Padre

Crítica – Padre

Num mundo pós-apocalíptico, devastado por uma guerra entre homens e vampiros, um padre guerreiro se rebela contra a Igreja e vai sozinho tentar resgatar sua sobrinha, sequestrada por um misterioso vampiro diferente.

Padre (Priest, no original) é mais um terror de visual estilizado baseado em quadrinhos. Isso não agrada a todos. Mas pra quem curte o estilo, é uma boa opção.

O diretor Scott Charles Stewart (Legião) se baseou na graphic novel coreana de Min-Woo Hyung para filmar um universo com padres que parecem guerreiros ninjas e uma Igreja dominadora como na Idade Média. Até os vampiros são diferentes aqui, são bicharocos gosmentos e sem olhos, nada se assemelham com os vampiros clássicos do cinema.

O visual do filme é muito legal, tem até espaço para uma abertura em animação feita por Genndy Tartakovsky, lembrando história em quadrinhos. O filme parece um faroeste futurista misturado com filme de terror e com uma pitada de ficção científica, cheio de cenas de ação com efeitos em câmera lenta. Rolam cenários grandiosos e maneiríssimos – tudo bem, deve ser tudo digital, mas o resultado ficou muito bom. O mesmo podemos dizer sobre os eficientes efeitos especiais – gostei da explosão no fim. O 3D é bem utilizado, diferente de outras produções recentes.

O roteiro tem coisas boas e ruins. A cidade com prédios à la Blade Runner e sua sociedade totalitaria comandada pela Igreja é um dos acertos. Por outro lado, achei os personagens rasos demais, senti falta de algo mais sólido na sua construção. E um detalhe me incomodou – comento depois dos avisos de spoilers leves.

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

Se a única fraqueza dos vampiros era ter que fugir do sol, por que só tinha um “humano-vampiro”?

FIM DOS SPOILERS!

O elenco está ok, afinal, este é o tipo de filme onde os atores têm pouco espaço se destacar. Talvez o vilão de Karl Urban (Viagem do Medo) esteja caricato demais,  mas o resto funciona: Paul Bettany (O Turista), Cam Gigandet (Pandorum), Maggie Q (Operation Endgame), Christopher Plummer (Dr. Parnassus), Brad Dourif e Lily Collins, com Stephen Moyer (True Blood) e Mädchen Amick fazendo uma participação especial.

No fim, Padre é legal, mas ficamos com a sensação de que poderia ser melhor.

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Eu Sou o Número 4

Crítica – Eu Sou o Número 4

Depois de uma guerra no planeta Lorien, nove crianças conseguem fugir e se esconder na Terra. Aqui, separados, cada um vive sua vida, tentando se misturar aos humanos sem chamar a atenção. Eles se escondem dos Mogadorians, inimigos que pretendem eliminar todos, na ordem certa, e que já conseguiram assassinar os números Um, Dois e Três…

Ok, a história não é novidade. A gente já viu isso outras vezes. Podemos então analisar Eu Sou o Número 4 sob dois pontos de vista: ou é um bom filme de ação; ou é mais uma história igual a dezenas de outras.

A trama é realmente batida. Um alienígena está escondido na Terra, porque o seu planeta foi atacado por uma raça muito muito malvada. Aqui, enquanto ele vive todos os clichês de high school americana, os malvadões vêm atrás dele, que terá que desenvolver seus poderes para se defender.

É batido, mas é bem feito. Dirigido pelo competente D.J. Caruso (Controle Absoluto), o filme demora um pouco a engrenar, mas, quando engrena, vira um empolgante filme de ação, como não se vê todos os dias. Os efeitos especiais são excelentes, e o terço final do filme é de tirar o fôlego. Batalhas envolvendo monstros, super poderes e super explosões. Ah, se todos os filmes de super-herois tivessem essa adrenalina…

O elenco não traz muita gente conhecida. Timothy Oliphant (The Crazies – A Epidemia, A Trilha) e Kevin Durand (Lost, Legião) são coadjuvantes no filme estrelado por Alex Petyfer (Alex Rider Contra o Tempo) e Dianna Agron (Glee), que ainda conta com Teresa Palmer, Callan McAuliffe e Jake Abel. Ninguém se destaca, tampouco ninguém faz feio.

Eu Sou o Número 4 tem cara de ser “o início da série”. Não sei se vêm outros filmes, ou se vai virar série de tv, mas é clara a intenção de que a ideia é continuar a história. O fim do filme é aberto, outros personagens ainda vão entrar na trama.

Quem não curte o estilo vai ver primeiro os defeitos. Mas é uma boa opção para os fãs de filmes de ação e, por que não, para os fãs de super-herois…

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Sucker Punch – Mundo Surreal

Crítica – Sucker Punch – Mundo Surreal

Oba! Filme novo do Zack Snyder (300, Watchmen) em cartaz nos cinemas!

Uma jovem garota, logo após perder a mãe, é internada em um hospício pelo padrasto. Lá, ela imagina uma realidade alternativa e usa isso como refúgio.

Filme do Zack Snyder, com várias meninas frágeis e bonitinhas, vestidas com muitos decotes, e empunhando espadas de samurai e armas de grosso calibre, em cenários viajantes e maneiríssimos, num roteiro que parece montado como fases de videogame? É, esse é um daqueles filmes que se tornam obrigatórios!

A história? Ué, precisa? Releia o parágrafo acima… 😉

O que chama a atenção em Sucker Punch – Mundo Surreal é o visual. Zack Snyder é um artesão de imagens, cada cena, cada ângulo, cada fotograma tem o visual bem cuidado. Uma exposição fotográfica com stills do filme já seria interessante de se ver.

Isso inclui todos os detalhes do filme. Cenários, figurinos, até as cores vistas na tela são pensadas para contribuir com o efeito – as cenas no “mundo real” têm cores diferentes daquelas nos “mundos imaginários”.

A história não é lá grandes coisas, inclusive, não gostei do fim do filme (apesar de achar interessante a mudança de foco). O objetivo do roteiro parece ser conseguir encaixar todas as cenas de sonho, que passeiam por diversos estilos, como filme de kung fu, guerra, fantasia e ficção científica. Assim, o filme consegue ter espaço para brigas de espadas, castelos com orcs e dragões e exércitos de zumbis nazistas.

(E, já que falei de vários estilos diferentes, durante os créditos rola um número musical, cantado pelos atores Oscar Isaac e Carla Gugino…)

Outra coisa que precisa ser citada é o bom uso da trilha sonora. As músicas em si não são nada demais, são músicas pop comuns. Mas existe uma perfeita sintonia entre som e imagem, como pouco visto no cinema hoje em dia. Melhor que muito videoclipe!

No elenco, nenhum nome do primeiro escalão. Ninguém faz feio, mas também ninguém será lembrado por grandes atuações neste filme. Das cinco meninas principais, talvez a mais famosa seja Vanessa Hudgens, estrela dos três High School Musical. Além dela, Emily Browning (O Mistério das Duas Irmãs), Abbie Cornish (Sem Limites), Jena Malone (Na Natureza Selvagem) e Jamie Chung (Gente Grande). Além deles, Jon Hamm e os já citados Oscar Isaac e Carla Gugino. E um papel menor e bem legal de Scott Glenn como o “homem sábio”.

Com mais forma do que conteúdo, Sucker Punch – Mundo Surreal não vai agradar a todos. Mas é imperdível para quem curte um bom visual!

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Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles

Crítica – Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles

Depois do fraco Skyline – A Invasão, finalmente chegou “o outro filme de invasão alienígena”.

A trama é simples: alienígenas invadem o planeta e “botam pra quebrar”, e forças militares tentam se defender. Simples e eficiente.

Vou explicar a comparação feita no primeiro parágrafo. Os realizadores de Skyline – A Invasão trabalharam nos efeitos especiais de Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles, e as duas tramas são muito parecidas – invasão alienígena em Los Angeles. Rolou até um processo, mas não sei que fim levou a história.

O filme não perde tempo com enrolação, a ação começa logo de cara. Isso é bom, nem sempre precisamos nos aprofundar nos personagens, quando o objetivo é ver tiros e explosões em cima de e.t.s!

Mas, para curtir o filme, precisa ter boa vontade com o roteiro, extremamente previsível. A gente consegue antever metade do filme: o novato que vai matar o primeiro extra-terrestre, o helicóptero que vai ser derrubado, o soldado revoltado com o superior, etc. E, pra piorar, ainda rolam alguns elementos completamente dispensáveis, como as crianças insuportáveis e aquele dramalhão desnecessário na base aérea.

Sabendo “desligar” esses “detalhes”, Invasão do Mundo – Batalha de Los Angeles é um bom filme. As cenas de ação são muito boas, os alienígenas são convincentes e os efeitos especiais são muito bem feitos.

O competente Aaron Eckhardt lidera um elenco com poucos rostos conhecidos. Pra não dizer que não tem mais gente famosa, Michelle Rodriguez e Bridget Moynahan têm os principais papeis femininos.

O fim do filme é talvez um pouco abrupto demais. Mas este é o tipo do filme que pode ter continuações, o subtítulo brasileiro dá essa dica, ao chamar de “batalha de Los Angeles”. Não vou achar estranho ver em breve outra batalha, em outro lugar…

Por fim, é importante citar que este é o primeiro lançamento carioca em 4K, um novo sistema de alta definição para cinemas. Assim como o blu-ray veio trazer uma imagem melhor que o dvd, a tecnologia 4K promete uma imagem com definição quatro vezes maior do que o padrão atual nas telas. Talvez fosse melhor outro filme para experimentarmos a nova tecnologia, já que aqui rola muita câmera tremida. Mas valeu a experiência!

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13º Andar

13º Andar

Depois de rever Cidade das Sombras, revi 13º Andar.

O pesquisador da informática Hannon Fuller fez uma descoberta muito importante e está prestes a revelar para o seu colega Douglas Hall, mas, para evitar ser seguido, deixa uma carta em um mundo virtual criado por ambos. Logo depois, Fuller é assassinado. Douglas agora precisa descobrir onde está escondido o segredo – em qual dos mundos?

13º Andar é uma ficção científica diferente daquelas de visual futurístico com naves espaciais e mundos extraterrestres. O filme explora realidades virtuais, assim como Cidade das Sombras, feito um ano antes, e Matrix, lançado pouco depois. Achei curioso ver como imaginávamos a realidade virtual uma década atrás, depois de uma temporada inteira de Caprica e seus holobands – como será que vamos ver os holobands daqui a dez anos?

Um parágrafo para falar do trio Matrix – Cidade das Sombras – 13º Andar. Heu tinha visto 13º Andar há muito tempo, uma vez só, na época do lançamento, e achava que era mais parecido com Matrix. Mas não é. Cidade das Sombras sim, se fosse lançado depois, poderia ser acusado de plágio (foi lançado um ano antes), ambos falam de um cara que “acorda” em um mundo que na verdade é uma ilusão, e lutam contra esta ilusão. Mas 13º Andar não tem a mesma história, apenas usa a mesma premissa da vida em uma realidade virtual. Vale ressaltar que Matrix é o mais famoso dos três (e também o melhor), mas foi o último a ser lançado – por isso as comparações são válidas.

(Tem gente que inclui Existenz, também de 1999, nesta mesma lista. Mas aí já acho mais diferente, já que se trata de um jogo que usa realidade virtual.)

Voltando ao filme…

13º Andar foi escrito e dirigido por Josef Rusnak, e na minha humilde opinião, ele fez um bom trabalho. Curiosamente, ele não tem mais nada digno de nota no currículo…

Como falei, o visual de 13º Andar não lembra nem um pouco um filme de ficção científica. Parte do filme se passa nos dias de hoje, parte se passa no ano de 1937, em uma excelente reconstituição de época. Só algumas cenas isoladas têm “cara” de ficção científica.

O papel principal coube a Craig Bierko, que não está aí atéhoje, mas nunca alcançou o estrelato, nunca fez nada muito conhecido. Os coadjuvantes são melhores: Armin Mueller-Stahl (Shine, Anjos e Demônios) e Vincent D’Onofrio (Nascido Para Matar, Ed Wood) dão show, como sempre. O elenco ainda conta com Gretchen Mol e Dennis Haysbert.

Visto dez anos depois, 13º Andar ainda vale a pena!

p.s.: Existe outro 13º Andar, feito em 2007, estrelado pelo Stephen Dorff. Mas esse heu não vi, não sei se é bom!

Cidade das Sombras

Cidade das Sombras

Estou aproveitando a fraca safra de séries para rever filmes legais. O da semana foi este Cidade das Sombras (Dark City), interessante ficção científica de 1998.

John Murdoch acorda em um quarto de hotel com amnésia, e descobre que é suspeito de uma série de assassinatos. Enquanto tenta juntar as peças para entender a sua situação, descobre que a cidade é controlada por um grupo de seres chamados Os Estranhos, que têm o poder de alterar tanto a arquitetura da cidade como o comportamento de seus habitantes.

Um cara acorda e descobre que está num mundo diferente, controlado por pessoas diferentes – parece Matrix, né? Mas Cidade das Sombras foi feito um ano antes!

Matrix é mais famoso, e seus efeitos especiais foram um marco em Hollywood. Os efeitos de Cidade das Sombras não foram revolucionários, mas também são impressionantes, com seus cenários que mudam de forma sob os nossos olhares.

Escrito e dirigido por Alex Proyas, que pouco antes fizera O Corvo, e recentemente fez o interessante Presságio, Cidade das Sombras tem um visual impressionante até hoje, treze anos depois. A “cidade escura” é repleta de elementos góticos e está sempre à noite, o que proporciona uma bela fotografia.

O elenco traz algumas curiosidades. O protagonista, Rufus Sewell, é menos conhecido que os três coadjuvantes, Jennifer Connelly, Kiefer Sutherland e William Hurt. E o ator Richar O’Brien, o Mr. Hand, é o autor do musical The Rocky Horror Picture Show. Mais uma: é o filme de estreia de Melissa George, que faz a prostituta início do filme.

Agora preciso rever 13º Andar, outro “precursor” de Matrix – e depois, rever Matrix, claro…

Filme essencial para a cinemateca fantástica dos anos 90!

Blade Runner – O Caçador de Andróides

Blade Runner – O Caçador de Andróides

Aproveitei o domingo sem filhos em casa (filha na casa da mãe, filho passeando com os avós) pra fazer algo que heu me prometia há tempos: rever Blade Runner – O Caçador de Andróides, clássico de Ridley Scott. Mais de uma versão!

Los Angeles, novembro de 2019. Rick Deckard é um Blade Runner, um policial especialista em “aposentar” replicantes – perfeitos andróides usados para trabalho braçais em outros planetas. Quando seis replicantes fogem para a Terra, Deckard é chamado para encontrá-los.

Foi lançado aqui no Brasil um dvd triplo com QUATRO diferentes versões do filme, além de um monte de extras. Pesquisei na internet, na verdade, não precisava de tanta. Duas são do ano original de 1982, quase idênticas, a única diferença é que a “versão de cinema” tem algumas cenas violentas censuradas (por exemplo, a morte de Tyrell; ou o prego atravessando a mão de Roy), enquanto a “versão internacional” está completa. Já a “versão final”, de 2007, é quase igual à “versão do diretor”, de 1992, teve uma cena refilmada e a imagem remasterizada. Resumindo: um dvd com duas versões (a “internacional de 82” e a “final de 07”) seria suficiente…

(Heu particularmente não curto esse negócio de versões diferentes do mesmo filme. Um filme é uma obra pronta, finalizada, não precisa ser refeito – principalmente quando estamos falando de uma obra prima, um dos melhores filmes da década de 80. Mas parece que Ridley Scott gosta de novas versões, li na internet sobre uma nova versão de Alien…)

Voltando ao filme…

Blade Runner foi inspirado no livro “Do Androids Dream of Electric Sheep”, de Philip K. Dick, escritor de ficção científica que escreveu obras que geraram alguns filmes legais, como O Vingador do Futuro, Minority Report, O Pagamento, O Homem Duplo e O Vidente. Blade Runner foi o primeiro longa metragem baseado em K. Dick, e, na minha humilde opinião, um dos dois melhores (ao lado de O Vingador do Futuro).

O conceito do futuro criado por K. Dick e por Ridley Scott é muito interessante. Tudo escuro, muita sujeira, muita poluição visual. Chove o tempo todo, e as pessoas usam pesados casacos. Várias propagandas convidam as pessoas para uma vida melhor fora do planeta. É, muito antes de “aquecimento global” entrar na moda, Blade Runner já falava disso…

O visual do filme é fantástico. Parece que Ridley Scott tratou cada cena, cada plano, cada ângulo, para ter uma imagem visualmente bonita. Muito contra-luz, muita fumaça, muito neon, muita água. Fotogramas do filme fariam uma bela exposição de fotografias.

(Aliás, detalhe curioso: os cenários são cheios de propagandas publicitárias. Logomarcas famosas como Coca Cola e Budweiser dividem espaço com marcas falidas, como Pan Am; e marcas ligadas diretamente aos anos 80, como Atari e TDK…)

É curioso falar sobre o elenco do filme quase trinta anos depois. Harrison Ford, o protagonista Rick Deckard, era “o cara” na época, ele era o Han Solo de Guerra nas Estrelas e o Indiana Jones de Caçadores da Arca Perdida! E ele está aí até hoje. Falem o que quiser das suas habilidades como ator, mas o star power do cara é inegável. O grande vilão Roy foi interpretado por Rutger Hauer, recém chegado da Holanda, também estava com a carreira em alta na época – curiosamente, se especializou em filmes vagabundos dez anos depois. Outra que sumiu foi Sean Young, que fez Rachael, a protagonista feminina – não tenho nada contra ela, mas acho que outra atriz melhor poderia ter o papel. Daryl Hannah, a replicante Pris, era feinha, ela melhorou nos anos seguintes. E é curioso ver Edward James Olmos, o almirante Adama de BSG, parecendo um oriental de lentes de contato claras. Ainda no elenco, M. Emmet Walsh, William Sanderson, Brion James e Joanna Cassidy.

Outro ponto alto do filme é a inspirada trilha sonora do tecladista grego Vangelis. As músicas são muito boas, até hoje ouço o cd com os temas. Curiosidade: na época, Vangelis não liberou os fonogramas para o disco da trilha sonora. As músicas foram então regravadas por uma orquestra. Os fonogramas originais só foram disponibilizados anos depois.

Agora vou falar sobre as diferentes versões. Li na internet que a cena da morte de Zhora, a replicante que atravessa várias vitrines, foi refilmada. Olha, sinceramente, não vi necessidade. A suposta cena refilmada é tão igual à original que não descobri o que mudou! A não ser que o meu dvd não tenha esta cena refilmada…

Sendo assim, repito o que disse lá no começo: só duas versões valem ser vistas. E digo mais: as diferenças entre ambos não são tão grandes como nos fazem acreditar. Sinceramente, acho que não precisava de mais de uma versão…

Blade Runner é um filme tão bom, e tão importante pra história do cinema, que heu poderia continuar falando dele aqui. Mas chega, o post tá ficando grande demais. Terminarei com uma história pessoal minha envolvendo este filme:

Quando Blade Runner passou, não me lembro se era censura 16 anos ou 18 anos. Mas lembro que heu não tinha idade para ver – nasci em 71, o filme é de 82. Ou seja, não vi na época, mas ouvi falar muito. Principalmente porque heu já era fã de Guerra nas Estrelas e de ficção científica. Então, na minha cabeça, Blade Runner deveria ser mais uma ficção científica de naves espaciais, perseguições intergaláticas e tiros com armas laser, com o mesmo ator que fez o Han Solo. Consegui finalmente ver o filme numa reprise na segunda metade dos anos 80, e… achei uma porcaria! Que filme chato! Que filme ruim! Aí, anos depois, resolvi dar uma segunda chance ao filme, já despido de pré-concepções, e consegui ver o filme que toda a crítica idolatrava… Concluindo: nunca crie expectativas sobre um filme antes de assistí-lo!

Galactica, Astronave de Combate (1978)

Galactica, Astronave de Combate (1978)

Desde que acabei de ver a série BSG, de 2004, tenho vontade de rever a série original do fim dos anos 70, também criada por Glen A. Larson. Comprei o dvd com “o filme que deu origem à série” e voltei a uma história que acompanhou parte da minha infância!

Depois de muitos anos de guerra com os cilônios, os humanos estão prestes a conseguir a sonhada paz. Mas mal sabem eles que a trégua proposta pelos cilônios é uma farsa, e o objetivos dos inimigos metálicos ainda é o mesmo de antes: exterminar a raça humana. Acuados, os humanos sobreviventes agora procuram um novo lugar, um planeta que eles nem sabem se existe: a Terra.

Na verdade, este filme é composto dos três primeiros episódios da série de 1978, que teve um total de 24 episódios e depois foi cancelada por ser cara demais. Mas, apesar de ser uma produção para a tv, passou nos cinemas como um filme completo – me lembro de ter visto isso, se não me falha a memória, no cinema que tinha no Barrashopping. Depois do filme, a série passou na tv daqui. Era uma das três séries de tv de ficção científica que heu curtia – as outras eram Buck Rogers e Fuga do Século 23 (Logan’s Run no original).

As comparações são inevitáveis. Afinal, a nova BSG é uma das melhores séries da história da tv! Vamos a elas então.

O novo Adama de Edward James Olmos é muito bom, mas o Adama antigo de Lorne Greene também é. O mesmo acontece com Starbuck, uma mulher na na série nova (Katee Sackhoff), mas um homem aqui (Dirk Benedict, que depois foi o Cara de Pau em Esquadrão Classe A). O Apolo antigo era melhor, seu intérprete Richard Hatch inclusive ganhou um papel na série nova (o terrorista Tom Zarek). Por outro lado, o Baltar novo é muito melhor que o antigo – o ator James Callis era uma das melhores coisas da série. Tigh e Boomer novos também são melhores.

(Curiosidades: alguns personagens masculinos viraram mulheres na nova versão. Além de Starbuck, Boomer era um homem negro e virou uma mulher oriental.)

Parágrafo novo para falarmos dos cylons – chamados de cilônios na época. Os cilônios eram legais, grandes, assustadores, com aquela luzinha no olho e voz metálica. Mas os novos são muito melhores! Os novos robôs são melhores, e ainda rolam os cylons em forma de humanos. E isso porque não falei da Tricia Helfer e sua Caprica Six! Covardia…

Gosto muito da trilha sonora da nova versão, mas a trilha orquestrada de Stu Phillips, usada nesta versão antiga, é imbatível. Por outro lado, os efeitos especiais, a cargo do premiado John Dykstra (também produtor), eram muito bons para o fim dos anos 70, os melhores que a tecnologia da época podia oferecer; mas, vistos hoje, “perderam a validade”. Alguns dos efeitos são repetidos, como os caças saindo da Galactica. Aparece a mesma cena várias vezes!

Galactica sofreu um processo movido por George Lucas, pela semelhança com Guerra nas Estrelas, lançado um ano antes. Realmente, o visual é muito parecido, os cilônios lembram os stormtroopers, o líder dos inimigos é o “imperious leader”, nome que remete ao Império, rola até uma “cena da cantina”! Mas isso é só no formato, uma história nada tem a ver com a outra.

Gostei de ter revisto o antigo Galactica, Astronave de Combate depois de ter virado fã do novo BSG. São filmes diferentes, com um quarto de século de diferença entre eles. Mas, essecialmente, ambas as séries falam sobre a mesma coisa: ação, drama, política, religião, tradições, tudo isso embalado em uma boa aventura espacial. E ainda dá pra ouvir o Starbuck de Dirk Benedict soltar um “frak!”, exclamação muito usada na nova série (substituindo um certo palavrão começado pela letra “f”).

Existiu uma segunda tentativa de Galactica depois do cancelamento desta – dois anos depois, surgiu Galactica 1980. Foi um fracasso, quase todos os atores da primeira versão não participaram porque acharam o roteiro fraco, e acabou sendo cancelada após o décimo episódio. Não me lembro se essa passou no Brasil.

O dvd que comprei é importado, acho que não foi lançado aqui. Só através de torrent ou esperando uma reprise da tv a cabo…

(Deu vontade de comprar os dvds da tempoarada completa…)

Caprica – Season Finale

Caprica – Season Finale

E, depois de apenas 18 sonolentos episódios, chegou ao fim a mal aproveitada série Caprica.

Caprica é um spin off de BSG, a trama se passa 58 anos antes dos eventos da série original. Mostra o início da criação dos Cylons, e um dos personagens principais é Joseph Adama, pai do almirante Adama de BSG.

O potencial era grande, mostrar a origem de tudo, mostrar os planetas e culturas das colônias antes da guerra. Mas o ritmo da série era lento demais. Principalmente por ser algo relacionado a BSG, uma série que tinha como uma das principais características o ritmo frenético.

A série não agradou, e foi cancelada. Depois do cancelamento, ainda fizeram alguns episódios e lançaram direto na internet. Heu achei a série tão chata que parei no meio. Até que o meu amigo Marcelo Melo me falou bem do fim do último episódio, e voltei a ver.

Realmente, os últimos dez minutos do episódio final são muito interessantes para os fãs de BSG. Algumas coisas importantes são explicadas, agora a gente entende melhor a motivação dos cylons em BSG. Fica a dica para quem começou e está pensando em desistir: o fim vale a pena!

E o pior é que não dá pra recomendar só o fim da série, porque quem não viu o início não vai entender quem são os personagens e eventos. Acho que o ideal seria alguém eliminar todas as partes monótonas e condensar toda a história em uma minissérie de duas ou três horas.

Tem mais um comentário que quero fazer, mas preciso do aviso de spoilers antes!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

Nada a ver o destino que deram para o jovem William Adama. Pra que aquilo??? Completamente desnecessário!

FIM DOS SPOILERS!

Enfim, nada essencial. Mas quem for fã de BSG vai apreciar o fim da série.

Tron – O Legado

Tron – O Legado

Finalmente, estreou o aguardado Tron – O Legado!

Kevin Flynn (Jeff Bridges) desapareceu alguns anos depois do primeiro filme. Nos dias de hoje, seu filho, Sam Flynn, hoje com 27 anos, é o rebelde herdeiro da gigante Encom. Acidentalmente, Sam vai parar dentro do mundo digital, que está sendo controlado ditatorialmente por Clu, uma cópia digital de Kevin Flynn.

Dirigido pelo estreante Joseph Kosinski, Tron – O Legado é provavelmente o filme mais aguardado dos últimos tempos. Lembro de um trailer que rolou na Comic Con de 2008 (algum filme já teve paineis em três Comic Cons seguidas?). E fica a pergunta: valeu tanta espera? A resposta é sim e não. O visual do filme é deslumbrante. Mas infelizmente isso não apaga as falhas do filme…

O primeiro Tron, de 1982, foi um marco na história dos efeitos especiais no cinema. Era um filme passado boa parte dentro de um computador, numa época que quase ninguém tinha intimidade com computadores, uma época que efeitos especiais por computador eram raros. Tron – O Legado seguiu a tradição e trouxe uma inovação que provavelmente será moda em Hollywood em breve: um ator rejuvenescido digitalmente. Jeff Bridges aparece em duas versões: o Kevin Flynn atual, com sessenta anos, e Clu, a versão digital, com a mesma cara que ele tinha 28 anos atrás.

Ficou perfeito? Bem, acho que daqui a alguns anos a gente vai rever e achar tosco. Mas, pela tecnologia que existe hoje em dia, ficou muito bom! É impressionante ver o Jeff Bridges mais novo atuando ao lado do atual. Não é um “Jar Jar Binks”, um simples boneco digital. É o mesmo ator que já vimos em tantos filmes por aí. (Diz a lenda que James Cameron, ao ver o resultado, disse para o Spielberg preparar um novo Indiana Jones para o Harrison Ford…)

Aliado a isso, foi feito um grande upgrade no mundo digital apresentado no primeiro filme. Os mesmos veículos, roupas, objetos, cenários, tudo voltou melhorado. Até os jogos, que às vezes parecem meio confusos (síndrome de Transformers?), estão muito mais bem feitos. O visual é um pouco escuro, mas é de deixar o queixo caído.

(Só não gostei do 3D. Achei um desperdício. Poucas cenas realmente usam todo o potencial. Podia ser só em 2D que não ia fazer diferença.)

Mas aí vem o lado fraco: o roteiro. Alguns elementos são jogados na história e depois deixados de lado, como por exemplo todo o discurso sobre software livre que rola no início do filme. Ou então a interessante e sub-aproveitada história dos ISOs. Isso tornou o filme um pouco longo demais (pouco mais de duas horas), desnecessariamente.

Mesmo assim, achei o resultado positivo. Pode não ser um dos melhores filmes do ano, mas não decepciona.

No elenco, o grande nome é Jeff Bridges, que faz um vilão digital e um mocinho meio guru, meio Lebowski. Outros dois nomes do elenco também chamam a atenção. Um é Michael Sheen, exagerado no ponto exato (adorei a dancinha que ele faz no meio da briga). A outra é Olivia Wilde, linda, linda, linda. Bruce Boxleitner, do primeiro filme, também volta em uma rápida versão rejuvenescida digitalmente, mas, como é um ator muito menos conhecido, aparece pouco na tela. Pena que o ator principal, Garrett Hedlund, é tão fraquinho…

(Fiquei com vontade de rever Turistas, aquele filme ruinzinho filmado no Brasil. Tem a Olivia Wilde de biquini, e também tem nudez gratuita da Beau Garret, que faz a Gem aqui em Tron – O Legado)

A inspirada trilha sonora, a cargo da dupla francesa Daft Punk, é outro dos acertos do filme. Com temas instrumentais meio vintage meio sinfônicos, a trilha funciona perfeitamente. E ainda rola um cameo da dupla: eles são os djs que estão na festa no End Of The Line Club.

No fim, o resultado não ficou de todo ruim. Mas fica aquela sensação de que, com um roteiro melhor e talvez um diretor mais experiente, poderia ser bem melhor.