Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida posterCrítica – Esquadrão Suicida

Estreou o aguardado Esquadrão Suicida!

Depois dos eventos de Batman Vs Superman, uma agência secreta do governo recruta presos com super poderes para executar perigosas missões em troca de clemência.

Uma grande expectativa acompanhava este Esquadrão Suicida (Suicide Squad, no original). Primeiro, porque é a continuação do “universo cinematográfico da DC” (assim como a Marvel faz há anos, agora a DC quer colocar todos os filmes no mesmo universo). Depois porque Batman Vs Superman, o outro filme da DC neste ano, foi muito criticado, e pelo trailer, este Esquadrão acertaria a mão.

Bem, não acertou. Esquadrão Suicida não chega a ser ruim, mas falta muito para ser um grande filme. E, por causa da expectativa alta, vai decepcionar muita gente.

Esquadrão Suicida começa bem, a apresentação da equipe funciona. Mas logo depois o roteiro, escrito pelo diretor David Ayer, escorrega em alguns pontos básicos, como por exemplo não saber dosar a importância de cada personagem no filme – o Capitão Bumerangue deveria ser um alívio cômico, mas as melhores piadas estão com a Arlequina; ou então o Crocodilo, que não tem nenhuma importância na trama, então inventaram uma cena subaquática para justificar sua presença. Além disso, o vilão é péssimo. E isso porque não estou falando do personagem que entra na trama sem introdução, só porque “a gente precisava matar um personagem, então pegamos um que ninguém ia se importar”.

Ouvi gente falando que o problema do filme é que tem pouco humor. Discordo. Esta é uma característica da DC, seus filmes são mais sérios que os da Marvel. O problema é o roteiro preguiçoso mesmo.

Pelo menos temos alguns destaques positivos no elenco. Rolava uma certa preocupação em ter um nome caro como Will Smith, afinal o filme é “do Esquadrão” e não “do Pistoleiro”. Claro que Smith virou o líder do grupo. Mas não achei que isso atrapalhou. Agora, quem rouba a cena é Margot Robbie, muito bem como a Arlequina, que era pra ser coadjuvante, mas podemos dizer que é virou um personagem central. Também gostei de Jay Hernandez como o Diablo. Por outro lado, Jared Leto foi uma grande decepção como o novo Coringa. Não só ele tem pouca importância no filme (tire suas cenas, nada muda), como sua interpretação nos deixa com saudades do Heath Ledger… Ainda no elenco, Viola Davis, Cara Delevingne, Joel Kinnaman, Jai Courtney, Adewale Akinnuoye-Agbaje, David Harbour e Karen Fukuhara, além de uma ponta não creditada de Ben Affleck. A trilha sonora também é muito boa.

Talvez a DC devesse arriscar mais. No início do ano, Deadpool mostrou que um filme baseado em quadrinhos de super heróis pode ser violento. Com um pouco mais de violência, e usando de maneira correta o Coringa (como a Marvel fez com o Homem Aranha em Guerra Civil), talvez o resultado fosse melhor. Ah, claro, um bom roteirista também não deveria ser dispensado.

Jason Bourne

Jason BourneCrítica – Jason Bourne 

O ex-agente mais perigoso da CIA está de volta para descobrir verdades ocultas sobre o seu passado.

Depois do terceiro filme do personagem Bourne, parece que Matt Damon teria dito que queria largar a franquia para diversificar a carreira. Pelo jeito, mudou de ideia e repensou a decisão – afinal, só dá franquia no cinema blockbuster contemporâneo.

Pelo menos este novo Jason Bourne (idem no original) mantém a qualidade da franquia. Inclusive o diretor é o mesmo Paul Greengrass do segundo e terceiro filmes.

A volta de Greengrass é uma boa notícia para os fãs da franquia, porque garantiu o padrão. Mas preciso confessar que não gosto do estilo do diretor, de usar câmera tremida na mão o tempo todo. Isso inclusive atrapalha nas cenas de ação. Na minha humilde opinião, o filme seria bem melhor se a câmera temesse menos.

Agora, o problema real de Jason Bourne é que a gente já viu tudo isso antes. Se o primeiro Bourne, lá longe, em 2002, inovou e revolucionou o conceito dos espiões no cinema contemporâneo, este novo é apenas mais um bom filme de ação.

Pelo menos Jason Bourne é um filme competente. Os fãs da franquia vão curtir. E admito que, mesmo com a câmera tremida, a “obrigatória” cena de perseguição de carros é de tirar o fôlego.

Outro destaque é o elenco. Além da volta de Damon e Julia Stiles, o filme também conta com a recém oscarizada Alicia Vikander, além de Tommy Lee Jones e Vincent Cassel.

Enfim, nada de novo. Mas vai agradar os fãs.

A Lenda de Tarzan

A Lenda de Tarzan posterCrítica – A Lenda de Tarzan

Este ano já teve um novo Mogli. Por que não um novo Tarzan?

Agora vivendo como aristocrata na Inglaterra, Tarzan volta à África para investigar um suposto caso de tráfico de escravos.

Comparei com Mogli, né? Bem, a comparação não é correta. Os personagens são muito parecidos, mas os dois filmes de 2016 não têm a mesma proposta. Enquanto Mogli é uma versão live action do desenho, A Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan, no original) traz uma nova história do Rei da Selva.

Dirigido por David Yates (que dirigiu os quatro últimos Harry Potter), A Lenda de Tarzan é um filme correto, com bom elenco e bons efeitos especiais mas que, infelizmente, não empolga. Sabe quando você junta os ingredientes certos, mas a massa desanda? Pois é…

Outra coisa: o personagem de Samuel L. Jackson tenta ser um alívio cômico, mas não funciona. Um cara daqueles, americano, urbano, NUNCA conseguiria acompanhar o ritmo do Tarzan pela selva. Entendo sua presença em algumas cenas (porque o Tarzan precisava conversar com algum humano, pra contar ao espectador o que acontecia na história), mas digo que ele atrapalhou mais do que ajudou.

Pelo menos a parte visual do filme é ótima. Assim como aconteceu em Mogli, a qualidade do cgi é excelente, os animais e cenários estão perfeitos. Nisso o filme acertou.

O elenco tem um monte de nomes legais, como o vampiro Eric, a Arlequina, o Nick Fury, o Hans Landa e o Korath – quer dizer, Alexander Skarsgård, Margot Robbie, Samuel L. Jackson, Christoph Waltz e Djimon Hounson. 🙂

Enfim, os menos exigentes vão curtir. Mas o Tarzan ainda merece um filme definitivo.

X-Men: Apocalipse

x-men-apocalipseCrítica – X-Men: Apocalipse

No meio de tantos filmes de super heróis, chega a vez de mais um X-Men.

Os X-Men se mantêm unidos em benefício do futuro de todos os mutantes. Porém terão que enfrentar um grande inimigo: Apocalipse, o primeiro mutante.

Mais uma vez dirigido por Bryan Singer (responsável por quatro dos seis filmes dos mutantes), X-Men: Apocalipse (X-Men: Apocalypse, no original) tem dois problemas logo de cara. Um deles é que, como disse o Deadpool, a cronologia dos filmes é bagunçada – tivemos um meio reboot no filme anterior a este, e são muitos personagens. Fica muito difícil entender toda a lógica que rege os seis filmes.

O segundo problema é a evolução dos filmes de super heróis. Temos que respeitar o pioneirismo, X-Men (2000) e Homem Aranha (2002) abriram portas para o cenário atual (só este ano, são pelo menos seis filmes baseados em super heróis de quadrinhos!). Mas o sub gênero “filme de super herói” mudou ao longo desta década e meia. Um exemplo simples e recente: Capitão América Guerra Civil apresentou bem novos personagens, como o Pantera Negra, e soube equilibrar vários heróis ao longo da trama. Aqui, em X-Men: Apocalipse, temos personagens mal introduzidos e mal aproveitados – como Psylocke e Angel, por exemplo.

Relevando esses dois pontos, X-Men: Apocalipse é até interessante. Bom elenco, bons efeitos especiais, algumas cenas emocionantes… Não é um filme pra top 10 do ano, mas vai agradar a maioria.

Como aconteceu no filme anterior, o melhor aqui é a cena do Mercúrio usando a sua super velocidade. Outra cena boa tem a participação de um personagem muito famoso que não está creditado. Só estas duas cenas já valem o ingresso!

Pena que nem todo o filme tem esse pique. O vilão Apocalipse não mete medo em ninguém, e seus “assistentes” só têm alguma utilidade na sequência final. E, na boa, Magneto não pode ser escada pra ninguém.

O elenco tem pontos positivos e negativos. Os atores que vieram dos filmes anteriores, Michael Fassbender, James McAvoy, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult e Evan Peters, estão bem. Dentre os novos, o destaque positivo é Oscar Isaac, completamente diferente do Poe Dameron de Star Wars 7; o negativo é Sophie Turner, exatamente igual à Sansa Stark de Game of Thrones. Rose Byrne e Olivia Munn estão sub-abroveitadas; li nos créditos que Ally Sheedy (Clube dos Cinco) faz uma ponta como a professora do Scott, mas não reconheci na hora. Também no elenco, Alexandra Shipp, Tye Sheridan, Kodi Smit-McPhee e Ben Hardy.

X-Men: Apocalipse tem um problema curioso: como lidar com o star power da Jennifer Lawrence? A Mística era pra ser uma personagem secundária e a maior parte do tempo debaixo da maquiagem azul. Mas, me responda sinceramente, se você fosse o produtor de um filme com a Jennifer Lawrence, badalada e oscarizada, você não ia aproveitar a atriz? Claro que ela aparece demais. A gente entende, mas reconhece que isso prejudica o filme.

Ainda sobre o elenco, temos um pequeno problema de caracterizações. Este filme se passa 10 anos depois do filme anterior, e todos os personagens estão exatamente com a mesma cara. Aliás, todos não, logo o que não envelhece parece mais velho (o personagem não envelhece, mas o ator sim…). Acho que poderiam ter um trabalho um pouco mais elaborado nas maquiagens.

Sobre o 3D: os créditos iniciais usam bem o efeito. Mas no resto do filme não faz diferença.

Por fim, claro que tem cena pós créditos. Um gancho pra uma provável continuação…

p.s.: O roteiro se refere ao Apocalipse como “o primeiro mutante”. Será que esse pessoal já ouviu falar em teoria da evolução? Somos todos mutantes, né? 😉

Capitão América: Guerra Civil

Capitão América Guerra CivilCrítica – Capitão América: Guerra Civil

Interferências políticas nas atividades dos Vingadores provocam um racha entre os antigos aliados Capitão América e Homem de Ferro.

Pouco depois da estreia de Batman Vs Superman, temos outro filme onde dois heróis amigos brigam entre si. Se uns dez anos atrás, Batman e Superman eram nomes muito mais fortes que Homem de Ferro e Capitão América, hoje, com o sólido trabalho feito pela Marvel com o MCU (Marvel Cinematic Universe), podemos dizer que a balança está mais equilibrada. E, devido aos últimos bons filmes da Marvel, a expectativa para este Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, no original) era ainda maior que a do longa da DC.

O título fala como se fosse o terceiro filme do Capitão América, mas Capitão América: Guerra Civil parece mais um terceiro filme dos Vingadores. Tirando o Thor e o Hulk, todo mundo está presente. E a divisão do protagonismo entre o Capitão América e o Homem de Ferro é bem equilibrada.

Mais uma vez a direção coube aos irmãos Anthony e Joe Russo, que eram nomes desconhecidos até dois anos atrás, quando fizeram um excelente trabalho com Capitão América 2: O Soldado Invernal. O trabalho dos irmãos é tão consistente que eles foram escalados para dirigirem os próximos dois filmes dos Vingadores!

O ritmo do filme é muito bom. Temos várias sequências de tirar o fôlego, como a cena inicial, que mostra os heróis em equipe, como um time bem treinado; ou a cena onde o Pantera Negra persegue o Bucky; ou ainda a sensacional sequência no aeroporto, onde vários heróis brigam, cada um no seu estilo. Só achei que o ritmo caiu um pouco no final – o final não é ruim, o problema é que o meio é melhor.

Já a parte técnica é impecável. Todas as lutas são muito bem coreografadas e editadas, vemos e entendemos tudo o que está acontecendo (diferente de alguns filmes por aí, com cenas escuras e/ou tremidas). E mais: logo no início, vemos uma cena com o Tony Stark de 25 anos atrás. Sim, um Robert Downey Jr rejuvenescido digitalmente está lá, e está perfeito!

Ah, o elenco e outro destaque. Temos a volta de Robert Downey Jr, Chris Evans, Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Jeremy Renner, Don Cheadle, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Paul Rudd e Emily VanCamp aos seus papeis nos vários outros filmes da Marvel. De novidade, temos Daniel Bruhl, Marisa Tomei, William Hurt, Tom Holland, Frank Grillo e Chadwick Boseman. Martin Freeman aparece num papel muito pequeno, acredito que ele deve voltar em outro(s) filme(s). Ah, claro, tem a tradicional ponta do Stan Lee.

Precisamos citar o humor. Como de costume na Marvel, o filme tem várias tiradas engraçadíssimas. Homem Aranha e Homem Formiga são ótimos alívios cômicos! E o Tony Stark de olho na tia May da Marisa Tomei está impagável!

Ah,o 3D. Blé como sempre.

Por fim, são duas cenas pós créditos. Uma depois dos créditos principais e outra no fim do filme. Não saia sem vê-las!

Batman vs Superman: A Origem da Justiça

BvS-1Crítica – Batman vs Superman: A Origem da Justiça

(Posso repetir piada?)

Depois do “filme mais assustador de todos os tempos da última semana”, temos o “filme de super heróis mais esperado de todos os tempos da última semana”!

Depois da destruição de Metropolis em Homem de Aço, algumas pessoas passam a achar que ter o Superman por perto pode não ser uma boa ideia. Batman, que estava presente na cidade, resolve se preparar para desafiar o Superman. Enquanto isso, um jovem Lex Luthor surge como uma nova ameaça.

Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice, no original) é a carta mais forte da DC para tentar recuperar o prejuízo causado pela Marvel nos últimos anos. E a notícia é boa: Batman vs Superman é um bom filme.

Enquanto a DC ainda pensava em “filmes solo”, a Marvel vinha formando um sólido universo cinematográfico (MCU – Marvel Cinematic Universe), construído por vários filmes, lançados ao longo de vários anos. Mas a DC ainda tinha uma forte carta na manga: simplesmente os dois super heróis mais icônicos da cultura pop. Batman e Superman sempre foram grandes nomes independente do cinema.

Então veio a cartada arriscada. Como numa mesa de pôquer onde o jogador está perdendo mas ainda tem boas cartas na mão, a DC apostou um “all in” e lançou logo um filme com os dois heróis, com a Mulher Maravilha de coadjuvante, e ainda abriu espaço para uma vindoura Liga da Justiça.

Cartada arriscada, mas funcionou. Boa notícia para os fãs de filmes de super heróis! Batman vs Superman: A Origem da Justiça pode não ser o melhor filme de super heróis do ano (vai ser difícil barrar Deadpool…), mas é um bom divertimento que vai agradar a maior parte dos fãs.

Como de costume nos filmes dirigidos por Zack Snyder, o visual do filme chama a atenção. Fotografia bem cuidada, figurinos excelentes e algumas boas sequências em câmera lenta. Os efeitos especiais são bem feitos, mas com algumas ressalvas (não gostei muito dos efeitos na cena da perseguição do Batmóvel) – acho que iremos rever este filme daqui a alguns anos e veremos que “perdeu a validade”, como aconteceu com Sucker Punch, do mesmo diretor.

A trama tenta trazer um equilíbrio entre os dois heróis, mas senti que este é um filme mais do Batman que do Superman. Aliás, o motivo da briga entre os dois me pareceu forçado. O trailer de Guerra Civil mostra um motivo mais forte para a briga do Capitão América com o Homem de Ferro do que todo o longa Batman vs Superman.

O elenco está bem. Muita gente torceu o nariz quando anunciaram Ben Affleck como Batman, mas acho que ele vai calar a boca dos críticos. Gal Gadot surpreende positivamente, ela parecia magra demais para interpretar uma guerreira amazona, mas funciona bem na hora do “vamos ver”. Já Jesse Eisenberg não ficou legal, seu Lex Luthor está parecido demais com o Coringa. Henry Cavill, Amy Adams, Diane Lane e Laurence Fishburne voltam aos seus papeis, e o filme ainda conta com Jeremy Irons, Holly Hunter e pontas de Kevin Costner, Lauren Cohan, Jeffrey Dean Morgan e Jason Momoa.

Pena que o filme ficou longo demais, não precisava ser um filme de duas horas e meia, chega a ser cansativo. Algumas cenas são desnecessárias. Vou dizer que até gostei da cena com um plano sequência do Batman lutando contra vários soldados, mas reconheço que é desnecessária – tire essa cena e o filme não perde nada. E a cena do sonho com o Flash saindo da tela não é apenas desnecessária – é ruim.

Não gostei do fim, mas não posso me aprofundar por causa de spoilers. Só digo que, se você tem coragem para sair do óbvio, que mantenha essa coragem até o fim.

No fim, apesar dos problemas, o saldo é positivo. Todos ganham com isso, porque o filme abre espaço para continuações dentro de um “DC Cinematic Universe”. Que venham cada vez melhores!

p.s.: Antes do filme, Zack Snyder aparece na tela para pedir que ninguém espalhe spoilers. Mais do que o seu trailer já espalhou, sr. Snyder? 😉

Caçadores de Emoção (1991)

point breakCrítica – Caçadores de Emoção (1991)

Falei aqui da refilmagem, por que não falar também do original?

Um agente do FBI se infiltra num grupo de surfistas, suspeitos de serem ladrões de bancos.

Virada dos anos 80 pros 90. Um filme que mostrava cenas de ação com esportes radicais, estrelado pelos galãs Keanu Reeves e Patrick Swayze, era sinônimo de filme de ação de sucesso. Visto hoje, ok, o filme envelheceu um pouco. Mas continua leve e divertido!

A direção é de Kathryn Bigelow, hoje mais conhecida como a primeira mulher a ganhar o Oscar de melhor diretora (em 2010, por Guerra ao Terror). Mas nessa época, Kathryn fazia filmes pop – não podemos nos esquecer do bons Quando Chega a Escuridão, filme de vampiros de 87; e Estranhos Prazeres, ficção científica misturada com suspense de 95.

Caçadores de Emoção (Point Break, no original) se baseia muito no carisma de seus dois protagonistas, Keanu Reeves e Patrick Swayze, ambos com a carreira em alta.Lori Petty faz o principal papel feminino, e talvez este seja o ponto mais alto na sua carreira; Gary Busey faz as caretas de sempre. Ah, para os fãs de Red Hot Chilli Peppers: um dos surfistas do grupo rival é Anthony Kiedis.

Claro que é um filme onde o saudosismo conta pontos. Revisto hoje por quem viu na época é uma coisa, mas não sei se funcionaria pra quem for ver hoje pela primeira vez.

Mas com certeza é melhor que a refilmagem…

Deadpool

DeadpoolCrítica – Deadpool

Um mercenário, ex soldado das Forças Especiais, é submetido a um experimento clandestino que o deixa com poderes de cura acelerados, e passa a usar o alter ego Deadpool.

O cinema de hoje tem um espaço generoso para filmes de super heróis, então dá pra arriscar com personagens pouco conhecidos e menos convencionais. Em 2014 tivemos Guardiões da Galáxia, um grupo de heróis que tinha um guaxinim e uma árvore entre eles; em 2015 foi a vez do Homem Formiga, que poucos sabiam quem era. E ambos constaram em listas de melhores filmes do ano. Agora temos um anti-herói politicamente incorreto, que fala besteira o tempo todo e sacaneia tudo e todos – inclusive ele mesmo. E, mais uma vez, forte candidato a listas de melhores do ano.

(Curiosamente, ambos os exemplos citados acima têm diretores com currículos de pouca expressão – James Gunn (Guardiões da Galáxia) e Peyton Reid (Homem Formiga). Deadpool é mais um exemplo, o filme foi dirigido pelo estreante Tim Miller.)

Tem gente que critica a Marvel por fazer filmes “engraçadinhos”. Pois bem, fico na dúvida se Deadpool é um “filme de ação bem humorado” ou uma comédia assumida. Desde os sensacionais créditos iniciais até a genial cena pós créditos, o filme não se leva a sério nunca! Gosto muito do humor presente aqui, cheio de referências e alfinetadas a muitos outros filmes – inclusive as duas outras incursões de Ryan Reynolds ao universo dos heróis são citadas. Além disso, temos muita metalinguagem e várias quebras da quarta parede. É, definitivamente este filme está bem longe da proposta “realista” do Batman do Christopher Nolan.

Não é só o humor que distancia Deadpool dos outros filmes da Marvel. O filme é muito mais violento que o padrão “sem sangue” que estamos acostumados. Também tem alguma nudez e algum sexo, nada excessivo, mas maior que a “média Marvel”.

Sobre o elenco: finalmente Ryan Reynolds tem um papel de super herói para se orgulhar. Ele foi o protagonista daquele desastroso filme do Lanterna Verde; depois fez um Deadpool todo errado naquele filme todo errado do Wolverine. O acompanham no elenco a brasileira Morena Baccarin, Gina Carano, Ed Skrein e T.J. Miller.

Deadpool não faz parte do MCU, o “Marvel Cinematic Universe” (Universo Cinematográfico da Marvel), o filme é da Fox, e não vai se comunicar com a galera dos Vingadores. Mas pelo menos tem um cameo do Stan Lee pra validar o “selo Marvel”.

Claro, tem gente que não vai gostar. Quem reclama das piadinhas presentes nos outros filmes da Marvel, por exemplo. Não é o meu caso. Como acredito na frase “cinema é a maior diversão”, adorei Deadpool. Que venham outros assim!

Caçadores de Emoção: Além do Limite

Caçadores de Emoção Além do LimiteCrítica – Caçadores de Emoção: Além do Limite

E a onda de refilmagens continua!

Um jovem agente do FBI se infiltra num grupo que pratica esportes radicais, suspeitos de estarem por trás de audaciosos e sofisticados golpes terroristas.

Antes de tudo, precisamos reconhecer que o primeiro Caçadores de Emoção, lançado em 1991, dirigido pela Kathryn Bigelow na época que fazia filmes pop (antes de fazer filmes sérios e ganhar o Oscar), era uma grande e divertida bobagem. Por que sua refilmagem não seria o mesmo?

Tendo isso em mente, Caçadores de Emoção: Além do Limite (Point Break, no original) não é um filme exatamente ruim. É um filme com a mesma pegada pop do original: belas imagens, esportes radicais, alguma dose de ação e um fiapo de história pra justificar isso. Com a vantagem de ter mais opções nos esportes radicais.

O novo Caçadores de Emoção ainda tem um mérito: o roteiro escrito por Kurt Wimmer traz uma adaptação da história para os dias de hoje, quando baseia a ação dos terroristas em oito grandes desafios de esportes radicais – assim eles não são apenas ladrões, eles têm uma motivação espiritual.

Pena que vários aspectos do filme ficaram devendo. A principal personagem feminina do filme original, a Tyler de Lori Petty, tinha um papel importante na trama; Samsara, interpretada por Teresa Palmer, é apagada e desnecessária. A dupla principal, Edgar Ramirez e Luke Bracey, .também perde no carisma, se comparados a Keanu Reeves e Patrick Swayze. Isso fora alguns diálogos horríveis e uma maquiagem preguiçosa.

Se salva o visual das sequências de ação. O diretor Ericson Core também trabalhou como diretor de fotografia, e tomou cuidado com o visual do filme. Só faltou um hard rock dos anos 80 pra virar um grande (e velho) comercial do cigarro Hollywood…

Reza a Lenda

Reza a LendaCrítica – Reza a Lenda

O “Mad Max brasileiro”!

No árido Nordeste, um grupo de motociclistas procura uma santa que, reza a lenda, vai fazer chover se colocada no lugar certo.

Na verdade, Reza a Lenda é bem diferente de Mad Max. O trailer do filme dirigido por Homero Olivetto faz a gente pensar que são parecidos – assim como a caracterização da personagem de Sophie Charlotte lembra muito a Furiosa da Charlize Theron. Mas a trama do filme brasileiro guarda poucas semelhanças com o filme australiano.

Reza a Lenda não é um grande filme. Mas é um filme importante para a filmografia brasileira. A gente precisa ter opções de filmes diferentes dentro do “gênero cinema nacional” – quase todos os filmes lançados por aqui são dramas e comédias com cara de Globo Filmes. Precisamos de variedade neste “cardápio”!

Tecnicamente, Reza a Lenda não vai decepcionar o espectador que for ao cinema atrás de um filme de ação. O filme traz boas sequências de ação e tem um ritmo empolgante. Pena que nem tudo funciona. Alguns pontos da trama não fazem muito sentido, como quase toda a subtrama do Galego Lorde.

No elenco Cauã Reymond (também produtor) segura bem a onda, mas gostei mais do vilão de Humberto Martins. Quem decepciona é Sophie Charlotte, que fica apagada quando divide a tela com Luísa Arraes. Também no elenco, Jesuíta Barbosa, Sílvia Buarque e Júlio Andrade.

Apesar de não ser um grande filme, aguardo ansiosamente por outros assim!