Crítica – The Toxic Avenger 2023
Sinopse (imdb): Quando um padrasto toma medidas drásticas para sustentar sua família, ele é acidentalmente transformado em um mutante hediondo.
É complicado falar de um filme como esta refilmagem do Vingador Tóxico, um dos trashs mais conhecidos da história do cinema. Porque por um lado é um filme que precisa de uma atualização, mas por outro lado, se atualizar, fica desfigurado.
Vamos a uma breve contextualização. A Troma é uma produtora assumidamente trash, especializada em comédias de terror, com elementos de paródia, gore e splatter. Produziu filmes como Tromeu e Julieta (com roteiro do James Gunn!), Poultrygeist e Class of Nuke ‘Em High, além de distribuir títulos como A Camisinha Assassina e Monstro do Armário.
Lançado em 1984, O Vingador Tóxico foi o primeiro grande sucesso da Troma (e talvez o maior sucesso até hoje). Mas é um filme todo errado – só pra dar um exemplo: o vilão do filme gosta de atropelar crianças. Vou além: o espectador comum de hoje, 2025, não vai aceitar uma produção tão tosca, com efeitos especiais mal feitos e atuações caricatas.
Vamos à nova versão. Começo com uma dúvida sobre o ano de produção. Porque no imdb a data é 2023, mas nos créditos do filme tem datas de 2025. Vou considerar o imdb e deixar 2023.
Dirigido por Macon Blair, The Toxic Avenger (não sei se vai ter título em português) tem algumas mudanças estruturais em relação ao filme original de 1984. Acredito que a maior delas é que o protagonista antes era um jovem, faxineiro de uma academia, que sofria bullying de um grupo de marrentos; enquanto aqui o protagonista também é faxineiro, mas é viúvo e padrasto de um adolescente, e descobre que tem uma doença terminal e que seu plano de saúde não cobre o tratamento. Ou seja, deram um contexto pro Toxie. O que é positivo, mas que por outro lado foge da proposta inicial de explorar tosqueira.
A trama segue com semelhanças aqui e diferenças ali. Por exemplo, no original tem uma cena icônica numa lanchonete, que é onde o Toxie conhece uma mulher cega que passa a ser sua companheira. Aqui tem a cena da lanchonete, tem até uma mulher cega, mas ela só aparece nessa cena.
Toxic Avenger segue por aí. Faz acenos ao clássico, mas tem medo de se lambuzar no trash. Nem o gore, que podia ser melhor aproveitado, é bem explorado aqui. E ainda tem algumas “roteirices”, tipo o esfregão do Toxie, que pode ser extremamente letal, mas também pode ser quase inofensivo (vejam a cena do show, onde ele anda cercado de pessoas, com aquele esfregão quase esbarrando em todo mundo).
Agora, precisamos reconhecer que o elenco é impressionante, em se tratando de Troma (que até tem filmes com gente que ficou famosa depois, mas sempre antes da fama, como Vincent D’Onofrio (que fez The First Turn On), ou Billy Bob Thornton (que fez Chopper Chicks in Zombietown)). Aqui é bem diferente, temos Peter Dinklage, Jacob Tremblay, Kevin Bacon e Elijah Wood, os quatro em papéis grandes (Tom Savini está em Queens of The Dead, mas é uma ponta, filmada em outro ambiente separado do elenco). Detalhe de bastidores: Peter Dinklage não está sob a pesada maquiagem do Toxie, é a atriz Luisa Guerreiro (com Dinklage dublando). Agora, se estão bem? Olha, é uma refilmagem do Vingador Tóxico. Não espere boas atuações.
Heu até gostei deste novo Toxic Avenger. Gostei de como atualizaram a temática. Mas acredito que quem for fã do original não vai gostar. Porque, enquanto o Vingador Tóxico de 1984 é um clássico cultuado, esta nova versão apenas é um filme bobinho e esquecível.
Ah, tem cena pós créditos. Duas. Um gancho pra continuação, e uma cena bem sem graça.





