Camila (Juliana Schalch), Cazé (Gabriel Godoy) e Rafael (Victor Mendes), estudantes recém chegados em São Paulo, vão morar juntos e viram amigos inseparáveis. Com o fim da faculdade e a iminente separação do trio, surge uma proposta para transformar a vida deles em uma espécie de mistura de reality show com site de vendas on line.
Os 3 foi dirigido por Nando Olival, que antes fez Domésticas ao lado de Fernando Meirelles. O melhor aqui é a química entre o trio principal. Apesar de usar atores desconhecidos, o elenco foi muito bem escolhido. Os atores viraram amigos na vida real, e isso transparece na tela.
O roteiro não é perfeito, algumas situações soaram forçadas, me pareceu que não tinham muita história pra contar. E ainda achei desnecessária a inclusão da outra menina no “reality show”. O que salva é realmente o trio principal.
Mas tem uma coisa que me incomodou um pouco. Spoilers leves abaixo!
SPOILERS!
SPOILERS!
SPOILERS!
Se Rafael gostava tanto de Camila a ponto de se afastar, na minha humilde opinião, não teria muito sentido ele querer de volta a companhia de Cazé…
FIM DOS SPOILERS!
Felzmente, isso não atrapalha o resultado final. Leve e despretensioso, Os 3 consegue ser uma boa diversão.
Walter (Lázaro Ramos) é um cara pacato, aquele tipo de cara que não sabe dizer não, e por isso, é usado de capacho pelas pessoas próximas. No dia da festa de aniversário de sua filha, ele tem que pegar o bolo, mas muitos imprevistos estarão no seu caminho.
Amanhã Nunca Mais segue a linha de Depois de Horas, de Scorsese, onde o destino prega inacreditáveis peças consecutivas com o personagem de Griffin Dunne. A pessoa errada no lugar errado, várias vezes seguidas Nas mãos certas, isso pode gerar uma boa comédia. Felizmente, podemos constatar que isso acontece com o filme do diretor estreante Tadeu Jungle.
Vindo da publicidade, Jungle imprime um estilo ágil aos desencontros sofridos por Walter. O roteiro e a edição ajudam. Amanhã Nunca Mais é um filme curtinho, outra coisa boa, não precisa encher linguiça.
Antes de começar a sessão, Jungle falou para o plateia do cine Odeon que desde o início do projeto o nome de Lázaro Ramos foi pensado para o papel principal. Realmente, um inspirado e carismático Lázaro faz um bom trabalho com seu inseguro Walter. Também gostei de Maria Luiza Mendonça e Milhem Cortaz, ambos exagerados, mas nunca acima do tom; e de Fernanda Machado, contida na dose certa.
Boa diversão despretensiosa, deve estrear no circuito em breve.
Legal! Uma comédia / ficção científica nacional! E bem feita!
Zero (Wagner Moura) é um brilhante cientista, traumatizado por ter sido humilhado por sua namorada 20 anos antes. Prestes a descobrir uma nova forma de energia, Zero acidentalmente volta ao passado e agora tem a chance de consertar o rumo da sua vida.
O novo filme de Claudio Torres é ainda melhor que o anterior, A Mulher Invisível, que já era legal. O roteiro acerta nas idas e vindas no tempo, o timing de comédia é muito bom e não apela para o pastelão baixaria (como de vez em quando em comédias nacionais), e os efeitos especiais são simples e bem feitos. E o elenco está ótimo. Taí, este é um bom caminho para a comédia nacional.
Wagner Moura é sensacional. Ele consegue construir três personagens diferentes – um jovem deslumbrado, um adulto amargurado e um adulto bem resolvido – e convence com os três. O cara merece a boa fase: além de ter mandado bem em VIPs, o seu Tropa de Elite 2 é o representante nacional no Oscar 2011. E ele ainda estará em breve ao lado de Matt Damon, Jodie Foster e William Fichtner em Elysium, novo filme de Neill Blomkamp (Distrito 9).
E o filme não é só de Moura. Alinne Moraes, Fernando Ceylão, Maria Luísa Mendonça e Gabriel Braga Nunes também estão muito bem com diferentes personagens nas diferentes realidades temporais. Outro dos acertos de O Homem do Futuro é na parte de maquiagens e caracterizações.
Agora vamos a um papo nerd. Quem não curtir discussões sobre teorias de viagens no tempo, pule pro parágrafo seguinte.
As teorias mais usadas nos filmes de viagem no tempo são: ou a linha temporal é alterável, como em De Volta Para o Futuro – se você mudar o seu passado, o seu presente pode não acontecer; ou a linha temporal é única, como em O Exterminador do Futuro – o cara vai voltar ao passado, e aquilo tudo vai acontecer da mesma forma. Bem, a princípio Homem do Futuro segue a primeira teoria – Zero volta e cria uma realidade paralela (como acontece em De Volta Para o Futuro 2). Mas aí rola um problema: o evento que marcou toda a sua vida só tem sentido depois das idas e vindas no tempo – Helena só agiria daquele jeito por causa das viagens. Então, é usada a segunda teoria! Bem, em defesa do filme, a gente pode dizer que são teorias usadas no cinema, porque na verdade viagens no tempo não existem…
Bem, O Homem do Futuro não é um filme feito apenas para nerds. A plateia “convencional” vai curtir uma boa comédia romântica com um pé na ficção científica. Que venham outras produções nacionais com a mesma qualidade!
Ficou pronto o aguardado novo filme de Rodrigo Aragão, diretor do cult trash Mangue Negro!
O filme fala de uma velha briga por terras entre duas famílias rivais. Enquanto isso, um misterioso monstro espreita no meio do mato.
Rodrigo Aragão falou antes com a plateia. Explicou que esta versão ainda não é a definitiva, que ele estava trabalhando numa versão quatro minutos mais curta, e com o som melhorado.
O filme é muito divertido, um legítimo trash. Quem gosta do estilo não se decepcionará. Muito gore, muita gosma, de várias cores diferentes, de várias origens diferentes. Muito bom! 😀
Claro, nem tudo é perfeito. O som ambiente tem falhas claras (tomara que isso seja uma das coisas consertadas na nova edição). O elenco tem atores caricatos, mas isso já era esperado, pelo estilo do filme.
Por outro lado, um nome em particular está tão caricato que ficou genial: um dos papeis principais é de Peter Baiestorf, um dos maiores realizadores do underground brasileiro, autor de dezenas filmes trash (segundo o wikipedia, são 17 longas, mais alguns curtas e médias). Na época de Mangue Negro, li uma comparação entre Rodrigo Aragão e Sam Raimi da época do primeiro Evil Dead; Baiestorf seria o seu Bruce Campbell. Baiestorf perde um olho, alguns dedos, se suja de vários tipos de gosma e não para de gritar palavrões! Vou procurar um dos seus filmes, depois comento aqui – já tenho baixado “Vadias do Sexo Sangrento“!
(Aliás, falando em Baiestorf, sei que um de seus filmes de chama “Vou Mijar na P#@rra do Seu Túmulo” – determinado momento do filme, seu personagem, ensandecido, grita exatamente isso!)
Ah, sim, falei em gosma, né? Nisso, o filme é de primeira linha. Tanto a maquiagem quanto os efeitos de gore são muito bem feitos. Nisso, a equipe é tão eficiente que houve uma oficina de maquiagem durante o Rio Fan – e a oficina estava lotada.
Além disso, a trilha sonora, com vários temas instrumentais feitos apenas com percussão, é muito legal, mostra um lado legal da música brasileira, sem precisar cair nas obviedades do samba e da mpb. Bola dentro!
Também é importante notarmos a evolução técnica que Aragão conseguiu desde Mangue Negro. A qualidade da imagem era um dos pontos fracos do outro filme, agora melhorou muito. Outra coisa é o elenco mais heterogêneo, nada de atores novos sob forte maquiagem para interpretar personagens velhos.
O que dá pena ao ver um filme desses é saber que ele nunca será lançado nos cinemas convencionais. Torço para que um dia heu consiga uma edição em dvd tão legal como a edição de Mangue Negro que comprei das mãos de Aragão: um dvd duplo, cheio de cartões dentro do encarte, e com uma caixinha de papel em volta. Edição de luxo! 😉
Acredito que o filme ainda não exista para baixar. E espero ainda rever numa tela grande. Mas, enquanto nenhuma das opções é viável, fiquem com o trailer:
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Agora, um adendo: uma foto minha, entre o ator principal Joel Caetano e o diretor Rodrigo Aragão, tirada logo após a exibição do filme. Agradecimentos a Rodrigo Giane, que tinha uma câmera com flash (a minha câmera não tinha…).
(Rodrigo Aragão é o de barba!)
Conquistador, o empresário paulistano Luiz Mario está de férias no Rio de Janeiro, quando é atropelado pela bicicleta da carioca Malu. Eles se apaixonam e se casam. Mas Luiz Mario se revela mais ciumento do que deveria ser.
Dirigido por Flavio Tambellini, Malu de Bicicleta tem como roteirista o próprio Marcelo Rubens Paiva, autor do livro onde o filme se baseou. Não li o livro, mas, na minha humilde opinião, o roteiro ficou devendo.
Todo mundo conhece pessoas como o protagonista Luiz Mario: o cara mulherengo que, quando se apaixona, vira ciumento e possessivo de maneira doentia. O roteiro pincela alguns momentos de loucura, mas fica só na superfície de uma ideia que poderia fazer de Malu de Bicicleta um filme bem mais interessante. Do jeito que ficou, temos um filme bobo, com uma história linear, comum e sem graça.
Outra coisa que não ajuda é o protagonista. Marcelo Serrado não é mau ator, mas, pelo que o filme indica, teria que ser um cara bem mais “pintoso”. A Gianne Albertoni dá uma cantada, ele recusa, e ela fica com raiva – essa cena não rola com um cara “normal” como o Marcelo Serrado… Já Fernanda de Freitas não decepciona.
Tecnicamente, o filme é bem feito e aproveita bons cenários, tanto no Rio quanto em São Paulo. Vai agradar os fãs de cinema nacional. Mas que poderia ser melhor, ah, isso poderia…
Cilada.com é uma série do Multishow, escrita e dirigida por Bruno Mazzeo. O desafio era transformar a série em um longa metragem. Funcionou?
Bruno (Bruno Mazzeo) trai a namorada na frente de todos em uma festa de casamento. Como vingança, ela coloca na internet um video de uma performance sexual fracassada. Enquanto tenta recuperar a sua imagem, ele se mete em várias ciladas.
Não sei se este era o objetivo dos realizadores, mas o filme dirigido por José Alvarenga Jr (Os Normais, Divã) parece uma comédia romântica hollywoodiana padrão. Segue direitinho a “receita de bolo”: o casal se separa, mas descobre que ainda se gosta. Vários incidentes os impedem de ficarem juntos, até o fim previsível.
Não que isso seja ruim, o cinema brasileiro tem amadurecido, e este tipo de filme tem espaço no mercado: um filme que não tem a pretensão de ser um grande filme, tampouco agride o espectador pela má qualidade. Um produto mediano, descartável, que serve para o objetivo proposto: distrair o espectador por uma hora e meia.
Bruno Mazzeo lidera um elenco ok, que conta com Fernanda Paes Leme, Carol Castro, Sérjão Loroza, Augusto Madeira, Fulvio Stefanini e Fabiula Nascimento. Achei Loroza um pouco acima do tom, mas nada que estrague o filme.
Na minha humilde opinião, o pior pecado de Cilada.com é a irregularidade das piadas. Algumas são boas, mas outras são de péssimo gosto – aquela cena do “grupo de apoio” foi completamente desnecessária. E não, a bunda de Serjão Loroza não é engraçada, não precisava desta apelação.
No geral, apesar de uma baixaria aqui e outra ali, e de vários momentos previsíveis, o filme vai agradar os menos exigentes.
No início, este blog era só sobre filmes. Mas depois comecei a falar também de séries. Será que tem espaço pra série nacional?
A arquiteta Clara (Julia Lemmertz), recém separada, com dois filhos, um de cada ex-casamento, começa a se relacionar com o engenheiro Miguel (Marco Ricca), separado e com uma filha. Eles tentam formar uma nova família, incluindo todas as confusas ramificações de ex-cônjuges e meio-irmãos.
(Lembrei da excelente música “Kit-Homem“, do Nervoso e Seus Calmantes, que fala justamente desta atual situação da família brasileira. O cara que se separa e começa uma nova relação traz consigo um “kit”…)
Antes de falar de uma série da Globo, preciso avisar que não vejo novelas, nunca. Não saco NADA de novelas, então aqui não vai rolar nenhuma comparação com estilos e técnicas usadas pelos folhetins diários tão adorados pela população brasileira!
Tudo Novo de Novo foi uma minissérie de 12 capítulos, de aproximadamente meia hora cada, feita pela rede Globo em 2009. Não sei se todo mundo vai achar o tema interessante, mas heu, que vivo com filhos de dois casamentos diferentes, gostei da ideia.
Tudo Novo de Novo tem seus bons momentos, apesar de às vezes o roteiro cair nos clichês de comédias românticas – rola muita “tempestade em copo d’água”, muitos dos conflitos apresentados seriam facilmente resolvidos com simples diálogos. Mas, no geral, o roteiro funciona bem, a trama não cansa e deixa a gente com vontade de ver logo o próximo capítulo.
O elenco foi bem escolhido. Julia Lemmertz e Marco Ricca estão bem como o casal cheio de “bagagem”. No elenco de apoio, ainda tem Guilherme Fontes, Vivianne Pasmanter, Irene Ravache, Arieta Corrêa e Marcelo Szpektor, e as crianças Poliana Aleixo, Daniela Piepszyk e Felipe Santos. Aliás, o elenco infantil é um dos pontos fracos da série – o menino Léo tem alguns diálogos ótimos, mas o ator é tão fraquinho…
Heu também tenho uma crítica sobre os sotaques. Atores cariocas com sotaque do Rio, paulistas com sotaque de São Paulo. A menina tem sotaque paulista, e mora com o irmão, com sotaque carioca. Por que é tão difícil aqui no Brasil as pessoas se preocuparem com algo tão simples?
Por outro lado, a série abusa (no bom sentido) das belas paisagens cariocas. Um dos cenários é uma obra no início da Barra, rolam várias cenas panorâmicas aproveitando a alvorada ou o por do sol. Outra coisa legal: em tomadas internas, frequentemente a fotografia colocava algum objeto perto da câmera e deixava a ação em segundo plano – maneira interessante de colocar o espectador sob um ponto de vista voyeurístico.
Não sei se a Globo pretende reprisar a série. Mas já existe em dvd.
Marcelo (Wagner Moura) é um mitômano – um cara que mente, e realmente acredita naquela mentira. Com suas mentiras, primeiro ele vira um piloto de avião, e depois aplica um golpe no carnaval de Recife, se passando pelo filho do dono de uma companhia aérea.
Assim como falei que o melhor de Bruna Surfistinha é o talento de Deborah Secco, o melhor aqui é a inspirada atuação de Wagner Moura, que brilha no papel que todo bom ator almeja: um personagem camaleônico – são pelo menos quatro personagens distintos em um só!
Wagner Moura está em alta. Depois do capitão / coronel Nascimento, seu star power cresceu tanto que ele foi escalado para viver o principal vilão de Elysium, nova ficção científica de Neil Blomkamp (Distrito 9), com previsão de estreia em 2013, onde ele vai contracenar com Matt Damon, Jodie Foster e William Fichtner. Vips, que foi filmado antes disso, agradece a exposição…
Vips pelo menos é um bom filme, coisa que infelizmente não é muito comum no cinema nacional – seria bem pior se depois de “virar internacional” aparecesse algo como Ó Pai Ó no currículo… A produção do filme dirigido por Toniko Melo é bem cuidada, a parte técnica funciona redondinha. E o ritmo do filme é leve e ágil, Vips não é exatamente uma comédia, mas tem seus momentos engraçados.
Vips não é um filme essencial, mas é uma boa diversão.
Raquel (Deborah Secco) é uma jovem de classe média que tem uma vida normal, apesar dos problemas de relacionamentos em casa e na escola. Até que ela resolve largar tudo e virar garota de programa. Usando o “nome artístico” Bruna Surfistinha, ela fica conhecida na casa onde trabalha, e depois fica ainda mais famosa ao criar um blog onde relata suas experiências.
Bruna Surfistinha tem uma grande virtude e um grande defeito. O melhor aqui é a atuação de Deborah Secco. Mas, por outro lado, sua personagem principal é uma pessoa difícil…
Deborah Secco tem um papel complicado, sua Bruna é complexa e, pra piorar, passa boa parte do filme sem roupa e contracenando com dezenas de homens diferentes. Mas ela manda bem, passa credibilidade em todas as nuances pelas quais a sua personagem passa. E ela não está sozinha, ela encabeça um bom elenco, com poucos nomes conhecidos (de famoso, mesmo, só Cássio Gabus Mendes e Drica Morais). As meninas que fazem as outras garotas de programa estão todas bem.
Mas a personagem em si… Olha, não tenho nada contra a profissão escolhida, o problema é que a Bruna, pelo menos no filme (não li o livro), não mostra nenhum motivo convincente para ter entrado nessa vida. E, pra piorar, ela trata mal todos que a querem bem. Fica difícil simpatizar com alguém assim, né?
(Tem outro problema, mas aí não tem jeito. Bruna começa a fazer sucesso entre as garotas de programa. Bem, Deborah Secco é muito mais bonita que as outras atrizes, então, claro que ela faria mais sucesso. Mas, se a gente olhar fotos da Bruna real, ela é bem mais parecida com as colegas… Aliás, quem tiver curiosidade de ver a Bruna real, ela faz a hostess do restaurante onde Hudson marca o encontro.)
O filme acerta na dose de assuntos polêmicos, afinal, é um filme recheado de sexo e drogas (mostra o envolvimento de Raquel / Bruna com a cocaína), mas não cai no caricato nem vira sensacionalista por causa disso. Palmas para o roteiro e para a direção do estreante Marcus Baldini!
O roteiro foi baseado no livro O Doce Veneno do Escorpião, escrito pela Bruna real a partir do seu blog. O roteiro deixa de lado algumas fases famosas da vida de Bruna, como o próprio livro e o envolvimento com o cinema pornô – sim, a Bruna Surfistinha real fez alguns filmes pornôs, depois de famosa. O filme acaba antes do livro e do cinema pornô…
No fim, Bruna Surfistinha não é ruim, mas faltou um pouquinho pra ser bom. Mas vale, nem que seja pelo talento de Deborah Secco.
Alice (Ingrid Guimarães) é uma executiva workaholic, daquelas que se dedica inteiramente ao trabalho. Por um azar do destino, ela perde o emprego no mesmo dia que o marido a abandona. Ela acaba se aproximando da vizinha Marcela (Maria Paula), dona de uma sex shop decadente, e ajuda a transformar a sex shop em um negócio milionário.
O filme se apoia no talento de Ingrid Guimarães. Ela é boa, mas ainda faltou um pouco pra De Pernas Pro Ar ser uma boa comédia. Talvez, se o roteiro fosse melhor, Ingrid poderia funcionar melhor. Ela tem um bom timing pra comédia, e consegue fazer rir sem cair na caricatura – o que não acontece com sua coadjuvante Maria Paula.
Mas o roteiro, apesar de tentar inovar ao usar temas ligados a sex shop, cai nos mesmos cacoetes que assolam 9 entre 10 comédias nacionais: semelhança com humor televisivo de baixa qualidade – o “complexo de Zorra Total“.
O filme tem seus bons momentos (gostei da “montanha russa”), mas a maior parte das piadas é sem graça, e o resto do elenco parece que está no piloto automático e não ajuda.
Ironicamente, o roteiro, que se propõe se “moderninho”, se mostra super moralista no fim, quando deixa claro que as mulheres só encontram a felicidade com marido e filho do lado…
De Pernas Pro Ar não é ruim. Mas tem filme nacional melhor por aí!