T2 Trainspotting

Trainspotting2Crítica – T2 Trainspotting

Vamos à continuação?

Depois de 20 anos fora, Renton volta para a Escócia e se reencontra com Spud, Sick Boy e Begbie.

Duas décadas depois, Danny Boyle volta ao universo do seu segundo filme, Trainspotting (1996). A boa notícia é que boa parte da galera que trabalhou no primeiro filme está de volta. Mesmo diretor, mesmo roteirista, mesmo produtor, mesmos quatro atores principais. Foi muito legal, não me lembro de outra continuação assim, que retoma uma história 20 anos depois, com toda a galera original.

T2 Trainspotting (idem no original) é parcialmente baseado no livro “Porno”, continuação do livro “Trainspotting”, escrito pelo mesmo Irvine Welsh. “Porno” se passa dez anos depois dos acontecimentos do primeiro filme. No novo livro, os personagens seriam viciados em pornografia em vez de heroína, mas o novo filme não segue exatamente isso.

T2 Trainspotting é cheio de referências ao primeiro filme, recomendo rever pra ficar fresco na memória. O estilo é o mesmo, temos a volta dos personagens e de alguns cenários, temos até vários trechos do filme de 96 – Kevin McKidd, por exemplo, só aparece em imagens “de arquivo” (quando vemos imagens da infância deles, são outros atores, claro; mas imagens da juventude são imagens deles mesmo na época do outro filme).

Por tratar de drogas, claro que o primeiro filme era pesado. Quando revi, tive uma bad trip com uma das cenas. Este novo é bem mais leve e divertido. Gostei da mudança no clima.

Claro que ter o elenco original fez diferença. Na época de A Praia, quarto filme do Danny Boyle, ele teria brigado com o seu “ator assinatura”, Ewan McGregor. Felizmente, eles fizeram as pazes, T2 Trainspotting não seria o mesmo se um dos dois não estivesse por perto. Robert Carlyle e Johnny Lee Miller hoje têm carreira na tv, mas conseguiram conciliar as agendas. E Ewan Bremner, o menos conhecido, talvez seja o melhor dos quatro neste filme. Ah, Kelly McDonald, que fazia um papel pequeno mas importante no filme anterior, faz o mesmo aqui. A única novidade no elenco principal é a búlgara Anjela Nedyalkova.

Será que daqui a 20 anos vamos rever os personagens sessentões?

Trainspotting – Sem Limites

TrainspottingCrítica – Trainspotting – Sem Limites

O filme conta as histórias de viciados em heroína que vivem num subúrbio de Edimburgo, Escócia, narradas do ponto de vista de um deles, que tenta interromper o vício mas sempre acaba retornando. Baseado no livro homônimo de Irvine Welsh.

Lembro do lançamento de Trainspotting – Sem Limites (Trainspotting, no original) nos cinemas brasileiros em 1996. O segundo filme de Danny Boyle (depois do ótimo Cova Rasa) já me fez virar fã deste novo e promissor diretor inglês. Vi na época do lançamento, anos depois comprei o dvd (tenho quase tudo do Danny Boyle). Aproveitei que ia ter uma continuação e revi o filme, que heu não via há anos.

O filme continua muito bom. Como usual na carreira de Boyle, o visual do filme é marcante. Edição cheia de cortes rápidos, trilha sonora alta, tudo acelerado lembrando linguagem publicitária. E tem tudo a ver com o tema do filme…

Em Trainspotting, Danny Boyle reuniu o time com quem tinha feito Cova Rasa: o ator Ewan McGregor, o produtor Andrew McDonald e o roteirista John Hodge (que ainda se reuniriam no filme seguinte, Por Uma Vida Menos Ordinária). O time se dividiu no filme seguinte, quando Boyle chamou Leonardo DiCaprio para fazer A Praia, mas voltaram vinte anos depois para a continuação T2 Trainspotting. (No total, até hoje, Hodge escreveu roteiros de seis filmes de Boyle; McDonald produziu sete).

Admito que hoje, que sou pai, uma certa cena do filme me incomodou muito mais do que vinte anos atrás, a cena do bebê morto. Entendo a cena no filme, mas acho que Boyle cruzou a linha. Preferia não ter visto daquele jeito, isso me causou uma bad trip…

No elenco, é curioso rever o início da carreira de nomes que hoje são grandes, como Ewan McGregor e Robert Carlyle. Também no elenco, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller, Kevin McKidd e Kelly MacDonald.

Em breve falo aqui da continuação, T2 Trainspotting!

Raw / Grave

rawCrítica – Raw / Grave

Sinopse tirada do site do Festival do Rio: “A jovem Justine nasceu no seio de uma família de veterinários. Aos 16 anos, a aplicada e talentosa adolescente está prestes a ingressar na faculdade, seguindo os passos de seus familiares na mesma universidade onde sua irmã mais velha faz sua graduação. Os trotes promovidos por veteranos começam já nos primeiros dias de aula e, em um dos desafios promovidos, Justine é forçada a comer carne crua pela primeira vez em sua vida. As consequências desse ato são inesperadas e logo Justine descobre sua verdadeira natureza. Prêmio FIPRESCI na Semana da Crítica do Festival de Cannes 2016.​

A sinopse do site do festival não fala duas coisas importantes. Um é que a família é de vegetarianos radicais; outra é que o filme fala de canibalismo!

Raw (Grave, em francês) chamou a atenção quando espectadores passaram mal durante um festival. Claro que um filme desses entrou no meu radar. Principalmente quando veio direto pra Midnight Movies…

Dirigido pela quase estreante Julia Ducournau, Raw mostra a transformação de uma mulher, que descobre segredos sobre ela mesma que ela nem tinha ideia. Ducournou teve uma grande ajuda com a sua protagonista. A desconhecida Garance Marillier consegue passar um ar inocente, mas não foge de cenas pesadas – Raw tem sexo, tem sangue, tem nudez, tem gore – e olha que não é um filme de terror! Aliás, é bom frisar: apesar do tema, Raw é um drama. O foco está na personagem e suas descobertas.

Sobre a “cena do dedo” – a cena que fez a galera passar mal: realmente é uma cena desconfortável. Claro que o pessoal acostumado com o torture porn dos Jogos Mortais da vida vai pensar “já vi coisa pior”, mas, dentro do contexto proposto neste filme, a cena é até mais incômoda que os filmes de terror.

Raw tem bom elenco, boa fotografia, boa trilha sonora, mas confesso que achei lento demais. Tudo demora demais pra acontecer. Pelo menos o final explica o comportamento da protagonista, o espectador não fica sem saber o motivo.

Acho difícil este filme chegar um dia no circuito brasileiro. Quem não viu, a saída será catar um dvd/blu-ray importado…

O Estrangulador Seboso

Greasy-Strangler-posterCrítica – O Estrangulador Seboso

Alvíssaras! Começou o Festival do Rio 2016! Como sempre, vou explorar a mostra mais divertida do festival, a Midnight Movies. Comecemos por O Estrangulador Seboso (The Greasy Strangler, no original). Bizarro como só uma Midnight Movies pode oferecer.

Sinopse tirada do site do Festival: “Em Los Angeles, Ronnie e Brayden são pai e filho que levam uma vida decadente e promovem tours a pé com a temática da disco music. Quando a sexy Janet* aparece para participar de um tour, pai e filho dão início a uma acirrada competição pela sua atenção. A sua chegada também atrai um maníaco bastante gordurento, que ronda as ruas à noite estrangulando inocentes e logo fica conhecido como o “Estrangulador Seboso”. Sensação do Sundance Film Festival, esta é uma alucinada mistura de suspense policial com altas doses de ofensas e diversão. Uma comédia familiar como nunca se viu. Sundance 2016.​

Co-escrito e dirigido por Jim Hosking (realizador de um dos curtas de O ABC da Morte 2), O Estrangulador Seboso é bizarro, muito bizarro. Parece um filme do John Waters, mas com produção da Troma. Toda a transgressão johnwateriana misturada com o gore da Troma, com direito a uma espécie de “vingador tóxico engordurado”.

Algumas ideias são boas. Mas a repetição das piadas cansa. Tipo as piadas envolvendo o tamanho do pênis do pai. As primeiras vezes são engraçadas, mas depois fica chato. Pra piorar, todos os personagens são feios, caricatos e desagradáveis. E além disso tem todo o gore ligado à gordura, o “grease” do título original. Faz parte do filme, mas embrulha o estômago do espectador…

Claro que O Estrangulador Seboso não é pra qualquer um. Claro que a maior parte do público vai detestar. Quando um diretor coloca tantas bizarrices em cena, não pode reclamar se alguém não gostar, né? Mas admito que ri em alguns trechos do filme.

Quem estiver no clima de encontrar “o filme mais bizarro de todos os tempos da última semana” vai se divertir. Mas o resto deve passar batido.

* (nota do crítico: Janet não tem nada de sexy!)

Demônio de Neon

Demônio de NeonCrítica – Demônio de Neon

Quando a aspirante a modelo Jesse se muda para Los Angeles, sua juventude e vitalidade são devoradas por um grupo de mulheres obcecadas por beleza, que assumirão todos os meios necessários para conseguir o que ela tem.

Filme novo do Nicolas Winding Refn. Essa informação é o suficiente pra gente saber qual é a do filme. Demônio de Neon (The Neon Demon, no original) segue EXATAMENTE a fórmula dos outros filmes do diretor dinamarquês.

Alguém aí não conhece os filmes de Refn? Já escrevi sobre seus três últimos filmes, Valhala Rising, Drive e Apenas Deus Perdoa. Olha só o que falei sobre este terceiro filme: “Quem viu Drive (e também quem viu Valhala Rising) sabe o que esperar: ritmo lento, poucos diálogos e muita violência gratuita. Apenas Deus Perdoa segue exatamente a mesma fórmula. E ainda repete Ryan Gosling quase mudo com sua cara de paisagem“.

Para o bem ou para o mal, todos os filmes de Refn são iguais. Um visual muito bem cuidado, mas num ritmo leeento, com atores blasé em um fiapo de história onde quase nada acontece.

Os seus fãs vão argumentar que o visual dos seus filmes é belíssimo. Ok, concordo. Realmente, a fotografia de Demônio de Neon é de cair o queixo. Pena que não existe uma história a ser contada. Conteúdo zero, mas com um belíssimo visual.

(Me lembrei de uma discussão que tive, no início dos anos 90, sobre Peter Greenaway. Um fã defendia sua obra pelo apuro visual; meu argumento era que Greenaway seria um ótimo diretor de fotografia e deveria trabalhar para outros diretores, melhores na arte de contar histórias. Usava como exemplo o Jean Pierre Jeunet, que sabia contar histórias interessantes e tinha um visual tão bem trabalhado quanto Greenaway. Só pra ilustrar meu ponto: em 1991, Greenaway lançou A Última Tempestade, enquanto Jeunet fez Delicatessen.)

O elenco tem alguns bons nomes, mas acho que não existe nenhuma boa atuação em um filme dirigido por Refn. Assim como em seus outros filmes, todos os atores têm um ar blasé e ficam com cara de paisagem durante as longas pausas que acontecem em quase todos os diálogos. Assim, um elenco com Elle Fanning, Jena Malone, Bella Heathcote, Abbey Lee, e pontas de Keanu Reeves e Christina Hendricks é desperdiçado. Ah, também tem o Karl Glusman, o protagonista de Love, acho que o cara gosta de se envolver em projetos polêmicos.

Por fim, queria saber de onde inventaram que Demônio de Neon é um filme de terror. Tem necrofilia, tem sangue. É bizarro. Mas não tem NADA de terror.

Zoom

zoom-cartazCrítica – Zoom

Três histórias independentes, mas que estão ligadas. Um diretor de filmes de ação quer fazer algo autoral; uma modelo quer virar escritora; uma desenhista quer ter seios maiores.

Coprodução Brasil e Canadá, dirigida pelo brasileiro Pedro Morelli, Zoom (idem no original) é um interessante exercício de metalinguagem. Uma história está dentro da outra, que está dentro da outra…

As histórias têm estilos diferentes. Visualmente, a que chama mais a atenção é a do diretor de cinema, pois trata-se de uma animação em rotoscopia, método onde o desenho é feito em cima de uma cena filmada (o exemplo mais famoso de rotoscopia é O Homem Duplo, do Richard Linklater, com Keanu Reeves, Winona Ryder e Robert Downey Jr.). As outras duas são filmagens convencionais, mas mesmo assim os estilos são distintos – a trama da quadrinista é mais interessante.

A história em si não tem nada de mais, mas a metalinguagem deixa tudo mais interessante. E conforme o filme vai chegando ao final, a trama vai ficando mais maluca. Gostei dos caminhos usados pelo diretor!

Coprodução internacional, o elenco mistura brasileiras como Mariana Ximenes e Cláudia Ohana com os gringos Jason Priestley, Alison Pill e Tyler Labine. Gael Garcia Bernal só aparece como desenho animado.

Por ser um filme diferente do padrão, Zoom não vai agradar a todos. Mas gostei de ver mais um diretor brasileiro fazendo filmes fora do “gênero nacional”.

As Aventuras de Gwendoline na Cidade Perdida

Gwendoline1Crítica – As Aventuras de Gwendoline na Cidade Perdida

Gwendoline chega na China numa caixa, e é ajudada pela sua amiga / babá e por um mercenário. Ela está numa missão para encontrar seu pai, que desapareceu quando buscava uma borboleta rara.

Hora de fazer um post nostálgico!

Segunda metade dos anos 80. Heu era adolescente, estudante do ensino médio, sem namorada, poucos amigos e muito tempo sobrando. Heu morava em Botafogo, e ia muito ao cinema.

Era uma época sem internet, sem tv a cabo, nem todos os filmes estavam nas videolocadoras. Existiam cinemas onde só passavam reprises. Isso mesmo, a gente ia ao cinema pra rever filmes.

A praia de Botafogo tinha 4 cinemas. Ópera 1 e 2 (onde hoje tem uma Casa & Vídeo) eram salas onde passavam estreias; Coral e Scala (onde hoje tem o Arteplex) eram uma sala de reprises e uma pornô (sim, existiam salas só para filmes pornô, mas isso é assunto para outro post).

Lembro de ter ido ao Coral algumas vezes para ver este As Aventuras de Gwendoline na Cidade Perdida (The Perils of Gwendoline in the Land of the Yik Yak, no original). Para um nerd adolescente, era o máximo ver uma cópia de Indiana Jones cheia de mulheres seminuas!

Revendo As Aventuras de Gwendoline na Cidade Perdida hoje em dia, claro que a gente constata que o filme não é bom. A história é ridícula, as atuações são péééssimas, e a nudez gratuita é muito forçada. Mesmo assim, foi um prazer rever. Assumo este filme como um guilty pleasure, aquele tipo de filme que a gente gosta, mas tem vergonha de admitir…

Na verdade, a estética camp do filme é bem legal. Tudo é meio tosco, mas é de propósito. E, dentro dessa proposta, os figurinos e cenários do filme funcionam perfeitamente.

Gwendoline nunca funcionaria nos dias de hoje. A mocinha frágil, a típica “donzela em perigo que aguarda seu príncipe encantado para salvá-la”, é um personagem que receberia duras críticas nos dias atuais de empoderamento feminino. O mesmo com o mocinho durão e machista, e também com Beth, a amiga / empregada da Gwendoline – aliás, um papel difícil de conceituar hoje em dia.

Gwendoline é baseado nos quadrinhos de John Willie. Nunca vi esses quadrinhos em lugar algum, não tenho ideia se o quadrinho tinha o mesmo estilo, tanto estético quanto de comportamento.

A direção é de Just Jaeckin, que na época já era conhecido por ter feito Emmanuelle, e pouco depois fez A História de O. Daí a gente entende a nudez presente. Não tem nada muito escandaloso, nenhum nu frontal, mas são várias cenas com mulheres de seios de fora. A maioria gratuita, como a cena da floresta, onde as duas meninas tiram as blusas – pra encher os cantis! É, acho que hoje em dia a personalidade dos personagens não seria o único ponto criticado…

No elenco, o único nome que tem algo a ser falado é o da protagonista Tawny Kitaen, que no mesmo ano estrelou A Última Festa de Solteiro ao lado de Tom Hanks, e que alguns anos depois fez alguns vídeos do Whitesnake (Tawny foi casada com David Coverdale, mas não sei se já era na época dos vídeos). Não conheço nenhum outro filme do resto do elenco.

Não sei se posso recomendar um filme desses. Mas admito que me diverti revendo.

p.s.: Um dos posters resumia bem o espírito do filme: “Barbarella encontra Indiana Jones”. Veja abaixo!

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Paz & Amor

Love_&_PeaceCrítica – Paz e Amor

Um músico frustrado que sofre bullying por seus colegas de trabalho compra uma tartaruga, mas acaba se desfazendo dela, e se arrepende por isso. Mas sua tartaruga cresce e aprende a cantar.

No Festival do Rio do ano passado, uma das melhores surpresas foi Gangues de Tokyo, um musical hip hop em japonês. Claro que guardei o nome do diretor, Sion Sono. E claro que, quando li seu nome na programação deste ano, nem pensei duas vezes e garanti o meu ingresso.

Paz & Amor (Love and Peace em inglês) é divertidíssimo, apesar de ser um dos mais estranhos da programação deste ano. E por este motivo, não é um filme recomendado pra qualquer um, tem que ter a cabeça aberta para ver algo completamente fora da curva. Temos atuações à beira da caricatura (algo comum no cinema japonês), criaturas animadas toscamente e uma tartaruga gigante que parece o Baby da Silva Sauro.

Explicando melhor: existe uma trama paralela (que traz um belo plot twist, diga-se de passagem) onde temos brinquedos quebrados e animais abandonados que falam. E, em vez de serem animatronics ou cgi, são marionetes toscas! E a tartaruga, quando cresce, com grandes olhos e voz fina, lembra muito o personagem caçula da família Dinossauro.

Agora, mesmo com toda a tosqueira, a produção é muito bem feita. Temos grandes shows de música, e cenas bem feitas de destruição no fim. Falta de dinheiro não era um problema, a tosqueira deve ter sido uma opção da produção.

Agora aguardemos o festival de 2016, onde vou direto na programação procurar se tem algo novo do Sion Sono. E enquanto isso, passei o dia cantarolando a música tema do filme – impossível não sair do cinema com a música na cabeça!

p.s.: No trailer que tem no youtube tem a música, mas não aparece a tartaruga…

The Lobster

The Lobster - posterCrítica – The Lobster

Quando a gente lê “futuro distópico” em uma sinopse, a gente logo lembra de filmes como Jogos Vorazes, Maze Runner ou Divergente. Bem, esqueça isso!

Vamos a uma das sinopses mais estranhas dos últimos tempos: nesta sociedade distópica, as pessoas não podem ficar sozinhas. Quem está solteiro (ou separado, ou viúvo) é levado para um hotel, onde tem 45 dias para arranjar um par (e tem que ser “pra valer”, não existe a opção de namorar por namorar). Se não conseguir um(a) companheiro(a), será transformado(a) em um animal de sua escolha. Sim, um animal, de verdade.

Depois de chamar a atenção com títulos como Dente Canino e Alpes, o diretor grego Yorgos Lanthimos partiu para uma produção mais internacional – The Lobster é uma co-produção entre Grécia, Inglaterra, Irlanda, França e Holanda, e é falado em inglês e francês.

The Lobster é um conto bizarro, parece até os filmes surrealistas do Buñuel. A sociedade apresentada no filme é absurda, mas as interpretações são sérias – os personagens levam aquilo a sério, o absurdo é só para o espectador. Isso gera cenas geniais – e engraçadíssimas!

O elenco também é bem internacional: o irlandês Colin Farrell, os ingleses Rachel Weisz e Ben Whishaw, a francesa Léa Seydoux e o americano John C. Reilly. De um modo geral, o elenco parece um pouco apático, mas é exatamente o clima que o filme pede.

The Lobster tem um problema: o ritmo cai na parte final. Enquanto a narrativa está no hotel, a trama flui bem; quando vamos para a floresta, o foco muda, mas continua fluindo. Quando a história se fecha no casal, o filme perde o fôlego. Pena.

Mesmo com o fim mais fraco, The Lobster foi um dos melhores filmes do Festival do Rio 2015. Tomara que entre em cartaz!

Vício Inerente

Vicio-InerenteCrítica – Vício Inerente

Filme novo do Paul Thomas Anderson!

Califórnia, 1970. O nada convencional detetive Larry “Doc” Sportello investiga o desaparecimento de uma ex-namorada.

Paul Thomas Anderson é um cara talentoso, que sabe trabalhar bem suas imagens. Por outro lado, é um cara lento, e seus filmes às vezes são longos demais. Mas, como ele é o diretor de Boogie Nights, um dos meus filmes favoritos, ele tem crédito comigo.

Vamos aos fatos: Vício Inerente (Inherent Vice, no original) tem seus bons momentos, mas, no geral, não é um bom filme. Me parece que Paul Thomas Anderson não fez um bom trabalho ao roteirizar o livro homônimo de Thomas Pynchon. Além da trama ser rocambolesca demais, algumas cenas e personagens parecem sem propósito – por exemplo, gosto do Benicio Del Toro, mas tire o seu papel e nada muda no filme (talvez funcione no livro, mas não aqui aqui no filme). Ou seja, a adaptação é confusa, e como o filme é longo (148 minutos), o espectador já está cansado antes da metade.

Pena, porque, como falei, Vício Inerente não é ruim. De positivo, temos uma excelente ambientação de época – os figurinos e maquiagens estão perfeitos, o filme realmente parece feito nos anos 70. A fotografia de Robert Elswit é outro destaque, com um pé no cinema noir.

O elenco também está muito bem. Joaquin Phoenix está ótimo como uma espécie de Wolverine hippie; Josh Brolin idem, com o seu policial bruto e esquisitão. Ainda no elenco, Reese Witherspoon, Katherine Waterston, Jena Malone, Owen Wilson, Eric Roberts, Martin Short, Joanna Newsom, Serena Scott Thomas, Maya Rudolph, Michael Kenneth Williams e Hong Chau, além do já citado Del Toro.

Pena que o resultado final é enfadonho. Acho que é melhor rever Boogie Nights