Kick-Ass 2

Crítica – Kick-Ass 2

Estreou a continuação de Kick-Ass!

O “super heroi caseiro” Kick-Ass está de volta, junto com outros cidadãos comuns que também se fantasiam para combater o crime. Enquanto isso, Red Mist planeja vingar a morte do seu pai.

O primeiro Kick-Ass foi uma agradável surpresa, uma adaptação de quadrinhos pouco conhecidos que misturava bem ação e humor, usando muita violência gráfica (às vezes até demais). E a continuação pode não ser tão boa quanto o original, pelo menos consegue manter o alto nível.

Houve uma troca de diretor. Mathew Vaughn, que foi para a franquia X-Men – Primeira Classe, deixou o cargo para Jeff Wadlow. Pelo menos continuou no projeto como produtor, talvez para fazer um “controle de qualidade”.

Uma das melhores coisas do primeiro filme era a Hit Girl de Chloe Grace Moretz. Parece que não sou o único a pensar assim: Chloe aqui tem um papel tão importante quanto o protagonista Aaron Taylor-Johnson, talvez até mais importante – se o filme se chamasse “Hit Girl” em vez de “Kick-Ass”, não seria estranho. Chloe continua carismática e boa atriz, ela consegue um equilíbrio perfeito na sua adolescente que pende entre a escola e o combate ao crime. Chloe tem apenas 16 anos e já tem uma currículo com vários filmes legais. Essa menina vai longe!

Outro destaque do elenco é Christopher Mintz-Plasse, que está ótimo, careteiro e exagerado na medida exata com o seu vilão Motherf$#@cker. E, se Nicolas Cage não volta (seu personagem morreu), temos um Jim Carrey menos careteiro que o habitual – o que ajuda no seu papel. Ainda no elenco, John Leguizamo, Morris Chestnut, Clark Duke, Lindy Booth, Olga Kurkulina e Donald Faison.

Ainda sobre o elenco: a Mother Russia da estreante Olga Kurkulina é uma personagem ótima, uma espécie de Ivan Drago (Rocky IV) com seios (mas nem por isso podemos chamar de uma “versão feminina” de Drago). E a cena quer ela briga com vários policiais ao som de uma versão rock’n’roll de Tetris é sensacional!

Aliás, a trilha sonora funciona muito bem, tanto nas canções quanto nos temas instrumentais. E traz uma coisa particularmente interessante para o público brasileiro: uma versão, em português (com sotaque), de A Minha Menina, aquela do Jorge Ben que Os Mutantes gravaram.

Pena que nem tudo funciona. Algumas coisas ficam difíceis de “engolir”, como, por exemplo, por que ninguém usa armas de fogo na cena final? E uma cena em particular traz uma escatologia que não combinou muito bem com o resto do filme. Um filme desses não precisa de piadas com excrementos.

Mesmo com esses pequenos escorregões, Kick-Ass 2 ainda é bem divertido, e deve agradar ao público que gostou do primeiro filme.

Ah, e não se esqueçam de ver a cena depois dos créditos!

RIPD – Agentes do Além

Crítica – RIPD – Agentes do Além

Um policial recém falecido é recrutado para trabalhar no Departamento Descanse em Paz, uma espécie de agência que trabalha às escondidas na Terra, caçando mortos que se recusam a seguir seus destinos e continuam vagando pela Terra.

RIPD – Agentes do Além tem um problema básico: parece uma versão de MIB, mas com fantasmas no lugar dos alienígenas. Aliás parece uma mistura de MIB com Caça-Fantasmas. Mas… Quem me conhece sabe que não tenho nada contra a reciclagem de ideias, desde o resultado final fique bom. E isso acontece aqui: se RIPD não tem muita originalidade, isso é compensado pelo fato de ser um filme muito divertido.

Adaptado dos quadrinhos homônimos escritos por Peter M. Lenkov, RIPD – Agentes do Além é uma eficiente mistura de ação, comédia e ficção científica – um bom filme pipoca, uma montanha russa divertida e absurda. O diretor é Robert Schwentke, o mesmo de Red – Aposentados e Perigosos – coincidência ou não, outra adaptação de quadrinhos.

O elenco é um dos pontos fortes de RIPD – Agentes do Além. Jeff Bridges parece estar se divertindo muito como um velho xerife do velho oeste; já Ryan Reynolds interpreta o mesmo Ryan Reynolds de sempre. Kevin Bacon está bem como o vilão; Mary Louise Parker e Stephanie Szostak também estão bem como as principais personagens femininas. E James Hong (Blade Runner) e Marisa Miller têm papeis menores mas que geram boas piadas.

Os efeitos especiais são irregulares. Se por um lado temos algumas cenas fantásticas, como um efeito bullet time estendido quando o protagonista morre (não é spoiler, é logo no início do filme); por outro lado alguns dos mortos são tão malfeitos que parecem saídos de um filme trash!

A sessão para a imprensa foi em 3D. Algumas cenas usam bem o efeito, mas não acho algo essencial.

Enfim, boa diversão. Apesar de requentada.

Dose Dupla

Crítica – Dose Dupla

Robert “Bobby” Trench (Denzel Washington) e Michael “Stig” Stigman (Mark Wahlberg) trabalham juntos há dez meses. Quando não conesguem fazer negócios com um poderoso traficante mexicano, resolvem então é roubar um banco que, supostamente, receberia o faturamento deixado toda semana por capangas do traficante.

Adaptação dos quadrinhos “2 Guns”, escritos por Steven Grant e ilustrados pelo brasileiro Mateus Santolouco, Dose Dupla (2 Guns, no original) segue a fórmula dos “buddy movies” – filmes onde dois personagens bem diferentes têm que se aturar para um objetivo comum. A fórmula é batida, mas ainda pode render bons filmes, como este.

Boa parte dos méritos está com a dupla de protagonistas. Denzel Washington é um grande ator e está muito bem, mas o melhor papel é o marrento Stig de Mark Wahlberg, que tem vários ótimos momentos ao longo do filme (adorei a cena das galinhas). E o elenco ainda conta com vários outros bons nomes, como Edward James Olmos, Paula Patton, Bill Paxton, James Marsden e Fred Ward.

A direção ficou a cargo do pouco conhecido Baltasar Kormákur (que já tinha trabalhado com Wahlberg em Contrabando), que fez aqui um bom trabalho. Dose Dupla não é lá muito original, segue a linha “tarantineana” – personagens marginais, violência, diálogos afiados e edição ágil – mas nada que impeça de ser um filme divertido. Se bem que, pelos cenários mexicanos, lembra mais a trilogia “mariachi” de Robert Rodriguez…

Um coisa interessante em Dose Dupla é que os mocinhos e bandidos não estão onde se espera – temos algumas surpresas neste assunto. O espectador precisa ficar atento às viradas no roteiro! Outros destaques são a boa trilha sonora e uma bem cuidada fotografia, que ainda inclui alguns bem colocados efeitos de câmera lenta.

Como destaque negativo, o roteiro de Dose Dupla exige muita suspensão de descrença. Se o roteiro é bem escrito no que diz respeito a personagens bem construídos, por outro lado temos várias situações forçadas – como por exemplo toda a sequência dentro da base naval – aquilo nunca daria certo…

Enfim, boa opção despretensiosa em cartaz nos cinemas!

Wolverine Imortal

Crítica – Wolverine Imortal

Quando Wolverine é convocado para ir ao Japão por um velho conhecido, ele é envolvido num conflito que o força a confrontar seus próprios demônios.

Em 2009, lançaram Wolverine – Origens, que desagradou os fãs e a crítica. Mas como se trata de um personagem famoso e importante, e como temos um ator que “veste” perfeitamente o personagem, logo trataram de esquecer este filme e criar um novo. Afinal, em breve teremos mais um filme dos X-Men com o personagem Wolverine

Wolverine Imortal segue a linha do recente Homem de Ferro 3 – um filme mais ligado ao homem do que ao heroi. Aqui, o Logan é mais importante que o Wolverine. Assim, temos um filme mais sério. O problema é que com isso, o filme ficou arrastado…

Não sei se a falha foi terem usado um diretor sem experiência na área. Gosto do James Mangold pelo seu suspense Identidade, de 2003; mas quando ele fez um filme de ação (Encontro Explosivo, de 2010), não foi lá grandes coisas. Outro problema de Wolverine Imortal é o vilão – no caso, a vilã Víbora. E aquele duelo final também não convenceu.

O elenco não tem muitos nomes conhecidos. Tá, Hugh Jackman hoje é super famoso, e ele “é” o Wolverine – já é o seu sexto filme com o personagem (cinco como protagonista; mais um numa ponta). Além dele, temos Famke Janssen de volta como Jean Grey, em cenas completamente desnecessárias (tire as cenas dela, nada muda no filme). Além dos dois, o elenco é desconhecido, pelo menos no cinema ocidental: Tao Okamoto, Rila Fukushima, Hiroyuki Sanada e Svetlana Khodchenkova.

No fim, Wolverine Imortal não chega a ser um filme ruim. Mas fica a sensação de que poderia ser bem melhor.

p.s.1: É Marvel. Então, não se esqueça, tem cena depois dos créditos!

p.s.2: Por que o nome “Wolverine Imortal”? De onde tiraram o nome nacional?

Invasão à Casa Branca

Crítica – Invasão à Casa Branca

Um ex-oficial do serviço secreto tem a chance de se redimir quando se torna a única esperança dos EUA contra terroristas coreanos que tomam o controle da residência oficial do presidente americano, a Casa Branca.

Confesso que não me empolguei muito com a estreia de Invasão à Casa Branca (Olympus Has Fallen, no original). Me parecia um exercício desnecessário de patriotada norte-americana. Bem, heu não estava errado, realmente é um exercício de patriotada. Mas se a gente relevar esse “detalhe”, o filme até que é legal. Bom ritmo, cenas empolgantes, efeitos especiais na dose certa, um vilão mau como um pica-pau e um mocinho que parece uma versão anabolizada do Jack Bauer da série 24 Horas – Invasão à Casa Branca é uma boa diversão para aqueles no clima certo.

Falei que tem que estar no clima certo, porque algumas coisas do roteiro soam forçadas demais. Nos Estados Unidos pós 11 de setembro, não acredito que seja tão fácil se aproximar da Casa Branca – por exemplo, um avião chega metralhando e consegue dar uma volta antes de ser abatido. Isso sem contar, claro, com várias situações previsíveis e muitos diálogos clichês.

Pelo menos quem aguenta isso tudo “ganha” um eficiente filme de ação. O diretor Antoine Fuqua (Dia de Treinamento, Rei Arthur) mostra boa mão nas cenas de ação e garante a atenção do espectador até o fim das duas horas de projeção.

O elenco está cheio de nomes conhecidos. O protagonista Gerard Butler às vezes soa caricato, mas funciona dentro do papel de exército de um homem só. Além dele, Invasão à Casa Branca conta com Aaron Eckhardt, Morgan Freeman, Angela Basset, Melissa Leo, Radha Mitchell, Dylan McDermot, Rick Yune, Cole Hauser e uma ponta de Ashley Judd.

Enfim, bom filme de ação. Mas é preciso aturar os defeitos.

Percy Jackson e o Mar de Monstros

Crítica – Percy Jackson e o Mar de Monstros

Novo filme do Percy Jackson!

Para restaurar a segurança do Acampamento Meio-Sangue, o filho de Poseidon e seus amigos embarcam em uma aventura até o Mar de Monstros para encontrar o lendário Velocino de Ouro, ao mesmo tempo que tentam impedir a ascenção de um antigo mal.

Gostei do primeiro filme, Percy Jackson e o Ladrão de Raios, mas, sei lá por quais motivos, ele não foi muito bem de bilheteria. Mesmo assim, me pareceu uma boa opção de franquia de aventura infanto-juvenil. A comparação óbvia seria com Harry Potter – ambos são adaptações de séries de livros de sucesso e que tratam de temas fantásticos, onde um jovem descobre que tem poderes e é levado para treinar entre pessoas como ele – mas enquanto os filmes do bruxinho são mais lentos e dramáticos, Percy Jackson é mais aventura com ritmo acelerado.

Este segundo filme segue a onda do primeiro. Como não precisamos mais apresentar personagens, tem mais espaço para a ação. Alguns efeitos especiais são muito bons – gostei do touro robô e de como Cronos foi mostrado. Também gostei da sequência que mostra um flashback em animação. Mas… Outros efeitos ficaram devendo. O barco descendo nas ondas na entrada do tal Mar dos Monstros é tão tosco que parece que voltamos aos anos 80…

Algumas coisas ficaram estranhas, como por exemplo Annabeth, que era morena no primeiro filme, agora está loura – parece que no livro ela sempre foi loura, mas a mudança aqui foi sem dar satisfações. Outra coisa que ficou mal explicada foi por que Luke atacou o acampamento, se o seu objetivo não tinha nada a ver com isso.

Sobre o elenco: os três atores principais – Logan Lerman, Alexandra Daddario e Brandon T Jackson – voltaram aos seus papeis. Leven Rambin aparece com um novo personagem importante na saga, que deve voltar nos próximos filmes (parece que sua personagem estava desde o primeiro livro, mas sei lá por que não entrou no filme). Mas, por outro lado, vários atores famosos que estavam no primeiro filme não voltaram. Se Percy Jackson e o Ladrão de Raios tinha Pierce Brosnam, Uma Thurman, Sean Bean, Rosario Dawson, Catherine Keener, Melina Kanakaredes, Joe Pantoliano e Kevin McKidd, Percy Jackson e o Mar de Monstros só tem Stanley Tucci e Nathan Fillion de nomes mais conhecidos. Pelo menos Fillion tem a mais divertida fala do filme, quando comenta que determinado seriado era muito bom “e não deveria ter sido cancelado” – até hoje os fãs reclamam do cancelamento da série Firefly, estrelada por Fillion.

A série de livros do Percy Jackson, escritos por Rick Riordan, tem cinco livros. Será que em breve teremos mais um Percy Jackson nos cinemas?

Círculo de Fogo

Crítica – Círculo de Fogo

Planeta Terra, cidade Tóquio. Como em todas as metrópoles deste planet… Opa, é quase isso – só que não.

Quando o planeta é invadido por monstros vindos do mar, conhecidos como Kaijus, a solução para enfrentá-los é a construção de gigantescos robôs, os Jaegers. Mas, quando estes falham, a esperança da humanidade está nas mãos de um ex piloto, uma treinadora e um Jaeger obsoleto.

Trata-se do novo filme de Guillermo Del Toro, o mesmo de Labirinto do Fauno e dos dois Hellboy. Sabemos que Del Toro é talentoso com temas fantásticos, a grande dúvida é: será que ele vai funcionar fazendo um filme de robôs contra monstros?

Confesso que não me empolguei muito quando li do que se tratava. Um Power Rangers anabolizado? Blé. Mas, “in Guillermo Del Toro we trust”. E respondo logo: Círculo de Fogo (Pacific Rim, no original) não é um “clássico instantâneo” como Labirinto do Fauno; mas está vários degraus acima dos Transformers da vida – a inevitável comparação (pelos robôs gigantes).

Del Toro declarou que queria fazer uma homenagem aos seriados japoneses. E, nesse aspecto, não decepcionou. Os robôs e monstros gigantes são muito bem feitos, e as lutas são emocionantes. Ah, os efeitos especiais são impressionantes! Voltando à comparação óbvia: um dos piores problemas de Transformers é a “câmera com Parkinson” – a imagem treme tanto que mal conseguimos entender o que está acontecendo. Aqui não rola isso, vemos perfeitamente os detalhes de cada luta. E tem mais: a destruição de Hong Kong está no nível das destruições de metrópoles em Os Vingadores e Homem de Aço. O único senão é que não existe uma gota de sangue no meio do caos, deve ser por causa da censura.

Bem, o filme é muito bom, mas nem tudo funciona. Por exemplo, o papo da “conexão neural” é só pra dar dramaticidade à história, porque precisar de duas pessoas não faz o menor sentido. E, sem entrar nos spoilers, mas o fim do filme é completamente incoerente.

O elenco, liderado pelo pouco conhecido Charlie Hunnam (A Fuga), conta com Idris Elba, Rinko Kikuchi, Charlie Day, Burn Gorman, Robert Kazinsky, Max Martini e uma participação especial de Ron Perlman (o próprio Hellboy), num papel que é a cara dele.

Enfim, um bom filme pipoca. Mas espero que depois da diversão, Guillermo Del Toro volte a filmes mais sérios – se é que podemos chamar seus filmes de sérios…

Parker

Crítica – Parker

Jason Statham e Jennifer Lopez juntos. Será que a dupla funciona?

Um ladrão profissional que vive sob estritas regras é traído por sua equipe e deixado para morrer. Depois que se salva, vai atrás de vingança.

Sobre a pergunta do primeiro parágrafo: este é um filme de Jason Statham. Jennifer Lopez aqui é coadjuvante – ela não chega a atrapalhar, mas se o seu papel fosse subtraído, o filme não perdia em nada. Sabe essa pose de bad girl do poster? Só no poster mesmo… Ou seja: legal ter a J-Lo num filme de ação, mas se ela não estivesse, o filme não mudava nada.

Dito isso, Parker é um bom “filme do Jason Statham”, com tudo de bom e de ruim que esse estereótipo carrega. É um eficiente filme de ação, com boas cenas de pancadaria. E é um tanto previsível… Principalmente a parte final.

O curioso é que o diretor é veterano, experiente e versátil. É o mesmo de Ray, Advogado do Diabo, O Sol da Meia Noite e A Força do Destino. E mesmo assim, Parker é essencialmente um “filme do Jason Statham”…

Parker tem alguns bons coadjuvantes. Michael Chiklis e Nick Nolte atuam dentro do esperado. E o personagem de Bobby Cannavale é desnecessário. Ainda tem a bela Emma Booth em um pequeno papel e, talvez o único papel fora óbvio, Patti LuPone como a mãe de Jennifer Lopez. E, claro, a própria J-Lo, que não está mal, mas que tem um papel com pouquíssima importância na trama.

Claro, a maioria dos fãs de Statham quer mesmo é a ação. Estes não vão ficar decepcionados. Mas não espere nada demais.

O Exterminador do Futuro

Crítica – O Exterminador do Futuro

Sábado passado teve Cineclube Sci-Fi, evento organizado mensalmente pelo Conselho Jedi RJ no Planetário. O filme era o primeiro O Exterminador do Futuro. Há tempos que não via este filme, aproveitei a oportunidade e fui lá prestigiar o evento.

Alguém ainda não viu? No futuro, as máquinas dominam a Terra, e enviam um robô exterminador ao passado para eliminar Sarah Connor, mulher que será mãe do futuro líder dos humanos

Ver um filme de quase trinta anos atrás (O Exterminador do Futuro é de 1984), tem seus problemas. Reparamos em muita coisa que não vimos na época. A maquiagem é muito mal feita, toda a sequência onde o robô conserta o braço e tira o olho é muito tosca. O stop motion é muito inferior ao d’O Retorno do Jedi, lançado um ano antes. Ainda tem a trilha sonora datada, mas isso a gente não tinha como ver na época… 😉

Outra coisa: precisamos de uma boa dose de suspensão de descrença para relevar as inconsistências do roteiro – se um robô pode voltar no tempo se tiver carne em volta, por que não envolver armas pesadas em carne e mandar junto? Mesmo assim, considero este um dos melhores roteiros de viagem no tempo. Cada detalhe da história é importante, o roteiro não deixa pontas soltas.

Além da boa história, O Exterminador do Futuro ainda é um excelente filme de ação. O ritmo do filme é ótimo, o quase novato diretor James Cameron já mostrava talento. Cameron antes tinha feito apenas um longa (de qualidade duvidosa), Piranhas 2 – Assassinas Voadoras. Mas depois, sua carreia deslanchou e ele virou um dos nomes mais importantes da Hollywood contemporânea. Ele fez Aliens – O Resgate, O Segredo do Abismo, O Exterminador do Futuro 2, True Lies, e depois bateu recordes de bilheteria e ganhou 11 Oscars com Titanic – e ainda nem falei de Avatar, outro recordista de público.

O Exterminador do Futuro também foi um marco importante na carreira de outro nome “gigante” hoje em dia: Arnold Schwarzenegger, que era um fisiculturista tentando fazer carreira como ator. Ele já tinha sido o Conan no filme de 1982, mas ainda estava longe de se firmar. O forte sotaque (Arnold é austríaco) e o talento limitado como ator eram compensados pelo enorme carisma. O papel do Exterminador lhe caiu como uma luva: poucas falas e poucas expressões faciais não atrapalharam e Arnoldão teve o seu primeiro grande sucesso. E daí para o estrelato foi um pulo – Schwarzenegger se tornou um dos nomes mais fortes do cinema de ação pelas décadas seguintes.

Os outros dois atores principais, Linda Hamilton e Michael Biehn, não fizeram filmes relevantes fora dos anos 80. Mas o elenco ainda traz algumas curiosidades. Lance Henriksen tem um papel menor como um dos policiais; e Bill Paxton aparece numa ponta, como um dos punks que são atacados pelo Exterminador no início do filme.

Agora, uma história com spoilers leves (pode spoiler de um filme de quase trinta anos atrás?). Lembro, na época do lançamento, o cinema lotado, com todos gritando cada vez que achavam que o Exterminador estava morto, mas depois se levantava – mais uma vez. Era uma histeria divertida!

O Exterminador do Futuro teve três continuações e gerou uma série de TV. E diz a lenda que em 2015 vem mais um filme por aí…

O Homem de Aço

Crítica – O Homem de Aço

Filme novo do Superman. E aí, será tão fraco quanto o Superman – O Retorno, lançado em 2006; ou manterá o nível da trilogia Batman, o atual top da DC?

A notícia é boa: Homem de Aço é muito bom!

Um menino descobre que tem poderes extraordinários e que não é deste planeta. Mais velho, ele viaja para tentar descobrir de onde veio e por que foi mandado para cá. Mas o heroi deve surgir para salvar o mundo e virar o símbolo de esperança para a humanidade.

A citação ao Batman de Christopher Nolan não é gratuita. Não só por serem os dois principais personagens da DC, mas também pelo fato de Nolan ter atuado aqui como produtor e autor do argumento. E o roteirista é o mesmo David S Goyer, que trabalhou nos três filmes do homem-morcego. Isso tudo é importante, porque a DC quer reunir os herois em um filme da Liga da Justiça tão bem sucedido quanto o ótimo Os Vingadores da Marvel.

E a influência do Batman de Nolan fez de Homem de Aço um filme mais sério do que a maior parte dos filmes de super-herois. O Kal-El / Clark daqui não usa cueca sobre a calça e é cheio de problemas existenciais. Rola até uma sutil comparação com Jesus Cristo – não acredito que tenha sido coincidência Clark estar com 33 anos. Acho que este será o grande diferencial entre DC e Marvel: enquanto uma foca na seriedade, a outra pensa no lema “o cinema é a maior diversão” (ambos os caminhos são válidos, na minha humilde opinião).

A direção coube a Zack Snyder, que já tinha provado seu talento em imagens bem cuidadas em filmes como 300, Watchmen e Sucker Punch. Em Homem de Aço, Snyder teve uma direção mais discreta, acho que não rola nenhuma das suas famosas câmeras super lentas. Mas, mesmo sem a sua “assinatura”, Snyder mostra boa mão na condução das várias cenas de ação.

Não sei o quanto o diretor teve parte nisso, mas os efeitos especiais são absurdamente bem feitos. Os computadores em Krypton tem uma textura diferente de tudo o que estamos acostumados a ver, e a destruição de Metropolis está entre as melhores destruições de cidades já mostradas no cinema. Snyder não usa câmera lenta, mas sua câmera não treme como os “MichaelBays” da vida – conseguimos ver tudo.

Os fãs querem esquecer o filme de 2006, mas a comparação com o clássico de 1978, dirigido por Richard Donner, é inevitável. E a boa notícia: se Homem de Aço não é melhor que o filme de 78, também não é pior. Ambos podem figurar entre as melhores adaptações cinematográficas de quadrinhos de super-herois.

É inevitável pensar no Superman e não lembrar de Christopher Reeve, que imortalizou a personificação do heroi. Henry Cavill faz um bom trabalho, não sentimos falta de Reeve. Mas acho que a tarefa mais difícil era a trilha sonora. A trilha de John Williams para o filme clássico é fantástica, o tema pan-pa-rá pa-ra-ra-ra-rá é um dos temas mais conhecidos da história do cinema (talvez um dos 4 mais conhecidos, ao lado de Tubarão, Guerra nas Estrelas e Caçadores da Arca Perdida – todos de John Williams). Hans Zimmer fez bem em ter ignorado a melodia original, e fez uma trilha competentíssima, que pode não ser tão assoviável quanto a de Williams, mas faz um belíssimo trabalho aqui.

Apesar de O Homem de Aço não ser um filme que exige muito dos atores, Michael Shannon faz um excelente trabalho com o seu general Zod – este sim superior ao anterior de Terence Stamp (que por sua vez também tinha feito um bom trabalho em Superman 2). O resto do elenco, repleto de nomes conhecidos, também está bem: Amy Adams, Diane Lane, Russell Crowe, Kevin Costner e Laurence Fishburn.

Infelizmente, O Homem de Aço não é perfeito. Como pontos negativos, podemos citar a longa duração, que chega a cansar (Os Vingadores também é longo, mas não é tão cansativo); e alguns pontos do roteiro que ficaram muito mal explicados – como assim, o planeta vai explodir, e os condenados por traição são mandados para fora do planeta???

Não vi em 3D. Atualmente evito pagar mais caro por um efeito que mais atrapalha do que ajuda. E pelo que li por aí, fiz boa escolha.

Resumindo: apesar dos poucos pontos contra, temos um forte candidato ao Top 10 2013!

p.s.: Só heu achei que o nome “Homem de Aço” parece uma tentativa barata de ganhar visibilidade com “Homem de Ferro”? Sei que o Superman sempre foi “Super Homem, o homem de aço”, mas o título assim, solto, me pareceu querer ganhar a rebarba do Tony Stark. Não precisava, DC, seu filme é bom, não é nenhum Asylum (que lançou “Transmorfers” na época do “Transformers”…