A Empregada

Crítica – A Empregada

Sinopse (imdb): Segue uma mulher em dificuldades que está feliz em recomeçar como empregada doméstica para um casal rico e elitista.

A Empregada (The Housemaid, no original) é o novo suspense dirigido por Paul Feig, que tem um longo currículo na comédia (Missão Madrinha de Casamento, As Bem Armadas, Caça Fantasmas (2016)), mas que já tinha entrado no suspense, com Um Pequeno Favor. Seu novo filme é baseado no livro de Freida McFadden – não li o livro, meus comentários serão só sobre o filme.

A Empregada tem aquele formato onde vemos uma trama com alguns elementos estranhos, e depois rola uma reviravolta de roteiro onde tudo passa a ser visto sob uma nova perspectiva. Millie (Sydney Sweeney), que tem um passado misterioso, está procurando emprego, e começa a trabalhar na casa de Nina (Amanda Seyfried). Só que pouco depois que começa o trabalho, Nina se mostra uma pessoa completamente desequilibrada.

Depois da virada de roteiro a gente entende algumas coisas que antes estavam nebulosas. Mas se heu puder fazer uma crítica, achei meio abrupta a mudança de comportamento de alguns personagens. No filme até funciona, mas me pareceu artificial.

O grande lance aqui é a dinâmica entre Sydney Sweeney e Amanda Seyfried. Sydney esteve envolvida recentemente em polêmicas vazias (talvez o maior problema do mundo atual seja essa polarização que transforma tudo em flaxflu), mas já mostrou que é uma grande atriz – e quem discorda de mim, veja o final de Imaculada. Enfim, polêmicas à parte, Sydney, que além de atuar bem, é uma das mais bonitas da sua geração, está bem aqui. Amanda às vezes parece um pouco over, mas ela também funciona bem no papel, principalmente depois do plot twist, quando sabemos o que realmente aconteceu. Enfim, as duas estão bem e valem o filme.

O papel masculino principal é de Brandon Sklenar. Curioso que já vi alguns filmes com ele, mas não lembro de nenhuma das suas atuações. Não sei se é uma falha minha ou se ele realmente é um cara mais apagado. Michele Morrone, famoso pela bomba 365 Dias e por ser um novo “Cigano Igor”, tem um papel muito mal desenvolvido como o jardineiro – ou seja, é um ator ruim num papel ruim. E, pra quem é das antigas, a mãe do protagonista é Elisabeth Perkins, de Sobre Ontem À Noite (1986) e Quero ser Grande (88).

A Empregada é um pouco longo, não precisava de mais de duas horas pra contar essa história. Mas quem curtia aqueles suspenses dos anos 90, com reviravoltas e um toque de erotismo, vai se divertir.

 

Caça-Fantasmas (2016)

Caça-fantasmasCrítica – Caça-Fantasmas (2016)

Eles estão de volta! Quer dizer, agora são elas! 🙂

Logo após uma uma invasão fantasma em Manhattan, as entusiastas do paranormal Erin Gilbert e Abby Yates, a engenheira nuclear Jillian Holtzmann, e a funcionária do metrô Patty Tolan se juntam para parar essa ameaça de outro mundo.

Alguns meses atrás começou uma grande polêmica na internet. Parte dos fãs do Caça-Fantasmas original, lançado em 1984, reclamou quando anunciaram que seria feito um novo filme da franquia, mas só com mulheres nos quatro papeis principais.

Bem, admito que, pra mim, a ideia não pareceu boa. Diferente de um Mad Max ou um Star Wars ep.7, onde as protagonistas femininas se mostraram naturalmente melhores do que seus pares masculinos, aqui soava meio forçado – não só as mulheres são as que mandam, como ainda por cima pegaram um grande astro de filmes de ação e o colocaram num papel de “louro burro”.

Mas quando a gente vê o filme, descobre que o receio era infundado. O roteiro desce redondinho, usando elementos do filme original, e as quatro atrizes têm boa química – todas vieram do Saturday Night Live (coincidência ou não, 30 anos atrás os atores também vieram do mesmo programa).

Não se trata de uma continuação, a história recomeça do zero. O roteiro, escrito pelo diretor Paul Feig e por Katie Dippold, sabe dosar de maneira inteligente as referências ao filme original – a história começa parecida, mas do meio para o final, o filme segue outro caminho.

As referências são um prato cheio para os fãs. Não só somos (re)apresentados aos props, como os uniformes, o endereço e o carro Ecto 1; como temos participações especiais de quase todo o elenco principal do filme anterior: Bill Murray, Dan Aykroyd, Ernie Hudson, Annie Potts e Sigourney Weaver fazem pontas, enquanto o falecido Harold Ramis aparece como uma estátua (Rick Moranis teve problemas pessoais e se afastou de Hollywood, ele é o único que não aparece).

O elenco novo é muito bom – Kristen Wiig, Melissa McCarthy e Leslie Jones estão bem, mas gostei mais da maluquinha Kate McKinnon. E Chris Hemsworth está hilário! E o filme ainda conta com paticipações de Charles Dance, Andy Garcia e Ozzy Osbourne.

A parte técnica, como era de se esperar, é perfeita. Quem me acompanha sabe que não sou fã do 3D, mas aqui pelo menos os efeitos fazem algo diferente do óbvio. O filme se passa num retângulo dentro da tela, e os efeitos dos fantasmas saem deste retângulo. Taí, gostei da ideia.

Por fim, fiquem até o final do filme. Há cenas durante os créditos e também pós créditos!