Depois da Terra

Crítica – Depois da Terra

Mais um filme do M. Night Shyamalan. Será que desta vez ele acertou?

Mil anos atrás, a Terra se tornou um lugar inabitável e forçou os humanos a se abrigarem no planeta Nova Prime. Habituados ao novo planeta, um pai e um filho têm que sobreviver na Terra depois que sua espaçonave cai.

Acho que sou masoquista. Falo mal do Shyamalan, mas não perco nenhum filme dele. E esse aqui ainda tinha um grave fator negativo: é estrelado por Jayden Smith, o filho de Will Smith, que até agora mostrou ser um ator bem fraco e sem um décimo do carisma do pai. Mas… Ficção científica… Superprodução… Não resisti e paguei ingresso pra ver qualé.

Vamulá. Depois da Terra não chega a ser ruim. É melhor que os últimos três filmes de Shyamalan, mas, tendo Dama na Água, Fim dos Tempos e O Último Mestre do Ar como comparação, fica difícil ser pior, né?

Mas, desta vez, acho que o problema foi com o produtor e autor do argumento – Will Smith. Parece que Smith quis fazer de Depois da Terra uma plataforma para lançar seu filho Jayden ao primeiro escalão de Hollywood. Will virou coadjuvante para seu filho brilhar, numa trama que fala justamente de um filho que precisa mostrar seus valores ao seu pai. Mas, como disse lá em cima, Jayden é fraco, e isso é um grande problema para o filme.

(Acho que a única coisa boa em ter Jayden é a semelhança física. O moleque é muito parecido com o pai.)

A história tem outro problema. Rola uma breve introdução contando a história de como os terráqueos se adaptaram no planeta alienígena, e somos apresentados ao “monstro local”. Na minha humilde opinião, isso dava um filme mais interessante do que o pai e o filho caindo de volta na Terra…

Com um argumento fraco e um ator fraco como protagonista, acho que desta vez à culpa não foi de Shyamalan…

Mesmo assim, Depois da Terra não chega a ser ruim como os filmes recentes do diretor. Bons efeitos especiais, algumas boas cenas de ação e belas paisagens de um planeta Terra intocado pelo homem seguram o interesse durante os 100 minutos de projeção.

Falo mal do Shyamalan, mas gosto dele. Torço para que volte a fazer bons filmes como no início da carreira. Depois da Terra pode ser uma guinada de volta ao caminho certo. Tomara!

The Man From Earth

Crítica – The Man From Earth

Outro dia, duas pessoas diferentes recomendaram este filme, do qual heu nunca tinha ouvido falar, ambas mencionando algo como “a melhor ficção científica de todos os tempos”. Fiquei curioso e fui procurar o filme.

Uma festa de despedida de um professor universitário vira um misterioso interrogatório depois que este revela que tem 14 mil anos de idade, e anda pelo planeta desde o tempo dos homens das cavernas.

Trata-se de um filme incomum. Pra começar, é uma ficção científica sem nenhum efeito especial. Tampouco fala de outros planetas ou de seres alienígenas. Na verdade, o formato de The Man From Earth está próximo de uma peça de teatro filmada. São oito atores em dois ou três cenários baseados em uma cabana. E só.

Quem não viu o filme pode pensar “mas será que não é chato e enfadonho?” Ao contrário. Escrito por Jerome Bixby, colaborador de séries como Twilight ZoneStar TrekThe Man From Earth tem um roteiro excelente, com diálogos inteligentes, e consegue segurar o interesse até o fim do filme. mesmo com pouca coisa acontecendo na tela.

Não achei o roteiro perfeito, tem um “plot twist” perto do fim que achei exagerado, e pra mim a história perdeu um pouco de credibilidade naquele ponto. Mesmo assim, estamos diante de um dos melhores roteiros dos últimos anos.

No elenco, nenhum nome muito famoso. O pouco conhecido David Lee Smith é a figura central; já entre os “convidados”, temos outros nomes um pouco mais conhecidos (mas não muito), como Tony Todd (Candyman) e William Katt (Carrie). Ainda no elenco, John Billingsley, Alexis Thorpe, Ellen Crawford, Annika Peterson e Richard Riehle.

The Man From Earth é de 2007. Pena que é um filme tão pouco visto. E pelo jeito vai continuar assim…

E.T. – O Extraterrestre

Crítica – E.T. – O Extraterrestre

Hora de pegar as crianças pra rever E.T. – O Extraterrestre!

Alguém não conhece a história? Um garoto encontra um pesquisador botânico alienígena, e desafia as autoridades para ajudá-lo a voltar para o seu planeta.

Todo mundo viu E.T., né? Não tem muito o que falar sobre um filme desses. Clássico contemporâneo, marcou a vida de um um montão de gente, consolidou o diretor Steven Spielberg como um dos maiores nomes de sua geração, foi o maior recordista de bilheteria por mais de uma década, etc., etc., etc.

O que ainda funciona? A trilha sonora é uma das melhores da longa e rica carreira de John Williams. O boneco, criado por Carlo Rambaldi (Alien, Possessão), também é muito bem feito, e consegue ao mesmo tempo assustar e cativar. E os efeitos especiais, top de linha na época, continuam bons – a cena dos garotos andando de bicicleta pelos céus ainda arrepia.

É curioso ver o elenco hoje. Henry Thomas, o protagonista, nunca mais fez nada digno de nota; já sua irmãzinha é a Drew Barrymore, então com sete anos de idade, em seu segundo papel no cinema. Entre os coadjuvantes infantis, temos C. Thomas Howell na “gang das bicicletas”, e a futura coelhinha da Playboy Erika Eleniak como a menininha que dá mole pro Elliott. Acho que Peter Coyote é o único adulto reconhecível.

Agora, rever um filme icônico 30 anos depois tem seus problemas. Muito da magia do filme se perdeu. Hoje, adulto, vi um monte de defeitos que passaram batido quando heu era criança. Tem umas falhas bizarras no roteiro, como quando todos ignoram a quarentena no meio do procedimento e tiram suas máscaras, ou quando deixam o Elliott sozinho com o E.T. Além disso, tem uns momentos do roteiro onde claramente o único objetivo é criar sentimentalismo barato – qual outra razão para a conexão entre Elliott e o E.T.?

Tem outro problema. O dvd que tenho é a versão alterada digitalmente. Esta versão tem uma das duas alterações mais bisonhas da história do cinema digital, na cena onde armas foram apagadas das mãos dos policiais e foram substituídas por walkie talkies (a outra alteração digital bisonha foi o Greedo atirando antes do Han Solo em Guerra nas Estrelas). Ainda tem uma cena bem tosca com o E.T. mexendo com pasta de dente que me parece novidade, mas não tenho certeza.

Mesmo assim ainda é um grande filme. Só que hoje digo que é um filme supervalorizado. Hoje, depois de três décadas, Contatos Imediatos do Terceiro Grau me parece um Spielberg absurdamente melhor…

Oblivion

Crítica – Oblivion

Filme novo do Tom Cruise! Mais: filme novo de Joseph Kosinski, o diretor de Tron – O Legado!

Décadas depois de uma guerra contra alienígenas, o planeta Terra está devastado. Quase toda a população foi transferida para uma lua de Saturno, os poucos que ficaram trabalham cuidando da exploração dos últimos recursos do planeta. Neste ambiente, o técnico de reparos Jack é assombrado por misteriosos sonhos.

Joseph Kosinski tem uma carreira curta – este é apenas seu segundo longa. Por enquanto, o cara tá bem: mais uma vez, ele apresenta um filme acima da média. Oblivion tem uma trama que foge do óbvio, um bom elenco, excelentes efeitos especiais, uma boa trilha sonora e efeitos sonoros que faziam tremer as poltronas do cinema.

Tom Cruise, como de costume, lidera bem o elenco. É impressionante como Cruise sabe administrar bem sua carreira, com muitos blockbusters e poucos fracassos no currículo. Sua interpretação não foge ao habitual, é o mesmo feijão com arroz de quase sempre – mas ninguém pode negar que ele faz muito bem este feijão com arroz. Ainda no elenco, Olga Kurilenko, Andrea Riseborough, Morgan Freeman, Melissa Leo, Nicolaj Coster-Waldau e Zoe Bell.

O visual do filme chama a atenção, os cenários pós apocalípticos são extremamente bem feitos. Foram usadas locações na Islândia, fiquei imaginando o que era real e o que era computador. São belíssimas paisagens, a Nova York destruída de 2070 é impressionante.

Um parágrafo para falar da trilha sonora. Kosinski chamou o grupo eletrônico Daft Punk para a trilha de Tron O Legado e o resultado ficou excelente. Agora, outro grupo eletrônico foi chamado, o M83 (confesso que nunca tinha ouvido falar), e mais uma vez a trilha é um dos destaques do filme. Trilha sonora forte e presente, com bons temas ao longo de todo o filme. E além da trilha sonora, outra coisa que chama a atenção são os efeitos sonoros. O ruído dos drones se destaca, um ruído grave e forte que chega a dar medo.

O roteiro é bom, com uns toques de Matrix, 2001, Prometheus, Moon e pelo menos uma referência explícita a Guerra nas Estrelas (impossível não nos lembrarmos da cena do ataque à Estrela da Morte e da “manobra Millenium Falcon”). As reviravoltas estão bem colocadas no roteiro, mas este não é perfeito – algumas coisas soam forçadas, principalmente na parte final (certa cena me lembrou de ID4). O fim do filme é hollywoodiano, deve agradar a maioria dos espectadores. Heu preferia que tomassem outro caminho, mas não é nada tão grave que atrapalhe o bom conjunto do filme.

Enfim, bom filme. Sr. Kosinski, mantenha o bom trabalho!

Matrix Revolutions

Crítica – Matrix Revolutions

Tomei coragem e revi o terceiro Matrix.

Zion, a cidade de humanos, se defende de um grande ataque das máquinas, enquanto Neo luta em outra frente e também contra o agora rebelde Agente Smith.

Na época que passou no cinema, fiquei tão decepcionado com este terceiro filme da saga que quase o apaguei da minha memória. O primeiro Matrix é excepcional, uma das melhores ficções científicas dos últimos tempos; o segundo, Matrix Reloaded, é um pouco inferior, mas ainda é muito bom. Já este terceiro ficou devendo.

Agora, revendo o filme, mudei um pouco de opinião. Continua bem inferior aos outros dois, mas não é que tem coisa que se salva? O meio do filme, quando os robôs sentinelas estão atacando, é muito bom, tanto no ritmo quanto na parte técnica (efeitos especiais).

Os efeitos especiais são um “problema” para um filme destes. O primeiro Matrix foi um marco na história dos efeitos especiais, com o seu então inovador efeito bullet time. O segundo não foi uma revolução como o primeiro, mas pelo menos tivemos uma evolução do que foi apresentado. Este terceiro, por incrível que pareça, é o mais fraco da trilogia. Mas mesmo assim, traz cenas muito bem feitas, como este ataque de milhares de sentinelas citado no parágrafo anterior, ou a bela cena do soco cortando a água, na luta final.

Mas… Algumas boas cenas não salvam o filme, que também é escrito e dirigido pelos irmãos Wachowski e também é estrelado por Keanu Reeves, Carrie-Anne Moss, Laurence Fishburne e Hugo Weaving.

Parece que o sucesso subiu à cabeça dos irmãos Wachowski e eles se esqueceram que o primeiro Matrix não era só efeitos especiais. Aquele lance das pílulas azul e vermelha, de se continuar na zona de conforto ou acordar para o mundo real, isso tudo funcionaria num filme sem efeitos especiais de ponta. Mas agora, toda a nova filosofia “matrixiana” foi jogada fora, e ficamos só com os efeitos, que já não eram mais novidade. E, pra piorar, resolveram dividir a continuação em duas partes, mesmo sem ter história para dois novos filmes. E, a cereja do bolo: não sabiam como terminar o filme.

Se um dia heu fizer um Top 10 de piores finais, Matrix Revolutions tem boas chances de figurar entre os primeiros. A jornada final de Neo não faz sentido, o adversário que ele encontra é mal construído, a proposta de paz é completamente ilógica, e a luta final é uma das mais sem graça da história. E, pra piorar, não explica como o vencedor conseguiu terminar a luta. Sobre este fim, o melhor é torcer para o seu dvd / blu-ray arranhar no meio do filme, logo depois do fim da sequência dos sentinelas. É mais ou menos que nem o fim de Lost, era melhor que a gente imaginasse um fim, por pior que fosse, certamente seria menos ruim do que o que ficou no filme.

Resumindo: Matrix Revolutions só vale para os fãs hardcore do primeiro filme. E dentre estes, só para os pouco exigentes.

 

A Viagem

Crítica – A Viagem

E vamos a mais um filme polêmico!

Seis histórias, de estilos diferentes, passadas em épocas diferentes e vividas por personagens diferentes, abordando diferentes lutas vividas pelos personagens: racismo, homofobia, energia “suja”, maus tratos a idosos, capitalismo e religião.

A Viagem (Cloud Atlas, no original) é um novo projeto ambicioso que vai dar o que falar. Já prevejo que vai ter gente discutindo: de um lado, pessoas que não gostaram, criticando o filme; do outro, fãs do filme, dizendo que quem não gostou “não entendeu”. Alguém se lembra de outras polêmicas recentes como A Árvore da Vida ou Melancolia? Será que alguém pode ter entendido, e mesmo assim não gostado?

Trata-se do novo filme dos irmãos Wachowski (Matrix) em parceria com Tom Tykwer (Corra Lola Corra), um projeto ambicioso, que conta seis histórias ao mesmo tempo. Baseado no livro de David Mitchell, considerado “infilmável”. Bem, não li o livro, mas pelo filme, realmente, parece “infilmável”.

A chance de dar errado era muito grande. Lembro de rumores na época da produção do filme que falavam que os irmãos Andy e Lana Wachowski não se comunicavam com Tykwer, o outro diretor. Uma trama complexa, com seis histórias diferentes, e sem entrosamento entre os realizadores – acho que já tinha gente dando como certo o naufrágio do projeto antes mesmo da estreia.

Bem, não achei o filme tão ruim assim. Está longe de ser bom, mas algo se salva…

Na minha humilde opinião, o problema básico de A Viagem é o ritmo. Não dá pra manter o ritmo quando se mistura seis histórias diferentes em um filme de quase três horas de duração. Aí, o filme, que já é confuso, fica cansativo.

Não sei se teria outro modo de se fazer o filme sem misturar as seis histórias – existem ligações entre elas. Mas talvez se a gente ficasse um pouco mais em cada uma delas o resultado final não fosse tão cansativo – a cada cena, muda a história, às vezes muda antes de acabar a cena! São poucos segundos em cada trama antes de pularmos para a próxima, onde ficaremos por breves instantes. O espectador não tem tempo pra respirar, a mudança entre as histórias é frenética.

E aí vem outro problema: a duração. São duas horas e cinquenta e dois minutos de filme. Não dá pra segurar este ritmo de mudanças de trama por meia hora, o que dirá durante quase 3 horas!

Aí, as virtudes do filme ficam apagadas. A Viagem tem uma boa trilha sonora e uma bela fotografia. Mas quase não dá pra aproveitar…

Sobre o elenco, é complicado falar. São grandes atores, não há dúvidas. Mas acho que eles ficaram perdidos, e as atuações ficaram devendo. Assim, um excelente elenco é desperdiçado: Tom Hanks, Halle Berry, Susan Sarandon, Hugo Weaving, Hugh Grant, Jim Broadbent, Jim Sturgess, Doona Bae, Ben Whishaw, Keith David, Xun Zhou, James D´Arcy – nada se aproveita.

A maquiagem segue o problema do elenco. Como são os mesmos atores em papeis diferentes, rola muita maquiagem pra diferenciar os personagens. Algumas até funcionaram, mas a maioria ficou caricata.

No fim, fica uma sensação de boa ideia desperdiçada. No lugar de um filme épico, ficamos com um filme pretensioso e mal realizado. Parece que queriam fazer um novo 2001, mas, do jeito que ficou, A Viagem acaba lembrando A Reconquista

Dredd

Crítica – Dredd

Num futuro pós apocalíptico, a única autoridade está na figura do “juiz”, um misto de policial, juiz, júri e executor. Um juiz veterano e uma novata com poderosas habilidades psíquicas são designados a uma investigação em um local controlado por uma poderosa traficante.

Judge Dredd é um personagem de quadrinhos originário da revista britânica 2000 AD, que já tinha ganhado uma adaptação, O Juiz (Judge Dredd), estrelada por Sylvester Stallone em 1995 – um filme odiado pelos fãs do quadrinho.

A direção desta nova tentativa ficou a cargo de Pete Travis, que fez um bom trabalho em Ponto de Vista. Não me lembro muito do filme anterior, mas lembro que não achei lá grandes coisas – só vi uma vez, na época que foi lançado. Não tenho como comparar as versões, mas arrisco a dizer que este novo filme é bem melhor. Dredd é um bom filme!

A ambientação é um dos trunfos de Dredd. Bons cenários, bons figurinos e efeitos especiais eficientes e bem dosados tornam o filme uma boa opção para os apreciadores de filmes de ação. Além disso, o filme é bem violento. Vemos muitas mortes com detalhes que beiram o gore de filmes de terror. Li no imdb que os quadrinhos são violentos assim…

Dredd tem uma câmera lenta muito bem feita. As cenas que retratam o uso da droga “slo mo” trazem imagens belíssimas, como poucas vezes vistas em filmes violentos de ação.

Dredd é um bom filme, mas teve um azar muito grande: estreou pouco depois de Operação Invasão / The Raid Redemption / Serbuan Maut, filme indonésio que tem uma trama bem parecida (policial quase super humano tem que pegar um chefão de drogas que mora no alto de um prédio onde tem capangas por todos os andares). Li no imdb que a produção do filme americano começou mais cedo, mas o filme indonésio estreou antes e é bem melhor. Acho que a única grande diferença é que o policial americano tem munição quase infinita enquanto o seu paralelo oriental fica sem munição e parte para a luta com artes marciais…

Achei curioso escalarem um ator relativamente famoso para um papel que nunca mostra a cara – achei que em algum momento Karl Urban (RED, Star Trek, A Supremacia Bourne) tiraria a máscara para justificar o provável alto cachê. Além de Urban, Olivia Thirlby (A Hora da Escuridão) e Lena Headey (300) estão bem.

Enfim, boa opção. Principalmente para quem não viu Operação Invasao

Battlestar Galactica: Blood and Chrome

Crítica – Battlestar Galactica: Blood and Chrome

Alvíssaras! Battlestar Galactica está de volta!

Estamos no décimo ano da primeira guerra contra os cylons, cerca de 40 anos antes do BSG de 2004. O cadete William Adama, cabeça quente, rebelde e recém formado na Academia, é designado para servir a bordo da nave de combate Galactica.

Em 2009 tivemos outro prequel, Caprica, que mostrava a origem dos cylons. Caprica teve só uma temporada, de 18 episódios, e decepcionou os fãs – os últimos dez minutos do episódio final são sensacionais, mas o resto da série foi devagar demais. O ideal seria alguém editar os episódios em uma minissérie de duas ou três horas, aí Caprica valeria a pena…

O novo Battlestar Galactica: Blood and Chrome tem um formato incomum. Era pra ser o piloto de uma série do canal Syfy, mas a série foi cancelada por causa do alto custo dos efeitos especiais. Resolveram então fazer um telefilme, que foi dividido em 10 webisódios, de 10 a 12 minutos cada, exibidos pelo site Machinima – os dois primeiros saíram na sexta passada. No início do ano que vem, o filme será exibido na televisão americana pelo próprio Syfy, e o blu-ray tem o lançamento previsto para 19 de fevereiro (já está em pré-venda pela Amazon). O Syfy ainda não descarta sua produção como série, embora isto dependa da receptividade dos webisódios, da transmissão na TV e da venda dos blu-rays.

E qual foi o resultado?

Bem, ainda não dá pra falar muito, já que até agora só temos dois episódios de 12 minutos cada. Mas o início foi muito bom – a sequência inicial é uma batalha espacial de tirar o fôlego, que não fica devendo nada à série antiga. E, ao fim do segundo episódio, a expectativa é grande para o que vem por aí. Mas… Infelizmente, tenho que admitir que ver um filme assim, em doses homeopáticas, não é a melhor opção. Quando começa a “esquentar”, acaba…

Mesmo assim, contarei os dias para cada novo webisódio. Não é todo dia que temos material inédito de BSG, e material de qualidade – se os efeitos especiais sofreram algum corte de orçamento, não foi nada que ficasse visível, os efeitos são muito bons.

No elenco, ninguém conhecido – Edward James Olmos, o Adama original, já era um nome famoso antes de BSGCaprica trazia dois nomes “médios”, Eric Stoltz e Esai Morales. Battlestar Galactica: Blood and Chrome conta com Luke Pasqualino, Ben Cotton, Lili Bordan, Jill Teed, Adrian Holmes e Carmen Moore.

Agora, resta esperar os outros oito episódios, e depois comprar o blu-ray. Heu apoio a volta de BSG!

So say we all!

 

Lockout – Sequestro no Espaço

Lockout – Sequestro no Espaço

Produção e roteiro de Luc Besson, nomes famosos no elenco… Mas apesar disso, não se deixe enganar, Lockout – Sequestro no Espaço é mais um filme “B”!

Ano 2079. Um homem acusado de um crime que não cometeu é convocado para resgatar a filha do presidente dos EUA, que está sequestrada em uma cadeia que fica em órbita.

Dirigido pela dupla estreante Stephen St. Leger e James Mather (que escreveram o roteiro junto com Luc Besson) Lockout – Sequestro no Espaço é uma produção B que, se vista no espírito certo, é até divertida. Parece uma versão espacial de Fuga de Nova York – que já tinha cara de filme B (mas era beeem melhor…), com uma pitada de Duro de Matar.

No início do filme rola uma perseguição de carros com cara de videogame. Sério, as ruas não parecem reais, nem os carros, muito menos as pessoas. Achei que seria proposital, um estilo, algo a ser repetido ao longo do filme. Nada, foi só naquela cena. Ficou tosco. As cenas espaciais que acontecem mais pra frente no filme não são nenhuma maravilha, mas pelo menos não têm cara de videogam.

As cenas de ação do resto do filme podem não ter muito sentido em questão de roteiro, mas pelo menos são bem feitas, o ritmo de Lockout – Sequestro no Espaço é o suficiente para chegarmos ao fim do filme sem desistir no meio do caminho.

O elenco tem pelo menos três nomes conhecidos: Guy Pearce, Maggie Grace e Peter Stormare. Não sei se propositalmente ou não, mas Lennie James e Vincent Regan fazem versões genéricas de Don Cheadle e Gerard Butler, respectivamente – James chegou a me enganar, procurei o nome de Cheadle nos créditos…

Resumindo: Lockout – Sequestro no Espaço não é um grande filme, mas acho que nunca almejou tal feito – tem cara de filme que é lançado direto em home video. Mas é divertido pra quem entrar no clima.

 

Looper – Assassinos do Futuro

Crítica – Looper – Assassinos do Futuro

Em 2074, quando a máfia deseja se livrar de alguém, eles enviam a pessoa de volta 30 anos no tempo, no momento exato em que haverá um assassino armado esperando para executá-la. Esses assassinos são chamados “Loopers”.

Gosto de filmes com viagem no tempo, tanto que já fiz um Top 10 sobre o assunto. Não sei se Looper – Assassinos do Futuro teria vaga no Top 10, mas posso dizer que é um bom filme. Escrito e dirigido pelo semi desconhecido Rian Johnson, o filme traz uma equilibrada mistura entre ação, ficção científica e drama, com uma pitada de elementos fantásticos.

Tenho coisas boas e ruins pra falar do roteiro de Johnson. O lado bom é que é um roteiro bem escrito que usa de maneira inteligente os paradoxos da viagem temporal – tem uma cena chave que acontece duas vezes, com uma pequena variação, e tudo faz sentido (tive que rever esta parte pra sacar os detalhes).

Mas… Por outro lado, o roteiro tem umas falhas bizarras. Vou falar depois dos avisos de spoiler.

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

SPOILERS!!!

Não vou falar que este sistema inventado pra mandar alguém pro passado pra então ser assassinado não tem lógica, porque seria muito mais fácil matar no futuro e mandar só o corpo, ou mandar o cara com um peso nos pés no meio do oceano. Também não vou falar que ninguém explicou como os loopers saberiam o local e a hora que receberiam a “encomenda”. Tampouco vou falar que seria mais fácil mandar outra pessoa pra matar o looper velho, pra não ter problemas de consciência.

Só vou falar uma coisa: se no futuro é tão complicado matar alguém que tiveram que inventar um sistema envolvendo viagens no tempo, como é que uma das coisas que movimenta a trama é justamente o assassinato da mulher do Bruce Willis???

FIM DOS SPOILERS!!!

Uma outra coisa me incomodou no conceito de Looper – Assassinos do Futuro: a escolha do elenco principal. Sinceramente, não acho Bruce Willis parecido com Joseph Gordon-Levitt. Ok, a maquiagem ficou bem feita. Mas Gordon-Levitt já é um rosto conhecido, ele ficou com cara de “Joseph Gordon-Levitt maquiado”, e não com cara de Bruce Willis!

Apesar desses detalhes, gostei do filme, que tem um bom ritmo e traz uma visão interessante de um sombrio futuro próximo.  Looper – Assassinos do Futuro também traz personagens bem construídos e um bom elenco – além de Willis e Gordon-Levitt, o filme conta com Emily Blunt, Piper Perabo, Paul Dano, Jeff Daniels, Noah Segan, Tracie Thoms, Garret Dillahunt e o garoto Pierce Gagnon.

O que é uma pena é ver que uma história bem bolada com viagens no tempo ter um roteiro com tantos furos. Looper – Assassinos do Futuro é legal, mas poderia ser bem melhor.