As Aventuras de Tadeo e a Tábua de Esmeralda

Crítica – As Aventuras de Tadeo e a Tábua de Esmeralda

Sinopse (imdb): Tadeo acidentalmente desencadeia um antigo feitiço pondo em perigo a vida de seus amigos: Mumia, Jeff e Belzoni.

Minha banda tinha um show pra fazer num shopping. Queria levar meus filhos. Pensei “vamos aproveitar pra ver um filme no cinema antes”. Fui catar um filme infantil, e escolhemos este As Aventuras de Tadeo e a Tábua de Esmeralda. O problema é que o filme é tão bobinho que acho que posso passar para uma nova fase da paternidade. Vou falar primeiro sobre o filme, depois uma breve reflexão sobre amadurecimento dos filhos.

(Claro, terá spoilers leves na segunda parte do texto.)

Entrei na sala de cinema sem saber quase nada sobre o filme. Só sabia que era uma produção espanhola. Só fui saber que era o terceiro filme de uma franquia depois que tinha terminado o filme (é o terceiro longa, e ainda tem dois curtas e uma série de tv, segundo o imdb). Mas, já desconfiava disso, porque o personagem da Múmia, do jeito que aparece no filme, tinha que vir de algo previamente conhecido. Personagem bem ruim, aliás, mas já chego lá.

Tecnicamente, As Aventuras de Tadeo é um bom filme. A animação é boa colorida, divertida e tem algumas boas piadas – tem até uma citação a Indiana Jones! O que enfraquece é o roteiro. Vou fazer duas críticas ao roteiro. A primeira é que algumas coisas não fazem muito sentido, tipo a Múmia. A primeira vez que a gente a vê, ela tem que ficar fechada em casa, escondida de todos, porque afinal, é uma múmia viva. Mas, ao longo do filme esquecem disso e o personagem está normalmente à vista de todos. E isso porque não estou falando dos clichês – As Aventuras de Tadeo não tem nada de surpresa.

Mas o que mais me incomodou foi o final do filme, onde todos são bonzinhos demais. O grupo dos três arqueólogos é um grupo rival – podem se respeitar, mas nada levou àquele clima de parceria. E vou além: a “vilã” precisava enfrentar as as consequências dos seus atos.

E aí mudo o assunto do texto. Spoilers leves a partir de agora.

Desde o início do heuvi sempre falei de filmes infantis porque quando comecei, lá em 2008, minha filha estava com 7 anos. E em 2009 nasceu um novo filho, e mais um em 2011. A mais velha já é adulta, 21 anos, mas os outros ainda são novos, 13 e 11 anos.

Só que essa fase já acabou. Meu filho de 13 fazia comentários “adultos” ao meu lado no cinema. Tipo quando vemos pela primeira vez uma personagem ao telefone, com um close na boca e uma música diferente, e meu filho falou “e acabamos de conhecer a vilã!” Ou, num momento onde um personagem se separa do grupo dos protagonistas, e volta num momento chave onde eles precisavam de ajuda, e meu filho comentou “e o filme nunca vai explicar como esse personagem achou o grupo que estava longe!” E fiquei feliz quando ele reclamou do momento “piada de pum” que tem no meio do filme!

Quando o filme acabou – principalmente depois daquele final bobinho – pensei “é, é hora de entrar numa nova faixa etária da ‘paternidade cinematográfica’…”

Pinóquio

Crítica – Pinóquio

Sinopse (imdb): Um boneco é trazido à vida por uma fada, que o atribui a levar uma vida virtuosa para se tornar um menino de verdade.

Vamos para mais um live action Disney que deu errado?

Confesso que ia deixar esse filme passar. Mas quando vi que era mais uma vez uma parceria entre Robert Zemeckis e Tom Hanks, mudei de ideia e fui logo ver, mesmo sabendo do histórico ruim quando se fala em live action da Disney – gravei um Podcrastinadores falando sobre Aladdin, Rei Leão, Dumbo e Christopher Robin, e falei mal de todos eles. Acho que o único live action que se salva é Cruella.

Já faz um tempo que não revejo o Pinóquio de 1940, então não me lembro de muitos detalhes. Mas tudo que me lembro está na nova versão, e, pelo que li, é isso mesmo, eles seguiram a mesma história do desenho anterior – assim como fizeram no “live action” de Rei Leão (as aspas são porque o novo Rei Leão não tem nada de “live”, é apenas outro estilo de animação).

E deu errado. Assim como o citado Rei Leão.

Se você contar de novo uma história que todo mundo já viu, traga novos elementos. Porque, se é a mesma coisa, pra que ver a nova versão?

Mas, calma, que ainda piora. Você pode argumentar que se passaram mais de 80 anos, aquela animação está datada, podemos refazer com novas tecnologias…

E aí está o maior problema deste Pinóquio de 2022: os efeitos especiais!

É inadmissível que hoje, em 2022, um estúdio cheio de grana e de recursos como a Disney entregue efeitos tão básicos. Parece que a gente está vendo um filme dos anos 90.

E aí a gente “troca de canal” e vê um trecho de Anéis de Poder e vê que sim, os efeitos evoluíram. É possível ter qualidade. Mas precisa trabalhar.

Alguns efeitos eram tão ruins que me tiravam da história. Parece que a produção não conseguiu se decidir entre o real e o cartunesco. Vou dar um exemplo claro: o peixe Cleo parece que saiu de Procurando Nemo, não parece um peixe real. Ok, o peixe não interage com humanos. Mas o gato Fígaro interage com o Gepeto, e às vezes parece um gato real, outras vezes parece um gato de desenho animado, e em todas as vezes parece um gato falso.

E não é só isso. Algumas coisas simples são exibidas de forma desleixada. No parque de diversões, o garoto recebe uma caneca de root beer, caneca grande, deve ter pelo menos um litro. E bebe em um único gole! Ou, outra cena logo antes dos tijolos, onde a gente vê que os atores estavam nas marcas e começam a se movimentar um segundo depois do tempo certo!

É triste a gente ler o nome de Robert Zemeckis e lembrar que, junto com Tom Hanks, ele revolucionou os efeitos especiais com Forest Gump, com seus efeitos “invisíveis”, os efeitos estavam lá justamente para não aparecer – por exemplo, um dos personagens passa boa parte do filme sem as pernas, que foram apagadas pelos efeitos especiais. E isso porque não tô falando de Roger Rabbit, De Volta Para o Futuro, A Morte lhe Cai Bem, Contato e muitos etc.

No elenco, Tom Hanks funciona, como sempre. A voz do Grilo Falante é de Joseph Gordon-Levitt, que serve como narrador do filme. Temos breves participações de Cynthia Erivo e Luke Evans, e as vozes de Lorraine Bracco, Keegan-Michael Key. O garoto Benjamin Evan Ainsworth faz a voz do Pinóquio.

Se tem algo que se salva? Bem, gostei dos easter eggs nos relógios do Gepeto, tem Toy Story, Pato Donald, Sete Anões, tem várias referências a outras animações da Disney. E gostei do parque de diversões. Não dos efeitos, do parque em si.

Mas é pouco. Prefiram o desenho velho de 80 anos.

Minions 2: A Origem de Gru

Crítica – Minions 2: A Origem de Gru

Sinopse (imdb): A história não contada do sonho de uma criança de doze anos de se tornar o maior supervilão do mundo.

Mais um filme da franquia Meu Malvado Favorito. O filme estava previsto para 2020, mas por causa da covid foi adiado várias vezes e, quando finalmente estreou, pelo menos para mim, preciso admitir que a expectativa era zero. É uma boa franquia, os filmes são divertidos, mas sei lá por que, não estava empolgado.

E isso foi bom, porque me diverti muito na sessão! O filme é muito engraçado, e tem umas piadas geniais.

Desde o primeiro filme da franquia, os minions são as coisas mais engraçadas e protagonistas das melhores piadas. Aqui acontece o mesmo. Mesmo quando estão ao fundo, fora da cena, são várias piadas boas, tipo quando um pega fogo e outro fica aquecendo as mãos. E, sem entrar em spoilers, mas tem uma cena envolvendo ovos que me fez gargalhar alto no cinema!

Apesar do nome, este novo filme é mais um prequel do que uma continuação do primeiro Minions, afinal o Gru criança é o protagonista. O nome deveria ser “Meu Malvado Favorito Zero – A Origem de Gru”.

A qualidade da imagem é impressionante, não deixa nada a dever para os gigantes Pixar ou Disney. Mas o que mais chama a atenção é a ambientação nos anos 70, tanto na parte visual como na excelente trilha sonora.

A sessão foi dublada, Leandro Hassum continua fazendo um bom trabalho como Gru. Mas quando li quem eram as vozes originais dos vilões secundários, deu vontade de rever legendado: Jean Claude Van Damme, Dolph Lundgren, Lucy Lawless e Danny Trejo! E ainda tem Alan Arkin e Michelle Yeoh, além da volta de Steve Carell, Julie Andrews e Russell Brand. Excelente elenco, que a gente não vai aproveitar aqui no Brasil. Bem, pelo menos a dublagem é boa.

Longe da pretensão de um filme da Pixar, Minions 2: A Origem de Gru é uma genuína diversão leve.

Lightyear

Crítica – Lightyear

Sinopse (imdb): A história de Buzz Lightyear e suas aventuras ao infinito e além.

A franquia Toy Story é uma das melhores coisas feitas na animação nas últimas décadas. E a gente sabe que continuações costumam enfraquecer as franquias. Quando lançaram Toy Story 3, o pensamento era “tem que parar agora, enquanto a franquia está com a qualidade lá no alto”. Mas fizeram o quarto filme, que pode não ser tão bom quanto o terceiro, mas ainda segurou a barra no alto. Valia a pena fazer um quinto filme?

A saída foi fazer um spin-off. Lightyear não fala do boneco, mas sim sobre o personagem que deu origem ao boneco. Antes do filme, tem um texto na tela explicando: em 1995, Andy foi ao cinema e depois ganhou um boneco do personagem. Este é o filme que ele foi ver.

E afinal, Lightyear é bom? Bem, não mantém a mesma qualidade dos filmes Toy Story, mas é um filme divertido e extremamente bem feito. A parte técnica enche os olhos – não que isso seja surpresa em se tratando de Pixar, mas, não custa reforçar. A animação é tecnicamente perfeita!

Dirigido por Angus Maclane (que está estreando como diretor solo, mas trabalha na Pixar desde Vida de Inseto, de 1998). Lightyear é a volta dos lançamentos nos cinemas – Dois Irmãos foi lançado na época do início da pandemia, sei que teve sessões nos cinemas, mas não lembro se chegou a passar aqui no Rio; os três seguintes, Soul, Luca e Red, foram direto para o streaming. Pelo menos para mim isso é uma boa notícia, senti falta de ver Soul num cinema.

Duas coisas me incomodaram no roteiro de Lightyear. Uma delas é uma das premissas básicas do filme, então não considero que seja spoiler. Buzz está numa grande nave, com centenas (milhares?) de pessoas, e eles ficam presos num planeta desabitado. Em um ano, bolam um plano para sair. O plano dá errado, e mesmo assim eles insistem no plano ao longo de décadas! Caramba, ninguém pensou num plano B? Será que anos depois ninguém ia pensar em outra forma de sair do planeta?

A outra coisa que me incomodou é spoiler. Mas, posso dizer que não gostei das motivações do vilão. O vilão é o Zurg, aparece em Toy Story, mas aqui a gente conhece a história dele, e achei essa história bem ruim.

Sobre os novos personagens, preciso dizer que a princípio achei que o gatinho era uma ideia ruim, mas preciso admitir que ao fim do filme, já tinha virado fã do gatinho. Já o resto dos personagens, não tem nenhum memorável. Uma boa piada aqui, outra ali, mas nada que fique na memória.

Uma informação importante sobre a dublagem. O boneco Buzz Lightyear foi dublado por Guilherme Briggs, um dos melhores dubladores brasileiros; e aqui foi dublado por Marcos Mion. Claro que tem um monte de gente reclamando. Mas… Em primeiro lugar, a troca do dublador é algo coerente, porque este Buzz não é o mesmo de Toy Story, aqui é o personagem do filme, lá é o boneco – a mudança de dublador aconteceu também no original, o boneco é dublado por Tim Allen e este é dublado por Chris Evans. E agora, sobre o Marcos Mion: tirando um “paulistês” meio forte, não atrapalhou em nada. Marcos Mion está aprovado.

Está rolando uma polêmica sobre um beijo gay. Sim, acontece um beijo entre duas mulheres, personagens novas, não é o Buzz, ninguém vai poder espernear “arruinaram a minha infância!” Queria dar um recado pra quem se incomodou com o fato de duas personagens, fictícias, desenhadas, que demonstram carinho entre elas. O mundo tem tanto problema real, e você se incomoda com isso? Seriously?

Por fim, são 3 cenas pós créditos. As duas tradicionais, uma ao fim dos créditos principais outra lá no fim. Mas, depois de tudo ainda tem mais uma! Não saia do cinema antes do filme realmente acaba!

Tico e Teco e os Defensores da Lei

Crítica – Tico e Teco e os Defensores da Lei

Sinopse (imdb): Adaptação live action do clássico “Tico e Teco e os Defensores da Lei”.

Quando vi que tinha um filme novo do Tico e Teco, nem dei bola. O desenho Tico e Teco e os Defensores da Lei estreou aqui no Brasil em 1993, nessa época heu já estava na faculdade, nem me lembro se cheguei a ver algum episódio.

Mas, vi que alguns dos youtubers que acompanho estavam falando do filme. Aí depois me recomendaram, no mesmo dia, no grupo de apoiadores do Podcrastinadores e num grupo de amigos. Pensei, “é, esse filme deve ter algo diferente”.

E foi uma agradabilíssima surpresa! Tico e Teco e os Defensores da Lei é um forte candidato a melhor animação do ano!

Dirigido por Akiva Schaffer, que tem um grande currículo no Saturday Night Live, Tico e Teco e os Defensores da Lei segue a linha de Uma Cilada Para Roger Rabbit: mistura filme live action com personagens animados, e usa muitos personagens de outros lugares.

Duas coisas chamam a atenção logo de cara. Uma delas é a quantidade de referências e easter eggs espalhados pelo filme. A outra coisa é a qualidade da animação, que mistura várias técnicas diferentes.

Sobre os easter eggs: são tantos que nem dá pra contar. Como aconteceu em Jogador Nº1, vai ter gente pausado o filme e ampliando a imagem, porque a quantidade é realmente absurda! E sobre as técnicas de animação, achei uma ideia muito boa misturar os estilos. Um dos personagens é em stop motion! Outro personagem tem aquela animação usada em Expresso Polar, onde os olhos ficaram mal feitos (e o filme faz piada em cima disso)! Tem uma cena com uma personagem naquela animação 3D onde a imagem fica borrada meio vermelha meio azul!

A certa altura, me perguntei se o filme teria graça sem essas referências. Mas aí a gente vê que o filme fala de pirataria, e lembra daqueles dvds vendidos nas Lojas Americanas da Vídeo Brinquedos, com títulos como Os Carrinhos, Ratatoing, Ursinho da Pesada e Voando em Busca de Aventuras – parece até que o filme foi feito pensando nesses dvds!

Além disso, o filme ainda propõe uma reflexão sobre o passar do tempo. Temos um personagem que faz uma “cirurgia computadorizada” para se atualizar; temos outro personagem que tem problemas para conseguir novos trabalhos porque ficou adulto.

Sobre o elenco, acho que a única personagem que aparece em forma humana é a policial interpretada por Kiki Layne (tem uma ponta do Paul Rudd, mas só ponta). Mas o elenco animado está cheio de nomes conhecidos, como Andy Samberg, Will Arnett, Eric Bana, Seth Rogen, J.K. Simmons, Dennis Haysbert e Keegan-Michael Key.

Tico e Teco e os Defensores da Lei é divertidíssimo! Certamente estará no meu top 10 de melhores filmes de 2022!

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

Crítica – A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

Sinopse (imdb): Katie Mitchell é aceita na escola de cinema dos seus sonhos. Sua família inteira leva Katie para a escola quando seus planos são interrompidos por um levante tecnológico. Os Mitchells terão que trabalhar juntos para salvar o mundo.

Perdi o lançamento deste A Família Mitchel e a Revolta das Máquinas. Pra minha sorte, o filme foi indicado ao Oscar, e alguns amigos recomendaram. Sorte minha, quase perdi!

Escrito e dirigido por Mike Rianda e Jeff Rowe (Gravity Falls), A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é a nova produção da Sony Pictures Animation – o que não é exatamente uma certeza de qualidade, é só a gente lembrar que os dois filmes anteriores do estúdio foram o excelente Homem Aranha no Aranhaverso e o fraco Angry Birds 2. Mas… a produção tem dois nomes que me chamaram a atenção: Phil Lord e Christopher Miller, criadores de Uma Aventura Lego e que ganharam o Oscar por Aranhaverso. Opa, antes vocês tinham a minha curiosidade, agora vocês têm a minha atenção!

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é uma divertida e amalucada aventura familiar. O filme tem o meu estilo de humor. Passei o filme inteiro rindo como há muito tempo não ria.

E não é só isso. A história tem um ótimo ritmo e os personagens são muito bem construídos. A gente sente a amizade entre os irmãos, assim como a gente o distanciamento entre a Katie e o pai. E os robôs que “entram na família” também são ótimos. E o cachorro é o alívio cômico perfeito!

(Sim, deixei a mãe de fora, de propósito. Mais tarde falo dela, na parte que vou falar mal do filme).

A qualidade da animação é bem legal. Hoje as animações top (Pixar, Disney, Dreamworks, Blue Sky, Illumination) têm uma qualidade absurda de imagem, um espetáculo visual, muitas vezes parece que estamos vendo algo filmado e não desenhado. A Sony, esperta, em vez de querer barrar essa qualidade, pegou um caminho paralelo. Aranhaverso, por exemplo, não tinha nada de realismo – as imagens lembravam a textura de páginas de HQ impressas. Mais: personagens de estilos diferentes usavam técnicas de animação diferentes. Ideia genial: se você não consegue superar a qualidade da imagem, pegue outro caminho. Aqui em A Família Mitchell, a criatividade apontou pra outro caminho. A qualidade dos gráficos é normal, nada aqui parece real. Mas… Ao longo de todo o filme pipocam na tela vários elementos gráficos, desenhos, textos, colagens, o que deu uma dinâmica especial ao filme. Como falei, gostei muito do humor do filme, e esses elementos gráficos foram um toque extra genial!

A boa trilha sonora de Mark Mothersbaugh ajuda nesse ritmo amalucado. Hoje Mothersbaugh é mais lembrado por trilhas sonoras de Thor Ragnarok e Anjos da Lei, além de várias animações. Mas não vou me esquecer que ele era do Devo!

Agora, preciso falar mal de uma coisa. O filme tem uma ideia absurda de que os robôs vão pegar TODOS os humanos e levá-los para outro planeta. É uma ideia absurda, porque o planeta é muito grande e tem muita gente. Se não me engano, eram sete naves, então cada uma delas deveria ter um bilhão de pessoas. Achei forçado, era melhor não dizer números. “Robôs estão capturando humanos”, ponto. Pode ser local, pode ser global, essa informação não é importante para o filme.

Mas… Essa parte nem me incomodou tanto, a gente vê coisas forçadas em quase todos os filmes por aí. Agora, na parte final a gente vê a mãe ganhar super poderes. Isso ficou estranho, porque nada no filme levou a essa transformação. Ficou engraçado? Ficou. Mas, pra que? Claro que não chega a estragar o filme, mas essa parte da super mãe impede o filme de ser um “10”.

Mesmo assim, A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas foi a melhor animação que vi em um bom tempo. Pena que vi atrasado, porque certamente entraria no meu top 10 do ano passado.

Red: Crescer é uma Fera

Crítica – Red: Crescer é uma Fera

Sinopse (imdb): Uma jovem vive um ano de formação na companhia de um enorme panda vermelho.

Outro dia falei do sub título nacional péssimo de Ambulância Dia de Crime. Acho que Red Crescer é uma Fera é ainda pior. Essa frase não faz sentido!

A Pixar deixou a gente mal acostumado. Assim como a Marvel mudou o paradigma do filme de super herói, a Pixar fez o mesmo e elevou para outro patamar o conceito de longa de animação filmes como Toy Story, Monstros S.A., Wall-E, Divertida Mente e Soul.

Aí vem Red e seu sub título horrível. Red Crescer é uma Fera (Turning Red, no original) não é ruim, longe disso, mas está abaixo do melhor que a Pixar pode oferecer. Mas… como falei na crítica de Luca, isso é uma espécie de head canon, o problema não é do filme, e sim da expectativa que criei. Então bora falar de Red como se não fosse Pixar.

Estruturalmente, Luca e Red têm semelhanças. Luca foi dirigido por Enrico Casarosa, que antes tinha dirigido um curta para a Pixar. E o longa traz referências à infância do diretor. Red foi dirigido por Domee Shi, que dirigiu o curta Bao, curta que passou antes de Os Incríveis 2 (e vale lembra que ela ganhou o Oscar pelo curta). Mais: a protagonista Meilin é sino canadense e a história se passa no Canadá; Domee Shi nasceu na China mas se mudou para o Canadá aos 2 anos de idade.

O panda vermelho é uma metáfora à puberdade e todas as transformações físicas e emocionais que acontecem na adolescência, principalmente com as meninas (coisa que estou falando sem muita propriedade porque não passei exatamente por isso, mas, como pai de menina, acompanhei uma adolescente de perto). Nessa parte da metáfora, o filme é perfeito. Mas… Teve uma coisa que me incomodou: nenhum adulto sabe da existência do panda gigante!

A história se passa em 2002, o que ajuda, porque, se fosse hoje, cada adolescente teria um celular na mão e o panda estaria em várias redes sociais logo no primeiro dia. Não me lembro se em 2002 já existiam smartphones, mas, se existiam, não eram usados por todos no dia a dia. Mas, mesmo assim, quando o panda vira um evento entre todas as crianças da escola, algum professor ou pai acabaria descobrindo.

A protagonista Meilin é um personagem muito bem construído. Ela é uma menina exemplar e bem comportada diante dos olhos da mãe e ao mesmo tempo é uma adolescente normal entre suas amigas, e é legal ver como ela quer assumir o panda – diferente das mulheres mais velhas da sua família que precisavam reprimir seus pandas internos. As amigas são personagens mais rasos, cada uma só tem uma característica, mas servem para o que o filme pede. As tias e a avó são boas personagens, mas pouco exploradas. Acho que o único personagem bom além da protagonista é o pai.

A parte técnica é impecável, como era de se esperar. E Red ainda traz uma pequena diferença ao padrão Pixar, que são expressões faciais exageradas dos personagens em algumas cenas, lembrando estilo de anime – tudo a ver com a proposta do filme.

Por fim, fico me perguntando quando a Pixar vai voltar aos cinemas. Assim como Soul e Luca, Red Crescer é uma Fera foi direto para o streaming. E – modo velho saudosista on – prefiro muito mais ver um filme desses numa sala de cinema do que na TV de casa.

Divertido e tecnicamente muito bem feito, Red Crescer é uma Fera não é um “novo clássico da Pixar”, mas vai divertir quem estiver na vibe certa.

Os Caras Malvados

Crítica – Os Caras Malvados

Sinopse (imdb): Vários animais criminosos reformados, mas incompreendidos, tentam se tornar bons, com alguns resultados desastrosos ao longo do caminho.

Admito um problema de head canon com relação a este Os Caras Malvados (The Bad Guys, no original). A primeira vez que ouvi falar foi durante a gravação de um podcast sobre expectativas para 2022. GG, host do meu podcast Podcrastinadores, falou de uma animação que supostamente seria uma versão de Cães de Aluguel com animais – sr Lobo, sr. Cobra, sra. Tarântula, sr. Tubarão e sr. Piranha. Taí, esse filme heu queria ver. Os Caras Malvados estava até na minha lista pessoal de expectativas pra 2022 no heuvi.

Passou um tempo descobri que era Dreamworks, o que, neste caso, era uma má notícia. Um estúdio como a Dreamworks provavelmente faria um filme infantil, e a ideia na minha cabeça funcionaria melhor em uma animação adulta.

Mas, é ainda pior que o meu head canon. Os Caras Malvados é um filme bem infantil. Ingênuo acho que é uma boa palavra para descrevê-lo.

Tudo é muito clichê, tudo é muito previsível neste longa de estreia de Pierre Perifel (que já tinha trabalhado no departamento de animação de vários outros desenhos). Pra começar, nenhum dos personagens é cativante, nenhum dá vontade de rever em outro filme, seja continuação ou spin off (como o Gato de Botas ou os Pinguins de Madagascar, pra citar exemplos dentro da Dreamworks). E assim que começa o filme a gente já adivinha os plot twists. E essa história de colocar os bichos “malvados” é um maniqueísmo poucas vezes visto no cinema recente. Por fim, a mensagem do filme é o cúmulo do tatibitati: “seja bom, é melhor que ser ruim”. Esse roteiro foi escrito por alguém que veio do Backyardigans?

Ok, reconheço que não sou o público alvo. Estamos falando de um filme para crianças. Mas, caramba, o cinema de animação evoluiu, temos tido vários exemplos de filmes que agradam as crianças e também os adultos – inclusive filmes da Dreamworks…

Bem, pelo menos quem se desligar desse “detalhe” vai curtir. A parte técnica da animação é perfeita, e rolam algumas piadas muito boas. O ritmo do filme é bom, as cenas de ação são bem executadas, e a trilha sonora funciona muito bem.

Tem uma coisa que achei curiosa. Tirando os sete personagens principais (os 5 do título, mais a governadora (raposa) e o professor Marmelada (porquinho da Índia)), que são antropomorfos, todos os outros são humanos. Estamos em um mundo onde humanos convivem com animais antropomorfos, isso não é muito comum.

Enfim, quem não se importar feito com roteiro pode curtir. Heu prefiro animações mais bem escritas.

Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente

Crítica – Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente

Sinopse (filmeB): Bob Cuspe é um velho punk tentando escapar de um deserto apocalíptico que é na verdade um purgatório dentro da mente do seu criador, Angeli, um cartunista passando por uma crise criativa.

Não lembro exatamente em que ano, mas, na minha adolescência, segunda metade dos anos 80, lia várias HQs nacionais de humor adulto: Circo, Chiclete com Banana, Piratas do Tietê, Striptiras, Níquel Náusea, Geraldão, etc. Conheci o trabalho de vários quadrinistas, como Glauco, Luiz Gê, Fernando Gonzalez, Laerte e Angeli. Na minha humilde opinião, estes dois últimos eram os que tinham a obra mais rica. Heu sempre preferi mais o Laerte (tenho várias revistas e livros, incluindo aí todas as 14 revistas dos Piratas do Tietê, compradas nas bancas na época que foram lançadas; e uma coletânea de três volumes em capa dura lançada nos anos 2000), mas é inegável que o Angeli tinha uma riquíssima galeria de personagens icônicos, como a Rê Bordosa, a Mara Tara, os Skrotinhos, Wood & Stock, Osgarmo, Walter Ego… e o Bob Cuspe.

(Ainda preciso citar a genial revista Los Três Amigos, inspirada no filme com Steve Martin, Chevy Chase e Martin Short. A revista trazia três personagens, desenhados por Angeli, Laerte e Glauco, cada um usando o seu estilo próprio.)

Não sei se foi coincidência ou se planejaram, mas há pouco tivemos Cidade dos Piratas, mistura de documentário e ficção mostrando como o Laerte de hoje em dia lida com sua obra. E agora a gente tem Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente, que tem um formato bem parecido, é uma mistura de documentário com ficção mostrando como o Angeli de hoje em dia lida com sua obra. E, apesar de gostar mais de Laerte e Piratas do Tietê, reconheço que o resultado aqui ficou melhor.

Dirigido por Cesar Cabral, Bob Cuspe é um longa de animação em stop motion, o que por si só já é uma coisa muito legal (outras animações por computador são mais fáceis de fazer, são poucos os que ainda insistem no stop motion) – só pra dar um exemplo, a equipe deste longa gastava um mês pra fazer 5 minutos de filme. Bob Cuspe alterna entre a parte documentário, onde o próprio Angeli (como bonequinho) é entrevistado; e um mundo pós apocalíptico, que seria a mente do desenhista em crise criativa.

A qualidade da animação é excelente. O visual dos bonequinhos me lembrou Anomalisa, mas só o visual, o filme não tem nada a ver. Os bonequinhos são muito bem articulados, e o visual pós apocalíptico é bem legal. E, na parte onde mostra o Angeli, aparentemente filmaram e animaram em cima dos movimentos reais, realmente parecem movimentos humanos. E, pra aumentar a sensação de realidade, o “documentário” tem até ajustes de enquadramento e foco.

Rolam participações especiais de alguns outros personagens do Angeli, como Rê Bordosa, Ralah Rikota e os Skrotinhos – a cena com os Skrotinhos é de rolar de rir. Os inimigos do mundo do Bob Cuspe são pequenas versões do Elton John – não me lembro de ter lido isso nas HQs…

No elenco, Milhem Cortaz faz a voz do Bob Cuspe, enquanto Paulo Miklos faz a voz dos dois personagens que interagem com ele – acho que ambos se chamam Kowalski – boas escolhas. Angeli interpreta ele mesmo, assim como Laerte, que tem uma participação pequena. Também no elenco, Grace Gianoukas, André Abujamra, Beto Hora e Hugo Possolo.

Gostei da trilha sonora, tanto a trilha composta por André Abujamra e Márcio Nigro quanto as músicas inseridas, dos Titãs, Inocentes e Mercenárias.

Por fim, preciso dizer que não gostei do fim. Parece que não tinham um bom fim, e alguém deve ter lembrado “galera, um mês pra fazer 5 minutos, bora fechar de qualquer maneira pra lançar logo!”. Não estragou a experiência, mas foi um final bem fuén.

Star Wars Visions

Crítica – Star Wars Visions

Sinopse (imdb): Uma série de curtas animados dentro do universo Star Wars que verá os melhores animadores de anime do mundo darem vida a esta amada franquia.

Star Wars Visions são animes de Star Wars. 9 historinhas, entre 14 e 21 minutos, feitas por estúdios diferentes, independentes entre si, todas dentro do universo de Guerra nas Estrelas.

Admito que não sou fã de animes. Nada contra, mas o formato nunca me seduziu, vi muitos poucos animes na minha vida. Lembro de ter visto A Viagem de Chihiro no cinema, gostei, e pensei “vou catar mais filmes do studio Ghibli”, mas até hoje ainda não vi nenhum outro.

E por que curti a ideia deste Visions? É porque me lembrou do universo expandido, que existia antes da Disney comprar a Lucasfilm.

Nos anos 90 existia muito pouco material de Guerra nas Estrelas. Mas, quem era fã, procurava o universo expandido, que tinham livros, HQs e videogames contando histórias dentro do mesmo universo. Às vezes usando os mesmos personagens, outras vezes não. Acho que o exemplo mais famoso desse universo são os livros Herdeiros do Império, que contam o que teria acontecido depois de O Retorno de Jedi – livros excelentes, são tão marcantes que alguns elementos criados no livro entraram na saga oficial, como o planeta Coruscant.

Mas quando a Disney chegou, disse “não existe mais Universo Expandido, pode jogar tudo fora”. Até entendo o ponto de vista comercial disso, mas é uma pena porque muita coisa bacana foi deixada de lado.

Enfim, uma coisa legal que tinha no Universo Expandido era trazer novas histórias e novos personagens dentro do universo de Guerra nas Estrelas. Mais ou menos que nem Mandalorian e Rogue One, que são histórias que não são focadas na família Skywalker. Isso acontece aqui em Visions – acho que o único personagem dos filmes é o Jabba, que aparece no episódio Balada de Tatooine. O resto é tudo novidade.

Mas, novidades dentro do universo que a gente conhece e gosta tanto. Tipo,o já citado Balada de Tatooine, que traz uma banda que se apresenta antes de uma corrida de pod racers, aquela que o Anakin correu no Ep 1. Ou o A Noiva Aldeã, onde alguns personagens se conectam com a natureza de uma maneira que me lembrou o Chirrut, de Rogue One, que ficava falando “I’m one with the Force and the Force is with me”.

Alguns episódios trazem algumas ideias realmente novas, como TO-B1, que traz um robô jedi; ou O Nono Jedi, que tem sabres de luz que mudam suas características de acordo com quem os empunha. Talvez algum fã chato se incomode com essas inovações, mas heu achei muito legais – e de quebra esses dois episódios estão entre os meus favoritos.

(Os meus favoritos são TO-B1, O Nono Jedi e O Duelo, que quebra o clássico maniqueísmo entre o bem e o mal que permeia toda a saga Guerra nas Estrelas, quando traz um cara que não é nem Jedi nem Sith.)

Tenho minhas dúvidas se Visions pode ser visto por um “leigo”. Um exemplo simples: alguns episódios citam cristais kyber, que são usados para construir sabres de luz (não me lembro se algum filme chegou a falar desses cristais). Agora, quem é fã provavelmente vai curtir e muito.