
A Concepção
Às vezes falam que a gente tem implicância com o cinema nacional. Ai a gente se enche de boa vontade e vai ver um filme nacional. E então vê uma bomba como este A Concepção. E me pergunto se é preconceito ou conceito mesmo…
Tenho uma grande boa vontade e ao mesmo tempo uma grande implicância com o cinema nacional, desde que sou moleque e existia a Embrafilme. Parece que, na época da Embrafilme, era assim: alguns membros de uma seleta panelinha pegavam dinheiro público e faziam qualquer porcaria. Pra vender, em vez de qualidade, tinha mulher pelada. E como não existia um compromisso com o retorno financeiro do mercado, era porcaria atrás de porcaria. São poucos os filmes que se salvam no meio de tanto lixo.
A Embrafilme acabou, o cinema voltou a ser algo comercial. Tem que vender, ué, senão não se paga! E algo vendável não precisa necessariamente ser ruim!
Mas ao que parece, ainda tem gente que pensa como naquela época. Este A Concepção é exatamente isso: um fiapo de história ruim regado a muita nudez, sexo e drogas.
Um grupo de jovens ricos mora em Brasilia. Os pais de todos estão sempre longe, apenas pagando as contas. Ninguém trabalha, estuda ou tem qualquer objetivo. Guiados por um guru sem nome, X (Matheus Nachtergaele), criam o “movimento concepcionista”, pregando a “morte do ego”: queimam os documentos e vivem um cotidiano de sexo e drogas o tempo todo.
O diretor José Eduardo Belmonte nos lembra como é a picaretagem: tire as drogas, a nudez e o sexo (hetero e homo), não vai sobrar quase nada, apenas uma história fraca e mal contada, com personagens mal construídos. Mas, é claro, sexo vende. E polêmica também…
E assim segue o cinema nacional. Sorte a nossa que de vez em quando aparece alguém com talento e faz bons filmes. Pena que eles serão colocados nas prateleiras ao lado dessas bombas…
p.s.: a atriz Gabrielle Lopez poderia interpretar uma irmã da Kate Hudson. A semelhança é impressionante!





