El Mariachi

Crítica – El Mariachi

Li há pouco tempo uma entrevista com o Robert Rodriguez, um dos meus diretores favoritos, onde ele falava sobre produções simples e baratas. Me empolguei pra rever El Mariachi, seu filme de estreia.

Um mariachi chega em uma cidade atrás de trabalho, mas é confundido com um assassino que sempre carrega suas armas num case de violão.

Vi El Mariachi no cinema, na época que foi lançado por aqui. Não achei um bom filme na ocasião, e confirmo agora, não é um bom filme. Mas é um filme importante e essencial para os fãs de Rodriguez.

El Mariachi é um grande “laboratório”: Rodriguez estava aprendendo a fazer cinema. Seu talento está na tela – ângulos, movimentos de câmera – mas os recursos eram perto de zero. Aliás, este filme é famoso por ser um dos filmes mais baratos da história, diz a lenda que custou apenas 7 mil dólares (num tempo pré cinema digital, foi filmado em película). Lembro de reportagens na época com profissionais brasileiros afirmando que seria impossível se fazer um longa com tão pouco dinheiro, que só a parte da película sairia mais cara que isso…

Mas Rodriguez fez. E uma prova de que isso foi uma aprendizagem e que não custou muito é a quantidade de tarefas que ele próprio fez no filme. Além de produzir, dirigir, escrever o roteiro e editar o filme, Rodriguez está creditado como fotografia, edição adicional, operador de câmera, operador de dolly, efeitos especiais, edição de som e fotos still.

(Rodriguez manteve este estilo ao longo de sua carreira, ele é um workaholic que gosta de fazer de tudo um pouco em seus filmes. Mas acho que nunca fez tanta coisa como aqui.)

Mas, apesar de todo o talento e vontade de Rodriguez, a falta de dinheiro é clara. Quase todo o elenco é amador, e isso fica claro com várias atuações bem abaixo da crítica. E tudo fica pior nas cenas de ação – se Rodriguez estivesse fazendo um drama, talvez o visual não fosse tão tosco.

Três anos depois, Rodriguez fez praticamente uma refilmagem, com A Balada do Pistoleiro. Mas esse ainda preciso rever antes de palpitar…

No elenco, claro, ninguém conhecido. O papel principal é de Carlos Gallardo, que depois voltaria a trabalhar com Rodriguez em A Balada do Pistoleiro e Planeta Terror. Gallardo também trabalhou por trás das câmeras, aqui ele produziu, operou a dolly e trabalhou nos efeitos especiais. Consuelo Gómez também voltou para A Balada do Pistoleiro; e podemos esquecer o resto do elenco. 😉

Mesmo assim, achei o resultado final positivo. El Mariachi pode não ser um grande filme, mas é uma aula de como se fazer cinema barato.

 

Lockout – Sequestro no Espaço

Lockout – Sequestro no Espaço

Produção e roteiro de Luc Besson, nomes famosos no elenco… Mas apesar disso, não se deixe enganar, Lockout – Sequestro no Espaço é mais um filme “B”!

Ano 2079. Um homem acusado de um crime que não cometeu é convocado para resgatar a filha do presidente dos EUA, que está sequestrada em uma cadeia que fica em órbita.

Dirigido pela dupla estreante Stephen St. Leger e James Mather (que escreveram o roteiro junto com Luc Besson) Lockout – Sequestro no Espaço é uma produção B que, se vista no espírito certo, é até divertida. Parece uma versão espacial de Fuga de Nova York – que já tinha cara de filme B (mas era beeem melhor…), com uma pitada de Duro de Matar.

No início do filme rola uma perseguição de carros com cara de videogame. Sério, as ruas não parecem reais, nem os carros, muito menos as pessoas. Achei que seria proposital, um estilo, algo a ser repetido ao longo do filme. Nada, foi só naquela cena. Ficou tosco. As cenas espaciais que acontecem mais pra frente no filme não são nenhuma maravilha, mas pelo menos não têm cara de videogam.

As cenas de ação do resto do filme podem não ter muito sentido em questão de roteiro, mas pelo menos são bem feitas, o ritmo de Lockout – Sequestro no Espaço é o suficiente para chegarmos ao fim do filme sem desistir no meio do caminho.

O elenco tem pelo menos três nomes conhecidos: Guy Pearce, Maggie Grace e Peter Stormare. Não sei se propositalmente ou não, mas Lennie James e Vincent Regan fazem versões genéricas de Don Cheadle e Gerard Butler, respectivamente – James chegou a me enganar, procurei o nome de Cheadle nos créditos…

Resumindo: Lockout – Sequestro no Espaço não é um grande filme, mas acho que nunca almejou tal feito – tem cara de filme que é lançado direto em home video. Mas é divertido pra quem entrar no clima.

 

Looper – Assassinos do Futuro

Crítica – Looper – Assassinos do Futuro

Em 2074, quando a máfia deseja se livrar de alguém, eles enviam a pessoa de volta 30 anos no tempo, no momento exato em que haverá um assassino armado esperando para executá-la. Esses assassinos são chamados “Loopers”.

Gosto de filmes com viagem no tempo, tanto que já fiz um Top 10 sobre o assunto. Não sei se Looper – Assassinos do Futuro teria vaga no Top 10, mas posso dizer que é um bom filme. Escrito e dirigido pelo semi desconhecido Rian Johnson, o filme traz uma equilibrada mistura entre ação, ficção científica e drama, com uma pitada de elementos fantásticos.

Tenho coisas boas e ruins pra falar do roteiro de Johnson. O lado bom é que é um roteiro bem escrito que usa de maneira inteligente os paradoxos da viagem temporal – tem uma cena chave que acontece duas vezes, com uma pequena variação, e tudo faz sentido (tive que rever esta parte pra sacar os detalhes).

Mas… Por outro lado, o roteiro tem umas falhas bizarras. Vou falar depois dos avisos de spoiler.

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

Não vou falar que este sistema inventado pra mandar alguém pro passado pra então ser assassinado não tem lógica, porque seria muito mais fácil matar no futuro e mandar só o corpo, ou mandar o cara com um peso nos pés no meio do oceano. Também não vou falar que ninguém explicou como os loopers saberiam o local e a hora que receberiam a “encomenda”. Tampouco vou falar que seria mais fácil mandar outra pessoa pra matar o looper velho, pra não ter problemas de consciência.

Só vou falar uma coisa: se no futuro é tão complicado matar alguém que tiveram que inventar um sistema envolvendo viagens no tempo, como é que uma das coisas que movimenta a trama é justamente o assassinato da mulher do Bruce Willis???

FIM DOS SPOILERS!!!

Uma outra coisa me incomodou no conceito de Looper – Assassinos do Futuro: a escolha do elenco principal. Sinceramente, não acho Bruce Willis parecido com Joseph Gordon-Levitt. Ok, a maquiagem ficou bem feita. Mas Gordon-Levitt já é um rosto conhecido, ele ficou com cara de “Joseph Gordon-Levitt maquiado”, e não com cara de Bruce Willis!

Apesar desses detalhes, gostei do filme, que tem um bom ritmo e traz uma visão interessante de um sombrio futuro próximo.  Looper – Assassinos do Futuro também traz personagens bem construídos e um bom elenco – além de Willis e Gordon-Levitt, o filme conta com Emily Blunt, Piper Perabo, Paul Dano, Jeff Daniels, Noah Segan, Tracie Thoms, Garret Dillahunt e o garoto Pierce Gagnon.

O que é uma pena é ver que uma história bem bolada com viagens no tempo ter um roteiro com tantos furos. Looper – Assassinos do Futuro é legal, mas poderia ser bem melhor.

007 – Operação Skyfall

Crítica – 007 – Operação Skyfall

Filme novo do James Bond!

A lealdade de James Bond a M é testada quando o passado dela volta a assombrá-la. Com o MI6 sob ataque, 007 deve rastrear e destruir a ameaça, mesmo que isso tenha um custo pessoal.

Antes de falar de 007 – Operação Skyfall, preciso avisar que curto os filmes do James Bond, mas não sou “fã de carteirinha”. Vi quase todos (este é o vigésimo terceiro), mas não guardo detalhes sobre nenhum deles. Considero todos bons filmes de ação, a franquia é sempre competente. Mas, pra mim, são filmes descartáveis. Bons, mas descartáveis, na minha humilde opinião (falo isso porque sei que existe quase uma religião entre os adoradores do espião inglês).

Falei isso tudo porque gostei do filme, mas não saberia dizer se é melhor ou pior que os outros. Sendo assim, o julgamento é apenas sobre este filme em particular. Não vou comparar com outros filmes da série, e nem vou comparar o Daniel Craig com os outros atores que já viveram Bond!

Normalmente, os filmes do James Bond são dirigidos por diretores “de aluguel”, gente competente, mas sem muita personalidade – assim, o filme segue parte da série independente do estilo do diretor. 007 – Operação Skyfall é diferente, a direção coube a Sam Mendes, ganhador do Oscar por Beleza Americana. Mas até que funcionou, o novo filme não tem cara de “filme de autor”.

Aliás, não sei se é influência do diretor, mas a fotografia deste 007 – Operação Skyfall é um dos destaques do filme. Uma das sequências chama a atenção: uma luta no alto de um prédio onde as paredes são de vidro, e tudo é iluminado pelos letreiros luminosos externos. Belo contra-luz!

Muita gente critica o Daniel Craig como James Bond, mas heu não tenho nada contra ele. Mas o destaque sem dúvida é Javier Bardem, com um excelente vilão de sexualidade duvidosa. Ainda no elenco, Judi Dench, Ralph Fiennes, Naomie Harris, Bérénice Marlohe, Ben Whishaw e Albert Finney, num pequeno mas importante papel.

Tive uma dúvida. Não me lembro de muitos detalhes do filme anterior, 007 – Quantum Of Solace. Mas lembro que a história terminou em aberto. Resolveram ignorar isso? Enfim, 007 – Operação Skyfall traz uma história fechada. Rolam algumas homenagens a alguns filmes antigos (a franquia está completando 50 anos), como a volta do carro Aston Martin, mas nada que deixe o público leigo sem entender.

Enfim, bom filme de ação e espionagem em cartaz.

Busca Implacável 2

Crítica – Busca Implacável 2

Bryan Mills, ex-agente da CIA aposentado que salvou sua filha de sequestradores albaneses no primeiro filme, agora é alvo de vingança pelos familiares dos homens que ele matou.

O primeiro Busca Implacável foi uma boa surpresa. Filme de ação simples e eficiente, escrito e produzido por Luc Besson, dirigido por Pierre Morel (B13, Dupla Implacável), e estrelado por um Liam Neeson inspirado. Mas era o tipo de filme que não pedia uma continuação…

Não pedia, porque a continuação soa bem forçada. O pai de um dos vilões do primeiro filme resolve vingar a morte do filho e por isso quer sequestrar Bryan e sua família. Caramba, ele já sabe que tal Bryan matou sozinho um exército inteiro no primeiro filme, como é que ele vai dar mole no segundo? “Ah, a gente esquece que o carinha é o motherf*$%cker p#&ca das galáxias e prende ele por uma fitinha no pulso, sem revistá-lo, e o deixa sem vigia”. Tá bom, senta lá, Claudia. Os vilões deste novo filme são tão burros que a gente nem se preocupa com o sentimento pró EUA que está implícito na trama.

Outra coisa: a menina está traumatizada porque não faz muito tempo, foi sequestrada no Leste Europeu. Aí o pai dela vai viajar a trabalho e a convida pra ir de férias encontrá-lo. Onde? No Leste Europeu! Por que a menina não combinou de encontrar o pai em Londres ou Paris?

Pra não dizer que nada no filme presta no filme dirigido por Olivier Megaton (Carga Explosiva 3), gostei de Bryan passando as instruções ao telefone para a sua filha – é um tipo de “mentira divertida”. E as cenas de ação são tecnicamente bem feitas.

No elenco, Liam Neeson está bem como sempre; Maggie Grace faz bem mais do que no primeiro filme; Rade Serbedzija se mantém como um dos melhores “vilões do leste europeu” da Hollywood contemporânea; e Famke Janssen está lá só pra ganhar o cachê.

Busca Implacável 2 nem é ruim. Mais fraco que o primeiro, claro. Mas ainda pode divertir os que deixarem o cérebro de lado.

p.s.: no fim, heu só lembrava da piada que vi na internet, dizendo que era impossível derrotar o Liam Neeson, afinal, o cara treinou o Batman, é um mestre jedi e também é Zeus…

Selvagens

Crítica – Selvagens

Filme novo do Oliver Stone!

Dois amigos dividem uma plantação de maconha e o coração de uma mesma namorada. Suas vidas se complicam quando eles começam a ser chantageados por um cartel mexicano de drogas.

Oliver Stone é um cara talentoso, não há dúvidas com relação a isso. Mas também é um cara chato. Uma famosa crítica estadunidense uma vez declarou que iria se aposentar para nunca mais ter que ver os seus filmes. Em certo ponto, concordo com isso. Vejam um exemplo: Stone fez um ótimo filme sobre o Vietnam, Platoon. Aí resolveu fazer um segundo filme sobre o Vietnam, Nascido em 4 de Julho. Chega, né? Nada, quando ninguém mais aguentava mais ouvir falar de Vietnam, ele fez mais um filme sobre o mesmo tema, Entre O Céu e a Terra.

Tudo isso aí em cima foi pra explicar que prefiro quando Stone faz algum filme que não tem nenhum compromisso com posições políticas, como The Doors ou U-Turn. É o caso de Selvagens.

Baseado no livro de Don Winslow (co-autor do roteiro junto com o próprio Stone e mais um crédito), Selvagens está mais próximo de U-Turn do que de The Doors, por não se basearem em fatos e pessoas reais. E Selvagens tem um forte ponto em comum com U-Turn: ambos têm ótimos personagens.

Arriscaria a dizer que o melhor de Selvagens é sua galeria de personagens, principalmente os secundários. Se o trio principal apenas está ok, Salma Hayek, John Travolta, Benicio Del Toro, Emile Hirsch e Demián Bichir valem o ingresso.

O trio principal é um dos pontos fracos. Aaron Taylor-Johnson, o melhor dos três, parece meio perdido (ele estava bem melhor em Kick-Ass); Taylor Kitsch (John Carter) é boa pinta e tem jeito de galã de Hollywood, mas é limitado como ator; Blake Lively (Atração Perigosa) é bonitinha mas fraquinha, e sua narração em off só atrapalha.

(Nada contra a nudez dos dois protagonistas. Mas por que Blake Lively não tira a roupa também? Nas duas cenas de sexo do início do filme, ela está vestida enquanto seus parceiros estão nus…)

Mas acho que o pior de Selvagens é a história fraca. A começar por algumas posrturas dos personagens principais – qualé a do traficante zen com preocupações ecológicas (enquanto mantem um parceiro violento)? E sobre o roteiro, como é que os caras vão deixar tudo para o dia seguinte, mesmo com um violento cartel de traficantes na cola deles? E isso porque não estou falando do final duplo – parece que resolveram criar um novo final para agradar plateias mais caretas.

A parte técnica ê muito boa, pelo menos isso. Selvagens oferece um belo espetáculo visual. Mas no geral, a irregularidade do filme pode desagradar mais do que agradar.

Selvagens passou no Festival do Rio, mas, olha só, acabou de entrar no circuito!

Argo

Crítica – Argo

Filme novo dirigido (e também estrelado) por Ben Affleck.

Teerã, Irã, 4 de Novembro de 1979. A embaixada norte-americana é tomada de assalto por um grupo revolucionário iraniano que faz mais de cinquenta reféns. Seis americanos conseguem fugir e são acolhidos na casa do embaixador canadense. A CIA então pocura um agente especialista em fugas que arquiteta um plano literalmente hollywoodiano para tirá-los do país. Baseado em uma história real.

Ben Affleck já tinha mostrado talento na direção de Atração Perigosa. Agora ele confirma isso com Argo, filmão hollywoodiano, do jeito que a indústria cinematográfica curte.

Tudo aqui funciona redondinho. Super produção, história emocionante e bem conduzida, grandes atores e um “tema político baseado em fatos reais”. E a ambientação na virada dos anos 70 para os 80 só ajuda Argo a ter cara de “clássico dos anos 70”.

Preciso falar mais sobre a ambientação de época. O trabalho foi minucioso, cada detalhe do filme remete à época retratada. Digo mais: ao fim do o filme, vemos várias fotos das pessoas reais ao lado dos personagens – as caracterizações ficaram perfeitas.

O elenco é outro destaque. Ben Affleck deixa o ar de galã e o jeito engraçadinho e assume o papel com seriedade. Alan Arkin e John Goodman não têm grandes papeis, mas a dupla ganhou os melhores diálogos. Bryan Cranston confirma a boa fase da carreira e tem um personagem que parece ter saído dos grandes filmes políticos feitos nos anos 70. Ainda no elenco, Clea DuVall, Victor Garber, Adrienne Barbeau, Titus Welliver, Kerry Bishé e Tate Donovan.

Argo está passando no Festival do Rio, mas com certeza vai entrar em cartaz em breve!

Resident Evil 5 – Retribuição

Crítica – Resident Evil 5 – Retribuição

Mais um Resident Evil!

Alice (Milla Jovovich) é capturada e levada para dentro de uma instalação da Umbrella. Para fugir de lá, terá que passar por vários estágios (que parecem fases de um videogame).

Quando soube que Resident Evil 5 – Retribuição estava pra estrear, resolvi fazer algo que todos deveriam fazer sempre antes de ver uma continuação: revi os quatro filmes anteriores. Só que neste caso em particular, não sei se foi a melhor coisa a se fazer, pois vi muitos defeitos que passariam em branco. Vou chegar lá daqui a pouco!

Primeiro, vamos ao que funciona. A parte técnica é impecável. Os efeitos especiais são de cair o queixo, todas as lutas são bem coreografadas, e a câmera lenta está inspiradíssima. Gostei até do 3D, apesar de atualmente não ter muita paciência pro efeito.

A série Resident Evil sempre foi boa em colocar mulheres bonitas lutando. Agora são várias (Milla Jovovich, Sienna Guillory, Michelle Rodriguez e Bingbing Li), e com roupas colantes de cheias de decotes. Fetichista ao extremo! Me lembrou Sucker Punch

Outra coisa: dos cinco filmes, este é o que mais tem cara de videogame. Cada cena parece uma nova fase do jogo. Só não sei se é igual ao videogame original porque nunca joguei.

Agora, vamos ao que deu errado…

O roteiro, apesar de ser escrito pelo mesmo escritor de todos os outros filmes, não faz o menor sentido. O quarto filme tinha um gancho empolgante, mas, assim como aconteceu entre o terceiro e o quarto filmes, o gancho logo foi esquecido e a história foi recomeçada do zero – como se nada tivesse acontecido, Alice acorda em um novo lugar e temos uma nova trama.

Também achei estranho o papo de usar clones, me pareceu uma desculpa pra tapar buracos no roteiro. Mas criou falhas na lógica: se uma Rain (Michelle Rodriguez) não tem nada a ver com a outra, como Alice sabe usar a linguagem de sinais para falar com a menina?

Outras coisas mudaram também e parecem erros de continuidade. Jill Valentine tinha cabelos pretos no segundo filme, mas reapareceu loura – fato que nos lembra que os cabelos de Alice eram mais claros nos primeiros filmes. Caramba, se é a mesma atriz fazendo a mesma personagem, por que não usar o mesmo cabelo? Isso porque não tô falando dos zumbis, que no primeiro filme eram lentos como os zumbis clássicos do George Romero, mas parece que contrataram um personal trainer e agora correm com o pique do Usain Bolt.

Falando em zumbis: o primeiro Resident Evil era um filme de zumbis; agora não mais. Aparecem alguns tipos de monstros, mas não sei se algum deles é um zumbi. Tem aqueles bichos que a boca se abre em quatro, tem aquele gigante com o machado, tem os soldados zumbis com metralhadoras, tem o monstrão grandão… E cadê os zumbis? Tão em outro filme…

A direção ainda é de Paul W.S.Anderson, o mesmo do primeiro e quarto filmes, e marido de Milla Jovovich. Na direção, ele faz um bom trabalho. Mas ele também é o roteirista, e nesta função, ficou devendo.

O elenco traz um monte de gente de volta de outros filmes da quadrilogia. Além de Milla, temos a volta de Sienna Guillory, Michelle Rodriguez, Oded Fehr, Boris Kodjoe e Colin Salmon, e novos papeis interpretados por Bingbing Li, Aryana Engineer, Johann Urb e Kevin Durand.

Com mais erros que acertos (na minha humilde opinião), este quinto filme se tornou o mais fraco de todos. E, pra piorar, termina com um empolgante gancho. Mas que sabemos que pode ser ignorado no sexto filme…

Corra Lola Corra

Crítica – Corra Lola Corra

Há tempos que heu tinha vontade de rever este bom filme alemão de 1998. Aproveitei uma promoção na Amazon e comprei baratinho o blu-ray gringo com legendas em português.

O melhor de Corra Lola Corra é o roteiro, mais inteligente do que a maioria que vemos por aí. Porque a história é simples: o namorado de Lola (Franka Potente) se meteu em uma encrenca e por isso ela precisa conseguir 100 mil marcos. O mesmo fiapo de história é contado três vezes, com alguns detalhes diferentes entre cada uma das vezes – e é nesses detalhes que o roteiro é genial. Detalhes importantes para a trama (como a trava da arma); detalhes irrelevantes porém divertidos (as suposições sobre o futuro das pessoas em volta).

A estética do filme é bem legal. Diferentes texturas de imagem (rola até uma sequência em desenho animado), edição frenética e música techno hipnotizante. O ritmo do filme é acelerado, coerente com a correria de Lola – que passa quase o filme inteiro literalmente correndo.

O filme foi escrito e dirigido por Tom Tykwer (Perfume – A História de um Assassino), diretor alemão sem muitos títulos famosos no currículo. Liderando o elenco, temos Franka Potente, que depois foi pra Hollywood e ficou mais conhecida quando estrelou os dois primeiros filmes da trilogia Bourne. Ainda no elenco, Moritz Bleibtreu, Herbert Knaup e Nina Petri.

Queria aproveitar pra relatar algo curioso. Comprei o blu-ray americano. Ao colocar no aparelho, algo avisou ao disco que meu player é brasileiro. As mensagens sobre direitos autorais e o menu já vieram direto em português!

Corra Lola Corra não é um grande filme nem fez muito sucesso. Mas não vai decepcionar quem curte roteiros bem escritos.

Resident Evil 3 – A Extinção

Crítica – Resident Evil 3 – Extinção

Depois de Resident Evil – O Hóspede Maldito e Resident Evil 2 – Apocalipse, vamos ao terceiro!

O mundo inteiro foi devastado pelo vírus T, e agora os poucos sobreviventes vagam pelas estradas. Neste cenário, Alice se junta a um grupo que vive em caravana.

Se o primeiro filme se passava dentro da Umbrella e o segundo na cidade Racoon City, o clima agora é meio Mad Max. O planeta virou um deserto e os poucos sobreviventes rodam em carros atrás de água, comida e combustível.

A direção é de Russell Mulcahy, que chamou a atenção nos anos 80 quando deixou de lado uma premiada carreira de diretor de videoclipes e fez o ótimo Highlander, mas depois nunca mais emplacou nada relevante (ele dirigiu a péssima continuação Highlander 2, além de O Sombra, um fraco filme de super herói com o Alec Baldwin). O roteiro continua nas mãos de Paul W.S. Anderson, o mesmo dos outros filmes.

Mais uma vez, Milla Jovovich manda bem. Sua Alice aqui tem quase super poderes, por causa de experiências com o vírus T. E novamente temos uma coadjuvante feminina forte, papel que coube à Ali Larter. Ainda no elenco, Oded Fehr, Iain Glen, Ashanti, Spencer Locke e Mike Epps.

Como acontece nos outros filmes da franquia, Resident Evil 3 – A Extinção tem uma boa edição e traz belas lutas coreografadas. O clima aqui está mais para ação do que para terror, mas os zumbis continuam presentes.

Gostei deste terceiro filme, mas vendo agora todos em sequência, posso dizer que achei este o mais fraco. Nem tudo funciona, algumas coisas são trash demais. Por exemplo, quando eles são atacados por corvos zumbis, pra que diabos eles ficam atirando? Quem teria mira e munição pra se defender de centenas de pássaros ao mesmo tempo? Isso sem contar com o container sem fundo em Las Vegas…

Mesmo assim, gostei do filme. Pode até ser um pouco inferior aos outros dois, mas nada grave, longe de merecer uma vaga no Top 10 de piores sequências.

O texto sobre o quarto filme, Resident Evil 4 Recomeço já está aqui no blog, escrevi na época do lançamento no cinema. Agora pretendo ver o quinto filme. Antes do fim da semana posto a crítica aqui!