A Maldição da Múmia

Crítica – A Maldição da Múmia

Sinopse (imdb): Uma família se depara com uma múmia ancestral, desencadeando uma aventura sobrenatural que mistura terror e suspense em uma nova versão do monstro clássico.

Esqueça tudo o que você imagina sobre “filme de múmia”. Não é uma aventura como os filmes do Brendan Fraser,e também não é um terror com um antagonista embalsamado e enfaixado. A proposta aqui é bem diferente. Na verdade A Maldição da Múmia (The Mummy, no original) parece mais um filme de exorcismo do que de múmia.

A direção é de Lee Cronin, que fez um bom trabalho com o Evil Dead de 2023 (tenho minhas ressalvas com esse filme, mas reconheço que é bem melhor que o de 2013). Mais uma vez Cronin mandou bem – também tenho algumas ressalvas aqui, mas igualmente reconheço os méritos. E parece que ele queria fazer uma mistura de O Exorcista com Evil Dead. O “vilão” aqui é um demônio, e não a múmia em si.

A Maldição da Múmia tem muito gore. Algumas cenas vão fazer parte do público ter ânsias de vômito – teve uma em particular envolvendo líquido de embalsamento que me embrulhou o estômago, e isso porque não estou falando da cena das unhas. E Lee Cronin é muito eficiente ao criar um clima de tensão ao longo de todo o filme. A Maldição da Múmia não é filme de jump scare, está mais próximo do terror da A24 (apesar de ser Blumhouse). Outro ponto positivo é apostar mais em efeitos de maquiagem do que cgi.

O roteiro tem umas forçadas de barra. Pra que precisariam transportar o sarcófago de avião? Pra onde estavam levando? A policial egípcia precisava ter vindo até os EUA, com uma fita VHS, sem avisar? Quem ainda tem um videocassete em casa? E na cena final, esqueceram do personagem da irmã mais nova. Mas não é nada grave, a gente vê vários filmes por aí com roteiros cheios de facilitações e que trazem resultado inferior a este.

O elenco não tem muita gente conhecida. Heu só conhecia o pai, Jack Reynor, que faz o irmão mais velho em Sing Street. Mas heu quero fazer um elogio: parte do filme se passa no Egito, com atores egípcios. E são diálogos na língua deles – acho que é árabe. Isso mostra uma evolução em Hollywood, se fosse anos atrás, tudo ia ser em inglês.

A Maldição da Múmia é um pouco longo demais, são duas horas e quatorze minutos, acho que dava pra secar um pouco e ser um pouco mais objetivo. Mas mesmo assim o resultado foi positivo.

A Morte do Demônio: A Ascensão

Crítica – A Morte do Demônio: A Ascensão

Sinopse (imdb): Beth visita sua irmã mais velha, Ellie, que está criando 3 filhos em um apartamento apertado em Los Angeles. Sua reunião é curta quando eles encontram um livro demoníaco, The Necronomicon Ex-Mortis.

Antes de falar do filme, posso faltar um pouco sobre o mercado cinematográfico? Evil Dead é uma marca muito forte. O primeiro filme, de 1981, é um clássico incontestável e revolucionário. Foram duas continuações, um remake, e três temporadas de uma série de TV (isso porque não vou entrar em outras mídias). Resumindo: Evil Dead é uma franquia importante.

Fazer parte de uma franquia dessas tem um ponto positivo, que é trazer público. Mas também tem um ponto negativo: A Morte do Demônio: A Ascensão não é exatamente ruim, mas é bem inferior ao outro A Morte do Demônio. E, por fazer parte da franquia, a comparação é inevitável.

Escrito e dirigido por Lee Cronin, A Morte do Demônio: A Ascensão tem seus pontos positivos. Para manter o espírito da franquia, rolam travellings de câmera, muito gore e litros de sangue, e ainda tem uma motosserra e um olho voando (e também tem uma referência a O Iluminado). Além disso, a trilha sonora é boa e a vilã é excelente.

Uma das minhas críticas à versão de 2013 era que tinham feito um filme sério. Se você quer fazer parte de uma franquia, tem que respeitar as características dessa franquia. E a galhofa é uma das características mais marcantes dos três filmes dirigidos por Sam Raimi. Este novo A Morte do Demônio: A Ascensão não é tão galhofa quanto a trilogia original, mas tem uma boa dose de humor negro.

O humor negro ajuda a amenizar a quantidade de gore e de sangue. Neste aspecto, A Morte do Demônio: A Ascensão não decepciona: tem MUITO sangue, principalmente na parte final (segundo o imdb, foram usados 6.500 litros de sangue artificial). Ah, outra coisa: gostei de algumas sacadas criativas sobre o posicionamento da câmera, como por exemplo uma cena mostrada através do olho mágico.

Não conhecia ninguém do elenco, mas diria que todos estão bem. Vou além: gostei muito da Alyssa Sutherland, que faz a mãe. Ela é assustadora! Também no elenco, Lily Sullivan, Gabrielle Echols, Morgan Davies e Nell Fisher.

Falemos sobre o livro. A sinopse do imdb fala que é o Necronomicon, mas acho que não é o mesmo livro. E durante o filme falam que são três livros diferentes. Me parece que este é um livro semelhante, mas não é o mesmo dos outros filmes. Além disso, a gente precisa lembrar que a palavra “Necronomicon” é de autoria do H.P. Lovecraft, e não tenho ideia de como são os direitos autorais sobre isso, talvez tenham mudado por causa dos direitos.

Agora, na minha humilde opinião, o filme seria melhor se tirasse do título a parte “A Morte do Demônio”. Exatamente a mesma história: um garoto encontra um livro e um disco, e isso libera uma entidade que possui as pessoas. Ia vender menos ingressos, sei disso. Mas não ia ser comparado com o filme clássico, então ia ser um produto final melhor. Pena que no mercado de hoje em dia coisas assim são necessárias.