Love Kills

Crítica – Love Kills

Sinopse (imdb): A jovem vampira Helena redescobre sua humanidade por meio de seu vínculo com o humano Marcos, enquanto navega por um mundo onde o vampirismo reflete traumas, exclusão e lutas de identidade.

Se tem filme nacional de terror novo, heu vou querer ver, e vou querer comentar aqui!

Em Love Kills, um garçom com um passado complicado se vê obcecado por uma misteriosa cliente. Ele começa a segui-la, e acaba descobrindo um submundo de vampiros na noite paulistana.

Logo de cara a gente pode fazer um elogio e uma crítica. O elogio é ao visual do filme. A diretora Luiza Shelling Tubaldini conseguiu mostrar uma São Paulo noturna belíssima na sua história de vampiros. Lembrei de Cidade Oculta, outro filme que também sabe explorar muito bem a noite paulistana. A fotografia do filme é muito bonita.

Por outro lado, o roteiro não é muito bom. O filme é baseado no quadrinho homônimo de Danilo Beyruth, que heu não conheço, e deu a impressão de que só vai entender o filme quem leu a HQ. Os personagens não são muito bem desenvolvidos e o final do filme é muito confuso. Vou comentar o final depois, numa parte com spoilers liberados.

Preciso falar dos efeitos especiais. Não são efeitos top, claro, afinal efeitos especiais não são algo comum no cinema nacional. Mas, assim como defendi os efeitos de O Clube das Mulheres de Negócios, também vou defender aqui. Precisamos de mais filmes com efeitos, muito mais filmes com efeitos. Só assim os nossos técnicos alcançarão o nível de Hollywood. Ou seja, “copo meio cheio”: os efeitos são satisfatórios. Além disso, reconheço que alguns efeitos de maquiagem são bem legais.

O casal principal de atores, Thais Lago e Gabriel Stauffer, está ok – curiosamente, o nome do ator principal é o último nome do elenco no imdb. Não gostei de Flow Kountouriotis, que faz uma espécie de líder de vampiros – mas não sei se o problema está no ator ou no roteiro, seu personagem é completamente fora do tom do resto do filme, parece que saiu de um infantil caricato tipo Castelo Rá Tim Bum. Love Kills também tem uma participação especial de Marat Descartes.

O final é bem ruim. Mas vamos aos avisos de spoilers antes.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Antes do final, queria aproveitar o momento “spoiler free” pra comentar um problema que não é exclusivo deste filme: o protagonista Marcos pode até não acreditar em vampiros. Mas quando ele está seguindo a Helena, ela voa e logo depois mostra que tem uma força maior que o normal. Pode até não ser vampira, mas algum superpoder ela tem. Vou além: quando eles estão num beco e são cercados pela gangue rival, ele não teria como defendê-la. E a gangue rival não o deixaria vivo. Mas, repito, centenas de filmes têm problemas semelhantes.

Até aí, heu estava até curtindo, mesmo com ressalvas. No fim, aparece um novo personagem, que era pra ser o grande vilão, mas foi muito mal utilizado. Mas o pior problema é pouco depois. Sabe aquelas gavetas de necrotério? Uma delas começa a vazar água. Aí a gaveta abre, e aparece uma nova personagem, uma mulher loira, de branco (já tinha aparecido numa sequência que parecia um sonho, no meio do filme), que faz chover, e depois some. Oi? De onde veio aquela personagem? Pra que ela serviu na trama, além da chuva? Pra que colocar um novo elemento na cena final, se não vai agregar nada ao filme?

Já comentei aqui antes, um bom final faz o filme somar pontos; um final ruim faz o inverso. Não sei se Love Kills vai voltar aqui na lista de piores do ano, mas vou te falar que esse final me fez não ter vontade de ver se um dia fizerem uma continuação.

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