Truque de Mestre

Crítica – Truque de Mestre

Um agente do FBI e uma detetive da Interpol investigam um grupo de ilusionistas que rouba bancos durante suas performances e distribui o dinheiro para sua plateia

Truque de Mestre (Now You See Me, no original) é um filme coerente. Como num espetáculo de mágica, temos um monte de artifícios para chamar nossa atenção. Então, enquanto nos distraímos com o espetáculo, não reparamos no roteiro cheio de falhas.

Como espetáculo, Truque de Mestre é empolgante. Da escola “lucbessoniana”, o diretor Louis Leterrier proporciona um visual bem cuidado ao seu filme. Parece que não há nenhuma tomada estática, a câmera está sempre se movimentando, na grua, na dolly ou na mão do operador, isso tudo ajudado por uma trilha sonora empolgante. E os shows de mágica são bem legais.

Tudo flui num ritmo muito bom – mas, se a gente parar pra pensar, começa a notar as inconsistências do roteiro. Não vou entrar em detalhes por causa dos spoilers, mas todos os três grandes shows de mágica têm pontos mal explicados. E a necessidade de uma reviravolta final gerou uma solução que foi uma das maiores forçações de barra do cinema recente, era melhor ter terminado o filme sem esta desnecessária reviravolta.

Ah, o elenco é acima da média: Morgan Freeman, Michael Caine, Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Isla Fisher, Dave Franco, Mark Ruffalo e Mélanie Laurent. Alguns estão no piloto automático – Eisenberg parece repetir o papel de A Rede Social; mas outros estão muito bem – gostei muito do personagem de Harrelson.

Enfim, assim como um bom espetáculo de ilusionismo, Truque de Mestre é bem divertido. Mas só se você se deixar enganar.

Guerra Mundial Z

Crítica – Guerra Mundial Z

O primeiro blockbuster de zumbis!

O funcionário da ONU Gerry Lane roda o mundo numa corrida contra o tempo atrás da cura para uma epidemia zumbi.

Vamulá. É a primeira vez que temos uma superprodução, com um astro do primeiro escalão no elenco, usando o tema “zumbi”. Por um lado, isso é positivo: os efeitos especiais são excelentes. O tal “formigueiro zumbi” é impressionante, e são várias tomadas aéreas bem feitas com centenas de pessoas correndo ao mesmo tempo.

Mas, por outro lado, Guerra Mundial Z não era pra ser um filme de terror? Cadê o sangue? Cadê o gore? E vemos muito pouco das ações dos zumbis, quase todos os ataques são vistos de longe. Parece que os realizadores estavam preocupados com a censura e optaram por não mostrar nada – mesmo em cenas onde era importante vermos, a câmera desvia o olhar (como na mão decepada ou no pé-de-cabra preso).

Seguindo com o tema: os zumbis aqui não são “zumbis clássicos”. Não falo isso só pelo fato de serem zumbis corredores (a refilmagem de Madrugada dos Mortos tinha zumbis “maratonistas”), mas principalmente pelo fato de não termos mortos voltando à vida. Todos os zumbis aqui são pessoas infectadas, mais ou menos como no filme Extermínio e seus “raivosos” que parecem zumbis (mas na verdade não são). Então, me questiono se realmente são zumbis aqui…

O diretor é Marc Foster, o mesmo de 007 Quantum of Solace. Não achei uma boa escolha, talvez fosse melhor alguém mais íntimo do cinema de horror, sei lá, um Sam Raimi ou um mesmo um Brian de Palma. Acaba que o filme não se decide entre ação e drama – a única coisa certa aqui é que não estamos diante de um filme de terror.

O roteiro foi baseado no livro de Max Brooks. Não li o livro, mas li que o roteiro foi muito mexido – o que quase sempre é sinal de problemas. E pelo que li, o clima entre e o diretor e o ator principal não era muito bom. Não sei se é por causa disso, mas Guerra Mundial Z tem sérios problemas de ritmo. Algumas sequências são muito boas, como a fuga pelo engarrafamento. Mas outras são bobas e confusas, como toda a parte na Coreia. E, pra piorar, a câmera às vezes dá uma “michaelbayada”, algumas cenas tremem demais e a gente não consegue entender o que está acontecendo.

Enfim, Guerra Mundial Z não chega a ser ruim. Mas que é uma decepção, isso é.

Caça Aos Gângsteres

Crítica – Caça Aos Gângsteres

Los Angeles, 1940. Mickey Cohen, um dos líderes da máfia do Brooklyn, decide expandir suas atividades pelo oeste dos Estados Unidos. Um grupo especial da polícia é encarregado de capturá-lo.

Bom elenco, excelente ambientação de época… Mesmo assim, Caça Aos Gângsteres (Gangster Squad, no original) ficou devendo.

O diretor Ruben Fleischer (Zumbilândia) fez um bom trabalho no visual do filme – além de uma câmera lenta bem utilizada, várias sequências são esteticamente muito bonitas. Some-se a isso uma reconstituição de época bem cuidada e temos um filme onde o visual chama a atenção.

Mas, por outro lado, o roteiro é muito fraco. Não só toda a trama é previsível, como todos os personagens são unidimensionais – isso porque não estou falando do maniqueísmo onde os maus são muito maus e os bons são perfeitos.

Pior que o elenco é bom. Acho uma pena ver Sean Penn desperdiçado como um vilão esquecível (Mickey Cohen existiu de verdade, mas os fatos aqui são ficção); enquanto parece que Emma Stone só aparece pra mostrar uma menina bonitinha. Ryan Gosling é badalado atualmente, mas não consigo entender por que, ele fica o filme inteiro com a mesma cara de paisagem que faz em todos os seus filmes (Gosling me parece uma versão masculina da Kirsten Stewart, um rostinho bonito que não consegue fazer uma expressão). Ainda no elenco, Josh Brolin, Nick Nolte, Giovanni Ribisi, Robert Patrick, Anthony Mackie e Michael Peña – todos mal aproveitados.

Por fim, o nome nacional mais uma vez enfraquece a ideia do filme. “Esquadrão de Gângsteres” é porque eles agem paralelamente à lei. “Caça aos Gângsteres” não chega a ser errado, mas passa uma ideia diferente da original.

Enfim, plasticamente, Caça Aos Gângsteres é bonito. Mas trata-se de um filme vazio. É preferível rever Os Intocáveis.

Os Suspeitos

Crítica – Os Suspeitos

Há tempos heu queria rever este ótimo filme de quase vinte anos atrás. Aproveitei uma promoção da Amazon com uma edição especial em blu-ray.

Um barco foi destruído, criminosos estão mortos, e a chave para este mistério está com o único sobrevivente e sua estranha e complexa história que começou com cinco malandros escolhidos aleatoriamente para uma linha policial.

Os Suspeitos é um ótimo filme de 1995, que tem dois trunfos: um roteiro perto da perfeição e um ator excelente e inspiradíssimo. Não à toa, o filme ganhou os Oscars de roteiro e de ator coadjuvante (Kevin Spacey).

Os Suspeitos foi o grande momento do diretor Bryan Singer. Antes, ele tinha feito apenas o pouco visto Public Access; depois sua carreira deslanchou. Veio o bom O Aprendiz e depois os elogiados dois primeiros X-Men. (Depois disso, parece que Singer perdeu a mão, Superman – O RetornoOperação Valquíria e Jack, O Caçador de Gigantes ficaram devendo. Ano que vem ele volta à franquia X-Men, será que volta à boa forma?)

O roteiro, escrito por Christopher McQuarrie (que ano passado dirigiu Jack Reacher), é muito bem arquitetado e tem um ritmo excelente. A trama é baseada em personagens muito bem construídos, e traz um dos finais mais surpreendentes dos últimos tempos.

No elenco quase todo masculino, o destaque é Kevin Spacey, mas podemos dizer que todos estão bem, mesmo atores que não têm currículos interessantes, como Kevin Pollack e Stephen Baldwin. Ainda no elenco, Gabriel Byrne, Chazz Palminteri, Pete Postlethwaite, Benicio Del Toro, Giancarlo Esposito e Suzy Amis.

Sobre a edição em blu-ray, tem um livreto bem legal dentro da caixinha. Pena que não tem legendas em português…

Por fim, recomendo Os Suspeitos para quem não viu. Mas, cuidado! Não leia nada sobre o final do filme!

Velozes e Furiosos 6

Crítica – Velozes e Furiosos 6

Depois do gancho no quinto Velozes e Furiosos, claro que teríamos o sexto, né?

Depois do bem sucedido golpe aplicado no quinto filme, Dom e Brian vivem confortavelmente, mas foragidos. O policial Hobbs pede ajuda para capturar uma quadrilha internacional. Se eles ajudarem, Hobbs promete o perdão da Justiça.

A franquia Velozes e Furiosos é curiosa. O primeiro filme foi legal, o segundo foi maomeno, o terceiro foi dispensável. Aí, no quarto filme, o elenco principal voltou e a qualidade melhorou. O quinto, filmado parcialmente aqui no Rio, foi bem divertido, talvez o melhor da série. E este sexto segura a onda e pelo menos mantém a qualidade.

Velozes e Furiosos 6 é um empolgante filme de ação, com pancadarias, tiroteios, explosões e, claro, muitas corridas de carro. Mas tem um problema básico: as mentiras chegam a um patamar que quase precisamos de uma suspensão de descrença do nível de um filme de super herois. Assim como aceitamos o Superman voando, temos que aceitar os fatos apresentados aqui.

Spoilers leves no parágrafo abaixo!

Já tinha lido pela internet piadas sobre o tamanho da pista de pouso da base militar. Como é que roteiristas escrevem uma cena tão longa onde um avião está em alta velocidade em uma pista de pouso??? Tem mais: aquilo era uma base militar. Onde estavam os militares? Por que todos eles sumiram? Ah, claro, o vilão nem teria chance de falar a ameaça para o mocinho, já que eles estava em uma prisão militar. Outra coisa: a sequência da cadeia nos EUA foi incoerente e dispensável – não seria tão fácil assim entrar e sair, e tudo isso não acrescentou nada à trama. Já o “vôo” de Vin Diesel é uma mentirada braba, mas gostei desta cena. Há tempos que heu não gargalhava tanto no cinema!

Fim dos spoilers!

Tem outro problema, meio óbvio: como é o sexto filme da série, tudo é previsível. Não tem como ser criativo a essa altura do campeonato, o filme vai seguir a receita que está dando certo. Mas não acho isso necessariamente ruim, um filme pode repetir uma fórmula e mesmo assim ser bom.

Mesmo com todos esses senões, admito que gostei do filme. Velozes e Furiosos 6 mantém a adrenalina lá no alto, com cenas eletrizantes, muito bem filmadas pelo diretor Justin Lin, um especialista na franquia (já é seu quarto filme da série). Lin não tem o “estilo Michael Bay”, e sua câmera não treme nas cenas de ação, conseguimos ver tudo.

Um dos trunfos de Velozes e Furiosos 6 é o elenco. Quase todo o elenco da parte 5 está de volta. E Vin Diesel e Dwayne Johnson são muito carismáticos, só a presença de ambos já é meio caminho para o sucesso, a gente até releva o fato de Paul Walker ser uma figura apagada. Além disso, este sexto filme traz a volta de Michelle Rodriguez, que tinha sido dada como morta no quarto. Ainda no elenco, Jordana Brewster, Gal Gadot, Luke Evans, Sung Kang, Tyrese Gibson, Ludacris, Elsa Pataky e Gina Carano, que mais uma vez mostra que não é boa atriz mas funciona porque bate bem. (Tego Calderon e Don Omar não estão aqui, e não fizeram nenhuma falta)

Resumindo: Velozes e Furiosos 6 é um filme muito divertido. Mas só se a gente deixar o cérebro de lado. E, importante: logo antes dos créditos, tem uma cena muito legal com um gancho para o sétimo filme. Saí do cinema pilhado para ver o próximo…

A Fuga

Crítica – A Fuga

Depois de ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro por Os Falsários, o diretor austríaco Stefan Ruzowitzky foi convidado pra o seu primeiro projeto hollywoodiano, este A Fuga (Deadfall, no original).

Um casal de irmãos foge com o dinheiro de um golpe em um cassino, ao mesmo tempo que um ex-boxeador está a caminho da casa dos seus pais para passar o Dia de Ação de Graças com a família. Quando os caminhos se cruzam, as coisas podem dar errado.

A Fuga é um eficiente thriller com uma trama bem construída, que se baseia em conflitos familiares em vez de reviravoltas no roteiro. O filme não tem nada de Spielberg, mas são três famílias, todas com problemas com a figura paterna…

O elenco é uma das melhores coisas de A Fuga. Eric Bana, inspirado, faz um vilão excelente. E Olivia Wilde, além de boa atriz, é uma das mulheres mais bonitas da Hollywood contemporânea. Ainda no elenco, Sissy Spacek, Kate Mara, Treat Williams, Kris Kristofferson e Charlie Hunnam.

A Fuga é bem violento, mais do que o padrão hollywoodiano, mas nada que atrapalhe. A violência gráfica contrasta com as belas paisagens geladas, bem utilizadas pela fotografia do filme. A parte final é previsível, mas a cena é bem conduzida. Não gostei do fim, mas não chegou a estragar o filme.

A Fuga não é nenhuma obra prima, mas pode funcionar em um dia sem melhores opções.

Na Mira do Chefe

Crítica – Na Mira do Chefe

Há tempos ouço boas recomendações sobre este Na Mira do Chefe, filme de estreia do diretor e roteirista Martin McDonagh. Depois de ter visto Sete Psicopatas e um Shih-Tzu, seu segundo filme, fui atrás do primeiro.

Depois de um trabalho que dá errado, dois assassinos profissionais são mandados pelo seu chefe para passar um tempo na pacata cidade de Bruges, esperando novas ordens.

Na Mira do Chefe (In Bruges, no original) é um filme “correto”. Bons atores, bons diálogos, uma bela locação europeia… Mas, sabe quando falta algo? Acaba o filme, e fica aquela sensação de que ainda faltava algo pro filme ser bom.

Vamos ao que funciona. O elenco está muito bem. Colin Farrell, Brendan Gleeson e Ralph Fiennes estão ótimos, assim como os coadjuvantes menos conhecidos Clémence Poésy, Jordan Prentice e Zeljko Ivanek. Os diálogos fluem bem entre o elenco. As locações, em Bruges, na Bélgica, também foram bem escolhidas.

Mas é pouco, pelo menos para um filme tão badalado. Mais: o filme foi vendido como “comédia de humor negro”. Olha, até tem algum humor negro, mas muito pouco para transformar o filme em uma comédia. E, pra piorar, o ritmo da metade inicial é muito lento. Depois, quando aparece o personagem de Ralph Fiennes, o ritmo melhora, mas já é tarde demais, já comprometeu o resultado final do filme.

Muita gente compara este filme ao estilo de Quentin Tarantino. Discordo. Diferente de Sete Psicopatas e um Shih-Tzu, Na Mira do Chefe traz poucos elementos “tarantinescos” – não tem nenhum personagem esquisito, a trilha sonora é careta, a edição é convencional… As únicas coisas que se aproximam do universo Tarantino são algumas citações à cultura pop. Mas é tão próximo aos filmes do Tarantino quanto um Mercenários da vida.

Sinceramente, não consegui entender o hype da crítica – e não só da crítica especializada, o filme tem nota 8,0 no imdb! Na Mira do Chefe está longe de ser ruim, mas, na minha humilde opinião, falta comer muito arroz com feijão antes de ser bom…

O Plano Perfeito

Crítica – O Plano Perfeito

Tem espaço pra falar de filme de sete anos atrás?

Em O Plano Perfeito (Inside Man, no original), dois policiais tentam negociar com o líder de um grupo que planejou o assalto a banco perfeito, mas que mantém reféns dentro do banco.

O diretor Spike Lee é famoso por seus filmes políticos, sempre levantando bandeiras contra o racismo. Mas aqui ele mostra talento em um filme bem hollywoodiano. A câmera é muito bem cuidada, são várias as boas sequências – rola até um plano-sequência interessante na parte final, quando os policiais estão verificando o interior do banco. Já o racismo é até citado, mas fica em segundo plano.

O roteiro, do pouco conhecido Russell Gewirtz, é muito bem escrito. Tá, o plano é fantasioso demais, a gente pode encontrar um furo aqui outro acolá, mas, de um modo geral, a ideia é muito boa. E o melhor: toda a trama flui facilmente. Outra coisa interessante é o personagem de Jodie Foster, que quebra o dualismo polícia / ladrão.

O elenco é muito bom. Além da já citada Jodie Foster, o filme conta com Denzel Washington, Clive Owen, Christopher Plummer, Willem Dafoe, Chiwetel Ejiofor e Kim Director

O Plano Perfeito pode não ter muito a ver com o resto da carreira de Spike Lee. Mas não é, de jeito nenhum, um momento a ser apagado de sua filmografia.

Alvo Duplo

Crítica – Alvo Duplo

Sylvester Stallone assumiu que cinema de ação é a sua praia. Mesmo com 67 anos, ele mais uma vez traz um filme de ação acima da média.

Baseado na pouco conhecida graphic novel Du Plomb Dans La Tête, Alvo Duplo mostra a improvável união entre um matador de aluguel e um policial, que procuram vingança pelos assassinatos de seus respectivos parceiros.

Acho que boa parte do mérito de Alvo Duplo está na experiência de seu diretor, o veterano Walter Hill, o mesmo de 48 Horas, Ruas de Fogo e Warriors – Os Selvagens da Noite. Aos 71 anos, Hill mostra boa forma em detalhes do seu filme – logo no início, na cena do bar, ele já mostra talento, com as brigas coregrafadas sob música alta. Aliás, é bom falar: as lutas aqui, além de muito violentas, são muito bem filmadas, não tem nada de câmera trêmula estilo Michael Bay – mesmo em momentos mais frenéticos como na boa luta final com os machados.

Agora, se Alvo Duplo tem boas cenas de ação, tem uma falha básica: o roteiro é bem fraco. A trama é previsível e cheia clichês. E os personagens são todos rasos. Nisso, o filme ficou devendo.

Para quem gosta de brincar com referências, deve ser legal ter um Sylvester Stallone para se fazer um filme. Em determinado momento, vemos fotos de várias vezes que seu personagem foi preso, em épocas diferentes – e reconhecemos fotos reais do Stallone daquelas épocas. Outra coisa: seu personagem se chama Jimmy Bonomo e tem uma filha chamada Lisa. E em Oscar – Minha Filha Quer Casar (de 1991), o personagem de Stallone fala que trabalhou para um cara chamado Jimmy Bonomo, e tinha uma filha chamada Lisa. Além disso, Stallone mostra que a não tem problema com a idade. Não só faz piadas sobre isso como ainda mostra excelente forma física. Outra coisa: a “mocinha” é sua filha, mais compatível com a diferença de idade.

Gostei da escolha de seu oponente, Jason Momoa, o Kal Drogho de Game of Thrones e o novo Conan. Momoa não é um grande ator (talvez um “ator grande” – tá dá tschhh!), mas funciona perfeitamente para o que o papel pede. E ainda temos Sarah Shahi (The L Word) em cenas de nudez gratuita! Ainda no elenco, Christian Slater, Sung Kang, Adewale Akinnuoye-Agbaje e Jon Seda.

Por fim queria mais uma vez falar do título nacional. A tradução original seria “bala na cabeça”, título já usado em outro filme de ação, logo um dos melhores da fase chinesa de John Woo. Ora, então vamos traduzir para outro nome? Que tal “alvo duplo”? Mas será que ninguém se tocou que este era o título de outro filme de ação da fase chinesa de John Woo?

Enfim, recomendado para os que se divertem com filmes de ação, mesmo se seus roteiros sejam um pouco rasos.

Spartacus: Blood and Sand – Series Finale

Crítica – Spartacus: Blood and Sand – Series Finale

Chega ao fim, em grande estilo, a série Spartacus: Blood and Sand, depois de quatro curtas temporadas (ou três curtas temporadas e mais um ainda mais curto spin-off, o prequel Gods of the Arena). E digo, sem medo de exagerar: foi uma das melhores séries que já vi!

Como falei no meu texto sobre o fim da primeira temporada, “Na trama, o soldado trácio Spartacus é capturado, transformado em escravo, e é jogado na arena para ser morto. Mas acaba mostrando seu valor e virando o campeão dos gladiadores.

Spartacus: Blood and Sand conseguiu algo raro quando falamos de seriados de tv: não há nenhum episódio ruim! Foram ao total 39 episódios ao longo de quatro anos. Sempre mantendo um pique acima da média.

A série foi toda num ótimo pique. Personagens carismáticos, sexo, nudez, sangue e violência em abundância, efeitos especiais bem colocados, visual estilizado e uma trama cheia de intrigas foram a fórmula usada. Junte a isso temporadas curtas que não deixam espaço para “barrigas” e você tem uma série quase perfeita.

A primeira temporada, Blood And Sand, foi a maior, com 13 episódios. No início parecia uma versão de 300 com Gladiador, o que chamava a atenção era o visual estilizado, com muita violência em câmera lenta. Mas com o passar do tempo, vimos uma trama inteligente, cheia de intrigas políticas.

Aí a série teve um baque grande. Andy Whitfield, logo o ator que interpretava o personagem título, foi diagnosticado com câncer ao fim da primeira temporada. Como ele precisava se retirar para tratar da doença, inventaram um prequel, Gods Of The Arena, que mostrava em apenas seis capítulos o passado de Batiatus, o dono dos escravos gladiadores. Como era antes do Spartacus, precisavam de um novo protagonista, e fomos apresentados a Gannicus, um lutador fenomenal, mas que tinha um comportamento oposto ao do sisudo Spartacus, e vivia bebendo e com mulheres.

(O imdb considera este prequel uma série diferente. Mas, caramba, são os mesmos personagens, mesmos atores, mesmos cenários… Por que não admitir que é a mesma série?)

Veio a notícia triste: a morte de Whitfield. Liam McIntyre foi contratado para o seu lugar. Heu preferia Whitfield, mas admito que McIntyre fez um bom trabalho nas duas últimas temporadas.

A terceira e a quarta temporada, cada uma com dez episódios, mostram Spartacus e os gladiadores liderando ex escravos na luta contra Roma. Na terceira, Vengeance, o inimigo é Gaius Claudius Glaber, o responsável por Spartacus ter virado um escravo e pela morte de sua esposa; na quarta, War Of The Damned, é Marcus Crassus, rico aristocrata com aspirações políticas.

Até semana passada, heu achava que o episódio da semana passada seria um “season finale”, mas sem dúvida foi um “series finale”. Por um lado, fico triste de saber que ano que vem não tem mais; por outro lado fico feliz e aliviado de saber que não vão fazer besteira e estragar a série esticando-a (coisa que infelizmente acontece muito por aí).

Este último capítulo até começou lento. Mas, durante a batalha final, me vi torcendo como se fosse num importante jogo de futebol a cada manobra dos ex-escravos contra as legiões romanas. E o fim da batalha (e da série) foi coerente e digno.

Parabéns ao elenco que nos trouxe vários personagens memoráveis (Gannicus, Oenomaus, Batiatus, Crixus, Lucrecia, Ilithya, Saxa, Gaia, Heracleo, Varro, etc.). E, principalmente, parabéns ao canal Starz e a Steven S. DeKnight, criador da série. Ficarei de olho nas suas próximas produções!