A Morte do Demônio: Em Chamas

Crítica – A Morte do Demônio: Em Chamas

Sinopse (imdb): Após a perda do marido, uma mulher busca consolo junto à família dele. À medida que eles se transformam, um a um, em Deadites, ela descobre que os votos que fez em vida perduram mesmo após a morte.

E vamos para mais um Evil Dead…

Sou muito fã dos três primeiros Evil Dead. Acho perfeito o equilíbrio entre terror, trash e comédia – o segundo filme é, na minha humilde opinião, uma das melhores comédias de humor negro da história do cinema. Gosto até do terceiro filme, que tem muita gente que despreza.

Em 2013 resolveram rebootar a franquia, mas, infelizmente, deixaram a galhofa de lado. O Evil Dead do Fede Alvarez é um bom filme de terror, mas é um filme sério, não deveria se chamar “Evil Dead”. Isso se repetiu no filme de 2023, dirigido por Lee Cronin, A Morte do Demônio: A Ascensão. Ou seja, heu já desconfiava que este sexto filme, A Morte do Demônio: Em Chamas, ia seguir o mesmo caminho. Pro espectador curtir tem que esquecer que é Evil Dead.

Depois dessa longa introdução, vamos ao filme. Os deadites agora parece que têm um alvo específico, uma família, e aproveitam um momento de isolamento dessa família para atacar.

A direção é de Sébastien Vanicek, do irregular Infestação, que traz um filme violento, cheio de gore – e até com algumas cenas engraçadas, mas, como era de se esperar, sem a galhofa dos filmes clássicos. Mas preciso elogiar algumas coisas na direção. Gostei de alguns takes onde o diretor gira a câmera e muda o eixo do “chão” – tem um take que começa na banheira e termina no teto que é bem legal. E tem um plano sequência sensacional acompanhando uma personagem enquanto o caos acontece em volta dela – só essa cena já vale o ingresso.

A Morte do Demônio: Em Chamas tem muita violência e muito gore. E algumas cenas misturam isso com humor. Tem uma cena, envolvendo uma dentadura, que é, ao mesmo tempo, engraçadíssima, e uma das coisas mais nojentas que vi no cinema nos últimos tempos.

Atenção, agora um aviso, que alguns podem considerar spoiler, mas acho importante falar. Se você gosta de cachorros, não sei se este é um filme para você. Algumas linhas não deveriam ser cruzadas, e A Morte do Demônio: Em Chamas cruza. Não foi legal isso.

Como aconteceu nos filmes anteriores, A Morte do Demônio: Em Chamas não tem atores famosos no elenco, e todos funcionam para o que o filme pede. Pra não dizer que não tem ninguém conhecido, Erroll Shand, que faz o pai, estava em Pequenos Segredos, filme nacional que representou o Brasil no Oscar de 2017. E, minha memória maluca, lembrei do nome da Souheila Yacoub em Climax.

Preciso falar mal de um detalhe do roteiro, mas antes, o aviso de spoilers.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Logo na primeira parte do filme, quando acontece o velório que reúne a família, tem um furo grande no roteiro. O caixão é levado para uma sala onde será cremado, mas em vez disso, o caixão é quebrado e um funcionário acaba morrendo. Ia ter uma investigação! A família não ia seguir tranquilamente, como se nada tivesse acontecido! E o pior é que é um problema fácil de se resolver: era só criar um incêndio, e mostrar a dona do local do velório tratando com os bombeiros…

FIM DOS SPOILERS!

Fiquem até o fim dos créditos! É um “esquema Marvel”: uma cena depois dos créditos principais, e outra lááá no final de tudo.

As Ovelhas Detetives

Crítica – As Ovelhas Detetives

Sinopse (imdb): Todas as noites, um pastor lê em voz alta uma história de mistério e assassinato, fingindo que suas ovelhas conseguem entender. Quando ele é encontrado morto, as ovelhas percebem imediatamente que se trata de um assassinato e acreditam saber tudo sobre como resolvê-lo.

As Ovelhas Detetives estava na minha lista de expectativas para 2026. Na verdade, era mais pela curiosidade com o elenco de vozes escalado para as ovelhas. Mas quando o filme foi lançado aqui, em vez de sessão de imprensa, teve pré estreia no fim de semana, aberta pra crianças. Aí meio que desanimei, porque o tratamento que a assessoria deu ao filme dava a impressão de que o filme teria uma abordagem muito infantil – e ainda ia perder as vozes originais na sessão dublada em português.

Aí o filme apareceu na Prime e resolvi arriscar. Caramba, que surpresa agradável! As Ovelhas Detetives é bem melhor do que parecia!

Ok, não estamos falando de um “novo clássico”, de um filme “obrigatório” (como, por exemplo, Uma Aventura Lego ou Tico e Teco e os Defensores da Lei, filmes que são muito melhores do que o que parecem ser). Mas As Ovelhas Detetives é leve e divertido, e traz um bem sacado whodunit no roteiro.

(Pra quem não sabe, whodunit é aquele estilo de narrativa de filme, livro ou peça teatral, onde acontece um crime e temos vários possíveis culpados, e o espectador / leitor precisa juntar peças soltas pra tentar descobrir o culpado. Os recentes filmes da série Knives Out são bons exemplos.)

George Hardy é um pastor que trata suas ovelhas com carinho, quase como se fossem humanos. Inclusive, gosta de ler livros policiais para o rebanho. Quando ele aparece morto, as ovelhas – que conversam entre elas – resolvem descobrir quem é o assassino. O problema é que os humanos não entendem o que elas falam.

As Ovelhas Detetives é baseado no livro Three Bags Full, lançado em 2005, e é dirigido por Kyle Balda, que até agora só tinha dirigido longas de animação, como Minions e Meu Malvado Favorito 3. Phil Lord e Christopher Miller (Uma Aventura Lego, Devoradores de Estrelas) estão na produção, mas não sei o quanto eles interferiram no projeto.

O roteiro constrói bem o whodunit, mas algumas partes aqui e ali lembram que esse é um filme para crianças – a explicação da tinta verde na mão soou forçada demais. Nada grave, felizmente.

Não costumo reclamar de efeitos especiais, mas achei os efeitos aqui bem fracos. Algumas ovelhas parecem muito mal feitas. Não chega a atrapalhar, mas, com a tecnologia atual, podiam ser mais convincentes.

Por outro lado, o elenco é bem acima da média. Hugh Jackman seria o principal, mas seu personagem sai cedo da trama (segundo o imdb, ele filmou todas as suas cenas em dez dias). Emma Thompson faz a advogada, e o “He-Man” Nicholas Galitzine também tem um papel importante. E, entre as ovelhas, temos Julia Louis-Dreyfus, Patrick Stewart, Bryan Cranston, Regina Hall, Bella Ramsey, Chris O’Dowd e Brett Goldstein, entre outros.

As Ovelhas Detetives não vai mudar a vida de ninguém. Mas quem assistir não vai se arrepender.

Segredo Obscuro

Crítica – Segredo Obscuro

Sinopse (imdb): Desesperada para retomar a carreira, uma atriz outrora adorada é atraída para o mundo glamoroso de uma magnata do bem-estar, apenas para descobrir a verdade monstruosa por trás de sua fachada impecável.

O sucesso de A Substância, de 2024, abriu caminho pra outras produções com temas parecidos. Este Segredo Obscuro (Shell, no original) guarda semelhanças no tema e na abordagem do body horror. Pena que o resultado ficou bem inferior.

Dirigido por Max Minghella (filho de Anthony Minghella, diretor ganhador do Oscar por O Paciente Inglês), Segredo Obscuro é de 2025 e podia ter sido lançado antes. Mas depois da sessão, descobri por que adiaram a estreia. O filme é bagunçado demais.

Segredo Obscuro tem uma premissa bem parecida com A Substância. Samantha é uma atriz com dificuldade de conseguir papéis por causa da idade. Ela então começa um tratamento que promete retardar o envelhecimento. Claro que coisas vão dar errado no meio do caminho.

Gosto muito da Kate Hudson, mas sua personagem aqui, Zoe, é bem ruim. Uma milionária como ela não teria nenhum motivo pra se aproximar daquele jeito da Samantha. Se pelo menos a trama indicasse alguma tensão sexual entre as duas, talvez até ajudasse a convencer o espectador. Mas daquele jeito, só amizade, ficou artificial demais.

Além disso, uma empresa que traz efeitos colaterais tão graves pra todos seu usuários não conseguiria crescer daquele jeito. Digo mais: quando Samantha tem um efeito colateral grotesco diante da imprensa, seria bem difícil de esconder. E o roteiro simplesmente esquece disso.

Sabe o que ia melhorar o filme? Se a direção assumisse um clima trash. Temos uma vilã caricata e um monstro. Se o filme tivesse uma pegada trash, na linha de filmes B tipo os filmes do Stuart Gordon, como Re-Animator ou From Beyond, ia virar algo descompromissado e divertido. Ia ser bem melhor.

O elenco é bom. Elisabeth Moss convence no papel da atriz que passou um pouco da idade e luta pra voltar ao mercado. Já Kate Hudson tem carisma, mas o roteiro lhe entregou uma personagem caricata. Kaia Gerber, filha da Cindy Crawford, tem o terceiro maior papel. E Elizabeth Berkley, de Showgirls, aparece na sequência inicial.

(Uma curiosidade de bastidores sobre a protagonista Elisabeth Moss. Ela passa o filme usando roupas largas. Achei que sua personagem ia emagrecer com o tratamento e depois ela apareceria com roupas mais justas, mas isso não acontece. Sabe por que? A atriz estava grávida durante as filmagens…)

Segredo Obscuro não chega a ser “revoltantemente ruim”, mas o resultado ficou decepcionante…

Supergirl

Crítica – Supergirl

Sinopse (imdb): Kara Zor-El, também conhecida como Supergirl, une forças com um aliado improvável em uma jornada interestelar de vingança e justiça, quando um adversário inesperado ataca muito perto de casa.

Heu lembro quando tinham poucos filmes de super-herói por ano. Em 2000 tivemos o primeiro X-Men; em 2002 foi a vez do primeiro Homem Aranha – dois filmes em três anos. E aí começou a ter mais, a ponto de chegar a cinco ou seis filmes de super-herói no mesmo ano. Chequei agora no google, entre 2017 e 2019 foram 21 grandes lançamentos de filmes de super-heróis nos cinemas. É claro que se existe uma quantidade tão grande, a qualidade diminui.

Nesse cenário de muitos filmes de super-herói surge o filme da Supergirl, que é apenas mais um filme de super-herói. É ruim? Não. Mas é tão fuén vai ser esquecido logo logo.

Kara Zor-El, a Supergirl, personagem introduzida no filme do Superman, está comemorando seu aniversário de 23 anos, meio solitária (sua única companhia é o cachorro Krypto), ficando bêbada todas as noites. Seu destino acaba acaba cruzando com uma adolescente que perdeu a família e quer vingança.

O problema deste filme da Supergirl é que não tem nenhuma novidade, a gente já viu isso tudo antes várias vezes – e melhor contado. Vou além, o clima parece Guardiões da Galáxia, filmes dirigidos pelo James Gunn, que é produtor aqui: temos uma protagonista meio rebelde, um pouco anti-heroína, vagando por vários planetas esquisitos e com personagens esquisitos.

A direção é de Craig Gillespie, mas parece um “filme de produtor”. Digo isso porque Gillespie tem dois filmes no currículo que acho bem legais, Eu Tonya e Cruella, que são bem diferentes de Supergirl – que, como disse, se aproxima mais de Guardiões da Galáxia

(Aliás, curioso lembrar que tanto Guardiões da Galáxia quanto Cruella têm boas trilhas sonoras usando músicas pop, e aqui a trilha sonora é bem insossa. Acho que o único destaque nesse aspecto é a cena onde tocam Garota de Ipanema e What A Wonderful World.)

Se o filme é genérico, o roteiro fraco não ajuda. Se a gente parar pra pensar, vai encontrar um monte de inconsistências aqui e ali. Um exemplo: se o vilão Krem fazia parte de um grupo que sequestra jovens mulheres, por que diabos ele deixa a menina que vai pedir ajuda à Supergirl? Isso sem falar que o poder da kryptonita é mais forte ou mais fraco dependendo do que o roteiro pede…

Milly Alcock funciona como a Supergirl, ela precisa entender sua posição como super-heroína, afinal ela não é e nem quer ser boazinha como seu primo Superman. Eve Ridley, que faz Ruthye, a personagem adolescente, também está ok. Por outro lado, heu queria fazer duas críticas. Uma ao vilão Krem de Matthias Schoenaerts, que é um vilão bem besta. A outra é ao Lobo, personagem do Jason Momoa, caricato ao extremo, e se você tirar esse personagem, nada muda no filme.

Vou além, a cena onde a gente conhece o personagem Lobo é uma cena que não faz sentido. Kara, sozinha, bate em dezenas de pessoas que estão num bar, e depois que ela bateu em todo mundo, o Lobo acende um charuto e age como se nunca a tivesse visto, como se não estivesse presente. Ele não podia estar escondido num canto naquela cena.

O filme é ruim? Não, não é ruim, mas, repito, a gente já viu isso outras vezes, é um filme genérico e que vai ser esquecido daqui a pouquinho. Os fãs da DC mereciam um tratamento melhor, desse jeito a DC nunca vai alcançar o que a Marvel conseguiu com MCU.