O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final

Exterminador 2Crítica – O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final

Um robô, idêntico àquele que falhou em matar Sarah Connor, deve agora proteger seu filho adolescente, John Connor, de um robô mais avançado, feito de metal líquido.

Se fizerem uma lista de melhores continuações da história do cinema, este O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (Terminator 2: Judgement Day, no original) tem grandes chances de estar lá. Este é um daqueles raros casos de continuações tão boas quanto o filme original!

Na época do primeiro Exterminador do Futuro, James Cameron ainda era um nome desconhecido (ele só tinha dirigido um longa, Piranhas 2 – Assassinas Voadoras), mas agora em 91, depois de dirigir Aliens O ResgateO Segredo do Abismo, ele já tinha se firmado como um dos grandes nomes do cinema de ação / ficção científica. Cameron mais uma vez assumiu a direção e o roteiro, e desta vez tinha uma produção com muito mais dinheiro – se no primeiro filme, o orçamento era de 6 milhões e 400 mil dólares; agora no segundo ele tinha cento e dois milhões. Os efeitos especiais aqui são bem melhores!

Um parágrafo a parte para se falar dos efeitos especiais do robô T-1000. Hoje efeitos digitais são corriqueiros, mas lá longe, em 1991, isso era novidade. Aquele robô de metal líquido, que “derrete” e toma outra forma, é um efeito especial sensacional! Uma das cenas “explodiu a minha cabeça” – quando o T-800 joga o T-1000 na parede, e este, em vez de se virar, a nuca se transforma em seu rosto. Genial! Aliás, revi agora, e digo que, em pleno 2015, os efeitos continuam excelentes. A cena do T-1000 atravessando a grade ainda impressiona!

Sobre o elenco: em 84, época do primeiro filme, Arnold Schwarzenegger era um nome pouco conhecido, mas agora em 91 ele já tinha se firmado como um dos maiores nomes de Hollywood, com várias superproduções no currículo (como Comando Para Matar, O Predador, O Vingador do Futuro, O SobreviventeIrmãos Gêmeos, entre outros). O roteiro, inteligentemente, o transformou em “mocinho” e inventou um novo vilão – e um excelente vilão, diga-se de passagem. Também no elenco, Linda Hamilton, Robert Patrick e Edward Furlong.

Gosto muito do Exterminador 2, acho um excelente filme, uma das melhores continuações que vemos por aí, mas… Tem uma inconsistenciazinha no roteiro. No primeiro filme, explicam que a máquina do tempo só funciona com tecido humano, por isso o robô precisa estar envolto em carne humana, e sem roupas nem armas. Pensando nesta regra, como é que um T1000 consegue viajar no tempo?

Sei que é algo pequeno, e irrelevante para o desenrolar do filme. Mas não gosto quando um filme ou série propõe uma regra e depois ignora esta própria regra… Pelo menos não apaga o brilho deste grande filme!

Homem-Formiga

0-HomemFormiga-posterCrítica – Homem-Formiga

E continua a expansão do Universo Cinematográfico Marvel (MCU, em inglês)!

Armado com um uniforme que tem a incrível capacidade de reduzir o seu tamanho e aumentar a sua força, um ex-presidiário deve ajudar seu mentor a planejar e executar um assalto que vai salvar o mundo .

Guardiões da Galáxia, um filme baseado em quadrinhos menos conhecidos, foi uma das mais agradáveis surpresas do ano passado. A Marvel resolveu arriscar novamente um personagem pouco conhecido e inseri-lo no mesmo universo dos “medalhões” Thor, Capitão América, Hulk e Homem de Ferro. A bola da vez é o Homem-Formiga.

Homem-Formiga (Ant-Man, no original) tem seus acertos, mas logo de cara tem um problema: perde na comparação com os títulos Marvel do ano passado, Guardiões e Capitão América Soldado Invernal. Pelo menos é melhor que Vingadores 2, que decepcionou a maioria do público

Vamos ao que funciona. Este poderia ser um clássico “filme de origem”, naquele formato onde o personagem se descobre e treina até virar o herói. A boa notícia é que Homem-Formiga não repete os clichês do formato, e o treinamento passa batido. Outra coisa boa é não perder tempo com o passado do Homem Formiga.

Os efeitos especiais também merecem destaque. Um cgi ruim arruinaria o conceito do filme. Mas não só o cgi é excelente, como ainda usa o bom humor na parte final do filme – adorei as referências ao trenzinho Thomas e à banda The Cure!

Ah, sim, o bom humor. Não é uma comédia, mas a plateia deu gargalhadas várias vezes ao longo da projeção. Desconfio que Edgar Wright como roteirista seja um dos responsáveis por isso…

Sobre Edgar Wright, o mesmo de Scott Pilgrim e da trilogia Cornetto (Todo Mundo Quase Morto, Chumbo Grosso e Heróis de Ressaca): ele seria o diretor aqui. Ele propôs o filme para a Marvel em 2003, e começou a trabalhar no projeto desde então. Mas, por divergências criativas com a Disney, ele pulou fora em 2014. Não sei o quanto ele participou do filme (ele continua creditado como produtor e roteirista), não sei se ele efetivamente filmou algo. O que sabemos é que foi ele que pediu para o personagem Homem-Formiga não aparecer no filme Os Vingadores. A direção ficou a cargo de Peyton Reed (Sim Senhor, Separados Pelo Casamento).

Pena que nem tudo funciona. Michael Peña está bem como alívio cômico, mas usar outros dois como um “trio engraçadinho” foi exagerado. Outra problema é no ritmo: a parte final é excelente, mas a primeira parte do filme tem momentos desinteressantes, focados em problemas familiares. Ok, já entendemos todos os “father daughter issues“, podemos ir pra ação?

(Ainda o personagem do Michael Peña: achei genial o modo como ele conta as historinhas. Prestem atenção nos movimentos labiais e não nas legendas!)

O elenco tem pontos positivos e negativos. Paul Rudd (que também é um dos roteiristas), mas conhecido por comédias bobinhas como Eu te Amo, Cara e Bem-vindo Aos 40, está muito bem, se encaixou perfeitamente no papel. Já Corey Stoll (Sem Escalas) está caricato demais como o vilão. Ainda no elenco, Michael Douglas, Evangeline Lilly, Judy Greer, Bobby Cannavale, Martin Donovan e uma participação especial não creditada de Anthony Mackie. Ah, tem o Stan Lee, mas nem precisava avisar, né?

No fim, claro, tem cena pós créditos. Na verdade, são duas cenas, uma no meio e outra no fim, dois ganchos para futuras continuações. O MCU continua crescendo!

O Exterminador do Futuro: Gênesis

Exterminador 5O Exterminador do Futuro: Gênesis

Estreou o novo Exterminador!

John Connor manda Kyle Reese ao passado para proteger Sarah Connor, mas quando ele chega em 1984, nada acontece como esperado.

Neste mar de continuações, refilmagens, releituras, remakes e reboots, claro que tinha espaço pro Arnoldão voltar ao seu papel mais icônico, né?

Um pequeno resumo da franquia Exterminador do Futuro. Os dois primeiros, dirigidos por James Cameron em 84 e 91, são excelentes, dois clássicos da ficção científica, dois dos melhores filmes de viagem no tempo de todos os tempos. O terceiro, de 2003, teve seus tropeços, ficou bem abaixo dos outros dois. Com um clima mais dark, o quarto filme foi lançado em 09 – melhor que o terceiro, mas ainda abaixo do início da saga. Pela primeira vez, Schwarzenegger não estava no elenco principal (ele era o governador da Califórnia àquela época), mas aparecia como um bem sacado efeito especial.

Sobre o novo O Exterminador do Futuro: Gênesis (Terminator Genisys, no original), a primeira pergunta era: robôs envelhecem? Porque agora um senhor sessentão, Arnold Schwarzenegger volta ao papel do robô Exterminador. Mas isso é explicado no filme, o robô tem pele humana, então ele envelhece por fora…

A direção ficou a cargo de Alan Taylor, com longa carreira na tv (dirigiu episódios de séries como  Game of Thrones, Família Soprano e Sex and the City, entre muitas outras), mas em seu segundo filme para o cinema. Bem, como o primeiro foi Thor Mundo Sombrio, podemos dizer que Taylor está no caminho certo pra entrar no primeiro time dos diretores hollywoodianos.

Tecnicamente falando, o filme é impressionante. Não só vemos perseguições, brigas, explosões e tiroteios de tirar o fôlego, como vemos uma cena do Schwarza atual contra o Schwarza de 84! Viva o cgi bem feito!

Agora, uma coisa me incomodou: o conceito de viagem no tempo proposto pelo primeiro filme propõe um círculo fechado e imutável – o destino já está escrito, tudo o que acontece relativo às viagens no tempo vai se repetir num eterno loop. E este conceito é ignorado aqui. O Exterminador do Futuro Gênesis usa a ideia de viagem no tempo proposta pela série De Volta Para o Futuro: suas ações numa viagem no tempo podem alterar o futuro. Não gostei…

No elenco, Arnold Schwarzenegger mostra que ainda tem pique apesar dos sessenta e sete anos de idade (ele acabou de completar 68). E gostei da Emilia Clarke (Game of Thrones) como Sarah Connor. Por outro lado, não gostei de Jason Clarke (Planeta dos Macacos O Confronto), caricato demais como John Connor. Ainda no elenco, Jai Courtney, J. K. Simmons, Courtney B. Vance, Sandrine Holt e Byung-hun Lee.

Último aviso: rola uma cena extra no meio dos créditos, um gancho para uma continuação. É, segundo o imdb, este é o primeiro de uma nova trilogia…

Jurassic World

Jurassic World - PosterCrítica – Jurassic World

Vinte e dois anos depois, a ilha Nublar agora tem um parque temático de dinossauros em pleno funcionamento, como originalmente idealizado por John Hammond. Mas, como depois de dez anos de funcionamento as visitas começam a cair, uma nova atração é criada para reacender a atenção do público.

Apesar de parecer um reboot, Jurassic World é uma continuação. Diferente dos filmes anteriores, agora vemos o parque temático funcionando a todo vapor, com milhares de visitantes por dia para ver dinossauros vivos. As mortes que aconteceram no filme de 1993 são mencionadas, mas os planos de fazer uma atração turística foram mantidos.

(O segundo (1997) e o terceiro (2001) filmes são ignorados. É, talvez tenha sido uma boa ideia, ninguém sentiu falta).

A dúvida: é uma continuação digna do primeiro filme ou é tão fraco quanto as duas continuações já existentes?

Alvíssaras! O novo filme é muito bom!

Acredito que nostalgia seja a palavra certa para definir Jurassic World. Revemos os Velociraptors e o Tiranossauro Rex, revemos a ilha e algumas locações do primeiro filme, revemos até duas crianças perdidas na ilha e o BD Wong voltando ao papel do dr. Henry Wu do primeiro filme. E, pontuando toda a nostalgia, a trilha sonora de Michael Giacchino usa e abusa do tema original do John Williams. Todo mundo sai do cinema cantando o pã-rã-rã… rã-rã… do filme de 93.

Os fãs do filme original vão se deleitar. As interações dos personagens com os dinossauros estão bem mais desenvolvidas. E uma cena em particular, envolvendo o Tiranossauro, fez o cinema bater palmas – coisa rara em uma sessão de imprensa.

Talvez este seja o ponto fraco do filme dirigido pelo desconhecido Colin Trevorrow. Ele respeita até demais o primeiro filme, a ponto de parecer um reboot. E tudo fica um pouco previsível.

Pelo menos o roteiro é bem escrito e o filme tem um bom ritmo – se não temos novidades, pelo menos temos clichês bem usados. Adorei a curta cena com o mercenário barbudo no helicóptero, assim como a despedida do funcionário nerd com sua colega (aliás, este personagem foi um excelente alívio cômico).

Sobre os efeitos especiais, precisamos nos lembrar que no Parque dos Dinossauros de 1993 foi a primeira vez que vimos dinossauros “reais”. Na época, o diretor Steven Spielberg (que está aqui como produtor executivo) conseguiu um perfeito equilíbrio entre cgi, stop motion e animatronics e, pela primeira vez na história do cinema, os dinossauros pareciam que realmente estavam lá, interagindo com os atores.

Hoje em dia, o cgi chegou a um nível de qualidade tão grande que os efeitos aqui também são excelentes. Não li em nenhum lugar, mas arrisco dizer que aqui deve ser tudo cgi. Mas é um cgi impressionantemente bem feito!

Liderando o elenco, Chris Pratt mostra mais uma vez que é um dos nomes mais “quentes” de Hollywood hoje em dia. Depois de ser o protagonista de Uma Aventura LegoGuardiões da Galáxia, o cara mostra todo o seu carisma neste filme e ainda está cotado para ser o novo Indiana Jones! Também no elenco, Bryce Dallas Howard, Vincent D’Onofrio, Irrfan Khan, Omar Sy, Jake Johnson, Lauren Lapkus, Ty Simpkins e Nick Robinson. Só não entendi por que chamaram a Judy Greer para um papel tão pequeno – será que pensam nela para alguma continuação?

Sobre continuação, o filme não deixa o final aberto. Mas do jeito que os executivos de Hollywood pensam hoje em dia, acho difícil não termos um Jurassic World 2 nos próximos anos. Ok, que venha, se for tão divertido quanto este!

Mad Max: Estrada da Fúria

0-Mad MaxCrítica – Mad Max: Estrada da Fúria

E finalmente vamos falar do novo Mad Max!

Num mundo devastado pós apocalíptico, dois rebeldes podem restaurar a ordem: Max, um homem de poucas palavras, e Furiosa, uma mulher de ação que tenta voltar ao lugar onde passou a infância.

Rolava uma grande dúvida sobre este Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, no original): seria uma refilmagem, um reboot? Como este filme se encaixa na linha do tempo “madmaxiana”?

É um novo filme, com o mesmo personagem, Max Rockatansky, em uma nova história, independente dos outros filmes. Nunca se fala em linha temporal, meu chute é que este filme deve se passar entre o 2 e o 3 (me parece que a gasolina era algo mais escasso no terceiro filme). Mas isso pouco importa, temos um filme sem nenhuma ligação com os outros da franquia. Quem não viu (ou não se lembra) dos outros não precisa rever pra entender este novo filme.

Mais uma vez, a direção ficou com George Miller, que tem uma carreira curiosa: depois de dirigir os três primeiros Mad Max, dirigiu As Bruxas de Eastwick (87) e O Óleo de Lorenzo (92), e depois investiu na carreira de filmes infantis (Babe o Porquinho e os dois Happy Feet: O Pinguim. E agora, aos 70 anos de idade, volta aos filmes de ação com as alucinadas perseguições do novo Mad Max. Detalhe: a censura lá fora é “R”, Miller pulou dos filmes infantis para algo só para adultos.

A parte técnica é impressionante. Se as sequências de perseguições de carros já eram boas nos outros filmes, aqui estão ainda melhores. São várias sequências de tirar o fôlego, cada uma melhor que a outra. Pelo que li, George Miller gastou milhões destruindo dezenas de carros reais, em vez de optar pelo cgi. O espectador que for ao cinema atrás de boas perseguições e explosões não se decepcionará!

Outra característica importante na franquia é o visual. Os figurinos e maquiagens são ótimos, e os carros, motos e caminhões – quase todos modificados (tipo uma carroceria de fusca em cima de um caminhão tanque) – estão excelentes. Isso, aliado à uma fotografia bem cuidada, criam um visual impressionante e único.

O problema é que várias coisas no roteiro não fazem o menor sentido – a ponto de termos um guitarrista tocando parte da trilha sonora do filme acorrentado em cima de um dos caminhões! (Pra mim, este guitarrista que aparece várias vezes está lá apenas para nos lembrar que o filme não é para ser levado a sério…)

Isso tudo cria um clima meio trash que não sei se vai agradar a todos. A produção é de primeira, mas a motivação que guia os personagens não é. Isso porque não estou falando de alguns furos de roteiro – aquela passagem pelas pedras estaria limpa daquele jeito?

Sobre o elenco, precisamos falar de Charlize Theron, a verdadeira protagonista do filme. Sim, não é um filme do Mad Max, e sim da Imperator Furiosa (curioso o nome quando lido por latinos, não?). Mesmo sem cabelo, sem um dos braços e com a testa suja de graxa, Charlize é mais bonita do que a maioria das mulheres deste planeta. E não é só a beleza: Charlize hipnotiza o espectador com seus olhos azuis e toma conta do filme.

Max é interpretado por Tom Hardy, o Bane de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, que faz um bom trabalho substituindo Mel Gibson (todo mundo já sabe que Gibson não está nesse filme, né?). E, diferente dos outros filmes, agora temos alguns nomes conhecidos no elenco, como Nicholas Hoult e Zoe Kravitz (o Fera e a Angel de X-Men Primeira Classe) e Rosie Huntington-Whiteley (Transformers: O Lado Oculto da Lua). Ainda no elenco, Riley Keough, Abbey Lee, Courtney Eaton e Nathan Jones. Ah, para os fãs da franquia: o vilão Immortan Joe é interpretado por Hugh Keays-Byrne – o Toecutter do primeiro Mad Max.

Por fim, o 3D. Quem me conhece sabe que não sou fã de 3D, a não ser quando usa o “efeito parque de diversões”: coisas saem da tela na direção do espectador. E é o caso aqui! Ou seja, pela primeira vez no ano, o 3D vale a pena!

Mad Max 3 – Além da Cúpula do Trovão

Mad Max 3Crítica – Mad Max 3 – Além da Cúpula do Trovão

Num cenário ainda mais desolado do que no segundo filme, Max vai parar numa cidade depois de ser roubado.

Depois de um primeiro filme médio e de um segundo muito bom, chegamos ao terceiro – que é um desastre total!

Não sei exatamente de quem é a culpa. George Miller não dirigiu o filme inteiro, por causa da morte do amigo e produtor Byron Kennedy, que faleceu no meio da produção, num acidente de helicóptero enquanto procurava locações – o desconhecido George Ogilvie divide os créditos de diretor com Miller. Não sei se foi aí que o filme se perdeu. O fato é: tem tanta coisa errada que nem sei por onde começar.

Mad Max 3 – Além da Cúpula do Trovão (Mad Max Beyond Thunderdome, no original) até começa bem, apresentando uma cidade pós apocalíptica, Bartertown. Não sabemos exatamente o que Max foi fazer lá, nem sabemos exatamente quais os critérios da antagonista Auntie para escolhê-lo como representante na luta. Mas a luta na tal Cúpula do Trovão que dá o título ao filme até que é boa – talvez o único bom momento do filme… Porque logo depois, começa a ladeira abaixo com uma “roda da fortuna” que parece uma piada fora do contexto.

Se a primeira parte é legal (apesar de ser inferior ao primeiro filme), tudo piora – muito – quando Max sai de Bartertown e encontra a “Terra do Nunca pós apocalíptica”. A partir daí, o que já era ruim fica pior, e o filme vira um grande trash.

Não vou reclamar das cenas que copiam Caçadores da Arca Perdida (Max atirando num cara com espada) ou Guerra nas Estrelas (Max correndo por um corredor, pra voltar logo depois perseguido por dezenas de guardas; a história é contada na aldeia das crianças numa cena idêntica ao C3PO contando para os Ewoks). Ok, vamos chamar isso de homenagens. Mas algumas coisas são completamente equivocadas, como a música de aventura estilo Goonies numa cena tensa, ou uma linha de trem intacta enquanto todos os prédios estão no chão. E a parte final, quando Max resolve “abrir espaço” para o avião – toda aquela sequência não faz o menor sentido (vou falar disso num podcast daqui a alguns dias, prometo colocar o link aqui).

Tudo é tão desleixado que o ator Bruce Spence está de volta, com uma caracterização parecida com o Gyro Captain de Mad Max 2, mas com outro nome, Jedediah – afinal, era pra ser o mesmo personagem ou não?

Sobre os vilões, este terceiro filme mantém a “tradição” de vilões ruins que estão presentes em todos os Mad Max. A “Titia” de Tina Turner é ruim, mas o Master Blaster é bem pior – na minha humilde opinião, o pior vilão de toda a franquia. Como um cara que fala daquele jeito pode ser o mais inteligente???

O fim do filme é ridículo, mas quando cheguei lá, já tinha desistido. A sensação quando termina o filme é parecida com Highlander 2: uma boa franquia, estragada por um filme péssimo.

Mad Max 2: A Caçada Continua

Mad Max 2Crítica – Mad Max 2: A Caçada Continua

Vamos ao segundo?

No deserto pós-apocalíptico australiano, um cínico vagabundo concorda em ajudar uma pequena comunidade rica em gasolina a escapar de uma gangue de bandidos.

Dois anos depois, Mel Gibson e George Miller voltaram à franquia que lhes deu fama e reconhecimento. E desta vez, o resultado foi bem melhor.

Mad Max 2: A Caçada Continua (Mad Max 2, no original) é o filme que estabeleceu o futuro pós-apocalítico que está no imaginário da cultura pop: cenários desérticos, figurinos estilizados, carros rápidos e modificados. Tudo o que foi feito no cinema e na tv nos anos seguintes dentro da premissa “pós apocalipse” seguiu as regras introduzidas aqui.

Agora, sobre os carros, vem a minha grande implicância com o filme. Eles estão num ambiente onde a gasolina é algo raro, e as gangues ficam dando voltas de carro, só de farra – e o pior, aqueles muscle cars devem beber pra caramba! Uma gangue esperta usaria motinhos Honda Biz…

Relevando isso e alguns detalhes de roteiro (tipo, como aquela comunidade surgiu no meio do nada? De onde eles tiravam água e comida?), Mad Max 2: A Caçada Continua é um filme muito bom, bem melhor que o primeiro. A história é simples e enxuta, e as perseguições de carro são eletrizantes, em mais um excelente trabalho de dublês.

No elenco, mais uma vez, o único nome relevante é o de Mel Gibson. Também reconheci Bruce Spence, o sidekick que voa de helicóptero, que é um eterno coadjuvante, mas com papeis em várias franquas legais, como Matrix, Star Wars e O Senhor dos Aneis – e me lembro dele como o Zed de The Legend of the Seeker. Ah, e como acontece no primeiro filme, os vilões são péssimos. Não sei quem é mais caricato, o Humungus ou o Wez – aquele que, sei lá por que, fica com as nádegas de fora.

Mesmo assim, Mad Max 2: A Caçada Continua é um grande filme. E a franquia deveria ter parado aí. Amanhã explico por que…

Mad Max (1979)

Mad Max 1Crítica – Mad Max (1979)

Um policial australiano caça bandidos para vingar seu parceiro, sua esposa e seu filho.

Semana que vem estreia um novo Mad Max. Bom momento para rever a trilogia!

“Mad Max” virou um marco para “filmes pós apocalípticos”. Curiosamente, este primeiro filme, lançado em 1979, não é exatamente pós apocalíptico. Existe uma certa normalidade, vemos Max em casa com sua esposa e filho. Na verdade, este primeiro é um filme de vingança, não pós apocalíptico.

É o primeiro longa do diretor e roteirista George Miller, que também dirigiu as continuações em 81 e 85, e depois mudou o rumo da carreira (entre outras coisas, fez Babe, o Porquinho Atrapalhado e Happy Feet: o Pinguim). A boa notícia para os fãs da franquia é que ele também dirige o filme novo – ou seja, se é o mesmo cara, a franquia deve ser respeitada.

A produção é meio tosca, mas mesmo assim Mad Max traz ótimas cenas de perseguições de carros. Precisamos nos lembrar que era uma época sem cgi, tudo foi “real”. Um excelente trabalho de dublês!

Mel Gibson também era um nome desconhecido – ele nem aparece no trailer original. Mesmo assim, é o único nome a ser citado no elenco, o único nome do elenco que teve carreira relevante. Aliás, um comentário que serve para toda a franquia: os vilões são muito caricatos. Toecutter e Nightrider não metem medo em ninguém! Outra coisa: de quem foi a ideia de chamar o chefe de Max de “Fifi”?

Um comentário sobre a boa trilha sonora, assinada por um tal de Brian May. Seria o mesmo Brian May que é guitarrista do Queen? Não, é um homônimo. Mas deve ter muita gente confundindo, na página do imdb do cara a primeira informação da trivia é “não é o guitarrista do Queen”…

Li por aí que este primeiro Mad Max seria um dos filmes mais lucrativos da história – teria custado 400 mil dólares, e teria rendido 100 milhões. Não tenho os números exatos, mas é fato que teve uma produção barata e foi um grande sucesso – tanto que gerou continuações e marcou uma época.

 

O Franco-Atirador

Franco-AtiradorCrítica – O Franco-Atirador

Será que Sean Penn resolveu seguir a carreira do Liam Neeson?

Um sniper de um time de mercenários mata um ministro no Congo, e depois tem que desaparecer da vida que levava. Anos depois, de volta ao Congo em um trabalho humanitário, ele vira o alvo de outro time de mercenários.

A comparação com Liam Neeson é inevitável. Não só são dois atores que começaram tarde a carreira de action heroes (Penn está com 54; Neeson tinha 56 quando fez Busca Implacável, o filme que foi o marco inicial desta fase da sua carreira), como ambos os filmes são do mesmo diretor Pierre Morel. Bem, neste aspecto, Neeson teve mais sorte que Penn. Busca Implacável é bem melhor que este O Franco Atirador (The Gunman, no original).

O Franco-Atirador não é exatamente ruim. É um filme “correto”, tudo o que esperamos está lá, no seu lugar, tudo certinho e previsível, até demais – desde o início já dá pra sentir que vai se revelar o vilão do filme. Parece um filme genérico de ação.

Se tem alguma coisa que se destaca é o elenco. Sean Penn é um grande ator (já ganhou dois Oscars, por Entre Meninos e Lobos (2004) e Milk (08)) e brilha sempre que está na tela. Aliás, Penn mostra excelente forma física – se do pescoço para cima ninguém duvida de seus 54 anos, do pescoço para baixo ele está com o corpo melhor que muita gente vinte anos mais nova. Javier Bardem e Idris Elba também estão bem, mas têm menos tempo de tela. Ainda no elenco, Jasmine Trinca, Ray Winstone e Mark Rylance.

Mas, no fim, O Franco-Atirador não vale. Só pra quem é fã do Sean Penn.

p.s.: Não confunda este filme com o homônimo O Franco Atirador, Oscar de melhor filme em 1979, dirigido pelo Michael Cimino e estrelado pelo Robert De Niro e pelo Christopher Walken!

Noite Sem Fim

0-noitesemfimCrítica – Noite Sem Fim

Mais um filme de ação do Liam Neeson…

O assassino profissional Jimmy Conlon tem uma noite para decidir se é mais leal ao seu filho Mike, com quem não tem mais contato; ou ao seu melhor amigo, o chefão da máfia Shawn Maguire, que quer que Mike pague pela morte do seu próprio filho.

O diretor espanhol Jaume Collet-Serra chamou a atenção com o terror A Órfã, de 2009. Dois anos depois, Collet-Serra fez Desconhecido, sua primeira parceria com Liam Neeson, um misto de ação com suspense. Em 2014, outra parceria com Neeson, Sem Escalas, mais uma vez com um pé no mistério. Terceiro filme seguido da dupla, agora o suspense foi deixado de lado – Noite Sem Fim parece mais próximo da franquia de ação Busca Implacável.

Noite Sem Fim (Run All Night, no original) não é ruim, mas a gente já viu tudo isso tantas vezes, que, certa hora do filme, quando Neeson diz ao seu filho para confiar nele, parece que ele ia dizer sua famosa frase “I do have a very particular set of skills, skills I have acquired over a very long career“…

O que salva é o elenco. Neeson é um grande ator, é agradável vê-lo, mesmo que seja repetindo um papel. E ele está muito bem acompanhado por Ed Harris, Vincent D’Onofrio e Joel Kinnaman (o novo Robocop). Também no elenco, Genesis Rodriguez, Common e Nick Nolte, numa ponta não creditada.

Além disso, Noite Sem Fim traz imagens bem cuidadas e uma boa fotografia, quase toda noturna. Collet-Serra tem boa mão para as sequências de ação, e o filme ainda usa uns interessantes travellings super rápidos em cgi para ligar algumas cenas.

Parece que recentemente Neeson declarou que ia aposentar sua carreira de action hero, ele disse que se sente velho demais para isso. Bem, acho que é uma decisão acertada. Neeson continua fazendo bons filmes. Mas já deu, né?