As Aventuras de Gwendoline na Cidade Perdida

Gwendoline1Crítica – As Aventuras de Gwendoline na Cidade Perdida

Gwendoline chega na China numa caixa, e é ajudada pela sua amiga / babá e por um mercenário. Ela está numa missão para encontrar seu pai, que desapareceu quando buscava uma borboleta rara.

Hora de fazer um post nostálgico!

Segunda metade dos anos 80. Heu era adolescente, estudante do ensino médio, sem namorada, poucos amigos e muito tempo sobrando. Heu morava em Botafogo, e ia muito ao cinema.

Era uma época sem internet, sem tv a cabo, nem todos os filmes estavam nas videolocadoras. Existiam cinemas onde só passavam reprises. Isso mesmo, a gente ia ao cinema pra rever filmes.

A praia de Botafogo tinha 4 cinemas. Ópera 1 e 2 (onde hoje tem uma Casa & Vídeo) eram salas onde passavam estreias; Coral e Scala (onde hoje tem o Arteplex) eram uma sala de reprises e uma pornô (sim, existiam salas só para filmes pornô, mas isso é assunto para outro post).

Lembro de ter ido ao Coral algumas vezes para ver este As Aventuras de Gwendoline na Cidade Perdida (The Perils of Gwendoline in the Land of the Yik Yak, no original). Para um nerd adolescente, era o máximo ver uma cópia de Indiana Jones cheia de mulheres seminuas!

Revendo As Aventuras de Gwendoline na Cidade Perdida hoje em dia, claro que a gente constata que o filme não é bom. A história é ridícula, as atuações são péééssimas, e a nudez gratuita é muito forçada. Mesmo assim, foi um prazer rever. Assumo este filme como um guilty pleasure, aquele tipo de filme que a gente gosta, mas tem vergonha de admitir…

Na verdade, a estética camp do filme é bem legal. Tudo é meio tosco, mas é de propósito. E, dentro dessa proposta, os figurinos e cenários do filme funcionam perfeitamente.

Gwendoline nunca funcionaria nos dias de hoje. A mocinha frágil, a típica “donzela em perigo que aguarda seu príncipe encantado para salvá-la”, é um personagem que receberia duras críticas nos dias atuais de empoderamento feminino. O mesmo com o mocinho durão e machista, e também com Beth, a amiga / empregada da Gwendoline – aliás, um papel difícil de conceituar hoje em dia.

Gwendoline é baseado nos quadrinhos de John Willie. Nunca vi esses quadrinhos em lugar algum, não tenho ideia se o quadrinho tinha o mesmo estilo, tanto estético quanto de comportamento.

A direção é de Just Jaeckin, que na época já era conhecido por ter feito Emmanuelle, e pouco depois fez A História de O. Daí a gente entende a nudez presente. Não tem nada muito escandaloso, nenhum nu frontal, mas são várias cenas com mulheres de seios de fora. A maioria gratuita, como a cena da floresta, onde as duas meninas tiram as blusas – pra encher os cantis! É, acho que hoje em dia a personalidade dos personagens não seria o único ponto criticado…

No elenco, o único nome que tem algo a ser falado é o da protagonista Tawny Kitaen, que no mesmo ano estrelou A Última Festa de Solteiro ao lado de Tom Hanks, e que alguns anos depois fez alguns vídeos do Whitesnake (Tawny foi casada com David Coverdale, mas não sei se já era na época dos vídeos). Não conheço nenhum outro filme do resto do elenco.

Não sei se posso recomendar um filme desses. Mas admito que me diverti revendo.

p.s.: Um dos posters resumia bem o espírito do filme: “Barbarella encontra Indiana Jones”. Veja abaixo!

Gwendoline2

Sabotage

SabotageCrítica – Sabotage

Membros de uma divisão de elite da DEA são perseguidos um a um depois que dez milhões de dólares somem de uma batida a uma mansão de um cartel de drogas.

Arnold Schwarzenegger andou sumido das telas durante os anos que se dedicou à política. Ainda não tinha visto este Sabotage, terceiro filme que ele fez depois de sua volta. Catei o filme, mas me arrependi – era melhor ter ficado sem ver este.

Dirigido por David Ayer (que está escalado para lançar o badalado Esquadrão Suicida ano que vem), Sabotage tem algumas boas cenas de ação, mas é tudo tão clichê que às vezes parece que estamos vendo uma paródia. Todos os personagens são unidimensionais, e alguns diálogos são tão ruins que a gente sente vergonha alheia. Cito como exemplo a cena da policial seminua bebendo na piscina. Constrangedora!

Pra não dizer que nada se aproveita, gostei das caracterizações de alguns atores. Confesso que não reparei que Josh Holloway, o Sawyer de Lost, era um dos homens da equipe, me surpreendi quando li seu nome nos créditos. Sam Worthington também está bem diferente. Aliás, o elenco é bom, pena que o roteiro não soube desenvolver os personagens. Além de Schwarzenegger, Holloway e Worthington, Sabotage conta com Olivia Williams, Joe Manganiello, Terrence Howard e Mireille Enos.

Mas é pouco. Dispensável.

007 Contra Spectre

007 Spectre - posterCrítica – 007 Contra Spectre

Novo filme do James Bond!

Uma mensagem enigmática do passado de Bond dá uma pista para descobrir uma organização sinistra. Enquanto M batalha contra forças políticas para manter o serviço secreto vivo, Bond desmascara as fraudes para revelar a terrível verdade por trás de Spectre.

Preciso confessar que tenho um sentimento dúbio quando o assunto é 007. Vejo todos os filmes, porque é uma franquia muito competente, e quase todos os filmes do James Bond são bons. Mas não consigo ser fã do agente secreto, acho todos os filmes meio iguais…

Mais uma vez dirigido por Sam Mendes (que dirigiu o último, 007 Operação Skyfall), 007 Contra Spectre (Spectre, no original) é um eficiente filme de ação, que traz aquilo que os fãs do James Bond querem ver: boas cenas de ação, perseguições de carro (e de outros veículos também), belas bond girls, um vilão megalomaníaco, e alguns gadgets tecnológicos (desta vez não foram muitos). Como falei, os realizadores são muito eficientes, o filme não vai decepcionar ninguém.

(Aliás, o marketing em torno deste novo 007 está enorme! Tem até “cerveja Spectre”!)

A trama faz menção a outros filmes do 007 estrelados por Daniel Craig – Cassino Royale, Quantum of Solace e Operação Skyfall. Como falei, gosto de todos, mas os acho descartáveis, então não me lembro de detalhes. Algum ou outro detalhe pode se perder ao longo da narrativa, mas nada grave.

Aceito que tenha gente que não gosta de Daniel Craig como James Bond, mas, na minha humilde opinião, tanto faz – a boa notícia para os haters é que este deve ser o último filme de Craig na franquia, o próximo será outro ator (que ainda não foi escolhido).

Sobre o elenco: Christoph Waltz é o vilão da vez. Olha, adoro vê-lo em cena, é sempre um prazer vê-lo atuando. Mas… fico me questionando quando é que ele vai fazer um papel diferente. Porque o seu Oberhauser é igual ao Hans Landa de Bastardos Inglórios e ao Dr King Schultz de Django Livre. Guardadas as devidas proporções, o mesmo acontece  com Andrew Scott, que faz um C igual ao Moriarty da série Sherlock.

Ainda o elenco: as bond girls são Monica Belucci (que aparece pouco) e Léa Seydoux; Ralph Fiennes está bem no papel de M; e Dave Bautista (o Drax de Guardiões da Galáxia) está excelente como o brutamontes que quase não fala. Fechando o elenco principal, Naomie Harris e Ben Whishaw voltam aos papeis de Moneypenny e Q.

No fim do filme não tem cena pós créditos. Mas tem uma notícia que já era meio óbvia: “James Bond retornará”. Bem, enquanto mantiverem a qualidade, continuarei vendo.

p.s.: Sei que é tradição termos uma música inédita durante os créditos iniciais – algumas músicas bondianas realmente marcaram época. Mas achei essa nova tão chatinha… Os créditos iniciais são intermináveis!

Hitman: Agente 47

hitmanCrítica – Hitman: Agente 47

Um assassino, geneticamente modificado, se une a uma misteriosa mulher para encontrar seu pai, que pode revelar os segredos por trás desta engenharia genética.

Filme de estreia do diretor Aleksander Bach, Hitman: Agente 47  é mais um filme baseado em videogame. Na verdade, este mesmo videogame já rendeu outro filme, em 2007, Hitman: Assassino 47. Apesar de ter o mesmo roteirista Skip Woods, este novo filme não é uma continuação, nem uma refilmagem, apenas outro filme usando o mesmo personagem. Se o resultado nas bilheterias for bom, acredito que será um reboot – o fim do filme deixa gancho para uma continuação.

Hitman: Agente 47  tem uma coisa boa: durante boa parte do filme, a trama não deixa claro quem é o vilão e quem é o mocinho, o espectador fica sem saber para quem deve torcer. Boa sacada! As cenas de ação também são muito bem feitas. E, na cena da perseguição de carro, vi algo que sempre me pareceu óbvio, mas quase nunca fazem: se motos estão perseguindo um carro, é só o carro se jogar contra a moto!

No elenco, o papel principal ficou com o pouco conhecido Rupert Friend, que funciona bem para o que o papel pede – o assassino é quase uma máquina, quase sem emoções. Zachary Quinto (o Spock do novo Star Trek) e Hannah Ware (Oldboy) fecham o trio principal. Ainda no elenco, Thomas Kretschmann, Ciarán Hinds, Jürgen Prochnow e Angelababy.

Li críticas negativas vindas de quem jogou o game, dizendo que o filme não é fiel ao jogo. Como nunca joguei, não me incomodou. Sozinho, o filme funciona…

Mercenaries

mercenariesCrítica – Mercenaries

Uma produção da Asylum com várias atrizes “B” do cinema de ação? Claro que não vai ser bom. Mas claro que quero ver!

Durante uma visita a uma zona de guerra, a filha do presidente dos EUA é capturada e aprisionada. Uma equipe feminina de elite é montada para o resgate.

Vamulá: em primeiro lugar, expliquemos qualé a da Asylum. É uma produtora assumidamente picareta, mais famosa hoje em dia por filmes ruins de tubarões (a franquia Sharknado e outros de títulos divertidos como 3 Headed Shark ou Mega Shark vs Mecha Shark), mas que tem uma tradição de lançar filmes com títulos e sinopses parecidas, para tentar enganar o espectador. Cito alguns exemplos: lançaram Transmorphers pra pegar o público de Transformers, ou Atlantic Rim na mesma época de Pacific Rim, ou ainda San Andreas Quake ao mesmo tempo que San Andreas (tem muito mais exemplos na página deles na wikipedia!). Este Mercenaries “pega carona” na franquia Expendables (com o nome em português, Mercenários, fica ainda mais claro).

Mas desta vez, a ideia foi boa, afinal, é divertido ver, juntas, Zoe Bell, Kristanna Loken, Brigitte Nielsen, Vivica A. Fox e Cynthia Rothrock. A única que heu sou fã é a Zoe Bell, afinal, ela está em vários filmes do Tarantino, mas heu pegaria autógrafos de todas elas, se tivesse oportunidade!

Mas, como era esperado, o resultado decepcionou. Ok, heu já sabia que a produção era vagabunda – os efeitos especiais de sangue em cgi são tosquérrimos! Ok, heu já sabia que as atrizes são fracas – são todas canastronas, atuação nunca foi e nunca será o forte de nenhuma delas. Mas heu esperava um pouco mais de coerência em certos pontos do roteiro – tipo, a Brigitte Nielsen atira na Zoe Bell, mas não checa se seu tiro foi certeiro, e diz para seus capangas que não precisa verificar. Ou capangas que chegam para pegar a Zoe Bell, todos armados, mas ninguém atira. Poxa, será que eles não podiam ter tido escrito um roteiro menos desleixado?

Não, a Asylum não se preocupa com esses detalhes. Pena. Mercenaries podia ser um “bom filme ruim”. Mas é apenas um “filme ruim”…

O Agente da U.N.C.L.E.

Agente da UNCLECrítica – O Agente da U.N.C.L.E.

Se a série dos anos 60/70 Missão Impossível pode render bons filmes de ação / espionagem, por que não a série O Agente da U.N.C.L.E., exibida entre 1964 e 68?

No início dos anos 60, um agente da CIA e outro da KGB precisam se unir em uma missão contra uma misteriosa organização criminal, que trabalha desenvolvendo bombas atômicas.

Antes de tudo, preciso falar que não conheço NADA da série original. Pra ser sincero, só me lembro do nome da série porque a trilha de abertura consta no primeiro CD da coleção Television Greatest Hits, um dos primeiros CDs que comprei na minha vida, lá longe, no fim dos anos 80. Já tinha ouvido o tema (a faixa ficava entre Missão Impossível e Agente 86), mas confesso que nem me lembrava.

Mas isso pouco importa. O Agente da U.N.C.L.E. (The Man From U.N.C.L.E., no original), o novo filme de Guy Ritchie, é muito bom. Sabe quando tudo funciona redondinho? Bom elenco, boa fotografia, edição criativa e bem cuidada, ritmo empolgante, tudo isso embalado por uma excelente reconstituição de época e uma trilha sonora sensacional. Temos um forte candidato a um dos melhores filmes do ano, arrisco dizer!

Guy Ritchie sempre inovou nas edições de seus filmes, desde o início da carreira, época de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch, até recentemente, com os dois Sherlock Holmes (2009 e 2011). Aqui, mais uma vez, a edição chama a atenção. Só pra dar um exemplo: uma cena de invasão por barco, que em qualquer filme seria um dos pontos altos da ação, foi encurtada, parece um videoclipe de apenas alguns segundos, afinal, temos outras cenas mais legais para serem exploradas.

A reconstituição de época também chama a atenção – o filme se passa durante a Guerra Fria, não teria sentido atualizar a trama para os dias de hoje. A fotografia emula filmes de espionagem dos anos 70, as imagens parecem “velhas”. O filme tem um delicioso visual retrô.

O elenco também está ótimo. Armie Hammer e Henry Cavill estiveram no Rio para o lançamento do filme, e mostram boa química na tela. Curiosidade do mundo globalizado: o britânico Cavill interpreta um americano; o americano Hammer interpreta um russo; a sueca Alicia Vikander interpreta uma alemã; a francesa (criada na Austrália) Elizabeth Debicki interpreta uma italiana – verdadeira Torre de Babel! (Ok, o inglês Hugh Grant interpreta um inglês…)

Ah, a trilha sonora! Me lembrei da trilha de Pulp Fiction, cheia de músicas boas e inesperadas – tem até uma música do Tom Zé! Não sei se as pessoas ainda compram CDs, mas se ainda estivéssemos nos anos 90, este CD seria obrigatório em festinhas descoladas.

Li que o filme não foi bem na bilheteria nos EUA, o que é uma pena. O fim do filme traz um gancho para começar uma nova franquia e se mantiver a qualidade, será uma franquia muito bem vinda!

Por fim, só me pergunto por que o título está no singular (tanto em português quanto em inglês). Não é só um agente…

Missão: Impossível – Nação Secreta

MI5-posterCrítica – Missão: Impossível – Nação Secreta

Ethan Hunt está de volta!

Ethan Hunt e sua equipe enfrentam a missão mais impossível de todas: erradicar o Sindicato – uma organização internacional semelhante à IMF, com ex-agentes altamente qualificados, oriundos de vários países.

O nome da franquia cinematográfica Missão Impossível é Tom Cruise, tanto faz que é o diretor – tanto que, mais uma vez, temos um diretor novo. Depois de Brian De Palma, John Woo, JJ Abrams e Brad Bird, a direção e o roteiro ficaram a cargo de Christopher McQuarrie (Oscar de melhor roteiro por Os Suspeitos), que tem se mostrado um grande parceiro para Tom Cruise – McQuarrie escreveu e dirigiu Jack Reacher e escreveu No Limite do Amanhã e Operação Valquiria.

Mudou o diretor, mas o espírito da franquia continua. O nível também: Missão: Impossível – Nação Secreta (Mission: Impossible – Rogue Nation, no original) é tão bom quanto os outros. Claro que em alguns momentos o espectador vai pensar “ora, mas isso forçou a barra” – mas, ora, estamos vendo um “Missão Impossível”! Claro que vão forçar a barra! 😉

Logo na sequência inicial temos a cena mais famosa deste novo filme da franquia, a cena onde Tom Cruise ficou pendurado do lado de fora de um avião – Cruise dispensou dublês, e aproveitou pra capitalizar em cima disso, a cena ficou famosa bem antes do filme estrear. Mas isso é só o começo: temos uma angustiante cena subaquática, e uma perseguição de motos de tirar o fôlego, dentre outras cenas emocionantes (e que, claro, forçam a barra).

Uma das vantagens de uma superprodução deste porte é que tudo é bem cuidado. Missão: Impossível – Nação Secreta foi filmado em diversos países, tem uma fotografia caprichada e efeitos especiais bem cuidados. E um grande elenco, claro.

No elenco, Tom Cruise mostra excelente forma. O cara é rico, bonito, charmoso, e ainda dispensa dublês! Tom Cruise é “o cara”! Simon Pegg, Jeremy Renner e Ving Rhames voltam aos seus papeis, e Rebecca Ferguson tem um personagem interessante, que até o fim do filme a gente não sabe de que lado está. Ainda no elenco, Alec Baldwin, Sean Harris, Simon McBurney e Jens Hultén.

Por fim, uma curiosidade: o “Sindicato”, vilão deste filme, vem do seriado da TV, aquele mesmo, que começou em 1966 e acabou em 73. Fiquei na dúvida agora: será que as pessoas que conhecem os filmes lembram que ele veio de um seriado?

Quarteto Fantástico 2015

QuartetoFantastico2015-posterCrítica – Quarteto Fantástico

Uma boa notícia para os fãs da DC: nem tudo o que a Marvel toca vira ouro!

Depois de uma malsucedida experiência durante uma tentativa de viagem interdimensional, quatro jovens ganham poderes que alteram suas estruturas físicas. Eles agora precisam aprender a dominar suas habilidades, para se unirem contra um antigo colega que se tornou um inimigo.

Quarteto Fantástico (Fantastic Four, no original) é o quarto longa metragem usando o este grupo de super-heróis da Marvel. E a quarta vez que dá errado.

Quarteto Fantástico não chega exatamente a ser um filme “ruim”. Mas, ao fim do filme, a gente se pergunta: “pra que?”. O filme não leva nada a lugar algum. Todos já sabem que a origem do quarteto de heróis foi alterada, né? Assim, temos mais um “filme de origem” – perdemos metade do filme conhecendo os “novos” personagens. E mesmo perdendo tempo demais na apresentação dos personagens, as relações entre eles são mal desenvolvidas – Ben Grimm saiu da história sem motivo, e voltou com menos motivo ainda. E, pra piorar, a esperada “luta final dos mocinhos contra o vilão” é besta e não faz muito sentido.

Sobre alteração na origem: acredito que os fãs vão ficar realmente decepcionados. Porque uma coisa é o Sam Raimi mudar o Homem Aranha, criando uma teia orgânica, porque faz mais sentido nos dias de hoje do que um jovem inventar uma máquina que cuspa teias instantaneamente – Raimi desagradou muitos fãs, mas tinha um motivo coerente para essa alteração. Outra coisa é o Johnny Storm virar negro porque o ator Michael B Jordan é amigo do diretor Josh Trank (os dois trabalharam juntos em Poder Sem Limites). Principalmente porque sua irmã Sue Storm continua sendo branca e loura.

Mas alterar as origens não foi a pior coisa de Quarteto Fantástico. O filme não tem ritmo, o vilão é mal construído, e, em tempos de efeitos especiais que deixam a gente de boca aberta, Quarteto Fantástico tem efeitos apenas “corretos”. O elenco também não engrena, Miles Teller provou que é bom ator em Whiplash, mas parece perdido aqui. O mesmo digo sobre Kate Mara, Jamie Bell, Toby Kebbell e Tim Blake Nelson.

O Quarteto Fantástico é da Marvel, mas quem foi o culpado por (mais um) filme ruim foi a Fox, dona dos direitos dos personagens, que aparentemente fez um filme qualquer só pra não perder esses direitos. Tanto que não temos cena pós créditos, nem cameo do Stan Lee – apesar de termos o logo da Marvel no início do filme.

É, dcnautas, desta vez vocês podem tirar onda. O melhor filme do Quarteto Fantástico continua sendo o filme tosco dos anos 90, produzida por Roger Corman…

O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas

Terminator3Crítica – O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas

Continuemos com a saga do Exterminador!

Um T-850, um Exterminador quase igual ao do segundo filme, é mandado ao passado para proteger John Connor, agora com 19 anos, de um modelo muito mais avançado e muito mais letal, a robô TX.

2003. Doze anos se passaram desde o lançamento do segundo Exterminador. Agora, James Cameron estava no hiato pós Titanic (ele passou mais de uma década em projetos menores, antes de voltar com Avatar. A direção ficou com Jonathan Mostow, até então conhecido pelos medianos Breakdown – Implacável PerseguiçãoU-571 – A Batalha do Atlântico.

Não sei se foi pela troca do diretor ou se foi porque forçaram um roteiro meio nada a ver (tipo – por que mudar do T-800 pro T-850?), o fato é que este O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas (Terminator 3: Rise of the Machines, no original) é de longe o pior filme da saga – tanto que é ignorado nas referências dos outros filmes.

Sobre o elenco, fiquei com pena da Claire Danes, boa atriz, mas que de vez em quando escolhe os projetos errados. Gosto dela, mas ela não consegue salvar o filme. O resto do elenco é fraco, John Connor é interpretado pelo inexpressivo Nick Stahl, enquanto Kristanna Lokken fax a TX (este é o único filme de expressão na carreira de Lokken, e ela interpreta um robô sem sentimentos). Ah, claro, tem o Arnold Schwarzenegger fazendo o de sempre.

Como falei no texto sobre o segundo filme, tenho uma bronca semelhante com este terceiro. Não gosto quando um filme propõe uma regra e depois ignora esta regra proposta por ele mesmo. No filme anterior, aprendemos que um robô de metal líquido não pode voltar com armas, no máximo ele pode transformar seus membros em lâminas. Por que a Exterminadora daqui pode ter armas embutidas no braço? E aquele papo de controlar carros a distância ficou forçado…

Para piorar, este filme falha no conceito básico de viagem no tempo proposto pelo primeiro Exterminador, onde o passado é imutável, e tudo o que aconteceu se repetirá num eterno loop. A Exterminadora nunca poderia matar os companheiros do John Connor!

Por outro lado, as cenas de ação são ótimas. Aquela perseguição de carro com o caminhão guindaste é excelente. Numa época de pouco cgi, vemos uma bela destruição de carros e prédios pelas ruas. E a cena do Schwarzza carregando um caixão no ombro e uma metralhadora no outro braço é divertida.

Mas é pouco. Só vale pra quem fizer questão de ver toda a saga.

O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro

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Crítica – O Espetacular Homem Aranha 2 – A Ameaça de Electro

E vamos à segunda parte do reboot que ninguém pediu…

Peter Parker adora sua vida de Homem Aranha, balançando entre os prédios de Nova York e passando tempo com sua namorada Gwen Sacy. Mas ser um super heroi tem um preço: ele precisa proteger a população dos super vilões. E quando seu velho amigo Harry Osborn volta, Peter descobre que todos os seus inimigos têm uma coisa em comum: a Oscorp.

No meu texto sobre o filme anterior já falei mal do timing deste reboot, então não serei repetitivo. Não concordo com o reboot tão próximo da trilogia terminada em 2007, mas pelo menos a notícia é boa: O Espetacular Homem Aranha 2 – A Ameaça de Electro é um bom filme.

Mais uma vez dirigido por Mark Webb, o filme traz sequências extremamente bem feitas do Homem Aranha se movimentando pendurado nas teias, sempre pontuadas pelo bom humor dos comentários do personagem. Não sei se diria isso sobre o próprio Homem Aranha, mas pelo menos os efeitos especiais são “espetaculares”.

O roteiro tem falhas, mas traz uma coisa que gostei muito: a coragem de matar um personagem importante, coisa incomum em filmes de super herois. E a cena toda é muito boa, talvez a melhor do filme.

Bom filme, mas longe de ser perfeito. O Espetacular Homem-Aranha 2 sofre problemas sérios de ritmo, e é longo demais – as duas horas e vinte e dois minutos são intermináveis. E, na boa? Não precisava do terceiro vilão no finzinho. Principalmente porque já divulgaram que serão quatro em vez de três filmes.

Também tem o lance da idade do ator. Andrew Garfield está com 30 anos, então, por mais que seja um bom Peter Parker perde credibilidade por estar muito velho para o papel. Afinal, um cara que termina o segundo grau com trinta anos não pode ser chamado de inteligente, certo?

(Dane DeHaan, o Harry Osborn, por outro lado, tem 27 mas tem cara de moleque. Esse funciona para o papel, apesar de ser mais velho. Além disso, mostra que é um bom ator.)

Dois comentários sobre o elenco: achei um desperdício usar o talento de um cara como o Jamie Foxx para aparecer em três ou quatro cenas rápidas e depois transformá-lo em cgi. Electro é um bom vilão, mas não exige nada do ator. E colocar um ator do calibre do Paul Giamatti naquela cena inicial foi um grande spoiler. Claro que ele voltaria!

(Só heu achei que os vilões parecem reciclados de outros filmes? Electro parece o Dr. Manhattan de Watchmen; o Duende Verde é a cara do Evil Ed de A Hora do Espanto…)

Emma Stone e Sally Field estão bem, de volta aos seus papeis do filme anterior. Ainda no elenco, Felicity Jones, Colm Feore e Marton Csokas. E, claro, tem uma ponta do Stan Lee.

Ah, o 3D. Sempre falo que o único tipo de 3D que vale a pena é o que usa o “fator parque de diversões”, aquele que joga objetos em direção à tela. Bem, O Espetacular Homem-Aranha 2 tem algumas cenas assim. A cena da teia sendo arremessada em câmera lenta na queda livre ficou bem legal. Mas, mesmo assim, não acho que vale pagar mais caro só por isso.

Por fim, a cena depois dos créditos é boa, mas não tem nada a ver com o filme. É apenas um trailer do próximo X-Men. Admito que achei decepcionante.

p.s.: Este texto foi escrito meses atrás, mas estava perdido nos rascunhos do site. Peço desculpas pelo atraso!