Mundo Estranho

Crítica – Mundo Estranho

Sinopse (imdb): Os lendários Clades são uma família de exploradores cujas diferenças ameaçaram derrubar sua última e mais crucial missão.

O longa de animação, Mundo Estranho (Strange World, no original) é o novo lançamento da Disney nos cinemas. Sim, nos cinemas – depois de lançar alguns títulos direto no streaming, este vai para o circuito e só chega no Disney+ no fim de dezembro. Quais os critérios pra decidir? Pinóquio foi ruim, ok, mas tinha Tom Hanks e Robert Zemeckis, será que não merecia a tela grande? Sei lá…

Mundo Estranho se vende como uma aventura em um local com visuais fantásticos. Realmente, esse “mundo estranho” tem um visual bem legal, com montanhas com patas, rios de peixes voadores, e seres com tentáculo saindo da boca. O visual realmente impressiona. Mas… É basicamente isso, o filme podia explorar muito mais essas paisagens e seres fantásticos, mas parece que tudo o que tem no filme a gente já tinha visto no trailer.

Não gostei dos personagens. É um excesso de “daddy issues”, o cara tem problemas com o pai e também tem problemas com o filho, e o filme foca demais nesses problemas. É tanto “daddy issues” que a mãe foi jogada pra escanteio, inventaram que ela é piloto pra ela ter alguma função na trama. E acaba que como ninguém se importa com os protagonistas, o único personagem que conquista alguma simpatia do público é o Splat, bichinho que claramente foi criado com a intenção de vender bonequinho, adaptado à geração slime.

É animação de Disney, mas não é musical. Tem uma única música, dentro de um contexto. Ah, e não tem cena pós créditos.

A parte final traz um plot twist que achei bem legal. Não vou entrar em detalhes, claro. Mas digo que me lembrei de dois filmes que trazem semelhanças no conceito, um de 1966, outro de 1987.

Está rolando uma polêmica na Internet porque o protagonista é gay. Acho isso uma grande bobagem, qual é o problema do garoto ser gay? Sério que em 2022 isso ainda incomoda alguém? Agora, dito isso, o filme podia ter feito uma piada com o avô. Um cara mais velho, de outra geração, até podia achar estranho, mas o filme não usou essa piada.

No fim, fica a sensação de que poderia ter sido melhor. E a dúvida de quando vão lançar o boneco do Splat nas lojas.

RIPD 2

Crítica – R.I.P.D.2

Sinopse (imdb): Situado no oeste americano de 1876, R.I.P.D.2: Rise of the Damed é uma sequência de R.I.P.D. de 2013. O xerife Roy Pulsipher não está muito feliz por se encontrar morto após um tiroteio com uma notória gangue fora da lei, mas ele tem uma segunda chance de retornar à Terra depois de ser recrutado pelo R.I.P.D. (Departamento Descanse em Paz.). Mas vingar seu próprio assassinato pode ter que ficar em segundo plano para salvar o mundo quando um portal para o inferno é aberto na antiga cidade mineira de Red Creek, ameaçando não apenas os habitantes locais… mas toda a própria humanidade.

Em 2013 foi lançado o primeiro RIPD, que parecia uma versão de MIB mas com fantasmas no lugar de alienígenas. Heu achei o filme bem divertido na época, mas ele flopou nas bilheterias, e parecia que a franquia estava morta (sem trocadilhos). Aí do nada aparece esta continuação, sem ninguém conhecido no elenco. Bora ver qualé.

Primeiro uma boa notícia pra quem não viu o primeiro ou viu só na época mas não se lembra: essa história é completamente independente daquela. Tem até uma cena explicando como as coisas funcionam no tal Departamento. Ou seja, não precisa (re)ver o primeiro.

O problema é que o filme dirigido pelo pouco conhecido Paul Leyden é genérico demais. A gente já viu dezenas de filmes iguais. Não tem nada que nos conecte aos mocinhos Roy e Jeanne, e o plano do vilão é rocambolesco e não faz o menor sentido. Acho que a única coisa que me surpreendeu foi uma revelação sobre a personagem Jeanne que acontece perto do fim.

Os efeitos especiais seguem a linha do “genérico para produção de baixo orçamento”. E a sequência final com o plano rocambolesco é péssima, nada faz sentido – e num cenário desses, efeitos especiais genéricos ficam em evidência.

Teve uma coisa que não funcionou. Quando um vivo vê um agente do RIPD, vê uma pessoa diferente, que seria o seu avatar (isso já acontecia no primeiro filme). Roy, homem branco, é visto como se fosse uma mulher negra. Aliás, Jeanne também, são duas mulheres negras. A princípio achei forçado por ser uma história no velho oeste, mas existe uma justificativa dentro do filme – se a justificativa é boa ou não, aí é com cada um, mas existe uma justificativa. Mas aí vem o meu problema com isso: faltou direção de atores. Se dois atores vão interpretar o mesmo papel, eles precisam atuar como se fossem a mesma pessoa. E não teve nada que me indicasse que fosse assim. Só pra dar um exemplo: acabou o filme, vejo as duas mulheres negras e não sei quem é o Roy e quem é a Jeanne. E vou além: o diretor podia ter colocado algumas gags aproveitando uma mulher no corpo de um homem.

O elenco do primeiro filme tinha Jeff Bridges, Ryan Reynolds, Kevin Bacon e Mary Louise Parker. Já nesta continuação, a única pessoa que heu já conhecia era o vilão Richard Brake (que esteve aqui no heuvi recentemente, em The Munsters e Barbarian). O elenco não é bom, mas serve para o que filme precisa: Jeffrey Donovan, Penelope Mitchell, Rachel Adedeji, Evlyne Oyedokun e Jake Choi.

No fim, fica aquele gostinho de Sessão da Tarde. Você pode até se divertir, mas vai esquecer do filme algumas horas depois.

Enola Holmes 2

Crítica – Enola Holmes 2

Sinopse (imdb): Em seu primeiro caso oficial como detetive, Enola precisa encontrar uma menina desaparecida. Para isso, ela contará com a ajuda dos amigos e do irmão, Sherlock.

Para a surpresa de ninguém, dois anos depois, chega a continuação de Enola Holmes, mais uma vez lançado pela Netflix. Se o primeiro filme foi baseado no primeiro de uma série de seis livros, claro que já existiam planos para continuações.

Dirigido pelo mesmo Harry Bradbeer do primeiro filme, Enola Holmes 2 segue a mesma linha de aventura infanto juvenil. Muita correria, algum humor, tudo baseado no enorme carisma da Millie Bobby Brown. Gostei de vê-la novamente como Enola, na última temporada de Stranger Things ela foi uma das piores coisas.

Enola Holmes 2 traz uma coisa bem legal: a introdução de um personagem real na história. Sarah Chapman existiu de verdade, foi uma das líderes da greve das “garotas dos fósforos”. Gosto quando um filme de ficção usa personagens reais no meio da trama.

Uma coisa me incomodou, que foi a grande quantidade de vezes que Enola quebra a quarta parede. Ok, é um recurso que ajuda a atrair a simpatia do público, mas acho que foi usado excessivamente. E olha só que curioso, no meu texto de dois anos atrás comentei a mesma coisa: “o recurso da quebra da quarta parede me cansou. Ok, isso ajuda a aproximar a personagem do público, e cai bem numa produção infantojuvenil. Mas aqui é o tempo todo! Na minha humilde opinião, podiam ter cortado algumas dessas cenas.”

Nem tudo funciona. Algumas sequências são bobinhas demais. Achei a fuga da prisão péssima, tanto na parte como ela sai da prisão, quanto na parte onde enfrenta os guardas. E pior: isso não traz nenhuma consequência para ela? Isso sem contar em falhas de roteiro, como a partitura que ela guardou e ainda estava com ela – depois da fuga da prisão.

No elenco, Millie Bobby Brown mostra mais uma vez que é uma estrela em ascensão. Ela carrega fácil o filme. Henry Cavill, Louis Partridge e Helena Bonham Carter voltam aos seus papeis – não gostei da Helena Bonham Carter, está caricata acima do aceitável. De novidade tem o David Thewlis, que também está caricato.

Teve uma parte no final que achei bem ruim, mas é um spoiler grande, então vou colocar avisos de spoiler.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

No fim do filme a gente descobre que Moriarty agora é uma mulher negra. Na Londres de 1888. Não tenho nada contra mudança de gênero ou etnia, mas tenho muita coisa contra incoerência. Moriarty era um professor de matemática que virou um gênio do crime. Se esse filme fosse que nem o Sherlock Holmes do Benedict Cumberbatch, que se passa nos dias de hoje, ok, seria mais fácil de aceitar uma mulher como Moriarty. Mas em 1888???
Vejam bem: não sou contra mudanças, desde que sejam bem feitas. No Battlestar Galactica de 1978, Starbuck era homem. Na versão de 2004, virou mulher. E não conheço um único fã de BSG que reclame dessa mudança. A nova Starbuck era um personagem ótimo, interpretada por uma atriz ótima, e naquele contexto, a mudança de gênero funcionava bem. Mas, na Londres de 1888, ficou forçado demais.
E, aproveitando que estamos numa área de spoilers, aquele final com o início da greve ficou bem ruim. Sarah Chapman diz “quem vem comigo?” e ninguém se manifesta. Aí alguém começa a bater o pé no chão, e em menos de um minuto, TODA a fábrica está ao lado dela. Ficou ruim…

FIM DOS SPOILERS!

Enola Holmes 2 é um pouco longo demais, chega a cansar. Tem uma cena pós créditos indicando que teremos um terceiro filme, tomara que deem uma enxugada no roteiro.

Weird – The Al Yankovic Story

Crítica – Weird – The Al Yankovic Story

Sinopse (imdb): Explora todas as facetas da vida de Yankovic, desde sua ascensão meteórica à fama com sucessos iniciais como ‘Eat It’ e ‘Like a Surgeon’ até seus tórridos casos amorosos de celebridades e estilo de vida notoriamente depravado.

Recentemente a gente tem tido várias boas cinebiografias musicais. Será que tem espaço para uma cinebiografia de um nome menos conhecido, como Weird Al Yankovic?

Antes do filme, um breve comentário sobre quem é Weird Al Yankovic – pelo menos pra mim. Nos anos 80, heu curtia muito Eat It, uma versão de Beat It, que tinha piadas tanto na letra quanto no videoclipe (duas mãos no frango, gordo entalado no bueiro). Na mesma época, tinha outra, Like a Surgeon, versão de Like a Virgin, onde o Weird Al ficava imitando as caras e bocas da Madonna – ela estava numa gôndola em Veneza enquanto ele estava numa maca de hospital. Achava isso muito divertido, mas não me lembro de outras músicas dele chegando por aqui – nem em áudio, nem em vídeo. No início dos anos 90 lembro de ter ouvido Smells Like Nirvana, e isso foi tudo o que conheci do Weird Al. Parece que lá nos EUA ele faz mais sucesso, mas aqui não foi muito além disso.

Agora vamos ao filme… Que não é exatamente uma cinebiografia, e sim uma “cinebiografia paródia”. Quando a gente vê um Bohemian Rhapsody ou um Rocketman, a gente se pergunta se aquilo realmente aconteceu daquele jeito ou se mudaram algo em prol da narrativa cinematográfica. Agora, quando a gente vê Weird – The Al Yankovic Story, a gente se pergunta se algo do filme é real ou se tudo foi inventado!

Preciso confessar que essa fuga total da realidade me atrapalhou. A cada evento que aparecia na tela, ficava na dúvida sobre se era real ou não, e isso me impediu de curtir o filme. Porque alguns são realmente absurdos e é claro que não são reais (como toda a parte do Pablo Escobar), mas tem muita coisa ali que poderia ser verdade.

Mas, vamos à análise do filme. A ideia surgiu em 2010, quando o site Funny or Die criou um trailer fake de uma cinebiografia do Weird Al Yankovic, dirigido por Eric Appel e com Aaron Paul, Olivia Wilde, Mary Steenburgen e Patton Oswalt no elenco. Anos se passaram, e o mesmo diretor Eric Appel traz o longa, escrito a quatro mãos por ele e pelo próprio Weird Al.

O papel principal ficou com Daniel Radcliffe, que faz um bom trabalho como o Weird Al – ele aprendeu a tocar acordeon para fazer o filme, mas não canta, a voz nas músicas é a do próprio Weird Al. Sempre tive a impressão do Weird Al original ser um cara alto, e Radcliffe aparenta ser o menor do elenco (fui ver no google, Weird Al tem 1,83 e Radcliffe tem 1,65). Isso seria um problema se o filme fosse sério, mas deve ter entrado nas piadas.

Aproveito pra falar do elenco principal. Além de Radcliffe, dois personagens merecem ser citados: o Dr. Demento do Rainn Wilson e a Madonna da Evan Rachel Wood. Nunca tinha ouvido falar de Dr Demento, achei o papel caricato mas acho que foi proposital; não gostei da Madonna da Evan Rachel Wood, ainda mais caricata que o Dr Demento, e ela não ficou nem um pouco parecida com a Madonna original.

Weird – The Al Yankovic Story tem algumas boas piadas. Gostei da parte onde ninguém sabe quem é John Deacon. Por outro lado, algumas partes são bem sem graça. E achei muito forçada a parte onde o pai revela que também tocava acordeon.

O filme é cheio de easter eggs de atores e de personagens. Tem uma cena de uma festa onde a gente vê dois membros do Devo, Frank Zappa, Salvador Dali, Andy Warhol, Pee Wee Herman, David Bowie, Wolfman Jack, John Deacon, Divine, Elton John, Elvira, Alice Cooper, Grace Jones e me parece ser a Kate Pierson dos B-52’s. Na parte final vemos Coolio e Prince na plateia, ambos estão descontentes (Coolio não gostou da paródia feita com a música dele; Prince nunca permitiu paródias); e ainda vemos a Cyndi Lauper ao lado do Dr Demento.

Já no elenco… Lin-Manuel Miranda faz o médico da cena inicial; Thomas Lennon faz o vendedor de acordeon. Patton Oswalt, que estava no trailer fake, aparece na plateia do primeiro show. Na festa, Conan O’Brian faz o Andy Warhol, Jack Black faz o Wolfman Jack, e John Deacon é interpretado por David Dastmalchian, o Bolinha de Esquadrão Suicida. Por fim, Weird Al Yankovic faz o produtor musical Tony Scotti.

Weird – The Al Yankovic Story não tem cenas pós créditos, mas rolam umas piadinhas com a música que está tocando. Vale ficar até o fim!

No fim, fica aquela sensação de que se o filme tivesse escolhido um lado – ou a cinebiografia real, ou a galhofa total – o resultado seria melhor. Achei bem decepcionante.

Star Wars: Histórias dos Jedi

Crítica – Star Wars: Histórias dos Jedi

Sinopse (Disney+): Um evento em 6 episódios que apresentam histórias sobre os Jedi numa era antes da que conhecemos. Uma jornada pela vida de dois Jedi distintos: Ahsoka Tano e Conde Dookan. Eles serão testados enquanto tomam decisões que determinarão os destinos deles.

Hoje em dia a gente tem muitas opções tanto no cinema quanto no streaming. Muitas opções, pouco tempo. Nesse cenário, fico feliz quando vejo uma série curtinha como essa Histórias dos Jedi (Tales of the Jedi, no original). São 6 episódios de aproximadamente 15 minutos cada. Em uma hora e meia a gente mata toda a temporada! (Melhor que isso só a série do Groot, que eram 5 episódios de 3 minutos cada…)

Agora, preciso avisar que Histórias dos Jedi não é para todos. Não é uma história fechada, são historinhas soltas, que se encaixariam em diferentes pontos da saga. Ou seja, uma pessoa leiga em Star Wars vai ficar perdida.

São seis episódios, três com a Ahsoka, três com o Dooku. Curiosamente, o primeiro é da Ahsoka, depois são os três do Dooku, e fecha com mais dois da Ahsoka. Não vou entrar em detalhes sobre cada episódio, vou fazer apenas alguns comentários por alto, ok?

O primeiro episódio mostra o nascimento da Ahsoka, e ela começa a se mostrar “force sensistive” ainda bebê. Episódio meio besta.

Os três do Dooku mostram uma coisa que gosto de ver no universo de Star Wars. Os filmes clássicos são muito maniqueístas, o bem contra o mal, a luz contra a escuridão, tudo é muito binário. Mas o mundo real tem os tais “tons de cinza”, nada é 100% de um lado ou do outro. Então gosto quando mostram que certas questões são mais complexas do que uma luta do “lado bom” contra o “lado mau”. Vemos o Dooku ainda Jedi, lidando com questões políticas onde existem interesses. A gente consegue entender parte da motivação do Dooku. Não, ele não vira “mocinho”, a série não o transforma em um herói, mas mostra que ele tinha motivações para ir contra o Conselho Jedi. Gosto de ver situações e personagens assim dentro deste universo!

O quarto episódio tem um momento que me arrepiou. Sem spoilers, é o momento que usa o tema da Força.

Meu episódio favorito foi o quinto, que mostra o treinamento da Ahsoka. Seu mestre, Anakin, resolveu dificultar os treinos para melhorar as habilidades da padawan. E essa parte do treino foi muito legal! O episódio termina sem fim, na hora não entendi, mas um amigo me explicou que o que acontece depois é uma parte de Clone Wars onde as pessoas se perguntam “como a Ahsoka saiu viva disso?” Pois bem, aqui está a resposta!

O sexto mostra que a Ahsoka estava no enterro da Amidala, e pra onde ela foi depois. Não tem tanta ação quanto o anterior, mas tem um belo duelo.

Gostei muito de Histórias dos Jedi, aguardo ansiosamente por outra temporada. Pena que sei que não é um material para indicar para qualquer um.

The Amazing Bulk

Crítica – The Amazing Bulk

Sinopse (imdb): Henry ‘Hank’ Howard trabalha como cientista em um laboratório militar, tentando criar uma fórmula sobre-humana, mas com pouco sucesso. Ele também está apaixonado pela filha de seu chefe, um general. Em um esforço para ganhar sua aprovação para se casar com sua filha, Henry testa a fórmula em si mesmo, inadvertidamente se transformando em um monstro roxo e deixando-o à mercê daqueles que desejam explorar seu poder recém-descoberto.

Lembro de um dia, antes da pandemia, que estava conversando com o Otávio Ugá sobre o quadro “Os peores filmes do mundo” no canal dele. Otávio me falou que queria fazer um vídeo sobre este The Amazing Bulk mas que não encontrava o filme. Na época tentei ajudá-lo, mas não consegui, e acabei me esquecendo da existência deste filme.

Até que vi que o Otávio fez o vídeo dele. Aí lembrei, opa, bora ver – mesmo já sabendo que este é um dos piores filmes jamais feitos!

Existem filmes ruins. Existem filmes muito ruins. E existe uma categoria que transcende qualquer padrão de ruindade possível. Uma categoria onde existem títulos como The Room, Cinderela Baiana, Birdemic, Manos The Hands of Fate – e também este The Amazing Bulk.

O filme dirigido e editado por Lewis Schoenbrun é tão tosco que nem sei por onde começar. The Amazing Bulk foi inteiramente filmado em tela verde num chroma key bem mal recortado. E todos os cenários digitais parecem gráficos de videogame dos anos 90.

Os efeitos do monstro roxo pelado, o tal do Bulk, são primários. Qualquer tutorial de efeitos especiais básicos já deve trazer um resultado melhor. Ok, o filme foi feito dez anos atrás, mas não justifica algo tão desleixado.

As atuações, claro, são péssimas. O vilão é tão caricato que seria recusado em um teatrinho infantil de shopping vagabundo. Mas atuações ruins eram esperadas num projeto desses. E os capangas dele, nem sei o que falar, não tem figurino, não tem sentido no roteiro, não tem sentido em nada no mundo. Agora, pior que atuações ruins, são diálogos captados sem o menor cuidado. Em uma mesma cena, num mesmo diálogo, tem áudios com ecos diferentes.

Claro, ninguém conhecido no elenco. Mas, já comentei sobre a minha memória bizarra para guardar nomes ligados ao cinema… A prostituta que morre no início do filme teve um papel pequeno em Californication. Como me lembro disso? Sei lá…

Outra coisa muito tosca é que temos várias cenas com os atores correndo parados. O pano verde do fundo devia ser muito pequeno, ficou muito ruim. E isso porque não estou falando dos bichos desenhados! Caramba, que ideia péssima!

Roteiro: sim é um roteiro ruim, isso já era previsto. Mas tem coisas que não fazem o menor sentido, como por exemplo a relação entre os personagens principais. Ele quer pedir a mão dela em casamento mas tem problemas com isso – mas eles já tiveram um relacionamento e ela fala em ter filhos com ele! Sério que ninguém leu o roteiro antes de filmar?

Ainda no roteiro: é um filme curto, tem uma hora e quinze minutos. E mesmo assim, tem uma sequência looonga, chatíssima, com efeitos que ficam indo e vindo, o que será que deve ter acontecido ao diretor/editor quando fez aquelas sequências de satélites acoplando e desacoplando?

E já que falei da edição, vou copiar um trecho do imdb sobre os cenários digitais: “O diretor encontrou muitos dos planos de fundo em sites de imagens gratuitas, que estão listados nos créditos do filme. Ele fez o filme em torno do que tinha, o que levou a cenas em adegas e campos habitados por duendes.” Parece que na parte final o diretor/editor deve ter pensado “ei, sobraram umas imagens, mas não se encaixam com nada, mas mesmo assim vamos colocar qualquer coisa!” Tem uma longa corrida do monstro roxo pelado por vários cenários aleatórios. Não que o resto do filme faça sentido, mas esse final é surreal.

Por fim, queria entender o uso de um monte de músicas clássicas na trilha sonora. Será que são grátis? A trilha tem vários clássicos famosos. E se eles não gastaram nos cenários digitais, será que gastaram na trilha, ou será que é tudo piratão?

Dava pra falar mais, mas chega. Preciso de um tempo pra limpar o sistema!

Pantera Negra Wakanda Para Sempre

Crítica – Pantera Negra Wakanda Para Sempre

Sinopse (imdb): Uma sequência que explora o mundo único de Wakanda e os vários personagens introduzidos com o filme de 2018.

Finalmente chega às telas a aguardada continuação de Pantera Negra, um dos mais incensados filmes de super heróis de todos os tempos.

A minha maior dúvida era como eles iam lidar com a morte do ator principal, Chadwick Boseman, que faleceu dois anos atrás, aos 43 anos, de câncer. Qual seria a saída? Será que era melhor escalar outro ator, como fizeram com o Máquina de Guerra, que foi interpretado pelo Terrence Howard no primeiro Homem de Ferro e depois trocaram pelo Don Cheadle? Ou usar um dublê e colocar um rosto digital, como fizeram com o Gand Moff Tarkin em Rogue One?

A solução encontrada foi matar o personagem – e isso é logo a primeira cena do filme, então não é spoiler. T’Challa está doente, enquanto Shuri tenta fazer algo para salvar o irmão. E logo depois temos uma bela homenagem, a vinheta da Marvel está só com imagens do T’Challa, e sem música, só com barulho de vento. Vai ter muito nerd chorando nessa introdução.

Matar o personagem parece ser a solução correta quando o ator que o interpreta era muito carismático, afinal é difícil substituir um ator assim. Mas traz outro problema: temos um filme sem protagonista. E o protagonismo é jogado em cima da Shuri, só que Letitia Wright não tem um décimo do carisma do Chadwick Boseman. Mas isso é apenas um dos problemas. Vamulá.

Mais uma vez dirigido por Ryan Coogler, Pantera Negra Wakanda Forever não é ruim. O elenco está muito bem, temos cenários belíssimos tanto em Wakanda quanto em Talocan (a cidade do Namor), boa trilha sonora, tecnicamente é um filme bem executado. Mas, sei lá, me pareceu que faltou alguma coisa. É o trigésimo filme do MCU, chegamos em um ponto onde é difícil se manter no topo o tempo todo, e a sensação que Pantera Negra Wakanda Forever passa é que estamos diante de mais um filme, apenas isso.

E, pra piorar, o filme é longo demais. Duas horas e quarenta minutos, o filme chega a cansar.

Sobre as cenas de ação: tem uma perseguição de carros no meio do filme que é apenas ok. E a grande batalha final é bem ruim. Temos de um lado pessoas mais fortes e em maior quantidade. Era pra esse lado ter esmagado o outro, mas, ok, filme, a gente aceita.

(Não gostei do “momento power rangers” na batalha, e não tenho ideia de onde a Shuri aprendeu a brigar daquele jeito – ela era cientista! Mas esses são clichês comuns em filmes de super heróis, então vou relevar.)

O elenco é bom. Angela Bassett está muito bem, consegue passar a dor de ter perdido um filho e ainda ter que governar Wakanda. Tenoch Huerta recebeu críticas pelo seu Namor, mas achei ele bom no papel – não está na galeria dos melhores vilões da Marvel, mas serve pra mover o filme. Letitia Wright, Lupita Nyong’o, Danai Gurira e Dominique Thorne dividem o protagonismo na maior parte do filme. Martin Freeman e Julia Louis-Dreyfus têm papéis menores; e Lake Bell faz uma ponta (curioso que ela fez a voz da Natasha Romanoff em What If e agora tem um papel pequeno, achei que ela tinha star power pra algo mais relevante).

Agora, momento mimimi. Posso implicar? Se a galera é do fundo do mar, por que usam cocares com penas de pássaros? Outra: eles são seres subaquáticos, como é que eles cantam fora d’água para chamar as pessoas para o mar?

Pantera Negra Wakanda Forever é um bom filme. Mas, no MCU de 2022, na minha lista, fica um passo atrás do Doutor Estranho e do Thor.

Pearl

Crítica – Pearl

Sinopse (imdb): Veja como Pearl se tornou a assassina feroz vista em “X”.

Poucos meses atrás tivemos X, bom slasher da A24, dirigido por Ti West. Na época já se falava sobre um prequel contando o passado da personagem Pearl. Olha lá, o filme já está pronto!

Pearl teve um caminho diferente da maior parte das continuações no cinema. Normalmente um filme é lançado, aí dependendo do sucesso, continuações são agendadas. Aqui não, Pearl foi filmado na mesma época que X. Como minha memória é ruim, gostei de ter um lançamento perto do outro (os dois filmes são de 2022).

Pelo que li, X foi filmado na Nova Zelândia, e a equipe ficou de quarentena por causa da pandemia. Assim como James Gunn aproveitou esse período de isolamento para escrever Peacemaker, Ti West e Mia Goth teriam aproveitado para escrever o roteiro de um prequel, para aproveitar equipe técnica e locações. Claro que lembrei de Roger Corman, que fazia essas economias para criar novos filmes vagabundos. Mas Pearl não tem cara de produção feita com “restos”, o resultado final ficou bom, parece um filme projetado do zero.

Mesmo diretor, mesma atriz, roteiro escrito por ambos. Mas são filmes diferentes. Pearl é bem mais lento, e a primeira morte demora bastante pra acontecer. Mas, se é lento como slasher, Pearl traz um excelente desenvolvimento de personagem. Poucas vezes na história do cinema a gente teve tanto foco na construção de um vilão.

Uma coisa curiosa: se X tem cara de filme feito nos anos 70, Pearl tem cara de produções dos anos 40/50 (inclusive nos créditos). E isso deixou o filme bem mais claro e colorido, coisa que não é muito comum em filmes de terror.

Achei a parte final muito boa. Mia Goth tem um longo monólogo que se não fosse o preconceito das premiações com terror provavelmente lhe indicaria a prêmios. E a cena final, o take final, quando começam a rolar os créditos mas a câmera continua gravando, é assustadoramente bonita.

Em breve teremos um terceiro filme, Maxxxine, mas ainda não sei nada sobre ele. Que Ti West e Mia Goth mantenham a qualidade!

Barbarian / Noites Brutais

Crítica – Barbarian / Noites Brutais

Sinopse (imdb): Uma mulher que aluga uma acomodação no Airbnb descobre que a casa onde ela está não é nada do que parecia.

Alguns filmes são fáceis de comentar, quando acaba o filme já tenho formatado na minha cabeça metade do que vou escrever aqui. Outros são bem difíceis, como este Noites Brutais / Barbarian. Este é daquele tipo de filme que o quanto menos você souber informações, melhor será sua experiência. Então vou me policiar para escrever um texto aqui com o maior cuidado possível. Sem spoilers!

Noites Brutais / Barbarian foi escrito e dirigido por Zach Cregger, um nome pouco conhecido, que já tinha alguma experiência como ator e diretor em programas de tv – de comédia. Aparentemente é um nome novo no terror. Um nome a ser anotado!

O roteiro de Noites Brutais / Barbarian passeia por caminhos bem diferentes – por isso é bom não saber muita informação antes. O filme toma rumos que me surpreenderam. E gosto quando um filme me surpreende.

Uma coisa que podemos falar sem risco de spoiler é que Cregger sabe muito bem como posicionar e movimentar sua câmera pela casa. O uso da iluminação também é bem feito. O filme constrói muito bem a tensão. Durante uma hora e quarenta minutos o espectador fica na beirada da poltrona.

Ouvi uma crítica sobre a segunda parte, porque traz outro clima. Ok, entendo a crítica, mas discordo, porque pra mim foi legal a mudança. Um filme todo no mesmo clima ia ser legal? Ia. Mas, como falei, gosto de surpresas. E, tecnicamente falando, o filme é bem eficiente nessas mudanças. Muda até o aspect ratio da tela.

De quebra Noites Brutais / Barbarian ainda traz espaço para discussões sociais, tanto pelo lado financeiro (a parte da cidade onde o filme se passa foi arruinada pela crise financeira) tanto pela parte da posição da mulher – ela deve aceitar entrar numa casa onde já tem um homem desconhecido?

Sobre o elenco, não quero entrar em detalhes por causa de spoilers. Os principais papéis são de Georgina Campbell, Bill Skarsgård, Justin Long e Richard Brake. Todos estão bem.

A boa notícia é que Noites Brutais / Barbarian entrou no catálogo do Star+, então ficou fácil para assistir. Não leia nada e vá ver o filme!

A Luz do Demônio

Crítica – A Luz do Demônio

Sinopse (imdb): Uma freira se prepara para realizar um exorcismo e fica cara a cara com uma força demoníaca com laços misteriosos com seu passado.

Antes de tudo preciso dizer que sempre vou apoiar lançamentos no cinema. Ver um filme na sala escura é sempre uma experiência melhor do que ver em casa pelo streaming.

Dito isso, preciso confessar que não entendi a escolha deste A Luz do Demônio para ser um grande lançamento da Paris Filmes, com direito a sessão de imprensa presencial e ações de marketing espalhadas ao longo do próximo fim de semana. A Luz do Demônio não é ruim, mas é um filme bem genérico. E não custa lembrar: tem outros filmes melhores de terror sem distribuição nos cinemas (como Barbarian, que foi direto pro Star+; ou Pearl, que até onde sei ainda não tem previsão de lançamento aqui no Brasil)

Enfim, vamos ao filme. Dirigido por Daniel Stamm (O Último Exorcismo), A Luz do Demônio (Prey for the Devil, no original) se diferencia de outros filmes de exorcismo ao colocar uma mulher como protagonista. Ok, sei que hoje é “modinha”, vários filmes estão usando o protagonismo feminino (e não tenho absolutamente nada a reclamar sobre isso), mas reconheço que às vezes fica forçado. Mas aqui foi uma boa, porque o filme aproveita pra cutucar o machismo da Igreja Católica, que não deixa mulheres praticarem exorcismo.

Fora isso, a gente já viu todo o resto. As cenas de exorcismo copiam os clichês de todos os outros filmes do gênero, incluindo as mesmas maquiagens e contorcionismos. Zero novidades, e o pior: A Luz do Demônio não causa medo.

A parte final é ainda pior. Durante todo o filme a protagonista tem contato com um demônio, e quando finalmente rola o confronto, a solução é bem fuen. E são sequências muito escuras, quase não dá pra ver nada (e olha que vi no cinema, imagina quem vai ver em casa na TV ou no computador!)

No elenco, o papel principal é de Jacqueline Byers, que lembra uma Targaryen com aquele cabelo mal pintado de amarelo. Virgínia Madsen, veterana de filmes de terror, tem um papel menor, que é completamente dispensável (parece que o roteiro já estava pronto, aí conseguiram a atriz, então criaram algumas cenas para incluí-la). Também no elenco, Colin Salmon, Christian Navarro, Nicholas Ralph, Ben Cross e Posy Taylor.

Ainda queria falar do nome original. No imdb está como “Prey for the Devil”, mas no filme estava escrito “The Devil’s Light”. Não entendi por que dois títulos. E também não entendi o que seria uma “luz do demônio”.

A Luz do Demônio estreia nos cinemas nesta quinta. Deve agradar o menos exigentes. Mas fica a tristeza de saber que tinha coisa melhor pra passar na tela grande.