que não consegui aceitar.

Mas, isso é problema meu, não do filme. Se vejo um filme de super heróis, preciso acreditar que o cara tem super poderes. Um dia vou rever Extermínio 3 e talvez tenha uma segunda opinião.

Enfim, vamos ao Extermínio 4. Este é o segundo de uma trilogia no universo dos dois primeiros filmes. Extermínio 3, o terceiro filme, mas primeiro da nova trilogia, terminava com uma cena “Power Rangers”, mostrando um grupo que lutava fazendo coreografias e usando roupas coloridas (aliás, essa cena me fez gostar ainda menos do filme). O quarto filme começa a partir daí: a entrada do garoto Spike nesse problemático grupo. Paralelo a isso, vemos o dr. Kelson estreitando o relacionamento com o infectado Samson, e fazendo experimentos com remédios.

A direção é de Nia da Costa, que não tem um bom currículo (ela fez o Candyman novo, que é meio fuén, e As Marvels, que é ainda pior). Mas ela manda bem aqui. Em algumas partes ela emula o ritmo frenético usado pelo Danny Boyle nos outros filmes, mas em outros trechos temos mais foco nos personagens e seus objetivos. Além disso, ela usa a música como em nenhum dos outros três filmes foi usada (já retorno a esse ponto).

O elenco está muito bem. O filme se divide bem entre os três principais nomes. Alfie Williams, que era o verdadeiro protagonista do filme anterior, aqui está ok como um garoto que acidentalmente caiu numa roubada e precisa dar um jeito de escapar. Jack O’Connel está ótimo como o alucinado e megalomaníaco líder dos Jimmies, um cara que cresceu e viveu a vida toda sem limites morais e éticos, e agora vive essa rotina louca, misturando poder e religião. E Ralph Fiennes está excelente como o velho médico, sobrevivente, cansado da vida, que se arrisca pra tentar mudar o que está em volta. E ele ouvindo e dançando Iron Maiden é sensacional! Ainda no elenco, Erin Kallyman (de Han Solo) e Chi Lewis-Parry, o infectado alfa.

Sobre a música: descobrimos que o dr. Kelson tem um toca discos. São três momentos dele ouvindo e interagindo com músicas do Duran Duran. Mas a melhor cena é quando ele usa Iron Maiden. Tem uma longa sequência na parte final, ao som de “The Number of the Beast”, que é muito boa, talvez a melhor cena do filme. Só essa sequência já vale o ingresso! Ah, o filme termina com a arrepiante “In the House, in a Heartbeat”, que foi tema do primeiro filme, lá de 2002.

Por outro lado, Extermínio 4 sofre por ser o filme do meio de uma trilogia anunciada. O filme não tem início, quem não viu o 3 vai ficar perdido. E também não tem fim, o filme termina com dois ganchos para o próximo filme. Um deles é bem legal, pra quem acompanha a franquia desde o primeiro filme. Mas, precisa deixar tudo em aberto? Bem ruim isso.

Gostei de Extermínio 4. Depois de ver, tenho até mais boa vontade com o terceiro filme. Quem sabe quando sair Extermínio 5 não faço uma sessão tripla pra ver a trilogia inteira?

As Marvels

Crítica – As Marvels

Sinopse (imdb): Quando os poderes de Carol Danvers, a Capitã Marvel, se entrelaçam aos de Kamala Khan, a Ms. Marvel, e aos de Monica Rambeau, atual astronauta da S.A.B.E.R., elas precisam aprender a trabalhar em conjunto para salvar o universo.

A expectativa para o novo filme da Marvel era zero. Não só tinha um monte de gente falando mal mesmo antes do filme estrear, como As Marvels (The Marvels, no original) não teve sessão de imprensa, sessão que acontece alguns dias antes da estreia para jornalistas, críticos e criadores de conteúdo, com o objetivo de ajudar a divulgar quando o filme estrear. Se a produção acha que não vai ter nenhum retorno, não faz a sessão – e aconteceu isso com As Marvels (pelo menos no Rio).

Dito isso, posso dizer que não é um grande filme, não é um filme para listar entre os melhores da Marvel. Mas também não é tão ruim assim. Vamulá.

Antes do filme, existe um problema que não é exclusivo deste filme, mas sim um problema da Marvel de um modo geral hoje em dia. Depois de 25 anos de filmes e séries, é difícil você fazer um filme independente. O novo lançamento sempre depende de outras coisas, o espectador tem que ter visto outros filmes e outras séries para conseguir pegar todos os detalhes. Sempre critiquei isso, e preciso continuar coerente comigo mesmo – são filmes que precisam de um “manual de instruções”. As Marvels é continuação de Capitã Marvel, mas também continuação da série Miss Marvel, e também continuação da série WandaVision. Se você não acompanhou o filme e as duas séries, talvez se sinta perdido.

Dirigido por Nia DaCosta, que fez o fraco reboot de Candyman, As Marvels era pra ser o segundo filme da Capitã Marvel, mas Carol Denvers divide o protagonismo com Monica Rambeau e Kamala Khan. As três protagonistas eventualmente trocam de lugar quando usam seus poderes e isso acaba gerando algumas cenas bem legais, com boas coreografias. Mas, por outro lado, temos algumas “roteirices” porque às vezes elas trocam de lugar, outras vezes não – ou seja, o que define essa troca é o que o roteiro está pedindo.

Ouvi críticas com relação a uma sequência onde elas vão para um planeta onde todo mundo só fala cantando, mas heu achei essa ideia muito boa. Entendo que, como gosto de musicais, tenho uma certa facilidade para aceitar uma ideia dessas. Parece um momento Bollywood, tudo muito colorido, com músicas, danças e coreografias. Minha única crítica a esse momento Bollywood é que a produção do filme pareceu tímida, e a sequência é curtinha. Se você vai usar uma ideia absurda, abrace o absurdo! Assuma a galhofa! Pareceu que o filme não queria “se sujar”.

Por outro lado, achei que a cena dos gatos não ficou legal. Era para ser talvez uma piada, mas eu achei que ficou tosco. Ficou mal explicado, mal desenvolvido, não funcionou.

Sobre o elenco: Brie Larson está ok. Ela não é uma pessoa simpática, tampouco uma personagem simpática, mas ela funciona dentro do que a proposta do filme pede. Teyonah Parris (Monica Rambeau) também não é nada demais, mas também funciona para o que o filme pede. Agora, admito que gostei da Iman Vellani (Kamala Khan). A jovem (21 anos) paquistanesa sempre se assumiu muito fã do MCU, e isso passa para a personagem: vemos que ela está muito feliz fazendo o filme. Atriz e personagem são muito fãs, e isso funciona muito bem na tela. Samuel L. Jackson não está bem, o personagem Nick Fury já foi legal, hoje em dia é uma caricatura do que já foi, em Invasão Secreta estava tão ruim quanto. A vilã interpretada por Zawe Ashton (esposa de Tom Hiddleston, o Loki) também não é boa. A Marvel tem alguns vilões muito bons e outros que não são. E a vilã aqui, Dar-Benn, está no segundo grupo.

As Marvels tem uma cena final que parece cena pós créditos, e uma cena no meio dos créditos. As duas são ganchos para possíveis caminhos futuros da Marvel, e as duas são empolgantes!

A Lenda de Candyman

Crítica – A Lenda de Candyman

Sinopse (imdb): Uma “sequência espiritual” do filme de terror de 1992 “O Mistério de Candyman”, que retorna ao bairro de Chicago, agora gentrificado, onde a lenda começou.

Continuações / reboots dão retorno financeiro, e por isso fazem vários, e vão continuar fazendo mais. Pena que, quase sempre, são desnecessários, e com qualidade duvidosa – só nas últimas semanas falei da sequência de Invocação do Mal e do reboot de Jogos Mortais – ambos fracos. É difícil a gente lembrar de um reboot que realmente era necessário (pensei em Duna, que é um livro cultuado que teve uma adaptação muito questionada, e que este ano vai ter um reboot – será que vai ser bom?).

Mas aí, ok, Candyman tem quase 30 anos que foi lançado, então o reboot era até justificado. Pena que a qualidade ficou bem abaixo do desejado.

Pra começar, é um filme de terror que não dá medo. Ok, admito que acho a lenda meio boba – olhar pro espelho e falar o nome 5 vezes? E se falar outra coisa no meio, tá valendo? E se falar uma vez hoje, e na semana que vem falar outras 4? Enfim, independente da lenda ser boa ou não, o filme pode fazer um bom trabalho na hora da tensão. Mas aqui, nada. Nenhum susto, algum gore por causa das mortes, mas nada muito gráfico. E, pra piorar, o filme é arrastado – uma hora e meia, que não terminavam nunca.

O Candyman original, de 1992, baseado no conto “The Forbidden” do escritor Clive Barker, e dirigido por Bernard Rose (que não fez nenhum outro filme digno de nota), trazia uma abordagem de crítica social. Este novo, com Jordan Peele como um dos roteiristas, claro que também ia abordar questões sociais e raciais. Mas, se em Corra, Peele fez um bom filme de terror e uma boa crítica social, aqui em A Lenda de Candyman há falhas em ambos os aspectos. O filme é sonolento, e na parte de crítica social, o discurso aqui pedia um pouco mais de sutileza. Do jeito que foi apresentado, ficou forçado.

Tem uma outra coisa que me incomodou, espero que não seja spoiler, mas… O protagonista começa a virar o Candyman. Não me lembro de detalhes do filme dos anos 90 (lembro menos ainda das continuações), mas Candyman era uma entidade, não tinha ninguém virando Candyman. Isso me lembrou A Hora do Pesadelo 2, onde o personagem começa a virar o Freddy. E lembrar de Hora do Pesadelo 2 nunca é um bom sinal.

Nem tudo é ruim. Gostei do uso de teatro de sombras pra contar os flashbacks, um efeito simples e eficiente. O ator principal, Yahya Abdul Mateen II (Aquaman, Watchmen), está bem no papel, e digo o mesmo pra Teyonah Parris (a Monica Rambeau de Wandaviasion). Outro detalhe digno de nota: o filme é cheio de espelhos, e sei isso dificulta bastante as filmagens. Pelo menos na parte técnica, a diretora Nia daCosta (que está filmando um dos próximos filmes do MCU) fez um bom trabalho.

Mas o resultado final é fraco. Pena.