Casamento Sangrento: A Viúva

Crítica – Casamento Sangrento: A Viúva

Sinopse (imdb): A noiva retorna em uma nova e sinistra rodada do tradicional jogo de esconde-esconde, agora com elementos sobrenaturais e demoníacos.

Lançado em 2019, Casamento Sangrento foi uma boa surpresa. Mas, pra comentar este segundo, precisarei falar spoilers do primeiro filme. Ou seja, se você pretende ver o primeiro, sugiro que pare de ler agora!

Em Casamento Sangrento, Grace se casa com um cara de uma família muito rica e poderosa, e existe uma tradição onde cada pessoa que entra na família precisa jogar um jogo. Ela sorteia uma carta, e precisa jogar pique esconde. Mas com o detalhe: se alguém encontrá-la, ela morre. Ou seja, a clássica trama do personagem tendo que fugir pela própria vida, a gente já viu essa história várias vezes. Mas quem me acompanha sabe que não acho ruim reciclar ideias, só acho ruim quando é mal feito e o resultado fica ruim.

Mas Casamento Sangrento tinha um diferencial na última cena – e é aqui que terei que dar o spoiler. Durante todo o filme a gente acha que é uma família de malucos assassinos, até que, na cena final, a gente descobre que tem algo sobrenatural por trás disso tudo, e que a família tem um pacto com o demônio. Como Grace sobrevive, cada um dos membros da família explode! Se até aquele momento o filme estava bom, ficou ainda melhor com o final inesperado.

Este final dificultava uma continuação. Como vamos seguir com uma história onde a família toda morreu por causa de um pacto demoníaco? Essa era a minha maior dúvida com relação a este novo filme. Mas posso dizer que conseguiram bolar uma nova trama, coerente com a proposta do primeiro filme.

Casamento Sangrento 2 (Ready or Not 2: Here I Come, no original) começa exatamente do ponto onde o primeiro termina. Grace ainda está com o vestido de noiva, suja com o sangue das pessoas que morreram, com a casa pegando fogo atrás. Ela é levada a um hospital, e vai precisar responder à polícia. Mas… Descobrimos que outras famílias também fazem parte do pacto demoníaco, e Grace, agora acompanhada de sua irmã Faith, será mais uma vez caçada.

A direção é dos mesmos Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, que têm uma produtora chamada Radio Silence, e que ganharam reconhecimento com o filme de 2019, e depois fizeram Abigail, Pânico 5 e Pânico 6. Manter o diretor costuma ser uma boa notícia para a qualidade de uma continuação.

Existe uma “regra não escrita” de continuações que diz que uma sequência precisa ter tudo que tinha no primeiro, mas em maior quantidade. Não sei se os diretores pensaram nisso, mas aqui é tudo maior. Se o primeiro filme era todo dentro de uma casa, este é num enorme resort. Se naquele filme era uma família, aqui são várias, com vários personagens exagerados e caricatos (alguns deles são ótimos!). Além disso, Casamento Sangrento 2 é MUITO violento. Mas não é aquela violência tensa e desagradável, o filme é muito engraçado, quem curte humor negro vai se divertir. Heu ri alto várias vezes ao longo do filme!

O elenco é bom. Samara Weaving é a única que volta (afinal, todo o resto do elenco morreu…), e faz uma boa dupla com Kathryn Newton (que tinha trabalhado com os diretores em Abigail). Uma coisa legal foi ver David Cronenberg num papel pequeno (sim, o diretor de A Mosca, Scanners, Videodrome, Gêmeos, etc). Sarah Michelle Gellar tem um papel importante, assim como Elijah Wood – a ironia é que ele também precisa lidar com um anel de poder. Também no elenco, Shawn Hatosy, Olivia Cheng, Nestor Carbonell e Kevin Durand.

Gostei de Casamento Sangrento 2, foi melhor do que heu esperava, mas preciso reconhecer que o roteiro tem umas facilitações no terço final. E aquela cena final foi bem forçada, acredito que não seria tão fácil. Felizmente, nada grave.

Casamento Sangrento não precisava de uma continuação, o final é redondinho. Mas pelo menos a continuação foi bem feita. Quem curtiu o primeiro vai gostar do segundo.

Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (2025)

Crítica – Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (2025)

Sinopse (imdb): Um grupo de amigos é aterrorizado por um perseguidor que sabe de um incidente horrível do passado deles.

Antes de tudo, preciso reclamar do título do filme. Já existe um “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado” lançado em 1997. Se este é outro filme, deveria ter outro nome. Lançar uma continuação com o mesmo nome é uma ideia péssima! Pânico 5 tem o mesmo problema, o nome em inglês é igual ao primeiro filme, “Scream”. O mesmo aconteceu com o prequel de O Enigma de Outro Mundo, são dois filmes chamados “The Thing”. Galera, se o nome já foi usado, que tal colocar um nome diferente, ou então um número? Por que não chamar este de “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado 4”?

Enfim, vamos ao filme. Uma onda recente em Hollywood é o “requel”, mistura de “reboot” com “sequel”. É um filme feito muito tempo depois do primeiro filme, com elenco novo que pode começar uma nova franquia, mas que traz elementos do original. Vimos isso em Pânico, Halloween, Caça Fantasmas, Karate Kid e até Star Wars. Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (I Know What You Did Last Summer, no original) é mais um exemplo de requel.

(Lembrando que Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado era um “sub Pânico”, ambos foram escritos por Kevin Williamson. Só que Pânico, lançado um ano antes, é bem melhor.)

A história é parecida com o primeiro filme, um grupo de jovens se envolve em um acidente, mas resolvem não contar pra ninguém, até que um ano depois começam a receber ameaças, e logo depois assassinatos começam a acontecer.

Mas este novo filme já erra na premissa inicial. Porque no filme de 1997, o grupo atropela uma pessoa, e em vez de prestar socorro, levam o atropelado para ser jogado no mar. Detalhe: o cara ainda estava vivo! No novo filme, eles estão no meio da rua, um carro desvia e bate – não foi necessariamente culpa de ninguém, foi um acidente. E eles ainda tentam ajudar! Você pode até dizer que o grupo de 2025 estava errado, mas numa proporção infinitamente menor que o de 1997!

Mas, ok, o filme segue. Slasher besta, algumas mortes aqui e ali, nada muito gráfico. Temos participações especiais de membros do elenco antigo, revemos alguns cenários do outro filme, nada demais, mas também nada que seja muito ruim. Rola até uma boa piada com o personagem mais famoso do currículo do Freddie Prinze Jr. Até que a parte final resolve inventar uma virada de roteiro que azeda todo o filme. Como é um spoiler gigante, só vou comentar no fim do texto.

Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado tem outro problema: as “final girls”, Madelyn Cline (Glass Onion) e Chase Sui Wonders (Morte Morte Morte), não têm muito carisma, o que dificulta o espectador a torcer por elas. O filme ainda traz alguns jump scares aqui e ali, mas nada digno de nota.

Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado estava se encaminhando para ser mais um filme genérico pra se ver num fim de semana no shopping e depois ser esquecido, até o tal plot twist final. Vamos a ele então.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

Ray Bronson, o personagem do Freddie Prinze Jr, sobrevivente do filme original, é o assassino. Galera, aquele cara, por tudo o que passou, NUNCA seria o assassino! Forçaram a barra e estragaram o filme!

FIM DOS SPOILERS!

Tem uma cena pós créditos, um gancho pra continuação, ligando com o segundo filme da série, Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, de 1998. Ou seja, vem continuação por aí.

Clerks III

Crítica – Clerks III

Sinopse (imdb): Dante, Elias, Jay e Silent Bob são recrutados por Randal após um ataque cardíaco para fazer um filme sobre a loja de conveniência que começou tudo.

Quando soube que tinha um terceiro O Balconista (Clerks III, no original), tive “mixed feelings”. Por um lado, fiquei feliz porque gosto muito do primeiro filme, por outro lado, tive pé atrás pelo passado recente do diretor Kevin Smith.

Antes, um pequeno parênteses pra quem não conhece o primeiro filme. O ano era 1994, e lembro de ter visto no Estação Botafogo uma comédia diferente, em preto e branco, com atuações bem ruins que eram compensadas por diálogos muito bem escritos. Quase automaticamente virei fã do diretor e roteirista Kevin Smith.

Nos anos seguintes, Smith foi criando um universo cinematográfico, o “view askewniverse”, onde alguns personagens às vezes se repetiam, e onde sempre tinham pontas do Jay e do Silent Bob (interpretado pelo próprio Smith). Foram mais cinco filmes: Barrados no Shopping, Procura-se Amy, Dogma, O Império do Besteirol Contra-Ataca e O Balconista 2.

Depois do segundo O Balconista, Smith resolveu mudar o estilo e experimentar outros formatos. Nada contra, gosto quando artistas fazem coisas diferentes. O problema aqui é que nenhum dos seus novos filmes foi tão bom quanto os primeiros. Pagando Bem Que Mal Tem, Tiras em Apuros e Red State são filmes legais mas não tão bons quanto os primeiros; não gostei de Tusk; e até curti Yoga Hosers, mas é um daqueles filmes que quase ninguém viu.

Até que, em 2019, a gente teve O Império do Besteirol Contra-Ataca 2, divertido, mas só pra quem era fã do primeiro.

E agora? Será que a gente precisava de um novo O Balconista?

Precisar, não precisava. Mas, olha, posso dizer que Kevin Smith fez seu melhor filme em muito tempo!

Mas preciso dizer que minha análise terá um peso emocional. Porque sei que este foi um filme feito para os fãs do primeiro filme. (E a minha idade também é semelhante à idade dos personagens, outra coisa que me aproxima.) Ou seja, se você não gosta do estilo do diretor, não recomendo. E se você não conhece, vai perder boa parte das piadas.

(Sim, precisa conhecer o primeiro filme, mas não precisa lembrar do segundo).

Kevin Smith trabalhou em uma loja de conveniência, e isso serviu de inspiração para seu primeiro filme. Smith sofreu um ataque cardíaco em 2018, e mais uma vez usou como inspiração. Randal sofre um ataque cardíaco e resolve fazer um filme – justamente o mesmo filme que a gente viu lá em 94.

Dante e Randal ainda trabalham na loja de conveniência (Randal trabalhava numa vídeo locadora, o novo filme precisava atualizar isso). Elias, que estava no segundo filme, ainda trabalha com eles. Claro que Jay e Silent Bob também estão por perto. E o novo filme ainda traz participações de Rosario Dawson e Jennifer Schwalbach (do segundo filme) e Marilyn Ghigliotti (do primeiro filme).

(Um pequeno parênteses: Silent Bob, claro, quase não fala. Mas de vez em quando ele fala alguma coisa. Aqui isso acontece, quando ele explica a opção por filmar preto e branco, numa das cenas mais divertidas do filme.)

Falando em participações especiais, tem uma cena onde temos várias, como Ben Affleck, Sarah Michelle Gellar, Freddie Prinze Jr., Danny Trejo, Anthony Michael Hall e Melissa Benoist, entre outros. Além de um cameo do Justin Long como enfermeiro.

Falei que precisava conhecer o filme original, porque algumas cenas são referências divertidas, como por exemplo o cara que fica analisando os ovos antes de comprar.

Às vezes o humor do filme é meio bobo. Mas isso sempre foi o estilo do diretor. E, nesse pacote, incluo algumas atuações caricatas, como a dupla Elias (Trevor Fehrman) e Blockchain (Austin Zajur). Acho isso ruim, mas entendo que faz parte do pacote.

Até mais ou menos dois terços, heu estava achando o filme divertido, mas meio bobo (como foi em O Império do Besteirol Contra-Ataca 2). Mas, na parte final, o filme conseguiu me pegar de jeito, e terminei o filme emocionado. O jeito como Kevin Smith termina seu filme fez O Balconista 3 subir vários degraus, é uma bela mensagem sobre amizade e amadurecimento.

Se você não viu o primeiro filme, ou se não gostou, ignore este terceiro. Mas, se você, assim como heu, é fã do primeiro, não perca este novo Balconista!