Adão Negro

Crítica – Adão Negro

Sinopse (imdb): Quase 5.000 anos após ser agraciado com os poderes onipotentes dos deuses egípcios e preso com a mesma rapidez, Adão Negro alcança a liberdade de sua tumba terrena, pronto para liberar sua justiça no mundo moderno.

Bora pra mais um filme de super heróis da DC!

O que mais me intrigava sobre este Adão Negro (Black Adam, no original) era o protagonista. Porque, na Hollywood de hoje, é difícil imaginar o Dwayne Johnson como um vilão. Mas, olha, nesse aspecto, gostei do que vemos no filme. Diferente da maioria dos filmes de super heróis onde existe um grande maniqueísmo, o bem contra o mal, aqui a gente tem dois grupos distintos onde dependendo do ponto de vista, um deles pode não ser exatamente de “mocinhos”. Inclusive isso é falado por uma personagem – “onde estavam vocês quando fomos invadidos 27 anos atrás?”

Dito isso, preciso dizer que o vilãozão que temos no terço final do filme é fraco. Mais tarde volto a falar dele.

A direção é de Jaume Collet-Serra, de A Órfã, Águas Rasas, e alguns filmes com o Liam Neeson badass (Desconhecido, O Passageiro, Noite Sem Fim e Sem Escalas). Bom diretor, mas que aqui não mostra nada autoral. Ele usa tanta câmera lenta que às vezes parece que estamos vendo um filme do Zack Snyder.

Ainda na câmera lenta: são boas cenas, só que em excesso. Talvez o ideal fosse reduzir um pouco. As cenas de ação são boas, e o filme tem um pouco mais de violência do que estamos acostumados na concorrente Marvel.

Já que falamos da Marvel… Preciso dizer que não conheço as HQs, meus comentários são apenas relativos ao que tivemos no cinema nos últimos anos. E preciso falar que esse filme parece muito um filme da Marvel. Temos um novo elemento, o Eternium, que é equivalente ao Vibranium. O time de super heróis é liderado por uma mistura de Tony Stark com Falcão, e seu time tem um “Doutor Estranho” (que vê o futuro e encontra apenas uma solução para enfrentar o vilão), um Homem Formiga com máscara de Deadpool (inclusive usado como alívio cômico) e uma espécie de Tempestade (ok, essa é a mais diferente). Só que a Marvel passou anos e anos construindo um time, e agora na DC veio tudo jogado de uma vez.

Sobre o elenco, Dwayne Johnson está ótimo como sempre. Um personagem mais sombrio que o habitual, mas mesmo assim mantendo o bom humor. Sarah Shahi tem o principal papel entre os “não heróis”, e Pierce Brosnan é o único conhecido do grupo de heróis Sociedade da Justiça (os outros são Aldis Hodge, Quintessa Swindell e Noah Centineo). E temos Viola Davis como Amanda Waller, meio que pra justificar que este é mais um filme do universo cinematográfico da DC.

A parte técnica teve uma coisa que me incomodou. O áudio parecia que algumas cenas estava mal dublado, principalmente em cenas do menino. Achei estranho, mas deixei pra lá. Ao fim da sessão, um amigo comentou sobre isso, e vi que não fui o único.

Adão Negro é legal, mas não gostei do terço final. O personagem título tinha sido isolado, mas consegue voltar numa cena muito forçada. E é o momento onde temos o vilãozão. E aquele exército de zumbis foi completamente desnecessário.

Tem uma cena pós créditos, depois dos créditos principais, que fez parte da galera urrar na sessão de imprensa. Admito, boa cena. No fim dos créditos não tem nada.

Aguardemos mais filmes do Dwayne Johnson na DC!

Hellraiser 2022

Hellraiser 2022

Sinopse (imdb): Uma versão do clássico de terror de Clive Barker de 1987, onde uma jovem lutando contra o vício toma posse de uma antiga caixa de quebra-cabeça, sem saber que seu objetivo é convocar os Cenobitas.

Na Hollywood atual cheia de remakes e reboots, até que demorou pra chegar o novo Hellraiser – que já estava sendo anunciado há anos.

Mas, antes do filme, posso falar um pouco da franquia?

O primeiro Hellraiser, de 1987, foi marcante por vários motivos. Não só é um filme muito bom até hoje (apesar de alguns efeitos especiais que perderam a validade), como marcou a estreia de Clive Barker nos cinemas. Barker era um promissor escritor de terror, elogiado pelo próprio Stephen King (que, tirando algumas exceções, não tinha muito sucesso nos cinemas) – mas, com o tempo, vimos que Barker não viraria um grande nome no cinema nem na literatura (seus filmes frequentemente usam universos paralelos ligados à dor e ao sadomasoquismo, como Nightbreed, O Último Trem e Livro de Sangue). Até hoje ele é lembrado apenas pelo seu primeiro filme.

Pra mim, Hellraiser ainda foi marcante por outro motivo. O cinema de terror na época era muita galhofa, muitos títulos eram divertidos. Ok, admito que gosto de filmes assim, mas também gosto de um terror sério de vez em quando. E eram raros os filmes de terror sérios no fim dos anos 80. Me lembro de poucos: A Maldição dos Mortos Vivos (Wes Craven), Comando Assassino (George A Romero), O Príncipe das Sombras (John Carpenter) – e este Hellraiser.

Mas aí vieram as continuações – problema comum na época. Cada continuação era pior que o antecessor. Talvez seja ok até o terceiro filme, mas, pelo que chequei agora pelo imdb, foi até o décimo filme! E os novos filmes eram cada vez piores, até o ponto que heu, que era fã da franquia, abandonei. Devo ter visto até o sexto ou sétimo, aí desisti.
Normalmente não curto reboots e remakes, mas neste caso de Hellraiser entendo que era algo necessário…

Dirigido por David Bruckner (A Casa Sombria), este novo Hellraiser (que tem o mesmo nome do original) não é uma continuação, porque o Pinhead tem uma mudança significativa (daqui a pouco volto nisso); nem uma refilmagem, porque a história é diferente da original. Trata-se de um reboot, o que significa que devem estar pensando numa nova franquia.

Hellraiser tem alguns pontos positivos e outros negativos. Vamulá. Tem uma coisa que me incomodou, mas pode ser um head canon meu. Uma coisa que heu sempre gostei foi o cubo – queria ter um enfeitando minha sala. E, na minha memória, era quase sempre um cubo. Mas aqui a parada toma diversas formas, quase nunca é um cubo. Mas, ok, de repente já era assim e heu tinha me esquecido.

Uma coisa que gostei foi quando uma pessoa vai encontrar os cenobitas, que parte do cenário começa a se mexer como se fosse o cubo – ou seja, a pessoa já está “dentro” do cubo. Não me lembro disso nos outros filmes, achei que foi uma ideia visual que ficou boa.

Sobre o Pinhead, tem gente criticando na internet. Antes era o Doug Bradley (se não me engano, ele foi o Pinhead em oito dos dez filmes), e agora foi trocado por uma atriz, Jamie Clayton. Sim, mudaram o gênero do Pinhead. Mas… Dois comentários: 1- Os cenobitas são demônios que são ligados à dor e à tortura. Tanto faz se é um homem ou uma mulher, nunca teve nenhuma sexualização em cima dos cenobitas. Então, por mim, não faz diferença qual é o gênero. 2- A atriz é boa! Sua caracterização de Pinhead ficou boa! Tanto o visual, quanto a voz, gostei da Pinhead.

Dito isso, preciso dizer que não curti a nova versão. Sei lá, o antigo me trazia uma sensação de sujeira, de perversão sexual, e este novo parece limpo e estéril. Mesmo nas cenas onde tem sangue e gore, o filme não incomoda. Parece que os novos realizadores não entraram na onda sadomasoquista proposta pelos filmes antigos.

Além disso, o filme é escuro (problema recorrente em produções com poucos recursos, pra esconder efeitos especiais deficientes); e os personagens são fracos – a gente deveria torcer pela protagonista, mas a protagonista aqui tem zero carisma.

E pra piorar, o roteiro é muito previsível. Qualquer um acostumado com filmes de terror vai conseguir adivinhar até a ordem dos acontecimentos.

Ou seja, não é ruim, mas está longe de ser bom. É apenas mais um terror genérico. E pior é que deve ter continuações…

Halloween Ends

Crítica – Halloween Ends

Sinopse (imdb): A saga de Michael Myers e Laurie Strode chega a um fim arrepiante.

É, tem mais um Halloween. Ninguém mais se importa, mas avisaram que vinha mais um, pra fechar a história.

Estou com preguiça, então vou copiar dois parágrafos do meu texto do ano passado sobre o Halloween anterior:

Halloween me lembra o cantor Roberto Carlos. Ele tem um monte de músicas boas no início da carreira. Mas fez tanta coisa ruim depois que ninguém mais queria saber quando ele lançava um disco novo.
Este é o décimo segundo Halloween. O primeiro filme foi em 1978. Aí teve continuações em 81, 82, 88, 89, e, em 95 era pra ser o sexto e último. Mas alguns anos depois a Jamie Lee Curtis voltou pra mais dois, um em 98 e outro em 2002. Em 2007 e 2009 teve um remake, feito pelo Rob Zombie. Até que em 2018, o diretor David Gordon Green disse “esqueçam tudo isso, a partir de agora só vale o primeiro”. Sim, o décimo primeiro filme ignora os nove que vieram antes.”

Mas, como disse no início, este novo filme já estava anunciado. Então vamos a ele.

Mais uma vez dirigido por David Gordon Green, este Halloween Ends é o fim da saga do Michael Myers. Pelo menos por enquanto, até alguém daqui a alguns anos resolver mais uma vez ressuscitar a franquia.

Não, o filme não é bom. É ainda pior que os dois anteriores do mesmo diretor, porque tudo demora muito a acontecer, e boa parte do filme não é focada no personagem central, Michael Myers.

Queria falar mal, mas preciso entrar no terreno dos spoilers. Nada grave, quem quiser pode continuar.

]SPOILERS!!!
SPOILERS!!!
SPOILERS!!!

Duas coisas me incomodaram bastante. Uma delas é que achei muito forçado o romance da Allyson com o Corey. Ela é uma mulher experiente, viu a mãe morrer, viu amigos morrerem, ela não é uma garotinha ingênua que vai se apaixonar pelo primeiro zé mané que aparecer. NADA no filme traz argumentos sólidos para justificar esse romance avassalador.

A outra é ainda pior. Corey tem um bom desenvolvimento, acompanhamos uma boa construção de vilão – um trauma no passado, uma mãe opressora, sofre bullying, não tem amigos, etc. Boa parte do filme ignora o Michael Myers e foca neste novo vilão – o que seria uma boa saída para o filme. Mas, lá pro terço final, parece que alguém se lembrou “xi, era pra ser o Michael Myers e não esse garoto!” e de repente o filme muda de rumo. E aí temos um filme do Michael Myers onde em pelo menos metade do filme ele nem aparece. E, claro, temos menos mortes – um slasher com poucas mortes.

FIM DOS SPOILERS!

No elenco, temos a volta de Jamie Lee Curtis, Will Patton e Andy Matichack, que estavam nos filmes anteriores. Judy Greer só aparece em fotos. Rohan Campbell faz o “semivilão” Corey.

Agora acabou. Ufa! Até alguém resolver voltar com um novo reboot, remake, etc…

Lobisomem na Noite

Crítica – Lobisomem na Noite

Sinopse (Disney+): Em uma noite escura e sombria, uma cabala de monstros emerge das sombras e se reúne no templo de Bloodstone após a sua morte. Em um estranho e macabro memorial à vida de seu líder, os participantes são lançados em uma misteriosa e mortal competição por uma poderosa relíquia – uma caçada que acabará por colocá-los cara a cara com um monstro perigoso.

Recebi uma mensagem de um amigo sobre um novo Marvel, fui ver direto sem ler absolutamente nada do que se tratava. Olha, que surpresa boa!

Inicialmente achei que seria o primeiro episódio de uma nova série – caramba, tem muita coisa pra ver, estou acompanhando Andor, She-Hulk, Anéis de Poder, estou atrasado com House of the Dragon, acabou de estrear O Clube da Meia Noite, e ainda me recomendaram Dahmer. E ainda preciso ver filmes pra produzir conteúdo pro site! Precisamos de uma nova greve de roteiristas…

Mas, não, Lobisomem na Noite não é uma nova série, é um especial de Halloween. Um filme média metragem, de 54 minutos, que, a princípio, não terá continuação. Taí, gostei da proposta. Só achei um pouco cedo pra Halloween, será que não seria melhor mais perto do fim do mês?

Antes de tudo, preciso falar que Lobisomem na Noite não tem NADA de super heróis. Ok, algum leitor das HQs pode até dizer “mas o personagem tal aparece no gibi” – mas, pra mim, o que vale é o que está na tela, tanto nos filmes quanto nas séries. E nada aqui se conecta a nenhum dos filmes ou séries. Se vai se conectar no futuro? Provavelmente. Mas, por enquanto é algo independente.

Lobisomem na Noite (Werewolf by Night, no original) é uma grande homenagem a filmes clássicos de terror, como Drácula, Frankenstein, A Múmia, etc. Reconheço que não sou um grande conhecedor dessa fase, mas a gente pode sentir o clima. Não só o fato de ser em preto e branco, como os enquadramentos, cenários, trilha sonora, tudo lembra filmes daquela época. Tem até aquelas “marcas de cigarro”, aquelas bolas pretas que aparecem no canto da tela pra avisar pro projecionista que é a hora de trocar de projetor (se você é novo, talvez nunca tenha visto isso, mas até os anos 80 ou 90 era bem comum, tinha em todos os filmes que passavam no cinema).

Quando vi, desconfiei de uma coisa que confirmei depois no imdb: aproveitaram o P&B para “esconder” o sangue. Tem algumas cenas bem violentas, com muito sangue jorrando, mas vemos muito pouco porque o sangue não é vermelho.

Quando acabou o filme, uma agradável surpresa. A direção é de Michael Giacchino, ele mesmo, o compositor das trilhas sonoras de metade dos blockbusters que a gente viu nos últimos anos – só este ano, ele fez Batman, Jurassic World, Lightyear e Thor. O cara que já mostrou que é um grande compositor, ele já tinha trabalhado em trilhas que originalmente eram de outros compositores – tipo quando fez as trilhas dos Jurassic World (que nos filmes anteriores eram do John Williams) ou dos novos Star Trek (trabalhando em cima da trilha original de Jerry Goldsmith). Como diretor, ao fazer uma homenagem aos clássicos do terror, gostei de ver que ele mostra o mesmo carinho que ele tem para trabalhar em cima de outras trilhas. Já quero ver mais filmes dirigidos por ele!

Tenho uma crítica com relação ao nome. O filme se chama “Lobisomem na noite”. E tratam isso como se fosse um grande mistério a ser revelado num plot twist. Ora, se você vai ver um filme chamado “Lobisomem”, você sabe que o personagem central vai virar lobisomem! Que plot twist fajuto!

Mas não reclamo porque adorei a transformação. Vemos o olhar de medo da outra personagem, enquanto vemos suas sombras se transformando. Ficou muito bom!

Outra coisa que achei bem legal: a vinheta da Marvel foi alterada. Começa normal, mas aí é como se uma garra de lobisomem rasgasse (me lembrou o poster de Um Grito de Horror), aí fica preto e branco e o tom muda para menor. Muito legal!

No elenco, Gael Garcia Bernal e Laura Donnelly são os principais. Se este filme se conectar ao MCU, deve ser com um deles (ou ambos).

No fim, fica a sensação de que poderia ter sido um longa. Gostei do clima, gostei dos personagens, pena que acabou rápido. Pelo menos é melhor do que uma série longa.

Amsterdam

Crítica – Amsterdam

Sinopse (imdb): Na década de 1930, três amigos testemunham um assassinato, são incriminados e descobrem uma das tramas mais ultrajantes da história americana.

Antes de falar do filme, preciso falar da sessão de imprensa. Normalmente, críticos e jornalistas têm acesso a uma sessão antes da estreia, pra dar tempo de produzir conteúdo. E normalmente essa sessão acontece alguns dias antes. Mas, não sei por que, Amsterdam teve uma sessão quase um mês antes da estreia. Pior: sessão foi sem legendas! Pra que exibir um filme com tanto tempo de antecedência?

Enfim, estreia esta semana, então agora é hora do texto. Vamos ao filme?

A primeira coisa que chama a atenção aqui é o elenco. Afinal não é sempre que temos Margot Robbie, Christian Bale, John David Washington, Robert DeNiro, Rami Malek, Anya Taylor-Joy, Zoe Saldaña, Michael Shannon, Mike Myers, Chris Rock, Taylor Swift, Timothy Olyphant e Andrea Riseborough. É tanta gente legal passando pela tela que o espectador até se distrai e esquece as falhas.

Além do elenco, a reconstituição de época também é muito boa, assim como a fotografia de Emmanuel Lubezki (que ganhou três vezes seguidas o Oscar de fotografia, por Gravidade, Birdman e O Regresso). Amsterdam é um filme bonito. E as maquiagens também são muito boas, os dois atores principais tiveram graves ferimentos de guerra.

Mas, dito isso, achei o filme meio vazio.

Diria que o problema é o roteiro, escrito pelo diretor David O Russell, que não lançava nenhum filme desde Joy, de 2015. E, olha só, fui reler o que escrevi sobre Joy na época, vou copiar um trecho aqui: “Mais um filme meia boca do superestimado David O. Russell… A história de uma mulher que inventou um esfregão daria um bom filme? Talvez. Mas precisaria de um bom roteiro, já que a história em si é besta. E isso não acontece aqui. Joy: O Nome do Sucesso tem uma cena boa aqui, outra acolá. Mas no geral, é um filme bobo.”

Ou seja, O. Russell continua o mesmo. Mas, péra, posso catar um trecho do que escrevi em 2013 sobre Trapaça, seu filme anterior? “Sabe quando um filme tem um monte de coisas legais, mas simplesmente não funciona? Tem a Amy Adams linda e com decotes generosíssimos, bons atores com boas caracterizações, figurinos bem cuidados, boa ambientação de época, boa trilha sonora? Mas, apesar de tudo isso, parece que o filme não “dá liga”.

(E isso porque achei O Lado Bom da Vida um filme bem fuén…)

Pior é que depois que vi Amsterdam, fui catar informações pela internet e descobri que David O. Russell já teve problemas nos bastidores com alguns de seus atores, como George Clooney e Amy Adams. Mas, não sei por quais motivos, os filmes dele sempre geram indicações ao Oscar, sete atores diferentes já foram indicados por filmes com ele: Jennifer Lawrence (três vezes), Christian Bale (duas vezes), Amy Adams (duas vezes), Bradley Cooper (duas vezes), Melissa Leo, Robert De Niro e Jacki Weaver. Mais: ele é o único diretor que já teve dois filmes consecutivos com indicações para os quatro Oscars de atuação (O Lado Bom da Vida e Trapaça). Deve ser por isso que ele consegue tal elenco.

E, pra fechar, falando do elenco deste Amsterdam. São três papeis centrais, Margot Robbie, Christian Bale e John David Washington. Mas o único destaque é para Bale, que está ótimo com suas cicatrizes e seu olho de vidro. Os outros dois estão apenas no piloto automático. E o resto do elenco mal dá pra julgar, alguns deles aparecem em uma ou duas cenas!

Por fim, mais uma vez, longo demais (acho que comentei isso em todas as críticas sobre os filmes do diretor), são duas horas e quatorze minutos que chegam a cansar.

No fim, fica aquela sensação de potencial desperdiçado. Pena.

Speak no Evil

Crítica – Speak no Evil

Sinopse (imdb): Uma família dinamarquesa visita uma família holandesa que conheceu nas férias. O que era suposto ser um fim de semana idílico começa lentamente a desmoronar-se à medida que os dinamarqueses tentam ser educados diante do desagradável.

No meio de um monte de lançamentos meia boca de terror, como quem não quer nada chega um título dinamarquês que é um soco no estômago.

Dirigido por Christian Tafdrup, Speak no Evil é um terror psicológico daqueles de causar incômodo no espectador. Quando acabou o filme me sentia mal, me lembrei de outro filme europeu, o austríaco Funny Games.

Como diz na sinopse do imdb, “os dinamarqueses tentam ser educados diante do desagradável“. Essa é a tônica do filme: o desconforto frente a situações incômodas. Se você é um hóspede, até onde você consegue aguentar ao ver o seu anfitrião tendo atitudes erradas?

Gostei muito da construção dos personagens e das situações que eles vivem. Os dinamarqueses se sentem incomodados com os holandeses “sem noção”, mas não sabem como sair de situações constrangedoras. O diretor usa muitos planos longos, isso ajuda a manter o desconforto.

A fotografia é muito boa, teve uma cena que gostei, onde os dois homens vão para um lugar deserto para gritar e desestressar. E a trilha sonora mostra como paisagens tranquilas podem ser momentos tensos.

No elenco, não conhecia nenhum dos quatro principais, Morten Burian, Sidsel Siem Koch, Fedja van Huêt e Karina Smulders. Gostei dos quatro e das interações entre eles.

Teve um detalhe na parte final que me incomodou. Vou colocar o aviso de spoilers.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Duas coisas sobre a parte final:

– Achei o casal dinamarquês muito apático. Não esboçam reação nem tentam fugir. E os holandeses nem estavam armados!

– O plano dos holandeses tinha brechas para possíveis falhas. E se as famílias dissessem para onde estariam indo passar férias? E se as crianças escrevessem recados pedindo socorro?

FIM DOS SPOILERS!

Mesmo com essas críticas, gostei muito do final. Só é complicado pra recomendar, porque não é qualquer um que curte um final tão pesado.

Infelizmente Speak no Evil ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Tomara que alguma distribuidora se empolgue e traga o filme!

Morte Morte Morte

Crítica – Morte Morte Morte

Sinopse (imdb): Quando um grupo de ricos de 20 e poucos planeja uma festa de furacão numa remota mansão familiar, um jogo de festa torna-se mortal neste olhar fresco e engraçado sobre traições, amigos falsos e uma festa que correu muito, muito mal.

Filme novo de terror da A24. A gente lembra de Midsommar, A Bruxa, Saint Maude, The Green Knight, etc. Você pode gostar ou não dos filmes, mas uma coisa é inegável: são filmes diferentes do óbvio.

Mesmo sem querer, a gente acaba criando uma expectativa. Mas Morte Morte Morte (Bodies Bodies Bodies, no original) não é tão fora da caixinha quanto outros filmes da mesma produtora. Vejam bem, até gostei de Morte Morte Morte, só achei ele “normal”.

Dirigido por Halina Reijn, Morte Morte Morte lembra Pânico: um whodoneit dentro de um slasher. Assassinatos vão acontecendo, e o espectador precisa juntar as peças do quebra cabeça pra descobrir quem é o culpado e qual é a sua motivação.

Morte Morte Morte tem dois problemas. Um deles é que todos os personagens são desagradáveis. Todos são jovens ricos, drogados, mimados e egoístas. Ou seja, não tem como simpatizar com ninguém. Se o personagem morrer, ninguém se importa. Ok, acredito que foi proposital, para fazer uma crítica à geração Z e todas as futilidades que envolvem esse mundinho. Como crítica pode funcionar, mas como narrativa cinematográfica, traz problemas.

O outro problema, na minha humilde opinião, foi uma falha no roteiro. Faltam elementos ao whodoneit. A gente é levado a pensar que um deles é o assassino, mas o filme não desenvolve as pistas sobre quem poderia ser. Ou seja, temos um quebra cabeça mas não temos as peças.

Mesmo assim, achei bom o ritmo do filme (são 1h34min de duração). E gostei da solução sobre quem é o assassino.

No elenco, heu só conhecia dois nomes, Maria Bakalova, de Borat 2; e Lee Pace, de O Hobbit. Não gostei do elenco, mas é pelo motivo já dito antes, os personagens são antipáticos. Talvez até sejam bons atores, aguardemos outros filmes.

Morte Morte Morte estreia nos cinemas dia 6 de outubro.

The Munsters

Crítica – The Munsters

Sinopse (imdb): Uma família de simpáticos monstros se muda da Transilvânia para o subúrbio de uma pequena cidade americana, absolutamente alheios ao estranhamento que sua presença provoca em seus vizinhos comuns e convencionais.

Nem sei por onde começar. Mesmo sem ter grandes expectativas por esta nova versão de The Munsters / Os Monstros, aquele seriado antigo dos anos 60, achei tudo muito ruim. Pior: ruim e sem propósito: pra que fizeram este reboot?

A direção é de Rob Zombie, e filme novo dele sempre entra no radar. Mas, vou te falar que esse é o Rob Zombie menos Rob Zombie que já vi. Zombie sempre teve uma estética suja e violenta, com muito gore, muitos personagens desagradáveis em tela. Digo que ele é bom pra mostrar o white trash americano. Mas aqui tudo é colorido e alegre. Se ele queria mostrar versatilidade, não deu certo. (John Landis fazia terror, comédia e musicais, e tem bons filmes nos três estilos: Um Lobisomem Americano em Londres, Trocando as Bolas, Os Irmãos Cara de Pau, Clube dos Cafajestes…)

Claramente Zombie quis fazer algo com visual camp. Tudo é exagerado e caricato, desde cenários e atuações até maquiagem e efeitos especiais. Entendo que ele queria criar um clima farsesco – segundo o imdb, ele declarou que queria fazer um desenho animado em live action. Mas preciso falar que foi demais. A gente vê uma atuação caricata, ok. Mas quando entram efeitos sonoros de programa vagabundo de TV, a gente se pergunta “seriously?”

Tudo é tosco demais. Se fosse um curta metragem, ok a gente até podia se divertir. Mas o filme tem quase duas horas de duração (uma hora e quarenta e nove minutos), e nada acontece. Então, além de tosco, o filme é chato. Se não vai usar a “fórmula Syd Field”, tem que ter criatividade.

O filme me perdeu em uma cena que acontece bem no meio, quando Lily (Sherry Moon Zombie) e Herman (Jeff Daniel Phillips) estão num palco cantando, e ela parece estar de saco cheio, completamente fora do papel. Se nem a personagem consegue passar que está aturando aquilo, como convencer o espectador?

Sobre o elenco, temos várias figurinhas recorrentes dos outros filmes do Rob Zombie – Sherry Moon Zombie, Jeff Daniel Phillips, Daniel Roebuck e Richard Brake estavam em seu último filme, Os 3 Infernais. Jorge Garcia, o Hurley de Lost, tem um papel importante; e tem pelo menos três participações bem especiais: Dee Wallace (a mãe do Elliott em ET); Cassandra Peterson, (a Elvira); e Pat Priest (que estava no elenco da série original dos anos 60).

Pra finalizar, vou voltar à minha pergunta do início: pra que fizeram este reboot? Porque filme ruim a gente tem um monte, faz parte. E, vamos combinar, heu gosto do Rob Zombie, mas ele faz mais filme ruim do que filme bom, então, de novo, faz parte. Mas, pra que fazer um prequel de um seriado de quase sessenta anos atrás? Com humor datado, e da maneira mais tosca possível?

Sorria

Crítica – Sorria

Sinopse (imdb): Após testemunhar um acidente traumático e bizarro envolvendo uma paciente, a Dra. Rose Cotter começa a vivenciar eventos assustadores que ela não consegue explicar.

Sorria (Smile, no original) está sendo vendido como “o filme mais assustador de todos os tempos da última semana”. O roteirista e diretor Parker Finn, estreante em longas, mostra ideias criativas na câmera, tem um bom ritmo, e, principalmente, consegue criar um bom clima de tensão. A trilha sonora, que usa muitos ruídos, também ajuda na construção do clima.

Sorria é cheio de jump scares, o que vai agradar boa parte do público. E vou te falar que teve um que me pegou, o da irmã no carro (que depois descobri que está no trailer…)!

Mas preciso dizer que não gostei muito da parte final, porque achei que mostra demais. Prefiro quando um filme de terror mostra pouco, prefiro ficar sem saber o que está acontecendo. Minha humilde opinião. Além disso, os efeitos especiais nessa parte final ficaram meio esquisitos.

Agora, a gente precisa admitir que nada aqui é novidade. Aliás, essas imagens de pessoas sorrindo lembram o fraco Verdade ou Desafio. E o desenrolar da história parece O Chamado ou  A Corrente do Mal.

No elenco, o papel principal é de Sosie Bacon, filha do Kevin Bacon e da Kyra Sedgwick (achei ela mais parecida com a mãe do que com o pai). Não conhecia a atriz, sei que ela fez seriados mas não vi nenhum. Gostei do trabalho dela, o filme todo é baseado na personagem. Também no elenco, Kyle Gallner, Jessie T Usher (The Boys) e Kal Penn (Harold & Kumar).

Com seus jump scares, Sorria vai agradar o público dos multiplexes.

Andor

Crítica – Andor

Sinopse (Disney+): Muito antes da missão de garantir os planos da Estrela da Morte fazer dele um herói da Rebelião, um imprudente Cassian Andor procura informações sobre seu passado. Essa obsessão o leva aos bairros decadentes de um mundo onde um encontro com as autoridades faz dele um criminoso procurado. Sua tentativa de se esconder no planeta Ferrix traz seus problemas para casa.

Antes de falar da série, preciso avisar que, diferentemente da maioria dos atuais fãs de Star Wars, Rogue One não é um dos meus favoritos. Dos cinco filmes novos, prefiro o ep 7. Rogue One é bom, muito bom, mas acho a primeira metade muito lenta. A segunda metade é excelente e o fim é sensacional, mas a primeira metade me fez tirá-lo do topo da lista. Por isso, uma série derivada do filme não era algo tão aguardado por mim.

Dito isso, preciso admitir o meu lado fanboy e dizer que fico feliz com todo e qualquer novo produto Star Wars! Bora pra série!

Andor terá 12 episódios (e segundo o imdb, depois teremos mais uma temporada com mais 12 episódios). A Disney+ liberou os três primeiros, e hoje vou comentar aqui essa introdução. Dependendo de como a série se desenrolar, volto a falar depois quando acabar a temporada.

Uma coisa que heu gosto muito é ver outras rotinas nessa galáxia muito muito distante que a gente tanto gosta. Conhecemos planetas novos, chega de ficar em Tatooine o tempo todo! E aqui a gente vê coisas que realmente não vemos nos outros filmes – acho que foi a primeira vez que alguém faz sexo em Star Wars (ok, não vemos a cena de sexo, mas o casal dormiu junto!). Também temos referências a prostituição, bebidas alcoólicas e até a café.

Algumas pessoas se esquecem que Star Wars aconteceu “a long time ago”, o que vemos neste universo não é o futuro do planeta Terra. Então, temos espaço para planetas diferentes com povos em diferentes estágios de civilização – aqui a gente conhece um povo que parecem indígenas, mas que moram num planeta por onde passou algo grande (provavelmente o planeta foi usado para mineração). Gostei de ver um povo completamente à parte do que acontece na galáxia.

Sobre os personagens, até agora o único que já conhecemos é o protagonista Cassian Andor, ainda acho cedo para comentar sobre os outros – inclusive tem personagem que aparece no trailer que ainda não apareceu na série. Por enquanto, posso dizer que gostei do antagonista.

Lembro que um dos personagens mais carismáticos de Rogue One era o robô K2S0. Andor mantém a tradição e traz um bom robô, o B2EMO, um robô gago e meio depressivo que me lembrou o Marvin de Guia do Mochileiro das Galáxias.

Tecnicamente falando, a série é muito boa. Em tempos de She Hulk e Pinóquio, aqui não tem nenhum cgi ruim saltando aos olhos. Ok, tem muita cena escura, e a gente sabe que cena escura normalmente é pra esconder falhas no cgi, mas, mesmo assim, não achei ruim, achei um recurso válido. A parte sonora da série também é bem construída, tem uma sequência muito boa no terceiro episódio com as pessoas batendo no metal, numa crescente que serve pra aumentar a tensão.

Li em algum lugar que aqui, diferente das últimas séries Star Wars / Disney, foram usadas locações em vez de só estúdio. Parece que eles agora usam um novo estúdio que projeta imagens ao fundo durante as filmagens, e isso por um lado é bem legal mas por outro lado gera cenas “apertadas”, como critiquei em Obi Wan. Aqui são locações, o que ficou bem melhor – imagina o planeta dos Kenari se fosse dentro de um estúdio?

O terceiro episódio usa bem os flashbacks. São duas linhas temporais misturadas de maneira inteligente. E ainda temos algumas soluções inventivas usadas pelos personagens. Se os dois primeiros episódios foram lentos, esse terceiro já mostrou que a série pode mostrar algo a mais.

Tá rolando um mimimi sobre o trailer vender um produto diferente do que foi anunciado. Ok, reconheço que isso é verdade, o trailer tem stormtroopers, tie fighters, aparece o Saw Gerrera, aparece a Mon Mothma, e por enquanto não vimos nada disso. Aliás, a série por enquanto nem parece Star Wars, não tem nada nesses primeiro episódios que conecte ao que a gente já conhece (a não ser o personagem título). Vai ter gente reclamando que “não é Star Wars!”

Ouvi amigos comentando que o ritmo é lento. Concordo. São três episódios de aproximadamente 40 minutos cada, ou seja, é quase um “longa metragem que deu origem à série”. Precisava? Acho que não, podiam ser apenas dois episódios na minha humilde opinião. Mas, se a gente lembrar que Rogue One tem um ritmo diferente dos outros filmes, parece mais um drama de guerra do que uma aventura espacial, Andor está coerente com a proposta.

Aguardemos os próximos. Que o desenvolvimento seja mais para Mandalorian e menos para Obi Wan.