Top 10 Ficção Científica Ultra Realista (nova versão)

Top 10 Ficção Científica Ultra Realista (nova versão)

Onze anos atrás, fiz uma lista de filmes de ficção científica ultra realista, ou “hard sci-fi”. Boa parte da ficção científica que a gente conhece anda lado a lado com a fantasia, são obras que criam e apresentam situações bem longe da ciência que conhecemos. O hard sci-fi se refere a obras que procuram o caminho oposto à essa fantasia espacial. Na verdade, não precisa ser 100% cientificamente correto, mas precisa pelo menos tentar seguir a ciência que a gente conhece – e pra grande maioria do público, que não é cientista, funciona (digo isso pelo meu exemplo, que sou de Humanas mas sei que o som não se propaga no vácuo). Por exemplo, nada de fogo no espaço.

Resolvi atualizar aquela lista, afinal temos novos filmes que podem entrar. A ordem não vai do pior para o melhor, é apenas uma ordem que faz sentido na minha cabeça…

Vamos à lista?

2001 – Uma Odisséia no Espaço
Marco da ficção científica hard-scifi e um dos mais complexos filmes de Stanley Kubrick, o filme conta a trajetória da humanidade, desde quando macacos, passando pela era espacial e terminando na evolução final da humanidade. Um dos raros casos de FC que não tem som no espaço.

O Homem da Terra
Uma rara FC sem nenhum efeito especial. Podia ser uma peça de teatro, onde um professor universitário, de mudança, se despede dos colegas de trabalho. Tem dois plot twists – o primeiro é genial, o segundo forçou a barra um pouco.

Gattaca – A Experiência Genética
Um apartheid respaldado pela ciência: de um lado, aqueles concebidos de maneira natural, sujeitos a problemas genéticos; do outro, os que vieram de embriões manipulados em laboratório, mais fortes, mais bonitos, mais inteligentes e com menos risco de doença. Tenho certeza de que isso acontecerá num futuro breve.

Ela
Um homem solitário e traumatizado pela separação compra uma IA para lhe fazer companhia. E ele acaba se apaixonando pela IA. Se Gattaca acontecerá num futuro próximo, se bobear Ela já acontece hoje. Não duvido que tenha gente solitária e carente num “relacionamento” com uma IA.

Ex Machina
Um jovem programador ganha um concurso para passar uma semana na casa do seu patrão, para testar uma Inteligência Artificial que ele está desenvolvendo. A premissa que lembra Ela, mas aqui vai um pouco além, já que a IA tem corpo. Mas o questionamento é semelhante: podemos nos apaixonar por robôs?

Interestelar
Christopher Nolan se propôs a fazer um filme “cientificamente correto”, onde, num futuro próximo, um grupo de exploradores usa um recém descoberto buraco de minhoca para ultrapassar os limites da exploração espacial. Filme superestimado pela garotada, Nolan tem vários filmes muito melhores.

Contato
Baseado no livro do renomado Carl Sagan da série Cosmos, o filme relata um contato via radiotelescópio com uma civilização extraterrestre e o impacto sobre a religião e ciência, e a fé que existe em cada um.

Gravidade
Após destroços destruírem sua nave, dois astronautas ficam à deriva no espaço, sem contato com a Terra, lutando contra o tempo e o oxigênio limitado. Planos sequência alucinantes flutuando em órbita da Terra, numa história curta e tensa. A gravidade zero nunca foi tão bem filmada.

Perdido em Marte
Um astronauta é dado como morto e abandonado pela sua equipe em Marte após uma severa tempestade. Sozinho no planeta, com recursos limitados, ele usa inteligência e conhecimento científico para sobreviver e tentar contatar a Terra enquanto aguarda um resgate.

Devoradores de Estrelas
Um professor acorda sozinho em uma espaçonave, sem memória, e descobre ser a última esperança da humanidade. Ok, a gente sabe que astrofágicos não existem, e não temos como saber se um alienígena seria como o Rocky. Mas fora isso, toda a condução da trama é como se fosse tudo real.

Filmes Injustiçados (parte 1)

Filmes Injustiçados (parte 1)

Tem alguns filmes que muita gente gosta de falar mal, mas na verdade não são ruins. Chamo esses de “filmes injustiçados”. São filmes que se passassem por uma segunda avaliação, mais isenta, seriam mais respeitados.

Claro, vai ter gente que vai discordar de um ou outro título. Ok, discordar faz parte. Só me apresente argumentos, se não é só hate. E não dou bola pra hate gratuito.

Vamos aos filmes. Vou postar cinco hoje, ainda vou fazer uma segunda parte com outros cinco.

Não tem uma ordem específica…

Han Solo
Fãs de Star Wars gostam de reclamar do filme do Han Solo. Nunca entendi por que. Ok, o motivo pra ele se chamar “Solo” é besta, concordo. Mas se esse for o único ponto negativo, ninguém pode dizer que é um filme tão ruim assim. Revisto hoje, Han Solo realmente tem problemas na parte inicial – tudo é muito corrido até o momento que ele conhece o Chewbacca e começa a acompanhar o personagem do Woody Harrelson – de repente surge na tela um “3 anos depois”. Mas a partir daí, o filme é redondinho.

Robocop do Padilha
O Robocop original do Paul Verhoeven é sensacional, um filme marcante em vários aspectos, realmente difícil de superar. Claro que ia rolar uma grande expectativa para uma refilmagem. Mas o José Padilha não fez feio. Este Robocop de 2014 parece um “Tropa de Elite 3”, com um policial incorruptível que veste preto. E, definitivamente, é melhor que as continuações do filme de 87, Robocop 2 (1990) e Robocop 3 (1994).

Waterworld – O Segredo das Águas
Aqui acho que o maior problema foi a grande expectativa criada pelo orçamento gigante (pra época) de 175 milhões de dólares. Waterworld foi o filme mais caro da história até aquela data (pouco depois Titanic bateria esse recorde, mas a diferença é que Titanic foi um sucesso de bilheteria). Waterworld teve problemas na produção, o diretor brigou com o ator principal e saiu do filme, boa parte do elenco e equipe teve problemas com enjoo ao filmar no mar… E, tem tempos sem muito cgi, temos algumas sequências de ação realmente muito boas. E o trimarã do protagonista Mariner é um barco muito bom.

Tico e Teco e os Defensores da Lei
Acredito que o pior problema de Tico e Teco e os Defensores da Lei é ter exatamente o mesmo nome da série de desenhos animados, que até onde sei, nunca fez muito sucesso. E pra piorar, foi lançado no meio da pandemia, não rolou um lançamento no cinema, o que ajudaria a apagar a má impressão dada pelo nome. Mas o filme é excelente! Tico e Teco e os Defensores da Lei segue a linha de Uma Cilada Para Roger Rabbit: mistura filme live action com personagens animados, e usa muitos personagens de outros filmes ou séries. Além disso, tem uma quantidade enorme de referências e easter eggs espalhados pelo filme. Isso sem contar com a qualidade da animação, que mistura várias técnicas diferentes.
(Fiz um vídeo com 200 referências encontradas no filme!)

Flash Gordon
Um clássico incompreendido! Costumo fazer a piada de que Flash Gordon é um raro caso de filme de mais de quarenta e cinco anos, que podia gerar franquia, mas nunca foi refilmado. Mas, piadas à parte, Flash Gordon pode tranquilamente figurar em qualquer lista de melhores adaptações de quadrinhos. Claro, alguns efeitos especiais perderam a validade (são quase cinco décadas!), e aquela cena do futebol americano sempre foi tosca. Mas o filme é empolgante, a trilha sonora do Queen é sensacional, e o elenco ainda conta com alguns grandes nomes, como Ornela Mutti, Max von Sydow e Timothy Dalton.

Top 10: Melhores Surpresas de 2025

Top 10: Melhores Surpresas de 2025

Depois das listas de melhores filmes, piores filme, decepções e expectativas, que tal uma quinta lista, com as maiores surpresas? São filmes que a gente não esperava nada, mas que surpreenderam positivamente. A partir do fim deste ano, esta lista entra junto com as outras quatro.

Vou ordenar da menor para a melhor surpresa. Lembrando que os dez filmes foram comentados aqui!

10-Premonição 6: Laços de Sangue
Não sei se deveria colocar Premonição 6 aqui, porque reconheço que curto toda a franquia. Gosto de como eles inventam meios de enrolar aquela morte que a gente sabe que vai acontecer, só não sabe quando e como. E este novo Premonição manteve o nível, diferente de vários reboots caça níqueis que a gente vê por aí.

9-Corra que a Polícia Vem Aí
Falando em reboots caça níqueis, achei que este novo Corra que a Polícia Vem Aí ia ser bem bobo – a comédia mudou muito nas últimas décadas. Surpresa: o filme traz de volta humor nonsense como nos filmes dos anos 80 e 90! Ri como se estivesse vendo um filme do trio Zucker Abrahams Zucker!

8-Acompanhante Perfeita
O roteiro de Acompanhante Perfeita não é muito inovador. Mas, sabe quando um filme sabe usar os clichês? Temos um suspense com vários pequenos plot twists espalhados – confesso que alguns me pegaram de surpresa. Além disso, o roteiro equilibra bem o humor, algumas cenas são bem engraçadas, apesar do filme não ser uma comédia.

7-Lago dos Ossos
Suspense que vira quase um slasher na parte final, Lago dos Ossos é um filme que vi no Festival do Rio e que deve ser lançado agora no início de 2026. Não é um grande filme, mas tem sexo, tem sangue, tem plot twist, e, principalmente, é bem divertido.

6-Primitive War
Primitive War não é bom. Longo demais, roteiro arrastado, personagens mal construídos. Mas, é um filme de baixíssimo orçamento, que traz dinossauros melhores que os da milionária franquia Jurassic World. Luke Sparke, roteirista, diretor, produtor, editor e mais alguns créditos, pode vir a ser um nome respeitado em Hollywood.

5-Thunderbolts*
Num ano com três filmes da Marvel, o Capitão América foi fraco e o Quarteto Fantástico foi decepcionante. Qual foi o melhor Marvel então? Esse Thunderbolts*, que traz um grupo de heróis que são refugos de outros filmes, personagens secundários que ninguém se importa. Mas que mesmo assim foi o melhor Marvel desde Guardiões da Galáxia 3.

4-Flow
Um longa de animação, feito na Letônia, sem nenhum diálogo. Detalhe: a parte técnica da animação está longe da perfeição dos Pixar e Disney, o traço parece meio borrado, parece que pintaram e não finalizaram o desenho. E mesmo assim, é um desenho belíssimo – tanto que ganhou o Oscar de melhor longa animado de 2025.

3-O Macaco
O Macaco era o novo filme de Osgood Perkins, diretor do tenso e sério Longlegs. Ou seja, já existia alguma expectativa sobre a qualidade do filme. A surpresa foi no tom de humor negro usado. O filme é terror, com mortes, gore, e mesmo assim é engraçadíssimo!

2-The Ugly Stepsister
Estamos vivendo uma onda de adaptações de terror de contos infantis. E todos são péssimos. Mas como são baratos e dão retorno financeiro, continuam fazendo. Ursinho Puff, Mickey, Bambi, Popeye, todos ganharam filmes péssimos. Aí veio esse The Ugly Stpesister, uma versão de terror da Cinderela, e não é que o filme é bom?

1-Anaconda
Me diverti tanto vendo Anaconda que saí da sala de cinema pensando em alterar meu top 10 do ano. Ok, adrenalina baixou, o filme tem seus problemas aqui e ali, realmente não merece um top 10. Mas, como digo sempre, “cinema é a maior diversão”, e Anaconda é um filme que retrata esse lema perfeitamente!

Expectativa Diferentona 2026

Expectativa 2026

Mais uma vez, vou criar uma lista com expectativas fora do óbvio, como fiz nos anos anteriores. Minha lista não vai ter continuações ou filmes de franquias. Seria uma lista fácil – e óbvia. Bora fazer uma rapidinho? Começo pelo novo Star Wars (Mandalorian e Grogu) e pelos filmes de super heróis: o filme da Supergirl, o novo Homem Aranha e o novo Vingadores. Toy Story 5 também entra, assim como o novo Super Mario. Resident Evil normalmente não empolgaria, mas quem está dirigindo é Zach Cregger, então claro que quero ver. Fecho a lista com três filmes de terror: Pânico 7, Casamento Sangrento 2 e o novo Evil Dead. E nem incluí Clayface, terror de super herói, nem o novo Duna. Taí, gostei da lista, quero ver todos.

Claro, como estou falando de alguns filmes que ainda estão em produção, não tenho certeza de que teremos os dez títulos em 2026. Afinal, em nenhum dos quatro anos anteriores os dez filmes estrearam no ano seguinte. E tem alguns projetos que citei lá atrás que foram cancelados. Mas, por outro lado, falei de O Sobrevivente, que acabou de estrear, na minha lista de 2023, publicada no fim de 2022!

Fiquei na dúvida se valia colocar na lista The Adventures of Cliff Booth, com David Fincher na direção, Quentin Tarantino no roteiro e Brad Pitt no papel principal. Mas, é um spin off de Era uma Vez em Hollywood, então saiu da lista.

Matt Damon e Ben Affleck vão atuar juntos novamente em The Rip, filme dirigido por Joe Carnaham. Esse trio valeria um lugar na minha lista de expectativas, mas o último filme do Carnaham, Shadow Force, foi tão ruim que estou com um pé atrás agora.

Queria trazer Young Sinner, direção do Paul Verhoeven, roteiro de Edward Neumeier, mesmo roteirista de Robocop e Tropas Estelares. Mas não achei quase nada desse filme, não tem quase nada no imdb!

Vamos aos filmes? Sem nenhuma ordem específica

Socorro!
Sam Raimi dirigindo um longa de terror, coisa que ele não faz desde 2009, com Arraste-me Para o Inferno. Com Rachel McAdams e Dylan O’Brien no elenco.
Previsão de estreia em 12 de fevereiro.

Devoradores de Estrelas
Ficção científica dirigida pela dupla Phil Lord e Christopher Miller (Uma Aventura Lego) e escrita por Drew Goddard e Andy Weir (Perdido em Marte). E ainda tem Ryan Gosling, Ken Leung e Sandra Hüller no elenco.
Previsão de estreia em 20 de março.

A Lei do Rebanho
Quando um pastor é assassinado, suas ovelhas partem para resolver o caso sozinhas. Não é animação, é um live action – com ovelhas detetives. Com Hugh Jackman e Emma Thompson no elenco.
Previsão de estreia em 08 de maio.

Dia D
Desde a minha adolescência, sou fã do Steven Spielberg. E sou ainda mais fã quando ele resolve fazer filmes blockbuster. Dia D, ou Disclosure Day, é o seu novo projeto de ficção científica, com roteiro de David Koepp (Jurassic Park) e com Emily Blunt e Josh O’Connor no elenco.
Previsão de estreia em 11 de junho.

A Odisseia
Depois do Oscar por Oppenheimer, Christopher Nolan resolveu encarar um épico: a Odisseia, de Homero, com um elenco gigantesco, que inclui Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Charlize Theron, Robert Pattinson, Zendaya, Lupita Nyong’o e Mia Goth, entre outros.
Previsão de estreia em 17 de julho.

The Dog Stars
Filme pós apocalíptico dirigido por Ridley Scott, com Josh Brolin, Jacob Elordi, Margaret Qualley e Guy Pearce no elenco.
Previsão de estreia em 28 de agosto.

Digger
Novo filme de Alejandro Iñárritu, que ganhou dois Oscars seguidos, por Birdman e O Regresso. Tom Cruise embarca em uma missão para demonstrar que é o salvador da humanidade.
Previsão de estreia em 02 de outubro.

Here Comes the Flood
Filme novo de assalto a banco, estrelado por Denzel Washington, Robert Pattinson e Daisy Edgar Jones. Mas entrou na minha lista pelo diretor, um tal de Fernando Meirelles.
Ainda não tem data de lançamento.

The Call of Cthulhu
Vou manter minha tradição de trazer aqui projetos que ainda não estão 100% confirmados. Existem boatos de que James Wan estaria adaptando The Call of Cthulhu, clássico de HP Lovecraft. Se esse projeto sair do papel, claro que quero ver!
Ainda não tem data de lançamento.

A Colt is my Passport
Parece que Gareth Evans não vai voltar pra Indonésia pra fazer The Raid 3. Então fiquemos com seu novo filme, onde um assassino de aluguel precisa fugir depois de matar um chefão do crime. Estrelado por Sope Dirisu (de Gangs of London), e com Tim Roth, Lucy Boynton e Jack Reynor.
Ainda não tem data de lançamento.

Top 10: Maiores Decepções de 2025

Top 10: Maiores Decepções de 2025

Existe uma diferença entre um filme ser ruim e um filme ser uma decepção. A decepção está mais atrelada à expectativa que criamos em torno daquela título. Precisa ser um filme que heu achava que podia ser bom, se heu já achava que ia ser ruim, não existe decepção. Tipo: mais um Avatar, com intermináveis três horas e quinze de duração. Alguém acreditava que ia ser bom?

Me esforcei pra encontrar dez filmes que não estavam presentes na lista de piores do ano, afinal não queria repetir informações.

Vamos à lista? Não tem ordem específica. Todos os dez filmes foram comentados aqui no heuvi.

O Sobrevivente
Resolvi abrir com O Sobrevivente, que estava na minha lista de expectativas há anos (falei dele na lista publicada em 2022). O filme não é ruim, na verdade depois da sessão minha impressão era tão positiva que achei melhor que a versão de 1987. Mas, sabe a expectativa alta? Comparando com toda a carreira do Edgar Wright, O Sobrevivente é o mais fraco dos seus oito filmes. Como falei, não é ruim, mas é genérico. O resultado final parece apenas um filme burocrático, daqueles encomendados por grandes estúdios. Filme que vai divertir o público, mas será esquecido pouco depois.
https://www.heuvi.com.br/o-sobrevivente-2025/

Extermínio 3
Gosto do estilo do Danny Boyle, e gostei muito do que ele fez na continuação de Trainspotting: mesmo produtor, mesmo roteirista, mesmo elenco, vinte anos depois. Aqui ele podia fazer algo semelhante, voltar ao universo de seu filme Extermínio, junto com o mesmo roteirista. Mas são vários problemas, a começar pelo fato de que o terceiro filme ignora que existe um segundo – que acaba com os infectados chegando no continente. E preciso dizer que aquele final “Power Rangers” foi tão ruim que coroou a decepção.
https://www.heuvi.com.br/exterminio-3/

Depois da Caçada
O novo Luca Guadagnino é bem filmado, bem atuado, mas, o resultado ficou meio fuén. Depois da Caçada é tecnicamente bem feito e tem bons atores. Mas sabe quando um filme não empolga? É o caso aqui. O filme segue num marasmo interminável – são intermináveis duas horas e dezoito minutos de projeção. E um monte de diálogos com papo cabeça chato não ajudam. Pra piorar, a trama se encerra, mas depois tem um epílogo completamente desnecessário.
https://www.heuvi.com.br/depois-da-cacada/

Morra, Amor
Morra, Amor é o novo filme escrito e dirigido por Lynne Ramsey (mais conhecida por Precisamos Falar Sobre o Kevin), que traz uma grande atuação da Jennifer Lawrence, que deve ser indicada pra prêmios; uma boa atuação do Robert Pattinson, mas num roteiro fraco, cheio de simbolismos vazios. Tudo é muito arrastado, muito chato, cenas se repetem – perdi a conta de quantas vezes a Jennifer Lawrence engatinha pelo cenário. Além disso, tenho quase certeza que existe um erro na edição. Resumindo, como cinema, deixa a desejar.
https://www.heuvi.com.br/morra-amor/

The Mastermind
The Mastermind é o novo projeto da diretora Kelly Reichardt, diretora de First Cow, um filme que ainda não vi, mas que mais de uma pessoa me recomendou. Ok, não vi First Cow, mas posso começar pelo seu mais novo filme. Pena que The Mastermind é bem fraco, foi talvez o pior dos onze filmes que vi no Festival do Rio deste ano. A gente passa o filme inteiro acompanhando um protagonista todo errado. No fim do filme, quando o cara é preso, o espectador nem vai se importar.

The Old Guard 2
O primeiro The Old Guard, de 2020, parecia uma releitura de Highlander, uma história usando guerreiros imortais que lutam juntos há séculos. O segundo até tem alguns pontos positivos, mas tem muito mais pontos negativos do que positivos. O roteiro tem vários pontos sem sentido. E o pior de tudo é que The Old Guard 2 é um filme que não tem fim – você vai até o fim esperando uma conclusão, e no meio da trama tem um gancho para, quem sabe, sei lá daqui a quanto tempo, um possível The Old Guard 3 (lembrando que passaram-se cinco anos entre o primeiro e o segundo). Vale mais rever o primeiro do que ver este segundo.
https://www.heuvi.com.br/the-old-guard-2/

June e John
Luc Besson tem um currículo excelente, mas há tempos não faz um filme realmente bom. Este June e John é um filme bobinho com um casal completamente forçado – uma mulher com aquele perfil, livre e descolada, não ia viver seus últimos dias de vida ao lado de um loser como o protagonista. A  jornada do casal é tão fora da realidade que chega um certo ponto que o espectador já não se importa mais com os personagens.
https://www.heuvi.com.br/june-e-john/

Ameaça no Ar
Mel Gibson, como diretor, fez poucos filmes. Depois da sua estreia em 1993 com O Homem sem Face, todos seus filmes seguintes foram projetos grandiosos e ousados: Coração Valente (95), A Paixão de Cristo (2004), Apocalypto (2006) e Até o Último Homem (2016). Aí em 2025 ele lança um novo que filme só conta com três atores e apenas uma locação, que poderia ser dirigido por qualquer diretor de segunda linha pra ser lançado num streaming qualquer. O resultado é um filme bem genérico.
https://www.heuvi.com.br/ameaca-no-ar/

Aqui
Aqui reúne oito membros do elenco e da equipe de Forrest Gump – os protagonistas Tom Hanks e Robin Wright, o diretor Robert Zemeckis, mais o roteirista, o compositor, o diretor de fotografia, o designer de som e a figurinista. E o filme tinha uma proposta revolucionária de efeitos especiais, coisa que Zemeckis já tinha feito em outros filmes. Mas o roteiro é bem fraco, e o filme é muito chato. Só vale como uma nova experiência cinematográfica. Porque como filme, podia ter sido bem melhor.
https://www.heuvi.com.br/aqui/

Quarteto Fantastico
Na verdade, todos os quatro filmes de super herói do ano poderiam estar aqui na lista. Capitão América foi bem fuén, Superman foi divertido mas bobinho, Thunderbolts foi o melhor mas mesmo assim ainda não foi grandes coisas. Escolhi Quarteto Fantástico porque era o filme que os fãs do gênero tinham maior expectativa – será que o MCU iria voltar aos áureos tempos? Por enquanto, a categoria “filme de super herói” ainda está em baixa. Aguardemos os próximos lançamentos, pra saber se 2026 será melhor.
https://www.heuvi.com.br/quarteto-fantastico-primeiros-passos/

Top 10: Melhores Filmes de 2025

Top 10 Melhores Filmes de 2025

Depois da lista dos piores, vamos aos dez melhores?

(Ainda farei uma lista de decepções e outra de expectativas fora do óbvio!)

Quase coloquei O Mistério da Lixeira, filme indiano da Netflix. Mas o filme é de 2024, heu que vi atrasado…

Queria fazer uma menção honrosa a três séries. Vejo poucas séries, não rola fazer um top 10. Mas se fizesse, certamente citaria Pluribus, Andor e Adolescência.

Lembrando que esta é a “minha” lista. Discorda? Ok, escreva a sua aqui embaixo, prometo que comento sua lista!

Vamos à lista? Todos os filmes foram comentados aqui no heuvi!

10-Nosferatu
Lançado na virada de 2024 pra 2025, fiquei na dúvida se podia entrar aqui. Mas como vi em janeiro, acho que tá valendo. Esta versão dirigida por Robert Eggers tem várias sequências com visual deslumbrante, a trilha sonora também é muito boa, e além disso, todo o figurino e reconstituição de época são perfeitos. E Bill Skarsgård está assustador, tanto na aparência quanto na voz
https://www.heuvi.com.br/nosferatu-2024/

9-Predador Terras Selvagens
O público se acostumou com a ideia de que o yautja (a espécie dos Predadores) é um vilão, mas na verdade, ele é apenas um caçador. E este novo filme da franquia traz o ponto de vista de um jovem yautja, fraco e rejeitado por um pai abusivo, e que por isso resolve tentar conseguir um prêmio difícil: matar uma criatura que nenhum yautja até hoje conseguiu matar, em um planeta muito perigoso. Detalhe: não tem nenhum humano na trama.
https://www.heuvi.com.br/predador-terras-selvagens/

8-Prédio Vazio
Primeiro terror “urbano” dirigido por Rodrigo Aragão, o filme se passa em um prédio na Praia do Morro, em Guarapari. Claras influências de Sam Raimi, Dario Argento e Zé do Caixão, tudo isso com uma pitada de trash por cima – Aragão saber mostrar sangue e gore. Ainda tem fantasmas escondidos pelo cenário em algumas cenas! Pena que pouca gente viu, boa parte do público tem preconceito com terror nacional.
https://www.heuvi.com.br/predio-vazio/

7-Conclave
Conclave traz uma boa história, numa trama fluida e grandes atuações de Ralph Fiennes, Stanley Tucci, John Lithgow e Isabella Rossellini. Todos os personagens são bem construídos, a fotografia é belíssima e a trilha sonora também é muito boa. É daqueles filmes onde tudo está no lugar certo, era o filme que achei que ia levar o Oscar.
https://www.heuvi.com.br/conclave/

6-Chefes de Estado
Quem me conhece sabe que gosto da frase lema da rede Luis Severiano Ribeiro: “Cinema é a maior diversão”. E, com Ilya Naishuller na direção, mais John Cena e Idris Elba liderando o elenco, Chefes de Estado é divertidíssimo! O filme traz um equilíbrio perfeito entre ação e comédia, e traz várias sequências antológicas. Ok, o roteiro às vezes é forçado, mas preciso admitir que me diverti muito.
https://www.heuvi.com.br/chefes-de-estado/

5-Frankenstein
Finalmente ficou pronta a adaptação que Guillermo del Toro fez para o seu livro favorito. E assim como aconteceu em Pinóquio, cada cena, cada frame, tudo parece esculpido a mão. Frankenstein é um filme ao mesmo tempo grotesco e belíssimo! Todo o visual do filme é digno de prêmios – provavelmente teremos algumas indicações ao Oscar no início do ano que vem. Figurinos, cenários, maquiagem, props, tudo é feito com precisão. E ainda tem grandes atuações de Jacob Elordi e Oscar Isaac.
https://www.heuvi.com.br/frankenstein/

4-F1
Alguns filmes merecem estar em listas de melhores porque representam o que é “cinemão”, com tudo de superlativo que isso pode trazer. Assim como Top Gun Maverick foi um filme que colocou o espectador dentro da cabine de um avião, F1 colocou dentro de um carro de Fórmula 1. Nunca antes na história do cinema uma corrida de carros foi tão bem filmada. A história não é muito original, mas é bem conduzida, e o elenco encabeçado por Brad Pitt e Javier Bardem têm carisma o suficiente pra fazer a gente se importar.
https://www.heuvi.com.br/f1-o-filme/

3-A Hora do Mal
Zach Cregger, diretor de Barbarian Noites Brutais, traz mais um filme de terror fora do padrão. Aqui acontece um evento misterioso, e a trama vai e volta, vista sob vários pontos de vista diferentes, até a gente entender o que aconteceu. O elenco está ótimo e o clima de tensão é muito bem construído. E ainda tem um final catártico que dividiu opiniões – mas heu gostei!
https://www.heuvi.com.br/a-hora-do-mal/

2-A Vida de Chuck
Talvez A Vida de Chuck não merecesse posto tão alto numa lista de melhores filmes do ano, reconheço que não é um grande filme. Mas é um filme que conseguiu me tocar de um jeito que poucos filmes conseguem. Foram dois momentos “mágicos”. Um deles é a cena do diálogo entre a professora e o menino, o espectador esperto vai sacar o que aconteceu na primeira parte do filme. Mas, melhor do que isso foi a cena da bateria, com Tom Hiddlestone dançando. Heu poderia rever aquela cena inúmeras vezes!
https://www.heuvi.com.br/a-vida-de-chuck/

1-Pecadores
A história é boa, o elenco está ótimo, a ambientação de época é perfeita, os efeitos especiais são excelentes, e uma trilha sonora que me pegou como há muito tempo uma trilha não me pegava. E tem uma cena sensacional no meio do filme, um um plano sequência que começa com o personagem cantando e tocando violão, e a música cresce e toma rumos inesperados, e a câmera começa a passear por caminhos igualmente inesperados. Filmaço!
https://www.heuvi.com.br/pecadores/

Top 10: Piores Filmes de 2025

Top 10: Piores Filmes de 2025 (25/12)

Mais um fim de ano, época de fazermos nossas listas de melhores e piores do ano. Vou começar com a de piores, em alguns dias postarei a de melhores, depois uma de decepções, e logo depois vou mandar uma lista de expectativas fora do óbvio para 2026 (como fiz nos últimos anos).

Antes da lista, um comentário: esta é a “minha” lista. Discorda? Ok, escreva a sua aqui embaixo, prometo que comento sua lista!

Vamos à lista? Lembrando que todos os filmes foram comentados aqui no heuvi!

10-A Vingança do Popeye
A Vingança do Popeye até começa bem. Mas lembra o meme do desenho do cavalo: uma boa introdução, um desenvolvimento capenga e um final bem ruim.
https://www.heuvi.com.br/a-vinganca-do-popeye-popeyes-revenge/

9-Branca de Neve
Além de ser mais um live action desnecessário, ainda teve alterações na história original, aparentemente só pra se aproximar da cultura woke. Tipo o príncipe agora é um ladrão, e anda com uma galera que parece saída de uma turma de Humanas da Universidade Federal.
https://www.heuvi.com.br/branca-de-neve/

8-Bambi: O Acerto de Contas
Todo mundo já sabia que seria ruim, mas conseguiu ser ainda pior que o esperado. CGI tosco e um roteiro cheio de furos. A única cena que se salva é a dos coelhos.
https://www.heuvi.com.br/bambi-o-acerto-de-contas-bambi-the-reckoning/

7-Shadow Force – Sentença de Morte
Joe Carnaham tem alguns filme legais no currículo, mas às vezes erra. Neste Shadow Force ele errou bem mais do que a média. O roteiro é tão tosco que fiz uma lista de 8 coisas que não fazem sentido.
https://www.heuvi.com.br/shadow-force-sentenca-de-morte-8-coisas-que-nao-fazem-sentido/

6-O Ritual
Filme chato e arrastado, repete todos os clichês do cinema de exorcismo, e ainda usa uma câmera na mão que lembra The Office. Al Pacino merecia um filme melhor nessa fase de sua carreira.
https://www.heuvi.com.br/o-ritual-2/

5-Hurry Up Tomorrow
Um longo e tedioso videoclipe do cantor The Weeknd. Tem uma cena interessante no meio, mas tirando isso, tudo é muito chato. Pretensioso e chato.
https://www.heuvi.com.br/hurry-up-tomorrow-alem-dos-holofotes/

4-Código Alarum
A estreia hollywoodiana da Isis Valverde foi péssima. Ela aparece pouco, e o filme é horrível. O roteiro é um lixo, a história é confusa e mal amarrada, as atuações são péssimas, os efeitos especiais são sofríveis, tudo é ruim.
https://www.heuvi.com.br/9-coisas-que-nao-fazem-sentido-em-codigo-alarum/

3-Os Estranhos Capítulo 2
O primeiro Os Estranhos estava na lista de piores de 2024, e este segundo é tão ruim quanto. Pior: como é o “filme do meio” de uma trilogia, nada relevante acontece. Mesmo assim, os furos de roteiro são abundantes! E o pior é que em 2026 vai ter o capítulo 3!
https://www.heuvi.com.br/os-estranhos-capitulo-2/

2-Blindado
Picaretagem vendida como se fosse filme do Stallone. Na verdade parece um episódio de série de meia hora esticado pra virar um longa. E o roteiro tem tantos furos que se heu começar a listar, o vídeo não acaba hoje.
https://www.heuvi.com.br/blindado/

1-Guerra dos Mundos
Difícil tirar de Guerra dos Mundos o título de pior do ano. Tudo deu errado, os efeitos são ruins, o roteiro é péssimo, as atuações são sofríveis. A trama não faz o menor sentido. Parece uma longa e infeiciente propaganda da Amazon.
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Seis Momentos Geniais em This is Spinal Tap (1984)

Seis Momentos Geniais em This is Spinal Tap (1984)

Sinopse (imdb): A banda inglesa de heavy metal Spinal Tap está em turnê pelos Estados Unidos. Um cineasta americano decide filmar a passagem da banda pelo país, mas a turnê não sai como o esperado.

Estreou no streaming o novo This is Spinal Tap, aí fui rever o original antes de ver a continuação. Pensei em escrever uma crítica mais completa (já comentei o filme em dezembro de 2008), mas optei por trazer alguns trechos que acho geniais. Afinal, estamos falando de um filme de 40 anos atrás, de menos de uma hora e meia de duração, e que, até hoje, traz vários momentos icônicos entre os apreciadores de rock’n’roll no cinema.

Lançado em 1984, This is Spinal Tap é um mockumentary, palavra que nem sei se existe em português. É um documentário fake (tipo a série The Office), sobre uma banda que nunca existiu. O Spinal Tap é uma banda de hair metal dos anos 70/80, exagerada e excêntrica como várias bandas da época, que está mais ou menos entre Van Halen, Manowar, Saxon e Mötley Crüe. O filme acompanha uma turnê nos EUA, e traz várias sequências memoráveis. Digo mais: todo músico vai se identificar com uma ou outra cena.

This is Spinal Tap foi dirigido por Rob Reiner, diretor de Conta Comigo, Louca Obsessão e Harry e Sally, entre outros, e que aqui, além de roteirista e diretor, ainda interpreta um personagem importante, o documentarista Marty DiBergi. A banda é formada por Nigel Tufnel (Christopher Guest), David St. Hubbins (Michael McKean) e Derek Smalls (Harry Shearer). Nenhum dos três teve carreira relevante no cinema, mas os três aparecem tocando, e convencem nos seus instrumentos. Além disso, os três colaboraram no roteiro, escrito a oito mãos junto com o diretor Reiner. Existe uma piada que justifica por que o baterista tem menor importância, mas não entendi por que o tecladista não ganhou mais espaço… Lembrei do João Fera, que toca com o Paralamas do Sucesso há quase quatro décadas mas nunca foi efetivado membro da banda.

Acho geniais algumas sacadas apresentadas no filme. Como músico, consigo ver algumas daquelas situações na vida real. Mas tenho minhas dúvidas se um público que não é ligado a bandas de rock vai achar graça.

Enfim, vamos aos momentos?

-Uma piada muito boa é sobre o baterista, que sempre morre. A banda já teve vários. Todos morreram, e sempre de mortes bizarras.

-Tem um lance que vários músicos já passaram, que é quando a banda se perde entre o camarim e o palco. Claro que aqui está exagerado, mas já aconteceu comigo num show num Sesc em SP…

-Lembro de amigos meus fãs de Manowar falando que os caras colocavam um pepino dentro da cueca pra parecerem bem dotados. Também lembro exatamente dos mesmos pepinos dentro da sunga numa HQ do Angeli dos anos 90. This is Spinal Tap é anterior aos dois exemplos, e já tem piada sobre isso.

-Nunca soube de, na vida real, um defeito no cenário que chegasse a prender um músico. Mas a piada é ótima!

-Outra boa piada relativa ao cenário é o Stonehenge miniatura. A ideia foi escrita num guardanapo de papel, e quando o cenário foi feito, ficou daquele tamanho.

-Acho que a piada mais famosa de This is Spinal Tap é o amplificador que vai até o 11. Adoro a reação do Nigel quando perguntam “não seria mais fácil um amplificador mais potente?”

8 Diretores que só fizeram 1 filme bom

8 Diretores que só fizeram 1 filme bom

Sempre digo que quando vemos um filme bom, devemos anotar o nome do diretor, porque são boas as chances do cara ser talentoso e repetir a qualidade num outro filme dele.

Mas nem sempre isso acontece. Hoje vou trazer aqui alguns diretores “one hit wonder” (termo muito usado na música, quando um artista tem um único sucesso).

Pensei em citar o Neill Blomkamp, porque Distrito 9 é muito melhor do que qualquer outro filme que ele fez, e recentemente ele fez Gran Turismo, que é fraco, e Demonic, que é ruim com força. Mas Elysium e Chappie não são tão ruins assim. Também lembrei do Peter Jackson, que não fez nada relevante depois da excelente trilogia Senhor dos Anéis, mas não posso ignorar que antes ele fez Fome Animal, Almas Gêmeas e Os Espíritos. Outro que também não faz nada bom há mais de dez anos é Zack Snyder, mas gosto de seus primeiros filmes, época que ele fez 300, Watchmen e Sucker Punch. Paul W.S. Anderson é parecido, há tempos não faz nada bom, mas, reconheço que gosto de alguns dos seus filmes antigos, como O Enigma do Horizonte, O Soldado do Futuro e o primeiro Resident Evil. E também não tem graça citar diretores ruins que nunca fizeram nenhum filme bom, tipo Uwe Boll ou Tommy Wiseau.

Pra estar nessa lista, precisa ter um grande filme no currículo, e apenas um. O resto tem que ser de sofrível pra baixo.

Vamos à lista?

Irmãos / Irmãs Wachowskis

Matrix é um grande filme. Foi um grande sucesso comercial, e revolucionou os efeitos especiais, além de ter levantado toda uma filosofia de se encarar realidade que é citada até hoje (não existe o “movimento Red Pill”?). Foi o segundo filme deles, antes fizeram Ligadas pelo Desejo, que tem cara de sexta sexy da Band. E depois fizeram Speed Racer, A Viagem, O Destino de Júpiter e as continuações de seu único filme bom, Matrix 2, 3 e 4.

Kurt Wimmer

Kurt Wimmer é mais conhecido como roteirista, escreveu as esquecíveis refilmagens de Vingador do Futuro e Caçadores de Emoção, e mais recentemente escreveu dois dos piores filmes dos últimos anos, Mercenários 4 e The Misfits. Mas esta é uma lista de diretores. Wimmer dirigiu poucos filmes, entre eles, Equilibrium, um filmaço que infelizmente pouca gente conhece. Seus outros filmes como diretor justificam sua presença nesta lista: Ultravioleta, Estado de Choque e a refilmagem de Children of the Corn.

Russell Mulcahy

Russell Mulcahy surgiu no meio audiovisual dirigindo videoclipes de vários artistas, como Duran Duran e Elton John. Estreou no cinema com o quase desconhecido Razorback, mas poucos anos depois dirigiu Highlander. Pena que nunca mais acertou. Ele está na ativa até hoje, mas coleciona filmes ruins no currículo, como Highlander 2, O Sombra, Resident Evil 3 e Escorpião Rei 2.

Tony Kaye

Talvez seja injustiça colocar Tony Kate nesta lista. Ele tem um bom currículo dirigindo videoclipes, inclusive ganhou o Grammy duas vezes. Seu primeiro longa foi A Outra História Americana. Mas se desentendeu com o protagonista Edward Norton durante a edição do filme e acabou sendo colocado “na geladeira”. Kaye só conseguiu dirigir mais dois longas depois, que quase ninguém viu. (p.s.: não confundir com o Tony Kaye homônimo tecladista do Yes!)

Tarsem Singh

Tarsem Singh chamou a atenção em 2000 quando dirigiu A Cela, que era um espetáculo visual. Mas parece que Singh não tinha mais muita coisa para mostrar. Imortais foi fraco, Espelho Espelho Meu foi esquecível, e quase ninguém viu seus outros dois longas, Dublê de Anjo e Sem Retorno.

Richard Schenkman

Richard Schenkman dirigiu um filme que heu acho genial, uma rara ficção científica sem nenhum efeito especial: O Homem da Terra. O texto é genial, e o roteiro traz algumas surpresas. Schenkman dirigiu outros filmes, nenhum relevante – só pra dar um exemplo, dentre eles está o terceiro I Spit on Your Grave.

Robin Hardy

Robin Hardy era escritor, e só dirigiu três filmes. Seu longa de estreia é o incensado O Homem de Palha, de 1973. E ninguém viu seus outros dois, Uma Voz ao Telefone, de 1986, e A Árvore de Palha, de 2011.

James McTeigue

James Mcteigue foi assistente de direção em filmes como Star Wars ep. 2 e trilogia Matrix, até que resolveu estrear na direção com V de Vingança. Depois, fez alguns outros filmes, nenhum relevante, como Ninja Assassino e O Corvo (falando do Edgar Allan Poe).

Código Alarum – 9 Coisas que Não Fazem Sentido

9 Coisas que Não Fazem Sentido em Código Alarum

Sinopse (imbd): Dois espiões desonestos saem da rede, casam-se e são atacados em sua cabana remota por várias agências de inteligência que buscam um disco rígido roubado.

A expectativa era a pior possível. Dois meses atrás, vi Blindado, com Sylvester Stallone, produção picareta de um cara picareta chamado Randall Emmett, que usa a seguinte fórmula: oferece um bom cachê pra um nome grande de Hollywood, que vai até o set e trabalha por poucos dias, apenas em algumas cenas, e o filme é lançado com o nome da estrela no cartaz. Um filme vagabundo, aparentemente todo o orçamento é pra bancar esse cachê caro.

Código Alarum (Alarum, no original) é com Sylvester Stallone e produção de Randall Emmett. Dá pra confiar?

Fui na curiosidade de ver a estreia hollywoodiana da Isis Valverde. Segundo o imdb, ela esteve perto de estrelar The Flash em 2023 – ela e Bruna Marquezine eram as principais escolhas para o papel da Supergirl, mas não puderam viajar para Londres para os testes presenciais por causa da pandemia da Covid. Bruna conseguiu um papel importante em outro filme da DC, o Besouro Azul. E Isis, bem Isis deu azar. Já comento sobre isso.

Não diria que Código Alarum é tão ruim quanto Blindado, porque, pra mim, Blindado nem chega a ser um filme de verdade, parece um curta amador esticado. Código Alarum também parece amador, mas pelo menos tem cara de longa metragem, tem mais personagens, mais locações. E tenho um elogio para fazer. Só um, mas pelo menos encontrei algo positivo.

Código Alarum é todo errado. O roteiro é um lixo, a história é confusa e mal amarrada, as atuações são péssimas, os efeitos especiais são sofríveis, tudo é ruim. Vou fazer alguns comentários e depois uma lista de coisas que não funcionaram.

O roteiro é péssimo! Fala de uma agência misteriosa, tem personagens que mudam de lado sem justificativa, tem gente que só fica no escritório falando ao telefone, todos os diálogos são ruins… Olhando de longe, parece que a trama é complexa, mas, de perto, acho que foi apenas mal escrita. E normalmente não reclamo de efeitos especiais, mas os tiros de metralhadora em cgi parecem efeito de celular. E celular velho.

Vou falar spoilers. Acho que pra um filme desses, dizer um spoiler é até algo positivo, porque minha recomendação é “NÃO VEJA!”. Mas, vamulá, spoilers liberados. Todos os brasileiros querem ver a Isis Valverde, afinal, alguns atores daqui começam a despontar em Hollywood. Bruna Marquezine teve um papel quase principal em Besouro Azul; Wagner Moura está muito bem como um dos protagonistas de Guerra Civil; Fernanda Torres foi indicada ao Oscar; Selton Mello está escalado para trabalhar com Jack Black e Paul Rudd. Já Isis Valverde, pena. Ela aparece em duas cenas, depois leva um tiro e acabou o filme pra ela. Sério, o papel dela é tão secundário que ela morre antes mesmo do Stallone aparecer em tela.

Sobre o elenco: Scott Eastwood é o protagonista, e é tão expressivo quanto o cenário onde ele atua. Ele tem moral porque é filho do Clint Eastwood, mas precisa melhorar seus filmes pra começar a ser lembrado por ele mesmo e não por ser um “nepo baby” (falei aqui outro dia do Jack Quaid, que aos poucos constrói um currículo maior do que “ser filho do Dennis Quaid e da Meg Ryan). Stallone nunca foi um grande ator, mas tem carisma pra segurar um papel – quando quer. Aqui acho que ele não queria. Inclusive o papel dele é muito mal escrito. Mike Colter, o Luke Cage da Marvel, está caricato. Mas, tenho um elogio no elenco: Willa Fitzgerald, de Reacher e Strange Darling, está bem. Ela convence nas cenas de luta e é de longe a melhor coisa de Código Alarum. Salva o filme? Claro que não. Mas se todos estivessem no nível dela, seria um filme bem menos ruim.

Já que abri os spoilers, vamos à lista de coisas que não fazem sentido?

1- O casal é um dos mais improváveis da história do cinema. O cara está sendo atacado, leva um tiro, mata o oponente. Aí outra pessoa o ataca, eles lutam por alguns segundos – um chute e dois socos no total – e caem pela janela. Aí ele “veste o Joey Tribianni” e manda uma cantada pra ela. “How you doing?” Caraca, eles se apaixonam depois de trocarem golpes por 30 segundos??? Até acredito que inimigos possam se apaixonar, mas precisa ter toda uma construção anterior, outros confrontos, etc.

2- O Mike Colter estava num avião, matou os dois pilotos e pulou de para quedas, pra depois ir no avião caído e procurar um pendrive. Como é que ele sabia que o avião não ia explodir, colocando fogo no pendrive? Não seria melhor roubar o pendrive antes de matar os pilotos e derrubar o avião?

3- Entendo que em filme de ação o mocinho tem uma mira excepcional e todos os seus adversários tenham “mira de stormtrooper”. Mas aqui isso está exagerado. Tem uma cena onde o mocinho está sozinho numa casa, abrem um grande buraco na parede, e vários oponentes estão com metralhadoras atirando nele. E ele simplesmente aparece no meio do buraco da parede, à vista de qualquer um, atira de volta, e mata todos. Sem levar nenhum tiro!

4- Ainda nesse item, a mocinha mata quatro adversários com tiros. Aparecem outros oponentes, e atacam ela – sem armas de fogo! Por que??? Até aceito não terem matado ela na cena seguinte, o cara queria torturá-la. Mas, naquele momento, no meio do tiroteio, os inimigos não iam abrir mão dos revolveres e metralhadoras.

5- O Stallone é contratado pra duas tarefas: recuperar um pendrive e matar o Scott Eastwood. Aí ele envenena o Scott (na verdade não era veneno, mas ele não sabia disso, pra ele, ele realmente tinha envenenado). Logo depois consegue o pendrive. Por que não matou logo? Dava um tiro, pegava o pendrive e acabou a missão, pode voltar pra casa.

6- A aliança entre o Scott Eastwood e o Mike Colter não faz o menor sentido. O Scott mata TODOS os soldados do Mike, e depois ele diz “ok, não vou te matar agora, vamos virar parceiros”. Oi???

7- Os drones usados pra atacar os mocinhos são os piores drones da história. Mesmo com o “target locked”, conseguem errar todos os tiros!

8- No fim a gente descobre que o Scott Eastwood trocou o veneno, e quem está envenenado é o Stallone. Mas, o filme diz que o veneno mata em uma hora. Era de noite, e já está de dia! Calma que fica pior: eles se encontram, e o Stallone fala que “ainda tem alguns minutos”. Ou seja, a parada é realmente cronometrada! E só depois disso que o Stallone começa a passar mal com o veneno – sendo que ele tomou antes do Scott.

9- Por fim, uma coisa besta, mas que também não faz sentido. O cara da agência (sei lá qual agência) com quem eles conversam ao telefone tem um escritório numa sala enorme. E a mesa dele está bem no meio da sala. Se ele tem vários inimigos, qual é o sentido de ter uma mesa bem no meio da sala, onde qualquer um pode se aproximar pelas costas dele?