O Fim da Rua

Crítica – O Fim da Rua

Sinopse (imdb): A família Platt se une para lidar com o novo ambiente depois que um evento cósmico transporta seu bairro suburbano para um lugar desconhecido.

No Podcrastinadores de Expectativas para 2026, citamos um filme que seria chamado Flowervale Street, que traria Ewan McGregor, Anne Hathaway – e dinossauros. O filme mudou de nome, para The End of Oak Street, e aqui no Brasil ganhou o nome de O Fim da Rua, e está estreando essa semana no circuito.

O Fim da Rua parece um filme de aventura / fantasia dos anos 80. Inclusive o filme se passa em 1982. Detalhe curioso: no início do filme não diz qual é o ano que a história se passa, a gente só descobre isso lá no fim do filme. Mas desde a primeira cena, onde tem uma festa numa rua com várias pessoas e nenhuma estava com o celular na mão, foi o momento onde descobri que era um filme que não se passava nos dias de hoje.

A direção é de David Robert Mitchell, que chamou a atenção alguns anos atrás quando fez A Corrente do Mal / It Follows. A Corrente do Mal é um filme que emula o estilo do John Carpenter. Aqui David Robert Mitchell emula o estilo do Steven Spielberg e de sua produtora Amblin. O Fim da Rua tem muito de E.T., de De Volta Para o Futuro, de Poltergeist – e, claro, Parque dos Dinossauros. Sim, heu sei, não é anos 80, mas é Spielberg, né?

David Robert Mitchell emula o estilo do Spielberg, mas ele não quer ser Spielberg. O Fim da Rua não é um filme de terror, mas tem alguns jumpscares – inclusive um deles me pegou. Também tem algumas cenas graficamente bem violentas, além de mostrar dinossauros em momentos íntimos, fazendo coisas que eu acho que o cinema nunca tinha mostrado antes (se é que você entende o que eu estou falando).

Os efeitos especiais são bons, mas não sei se isso merece um elogio tão grande, se a gente lembrar que Primitive War fez um ótimo trabalho de efeitos de dinossauros com “troco de pinga”. E se a gente lembrar que Primitive War tinha Ryan Kwanten e Tricia Helfer enquanto O Fim da Rua tem Ewan McGregor e Anne Hathaway, o orçamento aqui deve ser bem maior (mas por outro lado, o último Jurassic World, com orçamento ainda maior, decepcionou…).

No elenco, esse é daquele estilo de filme que não tem espaço pra grandes atuações. Dito isso, Ewan McGregor e Anne Hathaway estão bem. O elenco jovem, Maisy Stella, Convery Christian e Alexa Davis, também está ok. Ah, a trilha sonora de Michael Giacchino é muito boa!

Por fim, sem spoilers, mas gostei de não terem explicado qual foi o motivo do que aconteceu. Certamente ia ser uma explicação ruim. Melhor deixar no “não sei, só sei que foi assim”.

O Fim da Rua tem uma história fechada, mas se a bilheteria for boa, tem espaço pra uma continuação. Seria o que os fãs de Jurassic Park queriam e nunca aconteceu…

A Odisseia

Crítica – A Odisseia

Sinopse (imdb): Após a Guerra de Troia, Odisseu enfrenta uma viagem perigosa de volta a Ítaca, encontrando pelo caminho criaturas como o ciclope Polifemo, as Sereias e Calipso.

Heu nunca ganhei um Oscar. Mas desconfio que ganhar um Oscar deva abrir portas. Deve ser mais fácil seguir com um projeto complicado. Christopher Nolan ganhou dois Oscars por Oppenheimer, melhor diretor e melhor filme. Nolan é um cara que gosta de projetos grandiosos e complexos. Acho que ele deve ter aproveitado pra encarar um projeto ambicioso e desafiador: adaptar A Odisseia, clássico da literatura, escrito por Homero, e considerado um dos textos mais difíceis de se adaptar.

A Odisseia mostra a jornada de Odisseu, que depois de vinte anos na guerra de Troia, agora enfrenta dificuldades para voltar para casa. Ao mesmo tempo, sua esposa Penelope precisa lidar com pretendentes que que aguardam a confirmação de sua morte, e seu filho Telemaco procura saber se ele ainda está vivo.

O texto é clássico, meio que todo mundo conhece algo dessa história, mas… Mais do que um texto do Homero, este é um filme do Christopher Nolan. Temos uma história grandiosa, contada em ordem não cronológica, com um grande elenco, sublinhada por uma trilha sonora épica em tons graves. Aliás, existe um paralelo óbvio com a sinopse de Oppenheimer: ambos os filmes têm um protagonista que cria algo que acaba causando muitas mortes (a bomba / o cavalo de Troia), e depois passam boa parte do filme envoltos em dilemas éticos e morais.

A jornada do Odisseu tem algumas sequências bem legais. A sequência onde encontram a Circe é uma das melhores partes do filme. E gostei do conceito do ciclope gigante, em vez de um olho na testa, ele tem a cara meio torta, então seu nariz é inclinado, acompanhando o único olho. Isso sem falar do óbvio cavalo de Troia. Por outro lado, não gostei muito da parte onde encontram aquele pessoal de armadura metálica brilhante, com as árvores se movendo. Podiam ter explorado melhor aquele ambiente. E a parte das sereias teve uma boa sacada no som do filme, mas foi curta demais.

A parte técnica é um absurdo. A Odisseia é o primeiro longa inteiramente filmado com câmeras Imax, que são trambolhos difíceis de se manusear. Além disso, Nolan é um perfeccionista, então se preocupou com detalhes que talvez outros diretores deixassem passar. Pesquisaram o quanto tecidos e metais se deteriorariam ao longo de anos de exposição ao sal e à maresia, porque se Odisseu tinha que ficar 20 anos numa praia, as roupas e armas não poderiam continuar com aparência de novas. Outro detalhe: Nolan proibiu perucas e barbas falsas, porque ondas do mar poderiam descolar, ou seja, se o personagem tinha barba, o ator precisou deixar a barba crescer. O barco usado por Odisseu era de verdade, esse mesmo barco já cruzou o oceano Atlântico duas vezes, e todos do elenco daquelas cenas aprenderam a navegar.

O elenco é fantástico. Poucos filmes conseguem tanto star power junto; Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Charlize Theron, Zendaya, Robert Pattinson, Elliot Page, John Leguizamo, Mia Goth, Benny Safdie, Himesh Patel, Jon Bernthal, Lupita Nyong’o e Samantha Morton, entre outros. Por um lado isso é legal, mas o problema é que o fato de ter muitos personagens acaba atrapalhando o desenvolvimento de alguns deles – por exemplo, vemos que a Mia Goth teria mais história pra contar. Num elenco tão recheado, a impressão que fica é que metade ficou desperdiçado e a outra metade faz apenas o “feijão com arroz”. Acho que o único que realmente se destacou foi, por incrível que pareça, o John Leguizamo.

Existe um mimimi sobre parte do elenco. Tem uma galera dizendo que seria woke a inclusão de Lupita Nyong’o, Zendaya e Elliot Page. Não concordo, mas vou comentar. Sobre a Lupita, é bobagem, a Grécia é perto da África, não seria algo tão irreal ter uma mulher negra por lá (aliás, o elenco todo é multi-étnico). No lance do Elliot Page, o mimimi é porque rolou um boato que ele seria Aquiles, mas não é, é um soldado que tem importância secundária, e um personagem que precisava daquele porte físico. Já o mimimi da Zendaya como deusa Atena, discordo fortemente, achei uma ótima escolha. Explico porque na parte com spoilers.

São quase três horas de filme – Nolan gosta de filmes longos, e aqui realmente tinha muita história pra contar. Mas heu achei cansativo. Aquele diálogo na parte final entre Odisseu e Penelope é interminável! Além disso, não sei se é problema da história original ou da adaptação, mas achei o vilão Antinoo bem fraco. Odisseu não teria tanto motivo para odiá-lo.

Vou fazer um breve comentário sobre a Atena. É spoiler, então vamos aos avisos.

SPOILER!

Tem gente reclamando da Zendaya interpretando a deusa Atena. Mas, pela minha interpretação, a escolha foi perfeita. Vamulá. Em primeiro lugar, não sabemos se é uma deusa de verdade ou se é algo dentro da cabeça do Odisseu. Apenas sabemos que só ele vê a Atena, mais ninguém em volta a vê. Quando acontece a queda de Troia, Odisseu presencia o assassinato de uma jovem inocente – interpretada pela Zendaya. Pela minha interpretação, aquela figura que aparece não é uma deusa, e sim um trauma do passado do Odisseu, que o assombra todos os dias. Principalmente se a gente lembrar que não vemos nenhum outro deus, só a Atena. Pensando sob este ângulo, a escolha da Zendaya foi perfeita para o papel.

FIM DOS SPOILERS!

Até agora só elogiei, né? Poizé. A Odisseia é um bom filme. Mas achei fuén. Talvez por ser apenas um filme “correto”. Tudo está no lugar certo, mas, sei lá, faltou algo que me deixasse mais empolgado. Alguns filmes me deixam com vontade de rever assim que acaba a sessão, mas esse aqui não pretendo rever tão cedo.

O Diabo Veste Prada 2

O Diabo Veste Prada 2

Texto curtinho hoje. Não é uma análise crítica. É só uma explicação por que heu achei muito ruim o final de O Diabo Veste Prada 2.

Claro, spoilers liberados, afinal, vou falar do fim do filme.

Vamulá. A Miranda, personagem da Meryl Streep, é uma mulher arrogante, que trata mal todos em volta. É claramente a vilã do filme. Nada contra a interpretação da Meryl Streep, sempre maravilhosa, mas sua personagem é odiável.

Emily, personagem da Emily Blunt, consegue um investidor disposto a comprar a revista. Seu plano é demitir a Miranda e dar uma repaginada na revista – que passa por uma séria crise, já que hoje em dia quase ninguém compra revistas. Me parece um bom plano. Ela vai afastar a vilã e salvar a revista. Emily é uma heroína!

A única falha dela é não abrir o jogo para Andy, personagem da Anne Hathaway, que está tentando ajudar a Miranda. Ok, de repente ela ainda não podia revelar seu plano, mas não precisava ter mentido para a Andy. Foi a única atitude errada dela durante todo o filme.

Mas no final, a trama inventa uma redenção para Miranda e coloca a Emily como vilã da história. Oi? Ela estava tentando salvar todo o resto! E pra confirmar isso, na última cena, Miranda continua sendo arrogante e tratando mal todos em volta.

Essa forçação de barra pra vilanizar a Emily me fez não gostar do filme (que já não estava sendo grandes coisas). Estou errado?

Instinto Materno

Crítica – Instinto Materno

Sinopse (imdb): A vida aparentemente perfeita das amigas Alice e Celine desmorona após um acidente envolvendo um de seus filhos. O que começa como uma tragédia inimaginável acaba transformando a amizade entre elas em um jogo de segredos e mentiras.

O trailer vendia Instinto Materno como um suspense psicológico. Mas o resultado final ficou devendo.

Estreia na direção de Benoît Delhomme, Instinto Materno (Mothers’ Instinct, no original) é a refilmagem de Duelles, filme belga de 2018. Não vi o original, não sei se lá temos algo a mais. Normalmente, os originais europeus são melhores. Mas acredito que seja melhor, ano passado um amigo que mora na Europa tinha me recomendado esse Duelles, mas não achei onde ver aqui.

Acho que são os anos 60, tem um diálogo onde falam dos presidentes americanos, pra situar o espectador sobre qual ano o filme se passa, mas como não entendo de presidentes americanos, não sei qual ano. Enfim, duas famílias, vizinhas, muito amigas. As duas mulheres são amigas, e os filhos, de idades parecidas, são inseparáveis. Mas acontece uma fatalidade e isso abala a amizade.

A gente passa o filme todo pensando quando algo vai sacudir a trama. Um plot twist, uma grande revelação, algo bombástico. Mas nada. O filme é linear, tudo o que acontece é o que aconteceria numa vida normal. Ou seja, o filme acaba sendo chato.

Ok, temos duas grandes atrizes, Anne Hathaway e Jessica Chastain, e ambas estão bem. Mas, nenhuma atuação memorável. Filme linear com atuações lineares.

Quem foi a sessão de imprensa ganhou o livro que deu origem ao filme, e avisaram que a continuação do livro está para ser lançada em breve. Ou seja, o filme deve ter continuação. Mas, boa notícia: a história fecha, não deixa nenhuma ponta solta a ser resolvida num filme que a gente nem sabe se vai existir.

No fim, Instinto Materno não é ruim, mas é decepcionante porque tem cara de telefilme.

Oito Mulheres e um Segredo

Oito Mulheres e um SegredoCrítica – Oito Mulheres e um Segredo

Sinopse (imdb): Debbie Ocean reúne uma equipe exclusivamente feminina para tentar um assalto impossível no Met Gala anual de Nova York.

Se a gente olhar o panorama do cinema de hoje em dia, duas coisas muito comuns são mulheres no comando e ideias recicladas. Por que não juntar as duas coisas?

Oito Mulheres e um Segredo (Ocean’s Eight, no original) é um spin off da trilogia Onze Homens e um Segredo / Doze Homens e Outro Segredo / Treze Homens e um Novo Segredo (não custa lembrar, o primeiro já era uma refilmagem do filme homônimo de 1960). Os três foram dirigidos por Steven Soderbergh, que aqui fica só na produção; Gary Ross (Jogos Vorazes) assume a cadeira de diretor e faz um bom trabalho emulando o clima da franquia.

Uma das características da franquia era o grande star power do elenco – não é qualquer filme que reune George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon e Julia Roberts. Essa característica continua presente – um dos trunfos do filme é contar com o talento e o carisma de Sandra Bullock, Cate Blanchet, Anne Hathaway e Helena Bonham Carter. O elenco ainda conta com Rihanna, Sarah Paulson, Mindy Kaling, Awkwafina, James Corden e Richard Armitage, além de pontas de Elliot Gould (pra “validar a franquia”), Dakota Fanning e Griffin Dunne, além de algumas celebridades interpretando elas mesmas no baile, como Katie Holmes e Heidi Klum.

O filme segue num ritmo ágil, embalado por uma ótima trilha sonora. Tudo é tão leve e divertido que a gente até releva os vários furos no roteiro. Sim, Oito Mulheres e um Segredo é daqueles filmes que a gente só se diverte se não levar a sério.

A história fecha no fim, mas não vai ser surpresa para ninguém se em breve tivermos uma continuação. Assim como não será surpresa se misturarem este elenco com atores da trilogia original.

p.s.: Só heu acho que o nome do filme é um spoiler?

Alice Através do Espelho

Alice - posterCrítica – Alice Através do Espelho

Ao atravessar um espelho, Alice volta ao País das Maravilhas, onde encontra o Chapeleiro Maluco doente. Para salvá-lo, ela precisa viajar no tempo e alterar o passado.

Em primeiro lugar, um esclarecimento: Alice Através do Espelho (Alice Through the Looking Glass, no original) parece, mas não é um filme do Tim Burton, que aqui está só como produtor. A direção é de James Bobin, o mesmo dos dois recentes longas dos Muppets. Mas o visual continua chamando a atenção.

O visual é o que Alice Através do Espelho tem de melhor. Bobin conseguiu manter a identidade visual que Tim Burton criou para o primeiro filme, Alice no País das Maravilhas, de 2010. Vemos aqui vários cenários e figurinos bem elaborados – e por mais que a gente saiba que boa parte é cgi, isso não atrapalha.

Por outro lado, a história é fraca. Nunca li o “Através do Espelho” original, não sei o quanto do que vemos na tela está no livro (li por aí que o livro é completamente diferente, e tem lógica, acho difícil um livro antigo ter uma personagem feminina tão forte). Mas essa história da Alice viajando no tempo ficou bem sem graça.

O elenco é ótimo. Todos que estavam no primeiro filme voltaram: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter e as vozes de Alan Rickman, Timothy Spall e Stephen Fry. A única novidade é Sacha Baron Cohen, que está bem como o Tempo. Ah, este foi o último filme de Rickman, homenageado nos créditos.

Alice Através do Espelho não vai desagradar os fãs do filme anterior. Mas é bom não esperar muito.

Interestelar

0-InterstellarCrítica – Interestelar

Filme novo do Christopher Nolan!

Num futuro próximo, onde recursos naturais estão cada dia mais escassos, um grupo de exploradores usa um recém descoberto “buraco de minhoca” para ultrapassar os limites da exploração espacial.

A expectativa era alta. Depois da elogiada trilogia do Batman e do também elogiado A Origem / Inception, Nolan anunciou uma ficção científica “correta”, dirigida por ele e escrita por ele ao lado do seu irmão Jonathan Nolan. Interestelar (Interstellar, no original) fala da tentativa de conquista espacial através de “buracos de minhoca” (wormholes).

Mas… Parece que faltou humildade a Nolan, que, aparentemente, queria “brincar de Kubrik” e fazer um novo 2001. Interestelar até tem alguns bons momentos de tensão, mas o ritmo é muito irregular, e o resultado ficou longo, pretensioso – e chato. São quase três horas de filme (169 minutos) de muito papo cabeça! Sinceramente, não precisava ser tão longo.

Não entendo de astronomia, então não posso julgar se o filme é cientificamente correto como se propôs. Mas entendo de cinema, e posso afirmar que tecnicamente, o filme é excelente. O visual do filme é muito bem feito, e algumas cenas são impressionantes – a morte de um dos personagens pode figurar fácil em listas de melhores cenas do ano. Interestelar só deu azar de ter vindo um ano depois do impressionante Gravidade – Nolan não usa tantos planos-sequência alucinantes quanto o Alfonso Cuarón…

Interestelar é daquele tipo de filme que foca mais nos efeitos especiais do que nos atores, mas mesmo assim Matthew McConaughey faz um bom trabalho, liderando um bom elenco, que conta com Anne Hathaway, Jessica Chastain, John Lithgow, Michael Caine, Matt Damon, Casey Affleck, Topher Grace, Wes Bentley e Ellen Burstyn

Por fim, preciso falar do robô TARS. Admito que gostei como alívio cômico, mas… não sei de quem foi a ideia de fazer os robôs daquele formato. Vou te falar que o cinema deu gargalhadas quando o robô correu pela água. E acho que essa não era a objetivo dos realizadores…

Rio 2

0-Rio1Crítica – Rio 2

Não, não estou falando daquele condomínio entre a Barra e Jacarepaguá, e sim da continuação do desenho quase brasileiro Rio!

Blu e Jade vivem felizes no Rio de Janeiro, levando uma vida urbana ao lado de seus três filhotes. Mas ao descobrir que talvez não sejam os últimos da espécie, partem para a Amazônia para tentar encontrar outras araras azuis.

Admiro muito o diretor brasileiro Carlos Saldanha. Depois de conseguir reconhecimento internacional dirigindo os três primeiros A Era do Gelo, ele conseguiu fazer, através de um estúdio gringo, um longa de animação que se passa no Rio de Janeiro, repleto de personagens e paisagens cariocas.

Este segundo Rio é aquilo que a gente espera. Leve, divertido e com todos os clichês esperados – clichês bem utilizados, é bom dizer. Temos os problemas de adaptação, o conflito entre o heroi e o sogro, a rivalidade com o ex namorado… Mas o roteiro sabe aproveitar os elementos de modo que o filme fica leve e divertido.

Certas cenas parecem propagandas da Embratur – pelo filme, parece que no Rio só existe samba, e que o carnaval é uma unanimidade (conheço muitos cariocas que não dão bola pro carnaval…). Mesmo assim, prefiro ver o Brasil retratado por um brasileiro, pelo menos a geografia está correta. E o Rio só aparece no início do filme, depois os pássaros passam rapidamente por algumas cidades, para enfim chegarem ao cenário onde se passa quase todo o segundo filme: a floresta amazônica.

Rio 2 tem muitos números musicais, e, claro, uma partida estilizada de futebol. O filme é muito colorido e tem belas imagens – a qualidade técnica da animação é impressionante – mas, na minha humilde opinião, a parte “broadway” chega a cansar. A parte musical que funciona são as “audições”, responsáveis pelos momentos mais engraçados do filme – as tartarugas capoeiristas são sensacionais!

Nem tudo funcionou na versão dublada – Nigel cantando I Will Survive no original deve ser bem melhor. É, as dublagens brasileiras atingiram um nível excelente, mas não conseguem acertar sempre…

Achei curioso não ter o nome de nenhum ator nem nos créditos iniciais, nem nos finais. Pra descobrir o elenco tive que checar no imdb: Rodrigo Santoro, Anne Hathaway, Leslie Mann, Jesse Eisenberg, Jamie Foxx, John Leguizamo, Andy Garcia e Bruno Mars, entre outros.

Por fim, o 3D. Sim, tem 3D. Não, não precisava. 😉

Os Miseráveis

Crítica – Os Miseráveis

Na França do século 19, Jean Valjean, ex prisioneiro, perseguido pelo policial Javert depois que quebrou a condicional, concorda em cuidar de Cosette, filha de sua funcionária Fantine. Esta decisão mudará sua vida para sempre.

Filme novo de Tom Hooper, elevado ao primeiro escalão pelos Oscars de O Discurso do Rei – bom filme, mas supervalorizado, não merecia as estatuetas de melhor filme e melhor diretor. Agora Hooper encarou o desafio de fazer mais uma versão do livro de Victor Hugo – são inúmeras versões por aí, acho que a mais recente para o cinema foi em 1998, dirigida por Billie August e com Liam Neeson, Geoffrey Rush, Uma Thurman e Claire Danes no elenco. Só que Hooper trouxe para os cinemas a versão musical, que funciona bem na Broadway, mas não necessariamente vai funcionar no cinema.

Este Os Miseráveis tem um problema básico: é um filme chato. São duas horas e trinta e oito minutos de música quase ininterrupta, fica cansativo demais. A parte musical aqui é diferente dos musicais convencionais, onde canções são cantadas ao longo de cenas onde acontecem diálogos. Aqui é quase tudo cantado, até quando não precisa, o ator emposta a voz e estica as sílabas, deixaaando tuuudo assiiim. Sei lá, na minha humilde opinião, acho que seria melhor ficarmos só com as canções e deixar estes diálogos falados.

Tem outro problema, pelo menos pra quem não conhece a história: tudo acontece meio sem explicação. Jean Valjean está foragido, sem dinheiro e sem documentos, e na cena seguinte, depois de um intertítulo “8 anos depois”, não só ele já é um próspero empresário, como também é o prefeito da cidade! Outro exemplo: Cosette e Marius se encontram uma única vez, por alguns minutos, mas é uma paixão tão avassaladora que os dois viram apaixonados para sempre. Bem, até aí, tudo bem, a gente já viu exageros semelhantes em outras histórias. A diferença aqui é que a paixão é tão hardcore que o pai da menina entra na guerra para proteger o garoto – sem contar pra ele quem é sua filha!

A parte musical tem outra peculiaridade, mas esta foi uma ideia interessante. Normalmente, as músicas são gravadas antes, e os atores dublam na hora de filmar. Aqui, os atores usavam pontos nos ouvidos, e a voz foi captada na hora. Se por um lado temos algumas pequenas imperfeições nas músicas, por outro lado isso ajudou a interpretação.

Apesar dos pontos negativos, Os Miseráveis tem seus bons momentos, como a cena onde Jean Valjean e Cosette fogem, e vemos quase todo o elenco cantando juntos, mas em lugares diferentes. E o “momento solo” de Fantine é belíssimo, se a Anne Hathaway ganhar o Oscar de melhor atriz coadjuvante no próximo domingo, podemos dizer que está cena ajudou muito.

O elenco está muito bem. Além de Hathaway, Hugh Jackman também concorre ao Oscar (mas não deve ganhar, dificilmente alguém tira a estatueta de Daniel Day-Lewis e seu perfeito Abraham Lincoln). Li críticas negativas relativas ao Russell Crowe, mas não achei ele ruim. Não gostei da voz de Amanda Seyfried, achei aguda demais; gostei da voz da desconhecida Samantha Barks (a Eponine adulta). E Sacha Baron Cohen e Helena Bonham-Carter estão mais uma vez juntos num musical fora dos padrões convencionais (eles fizeram Sweeney Todd), desta vez como o alívio cômico.

Enfim, mesmo com suas qualidades, ainda acho que Os Miseráveis não é pra qualquer público. Muitos vão achar cansativo. E alguns vão dormir…

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Crítica – Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Uma das estreias mais aguardadas do ano!

Depois dos eventos de Batman – O Cavaleiro das Trevas, Bruce Wayne agora vive recluso e Batman não aparece há anos. Até que Bane, um novo e terrível vilão, aparece para ameaçar Gotham City.

A tarefa era difícil, dar continuidade a Batman – O Cavaleiro das Trevas, um dos melhores flmes baseados em quadrinhos da história. Mas Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge fez um bom trabalho, é uma sequência à altura. Fecha bem a sólida trilogia do diretor Christopher Nolan – a qualidade foi mantida ao longo dos três bons filmes.

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um filme sério e tenso. Algumas partes são sensacionais – gostei muito da sequência do estádio e de toda a parte final. Antes da sessão, pensei que talvez o filme pudesse ser um pouco mais curto, são duas horas e quarenta e quatro minutos. Mas Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge não tem “barriga”, o filme flui muito bem.

O roteiro não é perfeito, é preciso muita suspensão de descrença em algumas cenas – por exemplo, vários vilões não usam armas de fogo, mesmo com as armas nas mãos. Mas isso é um detalhe que quase não incomoda. Mesmo assim, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um excelente filme, melhor que a maioria que é lançado no circuito.

Uma preocupação para este terceiro filme era o vilão, por causa do vilão do filme anterior. Não só o Coringa é um dos vilões mais famosos da história dos quadrinhos, como Heath Ledger teve uma interpretação arrebatadora – chegou a ganhar postumamente o Oscar pela sua atuação como Coringa. O vilão Bane não é tão conhecido quanto o Coringa, e Tom Hardy não foi tão impressionante. Mas o conjunto foi excelente – Bane é um vilão perfeito e assustador.

(Ainda sobre Bane: li em algum lugar que Tom Hardy não seria uma boa escolha para o papel, porque ele é pequeno (1,78m, segundo o imdb), enquanto Bane é um grandalhão. Mas, não sei se usaram truques de câmera ou cgi, no filme Hardy parece ser muito maior do que é. Seu Bane não decepciona nem pela interpretação, nem pelo tamanho!)

Aliás, o elenco é invejável. Além de Hardy, voltam aos seus papeis Christian Bale, Michael Caine, Gary Oldman e Morgan Freeman. E o filme ainda conta com Marion Cotillard, Joseph Gordon-Levitt, Mathew Modine, Juno Temple, Nestor Carbonell e Anne Hathaway.

Deixei Anne Hathaway por último porque achei a sua Selina Kyle uma das melhores coisas de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Rolava uma comparação mental óbvia com a Mulher Gato de Michelle Pfeiffer do filme de 1992 (e não com a terrível Mulher Gato de Halle Berry de 2004!). Mas Anne consegue dar leveza, beleza e principalmente credibilidade ao seu papel – sua Selina parece uma pessoa “de verdade”. Detalhe curioso: ao longo do filme, ela nunca é chamada de Mulher Gato!

Christopher Nolan mais uma vez mostra um domínio técnico impressionante, e suas sequências de ação são absurdamente bem feitas – a parte técnica do filme é impecável. E, boa notícia: ele não gosta de 3D (e heu concordo com ele!). Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um dos raros blockbusters atuais sem uma versão 3D, só existem opções 2D nos cinemas.

E aí fica a pergunta: é melhor que Os Vingadores? Olha, são filmes diferentes, estilos diferentes. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é mais realista, não tem ninguém com super-poderes. Ambos são bons filmes. Em vez de pensar qual é o melhor, prefiro pensar que em 2012 tivemos dois excelentes filmes baseados em quadrinhos de herois.

Mais uma coisa: li por aí que esse filme seria o “fim da trilogia”. Bem, como trilogia são 3 filmes, a frase está correta. Mas rola um forte gancho para uma continuação. Será que Nolan pensou em uma quadrilogia?

Fica a dica: vá ao cinema ver Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Filmão, merece a tela grande. E que venha o próximo!

Por fim, preciso falar da desorganização do Botafogo Praia Shopping, onde fica o cinema Cinemark, local de uma das pré-estreias. A sessão estava marcada para uma quinta feira, às 23:55. Mas o shopping fechava mais cedo. Resultado: o estacionamento já estava fechado (tive que deixar o carro na rua), o segurança ficava enchendo o saco na hora de entrar no shopping (por que diabos alguém iria querer entrar no shopping com tudo fechado senão para ver o filme?), e o elevador estava desligado (o cinema fica no oitavo andar!). Ora, se o shopping não vai funcionar, por que marcar a sessão?

E não acabou aí. Pra piorar, a sessão começou com inacreditáveis 27 minutos de atraso. E a cereja do bolo: no meio da sessão, a sala ficou insuportavelmente quente – acredito que tenhma desligado o ar condicionado. Sorte que religaram antes do fim. Pode falta de respeito maior?

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