Apenas Uma Vez

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Apenas Uma Vez

Simpático e modesto filme, Apenas Uma Vez é a história de um músico de rua que conhece uma imigrante, também musicista e, juntos, resolvem gravar suas composições.

O filme dirigido por John Carney teve uma produção espartana, às vezes lembra o movimento anti-Hollywood Dogma 95, criado pelos dinamarqueses que pregavam a simplicidade: atores não profissionais, câmera (digital) na mão, sem luz artificial, sem trilha sonora a não ser a tocada e cantada pelos atores-músicos. E, mesmo assim, ganhou o Oscar de melhor canção original de 2008, batendo três músicas indicadas de Encantada, de Alan Menken e Stephen Schwartz.

Glen Hansard e Markéta Irglova, o casal central, na verdade não são atores,  são músicos, e já eram amigos há bastante tempo antes de acontecer o convite para o filme. Ou seja, são eles interpretando as próprias músicas. Isso ficou muito legal!

O estilo é um pouco cansativo, mas o filme é curtinho, então nem incomoda muito.

O que incomodou foi outra coisa. Mas antes, o aviso de spoiler!

SPOILER!

SPOILER!

SPOILER!

Vi esse filme ao lado da Garotinha Ruiva, que ficou esperando um final romântico para o casal. Mas na verdade, o romance deles nem chega a acontecer…

It Might Get Loud

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It Might Get Loud

Que tal colocar três guitar heroes de gerações diferentes, juntos, cada um com uma guitarra na mão? É basicamente isso o que acontece neste documentário It Might Get Loud, que está na programação do Festival do Rio 2009.

Ano passado, o diretor Davis Guggeinheim reuniu Jimmy Page (então com 64 anos), The Edge (com 47 anos) e Jack White (com 33 anos) e filmou o encontro. E ainda vemos entrevistas e peculiaridades sobre cada um dos três, entremeando este encontro.

O resultado é muito interessante. Não só temos acesso a imagens raras, e até engraçadas (num programa de tv, um “James” Page novinho declara ao entrevistador que não quer ser músico e na verdade será um biólogo!), como conhecemos um pouco da intimidade de cada um dos três.

Não é todo dia que vemos Jimmy Page, empolgado, tocando uma air guitar. Nem todo dia que vemos um The Edge ainda adolescente, de mullets, com roupas new wave. Nem todo dia que vemos Jack White construindo uma guitarra com uma garrafa vazia de coca-cola.

O filme tem um problema: Jimmy Page tem muito mais estrada que os outros dois, e The Edge, por sua vez, tem muito mais estrada do que Jack White. Como o diretor optou por dividir igualmente o tempo e a atenção entre os três, White é “engolido” – pelo menos Edge tem ao seu lado quase trinta anos de efeitos de guitarra, o que acaba se tornando algo interessante de se conhecer de perto – uma das cenas resume isso. Todos tocam juntos, é claro; todos tocam músicas uns dos outros. Mas quando Jimmy Page puxa o riff de Whole Lotta Love, The Edge ficou num silêncio respeitoso, enquanto White para de tocar e ainda afasta sua guitarra do corpo.

Mesmo assim, White não faz feio. Aliás, tenho que reconhecer que foram três boas escolhas. Assim como tenho que reconhecer que é um bom documentário, apesar de ser sobre guitarristas – heu toco teclado!

The Commitments – Loucos Pela Fama

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The Commitments – Loucos Pela Fama

Quando a gente passa numa Americanas da vida e vê aquela infinidade de dvds, quase tudo baratinho, pensa que o mercado de dvds aqui no Brasil é muito bom. Mas na verdade, faltam alguns títulos importantes no mercado! Alguns filmes inexplicavelmente nunca foram lançados, como por exemplo A Fera do Rock (Great Balls of Fire) ou Top Secret – Superconfidencial (falei dele ontem!). Outros filmes foram mal lançados, e é praticamente impossível encontrá-los, como Marte Ataca ou Assassinato Por Morte.

Heu achava que The Commitments – Loucos Pela Fama fosse um desses casos. Até que vi anunciado num site. Encomendei logo o meu, e já revi!

Em Dublin, Irlanda, um grupo de amigos resolve montar uma banda de soul. Afinal, segundo o que eles dizem, os irlandeses são os negros da Europa! Acompanhamos todo o processo: anúncio no jornal, recrutamento dos músicos, ensaios, primeiros shows… Até o fim da banda (pelo menos no filme)…

The Commitments é um dos filmes musicais mais “sinceros” que conheço. Digo isso porque os atores são realmente músicos! Fui ver no imdb, quase todos no elenco têm este como o primeiro filme da carreira, alguns até nem seguiram a carreira de ator! E, por outro lado, a banda “The Commitments” continuou a carreira depois do filme…

A banda na tela realmente passa credibilidade. Os músicos têm boa química para tocar, e ao mesmo tempo têm que conviver com as brigas internas – divergências musicais, brigas de ego… Quem nunca soube de problemas entre músicos da mesma banda?

Apesar de não ter uma carreira exclusivamente musical, o diretor Alan Parker (Coração Satânico, A Vida de David Gale) tem intimidade com música nos filmes. Afinal, ele dirigiu Pink Floyd – The Wall, Evita, Fama e Quando as Metralhadoras Cospem! Acredito que isso tenha ajudado na formação da banda dentro do filme…

O filme foi inspirado num livro de Roddy Doyle, parte da “trilogia Barrytown” – inclusive o ator Colm Meaney interpreta o mesmo personagem nos outros dois filmes, A Grande Família e A Van.

(Aliás, uma curiosidade: a banda de folk rock celta The Corrs foi fundada durante os testes para o filme. Andrea Corr é a irmã do protagonista, enquanto os outros três irmãos aparecem durante as audições para a banda…)

Enfim, um filme legal para quem curte o clima de se músico e tocar numa banda…

Tenacious D in the Pick of Destiny

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Tenacious D in the Pick of Destiny

Tenacious D é uma banda de “hard rock comédia”, liderada pelo ator Jack Black, ele mesmo, de Escola de Rock e Kung Fu Panda. Um dos motes da banda é que eles se consideram “a melhor banda de rock do mundo”. Este filme é uma “modesta” biografia da banda.

O jovem e ingênuo JB (Jack Black) vai até a California pra tentar ser um rock star. Lá ele conhece o malandro KG (Kyle Glass), e juntos resolvem fazer a banda Tenacious D, seguindo tatuagens que ambos têm nas nádegas. Atrás de uma palheta mágica e misteriosa, eles resolvem ir até um museu de rock’n’roll.

Ok, confesso que às vezes o filme é meio bobo. Mesmo assim, é muito divertido. As músicas são muito boas, e em alguns momentos, o filme é genial – como na sequência da viagem de cogumelo.

Pesquisando pelo imdb, descobri que existiu uma série da HBO em 2000, de apenas seis episódios, sobre a banda Tenacious D. Acho que vou procurar isso…

Outra das coisas legais do filme é a quantidade de gente famosa fazendo pontas. Tim Robbins é o mendigo interessado na palheta, enquanto um Ben Stiller (que depois faria Trovão Tropical com Black), cabeludo e tatuado, faz o atendendente da loja de instrumentos musicais. Se Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters) faz o diabo, Ronnie James Dio, bem, Dio é Dio, né? Dio faz Deus. E, na cena inicial, onde temos Meat Loaf como o pai, temos Troy Gentile, um moleque IGUAL ao Jack Black interpretando o pequeno JB.

O filme é de 2006, e heu nunca tinha ouvido falar dele. Ou seja, acho difícil que seja lançado por aqui. Esse vale o download!

Meet The Feebles

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Meet The Feebles

“Senhoras e senhores! Sua atenção, por favor! Bem-vindos ao mais novo, ao maior, ao mais espetacular show na história do entretenimento! Batam palmas para os fabuloso espetáculo de variedades dos Feebles!”

Depois desta narração, aparecem marionetes de vários bichinhos cantando e dançando. Parece uma cópia do Muppet Show, não? Bem, só se for de longe, porque de perto o que vemos é bem diferente dos bonecos de Jim Henson. E bem coerente com o início da carreira do laureado diretor Peter Jackson.

Peter Jackson é um nome conhecido e respeitado hoje por qualquer um em Hollywood. O terceiro filme da série O Senhor dos Anéis, dirigido por ele, ganhou 11 Oscars (um dos recordistas, ao lado de Ben Hur e Titanic). E o cara hoje tá nas cabeças do projeto de levar os quadrinhos do Tintin para as telas, ao lado de “um tal de” Steven Spielberg…

Mas quem conhece seu passado sabe que nem sempre foi assim…

Vamos lá: Peter Jackson começou a chamar a atenção de Hollywood em 1994, quando fez, ainda na sua Nova Zelândia natal, o ótimo Almas Gêmeas (que trazia uma ainda desconhecida Kate Winslet, Oscar de melhor atriz esse ano). Dois anos depois, já em Hollywood, fez Os Espíritos, meio terror meio comédia com Michael J Fox, filme que abriu portas a ele para realizar o grandioso projeto de levar às telas os livros O Senhor dos Anéis. Projeto este que lhe rendeu excelentes bilheterias, respeito da crítica e muitos prêmios.

E antes de Almas Gêmeas? Quem era Peter Jackson?

Ele fez dois filmes trash, ambos sensacionais: Trash, Náusea Total (Bad Taste), de 87; e Braindead – Fome Animal, de 92. Ambos estão na minha lista pessoal de melhores filmes trash da história. E ambos têm distribuição no Brasil! E, em 89, fez esse tal de Meet the Feebles, que, até onde sei, nunca chegou por aqui…

Meet The Feebles é um musical, só com bonecos, parece realmente uma versão do Muppet Show. Mas, ao contrário dos muppets, que vivem num “mundo bonitinho”, o mundo dos feebles é o do submundo e da sarjeta: o filme só fala de perversões! Sexo, drogas, escatologia, pornografia, violência, sangue, assassinatos, traições… tem até um coelho com aids!

E assim acompanhamos a companhia “Os Feebles”, de bichos artistas, que se preparam para um show ao vivo. O filme mostra os preparativos para esse show. Vemos tudo o que rola nos bastidores. E assim conhecemos todos os podres da companhia. Que são muitos…

Alguns dos bonecos são marionetes, outros têm atores dentro. Mas todos os personagens do filme são bonecos, não há nenhum humano! Mesmo assim, NÃO é recomendado para crianças!

É um filme muuuito bizarro… Nem sei se pode ser rotulado como trash… Mas pode servir pra matar a curiosidade de que imaginou um “muppet do mal”…

Quase Famosos

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Quase Famosos

Outro dia falei aqui do filme Rock Star, que mostra os bastidores de uma banda de rock dos anos 80 através de um personagem mais novo, no caso, um cantor de uma banda cover. Quase Famosos é parecido: conhecemos os bastidores de uma banda de rock, só que desta vez dos anos 70; através de um outro personagem mais novo ainda, um adolescente que se passa por repórter da revista Rolling Stone.

Mas esse filme não é uma cópia, longe disso! Arrisco dizer que esse é ainda melhor que Rock Star!

O filme foi baseado na experiência do próprio diretor Cameron Crowe, que escreveu para a mesma Rolling Stone quando ainda era novo – acredito que não tão novo quanto William Miller, o garoto que mata aulas na escola pra acompanhar a Stillwater, uma banda em ascenção que está prestes a virar matéria de capa da revista.

E o jovem William Miller e sua saga nos deram um dos melhores filmes da história do rock’n’roll!

Esse filme é delicioso. Tudo funciona direitinho. O elenco é perfeito, liderado pelo quase desconhecido Patrick Fugit, e com nomes como Kate Hudson, Billy Crudup, Jason Lee, Anna Paquin, Frances McDormand e Philipp Seymour Hoffman. A trilha sonora tem muitas músicas boas de muitos artistas dos anos 70, como Led Zeppelin, The Who, Elton John, Black Sabbath, Yes, Lynyrd Skynyrd, Beach Boys, etc. E a banda Stillwater passa a impressão de que realmente estava lá!

A banda “fake” Stillwater merece um parágrafo… Eles realmente ensaiaram 4 horas por dia, 5 dias por semana, durante 6 semanas! As músicas interpretadas pela banda foram compostas pelo diretor Cameron Crowe, sua esposa Nancy Wilson (ex vocalista do Heart) e “um tal de” Peter Frampton. Frampton, inclusive, ensinou a Billy Crudup a postura de palco de um verdadeiro guitarrista (quem diria, o peladão azul de Watchmen toca guitarra!). E o nosso vocalista Jason Lee copia o estilo de Paul Rodgers, aquele mesmo que está hoje no Queen.

O resultado? Como poucas vezes na história de Hollywood, a banda parece realmente uma banda na tela… Temos até a briga de egos da dupla vocalista / guitarrista, que quer ser como Robert Plant vs Jimmy Page, ou Ian Gillan vs Ritchie Blackmore!

O filme tem várias cenas memoráveis, como a sensacional cena da pane no avião, ou toda a sequência da “fuga” de Russell Hammond e sua volta, com a galera cantando Tiny Dancer no ônibus…

Foi lançado aqui no Brasil um dvd duplo, com a versão que passou nos cinemas e outra versão, a do diretor, com duas horas e quarenta de filme. Recomendo fortemente essa versão mais longa. Acredite, não parece muito num filme desses…

Repo! The Genetic Opera

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Repo! The Genetic Opera

Tem filmes que já “nascem” cults. Um musical de terror com a diva da Broadway Sarah Brightman atuando ao lado da celebridade patricinha Paris Hilton não tem como não ser cult…

Estamos num “futuro não tão distante”. Houve uma epidemia de falências de órgãos. Uma grande coropração, a Geneco, oferece financiamento para o transplante de órgãos. Ao mesmo tempo, a Geneco lidera uma moda de transplantes não essenciais. E, quando o transplantado atrasa o pagamento, manda um “Repo Man” para “recuperar” órgãos!

A idéia é interessante. O diretor Darren Lynn Bousman é o mesmo de Jogos Mortais 2, 3 e 4, ou seja, é “do ramo”. Ele viu a peça “musical de terror”, fez um trailer de 10 minutos e conseguiu vender a idéia para os produtores.

Mas o filme tem um problema básico: se a parte “terror” está bem representada, a parte “musical” não é muito boa. Um musical precisa ter músicas boas. Sempre que pensamos em musicais ligados ao rock, como Jesus Cristo Superstar ou Tommy, lembramos de várias músicas memoráveis, várias cenas musicais marcantes. Aqui, algumas músicas até são legais, mas nada que empolgue a ponto de, ao fim do filme, procurarmos o cd com a trilha sonora…

Existe outro problema: esta é uma versão de 98 minutos. Segundo o imdb, o diretor pretende lançar em dvd uma outra versão, com 150 minutos. E essa redução não ficou muito boa: alguns temas são lançados e mal explorados, como a nova droga Zydrate.

Mesmo assim, o filme vale ser visto. Afinal, quando temos a oportunidade de ver por aí um musical de terror? Ok, temos Sweeney Todd. Mas a diferença é que Sweeney Todd é essencialmente um musical que conta uma história de terror; Repo! é essencialmente um filme de terror, e que também é um musical. Outros filmes que também se aproximam da idéia são Rocky Horror Picture Show e A Pequena Loja dos Horrores, que puxam pra comédia, ou O Fantasma da Ópera, que na verdade é um drama…

Tem uma coisa que me deixou intrigado no filme: qual é a da Sarah Brightman? Ela é uma diva da Broadway, é atualmente um dos maiores nomes  ligados ao teatro musical. E não fez praticamente nada em Hollywood. Por que ela escolheu logo este filme para a sua “estréia” hollywoodiana? Sei lá, não me parece combinar muito com o estilo dos fãs dela… Normalmente, a galera que curte musicais não é chegada num gore… Que está presente aqui, em cenas com ela própria…

E tem outra coisa que pesquisei mas não obtive resposta: será que este Repo Man” tem algo a ver com o Repo Man, filme de 84, dirigido pelo Alex Cox e estrelado pelo Emilio Estevez? Afinal, qual o verdadeiro significado da expressão “Repo Man”?

http://www.imdb.com/title/tt0087995/

De qualquer maneira, como disse lá em cima, vale ser visto! E como não vi previsão de lançamento por aqui, então, corra para o torrent mais próximo!

Os Reis do Iê Iê Iê (A Hard Day’s Night)

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Os Reis do Iê Iê Iê (A Hard Day’s Night)

Não, não vou falar do disco. Vou falar do filme dos Beatles!

Pros mais novos: sim, eles fizeram alguns filmes. Existe inclusive uma discussão por aí, porque beatlemaníacos dizem que os primeiros videoclips da história seriam esses filmes – a outra “corrente” (com a qual heu concordo) defende Bohemian Rhapsody, do Queen, como o primeiro videoclip, afinal foi um “filminho” feito apenas pra uma música.

Mas voltemos aos filmes dos Beatles! Este A Hard Day’s Night, que aqui no Brasil ganhou o “simpático” nome de Os Reis Do Iê Iê Iê, foi o primeiro de uma série de 5 filmes – depois vieram Help!, Magical Mistery Tour, Yellow Submarine e Let it Be (nomes originais).

E de que trata o filme? Nada demais, o roteiro é apenas para juntar as músicas. Os Fab Four pegam um trem e vão até os bastidores de um programa de tv, onde vão se apresentar no fim do filme. Enquanto isso, rolam motivos pra eles tocarem várias músicas, como “A Hard Day’s Night”, “I Should Have Known Better”, “Can’t Buy Me Love”, “All My Loving” e “She Loves You”, entre outras.

O filme é em preto e branco, e os quatro interpretam eles mesmos. Junto com eles está sempre um velhinho rabugento, o avô do Paul McCartney.

Despretensioso e divertido!

Across the Universe

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Across the Universe

Um filme que quase todo o roteiro é feito de músicas dos Beatles? É uma idéia assaz interessante… Perigosa, porém interessante!

Digo perigosa porque entrar no “universo beatles” não é pra qualquer um. Os beatlemaníacos mais radicais odiariam a idéia de se mexer em algo para eles “sagrado”; por outro lado os que não dão bola pros Fab Four achariam a idéia sem graça.

E não é que a diretora Julie Taymor acertou a mão?

O roteiro é baseado em músicas dos Beatles. Quando as músicas não estão cantadas, elas estão faladas ou citadas por outros elementos – como os nomes dos personagens Jude, Lucy, Sadie, Prudence ou Jo Jo, todos personagens presentes em músicas.

A gente vê um filme desses e se questiona: será que isso seria possível com a obra de qualquer outro artista? Qual outro artista tem no seu repertório tantas boas músicas, tantas músicas famosas, tantas músicas que já fazem parte do nosso subconsciente coletivo? (Sei lá, pensei em Queen, sei que não tem tantas músicas famosas, mas pelo menos a obra do Queen tem a riqueza necessária para um projeto desses…)

Outro ponto forte do filme é o seu visual, psicodélico na dose certa – como a obra dos Beatles, por sinal. Isso, aliado a boas interpretações de quase desconhecidos artistas cantores, nos proporciona belíssimos espetáculos para os olhos.

Cameos: procurem por Bono e Salma Hayek!

O sonho acabou. Mas ainda pode nos proporcionar belos filmes!

Sweeney Todd

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Sweeney Todd

Numa Londres dos tempos vitorianos, um barbeiro condenado e exilado por um crime que não cometeu volta 15 anos depois com sede de vingança. E, num clima doentio, assassina clientes de sua barbearia, enquanto a loja de tortas de carne do andar abaixo usa a carne dos cadáveres em suas tortas.

Por mais que seja uma história de terror, o novo filme de Tim Burton é baseado no musical de Stephen Sondheim, original da Broadway. Ou seja, estamos diante de um musical – de terror!

Tim Burton é o nome perfeito para um filme desses. Hoje em dia, Tim Burton é um dos únicos diretores hollywoodianos que mantém um estilo próprio. Você vê o filme e logo reconhece o seu autor. Principalmente quando lembramos as suas parcerias com Johnny Depp: esse é o sexto filme da dupla, antes vieram Edward Mãos de Tesoura, Ed Wood, A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, A Fantástica Fábrica de Chocolates e A Noiva Cadáver (sim, é animação, mas as vozes do casal principal são as mesmas deste Sweeney Todd).

Uma prova de que Tim Burton é “o cara” é que Stephen Sondheim estava relutante para liberar o musical para uma versão cinematográfica, mas depois de uma conversa entre os dois, Burton explicou a sua visão sobre Sweeney Todd, e então Sondheim liberou as músicas, com a condição que aprovasse os atores cantores. Claro que Burton queria Depp para o papel principal, mas Sondheim achava que ele seria muito “rock’n’roll” pro papel. Mas Depp não teve problemas com isso, e se submeteu aos testes de voz. Helena Bonham Carter, apesar de esposa do diretor, também teve que fazer os testes. Sondheim aprovou ambos.

O elenco, aliás, é curioso. Diferente de produções como Rent – que trouxe para as telas vários nomes da Broadway, ou Hairspray – que usa atores famosos por terem intimidade com papéis cantados; Sweeney Todd tem atores que não são lembrados por serem cantores. Além de Depp e Carter, temos Alan Rickman (o Snape de Harry Potter), Timothy Spall (também de Harry Potter, além de um monte de papéis pequenos em filmes diversos) e Sacha Baron Cohen – sim, o Borat! – que está sensacional, aliás. Além desses, ainda temos alguns bons e importantes papéis na mão de atores até agora desconhecidos, como Laura Michelle Kelly, Jayne Wisener e Jamie Campbell Bower.

Apesar de seu clima sombrio e seu anti-herói, Burton e Depp conseguiram fazer um filmaço. Johnny Depp levou o Globo de Ouro de melhor ator pelo papel, mas perdeu o Oscar pro Daniel Day Lewis…