Sinopse (filme B): Ao longo de sua vida, Charles “Chuck” Krantz vive o encanto do amor, a dor da perda e descobre as muitas facetas que existem dentro de cada um de nós.
(A sinopse do imdb deve ter sido feita por robô e ninguém revisou, e virou uma parada que não tem nada a ver! No imdb tá assim: “Uma história de afirmação da vida e de mudança de gênero baseada no romance de Stephen King sobre três capítulos da vida de um homem comum chamado Charles Krantz.” A mudança de gênero é cinematográfica!)
Talvez o maior problema aqui seja justamente os nomes de Mike Flanagan e Stephen King. Porque claro que todo mundo vai pensar em um filme de terror. E A Vida de Chuck não tem NADA de terror. Estamos entre o drama e a fantasia. Aliás, o trailer do filme é bem genérico, lembro de ver no cinema e me perguntar “por que alguém veria um filme desses?”
(Ok, alguns bons filmes baseados em Stephen King não são terror, como Conta Comigo, Um Sonho de Liberdade e À Espera de um Milagre. Mas todos concordam que ele fez muito mais terror que qualquer outro gênero, né?)
A direção é de Mike Flanagan, que já fez alguns filmes legais (incluindo Doutor Sono, outra adaptação de Stephen King), mas que tem suas melhores obras em séries, como A Maldição da Residência Hill e Missa da Meia Noite. Talvez seja exagero, mas heu diria que A Vida de Chuck é o melhor filme que ele já fez.
Não li o livro, não tenho ideia se foi uma adaptação fiel ou não. Mas gostei do roteiro ser fora da ordem cronológica – o filme começa pelo terceiro ato. Digo mais: se a história fosse contada em ordem cronológica, seria bem sem graça.
Esse terceiro ato traz um mistério muito bem bolado. O mundo está acabando, estão acontecendo catástrofes naturais, não existe mais internet, e começam a aparecer outdoors e propagandas falando de um tal de Charlie Krantz. Confesso que fiquei intrigado com o que estava acontecendo, qual seria o desfecho para aquele mistério. O único problema é que o terceiro ato é melhor do que o primeiro, justamente o final do filme.
O segundo ato é o mais curto. Traz uma artista de rua, uma baterista, e o dia em que um transeunte parou para dançar. E preciso falar que adorei essa cena da dança! Tom Hiddlestone, primeiro sozinho, depois com a Annalise Basso, dançando ao som da bateria, criaram um momento que, pelo menos pra mim, foi mágico! Até concordo que talvez seja uma cena longa (a dança dura quase cinco minutos) – mas heu poderia rever aquela cena seguidas vezes!
A conclusão (primeiro ato) traz respostas e mais dança. O final não é ruim, mas não é tão bom quanto o início, e isso pode ser um problema. Mesmo assim, gostei muito do resultado.
O elenco é cheio de bons nomes, e todos estão bem. Curiosamente, nenhum ator aparece ao longo de todo o filme, afinal, a trama se passa em volta da vida do Chuck em diferentes fases de sua vida. Tom Hiddleston é o nome principal, mas, se a gente parar pra analisar, ele nem faz tanta coisa ao longo do filme. Ainda sobre o elenco, uma curiosidade: Mia Sara, de A Lenda e Curtindo a Vida Adoidado, estava aposentada desde 2013, mas declarou que queria trabalhar com Mike Flanagan depois que viu Missa da Meia Noite.
E trabalhar com Flanagan deve ser bom, porque vários atores já estiveram em outros filmes / séries do diretor, como Karen Gillan e Annalise Basso (O Espelho), Samantha Sloyan e Michael Trucco (Hush), Jacob Tremblay e Carl Lumbly (Doutor Sono), Rahul Kohli (A Maldição da Mansão Bly), Heather Langekamp (O Clube da Meia Noite), Mark Hamill (A Queda da Casa de Usher), além de Kate Siegel, a sra. Mike Flanagan, que estava em quase todos os filmes. Ah, Carla Gugino, que faz algumas narrações, também fez vários filmes do diretor – Nick Offerman faz as outras narrações. Ainda no elenco, Chiwetel Ejiofor, David Dastmalchian e Matthew Lillard.
Se heu pudesse alterar uma única coisa aqui, pegava a cena da professora falando do Walt Whitman e colocava mais pro final do filme. É uma cena onde o espectador atento pode pescar muita coisa. Acho que o impacto ia ser maior se a cena fosse guardada pra depois.
Grandes chances de A Vida de Chuck voltar aqui no Top 10 de melhores do ano.









