Ponto sem Retorno

Crítica – Ponto sem Retorno

Sinopse (imdb): Em um mundo pós-apocalíptico, um vírus dizima a humanidade. Os sobreviventes enfrentam saqueadores errantes conhecidos como Ceifadores. O protagonista, Hig, um piloto, sobreviveu à gripe, mas perdeu a esposa.

Alguns diretores sempre estão no radar. Ridley Scott é um deles. Tanto que este filme estava aqui no heuvi, na lista de expectativas para 2026, lista feita em dezembro de 2025, época que ainda não tinha quase nenhuma informação sobre ele pela internet.

Em Ponto sem Retorno, estamos em um futuro próximo (acho que é 2035, em algum momento isso é dito durante o filme, mas não tenho certeza da data). Quase toda a população foi levada por um vírus. Hig é um sobrevivente que vive isolado, com o amigo Bangley, e usa um avião monomotor para procurar recursos e ajudar alguns raros vizinhos. E vive intrigado por uma mensagem que ouve no rádio sobre um oásis num local não muito perto.

Ridley Scott é um cara que tem um currículo excelente, e o fato dele estar com oitenta e oito anos e ainda filmar é impressionante. Mas infelizmente temos que reconhecer que nem todos os seus filmes são bons. Aliás, rolou uma piada no Podcrastinadores de Expectativas 2026 (também levei esse filme pra lá), que o Ridley Scott faria apenas um filme bom por década. Década passada foi Perdido em Marte; esta década foi O Último Duelo – ou seja, ele não teria mais nenhum filme bom por alguns anos. Ponto sem Retorno não é ruim, longe disso, mas está bem distante dos seus melhores títulos (quando o cara tem uma filmografia com filmes como Alien, Blade Runner, Gladiador, Thelma & Louise e Falcão Negro em Perigo, fica difícil manter o nível).

Ponto sem Retorno é bonito, é bem filmado, mas parece uma colagem de ideias que a gente já viu antes. Lembra Extermínio, Eu Sou a Lenda, Epidemia, tem até um momento Mad Max Estrada da Fúria. Pelo menos é bem conduzido – mesmo com a idade avançada, Ridley Scott ainda consegue manter um bom ritmo ao longo do filme. E tem uma grande cena de ação com o personagem do Josh Brolin que é realmente eletrizante.

Tem uma sequência que vai dividir opiniões, um trecho que destoa um pouco do clima do resto do filme. Heu gostei, mas prevejo que vai ter gente saindo das salas de cinema reclamando justamente dessa sequência.

Vou implicar com um detalhe, mas não é nada grave, é só implicância mesmo. É que o protagonista Hig é um cara muito perfeito. O cara pilota avião, conserta de tudo, tem mira perfeita, cuida de plantações, cozinha, e ainda por cima sabe se comunicar com sinais de libras! Caramba, bora colocar uns defeitos nesse cara! 😛

Outro problema que também não é grave. Tem um erro de continuidade meio feio. Determinado momento vemos um estouro de uma manada de búfalos, e vemos claramente que parte do avião é quebrada pelos búfalos. Logo depois o avião está intacto. Pô, galera, bora prestar atenção na continuidade!

Vou terminar meu “momento mimimi” com uma reclamação ainda menos importante. Determinado momento rola uma festa, e vemos músicos tocando. Benedict Wong pega um banjo (ou instrumento parecido), e aparentemente não está tocando, só fingindo. Logo depois Josh Brolin pega um violão e se junta ao grupo. Se tenho dúvidas sobre Wong, definitivamente Brolin não está tocando. A harmonia muda, e ele continua no mesmo acorde!

O elenco é bom. Jacob Elordi, apesar de certinho demais, tem carisma pra gente se importar com ele. Josh Brolin está ótimo como o parceiro mal humorado e desconfiado de tudo. Também no elenco, Margaret Qualley, Guy Pearce, Allison Janney e Benedict Wong.

Ponto sem Retorno não é um dos melhores trabalhos de Ridley Scott, mas quem for ao cinema não vai sair com raiva do que viu.

Gladiador 2

Crítica – Gladiador 2

Sinopse (imdb): Após ter seu lar conquistado pelos imperadores tirânicos que agora comandam Roma, Lucius é forçado a entrar no Coliseu e deve olhar para o seu passado para encontrar força para devolver a glória de Roma ao seu povo.

O primeiro Gladiador, de 2000, é um filmaço, tanto na parte técnica quanto na história: um general do exército acaba virando escravo e depois vira gladiador, enquanto busca vingança contra quem lhe fez mal. E tem um final fechado, porque – spoiler de um filme de 24 anos atrás – tanto o protagonista quanto o antagonista morrem no fim do filme. Como fazer uma continuação?

(O imdb fala de uma proposta de continuação que seria escrita pelo músico Nick Cave, onde Maximus chegaria no pós vida, onde encontraria Jupiter, que o mandaria de volta pra Terra como um imortal, e ele participaria das Cruzadas, da Segunda Guerra Mundial, da Guerra do Vietnã, e terminaria trabalhando no Pentágono, em Washington. Acho que seria um filme muito ruim, mas heu queria ver esse filme!)

Bem, este Gladiador 2 usa alguns artifícios pra ser chamado de “continuação”. Primeiro, traz de volta um personagem secundário que era criança no primeiro filme. Depois, utiliza exatamente o mesmo formato: homem bom de briga vira escravo e depois gladiador, em busca de vingança. É algo criativo? Não, mas pelo menos não engana o espectador.

Mais uma vez dirigido por Ridley Scott (que faz 87 anos no fim do mês e está cheio de novos projetos para os próximos anos!), Gladiador 2 tem seus altos e baixos. Claramente é inferior ao primeiro, mas o “espectador de multiplex” (aquele que vai ao cinema no fim de semana apenas pra se distrair) não vai se decepcionar. Mas, preciso falar sobre uns problemas…

A comparação com o primeiro filme é inevitável. Lá, o protagonista Maximus Decimus tinha um objetivo claro de vingança, e persegue ela até o fim do filme. Aqui, o novo protagonista também tem um objetivo inicial de vingança, mas no meio do caminho o filme muda de antagonista e a vingança é deixada de lado. Aliás, a mudança do protagonista é muito brusca, ele odeia o personagem do Pedro Pascal, e depois de um breve diálogo, muda de ideia e o que era vilão passa a ser um coitado. Essa virada de chave ficou muito mal construída.

Outra coisa que achei forçada foi a ligação do protagonista com um passado que ele não viveu. Ele era criança no primeiro filme e não tinha vivido as coisas que colocaram aqui pra ligá-lo ao filme anterior. Bem, é forçado, mas é cinema, então é uma crítica mas a gente deixa pra lá.

Tenho elogios e críticas à parte técnica. Por um lado, a tecnologia de efeitos pelo computador evoluiu, e aqui conseguimos ter coisas bem mais difíceis de se recriar vinte anos atrás. O filme começa com uma boa sequência de uma cidade sendo atacada por navios, tem uma cena no Coliseu onde enchem de água pra recriar uma batalha naval, e ainda tem uma outra cena no Coliseu onde vemos um rinoceronte! Todas essas sequências ficaram bem legais. Mas, por outro lado, tem uma batalha de gladiadores contra babuínos onde os babuínos ficaram bem toscos. O efeito especial não funcionou. A piada que rolou depois da sessão de imprensa é que esses babuínos seriam xenomorfos e este filme seria conectado à franquia Alien.

Sobre o elenco, preciso dizer que Paul Mescal não me convenceu – principalmente quando a gente lembra que é uma continuação e ele acaba sendo comparado com o Russell Crowe no primeiro filme. Por outro lado, Denzel Washington está muito bem. Sua interpretação é uma das melhores coisas de Gladiador 2. Não gostei do personagem do Pedro Pascal, achei inconsistente, ele começa sendo o antagonista, mas o roteiro resolve criar uma redenção que, na minha humilde opinião, falhou. Connie Nielsen volta ao mesmo papel, mas achei a personagem fraca. Derek Jacobi também repete o papel do primeiro filme, mas era um papel pequeno lá, e aqui também é bem secundário. Por fim, um dos imperadores é interpretado por Joseph Quinn, o Eddie de Stranger Things, que parece que está com a carreira decolando.

No fim, Gladiador 2 está sendo anunciado como “o épico do ano”, mas será apenas mais um filme ok, que será esquecido em breve.

Napoleão

Crítica – Napoleão

Sinopse (imdb): O filme oferece uma visão pessoal das origens de Napoleão e de sua ascensão rápida e implacável ao império, vista através do prisma de seu relacionamento viciante e muitas vezes volátil com sua esposa e verdadeiro amor, Josephine.

Novo épico dirigido por Ridley Scott, grande diretor, de Alien, Blade Runner, Perdido em Marte, e que já nos entregou outros épicos como Gladiador e Cruzada. Recentemente Scott fez o bom Último Duelo e o fraco Casa Gucci, e isso já me dizia o que esperar de Napoleão: um filme bonito, mas meio chato.

Sei que vou me contradizer agora, mas preciso reconhecer isso. Sempre defendi filmes curtos. Acredito que o mais enxuto é sempre melhor. Mas… Este Napoleão dos cinemas tem duas horas e trinta e oito minutos, e Ridley Scott disse que tem uma versão de quatro horas que será lançada em breve na Apple TV. E teve coisa mal contada aqui, que acredito que pode ser melhor desenvolvida numa versão mais longa. Um exemplo: depois de anos tentando gerar um herdeiro, Napoleão se separa e casa de novo, e sua segunda esposa lhe dá um filho. E acho que essa segunda esposa só aparece em uma única cena! Ou seja, neste caso em particular, a versão longa deve ser melhor estruturada. Aqui teve muita coisa atropelada.

Soube de outro problema, mas esse não é da área que heu entendo. Existem críticas de que o filme não respeita fatos históricos. Scott foi criticado com relação a supostos erros na História, mas a sua resposta aos historiadores foi “Excuse me, mate, were you there? No? Well, shut the fuck up then.” (“Desculpe, amigo, você estava lá? Não? Bem, então cale a boca.”). Bem, não acho que esse seja o melhor modo de se encarar a História. Se ele queria fazer algo do jeito dele, devia fazer como o Tarantino e assumir que aquilo não é real.

Teve outro problema, e esse me incomodou: a idade do ator principal. Joaquin Phoenix é um grande ator (não é seu melhor trabalho, daqui a pouco volto nisso), mas, aos 49 anos de idade, precisaria de uma maquiagem forte ou de um rejuvenescimento digital para interpretar um Napoleão de vinte e poucos anos no início do filme – vemos datas na tela, Napoleão se casou com menos de 30, e foi coroado imperador aos 35. E Phoenix passa o filme inteiro com a mesma cara. Zero maquiagem para mudar a idade.

Por outro lado, as cenas de batalha são ótimas. Duas delas, Austerlitz e Waterloo, são grandiosas e muito bem filmadas. Aos 85 anos (ele faz 86 mês que vem!), Ridley Scott mostra que ainda manja dos paranauês quando o assunto filmar batalhas épicas.

Aliás, toda a produção merece elogios quanto à reconstituição de época. A cenografia é perfeita e a fotografia é belíssima.

Sobre as atuações, esse é um filme onde basicamente só dois atores têm espaço para grandes papéis. Joaquin Phoenix não está mal, mas também não está bem. Ele parece repetir outras atuações, o seu Napoleão parece ser uma colagem de outros personagens de outros filmes. Felizmente, nada grave, é um grande ator e não chega a atrapalhar o filme. Vanessa Kirby tem o outro papel importante, Josephine, a esposa do Napoleão, e também está ok.

No fim, vale pelas batalhas e pela reconstituição de época. Mas a bagunça no roteiro dá vontade de aguardar a versão mais longa.

Casa Gucci

Crítica – Casa Gucci

Sinopse (imdb): Quando Patrizia Reggiani, uma mulher humilde, casa-se com um membro da família Gucci, a sua ambição desenfreada começa a desvendar o seu legado e desencadeia uma espiral de traição, decadência, vingança e finalmente homicídio.

Mês passado falei aqui de O Último Duelo, filme novo do octogenário Ridley Scott. E, olha só, mais um filme do Ridley Scott em cartaz nos cinemas!

Pena que, na minha humilde opinião, o resultado aqui ficou bem abaixo daquele. Vamulá.

Casa Gucci (House of Gucci, no original) segue o livro The House of Gucci: A Sensational Story of Murder, Madness, Glamour, and Greed, de Sara Gay Forden. Preciso admitir que não só não li o livro, como nem sabia do caso. Assim, não tenho ideia de quanto do que vemos na tela é história real e o quanto foi romantizado.

Casa Gucci é um belo filme. Boas locações, belos figurinos, boa reconstituição de época, atuações inspiradas. Mas… Não empolga. Digo mais: com duas horas e trinta e sete minutos de duração, o filme cansa.

O grande destaque são as atuações. O elenco é ótimo, e todos estão bem – acho que o único que está apenas ok é o protagonista Adam Driver. Lady Gaga, Al Pacino e Jeremy Irons estão ótimos. E Jared Leto consegue estar um degrau acima.

Jared Leto está irreconhecível. Não vi o trailer antes, não tinha visto nada sobre o filme, vou confessar que não o reconheci durante o filme. Quando começaram os créditos, a surpresa: como assim Leto é o Paolo Gucci? Quase deu vontade de rever o filme só pelas suas cenas. Uma indicação ao Oscar é algo quase certo.

Mas, o filme é longo e chato, a gente fica esperando, e a história não decola nunca. Além disso, algumas coisas ficaram meio abruptas, como por exemplo a separação do casal, que veio meio de repente. Me parece que o roteiro poderia ter uma lapidada melhor.

Ah, e tem uma cena que vai gerar risadas nos cinemas brasileiros, mas pelos motivos errados. Uma personagem fala que a música lhe traz recordações de Ipanema, e diz que vai dançar salsa por isso…

Tem gente reclamando dos sotaques. Todos falam inglês, com sotaque de italiano. Sim, ficou estranho, talvez fosse melhor se os atores falassem em italiano. Mas… Isso é meio padrão em filmes hollywoodianos, então não vejo muito sentido de reclamar só aqui.

No fim, fica a sensação de que esse elenco merecia um roteiro melhor.

O Último Duelo

Crítica – O Último Duelo

Sinopse (imdb): O rei Carlos VI declara que o cavaleiro Jean de Carrouges resolva sua disputa com um escudeiro desafiando-o para um duelo.

O Último Duelo (The Last Duel, no original) é uma superprodução ambientada nos tempos medievais – o filme começa em 1386, e volta alguns anos no tempo pra situar o espectador. É baseado em uma história real, esta foi a última vez que um julgamento foi decidido por um duelo até a morte. Sim, era lei, se um juiz não conseguia decidir quem estava certo, acontecia um duelo até a morte, onde teoricamente Deus ajudaria quem está certo. Quem ganha o duelo também ganha o julgamento, porque segundo essa lógica, o outro morreu porque estava errado. Bizarro pensar que a gente já foi assim…

Um dos destaques de O Último Duelo sem dúvidas é a direção de Ridley Scott. Aliás, impressionante analisar a carreira deste senhor de 83 anos. Scott começou a carreira na TV em 1965. Em 77, fez seu primeiro longa, Os Duelistas (que, coincidentemente também fala de duelos medievais), e, entre altos e baixos, nunca parou. Apesar de alguns escorregões (cof cof Prometheus e Covenant), é uma carreira brilhante. Aqui, Scott apresenta uma perfeita reconstituição de época, e imagens extremamente bem filmadas, principalmente no duelo que dá nome ao filme.

Mas acho que o maior destaque de O Último Duelo é o roteiro, baseado no livro escrito por Eric Jager. Escrito por Matt Damon, Ben Affleck e Nicole Holofcener, o filme mostra diferentes pontos de vista da mesma história. Em vez do tradicional “formato Syd Field”, o filme conta a história, depois volta pra mostrar a mesma história sob outro ponto de vista. Boa sacada!

Matt Damon e Ben Affleck não escreviam juntos um roteiro desde Gênio Indomável, de 1997 (quando ganharam o Oscar). Nicole Holofcener foi convidada para dar uma perspectiva feminina ao roteiro.

Tive impressões opostas relativas ao elenco. Gostei muito da Jodie Comer (Free Guy), e também do Adam Driver – cada vez mais mostrando que é um grande ator. Por outro lado, achei o Matt Damon caricato (Ben Affleck tem um papel bem menor, não está bem, mas não atrapalha). Entendo que o personagem de Driver oferece muito mais opções ao ator, é um cara culto, sabe línguas, entende de matemática, enquanto o personagem de Damon é um cara rude e bronco, intelectualmente rasteiro. Mas achei Damon sempre com a mesma cara.

(Além disso, o visual dele sempre me lembrava o Terry Gilliam em Cálice Sagrado…)

Além de ser um grande filme, O Último Duelo ainda levanta questionamentos sociais importantes. A parte do duelo até a morte felizmente já foi deixada pra trás no passado. Mas o filme levanta questões sobre o machismo e a gente sai do cinema pensando que certos comportamentos ainda são bem próximos de parte da sociedade.

Alien: Covenant

alien covenantCrítica – Alien: Covenant

Os tripulantes da nave colonizadora Covenant encontram um planeta remoto. O que antes parecia ser um paraíso inexplorado, torna-se uma ameaça além da imaginação.

Depois do decepcionante* Prometheus, mais uma vez Ridley Scott volta ao universo dos xenomorfos e face huggers.

Recapitulando: os dois primeiros (Alien, o Oitavo Passageiro, dirigido por Scott em 1979, e Aliens O Resgate, James Cameron, 86) são clássicos absolutos da ficção científica. O terceiro e o quarto filmes (David Fincher, 92; Jean Pierre Jeunet, 97) têm seus méritos, mas são bem inferiores aos dois primeiros. Na década de 00, tivemos dois Alien vs Predador, uma ideia que no papel parecia boa, mas que gerou dois filmes horríveis. Scott voltou à franquia em 2012 com Prometheus, e disse na época que seria uma trilogia prequel. Alien: Covenant (idem, no original) é o segundo filme desta trilogia.

Ter Scott na direção deveria ser garantia de qualidade, afinal, foi ele quem começou com isso tudo. Mas, mais uma vez, Scott fica devendo.

Alien: Covenant é melhor que Prometheus, mas ainda está bem abaixo dos dois primeiros filmes. Algumas falhas de roteiro presentes no filme anterior se repetem aqui – como é que astronautas entram num planeta desconhecido sem capacete, só porque tem oxigênio e nitrogênio na atmosfera? Ninguém pensou em vírus??? Além disso, a história tem uns papos cabeça desnecessários (pra que aquele prólogo?), e resolve responder perguntas que ninguém perguntou sobre os xenomorfos.

(Dois amigos críticos falaram muito mal, dizendo que Scott queria apagar o Aliens de James Cameron. Não entendi por esse lado.)

No fim, temos mais do mesmo. Li em algum lugar uma comparação com Sexta Feira 13 – vira um filme onde o monstro caça um por um. Ok, divertido, mas a gente já viu isso antes muitas vezes, né?

Se algo merece elogios, é a atuação de Michael Fassbender. O cara interpreta dois androides, e a gente consegue ver direitinho as diferenças entre os personagens. Em compensação, o resto do elenco fica devendo. Katherine Waterstone (Animais Fantásticos e Onde Habitam) falha na tentativa de entregar uma protagonista feminina forte (como Sigourney Weaver na quadrilogia ou Noomi Rapace em Prometheus). E gosto do Billy Crudup pelo Quase Famosos, mas ele tá péssimo aqui. Também no elenco, Danny McBride, Demián Bichir, Carmen Ejogo e Callie Hernandez, além de pontas de James Franco e Guy Pearce.

No fim, temos um filme que nem é ruim, vai agradar os menos exigentes. Mas heu gostei mais do Vida, mesmo sabendo que é quase um plágio do primeiro Alien…

* Revi Prometheus antes de ver Covenant, realmente é um filme com mais defeitos do que méritos. Mas preciso admitir que quando escrevi minha crítica logo depois de sair da sessão, falei bem do filme…

Perdido em Marte

Perdido em MarteCrítica – Perdido em Marte

Alvíssaras! O melhor Ridley Scott em anos!

Durante uma missão em Marte, o astronauta Mark Watney é dado como morto e deixado para trás, e se vê sozinho no planeta, tendo que sobreviver e encontrar um meio de avisar que ainda está vivo.

Ridley Scott é um cara que vai sempre morar nos nossos corações, afinal, o cara fez Alien e Blade Runner. Mas, de uns anos pra cá, o cara só batia na trave – seus últimos filmes foram Prometeus, O Conselheiro do Crime e Êxodo: Deuses e Reis. Mas agora a coisa mudou: Perdido em Marte (The Martian, no original) é emocionante, divertido, tenso e engraçado, e um forte candidato a um dos melhores filmes do ano!

Baseado no livro homônimo de Andy Weir, o roteiro escrito por Drew Goddard (O Segredo da Cabana, Guerra Mundial Z) é muito bem equilibrado e flui bem ao contar a história de Mark Watney. Diferente do universo alienígena de Alien e Prometeus, Perdido em Marte tem uma trama que lembra mais Gravidade: trata-se de um filme de sobrevivência.

A fotografia utiliza vários formatos de câmera, aproveitando o fato de terem várias câmeras espalhadas pela missão da NASA. Temos várias imagens de tela do computador e de câmeras acopladas às roupas e aos veículos, além das imagens tradicionais. Boa sacada!

O filme é estrelado por Matt Damon, em talvez o melhor papel de sua carreira. Sabe aquele filme pro cara ser indicado a prêmios? Perdido em Marte é um deles. Damon passa boa parte do filme sozinho, e seu Mark Watney é um personagem rico, um prato cheio para um bom ator se exercitar. Ainda é cedo, mas não vou achar estranho se houver indicações a prêmios. Um grande elenco acompanha Damon: Jessica Chastain, Kristen Wiig, Jeff Daniels, Sean Bean, Michael Peña, Aksel Hennie, Chiwetel Ejiofor, Mackenzie Davis, Donald Glover, e um casal improvável, Sue Storm e Bucky Barns, quer dizer, Kate Mara e Sebastian Stan.

Falar de efeitos especiais numa produção deste porte é chover no molhado. Claro que os efeitos são top de linha. Mas, confesso, queria ver algo que mostrasse que a gravidade em Marte é bem menor que aqui na Terra.

Falando nisso, li um artigo onde astronautas criticam o lado científico de certas escolhas tomadas pelo roteiro. Parece que a tempestade de areia que acontece logo no começo – e que dá início à toda a trama do filme – não aconteceria daquele jeito por causa do ar rarefeito de Marte. Mas, como não sou cientista, não me incomodou. É um filme, galera!

Ouvi gente criticando o bom humor do filme. Discordo, gostei de como o personagem de Damon consegue manter o bom humor mesmo nas adversidades. E tem pelo menos uma piada nerd genial: a cena do “conselho de Elrond” (Sean Bean, que interpretou o Boromir, está presente na cena!). E não posso deixar de citar a trilha sonora, repleta de músicas disco que não têm nada a ver com o estilo, mas tudo a ver com a trama, e se encaixam perfeitamente.

Por fim, o 3D. Como sempre, nada demais. Perdido em Marte sobrevive em 2D.

p.s.: O Matt Damon também ficou sozinho num planeta em Interestelar. Gente, cuidado ao levá-lo para um planeta desabitado, o cara costuma se perder e ficar por lá!

 

Êxodo: Deuses e Reis

Exodus-posterCrítica – Êxodo: Deuses e Reis

Filme novo do Ridley Scott!

Criados juntos, Moisés e Ramsés se vêem e lados opostos quando Moisés resolve liderar 600 mil escravos hebreus em uma monumental jornada para fugir do Egito.

Ridley Scott resolveu mostrar a sua versão da já manjada história bíblica – todo mundo conhece, né? Pragas, mar se abrindo, tábuas dos dez mandamentos, etc, tá tudo lá. Inclusive, já temos filmes (Os Dez Mandamentos) e desenhos (O Príncipe do Egito) falando sobre isso. A questão é: Scott fez um filme “definitivo”?

Respondendo: sim e não. Por um lado, tecnicamente falando, Êxodo: Deuses e Reis (Exodus: Gods and Kings) é um absurdo. Mas, por outro lado, tire os efeitos, e temos um filme bobo. O filme não chega a ser ruim, só não empolga.

Vamos à parte técnica: temos tomadas aéreas das cidades e das batalhas onde vemos detalhes nunca antes vistos na história do cinema. As pragas que assolaram o Egito também são impressionantes. E a cena mais esperada por todos, o mar se abrindo, ficou fantástica.

Ainda neste assunto: Scott segue a atual tendência de realismo, e adaptou alguns dos milagres para a plateia cética atual. Se a morte dos primogênitos continua um mistério da fé, o mar se abrindo virou um tsunami. Boa sacada!

Tem gente por aí comparando Êxodo: Deuses e Reis com o recente Noé, do Darren Aronofsky. Discordo da comparação, as únicas coisas que ambos têm em comum são os temas bíblicos e os bons efeitos especiais. Noé tem várias “licenças poéticas”, a história bíblica virou um “samba do afro descendente especial” (versão politicamente correta de “samba do crioulo doido”). Neste aspecto, Êxodo: Deuses e Reis é mais próximo da história convencional.

Sobre o elenco, Christian Bale é um grande ator e faz um bom Moisés, podemos dizer que ele é carrega o filme nas costas. O pouco conhecido Joel Edgerton está ok como Ramsés, mas podia ser outro ator, meio que tanto faz. Agora, preciso dizer que não se contrata uma atriz como a Sigourney Weaver para uma participação tão pouco importante. Foi realmente decepcionante vê-la num papel tão secundário. Ainda no elenco, Ben Kingsley, John Turturro, Maria Valverde, Indira Varma e Tara Fitzgerald.

Ridley Scott sempre terá crédito comigo, afinal, o cara é o diretor de Alien e Blade Runner, além de vários outros bons filmes (1492, Gladiador, Falcão Negro em Perigo…). Mas, vou te falar, com uma sequência Robin Hood, Prometheus, Conselheiro do Crime e Êxodo: Deuses e Reis, fica cada vez mais difícil de defender o cara.

O Conselheiro do Crime

ConselheiroDoCrimeCrítica – O Conselheiro do Crime

Filme novo do Ridley Scott, estreia de roteirista famoso, elenco estelar… Será que presta?

Um advogado tem sua cabeça posta a prêmio após envolver-se com o submundo do tráfico de drogas.

O Conselheiro do Crime (The Counselor, no original) é o primeiro roteiro para cinema do premiado escritor Cormac McCarthy (que escreveu os livros onde se basearam Onde os Fracos Não Têm Vez e A Estrada). Os fãs do autor estavam com a expectativa alta. Mas, como roteirista, McCarthy se mostrou apenas mediano. Seu filme é linear e previsível, o roteiro não tem nenhuma reviravolta – tudo o que a gente imagina desde a primeira cena vai acontecer.

Pra piorar, tem a verborragia. Alguns diálogos são longos demais e chegam a tornar o filme cansativo. Algumas cenas poderiam ser bem mais curtas, outras nem precisavam estar aqui – por exemplo, qual o sentido da cena do confessionário?

O que salva é o talento dos realizadores, tanto atrás quanto à frente das câmeras. Com a experiência de quase quatro décadas de bons filmes no currículo, o diretor Ridley Scott consegue belas imagens mesmo quando conta uma história simples.

O outro destaque está no elenco. Michael Fassbender, um dos melhores atores contemporâneos, arrebenta – como era de se esperar. Javier Bardem e Brad Pitt também estão inspirados, como o quase sempre. A surpresa está com a Cameron Diaz, que estamos acostumados a ver em papeis bobinhos, e que aqui está excelente num papel de mulher fatal. Penelope Cruz é que não se destaca, mas também seu papel de esposa inocente não ajuda. Ainda no elenco, Rosie Perez, John Leguizamo, Bruno Ganz, Natalie Dormer e Dean Norris.

Mas, apesar do talento das pessoas envolvidas, O Conselheiro do Crime fica devendo. Ridley Scott já fez coisa bem melhor.

p.s.: O título nacional, mais uma vez, pisa na bola. O protagonista é um advogado, que não aconselha ninguém – pelo contrário, passa o filme inteiro ouvindo conselhos.

Prometheus

Crítica – Prometheus

Finalmente, chegou um dos mais aguardados filmes de 2012!

Um grupo de arqueólogos descobre uma pista sobre a origem da humanidade na Terra. Uma grande corporação então organiza uma expedição a um planeta distante, onde vão procurar respostas para questões existenciais.

Antes de começar a falar de Prometheus, preciso avisar que NÃO é um filme da franquia Alien. “Ué, mas esse filme não era um prequel do primeiro Alien? Bem, mais ou menos. Explico.

Prometheus é um prequel sim. Mostra o universo dos filmes Alien, antes do que aconteceu lá longe, no primeiro, Alien, o Oitavo Passageiro, dirigido pelo mesmo Ridley Scott em 1979. Mas não é um filme sobre a criatura “alien” – os xenomorfos e “face hughers”. Isso pode causar uma grande decepção em boa parte dos espectadores, que vão ao cinema para ver os bicharocos com sangue ácido e uma boca dentro da outra. Então, caro leitor, deixe-me avisá-lo logo: Prometheus NÃO é um filme sobre os aliens!

Dito isso, vamos ao filme. Prometheus não é Alien, mas é muito bom. Ridley Scott está de volta!

Prometheus entrega o “prometido” (desculpem, mas o trocadilho era inevitável…): misto de ficção científica com suspense e pitadas de terror, trama mostrando elementos do universo Alien, efeitos especiais excelentes e uma cenografia com um visual embasbacante – os cenários e alienígenas seguem o traço do pintor H. R. Giger, o criador do xenomorfo original.

O visual de Prometheus é realmente impressionante. Todos aqueles cenários devem ser digitais, mas a qualidade da imagem faz tudo parecer muito real. A fotografia do filme é belíssima!

O elenco é muito bom. Michael Fassbender está excelente como o androide “da vez” (não, não é spoiler). Noomi Rapace, da versão sueca de Os Homens que Não Amavam as Mulheres, manda bem com a sua “nova Ripley” (personagem de Sigourney Weaver nos quatro filmes da série Alien). Charlize Theron também está ótima com a fria chefe. Só não gostei de Guy Pearce mal maquiado como o idoso Weyland. Por que não contratar um ator veterano? Ou pelo menos fazer uma maquiagem bem feita? Ainda no elenco, Idris Elba, Logan Marshall-Green, Sean Harris, Rafe Spall e uma ponta de Patrick Wilson.

Prometheus é bom, mas não é perfeito. O roteiro tem algumas falhas (como é que logo o geólogo responsável pelo mapeamento do local é o cara que se perde?), e são muitos personagens mal desenvolvidos… E ainda tem outro problema: a responsabilidade de ser “a nova ficção científica dirigida por Ridley Scott”. Scott foi o diretor de dois dos maiores filmes da história da ficção científica: Alien, o Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner, o Caçador de Androides (1982). Prometheus é bom, mas perde na inevitável comparação.

Mas, na minha humilde opinião, o pior defeito de Prometheus é não ser uma história fechada. O fim do filme deixa claro que teremos uma continuação em breve. E sabendo que um dos roteiristas é Damon Lindelof, que tem Lost no currículo, a gente fica com o pé atrás com relação a pontas soltas…

Mesmo assim, Prometheus é um grande filme, e merece ser visto no cinema – parte do visual deslumbrante vai se perder no lançamento em dvd / blu-ray. Vi a versão em 3D, mas não senti nada essencial, acredito que possa ser visto em 2D sem nenhum prejuízo.

Agora aguardamos a continuação. Que seja tão boa quanto a continuação do primeiro Alien!

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Alien, o Oitavo Passageiro
Força Sinistra
Distrito 9