Ex Machina

Ex MachinaCrítica – Ex Machina

Sem nenhum alarde, eis que surge um novo filme sobre Inteligência Artificial!

Um jovem programador, funcionário de uma empresa tipo o Google, ganha um concurso para passar uma semana na casa do seu patrão, para testar uma Inteligência Artificial que ele está desenvolvendo.

Ex Machina (ainda sem título brasileiro) traz uma interessante abordagem da Inteligência Artificial pelo lado da sexualidade. Mas, diferente dos robôs sexuais como a Pris de Blade Runner ou o Gigolo Joe de AI: Inteligência Artificial, a questão aqui está mais próxima de Ela: podemos nos apaixonar por robôs?

Trata-se da estreia na direção de Alex Garland, roteirista de Extermínio, SunshineDredd (Garland também assina o roteiro aqui). O filme se baseia em diálogos, é um filme contemplativo e filosófico, isso talvez desagrade alguns. Mesmo assim, os efeitos especiais são impressionantes, apesar de discretos – a construção visual da robô é muito bem feita! Os cenários também são ótimos, aquela casa é um absurdo.

Ex Machina se baseia em três atores principais. Os dois nomes mais conhecidos são Domhnall Gleeson e Oscar Isaac – que coincidentemente estarão no próximo Star Wars, a ser lançado no fim deste ano. Mas na minha humilde opinião, a melhor atuação é de Alicia Vikander, perfeita ao emular os traços robóticos e ao mesmo tempo femininos de sua Ava. Também no elenco, Sonoya Mizuno.

Por fim, a má notícia: Ex Machina não tem previsão de lançamento brasileiro. Pena, tem filme mais fraco entrando em cartaz…

Vanilla Sky

vanilla_skyCrítica – Vanilla Sky

Depois do original, vamos à refilmagem!

Um jovem, bonito e rico herdeiro de uma revista conhece a mulher de seus sonhos, mas pouco depois se envolve num acidente de carro, fica com o rosto desfigurado e vê sua vida entrar em parafuso.

Vanilla Sky é uma refilmagem quase quadro a quadro do original Abre los Ojos. A maior parte das cenas é exatamente igual! Acho que as duas sequências diferentes são a do bar (melhor construída no filme espanhol) e a parte final (mais explicada aqui). Aliás, essa é uma crítica que muitos fazem: nem sempre tudo precisa ser explicado…

Apesar da falta de originalidade, gosto muito deste Vanilla Sky. Se a história já não é novidade, pelo menos a forma é muito bem cuidada. A fotografia é ótima, e a trilha sonora é bem melhor. O produto final hollwoodiano ficou bem palatável – pelo menos isso, né?

A direção ficou com Cameron Crowe (logo depois do genial Quase Famosos), que cinco anos antes tinha feito Jerry Maguire com Tom Cruise. Aqui, denuncio uma injustiça: nos créditos iniciais, o roteiro aparece como se fosse escrito só por Crowe, não vemos o nome de Almenábar! Por que, se os roteiros são quase iguais?

A direção é de Crowe, mas este é um “filme do Tom Cruise”. E é legal ver como o “star power” funciona. Sabe aquela cena inicial, onde vemos Cruise correndo pela Times Square completamente vazia? Não foi cgi! Cruise FECHOU a Times Square para filmar a cena!!!

(Aliás, nada contra Eduardo Noriega, o ator do original, mas achei que o papel combinava mais com o Tom Cruise…)

Uma coisa curiosa, e até onde sei, única na história do cinema: Penelope Cruz fez o mesmo papel nas duas versões! E admito, não gostei… Ainda no elenco, Cameron Diaz, Jason Lee, Kurt Russell, Timothy Spall, Noah Taylor e Tilda Swinton. Johnny Galecki, hoje famoso por The Big Bang Theory, faz uma ponta como o assistente de Cruise.

Mesmo sendo uma refilmagem quase igual ao original, Vanilla Sky é uma boa opção. Mas recomendo ver ambos.

Chappie

chappieCrítica – Chappie

Filme novo do Neill Blomkamp!

Num futuro próximo, o crime em Johannesburg é controlado por uma força policial composta de robôs. Quando um desses robôs policiais é roubado e reprogramado, ele vira o primeiro robô com a habilidade de pensar e sentir por conta própria.

A princípio, Chappie lembra Eu, Robô. Mas, na verdade, parece mais com Robocop, apesar do personagem título não ser humano – aqui, não só o robô é policial, como ainda temos uma espécie de Ed 209.

Gosto do estilo do Neill Blomkamp, o mesmo de Distrito 9 e Elysium. Sua estética é suja, seu terceiro mundo é mais próximo da nossa realidade do que o que Hollywood costuma mostrar. Esta estética suja combina com a história do robô Chappie, um misto de tecnologia de ponta com favela.

Aliás, diga-se de passagem, a construção do personagem é excelente, tanto pela parte narrativa, quanto pela parte técnica. Chappie é um personagem complexo, tem mais humanidade do que muito personagem interpretado por humanos. Chappie é uma criança que precisa de orientação para se desenvolver!

E pela parte técnica, Chappie é impressionante. O robô está lá, consegue ser mais convincente que o Gollum de Senhor dos Aneis – será que o Sharlto Copley usou aquelas roupas de captura de movimento que nem o Andy Serkis? O fato é: Chappie nunca passa a sensação de ser digital.

Sharlto Copley não aparece, mas brilha como a voz do personagem título. E olha que o elenco conta com o Hugh Wolverine Jackman e a Sigourney Ripley Weaver! É que Jackman e Sigourney são coadjuvantes aqui. O filme é de Copley, Dev Patel (Quem Quer Ser um Milionário) e da dupla Ninja e Yo-Landi Visser (que fazem parte do Die Antwoord, uma banda de rap de Johannesburg).

Chappie tem um bom ritmo, além de uma boa trilha sonora assinada por Hans Zimmer. Não gostei muito do fim, mas nada que estrague o prazer de ter conhecido um dos melhores robôs da história do cinema!

A Experiência (1995)

a experienciaCrítica – A Experiência (1995)

Hora de rever A Experiência!

Um cientista reúne um time para caçar Sil, uma bela predadora, resultado de uma experiência com dna alienígena.

Com um elenco acima da média, uma protagonista exuberante e uma criatura com a assinatura do H.R. Giger, A Experiência (Species, no original) é um dos marcos da mistura de ficção científica com terror, como Alien, Força Sinistra e O Enigma de Outro Mundo.

Ok, revendo hoje, a gente repara um monte de inconsistências no roteiro do filme dirigido por Roger Donaldson (November Man, Efeito Dominó) – tipo, como é que a Sil sai do trem usando o uniforme da funcionária, e ninguém repara? Ou, como é que não reparam que o corpo encontrado no carro estava amarrado, e no banco do carona? E por aí vai…

Mas aí a gente vê a Natasha Henstridge e esquece de tudo isso. Em sua estreia no cinema, Natasha rivaliza com a Mathilda May de Força Sinistra como a predadora alienígena mais sexy da história do cinema. Natasha está linda e passa boa parte do filme sem roupa. Conheço gente que diz que toparia morrer que nem o personagem de Alfred Molina – if you know what I mean…

Mas A Experiência não é apenas um filme exploitation, onde tudo o que interessa é a nudez. A criatura foi desenhada por H.R. Giger, o mesmo que desenhou o Alien do Ridley Scott. E o elenco é cheio de nomes legais: Ben Kingsley , Michael Madsen, Alfred Molina , Forest Whitaker, Marg Helgenberger e Michelle Williams, ainda adolescente.

O filme teve três sequências, em 1998, 2004 e 2007. A qualidade foi caindo ao longo das sequências…

Tem gente por aí que critica A Experiência, que acha que é um grande filme B. Discordo. O filme consegue manter o clima de tensão e, com efeitos especiais coerentes com a época, oferece uma diversão honesta – apesar dos furos de roteiro.

Eles Vivem

eles vivemCrítica – Eles Vivem

Comprei uma camisa genial com uma referência sobre as mensagens subliminares deste filme. Aproveitei a oportunidade para rever.

Um trabalhador, vindo de outra cidade, descobre uma caixa de óculos escuros que lhe permite descobrir que alienígenas tomaram conta do planeta.

Lançado em 1988, Eles Vivem (They Live, no original) traz uma interessante versão pro tema “ficção científica como metáfora para o macarthismo”, mais usado nos aos 50 e 60. O clima aqui continua conspiratório, mas o alvo é o consumismo em vez do comunismo.

O roteiro é baseado no conto “Eight O’Clock in the Morning”, escrito em 1963 por Ray Nelson. Com suas mensagens subliminares e – principalmente – com o seu jeitão de filme B, John Carpenter entrega mais um bom filme – numa década onde ele fez muita coisa legal, como Fuga de Nova York, O Enigma de Outro Mundo, Christine – O Carro Assassino, Starman – O Homem das Estrelas, Os Aventureiros do Bairro Proibido e Príncipe das Sombras.

O papel principal ficou com Roddy Piper, que era um famoso lutador profissional. O fato de ter um lutador como protagonista gerou um cena famosa: a longa luta entre Piper e o coadjuvante Keith David. A luta era pra durar 20 segundos na tela, mas os dois atores resolveram lutar pra valer (os golpes eram reais, exceto quando era no rosto ou nas partes baixas) e passaram três semanas ensaiando a luta. Resultado: Carpenter ficou tão impressionado que deixou todos os 5 minutos e 20 segundos de luta no filme. Também no elenco, Meg Foster.

O roteiro (também escrito por Carpenter, sob o pseudônimo Frank Armitage) tem suas falhas – o cara entra num banco, armado, mata meia dúzia, e sai tranquilamente? – mas funciona dentro da proposta. A trilha sonora hipnótica (também composta por Carpenter) ajuda no clima de paranoia.

Por fim, a famosa frase “I have come here to chew bubble gum and kick ass, and I’m all out of bubble gum” (“Eu vim aqui mascar chicletes e chutar traseiros, e acabaram os meus chicletes”), que já esteve aqui no heuvi, no Top 10 Melhores Frases, foi improvisada por Roddy Piper, ele tinha essa frase guardada para usar em entrevistas como lutador.

Ah, aqui tem uma imagem da camisa que comprei. No claro, vemos a imagem da esquerda. Mas quando as luzes se apagam, “acendem” as mensagens subliminares!

eles vivem tee fury

Top 10 Ficção Científica Ultra-Realista

0-Hard Sci FiTop 10 Ficção Científica Ultra Realista

No episódio S02E24 do podcast Podcrastinadores falamos sobre filmes de ficção científica ultra realista. Fui pesquisar, e descobri que existe a expressão “hard sci-fi”, que se refere a esses filmes que procuram o caminho oposto à fantasia espacial.

E pensei: por que não um Top 10 de hard sci-fi?

Não fiz o Top 10 sozinho, tive a inestimável ajuda do meu amigo Regis Grundig. Cada um escreveu sobre cinco filmes.

Vamos à lista?

10-Solaris10-Solaris
O filme de 1974 de Andrei Tarkovsky seria a versão russa de 2001 – Uma Odisseia no Espaço (existe uma refilmagem hollywoodiana com George Clooney). Um psicólogo é enviado para uma estação espacial para descobrir  o que está deixando a tripulação insana.

3-20019- Moon
Solitário, astronauta em serviço de mineração na Lua, espera ansiosamente para retornar a Terra após três anos, quando sofre um acidente e descobre uma incrível verdade sobre a missão e si mesmo.

http://www.heuvi.com.br/moon/

8-Abismo Negro8- Abismo Negro
Clássico pouco conhecido da Disney, onde uma grande nave, comandada por um cientista louco com ideias revolucionárias, é encontrada à beira de um buraco negro.

http://www.heuvi.com.br/abismo-negro-o-buraco-negro/

7-Sunshine7- Sunshine – Alerta Solar
No ano 2057, o sol está morrendo. Uma missão leva uma enorme bomba nuclear para tentar “reiniciar” o sol. Filme tenso e claustrofóbico de Danny Boyle.

http://www.heuvi.com.br/sunshine-alerta-solar/

6-Gattaca6- Gattaca – A Experiência Genética
Um apartheid respaldado pela ciência: de um lado, aqueles concebidos de maneira natural, sujeitos a problemas genéticos; do outro, os que vieram de embriões manipulados em laboratório, mais fortes, mais bonitos, mais inteligentes e com menos risco de doença.

http://www.heuvi.com.br/gattaca-a-experiencia-genetica/

5-Contato5- Contato
Baseado no livro do renomado Carl Sagan da série Cosmos, o filme relata um contato via radiotelescópio com uma civilização extraterrestre e o impacto sobre a religião e ciência, e a fé que existe em cada um. Com Jodie Foster e Matthew McConaughey.

4-Interestelar4- Interestelar
Christopher Nolan se propôs a fazer um filme “cientificamente correto”, onde, num futuro próximo, um grupo de exploradores usa um recém descoberto “buraco de minhoca” para ultrapassar os limites da exploração espacial.

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3-20013- 2001 – Uma Odisséia no Espaço
Marco da ficção científica hard-scifi e um dos mais complexos filmes de Stanley Kubrick, o filme conta a trajetória da humanidade, desde quando macacos, passando pela era espacial e terminando na evolução final da humanidade.

2-Contatos Imediatos2- Contatos Imediatos do Terceiro Grau
Pessoas diferentes que tiveram um breve contato com discos voadores começam a ter alucinações com uma montanha e um tema de cinco notas musicais. Clássico de Steven Spielberg!

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1-Gravidade1- Gravidade
Planos-sequência alucinantes flutuando em órbita da Terra, numa história curta e tensa. A gravidade zero nunca foi tão bem filmada. Ganhou sete Oscars ano passado.

http://www.heuvi.com.br/gravidade/

O Destino de Júpiter

0-destino de jupiterCrítica – O Destino de Júpiter

Filme novo dos Wachowskis!

Uma jovem imigrante ilegal vira alvo de uma disputa entre herdeiros de uma poderosa família intergalática, dona de vários planetas. Acompanhada de um guerreiro geneticamente modificado, ela viaja para tentar salvar a Terra.

Os Wachowskis, Andy e Lana Wachowski (antes eram “irmãos Wachowski”, mas Larry mudou de sexo e virou Lana, então agora ele preferem ser chamados de “Wachowskis”) têm uma filmografia peculiar. Eles fizeram Matrix, um dos melhores filmes de ficção científica da história do cinema. E nunca mais conseguiram fazer algo que chegasse nem ao menos perto disso. Depois das continuações Matrix 2 (irregular) e Matrix 3 (ruim), eles fizeram Speed Racer (que desagradou a quase todos) e o confuso e mal terminado A Viagem.

Seu novo filme, O Destino de Júpiter (Jupiter Ascending, no original) tem um problema básico: talvez o maior furo de roteiro dos últimos tempos (em se tratando de grandes produções). Falo aqui, isso acontece logo no início do filme: Jupiter (Mila Kunis) estava usando um nome falso quando foi abordada e sequestrada. Como assim, uma pessoa que não era pra estar lá de repente vira “a escolhida”??? Que fim levou a loirinha?

Ao lado disso, a gente deixa pra lá outros furos menores, tipo, os alienígenas reconstroem tudo pra ninguém saber que eles estiveram lá – mas os mesmos alienígenas deixam crop circles (aquelas marcas redondas nas plantações de milho). Por que é importante apagar uma coisa e não a outra?

O roteiro não é ruim apenas por causa dos furos. Além de personagens mal construídos (os vilões parecem saídos de uma peça de teatro infantil), temos falta de ritmo (quase dormi entre o segundo e o terceiro vilões). E, na boa, até a Disney já desistiu desse papo de príncipe encantado e amor à primeira vista.

Ainda tem espaço pra falar mal do roteiro mais um pouquinho? Prometo que vai ser rapidinho! É que tem uma sequência, a da burocracia, que me pareceu completamente deslocada de toda a proposta do filme. É mais ou menos como pedir pro Terry Gilliam filmar uma sequência para o Interestelar. A sequência nem é ruim, mas não tem nada a ver – parecia que estávamos vendo Brazil – O Filme.

(Aliás, o próprio Terry Gilliam faz uma ponta, justamente nessa sequência, mas confesso que não reconheci…)

No elenco, Mila Kunis e Channing Tatum nem estão mal, mas também não conseguem fazer muito com um roteiro desses. Acho que Sean Bean é o único que tem um personagem bem construído. Já Eddie Redmayne, um dos favoritos ao Oscar de melhor ator daqui a duas semanas, está caricato demais. Ainda no elenco, Tuppence Middleton, Douglas Booth, Doona Bae, Vanessa Kirby e James D’Arcy.

Se tem algo bom aqui são os efeitos especiais. Não preciso lembrar que os Wachowski revolucionaram os efeitos especiais no cinema quando criaram o efeito bullet time no primeiro Matrix, né? Aqui não tem nada revolucionário, mas pelo menos temos efeitos extremamente bem feitos. Na primeira parte do filme, uma perseguição pelo céu de Chicago chama a atenção pela riqueza de detalhes. Quem gosta de efeitos especiais vai se deleitar.

Mas, quem gosta de cinema provavelmente vai se decepcionar. Em vez de fazer um novo Matrix, os Wachowskis parece que estão tentando fazer um novo A Reconquista

Snowpiercer – Expresso do Amanhã

SnowpiercerCrítica – Snowpiercer – Expresso do Amanhã

Filme novo do Joon-ho Bong!

No futuro, uma tentativa de se combater o aquecimento global falha e acaba criando uma nova era do gelo, matando toda a vida do planeta, exceto alguns poucos sortudos que conseguiram embarcar no Snowpiercer, um trem autossuficiente que fica rodando pelo globo, e onde uma luta de classes está prestes a acontecer.

O coreano Bong ficou famoso no ocidente com O Hospedeiro, um “filme de monstro” que era bem mais complexo do que o cinema americano costuma apresentar. Agora ele conseguiu cacife para seu primeiro filme em inglês, uma superprodução com estrelas hollywoodianas e parte técnica de primeira linha.

Baseado na graphic novel francesa “Le Transperceneige”, Expresso do Amanhã (Snowpiercer, no original) é mais uma “ficção científica usando futuro distópico”. Mas, diferente dos filmes adolescentes que querem pegar carona no sucesso de Jogos Vorazes, Expresso do Amanhã tem um tema mais adulto, é quase um estudo sobre a sociedade, baseado no microcosmo que habita o trem.

A ambientação claustrofóbica do trem é excelente. A fotografia bem cuidada consegue criar um estilo diferente para cada vagão, desde os sujos e apertados vagões do fim do trem até os agradáveis vagões da primeira classe. E a cena do “vagão escola” é sensacional!

Os efeitos também são ótimos. Além disso, o cinema oriental sabe filmar lutas como ninguém no ocidente. Expresso do Amanhã não é um “filme de luta”, mas temos uma luta sensacional, alternando momentos em câmera lenta e câmera normal, assim como momentos claros e escuros. Ah, é bom avisar: o filme é bem violento, tem muito sangue.

Liderando o elenco, temos talvez a melhor interpretação da carreira de Chris Evans, hoje um nome grande em Hollywood por causa do Capitão América. Mas quem chama mais a atenção é Tilda Swinton, num papel completamente diferente de tudo o que vemos por aí. Expresso do Amanhã também conta com duas estrelas coreanas, Kang-ho Song e Ah-sung Ko (ambos estavam em O Hospedeiro), e isso me fez pensar por que não havia nenhum brasileiro em O Jardineiro Fiel (2005) e Robocop (2014), as estreias hollywoodianas de Fernando Meirelles (Cidade de Deus) e José Padilha (Tropa de Elite)… Ainda no elenco, John Hurt (em seu terceiro filme de futuros distópicos, depois de 1984 e V de Vingança), Ed Harris, Jamie Bell, Octavia Spencer, Ewen Bremner e Allison Pill.

Expresso do Amanhã não vai agradar a todos. Algumas coisas soam forçadas, como o trem levar um ano inteiro para dar uma volta ao mundo (a que velocidade este trem anda?). Mas isso não me incomodou. Na minha humilde opinião, o ponto fraco do filme é o final – mas não digo mais por causa de spoilers.

Não sei por que, mas Expresso do Amanhã não foi lançado por aqui – mesmo tendo nomes fortes (e vendáveis) no elenco, e mesmo constando em listas de melhores filmes de 2014. Aguardemos um bom lançamento em dvd/blu-ray.

Interestelar

0-InterstellarCrítica – Interestelar

Filme novo do Christopher Nolan!

Num futuro próximo, onde recursos naturais estão cada dia mais escassos, um grupo de exploradores usa um recém descoberto “buraco de minhoca” para ultrapassar os limites da exploração espacial.

A expectativa era alta. Depois da elogiada trilogia do Batman e do também elogiado A Origem / Inception, Nolan anunciou uma ficção científica “correta”, dirigida por ele e escrita por ele ao lado do seu irmão Jonathan Nolan. Interestelar (Interstellar, no original) fala da tentativa de conquista espacial através de “buracos de minhoca” (wormholes).

Mas… Parece que faltou humildade a Nolan, que, aparentemente, queria “brincar de Kubrik” e fazer um novo 2001. Interestelar até tem alguns bons momentos de tensão, mas o ritmo é muito irregular, e o resultado ficou longo, pretensioso – e chato. São quase três horas de filme (169 minutos) de muito papo cabeça! Sinceramente, não precisava ser tão longo.

Não entendo de astronomia, então não posso julgar se o filme é cientificamente correto como se propôs. Mas entendo de cinema, e posso afirmar que tecnicamente, o filme é excelente. O visual do filme é muito bem feito, e algumas cenas são impressionantes – a morte de um dos personagens pode figurar fácil em listas de melhores cenas do ano. Interestelar só deu azar de ter vindo um ano depois do impressionante Gravidade – Nolan não usa tantos planos-sequência alucinantes quanto o Alfonso Cuarón…

Interestelar é daquele tipo de filme que foca mais nos efeitos especiais do que nos atores, mas mesmo assim Matthew McConaughey faz um bom trabalho, liderando um bom elenco, que conta com Anne Hathaway, Jessica Chastain, John Lithgow, Michael Caine, Matt Damon, Casey Affleck, Topher Grace, Wes Bentley e Ellen Burstyn

Por fim, preciso falar do robô TARS. Admito que gostei como alívio cômico, mas… não sei de quem foi a ideia de fazer os robôs daquele formato. Vou te falar que o cinema deu gargalhadas quando o robô correu pela água. E acho que essa não era a objetivo dos realizadores…

Maze Runner – Correr ou Morrer

0-Maze Runner - Correr ou Morrer-posterCrítica – Maze Runner – Correr ou Morrer

Mais uma franquia de filmes baseada em uma série de livros direcionados a “jovens adultos”…

Em um mundo pós-apocalíptico, um jovem sem nenhuma memória acorda em uma comunidade isolada formada por outros jovens. Logo ele se vê preso em um labirinto, onde será preciso unir forças para que consiga escapar.

Longa metragem de estreia de Wes Ball, Maze Runner – Correr ou Morrer tem alguns problemas básicos. Em primeiro lugar, tudo é muito previsível, a gente viu essa trama antes outras vezes (me lembrei muito da ficção científica / terror Cubo. E, assim como aconteceu com Divergente e Jogos Vorazes, sabemos desde antes de começar que Maze Runner não terá fim, o filme termina com o gancho para a parte 2 – li no wikipedia, são até agora cinco livros.

O roteiro baseado nos livros de James Dashner tem méritos, as cenas de ação e tensão são bem construídas. Mas tem algumas coisas tão forçadas que ficam meio demais – por exemplo, determinado momento, um dos personagens chega ao fim do labirinto, sem nunca ter entrado nele antes. Outras coisas não têm lógica – com quais recursos eles construíram tudo aquilo, se é uma sociedade em colapso? (isso pode ser explicado nos próximos filmes – ou não…) Isso fora alguns furos básicos de roteiro, como, se eles têm madeira pra construir uma torre, por que não construir uma escada e tentar escalar as paredes? Ah, eles estão isolados, mas todos têm cabelos muito bem cortados e bem penteados, mas isso é um detalhe…

Tem outra coisa que me incomoda muito, mas não é exclusividade de Maze Runner, acontece em muitos filmes e séries de mistério: a falta de diálogo entre os personagens (rolava direto em Lost). Quando Thomas chega na Clareira e pergunta “o que tem naquela área?”, dizem para ele “é perigoso” e mudam de assunto. Caramba, qual o problema de alguém explicar que é um labirinto, e o que acontece lá?

Pelo menos o ritmo do filme é bom, e os cenários do labirinto são bem legais – a ambientação é um dos pontos altos do filme. Os monstros também são tecnicamente bem feitos, apesar de serem falhos na narrativa – se fosse real, o monstro não hesitaria para atacar, dando tempo para a defesa.

Para o elenco, foram escolhidos atores pouco conhecidos e com cara de novinhos – claro, tem ator com quase 30 anos (o Alby), mas faz parte da realidade hollywoodiana. Só achei deslocado Blake Cooper, que faz o gordinho Chuck, porque ele tem cara de ser muito mais novo do que todos os outros (aliás, só heu achei ele a cara do Chunk, o gordinho de Goonies?). O papel principal ficou com Dylan O’Brien, da série Teen Wolf. O acompanham Aml Ameen, Ki Hong Lee, Thomas Brodie-Sangster, Will Poulter e Kaya Scodelario – a única menina da Clareira.

Agora é esperar a parte 2. E depois, a 3. E depois…