Super Mario Galaxy: O Filme

Crítica – Super Mario Galaxy: O Filme

Sinopse (imdb): Depois de derrotar Bowser e salvar o Brooklyn, Mario e seus amigos enfrentam uma nova ameaça: Wario, com Bowser Jr., conspiram para dominar o mundo. Eles devem se unir a Yoshi para deter essa dupla maligna.

(Mais uma vez, acho que quem fez a sinopse não viu o filme. Não tem nenhum Wario aqui!)

Lançado em 2023, Super Mario Bros.: O Filme foi uma boa surpresa. Divertido, engraçado, com personagens carismáticos, e que conseguiu contar uma história coerente dentro de um universo maluco (nada no lore do videogame faz sentido no mundo real!). Além disso, como os personagens principais são muito conhecidos na cultura pop, as referências ao jogo funcionavam – afinal, quem não conhece Mario, Luigi e Donkey Kong?

Era óbvio que fariam uma continuação, afinal a bilheteria foi excelente (hoje é a sexta maior bilheteria da história, dentre longas de animação). Além disso, são vários jogos diferentes. Pensando por esse ângulo, até que demorou.

Demorou, mas infelizmente o resultado é bem mais fraco que o primeiro filme. Mais uma vez roteirizado por Matthew Fogel e dirigido pela dupla Aaron Horvath e Michael Jelenic, Super Mario Galaxy: O Filme (The Super Mario Galaxy Movie, no original) parece um produto feito apenas para quem conhece especificamente o jogo Super Mario Galaxy – o que não é o meu caso. Não tem uma boa história a ser contada, tem personagens inúteis, e a sensação que fica é que o único objetivo era entupir o filme de referências ao jogo.

Um exemplo simples: o filme começa com uma princesa loira sendo sequestrada. Só fui saber que a princesa loira não era a Peach depois de um tempão de filme. Como vou saber que são duas princesas loiras? Por que não avisar pro espectador “leigo” que existe mais de uma princesa?

Tem outra coisa que ficou tão tosca que até o próprio roteiro comenta. O Yoshi, que era a cena pós créditos do primeiro filme, aparece logo no início do filme. Aparece e já vira protagonista – “acabou de entrar no ônibus e já sentou na janelinha”. Por que? Sei lá, mas virou protagonista, se bobear tem mais tempo de tela que o Luigi. Ficou tão abrupto que tem um diálogo no filme reclamando que ele acabou de chegar e já virou importante. Dito isso, reconheço que curti o rápido flashback que mostra a origem dele numa cidade grande.

O filme é feito para fãs, certo? Determinado momento aparece um novo personagem, uma raposa que faz um “Han Solo” (um piloto contratado pra salvar uma princesa), um personagem que parece importante. Só quando acabou o filme que me disseram que esse personagem é uma participação de outro jogo. De novo: por que não criar um contexto? Pra piorar, logo que o Mario conhece esse piloto, o roteiro aponta pra uma possível rivalidade entre os dois, mas logo depois deixa essa rivalidade pra lá.

Nem tudo é ruim. A qualidade da animação é excelente, e a trilha sonora, usando temas do jogo, também é boa. E algumas sequências são legais, como aquela onde Mario e Peach estão numa “fase do jogo” e o Bowser Jr está vendo por uma tela que parece um videogame antigo. A sequência no cassino onde a gravidade muda de direção também é legal.

Ah, sim, a sessão de imprensa foi dublada. A dublagem é boa, mas é uma pena não ter ouvido as vozes de Chris Pratt, Anya Taylor-Joy, Jack Black, Seth Rogen e Charlie Day, que estavam no primeiro filme; mais Glenn Powell, Brie Larson e Donald Glover, personagens novos.

No fim, fica a decepção, porque a gente lembra que o filme de três anos atrás servia para o público geral, enquanto parece que este aqui só quer os fãs mais radicais.

Ah, tem cenas pós créditos. Mas só os fãs radicais vão entender a referência (heu não peguei).

Cara de Um, Focinho de Outro

Crítica – Cara de Um, Focinho de Outro

Sinopse (imdb): Uma amante dos animais aproveita a oportunidade para usar a tecnologia que coloca sua consciência em um castor robótico, descobrindo mistérios no mundo animal que vão além do que ela poderia ter imaginado.

O novo longa da Pixar, Cara de Um, Focinho de Outro (Hoppers, no original) nem é tão ruim. Mas tem uma protagonista péssima! Mabel, a personagem principal, é uma jovem ativista, irresponsável e inconsequente, que toma decisões arbitrárias erradas e prejudica todos em volta. A Mabel estragou o filme!

Queria falar da Mabel mais a fundo. Então vou fazer alguns comentários breves sobre o filme, e depois solto um aviso de spoilers e falo da protagonista.

Primeiro longa dirigido por Daniel Chong (ele tinha feito a série Urso Sem Curso), Cara de Um, Focinho de Outro nos apresenta uma jovem rebelde, que quer salvar a natureza, mas se atrapalha e acaba atrapalhando todos em volta – humanos e animais.

Tecnicamente, não tem o que se falar, é um longa da Pixar. Se a Pixar tem decepcionado nos roteiros, na parte visual continua sendo sinônimo de excelência. Além disso, tem algumas piadas muito boas. Tem várias piadas com animais usando emojis no celular, piada que foi estendida nos créditos do filme. E o lance do tubarão voando foi genial.

Ah, queria aproveitar pra dizer que o título brasileiro não tem nada a ver. “Hoppers”, o título original, significa “saltadores”, remete ao lance de a consciência de uma pessoa “saltar” para um bicho robô. Já “cara de um, focinho do outro” é usado para descrever semelhanças físicas extremas entre duas pessoas, significa que são tão parecidos que parecem “clones”, “iguais” ou “a mesma pessoa”. Ou seja, não tem a ver com o tema deste filme.

Agora, avisos de spoiler. Vou ter que entrar em detalhes pra explicar porque não gostei da protagonista.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Mabel quer salvar a natureza. Ok, entendemos que é um objetivo nobre. Mas ela age de maneira tão irresponsável que acaba atrapalhando a sua própria causa (tanto que nenhum dos seus vizinhos a apoia).

    • Ela briga com o prefeito, até na própria casa do prefeito, incomodando sua mãe idosa. Detalhe: o prefeito está fazendo uma obra que vai melhorar o trânsito da cidade e conseguiu um meio de afastar os animais sem precisar matar nenhum! Esse prefeito deveria ser o “mocinho”!

    • Ela invade o laboratório de uma professora da faculdade e atrapalha um trabalho de anos. A professora está há muito tempo num projeto de aproximação ao mundo animal (vemos por flashbacks que seu cabelo não era branco quando ela começou), e Mabel se mete no meio sem ser convidada. E atrapalha o projeto, que chega a ser cancelado no fim do filme, fazendo a professora perder o emprego.

    • O projeto da professora era de observação da natureza. Quando Mabel entra, ela não quer observar, ela quer se meter e mudar as regras. Logo de cara ela questiona uma “lei do lago”. O urso deve ter ficado com fome. Existem sociedades com regras diferentes das nossas, não acho correto alguém de fora chegar e querer mudar tudo à força.

    • Ela resolve convocar o conselho dos animais pra atacar o prefeito. No meio da reunião, ela mata a rainha dos insetos. Sim, ela vira uma assassina. A cena é engraçadíssima, se fosse uma comédia adulta de humor negro, heu estaria aqui elogiando – mas estamos falando de um desenho direcionado ao público infantil. E quando ela mata a rainha dos insetos, ela acaba condenando todos os mamíferos.

    • Acontece um incêndio. Ela não causou o incêndio, mas é indiretamente responsável. Como resolver? Ela precisa destruir um enorme dique feito por castores. Sim, além de atrapalhar o relacionamento dos mamíferos com outras espécies, ela também precisa acabar com a casa dos castores.

Se pelo menos no fim do filme houvesse uma redenção, seria menos pior. Mabel deveria pedir desculpas a todos, reconhecer seus erros e tomar um novo rumo na sua vida. Seria um filme bem melhor. Mas nada, ela volta quieta, sem falar com ninguém. Aparentemente vai continuar a mesma irresponsável e inconsequente.

FIM DOS SPOILERS!

Ouvi várias pessoas elogiando Cara de Um, Focinho de Outro. Mas não consegui curtir um filme com uma protagonista tão tóxica. Espero que não tenha continuações.

Ah, tem cena pós créditos, lá no finzinho de tudo.

Guerreiras do K-Pop

Crítica – Guerreiras do K-Pop

Sinopse (imdb): Um grupo feminino de K-Pop de renome mundial está conciliando sua vida sob os holofotes com sua identidade secreta como caçadoras de demônios.

Pra quem não sabe, faço parte do podcast Podcrastinadores, e temos um grupo de apoiadores, onde trocamos mensagens quase todos os dias. A apoiadora Mariane Paiva tinha comentado, meses atrás, sobre esse Guerreiras do K-Pop, mas pensei “não curto K-pop, deve ser infantil, não sou o público alvo”, por isso deixei pra lá. Aí veio a temporada de prêmios e o longa começou a se destacar. E no Globo de Ouro, levou dois prêmios, melhor longa do animação e melhor canção. Aí lembrei do meme do Leonardo Dicaprio: “você tinha a minha curiosidade, agora tem a minha atenção”.

Ou seja, bem atrasado, vou fazer meus comentários. Terei poucos views. Mas pelo menos vou cumprir com o prometido para a Mariane.

Guerreiras do K-Pop (KPop Demon Hunters, no original) é o novo longa de animação da Sony, mesmo estúdio de Homem Aranha no Aranhaverso e A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas. Inicialmente a gente repara alguma semelhança nos traços, mas um elogio que podemos fazer ao estúdio é que seus projetos não parecem ctrl c ctrl v do anterior (a Pixar, que já foi sinônimos de qualidade, tem se repetido bastante ultimamente). Enquanto no Aranhaverso o desenho parece emular as imperfeições de uma página impressa de um gibi, e em Família Mitchell temos elementos gráficos e colagens espalhados pela trama; aqui os personagens às vezes têm traços de animes e mangás em algumas reações exageradas. E preciso dizer que isso ficou bem engraçado.

Falemos sobre o Kpop. Não conheço absolutamente nada de Kpop. Pra mim, o som tocado no filme é igual a qualquer outro pop atual, se fosse uma Taylor Swift ou Ariana Grande, pra mim era a mesma coisa. Dito isso, não achei as músicas ruins, mas não entrariam na minha playlist. Mas, entraram na playlist de muita gente – Golden, a música principal do filme, alcançou o topo do Spotify Global e bateu 1 bilhão de streams.

(Um breve parênteses sobre música pop ser tudo parecido. Uma vez fiz um “teste cego” com minha filha e o namorado, mostrando músicas da Madonna e da Cyndi Lauper pra eles dizerem quem cantava cada música. Eles erraram mais da metade. Ou seja, música pop é meio tudo igual mesmo.)

A trama apresentada no filme é meio clichê – a menina que esconde um segredo e fica na dúvida se suas amigas vão aceitá-la como ela é. Mas é um clichê bem conduzido, e os personagens são carismáticos. Ou seja, é bobinho mas está longe de ser ruim.

No elenco, nunca tinha ouvido falar dos principais Arden Cho e Ahn Hyo-seop. Mas Guerreiras do K-Pop tem alguns nomes conhecidos nos papéis secundários, como Ken Jeong (Se Beber Não Case), Lee Byung-hun (que estava concorrendo ao Globo de Ouro de melhor ator por A Única Saída), e Yunjin Kim e Daniel Dae Kim (o casal oriental de Lost).

Guerreiras do K-Pop está na Netflix, todo mundo que era o público alvo já viu. Aliás, hoje, é o filme mais visto da história da Netflix, com 325 milhões de views nos primeiros três meses. E agora é a hora dos retardatários que só se interessaram depois dos prêmios. As indicações ao Oscar saem nos próximos dias, grandes chances deste filme estar na lista.

Zootopia 2

Crítica – Zootopia 2

Sinopse (imdb): A corajosa coelha policial Judy Hopps e seu amigo, a raposa Nick Wilde, unem-se novamente para solucionar um novo caso, o mais perigoso e intrincado de suas carreiras.

Nove anos depois do primeiro Zootopia, aparece a continuação. Se a gente lembrar que aquele filme ganhou o Oscar de melhor animação e que passou de um bilhão de dólares na bilheteria, até que a continuação demorou…

A história aqui é bem parecida. Se no primeiro filme existe um atrito entre presas e predadores, aqui o atrito é entre mamíferos e répteis. Novamente acompanhamos a dupla de policiais formada pela coelha Judy e a raposa macho Nick, desta vez investigando uma possível existência de cobras – animais que não são vistos há tempos no universo do filme.

Um dos grandes méritos aqui está na boa dinâmica entre os dois personagens principais. Zootopia 2 explora bem o clichê “buddy cop”, aquele onde uma dupla precisa superar suas diferenças pra trabalharem juntos. Judy e Nick são personagens muito bons, e funcionam perfeitamente juntos.

Além de protagonistas carismáticos, Zootopia 2 tem alguns coadjuvantes muito bons. Além disso, tem um bom ritmo e algumas boas cenas de ação. E não sei se dá pra chamar de comédia, mas tem algumas cenas bem engraçadas. Enfim, é um filme bem equilibrado, num pacote que vai agradar a maioria.

A parte técnica também é impressionante. Não que isso seja exatamente uma surpresa, claro que a gente esperaria isso do “novo longa da Disney”. Mas mesmo assim os gráficos enchem os olhos. Em algumas cenas vemos o vento batendo nos pelos dos personagens, e temos a impressão de que cada pelo balança independente dos outros.

A empolgante trilha sonora do Michael Giacchino também é muito boa. Agora, tem um número musical da Shakira, que interpreta a Gazelle (que também estava no primeiro filme), número que provavelmente foi incluído pra tentar um Oscar de melhor canção. E não que a música seja ruim, mas… Fui o único que achou a música exatamente igual à música da Shakira na Copa do Mundo?

Uma coisa que gosto muito é de referências a outros filmes, e Zootopia 2 tem algumas. Foi uma boa sacada usar uma ovelha na citação ao Silêncio dos Inocentes (afinal o título original é The Silence of the Lambs, ou “O Silêncio das Ovelhas”), e ri alto no “momento O Iluminado“. Tem outra muito boa, rapidinha, citando um longa da Pixar, mas não vou dizer qual.

Zootopia 2 é bem divertido mas a gente precisa reconhecer que é um “prato requentado”, quase tudo aqui é repetição do que vimos no primeiro Zootopia. Agora, lembrando que o outro filme passou quase 10 anos atrás, acredito que muita gente nem vai lembrar. E ainda tem toda uma nova geração que vai conhecer primeiro o segundo filme.

O elenco original tem alguns bons nomes, mas a sessão de imprensa foi dublada, então não posso comentar sobre os atores escolhidos. Mas, deu pena de não ter ouvido a voz do Danny Trejo fazendo o lagarto Jesus…

No finzinho dos créditos tem uma cena com gancho pra Zootopia 3 – e segundo essa cena, grandes chances de repetirmos a mesma trama no próximo filme. Aguardemos.

Elio

Crítica – Elio

Sinopse (imdb): Elio, de onze anos, se vê transportado pela galáxia e confundido com o embaixador intergalático do planeta Terra.

Hoje, vai ser um texto curtinho, porque não queria deixar passar um longa da Pixar. Mas, não tenho muito a falar sobre Elio.

Talvez o problema não seja do filme, seja meu. É que a Pixar já fez tantos filmes que são muito elaborados, com camadas, filmes que alcançam tanto as crianças quanto os adultos. E Elio é tão bobinho… Não é ruim, mas definitivamente é um filme infantil demais.

Heu soube que Elio teve vários problemas na produção. Era pra ter sido lançado anos atrás, mas foi adiado – chegou a rolar um trailer em 2023 que apontava para uma história bem diferente da que foi lançada (uma das mudanças é nítida: o protagonista antes não queria ser abduzido, e agora ele até pede para que isso aconteça). O diretor era Adrian Molina, que se desligou do projeto (provavelmente por causa do atraso), e outras duas diretoras assumiram a direção, Domee Shi e Madeline Sharafian (mas os três estão creditados). E oito pessoas assinam o roteiro! Não sei até que ponto isso atrapalhou o resultado final, mas o ponto é que, comparado com outros filmes da Pixar, Elio fica bem abaixo.

O roteiro é extremamente previsível. Qualquer um que já viu outros longas de animação vai saber tudo o que vai acontecer, cada passo dos personagens, inclusive o vilão e sua redenção. E, diferente de outras animações para crianças, Elio não tem muitas piadas. Acho que só ri na cena onde o vilão está praticando tiro ao alvo.

Pelo menos o visual é bem bonito. Quando o garoto chega no “Comuniverso”, vemos vários seres diferentes, de muitas cores diferentes. Neste aspecto o filme é bom. Outra coisa que achei boa nessa parte foi que os outros seres não são necessariamente antropomórficos, característica bem comum em desenhos infantis.

Mas, como falei, achei bobo demais. E meus filhos hoje são adolescentes, eles nem devem querer ver este novo Pixar nos cinemas. Mas, repito, talvez o problema seja meu e não do filme. Se você tiver crianças pequenas para levar ao cinema, pode ser um bom programa.

Por fim, queria falar do 3D. A sessão para a imprensa foi em 3D, e nem me lembro qual tinha sido o meu último filme assim, achei que tinham desistido do recurso. Voltaram com o 3D, e, como quase sempre, foi desnecessário. Acho que só teve uma cena onde o efeito foi bem usado, quando a “câmera” passa ao lado de um satélite. No resto, pareceu só desculpa pra vender ingresso mais caro.

Predador: Assassino de Assassinos

Crítica – Predador: Assassino de Assassinos

Sinopse (imdb): Três dos guerreiros mais ferozes da história da humanidade se tornam vítimas do maior assassino de assassinos.

A saga O Predador traz um conceito muito bom, apesar do péssimo nome – o cara não é um predador, ele é um caçador, que pratica caça como esporte, e procura adversários fortes, porque ele quer encarar desafios. (Aliás, por causa deste conceito, a ideia de “Alien vs Predador” é muito boa, porque é um exímio caçador enfrentando um animal muito perigoso. Pena que os dois filmes são ruins.)

Pensando nisso, podemos ter um vasto leque de continuações e spin offs. E acredito que este Predador: Assassino de Assassinos quer abrir essa porta.

Um dos diretores é Dan Trachtenberg, que aparentemente é o novo “dono” da franquia – ele dirigiu anterior, O Predador: A Caçada, de 2022, e também o próximo, Predador: Terras Selvagens, com previsão de lançamento ainda este ano. A diferença é que este Predador: Assassino de Assassinos é uma animação.

Predador: Assassino de Assassinos é curto, pouco menos de uma hora e meia, e traz três histórias independentes, além de uma quarta história que une as três. São três momentos históricos distintos, onde aparece um “Yautja” (a raça dos Predadores) diferente em cada momento, enfrentando um grande adversário – uma guerreira viking no ano 841, um samurai (ou ninja, não sei ao certo) no Japão feudal, em 1609, e um piloto de avião da Segunda Guerra Mundial. Na quarta parte, vemos os três personagens juntos, no planeta dos Yautjas.

Achei as duas primeiras histórias muito boas. Ursa, a guerreira viking, tem uma cena sensacional em “plano sequência” (as aspas são porque é uma animação) onde ela ataca inimigos. Muita violência, muito sangue, a sequência é muito boa. A segunda parte, onde o Yautja entra no meio de uma briga entre os irmãos Kenji e Kiyoshi, também é muito bem executada. Pena que não posso dizer o mesmo sobre a terceira. É uma batalha entre uma nave espacial e pequenos aviões monomotores, uma briga muito injusta – e não me lembro de algum Yautja usando uma nave para brigar nos outros filmes, o lance deles sempre foi a batalha no mano a mano, mesmo usando armas e aparelhos tecnológicos.

A quarta história traz os três juntos, lutando numa arena. E é a parte que menos gostei. Primeiro porque Torres, o piloto da Segunda Guerra, não teria condições de enfrentar os outros, é um personagem nitidamente mais fraco que Ursa e Kenji. Aí tiveram que transformá-lo em alívio cômico.

Mas tem outra coisa ainda pior (mesmo que seja, infelizmente, algo relativamente comum em filmes). Primeiro, vemos um monstro alienígena, que come um Yautja, e o despedaça com seus dentes. Logo depois, ele come o Torres – que logo aparece, vivo e inteiro, dentro da barriga do monstro. Cara, se o monstro engole sem mastigar, por que mostrar ele mastigando logo antes? Mas calma que piora. Torres é um bom piloto, mas não é bom na parte mecânica. Ele tem dificuldade em consertar um avião, com tecnologia terrestre. Mas, encontra uma peça de tecnologia alien dentro da barriga do monstro, e consegue hackear a tecnologia Yautja, a ponto de fugir do monstro, dirigir um pequeno transporte e depois pilotar a nave deles! Caramba, de onde surgiram essas habilidades? Ele foi apresentado como alguém que não sabia da parte mecânica e tecnológica!

Tem outro problema, mas talvez isso não seja nada grave, heu que sou chato. A primeira história é falada em inglês, a Ursa é viking mas fala inglês. A segunda é em japonês. Aí quando os três estão juntos, o roteiro vem me dizer que existe uma barreira linguística entre eles, porque cada um fala uma língua diferente. Eles precisam lutar juntos mas não conseguem se comunicar. Mas, caramba, se a Ursa falava inglês antes, por que agora não entende???

Por fim, outro problema comum nos dias de hoje: Predador: Assassino de Assassinos não acaba. No fim, os mocinhos fogem, o vilão manda naves atrás deles, e… aguardemos a continuação. Qual é o problema de se fechar uma história?

Durante esta parte final, fiquei na dúvida se o filme envolvia viagem no tempo, mas tem um detalhe bem no finzinho que mostra que os guerreiros que vencem Yautjas ficam congelados para lutas futuras. E o filme acaba com um easter egg, mas nada surpreendente.

No fim, a gente lembra daquele meme do desenho do cavalo. Porque Predador:Assassino de Assassinos começa bem, mas vai piorando cada vez mais.

Como Treinar o seu Dragão (live action)

Crítica – Como Treinar o seu Dragão (live action)

Sinopse (imdb): Quando uma ameaça coloca em perigo tanto vikings quanto dragões na ilha de Berk, a amizade entre Soluço, um viking inventivo, e Banguela, um dragão Fúria da Noite, se torna a chave para ambas as espécies construírem um novo futuro juntas.

Falei aqui outro dia sobre Lilo & Stitch, live action quase igual ao desenho original. Poizé, Como Treinar o seu Dragão é a mesma coisa. Quase igual ao desenho original. Deu vontade de ser preguiçoso e copiar o meu texto sobre o longa animado, de 2010. Mas, vamulá, o leitor merece um novo texto.

Estamos vivendo uma onda de adaptações live action, mas é quase tudo Disney (este ano já foram duas, Branca de Neve e Lilo & Stitch). Mas aqui não é Disney, Como Treinar o seu Dragão é o primeiro live action da Dreamworks. A direção é do mesmo Dean DeBlois que co-dirigiu a animação (Chris Sanders foi o parceiro no desenho, mas não está neste filme, ano passado ele fez Robô Selvagem). Curiosidades do mercado cinematográfico: além de Como Treinar o seu Dragão, a dupla também dirigiu o Lilo & Stitch original. Já reparou que o Banguela e o Stitch são um pouco parecidos?

No filme, o jovem Soluço, filho do líder de uma aldeia viking que é frequentemente atacada por dragões, tenta capturar um dragão Fúria da Noite, o mais perigoso de todos, mas quando consegue, acaba se afeiçoando ao animal.

A história é igual, dragões vs humanos, humanos vs dragões, até que um humano descobre que as espécies podem conviver pacificamente. Mas existe um problema quando você troca de animação pra atores reais. Porque se um dragão cospe fogo em um personagem desenhado, dependendo de como isso for apresentado, isso pode ser algo engraçadinho. Mas com atores humanos, fica muito mais violento. Fiquei preocupado em uma cena onde um dragão solta labaredas em cima da plateia da arena, ia ter gente morrendo ali. Mas é filme pra criança, então dragões atacam casas e barcos, humanos caçam dragões, mas no fim ninguém se machuca, nem humanos, nem dragões.

Tem outro problema que é a “polêmica desnecessária da vez”. São vikings, e escolheram Nico Parker, uma atriz de ascendência negra, para o principal papel feminino – apesar dela ter olhos claros e a pele bem mais clara que a da sua mãe, Thandiwe Newton. Ela não é uma atriz ruim, mas, fica aquela dúvida: precisava? Se no desenho era uma menina loira, pra que alterar? É o tipo da provocação que só serve pra alimentar polêmicas, na minha humilde opinião.

Pelo menos o filme apresenta um exuberante espetáculo visual, assim como acontece na animação – li que foi filmado na Islândia, nas mesmas paisagens onde se inspiraram pra fazer a animação. Além disso, os efeitos de cgi dos dragões são perfeitos. Quase dá pra acreditar que são reais.

No papel principal, temos o jovem Mason Thames, que já tinha mostrado talento em O Telefone Preto – esse garoto vai longe! Nico Parker faz a principal personagem feminina, como falei, ela está bem, só achei que podiam ter escolhido uma atriz mais parecida com a do desenho (como o resto do elenco). Gerard Butler repete o papel que fez na animação, o pai do protagonist; Nick Frost também está bem, não o reconheci logo de cara, mas fiquei pensando “esse cara parece o Nick Frost…”.

Dito tudo isso, volto ao ponto de partida. Como Treinar o seu Dragão não é ruim, mas é igual ao desenho, então a gente pode pensar que é um filme desnecessário. Mas vou lembrar da minha reflexão de dias atrás, sobre Lilo & Stitch: se Como Treinar o seu Dragão trouxer público para o cinema, tá valendo.

Que traga muito público. A continuação já está prevista para 2027.

Lilo & Stitch

Crítica – Lilo & Stitch

Sinopse (imdb): Uma menina havaiana solitária faz amizade com um alienígena fugitivo, ajudando a remendar sua família fragmentada.

É complicado falar de um filme como Lilo & Stitch. Porque é divertido e engraçado, e o Stitch é fofinho, então certamente vai agradar o público. Mas, por outro lado, é exatamente igual ao desenho de 2002. Ou seja, é divertido, mas na verdade é um prato requentado.

A Disney errou muito nas adaptações live action, quase todos os filmes são ruins ou péssimos – na minha humilde opinião, o único bom é Cruella, que não é uma versão de 101 Dálmatas e sim uma história independente usando a personagem. Todo o resto é sofrível, e o último a ser lançado, Branca de Neve, foi ruim com força. Olhando sob este ângulo, Lilo & Stitch nem é tão ruim.

Tem uma coisa que merece elogios, que é a animação do Stitch. Acho que só teve uma cena onde reparei falhas na interação com os personagens humanos – uma cena no fim onde as irmãs abraçam o Stitch e dá pra ver pelos braços delas que estão abraçando o ar. Porque em todo o resto do filme, parecia um bicho real. Devem ter colocado um Stitch de pelúcia em tamanho real interagindo com o elenco de carne e osso. O efeito especial é realmente bem feito.

Aproveitando o elogio, preciso dizer que o roteiro teve uma pequena alteração positiva. No desenho, os alienígenas que vêm pra Terra pra tentar capturar o Stitch se vestem como humanos e ficam no meio das pessoas e ninguém repara que são alienígenas. Isso era meio tosco no desenho, e aqui foi consertado, agora eles usam uma camuflagem e se parecem com humanos.

Mas fora isso, tudo é igual ao original. Bonitinho, fofinho… e repetido.

Preciso comentar sobre a dublagem. A sessão de imprensa foi anunciada legendada, mas na hora exibiram o filme dublado. E a atriz que faz a Lilo, a estreante Maia Kealoha, foi prejudicada pela dublagem. Me parece que é uma boa atriz mirim, mas em várias cenas ela soou artificial.

Aproveito pra falar do elenco. Maia Kealoha e Sydney Agudong interpretam as irmãs. Chris Sanders, diretor do desenho original, volta a fazer a voz do Stitch (repetindo o papel, ele fez o mesmo em 2002). Tia Carrere e Jason Scott Lee estavam no desenho, e voltam aqui com outros personagens. Zach Galifianakis e Billy Magnussen fazem as versões humanas dos alienígenas, e estão bem caricatos, mas funcionam no estilo do filme. E fiquei com pena de não ter ouvido a voz da Hannah Waddingham porque era a versão dublada.

Lilo & Stitch vai agradar, vai vender ingresso, vai levar pessoas ao cinema, e isso é algo sempre positivo. E por isso vou me contradizer. Sim, é um prato requentado, e o desenho original está no Disney+. Mas é sempre positivo ver alguém deixando o streaming e indo ao cinema. Por este motivo, apesar de não ter nenhuma novidade, torço por mais projetos como esse.

Branca de Neve

Crítica – Branca de Neve

Sinopse (imdb): Adaptação em live-action do filme de animação da Disney de 1937 “Branca de Neve e os Sete Anões”.

Estreou o filme mais polêmico de todos os tempos da última semana!

Não tem como não falar desta nova versão de Branca de Neve (Snow White, no original) sem lembrar das diversas polêmicas. Teve a escalação de uma atriz latina para um papel que deveria ser “branca como a neve”; teve esta mesma protagonista dando entrevistas falando mal da história original; teve a polêmica entre as duas atrizes principais, uma apoiando Israel e outra apoiando a Palestina; teve o Peter Dinklage reclamando da história desvalorizar os anões, e por isso supostamente os atores foram trocados por cgi… Muitas polêmicas, mas hoje vou falar do filme. (Sobre as polêmicas, procurem outros sites.)

Dirigido por Marc Webb (que fez os filmes do Homem Aranha com o Andrew Garfield), Branca de Neve se propõe a atualizar a história contada no desenho lançado em 1937. Algumas alterações até funcionaram, mas outras não. Mas, no fim, nem é um filme tão ruim. É apenas mais um live action desnecessário – como aliás, quase todos os live actions da Disney (na minha humilde opinião, o único live action bom é Cruella, que não é uma adaptação, é um spin off com uma história independente do desenho original). Ou seja, a gente esperava um grande lixo, mas é apenas mais um filme esquecível. E, claro, inferior à obra original.

Rachel Zegler foi uma escolha errada, porque na história original, a rainha fala “Como eu queria ter uma filha com a pele branca como a neve, lábios vermelhos como sangue e cabelos negros como ébano.” Tiveram que alterar a origem dela, no filme ela se chama Branca de Neve porque nasceu num dia que estava nevando – uma grande forçação de barra. Além disso, ela deu a entender através de entrevistas que não gosta do desenho. Pra que escalar uma atriz assim? Mas, pelo menos ela canta bem. Pena que Branca de Neve não tem nenhuma música empolgante – a única música que fica na cabeça quando acaba o filme é a dos anões, que todo mundo já conhece há décadas: “Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou…”

Escalar Rachel Zegler e Gal Gadot trazia outro problema, semelhante ao filme de 2012, Branca de Neve e o Caçador, quando Kristen Stewart era a Branca de Neve e Charlize Theron era a Rainha Má. Uma das falas mais famosas da história original é “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?” – e, assim como Kristen Stewart nunca vai ser mais bela que Charlize Theron, Rachel Zegler nunca vai ser mais bela que Gal Gadot. Mas, reclamei disso em 2012, não sei se vale reclamar igual agora, treze anos depois. O que posso dizer sobre a Gal Gadot: ela está caricata, talvez um pouco acima do que deveria estar, mas não chega a atrapalhar. E ela canta, até canta bem, mas, nos dias de hoje, não sei se é a voz dela ou não.

Sobre os anões: eles viraram criaturas mágicas que vivem na floresta há centenas de anos, e todos são em cgi. Achei que ficou bom. O cgi dos anões é muito bem feito – assim como o cgi dos animais da floresta. Não sei muito sobre os bastidores da polêmica com o Peter Dinklage, se os anões em cgi foi por causa disso, mas sei que o resultado final, pelo menos pra mim, foi satisfatório.

Agora, o que foi bem ruim foi um núcleo de personagens que acompanha o “mocinho” – agora não pode ser mais príncipe, porque a Branca de Neve, empoderada, não pode ser salva por um príncipe (decisão que a produção tomou, que questiono se foi correta ou não). Enfim, em vez de príncipe, é um ladrão, e esse ladrão tem um bando, que não estava na história clássica, e que tem várias representatividades – e que parece saído de uma faculdade de Humanas na UFRJ. Já é uma grande forçação isso, mas calma que piora. O problema é que, tirando um (logo o anão!), essas pessoas do grupo são meros figurantes. Não têm nomes, não têm diálogos, não têm nenhuma importância para a trama. Caramba, se você vai incluir diversidade no seu filme, dê alguma relevância pra esses personagens!

Algumas coisas foram atualizadas para os dias de hoje, ok, a gente entende que se passaram quase 90 anos. Mas não entendo como não adaptaram o beijo do príncipe / ladrão no final. O cara encontra a Branca de Neve morta, e dá um beijo na boca dela? Quem beijaria a boca de um cadáver??? Não seria melhor um beijo na cabeça?

Enfim, Branca de Neve nem é tão ruim quanto esperado, mas é esquecível. O desenho ainda é muito melhor.

Flow

Crítica – Flow

Sinopse (imdb): Gato é um animal solitário, mas quando seu lar é destruído por uma grande inundação, ele encontra refúgio em um barco habitado por diversas espécies, tendo que se juntar a eles apesar das diferenças.

E vamos para uma das mais badaladas animações de 2024!

Escrito e dirigido por Gints Zilbalodis, Flow (Straume, no original) é um longa de animação feito na Letônia, que está indo tão bem na temporada de prêmios, que não só está concorrendo ao Oscar de melhor Animação, como também está concorrendo ao Oscar de melhor Filme Internacional (sim, é um dos concorrentes de Ainda Estou Aqui).

E realmente é um desenho belíssimo. Vou repetir algo que já falei algumas vezes recentemente: às vezes um traço não precisa ser perfeito para ser bonito. Assim como Homem Aranha no Aranhaverso, Gato de Botas 2, Tartarugas Ninja e Robô Selvagem, Flow não tem traços perfeitos, como vemos nos longas da Pixar e da Disney. Digo mais, aqui, às vezes o traço parece meio borrado, parece que pintaram e não finalizaram o desenho. E isso traz um charme especial. Longas de animação descobriram que as imperfeições podem melhorar a qualidade visual de algumas obras!

Vou além: nos acostumamos com animais antropomorfizados, que é quando um animal tem traços humanos, tipo andar sobre as patas traseiras, usar as patas dianteiras como mãos, falar e ter expressões faciais. Isso virou algo normal em longas de animação. Mas aqui em Flow os animais se portam como animais (durante quase todo o filme). Tenho cachorro e já tive gato, e posso dizer que os movimentos dos animais são bem semelhantes a animais reais. Inclusive tem uma sequência onde a capivara tem um problema porque ela não consegue saltar como um gato ou um cachorro.

Flow conta a jornada de um gato, que, fugindo de uma enchente, se une a outros animais em um barco. Não tem nenhum humano, ou seja, o filme não tem diálogos. O gato se une a um cachorro, uma capivara, um lêmure e um pássaro (não sei qual espécie), e eles navegam em busca da sobrevivência.

Flow é bonito e emocionante, mas tive três problemas com o filme. Em primeiro lugar, achei que faltou um contexto pra gente se situar sobre o que está acontecendo. Não preciso de explicações detalhadas sobre tudo, mas queria saber que mundo é aquele, por que a água estava subindo. E, afinal, estamos no planeta Terra nos dias atuais? Porque tem um monstro marinho que não me parece um bicho dos dias de hoje.

Outro problema é sobre a “antropomorfização seletiva”. Durante quase todo o filme, animais se portam como animais. Mas… Quando o filme pede, eles sabem usar o leme do barco pra controlar o barco durante a navegação. Caramba, por que não deixar o barco apenas flutuando?

Agora, aceito esses dois detalhes. Quando um filme é bom, a gente aceita alguns probleminhas aqui e ali. Mas, existe um terceiro problema que quase me fez não gostar de Flow. Mas como é na cena final, vou colocar um aviso de spoilers.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Na cena final vemos o monstro marinho morrendo. Caramba, pra que terminar o filme com um bicho morrendo??? Era um personagem secundário, a gente não precisava saber o que aconteceu com ele!!! “Ah, mas tem uma cena pós créditos onde a gente vê barbatanas ao fundo, de repente ele não morreu…” Pra mim, aquelas barbatanas são de outro monstro marinho. O que estava na jornada do gato MORREU.

Esse final foi PÉSSIMO!

FIM DOS SPOILERS!

Mesmo não tendo gostado nem um pouco da cena final, reconheço que Flow é um grande filme. Não acho que consiga o Oscar, mas, ganhar duas indicações já é um grande feito para um desenho da Letônia!