Ponto sem Retorno

Crítica – Ponto sem Retorno

Sinopse (imdb): Em um mundo pós-apocalíptico, um vírus dizima a humanidade. Os sobreviventes enfrentam saqueadores errantes conhecidos como Ceifadores. O protagonista, Hig, um piloto, sobreviveu à gripe, mas perdeu a esposa.

Alguns diretores sempre estão no radar. Ridley Scott é um deles. Tanto que este filme estava aqui no heuvi, na lista de expectativas para 2026, lista feita em dezembro de 2025, época que ainda não tinha quase nenhuma informação sobre ele pela internet.

Em Ponto sem Retorno, estamos em um futuro próximo (acho que é 2035, em algum momento isso é dito durante o filme, mas não tenho certeza da data). Quase toda a população foi levada por um vírus. Hig é um sobrevivente que vive isolado, com o amigo Bangley, e usa um avião monomotor para procurar recursos e ajudar alguns raros vizinhos. E vive intrigado por uma mensagem que ouve no rádio sobre um oásis num local não muito perto.

Ridley Scott é um cara que tem um currículo excelente, e o fato dele estar com oitenta e oito anos e ainda filmar é impressionante. Mas infelizmente temos que reconhecer que nem todos os seus filmes são bons. Aliás, rolou uma piada no Podcrastinadores de Expectativas 2026 (também levei esse filme pra lá), que o Ridley Scott faria apenas um filme bom por década. Década passada foi Perdido em Marte; esta década foi O Último Duelo – ou seja, ele não teria mais nenhum filme bom por alguns anos. Ponto sem Retorno não é ruim, longe disso, mas está bem distante dos seus melhores títulos (quando o cara tem uma filmografia com filmes como Alien, Blade Runner, Gladiador, Thelma & Louise e Falcão Negro em Perigo, fica difícil manter o nível).

Ponto sem Retorno é bonito, é bem filmado, mas parece uma colagem de ideias que a gente já viu antes. Lembra Extermínio, Eu Sou a Lenda, Epidemia, tem até um momento Mad Max Estrada da Fúria. Pelo menos é bem conduzido – mesmo com a idade avançada, Ridley Scott ainda consegue manter um bom ritmo ao longo do filme. E tem uma grande cena de ação com o personagem do Josh Brolin que é realmente eletrizante.

Tem uma sequência que vai dividir opiniões, um trecho que destoa um pouco do clima do resto do filme. Heu gostei, mas prevejo que vai ter gente saindo das salas de cinema reclamando justamente dessa sequência.

Vou implicar com um detalhe, mas não é nada grave, é só implicância mesmo. É que o protagonista Hig é um cara muito perfeito. O cara pilota avião, conserta de tudo, tem mira perfeita, cuida de plantações, cozinha, e ainda por cima sabe se comunicar com sinais de libras! Caramba, bora colocar uns defeitos nesse cara! 😛

Outro problema que também não é grave. Tem um erro de continuidade meio feio. Determinado momento vemos um estouro de uma manada de búfalos, e vemos claramente que parte do avião é quebrada pelos búfalos. Logo depois o avião está intacto. Pô, galera, bora prestar atenção na continuidade!

Vou terminar meu “momento mimimi” com uma reclamação ainda menos importante. Determinado momento rola uma festa, e vemos músicos tocando. Benedict Wong pega um banjo (ou instrumento parecido), e aparentemente não está tocando, só fingindo. Logo depois Josh Brolin pega um violão e se junta ao grupo. Se tenho dúvidas sobre Wong, definitivamente Brolin não está tocando. A harmonia muda, e ele continua no mesmo acorde!

O elenco é bom. Jacob Elordi, apesar de certinho demais, tem carisma pra gente se importar com ele. Josh Brolin está ótimo como o parceiro mal humorado e desconfiado de tudo. Também no elenco, Margaret Qualley, Guy Pearce, Allison Janney e Benedict Wong.

Ponto sem Retorno não é um dos melhores trabalhos de Ridley Scott, mas quem for ao cinema não vai sair com raiva do que viu.

Preenchimento obrigatório *

You may use these HTML tags and attributes:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*