Crítica – Avatar: Fogo e Cinzas
Sinopse (imdb): Depois de uma perda devastadora, a família de Jake e Neytiri enfrenta uma tribo Na’vi hostil, os Ash, liderada pela implacável Varang, à medida que os conflitos em Pandora se intensificam e surgem novos dilemas morais.
Antes de tudo, preciso avisar que nunca fui fã de Avatar. Vou além: acho uma série de filmes bem bestas. Vi o primeiro na época que saiu, 2009, não me lembro se cheguei a rever. Vi o segundo no lançamento, três anos atrás, me lembro de quase nada. Precisava de mais um? Não. Mas, já que fizeram, vamulá.
Depois da sessão de imprensa os comentários eram mais ou menos um consenso: o filme é longo demais e com roteiro fraco demais. O diretor James Cameron quis apresentar um belo espetáculo, e conseguiu – o filme é belíssimo. Mas parece que focou todos os esforços e energia na parte técnica, enquanto deveria pensar um pouco mais no roteiro. Deu a impressão de que Cameron está querendo fazer o seu próprio parque temático nas salas de cinema. E, desculpa, mas três horas e quinze de imagens bonitas é muita coisa. Na primeira meia hora, aquilo tudo é lindo. Mas acho difícil algum espectador chegar ao fim sem se cansar.
O roteiro tem várias facilitações muito forçadas. Determinado momento, um personagem está preso e tentando fugir, e ele só consegue porque três ações diferentes, de três personagens diferentes, que não estão em contato, acontecem ao mesmo tempo. Ok, já vimos isso em outros filmes, mas Avatar 3 é uma mega produção, não devemos aceitar erros comuns de filmes de baixo orçamento. Além disso, a contagem de tempo é meio estranha, o cabelo do Spider cresce vários centímetros, o que deveria ser um sinal de passagem de tempo – mas Ronal passa o filme inteiro grávida, com barrigão. Se passou tempo pro cabelo, não passou tempo pra gravidez?
(Se bem que estou entrando na ciência de Pandora, que não necessariamente segue as mesmas regras que no nosso planeta. Isso também explicaria a “gravidade seletiva” – tem uma cena onde personagens caem, mas em pedras que flutuam no ar – por que a gravidade só funciona pra uns?)
O roteiro ainda tem um artifício usado de vez em quando, mas que heu particularmente acho péssimo: uma solução “deus ex machina”, que é é um recurso narrativo onde um problema aparentemente insolúvel é resolvido de forma súbita e inesperada por uma força externa. Sem spoilers, mas os “mocinhos” estão perdendo, sem saída, aí do nada aparece um novo elemento para derrotar os “vilões”. Ok, isso não é um problema inventado em Avatar, isso existe desde o teatro grego. Mas, caramba, uma produção do porte de Avatar, e com uma duração tão longa, precisava de uma solução de roteiro tão preguiçosa?
O visual realmente é muito bom. Nisso, precisamos tirar o chapéu para James Cameron, que conseguiu criar o seu mundo com detalhes impressionantes. Sim, o filme é longo e cansativo. Mas quem estiver apenas atrás de belas imagens vai se esbaldar.
Comentários sobre o 3D. Não sou fã de 3D pra dar profundidade. Na verdade, gosto mais quando é “efeito de parque de diversões vagabundo”, que é quando o personagem atira algo na direção da tela e o espectador se abaixa pra não ser atingido. Vou ser franco: só me lembro de duas vezes onde o 3D me proporcionou sensações diferentes, em A Invenção de Hugo Cabret, quando o George Méliès está construindo seus efeitos especiais; e A Travessia, nas cenas onde o equilibrista explica seu plano de como vai colocar o cabo de aço entre as torres do World Trade Center. Fora esses raros casos, sempre que posso, dispenso o 3D, efeito que encarece o ingresso, e traz um resultado que não vale a pena. Dito isso, reconheço que o 3D aqui não é ruim. Acho desnecessário, mas quem curte o efeito vai gostar.
Teve uma coisa na imagem que me incomodou. Não chega a ser exatamente um defeito do filme, acredito que seja mais uma opção estética. Me pareceu que foi filmado em 48 fps ou 60 fps. Explico. O cinema tradicionalmente usa 24 quadros por segundo, ou “frames per second” (fps). Alguns poucos filmes usam mais quadros por segundo, o que causa uma certa estranheza ao olhar. Em algumas cenas, parecia que heu estava vendo um filme para tv, e não para o cinema. Acho estranho um produto tão caro, com visual tão esmerado, ficar com “cara de novela”.
No elenco, os principais voltam aos seus papeis, Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Kate Winslet, etc. A novidade é Oona Chaplin, que faz uma boa nova vilã, é um daqueles vilões que são malvados e curtem essa malvadeza. Gostei da personagem!
No fim, a conclusão é que James Cameron se preocupou mais com a lado “parque temático” e se esqueceu do lado “cinema”. A única boa notícia é que parece que ele desistiu de fazer Avatar 4 e Avatar 5. Sr. Cameron, que tal pensar em novos filmes, longe de Pandora?
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