Fim de Semana Macabro

Crítica – Fim de Semana Macabro

Sinopse (Festival do Rio): Nikiya é uma órfã que se sente sozinha e anseia por uma família. Ela começa a encontrar um senso de pertencimento em seu noivo, Luke, e insiste para conhecer a família dele, que resiste à ideia. Para agradá-la e por amor a ela, Luke finalmente faz o sacrifício. Na visita à cidade natal dele, no interior, ao conhecer as pessoas, Nikiya descobre a verdade por trás do afastamento de Luke, revelando dinâmicas familiares obscuras e conflitos, transformando a viagem num pesadelo.

Já tinha ouvido falar de Nollywood, a indústria cinematográfica da Nigéria, mas nunca tinha visto nenhum filme de lá. Quando vi na programação um terror nigeriano, fui logo ver.

Um casal de namorados está planejando o casamento, mas ela insiste em conhecer a família dele. Relutante, ele aceita viajar com ela pra eles passarem um fim de semana com a família dele. E claro que tem algo de errado com a tal família.

Dirigido por Daniel Oriahi, Fim de Semana Macabro (The Weekend, em inglês) chamou a atenção por ser o primeiro (e até agora único) filme nigeriano a ser selecionado pelo Tribeca Festival, em Nova York. E é bom? Bem, vamos por partes. A ideia é boa, mas achei mal desenvolvida.

Quase sempre defendo que um filme original é melhor que uma refilmagem. São raros os casos de refilmagens melhores. Mas aqui acho que seria benéfico. Porque Fim de Semana Macabro tem erros básicos, vou citar dois exemplos. Um é erro de edição: um personagem está com as duas mãos para a frente – corta pra uma personagem falando “abaixe a arma” – corta pro primeiro personagem abaixando os braços e pegando uma arma. Caramba, era só trocar os takes! Outro erro, de sonorização: a gente sabe que muitos dos sons que a gente ouve são colocados depois, não eram sons que estavam acontecendo no set. Até aí, ok. O problema é que aqui alguns efeitos sonoros ficaram desproporcionais, como alguém apoiando um copo numa mesinha e o som é de vidro sendo arrastado; ou uma cena onde cortinas balançam ao vento, e o som do vento parece ondas em uma praia.

Algumas atuações também não são boas, como o pai do protagonista. Mas isso também acontece muito no cinema em geral…

O roteiro também tem algumas coisas que não fazem muito sentido, tipo o cara ser aprisionado, sem camisa, e só verem sua “marca de família” logo antes do momento onde ele seria executado. Ok, o espectador precisa saber da colheita, mas podiam ter contado de outra forma. E isso porque não estou falando de um fim de semana que dura vários dias…

Apesar desses problemas técnicos, achei uma boa experiência. O grande segredo guardado pelo roteiro não chega a ser um plot twist porque já era meio previsível, mas mesmo assim a história flui bem, o filme tem um bom ritmo. Só achei que podia ter um pouco mais de gore…

Fim de Semana Macabro foi um grande sucesso quando lançado nos cinemas nigerianos ano passado, e é recordista de indicações no Africa Movie Academy Awards, com 16 indicações – ganhou 4, incluindo melhor filme. Não tem cara de filme que vai ser lançado por aqui…

Coração de Lutador

Crítica – Coração de Lutador

Sinopse (imdb): A história do campeão de artes marciais mistas e do UFC, Mark Kerr.

De vez em quando a gente vê astros de blockbusters em projetos que parecem feitos para tentar ganhar prêmios de atuação. Chegou a vez do Dwayne Johnson.

Dono de um carisma enorme, Dwayne Johnson, também conhecido como The Rock, é um dos maiores nomes da Hollywood contemporânea. Mas, precisamos reconhecer que ele sempre está igual em todos os filmes, parece que sempre repete o mesmo personagem. E aqui, em Coração de Lutador (The Smashing Machine, no original), ele finalmente mostra que sabe atuar.

Pena que o filme não é lá grandes coisas…

Antes de tudo, preciso falar que não acompanho MMA. Nunca tinha ouvido falar de Mark Kerr. Ou seja, meus comentários serão só sobre o filme, não entrarei em comparações com a vida real.

Situado no fim dos anos 90, Coração de Lutador mostra três anos da carreira de Mark Kerr, numa época que o vale tudo era mais violento e pagava menos do que hoje. Kerr foi um nome importante para a época. Vemos algumas de suas lutas, ao mesmo tempo que acompanhamos seus problemas com drogas e um relacionamento nada saudável com a namorada Dawn (interpretada pela Emily Blunt, que já tinha trabalhado com Dwayne Johnson em Jungle Cruise).

A direção e o roteiro são de Benny Safdie, que fez o elogiado Joias Brutas (filme que não vi). Curiosamente, Joias Brutas também é estrelado por um ator com fama de fazer sempre o mesmo tipo de personagem, Adam Sandler. A diferença é que Sandler já tinha mostrado que sabe atuas em outros (poucos) filmes.

Coração de Lutador tem um problema grave: é um filme de luta com cenas de lutas mal filmadas. Alguns filmes que mostram esportes capricham em momentos decisivos, mas aqui não tem nenhuma cena memorável. Podiam ter pensado em melhores coreografias e ângulos de câmera. Lembro de Creed, um filme que não curti muito, mas que tem uma sensacional luta em plano sequência que vale o ingresso.

Sobre o Dwayne Johnson, li no imdb que ele teria perdido quase 30 kg para o papel. Mas como ele sempre foi um cara muito grande, confesso que nem reparei se ele estava menos forte. Agora, ele com cabelo ficou realmente diferente. Tem uma cena onde ele raspa o cabelo, aí volta a ficar o The Rock que a gente está acostumado.

Ah, sim, ele está atuando bem. Pela primeira vez, vemos Dwayne Johnson em um papel diferente do de sempre. Agora, se isso é o suficiente pra ganhar um Oscar, aí é outro papo – acabei de ver o Sean Penn em Uma Batalha Após a Outra, aquela atuação realmente merece um Oscar. Mas, sim, Dwayne Johnson está muito bem e provou que sabe atuar.

O único outro nome conhecido no elenco é Emily Blunt. Os outros dois nomes mais importantes do elenco, o amigo e o treinador, são interpretados por nomes ligados à luta na vida real: Ryan Bader, que é lutador, e Bas Rutten, ex lutador que treinou Mark Kerr.

Coração de Lutador não é lá grandes coisas, e ainda piora por causa de um final horroroso, daquele que deixa o espectador com gosto ruim na boca ao fim da sessão. O filme fala da carreira do Mark Kerr durante alguns anos no fim dos anos 90. Aí no fim tem um epílogo, nos dias de hoje, com o Mark Kerr real, num mercado, como se estivesse sendo filmado por um paparazzi. O problema é que se o espectador não conhece o Mark Kerr, fica se perguntando “quem diabos é esse cara?” Um filme mostrar fotos do personagem real durante os créditos é uma coisa legal. Mas um trecho de filme com o cara? Pra que???

Parabéns pro Dwayne Johnson, boa atuação. Agora aguardemos um filme melhor.

Uma Batalha Após a Outra

Crítica – Uma Batalha Após a Outra

Sinopse (imdb): Quando seu inimigo maligno ressurge após 16 anos, um grupo de ex-revolucionários se reúne para resgatar a filha de um dos seus.

Ao fim da sessão de imprensa, ouvi alguns amigos fazendo grandes elogios. Mais tarde, um amigo, ex crítico, cuja opinião heu respeito muito, me mandou uma mensagem: “filmaço”. Abri o youtube, vários vídeos com o título “melhor filme do ano”.

Caramba, será que fui o único que não achou isso tudo? Reconheço virtudes em Uma Batalha Após a Outra, mas se bobear nem vai entrar no meu top 10 de 2025.

Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another, no original) é o novo filme escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson, um cara que não faz filmes ruins – seus filmes mais fracos são melhores que o média do que é lançado no circuito. Heu particularmente sou muito fã de Boogie Nights, um de seus primeiros filmes.

Vamos aos elogios óbvios. O elenco está todo muito bem, mas preciso destacar Sean Penn, que faz um militar obcecado e completamente desequilibrado. Penn está assustador, cada olhar, cada gesto, até o jeito de andar, será uma surpresa se não for indicado ao Oscar. Leonardo DiCaprio também está excelente, ele faz um cara que acreditava numa causa mas com o tempo deixou a causa pra lá e agora vive chapado e paranoico, parece uma versão menos engraçada do “dude Lebowski”. E ainda tem o Benicio Del Toro, num papel menor, mas também ótimo.

Uma coisa que achei boa é que todos os personagens têm falhas de caráter – num mundo polarizado, seria fácil “escolher um lado”, mas aqui, todos os lados estão errados. O filme abre com Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor), uma mulher forte, guerrilheira contra o sistema – mas que é uma péssima mãe e ainda de dedurou os companheiros. O militar Lockjaw (Sean Penn), seu antagonista direto, poderia ser um símbolo da luta pelo que é correto – mas está tentando entrar para um seleto grupo de supremacistas brancos, uma espécie de Ku Klux Klan moderna. E o protagonista Bob (Dicaprio), como falei, vive bêbado e drogado.

Preciso falar da sensacional cena de perseguição de carros. A gente está acostumado a ver boas cenas de perseguição em filmes de ação, mas aqui a pegada é outra, outra proposta, outro ritmo. É uma longa estrada, reta, mas com ondulações que parecem uma montanha russa – lembro de uma estrada parecida no caminho de Rio das Ostras, o carro sobe e desce diversas vezes seguidas. Aqui, a câmera se posiciona de maneira que a gente vê os carros subindo e descendo, eles aparecem e somem logo depois. Foi uma sacada genial. E o desfecho da perseguição é muito bom.

A trilha sonora é estranha, parece que um gato está passeando em cima de um piano. Estranha, mas encaixa perfeitamente com o clima tenso do filme. Gostei!

Uma Batalha Após a Outra é bom, reconheço. Só que é um filme que não “me pegou”. Os atores são bons, os personagens são bem construídos, mas são pessoas desagradáveis, fica difícil se identificar e torcer por algum deles. Além disso, é longo demais, duas horas e quarenta e um minutos, me cansou. Reconheço os méritos, mas não achei tudo isso.

A Grande Viagem da Sua Vida

Crítica – A Grande Viagem da Sua Vida

Sinopse (imdb): Um conto imaginativo de dois estranhos e a inacreditável jornada que os conecta.

Quando recebi o convite para a sessão de imprensa de A Grande Viagem da Sua Vida, fui ver o imdb. Pelas imagens coloridas e pela sinopse “um conto imaginativo”, “inacreditável jornada”, achei que tinha cara de ser algo fora da caixinha. Podia ser ruim com força, ou podia ser uma agradável viagem.

A notícia é boa. A Grande Viagem da Sua Vida é um filme romântico, mas com um pé no bizarro. Isso o diferencia de outros filmes românticos bestas, como o recente Amores Materialistas, que é tão “água de salsicha” que nem tive vontade de comentar aqui no heuvi.

(Ouvi gente dizendo que A Grande Viagem da Sua Vida é uma comédia romântica. Olha, tem algumas cenas engraçadas (ri alto na piada sobre a idade da Margot Robbie), mas não chamaria este filme de comédia. O drama é bem mais forte.)

Logo de cara o filme já flerta com o fantástico. Coisas surreais vão acontecendo com os personagens, tipo conversar com o GPS do carro ou encontrar portas mágicas espalhadas pela paisagem. Nunca tinha ouvido falar do diretor Kogonada, fiquei até curioso em procurar outros trabalhos dele. Gostei de como ele conduz a história, sem explicar o que está acontecendo. Apenas relaxe e se deixe levar.

Claro que o grande chamariz para o filme é o casal de atores principais, Margot Robbie e Colin Farrell. Ambos estão muito bem, e convencem em suas jornadas. E foi divertido ver Colin Farrell cantando num teatro musical de escola. Aliás, o filme todo é basicamente só com os dois – Phoebe Waller-Bridge tem um papel pequeno no início e no final do filme, e Kevin Kline tem uma participação tão rápida que nem reconheci quando ele apareceu.

Também queria elogiar a trilha sonora de Joe Hisaishi, com temas que às vezes lembram o minimalismo do Philip Glass. A fotografia também chama atenção.

Por ser “fora da caixinha”, vai ter espectador incomodado. Mas heu gostei do filme romântico com um pé no bizarro.

Os Estranhos: Capítulo 2

Crítica – Os Estranhos: Capítulo 2

Sinopse (filmeB): Quando descobrem que uma de suas vítimas, Maya, ainda está viva, os mascarados retornam para terminar o que começaram. Em um pesadelo sem fim, sem ninguém em quem confiar, Maya se torna presa em uma caçada macabra, enquanto os Estranhos, movidos por uma sede insaciável de violência, a perseguem implacavelmente.

(O filme é tão qualquer coisa que a sinopse do imdb está errada, colocaram a sinopse do filme anterior, Os Estranhos Capítulo 1.)

Lançado em 2008, Os Estranhos era um terror meia boca, que gerava algum interesse por causa de misteriosos assassinos. O filme ganhou uma continuação igualmente meia boca em 2018, e uma refilmagem completamente desnecessária ano passado. E o pior de tudo: essa continuação foi feita em três partes: filmaram uma trilogia logo de uma vez. O problema é que Os Estranhos Capítulo 1 é ruim. Ou seja, como trazer público pra ver uma continuação de um filme ruim? Pior: uma continuação de um filme ruim, e que não vai ter final, porque ainda falta o terceiro filme?

(Taí, acho que a estratégia dos realizadores era “vamos logo gravar os três filmes, porque se a gente fizer só um e depois tentar vender uma continuação, ninguém vai topar. Então a gente vende o pacote fechado da trilogia, antes de descobrirem que o filme é ruim. Genial!)

Para surpresa de zero pessoas, Os Estranhos Capítulo 2 (The Strangers: Chapter 2, no original) é ruim, tão ruim quanto o primeiro. A direção é de Renny Harlin, já falei dele antes, é um cara que tem um currículo razoável no passado (Duro de Matar 2, Risco Total, A Ilha da Garganta Cortada), mas que de um tempo pra cá só tem feito bombas. Sr. Harlin, que tal a aposentadoria?

Como é o segundo filme de uma trilogia, a gente já sabe que a final girl Maya (Madelaine Petsch) não vai morrer. Mas ela sofre bastante, o filme inteiro ela está enfrentando problemas. Ela só não sofre tanto quanto o espectador na sala de cinema.

O filme começa onde o anterior termina: a protagonista Maya está num hospital. Aí o assassino começa a persegui-la. Ela foge por vários corredores, com o cara atrás, mascarado e com um machado na mão. Como é que não tem NINGUÉM no hospital?

Não sabemos ainda por que os assassinos matam, se existe algum motivo para escolher as vítimas ou se é algo aleatório. Pelo que entendi, eles matam forasteiros, afinal, é uma cidade pequena, a população local ia reagir – mas isso é a minha interpretação. Se heu estiver certo, por que matar o faxineiro do necrotério, e depois a mulher da casa perto do hospital?

No meio do sofrimento da protagonista, tem uma cena onde ela é atacada por um javali. Não é exatamente um problema, mas é uma cena desnecessária. Pra que? Fiquei com pena do javali!

Provavelmente pra esticar a história, resolveram inventar um passado para os assassinos mascarados. Vemos flashbacks com a infância dos assassinos. Ficou bem tosco, será que vão querer humanizar os vilões no terceiro filme?

O roteiro ainda traz uns furos enormes. Nem vou reclamar de erros pequenos, como, uma cena onde Maya acorda e vê que todos os cortes que ela teve na floresta e na luta com o javali agora estão com pontos – mas a testa dela continua com a ferida aberta. Caramba, se vai fechar outros cortes com pontos, pra que deixar um aberto? Mas não reclamo desta cena porque tem coisa pior. Tem uma cena onde ela está sozinha num quarto. Uma das mascaradas tenta abrir a porta (depois a gente descobre que os mascarados já tinham invadido a casa). Ela consegue empurrar a invasora e tranca a porta. Mas tinha outra dentro do quarto. Oi? Por onde ela entrou? E se já estava no quarto, por que não atacou antes?

Heu podia falar mais, tipo uma cena onde Maya ataca uma das mascaradas enfiando um ancinho na barriga dela, mas o filme esquece essa vilã ferida. Ou outra, onde Maya está sozinha na floresta e rasga o vestido pra cuidar do curativo na barriga. Moça, você está sozinha, ninguém vai ver se você levantar o vestido rapidinho! Não é melhor manter a roupa inteira sem rasgar?

Agora, o pior de tudo é que o filme não acaba. Em trilogias bem feitas e bem planejadas, cada filme traz um arco que se encerra e deixa ganchos para o filme seguinte. Aqui não. O filme simplesmente pára e aparece um “continua” na tela. O primeiro filme é ruim, o segundo filme é ruim, mas pra ver o fim da história, precisa ver um terceiro filme – provavelmente ruim também.

O primeiro filme esteve na minha lista de piores filmes de 2024. Provavelmente o segundo volta aqui na lista de piores de 2025.

Bambi: O Acerto de Contas / Bambi: The Reckoning

Crítica – Bambi: O Acerto de Contas / Bambi: The Reckoning

Sinopse (imdb): Depois que mãe e filho sofrem um acidente de carro, eles logo são caçados por Bambi, um cervo mutante e angustiado em uma fúria mortal em busca de vingança pela morte de sua mãe.

Ok, é o filme de terror do Bambi. Ninguém imaginava que seria bom. Principalmente porque faz parte do Poohniverse, ou TCU (Twisted Childhood Universe), que começou com aquele filme horroroso do Ursinho Puff. Nenhum dos filmes dessa galera tem qualidade.

Mas, olha, Bambi me surpreendeu. Consegue ser ainda pior do que o esperado!

O início é semelhante aos filmes do Ursinho Puff e do Popeye, um desenho animado minimalista contando que a mãe do Bambi morreu, depois o pai morreu, depois ele bebeu lixo contaminado e virou um monstro. Um monstro vingativo.

Aí parte pro filme de verdade, e logo vemos o Bambi monstrão atacando – na talvez pior cena de capotamento de carro da história do cinema. Quem me conhece sabe que não costumo reclamar de efeitos especiais, se estou reclamando é porque são realmente ruins!

O Bambi monstro é cgi. Pra ajudar a disfarçar, todas as cenas são escuras – coisa comum quando o cgi é de baixa qualidade. Algumas poucas cenas o Bambi parece convincente. Quase o filme todo ele está bem tosco. Acho que teria um resultado melhor se alternasse o cgi com um boneco animatrônico.

São duas tramas correndo em paralelo. Na principal, uma mãe está levando seu filho adolescente para um evento na família do ex. Enquanto isso, vemos um grupo de caçadores tentando caçar o Bambi monstro. Até aí, ok. Mas determinado momento a gente descobre que o ex da protagonista está no meio dos caçadores. Caramba, se ele sabia que havia um perigo na área, por que não avisou a família? Ele ainda leva seu filho pra lá!

O roteiro tem umas paradas que não fazem sentido. A vovó (sei lá qual é o nome da personagem) dá a entender que tem alguma ligação espiritual com o Bambi. Ok, podemos desenvolver algo em cima disso. Mas claro que o roteiro ignora essa conexão.

Isso porque não estou falando de bizarrices como o Bambi girar uma maçaneta com o casco. Sério, por que não colocaram uma maçaneta diferente, daquelas tipo alavanca?

Algumas mortes são ok. Mas nenhuma é memorável. O filme podia ter explorado mais o gore.

O elenco é de atores desconhecidos e ruins. Mas isso já era esperado, não chega a ser uma surpresa. E, sejamos justos: no mar de atuações ruins, até que a protagonista Roxanne McKee nem é tão ruim.

Pra não dizer que é tudo um lixo, gostei da cena dos coelhos. Nada muito genial, mas, gostei de como a ameaça se apresenta e gostei do desfecho. Se todo o filme fosse nessa pegada, seria bem melhor.

No fim, é apenas mais um filme desnecessário, só pra aproveitar que contos infantis estão caindo no domínio público. Pena que poucos têm qualidade. Se fossem na onda de The Ugly Stepsister, seria bem melhor pro fã de terror.

As Sete Vampiras (texto revisado e ampliado)

DEDE

Crítica – As Sete Vampiras

Sinopse (imdb): Um botânico é incapaz de lidar com uma planta carnívora que transforma suas vítimas em vampiros. Um detetive desajeitado e sua secretária são contratados para solucionar as mortes misteriosas que acontecem em um show em uma boate.

Depois da “trilogia Lael Rodrigues”, vamos para algo um pouco diferente.

Tive dúvidas se As Sete Vampiras poderia estar nesta playlist de filmes ligados ao rock nacional dos anos 80. Porque é muito mais um “filme do Ivan Cardoso” do que um filme ligado ao rock BR. Mas, a música As Sete Vampiras, feita para o filme, foi um grande sucesso, o Leo Jaime é um dos atores principais, e ainda tem participação especial da banda João Penca e seus Miquinhos Amestrados. Ou seja, por mim entra na lista.

(Sou muito fã de João Penca. Achei muito mais legal ver o João Penca aqui do que o Barão Vermelho em Bete Balanço ou o Metrô em Rock Estrela.)

As Sete Vampiras marcou minha adolescência, por três motivos, e reconheço que um deles é algo que não me orgulho. Gostava do filme porque tinha Leo Jaime e João Penca, e também gostava porque parte do filme se passa no Quitandinha, em Petrópolis, local onde morei por alguns meses quando tinha uns 8 ou 9 anos de idade. Foi legal ver na tela alguns cenários que fizeram parte da minha infância. O terceiro motivo não é muito nobre, é um guilty pleasure: vi As Sete Vampiras na minha adolescência, e gostava de ver as mulheres nuas – coisa bastante comum nos filmes do Ivan Cardoso, diga-se de passagem.

As Sete Vampiras é, na minha humilde opinião, o melhor filme dirigido pelo Ivan Cardoso – talvez o maior nome do trash brasileiro – conheço outros diretores que fazem filmes trash, mas nenhum teve o alcance do Ivan – talvez só o Zé do Caixão, mas, entre os dois, prefiro o estilo galhofa do Ivan. Ele mistura o terror com a comédia, foi com os seus filmes que conheci o termo “terrir” (que achei que era invenção dele, mas anos depois descobri que já existia em uma revista do fim dos anos 60!)

O roteiro é de Rubens Francisco Lucchetti, ou RF Lucchetti, nome não muito conhecido do grande público, mas cultuado no underground como “o papa do pulp no Brasil”. Além de As Sete Vampiras, Lucchetti escreveu roteiros para outros filmes do Ivan, como O Segredo da Múmia, O Escorpião Escarlate e Um Lobisomem na Amazônia (além de alguns filmes do Zé do Caixão). Recentemente ouvi falar do seu nome quando a Vigor Mortis lançou, em 2022, a webserie A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti, já comentado aqui no heuvi.

Vamos ao filme. A história é uma bobagem deliciosa. A trama envolve uma planta carnívora importada da África, vampiros, anos 50 e misteriosos assassinatos em série. E muitos clichês de filmes de terror, como um assassino mascarado empunhando uma faca, referência aos filmes giallo.

Aqui nada é para se levar a sério. Tem uma planta carnívora tosca tosca tosca, parece tirada de um seriado televisivo infantil tipo Castelo Rá Tim Bum. E ainda tem algumas referências divertidas, como o personagem do Nuno Leal Maia, Raimundo Marlou, homenagem ao escritor Raymond Chandler e seu personagem Philip Marlowe.

Rola MUITA nudez gratuita! Quase todas as atrizes tiram a roupa, e quase sempre sem justificativa – coisa normal nos filmes do diretor. O Helvecio adolescente curtia muito, mas hoje reconheço que é exagerado. Enfim, nudez gratuita sempre foi algo comum no cinema nacional. Aqui tem mais do que nos três filmes comentados nas últimas semanas, mas naqueles filmes também tem: Débora Bloch em Bete Balanço, Malu Mader em Rock Estrela e Lidia Brondi em Rádio Pirata.

O elenco conta com um monte de nomes interessantes, como Nuno Leal Maia, Leo Jaime, Nicole Puzzi, Lucélia Santos, Simone Carvalho, Susana Matos, Andréa Beltrão, Danielle Daumerie, Dedina Bernardeli, Tania Boscoli, Wilson Grey, John Herbert, Ivon Cury, Pedro Cardoso, Tião Macalé, Carlo Mossy e Colé Santana. Tem uma ponta do Dedé Santana, dizem os boatos que ele foi ao set para vigiar a namorada Susana Matos, mas não achei nada que confirme isso.

Foi muito legal rever o número musical com o Leo Jaime cantando a música As Sete Vampiras. Não reconheci todos os músicos da banda, mas dá pra ver o guitarrista Sergio Serra, que depois foi para o Ultraje a Rigor. E temos os quatro “miquinhos” do João Penca fazendo uma coreografia gaiata: Selvagem Big Abreu, Bob Gallo, Leandro (na época que encarnava o “guitarrista mascarado”) e Avellar Love.

Teve uma coisa no roteiro que achei estranha, mas não sei se posso dizer que é uma falha ou uma ousadia estilística. Alguns personagens terminam o filme como protagonistas, mas só aparecem no meio da trama, como os interpretados por Leo Jaime, Nuno Leal Maia e Andrea Beltrão, que entram no filme perto dos 40 minutos de projeção.

As Sete Vampiras não é um filme para qualquer público. Mas continuo gostando!

A Longa Marcha – Caminhe ou Morra

Crítica – A Longa Marcha – Caminhe ou Morra

Sinopse (imdb): Um grupo de adolescentes participa de um concurso anual conhecido como “The Long Walk”, no qual eles devem manter uma certa velocidade de caminhada ou levar um tiro.

É um bom ano pra quem gosta de adaptações de Stephen King. Já tivemos O Macaco e A Vida de Chuck. A Longa Marcha – Caminhe ou Morra é o terceiro de 2025. E mais pro fim do ano deve estrear O Sobrevivente.

O livro A Longa Marcha foi lançado em julho de 1978. Segundo a Wikipedia, foi o sexto livro escrito por Stephen King, sob o pseudônimo de Richard Bachman (por coincidência, em O Sobrevivente ele também usou o mesmo pseudônimo). Segundo o imdb, George Romero pretendia adaptar o livro em 1988, mas não rolou. Anos depois, nos anos 2000, Frank Darabont chegou a comprar os direitos, mas não desenvolveu o filme e o prazo expirou.

Por que demorou tanto tempo? Não sei. Mas, visto hoje, parece uma versão de filmes de distópicos para jovens adultos, como Jogos Vorazes. Quando Stephen King escreveu o livro, ele tinha em mente a Guerra do Vietnã, e como jovens eram levados para a morte. Mas, nos dias de hoje, quando estamos acostumados com reality shows, a trama ganhou outro olhar. 50 jovens participam de uma prova onde precisam andar, sempre no mesmo ritmo. Quem parar ou apenas diminuir o ritmo morre executado. O jogo só acaba quando só sobra um vivo. Consigo ver essa prova – sem as mortes – transmitida pela tv.

A direção é de Francis Lawrence – coincidência ou não, diretor de três Jogos Vorazes. O roteirista é JT Mollner, do excelente Strange Darling. Admito que quando li o nome do roteirista, achei que veria algo fora do convencional, mas, diferente daquele filme, o roteiro aqui é linear. Mesmo assim, o roteiro é muito bom, são muitos bons diálogos, dá vontade de continuar acompanhando aquela galera e suas histórias.

O protagonista Cooper Hoffman declarou que durante as filmagens eles andavam 15 milhas por dia – disse que foram 400 milhas no total. Parte do cansaço mostrado pelos personagens é real! As filmagens foram em ordem cronológica, e os atores não se conheciam antes. Ao longo dos dias de filmagem andando, eles foram se conhecendo melhor. Boa sacada, isso acontece com os personagens ao mesmo tempo que com os atores.

O elenco traz jovens ainda pouco conhecidos, como Cooper Hoffman (Licorice Pizza), David Jonsson (Alien Romulus), Ben Wang (Karate Kid Lendas) e Roman Griffin Davis (Jojo Rabbit). São apenas dois nomes famosos entre os “adultos”, Judy Greer, como a mãe do protagonista, e Mark Hamill como o Major, o grande símbolo do autoritarismo desta sociedade distópica.

A Longa Marcha está sendo vendido como filme de terror. Acho isso um erro. O filme fica entre o thriller e o drama, não tem nada de terror. Talvez apenas a primeira morte seja um pouco mais gráfica. Provavelmente vai ter espectador decepcionado nas salas de cinema.

Queria comentar a cena final. Mas, claro, é a cena final, preciso de um aviso de spoilers.

SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!

No fim, sobram os dois principais, que chegam a um local onde tem uma multidão em volta. Quem ganhar tem direito a um desejo. Ray diz que ia pedir uma carabina pra matar o Major – que anos antes matou seu pai. Mas Ray desiste da prova pra deixar McVries ganhar. McVries então resolve vingar o amigo, pede a carabina e mata o major. Depois, larga a carabina no chão, e segue andando. Mas vejam que ele agora está sozinho, não tem mais ninguém em volta. Cadê a multidão? O filme não deixa claro, mas a minha interpretação é que mataram ele quando atirou no major. O que você acha que aconteceu?

FIM DOS SPOILERS!

A Longa Marcha teve uma sessão em SP com esteiras para alguns espectadores assistirem ao filme andando. Boa ideia, deve ser uma boa experiência, pena que não teve no Rio.

Animais Perigosos

Crítica – Animais Perigosos

Sinopse (imdb): Quando uma surfista é sequestrada por um serial killer obcecado por tubarões e mantida em cativeiro no barco dele, ela precisa descobrir como escapar antes que ele a jogue como alimento para os tubarões no mar.

Era uma ideia promissora. Um filme de tubarões, mas onde o verdadeiro vilão é um humano. Pena que o desenvolvimento não foi lá grandes coisas.

A direção é do australiano Sean Byrne, que chamou atenção com projetos anteriores, mas que nunca se firmou como um grande nome, provavelmente porque demora muito a lançar um filme novo – seus últimos projetos foram The Loved Ones, de 2009, e The Devil’s Candy, de 2015. Este é seu terceiro longa.

Animais Perigosos (Dangerous Animals, no original) até começa bem, logo na sequência inicial conhecemos o vilão e como ele trabalha. Em menos de dez minutos já temos tubarões e e o primeiro assassinato – além de uma nova versão de Baby Shark.

O melhor de Animais Perigosos são os dois personagens principais, o vilão interpretado por Jai Courtney e a final girl de Hassie Harrison. Jai Courtney, que recentemente fez um vilão meio caricato naquele Esquadrão Suicida todo errado, aqui encontra o ponto exato, ele é canastrão e assustador ao mesmo tempo – tem uma cena muito boa com ele dançando alucinado.

“Filme de tubarão” é um nicho popular. O verdadeiro vilão de Animais Perigosos é humano, mas o filme ainda traz algumas boas cenas com tubarões. Mas a maior violência aqui é vinda da ação de humanos mesmo.

Animais Perigosos não é um grande filme, mas tem o seu público.

Opinião de crítico vs opinião de fã

Opinião de crítico vs opinião de fã

Hoje o texto vai ser um pouco diferente. Está rolando uma treta no youtube nesse assunto crítico vs fã, e acho que tenho algo a acrescentar nesse assunto. Só não vou entrar em fofocas, ok?

Pra quem não viu: PH Santos fez um vídeo onde comenta que outro youtuber teria feito dois vídeos sobre o útlimo Jurassic World, o primeiro seria um “vídeo de fã”, elogiando o filme; o segundo, um “vídeo de crítica”, falando mal. Supostamente o primeiro vídeo teria sido patrocinado. PH Santos não fala nomes, mas fica claro que ele está se referindo ao Peter Jordan, do canal Ei Nerd.

Não conheço pessoalmente nenhum dos dois. Já troquei mensagens com o PH, teve uma época que ele ia gravar um Podcrastinadores, mas acabou não rolando. Acompanho os vídeos do PH, acho ele um dos melhores críticos do youtube, vejo sempre o canal dele (assim como o Otávio Ugá, o Dalenogare e a Isabela Boscov). Não costumo ver muitos vídeos do Peter, porque gosto mais de conteúdo de cinema, e o Peter fala de um monte de assuntos diferentes. Mas reconheço que seus vídeos são realmente mais “papo de fã” do que análise crítica. Mas, nada contra, não sou hater de nenhum dos dois.

Como está rolando essa treta, queria aproveitar pra comentar alguns pontos sobre essa carreira de crítico de cinema, e como heu vejo essa discussão “fã x crítico”, ou “público vs crítica”, que, acreditem, é assunto recorrente em papos entre críticos.

Vamos por partes. Estou nessa há pelo menos uns 15 anos, mas meu site e meu canal de youtube são bem pequenos, comparado com esses que citei. Como sou pequeno, nunca me ofereceram dinheiro pra fazer uma crítica elogiando um filme ruim. Devem existir casos assim, mas comigo nunca rolou. Será que, se me oferecessem uma boa grana, heu falaria? Sinceramente não sei responder isso. Mas posso afirmar que, até hoje, nunca rolou.

Frequento sessões de imprensa, e quando acho que um filme é ruim, falo que é ruim. Nunca aconteceu de alguém da assessoria reclamar sobre isso!

(Uma coisa que já fiz foi publicidade dentro do conteúdo. Por umas três ou quatro vezes, no Podcrastinadores, a gente gravou uma propaganda pra ir no meio do episódio – tipo product placement em filmes. Lembro de uma vez que falamos sobre uma marca de café, e lembro que achei o texto péssimo, porque a gente falava de café pra ficar acordado e não dormir vendo séries. Caramba, não bebo café pra ficar acordado! Bebo porque gosto! Humpf!)

Também existe uma “treta silenciosa” entre críticos e influencers. Tem muito influenciador que não saca nada de cinema ganhando brindes e sessões exclusivas, e já vi muita gente reclamando, afinal, o influenciador, na maior parte dos casos, tem um conteúdo muito raso. Já discuti com amigos críticos, porque entendo o lado da assessoria – o influenciador pode não entender de cinema, mas vai trazer público para o filme. Comentei isso no meu vídeo sobre Cidade Perdida, me colocaram numa sessão junto com a Narcisa, e não posso nem reclamar porque sei que um post dela vai ter um alcance muito maior do que um vídeo meu.

Dito isso, vamos ao segundo ponto: o que é uma crítica? Pra que serve uma crítica? Existe uma grande área cinza aí, tanto sobre quem escreve a crítica, quanto sobre quem a lê. Uma vez o Otávio Ugá fez um comentário que concordo 100%: quando você produz seu conteúdo, você deve colocar a sua vivência no seu texto. Critica é uma arte abstrata, você pode (e deve) mencionar elementos técnicos sobre o filme, mas faz parte você incluir como aquela obra te tocou. Pelo menos pelo meu ponto de vista, não é só um “gostei” ou “não gostei”, mas o “gostei” ou “não gostei” é parte essencial do conteúdo a ser produzido. E posso estender o comentário a quem está consumindo a crítica. Alguns vão preferir um texto mais frio e mais técnico, enquanto outros vão preferir algo mais “papo de fã”. Pessoas diferentes produzem conteúdos diferentes e consomem conteúdos diferentes.

Vou falar do meu caso. Gosto de ver filmes desde que me conheço por gente. E desde a minha adolescência, sempre procurei saber sobre bastidores dos filmes. Em tempos pré Internet, heu comprava livros e revistas, catava informações em qualquer lugar. E, depois de “velho”, ainda fiz vários curta metragens. Ou seja, quase sempre, quando vejo um filme, fico imaginando onde está o câmera, onde está a equipe, o que estava acontecendo em volta daquele set durante as filmagens. Ou seja, pra mim, é fácil fazer uma análise mais técnica e menos apaixonada. Já é algo natural começar a ver um filme analisando cada detalhe técnico.

(O mesmo acontece quando ouço música. Automaticamente já separo os instrumentos e analiso os arranjos…)

Mas… Existe um nicho onde o Helvecio fã fala mais alto que o Helvecio crítico: Star Wars! Conheço pessoas que falam mal do Star Wars ep 7 O Despertar da Força, mas o fanboy que habita em mim não consegue ver esses defeitos. Vi O Retorno do Jedi quando passou nos cinemas, em 1983, e desde aquela época heu sempre queria uma continuação. Quando lançaram Caravana da Coragem nos cinemas em 1985, acreditei que era uma continuação, mas não só não era, como o filme é péssimo! Quando estreou a trilogia prequel, 1999, 2002 e 2005, outra decepção, não era o que esperava. Até que, em 2015, vi o ep 7, e ao fim do filme estava tão impactado que mal consegui levantar da poltrona do cinema! Era o filme que passei trinta e dois anos esperando! Até hoje, é um dos meus favoritos dentre todos os onze filmes, ao lado dos dois primeiros, Guerra nas Estrelas e Império Contra Ataca.

Ou seja, entendo a visão do crítico, que comigo funciona quase sempre; mas também entendo como é a visão do fã. Se começa a tocar o tema do John Williams, o lado crítico se desliga e incorporo o lado fã.

Ainda existe o lance “critica vs público”. Alguns filmes ruins têm muito público – sempre lembro de Venom, filmes horrorosos mas sempre com boa bilheteria. Nesse caso, heu não saberia dizer o que determina o sucesso de público. E alguns amigos críticos muitas vezes reclamam. Mas é um tema que nem me incomoda muito, porque acho que todos são livres e podem ver o que quiserem. Só tenho pena dessas pessoas, porque poderiam estar vendo filmes bem melhores…

E agora vamos voltar à treta. Peter Jordan é um nome gigante no youtube, ele tem canais sobre vários assuntos, incluindo canais de negócios onde ele ensina as pessoas a ganharem dinheiro na internet. O próprio Peter fala que polêmica é bom para o engajamento! E aparentemente o PH Santos resolveu usar esse caminho: resolveu criar uma polêmica com um cara famoso.

E qual é a minha opinião sobre isso? Bem, por um lado o Peter realmente parece ter feito o vídeo sob encomenda. Se recebeu algo por isso ou não, não se sabe. Mas realmente ficou estranho ter dois vídeos com opiniões opostas. Agora, por outro lado, se o público do Peter curte, o que o PH tem a ver com isso? Deixa o cara fazer os vídeos pro público dele, ora! Tem um amigo meu que faz vídeos em um formato que heu não gosto, mas, ele tem milhares de views por vídeo. Ele tá errado? Claro que não!

Resumindo: ambos parecem estar atrás de views. E pelo jeito conseguiram.