Foi Apenas um Acidente

Crítica – Foi Apenas um Acidente

Sinopse (imdb): Um pequeno incidente provoca uma reação em cadeia de problemas cada vez mais graves.

Reconheço que inicialmente tive preconceito com esse filme. Recebi o convite para a sessão de imprensa, mas depois se ler a sinopse não achei que o filme ia ser bom. Heu estava errado…

Foi Apenas um Acidente é o novo filme de Jafar Pahani, cineasta iraniano que sofre com restrições impostas pelo seu governo, mas nunca se calou e sempre continuou seu ativismo. Em 2010, o diretor foi condenado a seis anos de prisão e a uma proibição de 20 anos de exercer atividades cinematográficas, sob acusações de “propaganda contra o sistema”. Mesmo sob restrições legais, Panahi continuou a realizar filmes, muitos dos quais produzidos de forma semiclandestina. Este Foi Apenas um Acidente foi filmado escondido, sem autorização das autoridades islâmicas.

E seu novo filme é uma denúncia. Ou seja, tinha tudo pra ser um filme chato. Que nada! O filme entra num ritmo maluco de entrada e saída de personagens que às vezes até parece que estamos vendo uma comédia vaudeville. O filme anda por caminhos tão bizarros que tornam algumas cenas engraçadíssimas.

No filme, um mecânico encontra por acaso o homem que acredita ter sido seu torturador na prisão. Ele o sequestra decidido a se vingar, mas, na dúvida sobre como agir, acaba pedindo ajuda para outras pessoas, que se juntam numa trupe bastante eclética, capaz de gerar momentos tensos e engraçados ao mesmo tempo.

Foi Apenas um Acidente tem algumas características narrativas muito bem construídas. São vários personagens, todos traumatizados pelo torturador, mas cada um encara isso de um jeito diferente do outro. Será que torturar um torturador seria justo, ou seria se igualar a ele? Além disso, o fato da gente não saber se o cara sequestrado é ou não é o torturador ainda deixa tudo mais tenso.

Gostei de como Pahani posiciona sua câmera. São vários planos longos ao longo do filme – não sei se podemos chamar de plano sequência porque não vemos muito malabarismo das câmeras, o foco aqui é mais na atuação do que na câmera. O texto é denso, pesado, e a câmera vai seguindo os atores. Tem uma cena longa no meio de um deserto, a câmera vai de um lado para o outro, enquanto os atores discutem os problemas. E tem outra cena, muito boa, perto do fim, onde a câmera fica parada enquanto acompanhamos uma longa e tensa discussão.

(Não é um problema do filme, é um problema meu: quando vejo filmes em inglês, entendo a maior parte dos diálogos, então meus olhos prestam atenção parte nas legendas, parte no resto do filme. Aqui o filme não era dublado, acho que era em árabe. Às vezes heu queria prestar mais atenção nas atuações, mas não conseguia porque estava focado no texto das legendas.)

Foi Apenas um Acidente ganhou a Palma de Ouro em Cannes ano passado. Ainda não temos os indicados ao Oscar de filme internacional, mas provavelmente este será um dos adversários de O Agente Secreto.

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