Vingadores: Ultimato (sem spoilers)

Crítica – Vingadores: Ultimato

Sinopse (imdb): Depois dos eventos devastadores de Vingadores: Guerra Infinita (2018), o universo está em ruínas. Com a ajuda de aliados remanescentes, os Vingadores se reúnem novamente para desfazer as ações de Thanos e restaurar a ordem no universo.

E finalmente chega aos cinemas o fim de uma das mais impressionantes sagas cinematográficas da história!

Falei no texto sobre Vingadores Guerra Infinita, repito aqui. o plano da Marvel será estudado no futuro em escolas de marketing como um case de sucesso. E Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, no original) encerra este ciclo com chave de ouro.

Goste ou não do nicho “filme de super heróis”, é preciso tirar o chapéu. Não me lembro de outro caso onde um filme fecha de maneira tão brilhante uma saga tão longa e tão rica (foram vinte e dois filmes ao longo de onze anos). Vingadores: Ultimato demora um pouco pra engrenar, mas é porque se preocupa com cada um dos personagens principais. Outro detalhe bacana para quem acompanhou: ao longo da projeção, vários dos outros filmes são citados.

Mais uma vez dirigido pelos irmãos Anthony e Joe Russo (Capitão América Soldado Invernal, Guerra Civil e Vingadores Guerra Infinita), Vingadores: Ultimato é recheado de momentos memoráveis e emocionantes, e vai arrancar lágrimas dos espectadores mais envolvidos com o MCU. A esperada batalha final é sensacional!

Nem sei se preciso mencionar aqui, mas os efeitos especiais são absurdos. Efeitos de ponta não são exatamente uma novidade num filme deste porte. Alcançamos a perfeição?

O elenco é um absurdo. Não tem nenhuma novidade, todo mundo já esteve em outro(s) filme(s). Mas, convenhamos, não é todo dia que temos um filme com tanta gente relevante. Claro que temos Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Bradley Cooper, Don Cheadle, Paul Rudd, Brie Larson, Karen Gillan, Tessa Thompson, Gwyneth Paltrow e Josh Brolin. E claro que temos a volta de Tom Holland, Zoe Saldana, Evangeline Lilly, Chris Pratt, Samuel L. Jackson, Chadwick Boseman, Elizabeth Olsen, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Danai Gurira, Dave Bautista, Benedict Wong, Pom Klementieff, Letitia Wright, Cobie Smulders e Vin Diesel. Agora, é muito legal ter coadjuvantes de luxo do porte de Tom Hiddleston, Rene Russo, Angela Bassett, Michael Douglas, William Hurt, Robert Redford, John Slattery, Tilda Swinton, Jon Favreau e Hayley Atwell. Digo mais: não é um filme qualquer que convoca Natalie Portman, Marisa Tomei e Michelle Pfeiffer para uma simples figuração!

Claro, tem participação do Stan Lee. A novidade é não ter cena pós créditos.

Vai ter gente falando que este não é o melhor dos vinte e dois filmes do MCU. Talvez não seja mesmo. Mas não imagino um encerramento mais bem construído que este. Vingadores: Ultimato é o final perfeito para uma saga impressionante.

Por fim, queria falar do trailer. Diferente da maioria dos trailers, que traz pontos chave dos filmes (tipo mostrar o Homem Aranha no trailer de Guerra Civil), o trailer oficial de Vingadores: Ultimato traz cenas de outros filmes, e não entrega absolutamente nada do que veremos. Mais uma vez, parabéns à Marvel!

Cópias

Crítica – Cópias

Sinopse (imdb): Um cientista se torna obcecado em trazer de volta seus familiares que morreram em um acidente de carro.

Keanu Reeves passa por um bom momento na carreira, com a franquia John Wick sendo uma referência para o bom cinema de ação contemporâneo. E ele tem histórico na ficção, afinal ele é o principal nome de Matrix. Então, por que não um novo filme de ação / ficção científica estrelado por ele?

Bem, o ideal seria se tivéssemos um filme bom. O que infelizmente não é o caso aqui.

O pior problema de Cópias (Replicas, no original) é que o roteiro é muito mal estruturado. Um exemplo simples, que acontece logo de cara. O personagem trabalha com transferência de memória humana para robôs. Robôs! De onde saíram os clones humanos??? Pior: segundo o filme, um clone demora exatamente 17 dias para ficar pronto. Se ficar mais tempo, sairá mais velho. Como é que adultos e crianças demoram os mesmos 17 dias???

Pra piorar, o vilão do filme é caricato demais. Gente, 2019, um cara que é o mega chefão de uma empresa científica bilionária não se comporta daquele jeito. Quer fazer um filme sério? Cuida melhor desse antagonista.

(Os efeitos especiais parecem já vencidos, mas isso nem é um problema tão grande. O roteiro nível syfy me incomodou mais que os efeitos nível syfy.)

No elenco, Keanu Reeves faz o de sempre. O destaque negativo é John Ortiz, o vilão. Também no elenco, Alice Eve, Thomas Middleditch, Emjay Anthony, Emily Alyn Lind e Aria Lyric Leabu.

Desnecessário.

A Maldição da Chorona

Crítica – A Maldição da Chorona

Sinopse (imdb): Ignorando o misterioso aviso de uma mãe conturbada, suspeita de ameaçar crianças, uma assistente social e seus filhos pequenos logo são levados a um assustador reino sobrenatural.

E vamos a mais um filme do “Waniverse”… É o sexto filme no universo do casal Warren (depois de Invocação do Mal 1 e 2, dos dois Annabelle e A Freira).

Dirigido pelo estreante Michael Chaves, A Maldição da Chorona (The Curse of La Llorona, no original) não chega a ser exatamente ruim. Mas é tão sem graça que dá desânimo. E olha que Chaves já está escalado para dirigir Invocação do Mal 3…

A lenda da Chorona é meio boba (pelo menos do modo como é apresentada no filme), e a entidade em si tem inconsistências estruturais. O filme até tem uma boa ambientação e alguns jump scares aqui e acolá, mas, convenhamos, a gente já viu isso tudo antes, e melhor filmado.

A protagonista é Linda Cardelini, que funciona para o que o papel pede (ela foi a Velma na versão cinematográfica de Scooby Doo, rola uma breve homenagem aqui). Por outro lado, Raymond Cruz faz talvez o pior alívio cômico da história do cinema – o seu curandeiro é péssimo, e ainda piora quando resolve fazer piadinhas. Também no elenco, Patricia Velasquez, Roman Christou, Jaynee-Lynne Kinchen, e Tony Amendola, repetindo o papel que fez em Annabelle.

Acredito que a garotada que vai ao cinema de shopping atrás de um terror pra se divertir vai curtir. Mas, infelizmente, A Maldição da Chorona é mais um que ficou devendo. James Wan, volte à cadeira de diretor!

Máquinas Mortais

Crítica – Máquinas Mortais

Sinopse (imdb): Em um mundo pós-apocalíptico, onde as cidades andam sobre rodas e consomem umas às outras para sobreviver, duas pessoas se encontram em Londres e tentam impedir uma conspiração.

Esse Máquinas Mortais estava sendo anunciado há mais de um ano, mas cada vez mais que o tempo passava, mais falavam mal. Mas tem Peter Jackson no DNA (além de estar na produção, Jackson escreveu o roteiro ao lado de Fran Walsh e Philippa Boyens – o mesmo trio que roteirizou quase todos os seus filmes), então vamos em frente.

Dirigido pelo estreante Christian Rivers, Máquinas Mortais (Mortal Engines, no original) traz uma história clichê num visual exuberante. O visual realmente faz diferença. Temos poucos filmes com estilo steam punk, e isso talvez faça este ser o mais bem elaborado até hoje. As cidades sobre rodas são impressionantes – tem uma cena onde vemos o desmonte de uma cidade onde quase temos vontade de rever o filme.

Mas aí tem o roteiro. Cara, a gente já viu isso. Tem Star Wars, tem Mad Max, tem Exterminador do Futuro, tudo misturado – e piorado. Pra piorar, tem um personagem que não faz o menor sentido, era pra ser um grande vilão sem freios, mas que não faz muito sentido na história e tem um fim patético.

Vale pelo visual. Mas esse visual merecia uma história melhor.

Shazam!

Crítica – Shazam!

Sinopse (imdb): Todos nós temos um super-herói dentro de nós, basta um pouco de mágica para trazê-lo para fora. No caso de Billy Batson, gritando uma palavra – SHAZAM! – esse garoto adotado de quatorze anos de idade pode se transformar no super-herói adulto Shazam.

A DC decepcionou quando usou os dois maiores nomes do seu catálogo. Mas, depois de um resultado positivo com Aquaman, agora acerta de novo com outro personagem “lado B”, o Shazam.

Shazam! (idem no original) esquece toda a sisudez de Homem de Aço e Batman V Superman e apresenta uma comédia leve e divertida. O grande mérito do filme é que ele nunca se leva a sério – e ter um protagonista adolescente num corpo de adulto só reforça essa ideia.

(Sim, parece Marvel. E isso não é nada negativo, na minha humilde opinião.)

Shazam! é uma comédia assumida, mas o diretor David F. Sandberg veio do terror (ele dirigiu Quando as Luzes se ApagamAnnabelle 2). Assim, temos uma cena de acidente de carro onde mostra mais sangue que em todo o MCU, e os demônios são assustadores. Aliás não sei se foi coincidência, mas o diretor de Aquaman, James Wan, também tem extenso currículo no terror…

O filme tem um problema no desenvolvimento dos personagens, mas me parece que a culpa é do roteiro e não dos atores. Billy Batson e Shazam são a mesma pessoa mas em corpos diferentes. E a personalidade dos dois é muito diferente. Acho que os atores deveriam ter se estudado, para terem um comportamento semelhante.

Levando em conta o problema citado acima, o elenco é bom. Zachary Levi parece se divertir muito como o adolescente no corpo de um adulto com super poderes. Asher Angel não está mal, apenas destoa da personalidade da sua versão adulta. Por outro lado, Jack Dylan Grazer faz um coadjuvante mais interessante que o protagonista. Mark Strong está no limite da caricatura como o vilão com nome de banda lado B de rock nacional anos 80; Djimon Hounsou, sob pesada maquiagem, faz um mago engraçado. Por fim, queria falar da Faithe Herman, que faz a irmãzinha – a menina é adorável, quero vê-la em mais filmes!

A parte final teve uma coisa que me incomodou um pouco, nada grave, mas não vou falar aqui por causa de spoilers. Mas falarei tudo no Podcrastinadores sobre Shazam!, em breve no ar!

p.s.: Como sempre na Marvel, são duas cenas pós créditos. Não, péra…

A Profecia Celestina

Crítica – A Profecia Celestina

Sinopse (imdb): Uma adaptação do romance de James Redfield sobre a busca de um manuscrito sagrado na floresta tropical peruana.

Sabe quando nada dá certo?

Dirigido por Armand Mastroianni (que tem uma extensa carreira, com dezenas de filmes para a tv, mas nenhum digno de nota), A Profecia Celestina (The Celestine Prophecy, no original) é a adaptação do best seller homônimo de James Redfield. Mas falha – e muito – tanto na parte cinematográfica quanto ao mandar uma mensagem.

O roteiro é péssimo. Personagens rasos, situações forçadas, cenas desconexas, A Profecia Celestina é um caso a ser estudado em escolas de roteiro – como exemplo do que não fazer. O elenco até tem alguns nomes bons, mas não sei se por culpa do roteiro ou da direção, estão todos mal. O protagonista é o desconhecido Matthew Settle; mas o elenco também conta com Sarah Wayne Callies, Joaquim de Almeida, Hector Elizondo, Thomas Kretschmann, Annabeth Gish, Jürgen Prochnow e Obba Babatundé

O filme é baseado no best seller, né? Mas a mensagem é tão confusa que quando o filme acaba, tem uns textos explicando! Não me lembro de outro filme assim, que precisa de um texto pra explicar ao fim.

Se o livro é um best seller, deve ser melhor. Aliás, não é difícil ser melhor…

Dumbo (2019)

Crítica – Dumbo (2019)

Sinopse (imdb): Um elefante jovem, cujas orelhas exageradas lhe permitem voar, ajuda a salvar um circo em dificuldades, mas quando o circo planeja um novo empreendimento, Dumbo e seus amigos descobrem segredos obscuros sob sua brilhante fachada.

E continuamos com as versões live action dos clássicos da Disney. Depois de Cinderela, Mogli e A Bela e a Fera, é a hora de Dumbo.

Dumbo (idem no original) foi dirigido por Tim Burton (que já tinha um Disney live action no currículo, Alice). Mas o resultado ficou mais próximo da mais Disney do que do Tim Burton, vemos pouco do tradicional estilo dark do diretor.

Comecemos pelos pontos fracos. O conceito inicial de Dumbo não funciona mais nos dias de hoje. Dumbo é “feio”, e era pra ser ridicularizado por isso. Mas, na boa, hoje em dia quem acharia feio um filhote de elefante? “Ah, mas ele tem orelhas grandes!” Ora, é um FILHOTE DE ELEFANTE!!! Duvido que exista algum cinema no Brasil onde a plateia não faça um “ohhh…” quando aparecer o Dumbo a primeira vez.

Mas aceito esse lance do Dumbo ser “feio” porque isso está na premissa básica do desenho original. Agora, o filme segue com inconsistências. Cito um exemplo: na primeira noite no grande circo, Dumbo voa por cima da plateia, e depois foge. Por que a plateia reclamou? Pagaram pra ver um elefante voando, o elefante voou. Se o dono do circo queria mais, isso é um problema interno, a plateia nunca ficaria sabendo.

Dumbo segue acumulando essas inconsistências, principalmente na parte final – detestei o ataque caricato do vilão na torre. Some a isso o fato que o Dumbo é um coadjuvante no seu próprio filme, o foco principal é a família.

Por outro lado, o cgi do elefante é impressionante. Chegamos a um estágio onde a animação é tão perfeita que se colocarem um animal real ao lado do cgi a gente não vai saber qual é qual. Além disso, Dumbo é um filme para crianças, e estas não vão reparar nas inconsistências citadas acima.

O elenco está ok. Colin Farrell, Eva Green, Michael Keaton, Danny DeVito e Alan Arker, nenhum destaque positivo, nenhum destaque negativo.

Agora aguardemos Aladdin e Rei Leão

2036 Origin Unknown

Crítica – 2036 Origin Unknown

Sinopse (imdb): Depois de uma missão fracassada em Marte, a I.A. ARTI é agora usada para a missão 2036 com alguns supervisores humanos. Um monolito de origem desconhecida é encontrado lá. Isso terá um grande efeito na Terra.

Quando vi que tinha uma ficção científica com a Katee Sackhoff (a Starbuck de BSG), corri pra ver. Mas foi uma decepção.

Escrito e dirigido pelo desconhecido Hasraf Dulull, 2036 Origin Unknown (não sei se tem nome no Brasil) é um filme chato e pretensioso. Quase nada acontece, ficamos quase o filme inteiro acompanhando a Katee Sackhoff interagindo com uma voz. E o fim resolve brincar de 2001 e é incompreensível.

Como Hasraf Dullul não é Stanley Kubrick, o resultado final é decepcionante. Pena, queria ver mais filmes com a Katee Sackhof.

Minha Obra Prima

Crítica – Minha Obra Prima

Sinopse (imdb): Arturo é um negociante de arte inescrupuloso e Renzo um pintor socialmente desajeitado e amigo de longa data. Dispostos a arriscar tudo, desenvolvem um plano extremo e ridículo para se salvarem.

Perdi o novo filme do argentino Gastón Duprat quando passou no Festival do Rio. Por sorte, entrou no circuito!

O melhor de Minha Obra Prima (Mi obra maestra, no original) está nos dois personagens principais. A princípio não tinha gostado muito do marchand Arturo, mas ele conquista o espectador ao longo do filme – já o rabugento pintor Renzo é um daqueles personagens que a gente gosta logo de cara. É não só os personagens são bons, como os atores Luis Brandoni e Guillermo Francella também estão ótimos.

O roteiro (de Gastón Duprat e seu irmão Andrés) tem algumas escorregadas (não gostei da mudança da personalidade de um dos personagens), mas traz um plot twist bem legal (não vou me aprofundar por spoilers). E o filme, apesar de ser um drama, tem toques de humor negro, e algumas cenas engraçadíssimas (Renzo sem dinheiro no restaurante é impagável!).

Não dá pra fazer o trocadilho óbvio, Minha Obra Prima não é uma obra prima. Mas, apesar dos escorregões, os dois personagens principais valem o ingresso.

Nós

Crítica – Nós

Sinopse (imdb): A serenidade de uma família se transforma em caos quando um grupo de doppelgangers começa a aterrorizá-los.

Corra! foi uma boa surpresa – tanto que foi indicado aos Oscars de melhor filme, melhor diretor e melhor ator, e ganhou o Oscar de roteiro original. Claro que o roteirista e diretor Jordan Peele faria uma nova obra no mesmo estilo.

Mais uma vez escrito e dirigido por Peele, Nós (Us, no original) mantém a mesma pegada Twilight Zone que vimos em Corra! (não é coincidência que Peele está por trás do novo reboot de Twilight Zone). A trama não tem exatamente uma explicação do que acontece, nem como acontece, isso fica a cargo do espectador. Vai ter gente reclamando, mas heu gosto disso.

Nós tem uma ótima ambientação, Peele consegue criar um eficiente clima tenso, além de saber brincar bem com os clichês do cinema de terror. O roteiro tem algumas escorregadas, mas nada grave. Peele veio da comédia, e, assim como em seu filme anterior, Nós tem suas piadas. Mas aqui achei mais bem dosadas que em Corra!

No elenco, Lupita Nyong’o dá um show – não quero falar mais por causa de spoilers, mas podemos dizer que ter uma grande atriz faz diferença. Também no elenco, Winston Duke, Elisabeth Moss, Tim Heidecker, Shahadi Wright Joseph e Evan Alex

Nós é talvez um degrau abaixo de Corra!. Mas quem gostou do outro vai curtir este novo.

p.s.: Famílias que quiserem ideias simples para festas a fantasia podem providenciar macacões vermelhos, luvas de couro e tesouras. Fantasia pronta!