Lucy

0-lucy-Poster com informação errada, Besson não dirigiu Busca ImplacávelCrítica – Lucy

Opa! Filme novo do Luc Besson, voltando à ação / ficção científica!

Uma mulher acidentalmente ingere grande quantidade de uma droga experimental que a faz expandir sua capacidade cerebral e praticamente lhe dá super-poderes.

Antes de tudo, preciso avisar: cuidado com o trailer de Lucy. Pelo trailer, o filme parece um novo Nikita – uma mulher aparentemente frágil kicking ass. Mas não é bem assim, o foco é mais para a ficção científica cabeça e menos para a ação.

Dito isso, vamos ao filme. É preciso muita suspensão de descrença pra curtir Lucy. Primeiro para acreditar que uma droga experimental no seu organismo elevaria a capacidade cerebral em vez de causar uma overdose. Segundo, para acreditar que uma pessoa com 100% da capacidade do cérebro crie super-poderes mágicos, tipo mudar a cor do cabelo instantaneamente ou fazer pessoas e objetos flutuarem. Sério mesmo que uma pessoa com 100% do cérebro seria capaz de ignorar as leis da física?

(Sem Limites, filme de 2011 estrelado pelo Bradley Cooper, que também traz um personagem que atinge 100% da capacidade cerebral com o uso de uma droga, não desrespeita as leis da física…)

O roteiro, também escrito por Besson, além de ser um grande “papo cabeça pseudo”, tem suas falhas. Tudo é didático demais! Não apenas temos o personagem do Morgan Freeman cujo único objetivo no filme parece ser explicar o que acontece em cada etapa do desenvolvimento do potencial do cérebro, como o filme é repleto de enxertos de metáforas com animais. Precisava disso tudo, sr. Besson?

(O curioso é que Besson já escreveu dezenas de roteiros para outros diretores, ele não é um roteirista “calouro”.)

Se o espectador “comprar” tudo isso, o filme pode funcionar. Besson é um dos melhores diretores contemporâneos de ação, e consegue criar algumas sequências eletrizantes.

Sobre o diretor e roteirista Besson: confesso que me decepcionei. Sou fã do cara desde os anos 80, época de Subway Imensidão Azul, lembro quando vi Nikita nos cinemas – foi a primeira vez que vi um bom filme de ação que não era falado em inglês. Segui acompanhando sua carreira, O Profissional, O Quinto Elemento, até seu tropeço com Joana D’Arc. Depois disso ele passou a dirigir menos, mas escreveu vários roteiros e produziu um monte de filmes (quase todos de ação). Voltou à direção com projetos de outros estilos, a trilogia infantil Arthur e os Minimoys, os dramas Angel-A e Além da Liberdade, a aventura As Múmias do Faraó e a comédia A Família. Pelo trailer, parecia que Lucy seria a sua volta aos filmes de ação. Nada disso, o filme está mais perto do recente papo cabeça de Transcendence do que da porradaria de Nikita

No elenco, o nome é Scarlett Johansson, em excelente fase, ela carrega o filme nas costas tranquilamente. Morgan Freeman é um coadjuvate de luxo, como disse antes, parece que ele só está ali para explicar o filme, seu papel não é muito necessário. O mesmo podemos dizer de Amr Waked, o policial francês, se tirar o personagem do filme nada muda. Por fim, tem Min-sik Choi, aquele mesmo de Oldboy, aqui fazendo um bom vilão.

Enfim, bom saber que Besson fez algo melhor do que A Família. Mas ainda espero que ele volte à sua forma dos anos 80 e 90…

p.s.: O poster nacional está errado. Luc Besson não dirigiu Busca Implacável

Guardiões da Galáxia

Guardioes-da-GalaxiaCrítica – Guardiões da Galáxia

Filme novo da Marvel, mas falando de personagens pouco conhecidos, e com gente estranha na direção. Será que presta?

Depois de roubar um artefato misterioso em um planeta hostil, o mercenário Peter Quill vira o alvo de uma caçada liderada pelo cruel Ronan. Agora Quill precisa se juntar a um improvável e heterogêneo grupo para derrotar Ronan e salvar a galáxia.

Heu estava muito curioso com o conceito de um grupo de super heróis que tinha um guaxinim e uma árvore, feito por um diretor que começou na Troma. Mas depois de vários bons filmes, descobri que a gente pode confiar na Marvel. E não me arrependi: Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, no original) é talvez o melhor filme de super heróis que heu já vi.

Em primeiro lugar, não é um “filme de super heróis”. Quase todos os personagens são alienígenas, quase todo o filme se passa fora da Terra, ou seja, não se trata de super poderes – seria a mesma coisa que chamar o Yoda de super quando ele usa a Força pra tirar a X-Wing do pântano de Dabogah.

Esqueça esse papo de “filme de super heróis”. Guardiões da Galáxia é uma ficção científica com um pé na ação e outro pé na comédia. Adicione personagens bem construídos, diálogos inteligentes, efeitos especiais excelentes e uma trilha sonora inspiradíssima e temos um filme à beira da perfeição.

Um dos meus pés atrás com o filme era o currículo do diretor James Gunn. Não tenho absolutamente nada contra filmes trash, sou fã da Troma, ainda tenho na minha velha coleção de vhs a fita original de Tromeu e Julieta. Mas, na boa, ao saber que o roteirista deste mesmo Tromeu e Julieta estaria na direção do novo projeto da Marvel, rolou um certo receio. Felizmente, infundado.

O outro pé atrás era com os personagens. Um guaxinim e uma árvore? WTF??? Mas, olha, esse medo era ainda mais infundado. Rocket, o guaxinim, é um personagem fantástico; e virei fã do Groot, a árvore que só fala 3 palavras – e, acredite, a cada vez que ele repete as mesmas palavras, temos um novo significado. Genial, genial…

Aliás, é bom falar: a dinâmica entre os personagens é muito bem construída. Claro que o principal é Peter Quill, mas todos os outros quatro têm importância, todos eles têm suas personalidades e motivações, mesmo tendo que dividir o tempo de tela (e, diferente d’Os Vingadores, não tivemos filmes anteriores com cada um pra contar as suas histórias individuais). E outra coisa que funciona bem é como o time é formado, porque eles a princípio são inimigos.

Ah, e tem o humor… Não me lembro a última vez que ri tanto dentro de uma sala de cinema! O humor do filme é genial. Muitas vezes os diálogos do roteiro escrito por Gunn e Nicole Perlman direcionam as cenas para caminhos inesperados, algo meio nonsense – tipo quando Drax quer matar Gamora, mas fica discutindo sobre metáforas. E isso porque não estou falando da quantidade de referências pop – até Footloose é citado no filme!

Completando isso tudo, ao lado de uma boa trilha original orquestrada (composta por Tyler Bates), temos uma excelente seleção musical de hits setentistas (talvez tenha algo de anos 80, não sei ao certo). Detalhe 1: todas as músicas se encaixam perfeitamente no desenrolar do filme. Detalhe 2: todas as letras das músicas se encaixam perfeitamente no desenrolar da trama.

Também precisamos falar do elenco. O protagonista Chris Pratt não é um rosto muito conhecido (chequei no imdb, já vi alguns filmes com ele, mas nunca tinha reparado no cara). Agora, no resto do elenco tem muita gente legal: Zoe Saldana, Dave Bautista, Michael Rooker, Lee Pace, Karen Gillan, Djimon Hounsou e John C. Reilly, além de pontas de Benicio Del Toro, Glenn Close e Josh Brolin (como Thanos). Vi no imdb que tem cameo do Nathan Fillion e a voz do Rob Zombie, mas terei que rever pra procurar. Claro, também tem o Stan Lee fazendo uma ponta. E, para os fãs da Troma, procurem o Lloyd Kauffman entre os presidiários!

A sessão pra imprensa não teve cena depois dos créditos, sei lá por que. Rola uma curta cena no início dos créditos, mas não tem nenhum gancho, é uma piada extra. E uma piada engraçadíssima!

Enfim, se você é fã da sobriedade do Batman do Christopher Nolan, e de filmes sérios e densos, talvez Guardiões da Galáxia não seja para você. Mas se você concorda com aquele velho lema de um exibidor que dizia “Cinema é a maior diversão”, este é “o filme”!

No Limite do Amanhã

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Crítica – No Limite do Amanhã

Você consegue imaginar uma mistura de O Feitiço do Tempo com Tropas Estrelares?

Depois de uma invasão de monstros alienígenas, um soldado que não deveria estar na frente de batalha se encontra em um loop temporal de seu último dia na guerra – sempre que morre, volta ao mesmo ponto.

Baseado no mangá All You Need Is Kill, o novo filme do Tom Cruise, No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow, no original), tem umas boas sacadas no roteiro com a brincadeira do mesmo dia recomeçando diversas vezes. O problema é que isso não é novidade, todo mundo conhece o formato, famoso pela ótima comédia O Feitiço do Tempo.

Mas, se a gente não se incomodar com a ideia repetida, o filme funciona. Dirigido por Doug Liman (A Identidade Bourne, Jumper) e roteirizado por Christopher McQuarrie (ganhador do Oscar por Os Suspeitos, aqui em seu terceiro roteiro para o Tom Cruise), No Limite do Amanhã tem bom ritmo, boas cenas de ação e efeitos especiais de primeira – o cgi é impressionante. O uso de exoesqueletos foi uma boa sacada, e os vilões são assustadores, apesar de parecerem uma versão orgânica dos Sentinelas de Matrix.

Sobre as cenas de ação, uma crítica: rola uma câmera tremida que lembra os maus momentos do Michael Bay. Parece que alguns diretores acham que a câmera tremida é boa para “colocar o espectador dentro da ação”. Discordo desse estilo. Prefiro ver imagens nítidas e bem filmadas, mas é a minha opinião.

No elenco, além do cinquentão Tom Cruise, eficiente como (quase) sempre, o destaque vai para Emily Blunt (21 anos mais nova que seu colega!), de Looper e Os Agentes do Destino. Ainda no elenco, Brendan Gleeson e um Bill Paxton exagerado, mas servindo como um bom alívio cômico.

Ah, o 3D. Mais uma vez, escuro. Mais uma vez, desnecessário. Evitem!

Por fim, preciso falar que não gostei do fim hollywoodiano. É, infelizmente temos que conviver com esses finais – Oblivion, o último Tom Cruise a chegar aqui, também teve um fim decepcionante. Mas entendo por que os realizadores procuraram este caminho, e pelo menos podemos dizer que não atrapalha o resultado final.

Sob a Pele

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Crítica – Sob a Pele

Scarlett Johansson em cenas de nu frontal! Nuff said!

A sinopse: uma alienígena seduz e captura homens pelas ruas da Escócia. Aos poucos, ela começa a ter questionamentos sobre isso.

Mais ou menos um mês atrás, vazaram na internet umas imagens da Scarlett Johansson nua, tiradas de seu novo filme. Um amigo meu comentou: “tiro no pé, muita gente vai deixar de ver o filme porque já viu as imagens”. Nada disso, foi um ótimo marketing. Porque muita gente vai querer ver o filme só pela nudez. Que, na verdade, é uma das poucas coisas boas de Sob a Pele.

O filme é lento e pretensioso. Parece que o diretor Jonathan Glazer quis imitar o Kubrick, mas errou longe. Caro sr. Glazer, não basta fazer uma ficção científica cabeça contemplativa. Precisa ter talento.

O filme é tão lento que quase procurei nos créditos se o editor tinha o sobrenome Caymmi. O filme é tão lento que, em uma cena, quando a protagonista pega uma garfo para comer bolo, cochilei quando ela estava cortando o bolo com o garfo, e acordei antes do garfo chegar à boca!

Mas o filme não é ruim só porque é lento, filmes lentos podem ser bons. Sob a Pele é ruim porque não tem ritmo, porque a história é rasa, porque as atuações são ruins, porque a trilha sonora é irritante…

O diretor teve uma ideia que podia ter um resultado interessante. Tinha uma câmera escondida no carro que Scarlett dirigia pelas ruas de Glasgow – as pessoas que ela encontra não são atores, são pessoas “normais” que estavam passando na hora. Por um lado, foi interessante ver a reação espontânea dos homens ao serem abordadas por uma mulher bonita aparentando segundas intenções. Por outro lado, o resultado parece um documentário, e só serviu para deixar o filme ainda mais chato. E o sotaque escocês fortíssimo só atrapalhou.

Tem outra coisa: o roteiro não explica quase nada. Só fui entender alguns detalhes da história quando li o fórum do imdb. Um filme que necessita de “manual de instruções” é um filme que falhou, na minha humilde opinião.

Pra não dizer que nada se salva, gostei do efeito usado para a captura das vítimas, num ambiente escuro com o chão espelhado. Apesar da trilha irritante, as cenas ficaram bem legais.

E a “Scarlett Johansson pelada”? Bem, nisso o filme não decepciona. Ela aparece sem roupa algumas vezes. Por outro lado, sua atuação está apática, ela faz olhar de peixe morto por todo o filme. Os fãs dos atributos físicos da atriz vão gostar, mas quem for esperando uma grande atuação vai quebrar a cara.

Enfim, desnecessário. A não ser para aqueles que têm insônia.

A Coisa

0-A CoisaCrítica – A Coisa

Para o podcast sobre monstros, alguém sugeriu A Coisa. Não via este filme desde os anos 80. Ok, bora rever.

Uma substância misteriosa, que parece marshmallow, mas brota da terra, é comercializada como uma deliciosa sobremesa. Mas o novo doce vicia e transforma os seus consumidores em zumbis.

Lançado em 1985, A Coisa (The Stuff, no original) foi dirigido por Larry Cohen, que 11 anos antes fez o cult clássico Nasce um Monstro, sobre um bebê assassino. Cohen não fez grandes filmes, mas sabia como fazer um divertido filme B.

Uma coisa legal é que o filme não se aprofunda sobre as origens da Coisa. Não sabemos se é um alienígena, uma criação de laboratório ou apenas uma nova espécie animal. O foco do do roteiro escrito pelo próprio Cohen é a paranoia típica da ficção científica B dos anos 50, época de várias metáforas sobre o medo de uma possível invasão comunista.

Os efeitos especiais pré cgi que mostram a Coisa são bem interessantes, eles devem ter usado muito marshmallow, sorvete e creme de barbear. Já os efeitos que mostram as pessoas afetadas, bem, esses perderam a validade…

No elenco, claro, ninguém muito famoso. O pouco conhecido Michael Moriarty protagoniza; Paul Sorvino faz o militar – acho que hoje ele é mais conhecido como o pai da Mira Sorvino (que por sua vez, também sumiu). Ainda no elenco, Andrea Marcovicci, Scott Bloom, Garrett Morris e Danny Aiello num papel pequeno.

Quem curtir terror / sci fi B vai gostar.

p.s.: Não confundam “A Coisa” com “The Thing”, que aqui ganhou o título O Enigma do Outro Mundo, filme da mesma época (1982), mas beeem melhor.

Star Wars Holiday Special

0-Star-Wars-Holiday-SpecialCrítica – Star Wars Holiday Special

Em comemoração ao “Star Wars Day” (por causa do trocadilho “may the four” be with you), tomei coragem e revi o famoso Star Wars Holiday Special. Pena que é famoso pelo motivo errado.

A trama: depois dos acontecimentos de Guerra nas Estrelas (na época não tinha esse papo de “episódio”), Chewbacca está voltando para casa em Kashyyyk, onde vai encontrar sua família para celebrar o “dia da vida”, uma espécie de dia de ação de graças wookie.

Mas, antes de falar do filme, vou contar um causo da minha infância. Quando Guerra nas Estrelas passou nos cinemas brasileiros, em 1978, heu tinha 7 anos, e meu pai disse que heu não tinha idade para ver o filme. Não existia video cassete, muito menos internet. Então, colecionei o álbum, mas não vi o filme (só consegui ver quando teve uma reprise depois do lançamento de O Império Contra Ataca).

Mas, eis que surge uma propaganda: ia passar Guerra nas Estrelas na tv! Acho que era na TVS, mas não tenho certeza. Minha família ia viajar, consegui convencê-los a adiar a viagem pra poder ver – não tinha como gravar pra ver depois!

Lembro da decepção na hora, porque não era o filme que heu achava que seria. Mas não me lembrava se era ruim ou não.

Anos se passaram, e, em uma convenção, encontrei um dvd pirata em uma banquinha com o tal Star Wars Holiday Special. Comprei, junto com outros dvds com vários extras. Naquela época, já sabia que era ruim. Um dia, resolvi ver. Mas, olha a ironia – me venderam o disco errado dentro da caixinha do dvd!

Mais alguns anos se passaram, e hoje o Star Wars Holiday Special é facilmente encontrável pela internet. Finalmente, encarei as quase duas horas de um dos filmes mais trash da minha vida!

Pra quem não sabe do que se trata: é um especial de tv do canal CBS, que foi ao ar em 17 de novembro de 1978 (não tenho ideia de quando passou aqui). Parece que George Lucas queria manter a franquia na cabeça das pessoas antes do lançamento de O Império Contra Ataca, então aprovou um roteiro e delegou pessoas para desenvolverem o projeto. Mas parece que foram as pessoas erradas…

A ideia podia funcionar. Afinal, tá todo mundo lá – o elenco conta com Mark Hammill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Anthony Daniels, Peter Mayhew e até a voz de James Earl Jones como Darth Vader. Era só não esticar demais. Tem MUITA encheção de linguiça!

Provavelmente por razões mercadológicas, fizeram um programa de duas horas (são 97 minutos mais os intervalos). Então o filme mostra o tédio da família wookie enquanto espera pelo Chewbacca. A história é interrompida o tempo todo por números musicais nada a ver com a trama, além de um número de circo (!). E isso porque não estou falando de outras coisas inúteis, como um programa culinário apresentado por um homem vestido de mulher com quatro braços…

Não falei, mas as atuações do elenco são todas péssimas – tanto o elenco principal de atores pouco conhecidos hoje em dia (Art Carney, Bea Arthur, Harvey Korman) quanto as participações especiais dos atores do filme. Os cenários e efeitos especiais têm a qualidade (ou falta de qualidade) coerente com uma produção vagabunda de tv dos anos 70. Mas o pior de tudo, sem dúvida, é a falta de ritmo. As duas horas parecem durar muito mais, o especial é interminável!

Ah, tem o desenho, a única coisa “boa” que veio deste especial desastroso. Determinado momento, o filho do Chewbacca, preocupado com o pai, liga a tv pra ver um desenho animado – que tem o pai como um dos protagonistas. Sim, também não vi a lógica de colocar o filho vendo o pai através de um desenho animado, mas, no meio do caos que é o Star Wars Holiday Special, nem vou questionar isso. A importância deste desenho é que foi a primeira aparição do Bobba Fett, um dos personagens secundários mais cultuados da história.

Ah, o desenho é apenas médio. Ou seja, muito melhor que todo o resto do especial. 😉

Resumindo: se fosse um especial de meia hora, sem as participações off-Star Wars, talvez fosse algo relevante no cânon da franquia. Do jeito que ficou, todos os envolvidos querem esquecer este desastre.

A versão que vi é a “rifftrax”. São três pessoas fazendo comentários engraçadinhos em áudio ao longo de todas as quase duas horas – fazem piadas até em cima dos intervalos comerciais (algumas propagandas são tão ruins quanto o especial em si). Às vezes eles falam demais, heu gostaria de ter ouvido a Carrie Fisher cantando. Mas admito que alguns momentos ficaram hilários, ri alto no momento “I see a little sillouetto of a man”….

Star Wars Holiday Special nunca foi reprisado. Também não foi lançado em vhs, dvd ou blu-ray. Diz a lenda que o George Lucas, num “momento Xuxa”, tentou comprar e destruir todas as cópias. Hoje está no youtube e em outros sites de download, qualquer um pode ver.

Só precisa ter coragem. Não é para os fracos!

Divergente

0-DivergenteCrítica – Divergente

Ué? Já tá na época de um novo Jogos Vorazes? Ah, é outro filme…

Em um futuro distópico dividido em facções baseadas em virtudes, uma menina descobre que é uma Divergente e por isso não se encaixa em uma única facção. Quando ela descobre um plano para matar todos os Divergentes, ela precisa descobrir por que estes são perigosos – antes que seja tarde demais.

Rótulos, rótulos. A mídia precisa de rótulos, fica mais fácil de vender. Com o sucesso da franquia Jogos Vorazes, apareceu o rótulo “jovens adultos” pra classificar aquela garotada que cresceu com o Harry Potter e, mesmo sem admitr, acompanhou a saga Crepúsculo.

Claro que fariam mais filmes na mesma onda, né? Assim como as três franquias citadas no parágrafo acima, Divergente também é baseado em uma série de livros, escritos por Veronica Roth.

Tudo aqui lembra Jogos Vorazes, até o cartaz. Mas a história do filme dirigido por Neil Burger (Sem Limites) está mais próxima de Matrix – o escolhido que pode destruir o sistema. Tudo isso, claro, numa trama cheia de clichês. Todos os eventos esperados estão lá, tudo no seu lugar, tudo bem previsível.

Não achei muita lógica nesta sociedade distópica – por exemplo, não tem nenhum velho na Audácia? Mas, para mim, o pior de Divergente foi a temática adolescente. Tanto que a revista Capricho oferece um teste para você saber qual facção pertenceria…

O elenco não está mal. Shailene Woodley e Theo James fazem o par principal, e têm tudo para virarem nomes mais conhecidos. Ashley Judd está bem, apesar de parecer mais velha do que é (ela faz 46 anos esta semana, mas aqui parece ter mais de 50). Kate Winslet tenta fazer uma vilã mas não consegue acertar o tom. Ainda no elenco, Ray Stevenson, Zoë Kravitz e Maggie Q.

Divergente não tem fim, claro, é uma série de três livros. Mas o pior não é ter um fim aberto, o pior é que a gente já consegue adivinhar o que vai acontecer no próximo filme. Tomara que façam que nem na franquia “prima” Jogos Vorazes e a trama se desenvolva por um caminho menos óbvio.

Europa Report / Viagem À Lua de Júpiter

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Crítica – Europa Report / Viagem À Lua de Júpiter

Documentário fake mostrando uma suposta missão tripulada até Europa, uma das luas de Júpiter.

Uma tripulação internacional de astronautas leva uma missão até Europa, a quarta maior lua de Júpiter, onde teoricamente existe gelo, para verificar a possibilidade de existir vida.

Dirigido pelo desconhecido equatoriano Sebastián Cordero, Europa Report (que parece que aqui no Brasil vai ganhar o nome Viagem À Lua de Júpiter) tenta inovar no já saturado estilo de filme de câmera encontrada. Vemos um documentário, com imagens da missão e comentaristas falando sobre os desdobramentos da viagem.

Se por um lado temos uma novidade por ser documentário, por outro isso deixa tudo lento demais – a cada acontecimento, corta para explicações. Isso sem falar do spoiler óbvio: se apenas uma tripulante aparece nas filmagens, desde o início do filme a gente sabe que ou ela sobreviveu, ou foi uma das últimas a morrer.

O elenco, que conta com gente como Sharlto Copley, Karolina Wydra, Michael Nyqvist, Embeth Davidtz e Dan Fogler, nem é ruim. Mas o fato de termos personagens sem carisma é outro fator que atrapalha.

O que Europa Report tem de bom é que é uma ficção “cientificamente correta”. É um “hard sci fi”, um filme que se preocupa com os detalhes para parecer o mais próximo possível da realidade. Este estilo de FC tem o seu público.

Enfim, só serve para os hard fãs de hard sci fi.

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Riddick 3

Riddick3Crítica – Riddick 3

Como li em algum lugar por aí: “O que faz Vin Diesel quando não está na franquia Velozes e Furiosos? Faz mais um Riddick!

Deixado para morrer em um planeta hostil, Riddick se vê tendo que sobreviver no meio de predadores alienígenas. Quando consegue pedir ajuda, duas naves aparecem: uma carregando mercenários, outra liderada por um homem ligado ao seu passado.

Apesar de não estar no título original (que é apenas “Riddick“), este é o terceiro filme da franquia, que continua a história começada em Eclipse Mortal (2000) e continuada em A Batalha de Riddick (2004). Vi ambos, nos respectivos lançamentos, mas confesso que lembro de pouca coisa do primeiro e quase nada do segundo. Só lembro que o primeiro é bom enquanto o outro é fraco.

(Teve um desenho animado em 2004, The Chronicles of Riddick: Dark Fury, mas esse heu não vi, não posso palpitar.)

Riddick 3 foi escrito e dirigido pelo mesmo David Twohy que dirigiu os outros dois, e o próprio Vin Diesel está na produção. Pelo menos o filme tem pedigree…

Depois de uma dispensável introdução (que parece que só serve pra justificar o filme ser uma continuação), Riddick 3 é dividido em duas partes distintas. Na primeira, vemos o “badass” Riddick sozinho, enfrentando a natureza hostil do planeta onde foi deixado. Depois o filme muda de cara, aparecem uns caçadores de recompensas e o Riddick mostra de novo que é o “badass” do pedaço também quando interage com humanos.

Apesar do baixo orçamento, o cgi funciona bem. As criaturas alienígenas são bem feitas, apesar de ter um “primo do xenomorfo” do Alien. A ambientação do planeta hostil também é bem feita.

O roteiro tem suas falhas. O personagem Santana é insuportável, e aquele grandalhão que vai na missão final tem escrito na testa “vou trair o grupo e sair no braço com o Vin Diesel”. E a mudança de postura de Dahl no finzinho do filme é completamente sem sentido.

Além de Vin Diesel, Riddick 3 tem um nome interessante no elenco: Katee Sackhoff, a Starbuck de BSG. E, para os fãs: sua primeira cena de nudez – uma breve cena onde mostra os seios. Ainda no elenco, Jordi Mollà, Matt Nable, Dave Bautista, além de Karl Urban numa ponta no prólogo.

O fim do filme deixa um gancho para uma possível parte 4. Agora sem Paul Walker, não sabemos o que será da franquia Velozes e Furiosos. Vin Diesel precisa de um plano B, né?

Ela

0-ela1Crítica – Ela

Spike Jonze novo na área!

Um escritor solitário desenvolve um incomum relacionamento com um recém criado programa de computador, feito para suprir todas as suas necessidades.

Um cara que tem um relacionamento com um programa de computador é uma história estranha. Mas é coerente com a carreira de Spike Jonze. A gente tem que lembrar que ele dirigiu Quero Ser John Malkovich, onde um personagem que trabalha no andar sete e meio descobre uma porta que leva direto à mente do ator John Malkovich.

Ela (Her, no original) tem uma proposta fascinante. Um programa de inteligência artificial que pode ser a companheira perfeita. É tão perfeita que tem falhas e chega a demonstrar ciúmes – chegam a rolar algumas DR no filme!

Vou além: este plot daria uma excelente história apocalíptica do mundo sendo dominado por robôs. E se, em vez de robôs exterminadores, a Skynet criasse programas de inteligência artificial que tomassem a cabeça de todos? Os robôs conquistariam o mundo sem precisar dar um tiro!

Mas voltemos a Ela. Trata-se de uma ficção científica, mas esqueça naves espaciais e robôs – o foco são os relacionamentos. E esse é o grande lance do filme escrito e dirigido por Jonze. Todo mundo já teve o coração partido por um relacionamento que deu errado. Então fica muito fácil de se identificar com Theodore Twombly, personagem muito bem interpretado por Joaquin Phoenix. A dúvida pulula na cabeça: será que daria certo um relacionamento com uma máquina?

Joaquin Phoenix tem uma tarefa árdua: passa boa parte do filme sozinho na tela. Seu Theodore não está só, mas Samantha, a personagem de Scarlett Johansson, não tem corpo, só a voz. Então só vemos Phoenix, que interpreta um cara comum – outra razão pra gente se identificar com ele.

O elenco feminino é bem interessante. Não é sempre que temos as belas Scarlett Johansson, Amy Adams, Olivia Wilde e Rooney Mara juntas, né? Tudo bem que não vemos Scarlett e Amy está maquiada para parecer feia, mas mesmo assim são Scarlett Johansson e Amy Adams! Rooney Mara, a ex-mulher, aparece pouco, e está muito bonita; Olivia Wilde só tem uma cena, e essa não consegue ficar feia nem que se esforce muito… Ainda no elenco, Chris Pratt, o Lego principal em Uma Aventura Lego, e as vozes de Brian Cox (outro programa de computador) e Kristen Wiig e Bill Hader (em chats pelo telefone). E o diretor Spike Jonze faz a voz do videogame.

A trilha sonora também é ótima. Músicas melancólicas sublinham perfeitamente as emoções dos personagens. A fotografia também é muito boa. Agora, o filme podia ser um pouco mais curto. Não precisava passar de duas horas.

Ela está concorrendo a cinco Oscars: filme, roteiro, trilha sonora, canção e design de produção. Na minha humilde opinião, não tem cara de melhor filme…

p.s.: Heu queria uma Samantha na minha vida. Não pelo lado pessoal, felizmente estou bem servido neste aspecto. Mas pela organização – logo de cara ela vê uma pasta com alguns milhares de e-mails guardados, escolhe os únicos 86 que prestam e apaga o resto. Queria um programa pra analisar minhas contas de e-mail e minhas redes sociais e filtrar o que merece ser apagado…

p.s.2: Sou o único a achar que, com esse bigode, Joaquin Phoenix está a cara do Clive Owen misturado com o Tom Selleck? 😛