Coringa

Crítica – Coringa

Sinopse (imdb): Um corajoso estudo de caráter de Arthur Fleck, um homem desconsiderado pela sociedade.

Estreou o filme que vai gerar as maiores discussões nerds do semestre!

O Coringa é um personagem icônico na cultura pop, mas sempre foi ligado ao Batman. Fazer um filme “solo” do Coringa era um risco (lembrando que o filme do Venom sem o Homem Aranha foi muito ruim). Mas não é que deu certo?

Uma coisa chama a atenção do cinéfilo atento. O diretor é Todd Phillips, que ganhou fama pelos três Se Beber Não Case. Assim como aconteceu ano passado com Peter Farrelly e o seu Green Book, um diretor ligado a comédias de humor grosseiro resolveu fazer um drama – e mandou bem no novo estilo.

Coringa (Joker, no original) é um filme “redondinho”. Boa história, um personagem central muito bem construído, um ator protagonista inspiradíssimo, e uma parte técnica impecável – boa fotografia, boa direção de arte, boa trilha sonora, etc. Não será surpresa se tiver algumas indicações ao Oscar.

Joaquin Phoenix aqui tem talvez a melhor interpretação de sua carreira. Seu Coringa é diferente dos anteriores, aqui temos um cara desequilibrado, que para de tomar seus remédios e entra numa violenta espiral de loucura. Coringa se passa dentro do universo do Batman, ou seja, teoricamente podemos chamar de um filme de super heróis. Mas nada aqui tem ligação com super poderes – Arthur Fleck é um cara “normal”, pode ser o seu vizinho. Talvez isso seja o mais assustador de toda a história.

(Muita gente deve estar se perguntando quem seria o melhor Coringa, afinal, Heath Ledger também fez um trabalho excepcional em Batman Cavaleiro das Trevas. Mas pra mim não tem como comparar, ambos mandaram muito bem, mas em propostas diferentes. A única certeza é que Jared Leto foi infinitamente pior com seu Coringa em Esquadrão Suicida).

Joaquin Phoenix não é o único nome grande no elenco. Robert De Niro tem sua melhor atuação em muito tempo (nem me lembro quando foi seu último destaque). Sua presença confirma a intenção “scorsesiana” do filme (muita gente traça paralelos com Táxi Driver e O Rei da Comédia, duas parcerias Scorsese / De Niro). Também no elenco, Zazie Beetz, Frances Conroy, Brett Cullen e Shea Whigham.

Preciso fazer um comentário, mas antes, os avisos de spoiler.

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

Aparece o Bruce Wayne, ainda criança. Mas o Arthur Fleck já é quarentão. Se tivermos uma continuação deste universo, o Coringa será muito mais velho que o Batman!

FIM DOS SPOILERS!

Ah, sim, claro que um bom filme dentro do universo DC vai gerar briga entre Marvetes e DCzetes. “Chupa Marvel, Coringa está mais perto do Oscar do que qualquer filme do MCU!”. Bobagem. Mais uma vez, assim como Ledger vs Phoenix, são propostas diferentes. O MCU é um universo coeso com mais de vinte de filmes de super heróis, com os principais objetivos de divertir o público e fazer bilheterias milionárias. Coringa tem outra proposta. E vale dizer: as duas propostas são válidas. Quem ganha é o espectador!

Ad Astra

Crítica – Ad Astra

Sinopse (imdb): O astronauta Roy McBride assume uma missão através de um sistema solar implacável para descobrir a verdade sobre seu pai desaparecido e sua expedição condenada que agora, 30 anos depois, ameaça o universo.

Dirigido por James Gray, Ad Astra (idem, no original) está sendo vendido como um grande épico de ficção científica, o que pode trazer alguns problemas para o público. Sim, o visual é grandioso, os efeitos especiais são excelentes – mas o clima é mais de reflexão do que se aventura. Ad Astra está mais próximo de Gravidade e A Chegada do que de uma aventura espacial.

Roy McBride é o melhor astronauta do país, mas vive à sombra do pai, um grande ícone da exploração espacial. Mas, na verdade, a ficção científica é o pano de fundo para uma história intimista de um homem atrás do reconhecimento de seu pai ausente. Tire a FC e o filme sobrevive em qualquer outro cenário.

Ad Astra tem um problema. Rolam umas curtas inserções de tramas paralelas, pra agitar o filme (os piratas na lua e a nave norueguesa). O problema é que essas inserções parecem ser mais interessantes que o filme em si. Quero ver um spin off dos piratas lunares!

(Não li em lugar nenhum, mas chuto que a nave abandonada é norueguesa em homenagem a Enigma de Outro Mundo.)

Basicamente o filme todo se baseia no Brad Pitt, não será surpresa se ele for indicado a algum prêmio pelo papel. O resto do elenco pouco aparece – Tommy Lee Jones e Liv Tyler fazem pontas de luxo. Também no elenco, Ruth Negga, Donald Sutherland, LisaGay Hamilton, John Ortiz e Natasha Lyonne.

Vale pelo visual e pelo Brad Pitt. Mas vou ficar esperando o filme dos piratas na lua…

Predadores Assassinos

Crítica – Predadores Assassinos

Sinopse (imdb): Enquanto tenta salvar seu pai durante um furacão de categoria 5, uma jovem se vê presa em uma casa inundada e deve lutar contra jacarés por sua vida.

Vamulá. É um filme sobre jacarés assassinos. Isso mesmo, jacarés assassinos. Precisamos ter isso em mente na hora da análise!

Gosto do diretor francês Alexandre Aja, mesmo reconhecendo que desde que ele foi pros EUA ainda não conseguiu fazer um filme tão bom quanto Alta Tensão, de quando ainda estava na sua França natal. Mas gosto do estilo dele, curti Piranha e Viagem Maldita.

Este novo Predadores Assassinos (Crawl, no original) lembra Piranha, não só por ter um animal aquático como “vilão”, mas principalmente pela pegada de filme B. Se a gente não levar a sério, aumenta a chance de curtir o filme.

Claro que o filme tem muita mentira. Mas isso não me incomodou. O que me incomodou foram as conveniências do roteiro. Tipo, a força da dentada do jacaré depende de quem está sendo mordido – pode arrancar um braço ou apenas deixar uns arranhões. Ou, quebrar um piso de madeira é mais fácil que quebrar um box blindex. E por aí vai…

Ok, precisamos reconhecer que pelo menos a produção é muito boa. A chuva e a enchente são muito bem feitas, e os jacarés convencem. E Aja sabe onde colocar os jump scares. Neste aspecto, Predadores Assassinos está a anos luz de produções vagabundas como Sharknado.

No elenco diminuto, o filme fica em cima da “quase brasileira” Kaya Scodelario e de Barry Pepper. Elenco ok para o que o filme pede.

Preciso admitir que as mentiras me cansaram. Mas, como falei no início do texto, é um filme sobre jacarés assassinos. Então, o lance é não pensar, aceitar a mentirada e curtir os jacarezões.

Midsommar: O Mal Não Espera a Noite

Crítica – Midsommar: O Mal Não Espera a Noite

Sinopse (imdb): Um grupo de amigos viaja para a Suécia para visitar o famoso festival de meados de verão da cidade natal. O que começa como um retiro idílico rapidamente se transforma em uma competição cada vez mais violenta e bizarra nas mãos de um culto pagão.

Escrito e dirigido pelo estreante Ari Aster, Hereditário foi uma agradável surpresa. Claro que o seu filme seguinte seria aguardado.

E veio rápido, logo no ano seguinte. Segundo longa escrito e dirigido por Aster, Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (Midsommar, no original) tem um estilo parecido com Hereditário. Um terror lento e tenso, onde o desconforto vale mais do que o susto. Não tem nenhum jump scare, apesar de ter algumas cenas bem gore.

Aster vai construindo a tensão em cima dos bizarros hábitos da comunidade nórdica. Bizarros pra gente, mas que parecem ter lógica lá entre eles (aliás, aqui tem uma cena de sexo digna de constar em rankings de cenas mais bizarras). Intencional ou não, o clima lembra O Homem de Palha, de 1973 (que teve uma refilmagem meia boca em 2006), que também traz um forasteiro para uma comunidade isolada que pratica rituais pagãos.

Uma coisa curiosa é que quase todo o filme se passa de dia. Quem está acostumado com filmes de terror escuros pode achar estranho. Mas sim, temos um ensolarado e florido conto negro… Um cgi discreto em detalhes do cenário (como flores abrindo e fechando) ajuda a ambientação.

Midsommar: O Mal Não Espera a Noite é bem longo (duas horas e vinte e sete minutos), mas não achei cansativo. Mas sei que esse ritmo e essa duração vão afastar parte do público. Principalmente por ser um terror fora do “clichê James Wan”.

No elenco, pouca gente conhecida. Gostei da protagonista Florence Pugh, quero ver mais filmes com ela. Os únicos do elenco que heu reconheci são Jack Reynor e Will Poulter, que inclusive estavam juntos em Detroit em Rebelião. Também no elenco, Vilhelm Blomgren e William Jackson Harper.

Independente de você gostar ou não do filme, é preciso reconhecer o talento de Aster para filmar. Vários planos são pensados nos detalhes, a câmera sempre está bem posicionada e bem movimentada. Quem gosta de cinema bem filmado vai curtir.

Rambo: Até o Fim

Crítica – Rambo: Até o Fim

Sinopse (imdb): Rambo deve enfrentar seu passado e desenterrar suas implacáveis ​​habilidades de combate para se vingar em uma missão final.

Normalmente, começo a crítica de um filme desses falando “ninguém pediu, mas, olha lá, fulano voltou”. Mas, poxa, Sylvester Stallone já fez Mercenários, já fez um reboot de Rocky – um novo Rambo não é exatamente uma surpresa.

Dirigido por Adrian Grunberg (Plano de Fuga), Rambo: Até o Fim (Rambo: Last Blood no original) é aquilo que se propõe: um filme previsível, violento e exagerado.

Não me lembro de detalhes de todos os outros filmes – só lembro que o primeiro é o único realmente bom da franquia (um veterano de guerra lutando pela sobrevivência é algo crível), então não vou nem comparar. Mas aqui temos uma fórmula meio óbvia: um cara quieto, na dele, ganha um motivo para entrar em uma violenta jornada de vingança. Claro que ele sozinho não ia conseguir tudo aquilo. Mas, caramba, ele é o Rambo! O histórico do personagem justifica todo o exagero.

O filme demora um pouco pra engrenar, mas compensa nas cenas de violência gráfica – são algumas sequências de embrulhar o estômago dos mais fracos. E é impossível não lembrar de Esqueceram de Mim na parte final. Mas mesmo assim, o resultado deixa a desejar. Admiro o trabalho e a carreira do Stallone, mas este Rambo: Até o Fim parece ter como único objetivo pagar as contas.

Tem gente por aí reclamando da violência gratuita. Essas pessoas devem ter começado a ver filmes anteontem. Violência gratuita sempre foi uma das características da franquia. Um filme do Rambo sem violência seria algo completamente sem sentido.

No elenco, o único nome digno de nota além de Stallone é Paz Vega, num papel secundário.

Durante os créditos finais, passam algumas cenas dos outros filmes da franquia, numa bonita homenagem, que vai deixar coroas machões de olhos marejados.

Resumindo: deve agradar os fãs, mas não deixa de ser um filme desnecessário.

Yesterday

Crítica – Yesterday

Sinopse (imdb): Um músico em dificuldades percebe que é a única pessoa na Terra que consegue se lembrar dos Beatles depois de acordar em uma linha do tempo alternativa onde eles nunca existiram.

A ideia era boa, mesmo para aqueles que, como heu, acham os Beatles uma banda superestimada. O que aconteceria se só uma pessoa conhecesse as músicas dos Beatles?

(Antes que me xinguem: reconheço a importância dos Beatles na história da música pop. Só não sou fã de toda a obra deles. Prefiro os Beach Boys, que têm importância semelhante, e músicas melhores imho. Pet Sounds é melhor que Sargent Pepers! :-P)

Bem, sendo fã de Beatles ou não, é inegável que todo mundo conhece as referências. Todos conhecem Let it Be ou Hey Jude. Yesterday (idem, no original) usa muitas dessas referências numa divertida colcha de retalhos de elementos da cultura pop.

A direção é de Danny Boyle, o que nos dá a certeza de um visual diferenciado. Mas achei que o filme tem mais a cara do seu roteirista, Richard Curtis (roteirista de Notting Hill e Bridget Jones, diretor de Simplesmente Amor e Questão de Tempo). Yesterday é o típico “feel good movie” que Curtis está acostumado a fazer. Quando acaba o filme, a plateia se sente feliz!

Uma coisa me chamou a atenção: a edição musical. Boa parte da trilha instrumental evoca temas dos Beatles. Alguns temas estão claros, mas outros são bem discretos, lá no fundo, quem não for ligado nos detalhes musicais nem vai reparar. Mas heu reparei, e achei uma sacada genial.

No elenco, o desconhecido Himesh Patel manda bem com seu personagem que não se sente bem com o seu “plágio” (as aspas são porque, se não existem os Beatles, tecnicamente ele não está plagiando ninguém). Detalhe: Patel canta e toca as músicas. Lily James mais uma vez está num filme que não é um musical, mas onde a música tem um papel fundamental (assim como Baby Driver). O cantor Ed Sheeran interpreta ele mesmo, enquanto Joel Fry faz um divertido alívio cômico. O ponto negativo está com Kate McKinnon, caricata no mau sentido – parece que ela está num esquete do Saturday Night Live. Por fim, Robert Carlyle faz uma ponta que vai deixar beatlemaniacos com olhos marejados; e Ana de Armas está nos créditos mas não está no filme – seu personagem foi cortado da edição final.

Recomendo! Mesmo pra quem não gosta de Beatles!

It: Capítulo Dois

Crítica – It: Capítulo Dois

Sinopse (imdb): Vinte e sete anos após seu primeiro encontro com o terrível Pennywise, o Clube dos Perdedores* cresceu e se afastou, até que um telefonema devastador os traz de volta.

Em 2017 tivemos uma nova adaptação de um dos mais celebrados livros de Stephen King: It – que já tivera uma versão em minissérie de TV nos anos 90. Como o livro é enooorme, o filme de 2017 focou só na parte das crianças. Agora é hora de terminar a história.

Mais uma vez dirigido por Andy Muschietti, It: Capítulo Dois (It Chapter Two, no original) traz todo o elenco do filme anterior, e ainda algumas aquisições de peso, como Jessica Chastain, James McAvoy e Bill Hader. A trama agora acompanha os personagens adultos, entremeada de flashbacks com a garotada.

O problema aqui é que ficou longo demais. Se temos uma primeira parte com duas horas e quinze minutos, agora são duas horas e quarenta e nove! Mais de 5 horas, se a gente contar os dois filmes juntos. Entendo o cuidado da produção em desenvolver cada personagem – certo momento do filme eles se separam, e vemos os medos e alucinações de cada um. Ok, ficou legal. Mas cansou. Muitos flashbacks, muitas histórias paralelas, e várias delas repetindo o mesmo formato – tornando os sustos previsíveis (pecado grave quando falamos de filme de terror).

(No último fim de semana consegui algo que nem sempre consigo: revi o primeiro filme. Quando a trama foca só na garotada, flui melhor. Apesar de também ser longo, o primeiro filme é bem melhor.)

Pelo menos a construção de toda a trama é muito bem feita. Não li o livro, então não posso comparar. Mas, só pelo filme, podemos dizer que o resultado foi positivo.

Um dos pontos chave de It (e aqui falo dos dois filmes) é Bill Skarsgård, que mais uma vez está ótimo como o palhaço Pennywise. Já falei que gosto do Pennywise galhofeiro do Tim Curry (da versão dos anos 90), mas Skarsgård é muito mais assustador.

No elenco, além dos já citados Jessica Chastain, James McAvoy e Bill Hader, temos Isaiah Mustafa, Jay Ryan, James Ransone e Andy Bean como o resto do “Clube dos Perdedores” – o trabalho dos atores ficou bem legal, dá pra ver tranquilamente quem é quem (o mesmo com o “vilão” Nicholas Hamilton / Teach Grant). Nos flashbacks, temos os sete adolescentes de volta (Finn Wolfhard, Sophia Lillis, Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer e Wyatt Oleff). Temos uma rápida e divertida participação do próprio Stephen King, e o veterano diretor Peter Bogdanovich faz uma ponta. E, para os leitores do heuvi, Javier Botet – mais uma vez – interpreta criaturas.

No fim, temos uma bela e asssustadora história de terror, pode entrar na curta lista de boas adaptações de Stephen King. Mas poderia ser mais curto, ah, poderia. Alguns filmes, depois de um tempo, aparece uma versão estendida. Este It poderia ter uma “versão encurtada”…

* As legendas traduziram “Losers Club” como “Clube dos Otários”. Deve ser adaptado da tradução do livro. Mas não gostei. Por que não “Perdedores”? Ficou tosco…

Anna: O Perigo tem Nome

Crítica – Anna: O Perigo tem Nome

Sinopse (imdb): Sob a beleza marcante de Anna Poliatova está um segredo que vai liberar sua força indelével e habilidade para se tornar uma das mais temidas assassinas do mundo.

Luc Besson é um grande nome no cinema de ação das últimas décadas, seja como diretor, roteirista ou produtor. Mas, na direção, há muito tempo ele vive à sombra dos seus melhores trabalhos. Assim como Lucy, Anna: O Perigo tem Nome (Anna, no original) fica à sombra de Nikita. O filme tem seus bons momentos, mas parece uma cópia genérica do filme de 1990 (principalmente porque o argumento dos dois filmes é bem parecido).

Pelo menos algumas sequências de ação são muito boas – a cena do restaurante é excelente (ah, se o filme todo fosse no mesmo pique desta cena…). A trama traz alguns plot twists, uns meio óbvios, outros nem tanto. E gostei das idas e vindas temporais do roteiro.

No elenco, a modelo Sasha Luss funciona para o que o papel pede. Helen Mirren já teve papeis melhores, mas não atrapalha. Também no elenco, Cillian Murphy, Luke Evans e Lera Abova.

Mas, no fim, fica aquele gosto de comida requentada. Não que seja ruim, mas que podia ser melhor, ah, podia. Bem melhor.

Brinquedo Assassino (2019)

Crítica – Brinquedo Assassino (2019)

Sinopse (imdb): Uma mãe dá ao seu filho de 13 anos um boneco de brinquedo pelo seu aniversário, inconsciente da sua natureza mais sinistra – ele também mata pessoas que desobedecerem a Andy.

Já falei isso aqui antes, mas certamente não será a última vez: “ninguém pediu, mas, olha lá fizeram um reboot de mais uma franquia”.

Não sei por que, mas nunca gostei do Brinquedo Assassino original. Vivi bem o terror galhofa dos anos 80, curtia o Freddy Kruger, o Jason Vorhees e o Michael Myers, mas nunca dei bola pro Chucky. E olha que sou fã de A Hora do Espanto, outro filme do mesmo diretor!

Enfim, assim como aconteceu com todas essas franquias, Brinquedo Assassino teve várias continuações de qualidade bem ruim. Nem sei quantas foram, nem quando parou. Mas, por mim, deixava parado.

Mas… Hollywood é assim, né? Um reboot de uma franquia dessas é barato e gera uns bons trocados. Então nem adianta reclamar, o negócio é relaxar e torcer pra não ser muito ruim.

Pena que, neste caso, o resultado foi negativo.

Vejam bem, dirigido pelo desconhecido Lars Klevberg, este novo Brinquedo Assassino (Child’s Play, no original) não é exatamente ruim. Mas é um filme bobo. Não existe nada que valha o ingresso…

Bem, pelo menos uma coisa achei positiva. Mudaram a mitologia do Chucky, agora a trama não fala mais em um boneco possuído. Acho que, para os dias de hoje, o novo Chucky funciona melhor.

No elenco, o único nome digno de nota é Mark Hamill, que dubla o Chucky – tem uma piada ótima fazendo referência a Guerra nas Estrelas. Também no elenco, Aubrey Plaza, Gabriel Bateman e Brian Tyree Henry.

Dispensável. E mesmo assim deve ter continuação.

p.s.: Teve uma campanha com posters divertidos, onde o Chucky atacava brinquedos do Toy Story!

Histórias Assustadoras para Contar no Escuro

Crítica – Histórias Assustadoras para Contar no Escuro

Sinopse (imdb): Um grupo de adolescentes enfrenta seus medos para salvar suas vidas.

Nem sabia da existência deste filme. E vamos combinar que o nome “Histórias assustadoras para contar no escuro” não é muito atraente, parece aqueles filmes genéricos com coletâneas de histórias meio vagabas, que iam direto para home video. Mas, quando vi que a direção era de André Øvredal, me animei. E isso porque ainda não sabia que tinha Guillermo Del Toro na produção!

(O nome do Del Toro está em alta, o cara ganhou Oscar de melhor diretor ano passado por A Forma da Água, mas a gente se lembra que, na produção, ele já teve um ou outro escorregão ((pigarro) Não Tenha Medo do Escuro (pigarro)). O nome de Øvredal na direção me empolgou mais, O Caçador de Trolls é um dos meus filmes favoritos de câmera encontrada; e Autópsia foi uma agradável surpresa.)

Histórias Assustadoras para Contar no Escuro (Scary Stories to Tell in the Dark, no original) é baseado no livro homônimo escrito por Alvin Schwartz, de pequenas histórias de terror direcionadas ao público infanto juvenil, originalmente lançado em 1981. Mas, apesar de historinhas independentes, o roteiro costura tudo para fazer um filme com uma única trama.

O clima às vezes lembra Goosebumps (também baseado em livros), mas com um tom mais sério e assustador. Os monstros que aparecem ao longo do filme ajudam esse clima. Na concepção dos monstros, sentimos a mão de Del Toro. Alguns deles são muito bons, podem figurar em antologias de monstros do cinema – gostei muito do monstro “contorcionista”, e aquela do sorriso grande é um misto de terror e fofura, pode estar num museu de terror ou virar um bichinho de pelúcia…

O elenco principal tem nomes ainda desconhecidos: Zoe Margaret Colletti, Michael Garza, Gabriel Rush, Austin Zajur, Austin Abrams e Natalie Ganzhorn. Ninguém se destaca, nem positiva, nem negativamente.

Histórias Assustadoras para Contar no Escuro não vai figurar em listas de melhores do ano, mas foi uma agradável surpresa. E, num momento onde o cinema de terror está polarizado entre “pós terror” e “quero ser James Wan”, é sempre bom ver algo diferente.

O livro é o primeiro de uma série de três. O final abre espaço para continuações. Acho que veremos estes monstros de novo…