Ash: Planeta Parasita

Crítica – Ash: Planeta Parasita

Sinopse (imdb): Uma mulher acorda em um planeta distante e encontra a tripulação de sua estação espacial brutalmente morta. Sua investigação sobre o que aconteceu desencadeia uma terrível cadeia de eventos.

Gosto da mistura de terror e ficção científica. Gosto muito de filmes como Alien, O Enigma de Outro Mundo, Força Sinistra, A Experiência e Prova Final. Pena que nem todos os filmes deste subgênero são bons. Ash: Planeta Parasita (Ash, no original) infelizmente faz parte desse grupo.

Acompanhamos Riya, uma exploradora espacial que acorda sozinha numa base onde todos os companheiros de equipe estão mortos. Detalhe: ela tem amnésia e não se lembra do que aconteceu. Ela encontra um sobrevivente e tenta juntar as peças pra descobrir as respostas para suas dúvidas.

Mas sabe qual é o problema aqui? Falta história. Ash é curto, uma hora e meia, e podia ter a metade da duração.

A direção é de Flying Lotus, nunca tinha ouvido falar, depois que vi o filme descobri que ele também é músico. Flying Lotus parece que sabe que tem pouca história pra contar, aí fica preenchendo espaços vazios com jump scares bestas, onde aparece um relance de algo assustador ao som de um ruído alto. Um perfeito exemplo de jump scare mal feito.

(Parágrafo à parte para falar de jump scares. O jump scare bem feito é aquele que dá um susto no espectador, a ponto dele “dar um pulo”. Muitos filmes usam jump scares clichês, dentro de uma fórmula: música sobe, parece que vai ter algo, não tem, conta 1 2 3 e PÁ!, susto na tela. Quem está acostumado com filmes de terror já sabe quando vem um desses e não se assusta, mas, ok, boa parte do cinema é feita em cima de clichês. O jump scare bem feito não prepara o espectador e realmente dá um susto. Agora, na minha humilde opinião, pior que jump scare previsível são os jump scares daqui. A trama segue normalmente, e de repente PÁ!, uma imagem grotesca e um som alto. Ok, assusta o espectador. Mas são jump scares que não agregam à trama, não criam medo. São jogados só pra causar desconforto.)

Por outro lado, a ambientação do filme é boa. O visual do planeta alienígena é bonito, principalmente quando mostra o céu. Também gostei do design das roupas dos astronautas. A maquiagem da parte final também é bem legal, lembra O Enigma de Outro Mundo.

No elenco, Eiza González ocupa a tela durante quase todo o filme, às vezes sozinha, outras vezes dividindo espaço com Aaron Paul. Iko Uwais, de The Raid, tem um papel pequeno, e fiquei feliz que o colocaram pra lutar, mesmo que rapidinho.

Na parte final, o ritmo de Ash melhora. Se todo o filme fosse todo como nos últimos minutos, a experiência seria bem melhor. Infelizmente, o resultado ficou bem chato.

Superman (2025)

Crítica – Superman (2025)

Sinopse (imdb): Superman reconcilia sua herança com sua educação humana. Ele é a personificação da verdade, da justiça e de um futuro melhor em um mundo que vê a bondade como algo antiquado.

Estreou o aguardado Superman do James Gunn!

Antes do filme, uma breve atualização pra quem está por fora. No audiovisual, décadas atrás, a DC era muito maior que a Marvel. A gente tinha o seriado do Batman barrigudo, o desenho da Liga da Justiça, os filmes do Superman com o Christopher Reeve e, uns anos mais tarde, os dois Batman do Tim Burton. Enquanto isso, pela Marvel, a gente tinha um seriado do Hulk, uns filmes toscos do Homem Aranha, e um desenho muito ruim com Thor e Homem de Ferro. Até que em 2008 a Marvel começou a construir o Marvel Cinematic Universe (MCU), com o primeiro filme do Homem de Ferro. Foram mais de 20 filmes que culminaram em Vingadores Ultimato, de 2019, um “filme evento” que juntou dezenas de personagens apresentados ao longo de onze anos. Já comentei aqui, isso será estudado no futuro como um dos maiores cases de sucesso da história do cinema.

Claro que a “marca Marvel” cresceu. Hoje, pergunte a crianças, Homem de Ferro e Capitão América são personagens tão conhecidos quanto Batman e Superman. E ao ver esse crescimento da Marvel, a DC tentou criar um DC Extended Universe (DCEU), mas os filmes não tinham muita consistência, e podemos afirmar que, pelo menos no cinema, a Marvel ficou muito maior que a a DC.

James Gunn tinha dirigido dois dos melhores filmes do MCU, Guardiões da Galáxia 1 e 2, aí vazaram postagens politicamente incorretas do seu passado, e ele foi desligado da Marvel (lembrando que a Marvel está dentro da Disney). A DC o chamou, e ele fez o excelente Esquadrão Suicida (o melhor filme do DCEU, na minha humilde opinião). Depois ele ainda voltou pra Marvel para fazer o terceiro Guardiões da Galáxia (o melhor filme da fase recente da Marvel), para depois “se mudar de mala e cuia” para a DC, onde ia assumir o filme do maior herói da cultura pop.

E finalmente chegamos ao Superman que estreia esta semana. O meu medo era o quanto Gunn ia sofrer de interferência dos executivos do estúdio, porque até então já tínhamos visto ótimos resultados, mas com heróis desconhecidos e esquisitos (Guardiões da Galáxia e Esquadrão Suicida). E agora ele faria um filme com um dos heróis mais conhecidos de todos os tempos. Mas, boa notícia: se teve interferência do estúdio, não afetou o resultado final!

Os últimos filmes da DC eram mais “escuros”, a DC sempre tinha um tom mais dark. James Gunn assumiu que é um “filme de super herói” e fez um filme bem mais colorido do que o DCEU apresentava. Achei uma escolha certa, o Superman não combina com um filme sombrio.

Uma coisa que achei positiva foi não ter mais uma vez uma “história de origem”. O filme já começa com o Superman sendo Superman, ele já leva vida dupla de herói + repórter do Planeta Diário (não tinha um jornal com esse nome aqui no Rio nos anos 90?). Superman já existe, assim como Lois Lane e Lex Luthor. Vivemos num mundo onde outros super heróis também estão na área, incluindo três da “gangue da justiça” – piada recorrente no filme. Achei uma boa ideia, todo mundo já conhece a história do Superman, aí o filme não perde tempo com isso e já parte para a ação.

O protagonista David Corensweat tinha uma tarefa complicada, porque, por melhor que fosse, sempre seria comparado ao Christopher Reeve, e é uma comparação dura, porque Reeve foi perfeito no papel. Mas Corensweat não faz feio. Rachel Brosnahan também está bem como Lois Lane, e, para combinar com os dias atuais, ela tem até mais protagonismo que outras Lois do passado. Já Nicholas Hoult está ótimo como Lex Luthor, sua atuação é um dos pontos altos do filme. Aliás, o elenco todo está bem, Superman ainda conta com María Gabriela de Faría, Sara Sampaio, Skyler Gisondo, Frank Grillo, Edi Gathegi, Nathan Fillion e Isabela Merced, além de vozes de Alan Tudyk, Michael Rooker e Pom Klementieff como robôs, e de pontas de Bradley Cooper, Angela Sarafyan, John Cena e Milly Alcock. Se heu puder fazer um mimimi, vou reclamar do Nathan Fillion. Ele não está mal, mas achei o ator velho demais para o papel (Fillion deve ser um grande amigo do diretor. James Gunn dirigiu sete filmes, Fillion estava em todos, só não aparece em Guardiões 2 porque sua cena foi deletada).

Curiosamente, a melhor cena do filme não tem o personagem título. Tem uma cena sensacional com o Mr. Terrific (traduziram como Sr. Incrível, mas pra mim, Sr. Incrível é do desenho da Pixar!). Vemos como ele atua contra diversos adversários simultaneamente, e a cena usa bem a trilha sonora em um plano sequência fake, coisa que o James Gunn já tinha feito em Guardiões da Galáxia. Essa cena é muito boa!

Aliás, lembrei da abertura de Guardiões 2, onde vemos Baby Groot dançando em primeiro plano enquanto rola uma cena de ação ao fundo. Aqui tem uma cena onde Superman e Lois conversam, e ao fundo os outros heróis estão em uma batalha – mas assim como em Guardiões 2, não vemos nada que está rolando.

Preciso falar do cachorro Krypto! A princípio fiquei receoso com a inclusão de um cachorro na trama, mas adorei o cão. Todas as suas participações são ótimas, o Krypto não é um cachorro bem comportado, e isso traz piadas muito boas.

Dois comentários sobre a trilha sonora. David Fleming e John Murphy fizeram um bom trabalho compondo a trilha do filme em cima dos temas clássicos do John Williams – seria difícil ver um filme do Superman e não lembrar do icônico tema. Por outro lado, senti falta do uso de músicas pop na trilha e na trama do filme – o diretor já provou que é bom nesse assunto.

Agora, precisamos reconhecer que é um filme divertido, mas é bem bobinho. Podia ter aprofundado em questões mais sérias do conflito geopolítico ou das críticas às redes sociais, mas ficou só na superfície. Superman dedica mais tempo de tela em uma briga contra um monstro gigante do que nas questões mais sérias. Além disso, algumas soluções do roteiro soam forçadas. Sim, sei que estamos falando de um filme onde o protagonista é um alienígena com super poderes, mas achei meio jogado o Lex Luthor criar um universo paralelo baseado em um buraco negro, assim como achei meio rápida a queda da popularidade do Superman e sua posterior prisão feita por um particular. Ok, é filme, mas, como falei, é bobinho.

Além disso, talvez tenha personagens demais, porque alguns deles até parecem ser interessantes, mas têm tão pouco tempo de tela que a gente nem sabe se realmente são ou não, como a Mulher Gavião. A Engenheira também foi muito mal explorada.

No fim, Superman não supera Esquadrão Suicida, mas é um bom recomeço na DC. Que venham mais bons filmes!

Por fim, são duas cenas pós créditos, fiquem até o final!

Chefes de Estado

Crítica – Chefes de Estado

Sinopse (imdb): O presidente americano e o primeiro-ministro britânico, alvos de uma ameaça externa, devem colaborar contra uma conspiração global.

Outro dia vi que tinha filme novo do John Cena e Idris Elba na Prime, e fui ler mais sobre. Quando vi quem era o diretor, furou a fila!

Conheci o trabalho do Ilya Naishuller quando vi um videoclipe da banda Biting Elbows, onde a câmera estava no capacete do dublê, então víamos as cenas como se estivéssemos dentro da ação. Aí o cara levou isso para um longa metragem, Hardcore Henry (2015), uma hora e meia de ação ininterrupta com a câmera POV (point of view), um filme insano e divertido. Em 2021 Naishuller fez o ótimo Anônimo, mais bem construído que seu primeiro filme, e com algumas excelentes cenas de ação.

Ilya Naishuller na direção, mais John Cena e Idris Elba liderando o elenco – Chefes de Estado (Heads of State, no original) tinha tudo pra ser um filme no estilo que heu gosto. E felizmente heu estava certo: o filme é divertidíssimo!

Chefes de Estado traz o equilíbrio perfeito entre ação e comédia. Digo mais: as cenas de ação são muito boas, e a parte da comédia é engraçadíssima! Várias sequências são antológicas. Adorei como Naishuler conta um flashback do que aconteceu com determinado personagem até aquele ponto do filme. E a curta cena do Jack Quaid, ao som de Beastie Boys, é sensacional!

Outro ponto positivo é a química entre John Cena e Idris Elba (que já tinham trabalhado juntos em O Esquadrão Suicida), os dois parecem estar se divertindo muito. O roteiro é cheio de alfinetadas entre os estilos dos personagens, um americano e outro inglês, isso traz várias boas piadas. O resto do elenco também está bem, com Priyanka Chopra Jonas, Paddy Considine, Carla Gugino, Sharlto Copley (que aparece bem rápido), além do já citado Jack Quaid.

A parte técnica é muito boa. Deu pena de ser um filme para o streaming, heu preferia ver um filme desses na telona. A trilha sonora usando músicas pop também foi muito bem escolhida.

Agora, precisamos reconhecer que o roteiro é bem forçado. Tem várias coisas que não fazem muito sentido. Entre uma gargalhada e outra, se a gente parar pra pensar no roteiro, vai achar um monte de coisas forçadas.

Mesmo com o roteiro forçado, reconheço que me diverti. Provavelmente estará na minha lista de melhores de 2025.

Ah, tem uma cena extra no meio dos créditos. Pode ser um gancho pra continuação, quem sabe?

Shadow Force – Sentença de Morte – 8 Coisas que não Fazem Sentido

8 Coisas que não Fazem Sentido em Shadow Force – Sentença de Morte

Sinopse (imdb): Um casal separado com uma recompensa pairando sobre suas cabeças deve fugir com seu filho para evitar seu ex-chefe e uma unidade de operações secretas que foi enviada para matá-los.

Joe Carnahan não é um grande diretor, mas reconheço que gosto de alguns dos seus filmes, como a versão cinematográfica de Esquadrão Classe A, Smoking Aces e Boss Level. Por isso resolvi ver este Shadow Force – Sentença de Morte.

Não, o filme não é bom. Mas não é um lixo total, algumas coisas se salvam. A cena do assalto ao banco, logo no início, é muito boa, não vemos toda a ação, apenas flashes, só depois vemos o que aconteceu. E gosto do Omar Sy, bom ator, carismático, é agradável vê-lo em tela. Também gostei do garotinho Jahleel Kamara, a cena dele cantando Lionel Ritchie é muito boa.

Mas não tem muito mais o que se falar sobre Shadow Force. Então vou fazer uma lista de coisas que não fazem sentido no filme.

Claro, spoilers liberados a partir de agora.

1- O carro é blindado, é quase um tanque de guerra. Mas alguém dá um tiro no pneu e o carro capota. Sou carioca, aqui tem carros blindados. Fui no Google, aqui no Rio quando blindam o carro tem solução para o pneu!

2- Super carro com super motor – e um caminhão alcança o carro facilmente?

3- Kyra quer matar cinco inimigos. Ela consegue ter os cinco, juntos, sob a mira de uma arma a longa distância. Ela não conseguiria matar os cinco, quando começasse a atirar, eles iam reagir ou fugir. Mas podia pegar uns dois ou três.

4- Kyra marca um encontro com o vilão. Ele sabe que ela vai tentar matá-lo. Ele nunca ia dispensar os seguranças.

5- Kyra da 3 tiros no peito do inimigo. E nenhum na cabeça! Como é que uma assassina profissional não atira na cabeça???

6- No final rola um tiroteio generalizado. Quase todos na sala estão armados e são bons atiradores. Mas neste tiroteio todo, só um é atingido. Como tantos bons atiradores conseguem errar tantos tiros?

7- Não contei quantos, mas o vilão leva alguns tiros nesse tiroteio. E o cara continua inteiro!

8- Furo de roteiro: o agente atira no vilão, acabam as balas. O vilão atira de volta, também acabam as balas. O agente fala: “agora você tem que correr”, mas o vilão não corre. E não vemos mais o agente, só na cena final. Pra onde ele foi? O que ele foi fazer?

Jurassic World: Recomeço

Jurassic World: Recomeço

Sinopse (imdb): Cinco anos após Jurassic World: Domínio (2022), uma expedição desbrava regiões equatoriais isoladas para extrair DNA de três enormes criaturas pré-históricas para um avanço médico inovador.

O que esperar do sétimo filme de uma franquia onde só o primeiro é realmente bom?

Jurassic World: Recomeço (Jurassic World: Rebirth, no original) é mais uma tentativa de reviver uma franquia “cansada”. Tirando o primeiro, Parque dos Dinossauros, que é realmente muito muito bom (além de ser um marco na história dos efeitos especiais no cinema), nenhum dos outros cinco filmes é unânime. E este sétimo filme segue a mesma linha: é apenas mais um.

(Mas preciso ser justo em uma coisa: o sexto filme, Jurassic World: Domínio, é bem mais tosco. Esse sexto filme talvez seja uma unanimidade, mas negativa.)

A direção ficou a cargo de Gareth Edwards, que manja dos paranauês quando o assunto é filme de monstro, ele fez Monstros (2010) e Godzilla (2014). E nesse aspecto, até que tem uns monstros bem feitos aqui – alguns dos dinossauros são mutações genéticas.

Aliás, vou fazer um elogio na premissa inicial. A gente viu seis filmes com as pessoas tentando criar parques com dinossauros, e sempre deu errado. Aí fica a dúvida: pra que insistir? Nisso, Jurassic World: Recomeço tem mais lógica. Passaram alguns anos, e os humanos não dão mais bola para os dinossauros, não existe mais a novidade, os bichos meio que viraram pragas indesejadas. Ao mesmo tempo, os dinossauros não se adaptaram ao novo clima do planeta, e estão morrendo. Os dinossauros que ainda sobrevivem ficam perto da linha do Equador, onde o clima é mais propício para eles. E essa região fica proibida para humanos. Tá, este conceito inicial me convence mais do que a ideia de criar um novo parque.

Podemos fazer outro elogio a algumas cenas de ação. A sequência do barco é boa, emocionante, lembra Tubarão (coincidência ou não, Steven Spielberg é produtor aqui). E na parte final, o monstrão mutante me lembrou o visual do Rancor, de O Retorno de Jedi. A trilha sonora de Alexandre Desplat, que usa alguns temas da clássica trilha do John Williams, também funciona bem.

Agora, como nos filmes anteriores, o roteiro tem suas derrapadas. A gente acompanha uma equipe de mercenários que vai coletar amostras de sangue de dinossauro pra uma empresa farmacêutica. Até aí ok. Mas no meio do caminho, encontram uma família que estava passeando de barco. Oi? A introdução do filme não nos disse que aquela região estava proibida para humanos? Por que diabos aquelas família estava lá?

E o pior é que a família tem personagens horríveis. O pai é péssimo, está o filme inteiro com a mesma cara, e determinado momento ele machuca a perna, e partir daí, ele alterna algumas cenas onde não consegue andar, com outras onde ele anda normalmente. E a menininha também é bem fraca, tanto a atriz quanto a personagem. E como é uma família resgatada de um naufrágio, a gente sabe que nenhum deles vai morrer. Aliás, isso é um problema aqui, a gente já sabe que alguns personagens entraram na trama só pra morrer.

Some-se a isso algumas sequências que não fazem muito sentido. Uma delas tenta emular a clássica cena do primeiro filme, onde os personagens veem os dinossauros pela primeira vez. Aqui é parecido, eles estão num local com mato alto, da altura de um humano em pé. Aí de repente vários dinossauros com a altura de prédios de três andares começam a surgir. Galera, o mato era alto pra esconder um humano, mas não era tão alto assim! E o “dinossauro pet” deve estar lá só pra vender bicho de pelúcia.

Falei mal dos personagens da família desnecessária, mas o filme também tem outros personagens ruins, O vilão do Rupert Friend é caricato ao extremo. Se salvam Scarlett Johansson e Mahershala Ali, não pelos personagens, mas pelo carisma dos atores.

No fim, fica aquela sensação de mais do mesmo. Não é bom, mas também não é ruim, é apenas mais um. E aguardemos, porque o subtítulo “recomeço” indica que teremos mais continuações em breve.

M3gan 2.0

Crítica – M3gan 2.0

Sinopse (imdb): Dois anos após o incidente M3GAN, Gemma ressuscita sua boneca IA para enfrentar Amelia, um robô militar criado por contratantes que roubaram a tecnologia de M3GAN.

O primeiro M3gan já não foi grandes coisas. Aí anunciaram uma continuação, com o mesmo elenco, o que me parecia ser uma péssima ideia – afinal, no fim do primeiro filme, a boneca tenta assassinar a família e é destruída. Entendo uma corporação gananciosa querer vender uma nova boneca, mas não entendo como a família vai se arriscar de novo. Por causa disso, fui ao cinema com zero expectativas.

E preciso dizer que me diverti. Dirigido pelo mesmo Gerard Johnstone do primeiro filme, M3gan 2.0 não chega a ser exatamente “bom”, mas é muito divertido!

Logo de cara, na sequência inicial, a gente vê uma outra boneca-robô (interpretada por Ivanna Sakhno, que estava em Ahsoka), e ela anda pela parede de uma maneira bem tosca, parecendo um stop motion mal feito, e logo depois a gente vê a sombra dela arrancando a cabeça de um adversário com um soco. Ou seja, o filme está nos dizendo que não é pra levar a sério. Se você entrar nessa onda trash, vai se divertir!

A minha preocupação era que M3gan 2.0 fosse uma cópia mal feita do primeiro M3gan, principalmente pela repetição das duas atrizes principais, Allison Williams e Violet McGraw, cujos personagens não iam querer mais a boneca M3gan. Por isso a boneca entra numa onda Exterminador do Futuro 2 para tentar convencê-las que agora ela está lá para protegê-las. Além disso, o gênero do filme muda, tem pouco terror aqui, M3gan 2.0 está mais para uma ação misturada com ficção científica, além de uma boa dose de humor.

Já que falei de Exterminador do Futuro, queria citar que M3gan 2.0 traz algumas referências bem divertidas. Tem uma citação clara à série Super Máquina, e tem um momento que vemos uma mão andando como em Evil Dead 2 (mas pode ser uma mão inspirada em outro filme). Também tem uma engraçada ligação com os filmes do Steven Seagal. Ah, tem um momento hilário onde a M3gan canta uma música, não sei se a música já existe ou se foi criada para o filme, perguntei para algumas pessoas depois da sessão de imprensa, ninguém reconheceu a música (dei uma googlada, parece que é This Woman’s Work, da Kate Bush, mas não tenho certeza disso).

A cena mais famosa do primeiro filme é uma dancinha tosca. Claro que ia ter dança aqui. E preferi a deste segundo filme. No filme anterior, era uma dança que não tinha nada a ver com o resto da sequência, aqui pelo menos inventaram um concurso de dança.

Agora, precisamos reconhecer que o roteiro tem vários momentos que não não seguem nenhuma lógica. Dava pra fazer uma lista, que vai crescendo conforme o filme se aproxima do final. E aquele plot da IA guardada num cofre há décadas não faz o menor sentido!

Os personagens são todos caricatos. Como falei lá no início, se você entrar na onda trash, vai entender a proposta. Tem um policial do FBI que é tosco tosco tosco, e o vilão, além de ruim, é previsível. E Jemaine Clement abraçou a galhofa e está sensacional com o seu milionário caricato. Claro, nesse espírito, funciona quando a M3gan fala um monte de frases de efeito como “segurem suas pepecas!”.

No fim, saí feliz da sessão, M3gan 2.0 é um filme divertido. Não é bom, ficará longe de listas de recomendações. Mas, quem é somelier de cinema trash vai curtir!

Elio

Crítica – Elio

Sinopse (imdb): Elio, de onze anos, se vê transportado pela galáxia e confundido com o embaixador intergalático do planeta Terra.

Hoje, vai ser um texto curtinho, porque não queria deixar passar um longa da Pixar. Mas, não tenho muito a falar sobre Elio.

Talvez o problema não seja do filme, seja meu. É que a Pixar já fez tantos filmes que são muito elaborados, com camadas, filmes que alcançam tanto as crianças quanto os adultos. E Elio é tão bobinho… Não é ruim, mas definitivamente é um filme infantil demais.

Heu soube que Elio teve vários problemas na produção. Era pra ter sido lançado anos atrás, mas foi adiado – chegou a rolar um trailer em 2023 que apontava para uma história bem diferente da que foi lançada (uma das mudanças é nítida: o protagonista antes não queria ser abduzido, e agora ele até pede para que isso aconteça). O diretor era Adrian Molina, que se desligou do projeto (provavelmente por causa do atraso), e outras duas diretoras assumiram a direção, Domee Shi e Madeline Sharafian (mas os três estão creditados). E oito pessoas assinam o roteiro! Não sei até que ponto isso atrapalhou o resultado final, mas o ponto é que, comparado com outros filmes da Pixar, Elio fica bem abaixo.

O roteiro é extremamente previsível. Qualquer um que já viu outros longas de animação vai saber tudo o que vai acontecer, cada passo dos personagens, inclusive o vilão e sua redenção. E, diferente de outras animações para crianças, Elio não tem muitas piadas. Acho que só ri na cena onde o vilão está praticando tiro ao alvo.

Pelo menos o visual é bem bonito. Quando o garoto chega no “Comuniverso”, vemos vários seres diferentes, de muitas cores diferentes. Neste aspecto o filme é bom. Outra coisa que achei boa nessa parte foi que os outros seres não são necessariamente antropomórficos, característica bem comum em desenhos infantis.

Mas, como falei, achei bobo demais. E meus filhos hoje são adolescentes, eles nem devem querer ver este novo Pixar nos cinemas. Mas, repito, talvez o problema seja meu e não do filme. Se você tiver crianças pequenas para levar ao cinema, pode ser um bom programa.

Por fim, queria falar do 3D. A sessão para a imprensa foi em 3D, e nem me lembro qual tinha sido o meu último filme assim, achei que tinham desistido do recurso. Voltaram com o 3D, e, como quase sempre, foi desnecessário. Acho que só teve uma cena onde o efeito foi bem usado, quando a “câmera” passa ao lado de um satélite. No resto, pareceu só desculpa pra vender ingresso mais caro.

F1: O Filme

Crítica – F1: O Filme

Sinopse (imdb): Um piloto de Fórmula 1 sai da aposentadoria para orientar e formar equipe com um piloto mais jovem.

Três anos atrás, o diretor Joseph Kosinski deu um grande presente aos fãs do “cinemão”: Top Gun Maverick, um “filmão”, com tudo de superlativo que isso pode trazer. O modo como Kosinski filmou aviões foi algo nunca antes visto no cinema. E agora o diretor fez algo parecido, mas com carros de Fórmula 1 em vez de aviões.

(F1: O Filme (F1: The Movie, no original) reúne cinco membros principais da equipe de Top Gun Maverick: o diretor Joseph Kosinski, o produtor Jerry Bruckheimer, o roteirista Ehren Kruger, o diretor de fotografia Claudio Miranda e o compositor Hans Zimmer.)

Já vimos dezenas de bons filmes mostrando corridas de carros, mas nunca com tal realismo. As filmagens ocorreram durante vários fins de semana de Grande Prêmio, nas temporadas de 2023 e 2024. Uma garagem fake foi montada entre as garagens da Mercedes e da Ferrari, de onde os personagens dirigiriam a corrida que vemos no filme. Essa configuração também foi usada em várias etapas europeias da temporada de F1. E o resultado, tecnicamente falando, ficou um absurdo. Recomendo ver no cinema, na maior tela possível!

Heu preciso admitir que não dou bola pra F1. E agora preciso dar a boa notícia: o filme funciona pra quem é noob no assunto, não teve nenhum momento que fiquei me questionando sobre as regras da competição. Agora, acredito que os fãs de F1 vão curtir uma coisa que pra mim não teve significado: por usar o circuito de F1 como pano de fundo, o filme tem cameos de vários pilotos que estão em atividade. Aliás, Lewis Hamilton é um dos produtores do filme.

(O nome do Ayrton Senna é citado três vezes ao longo do filme. Brasil tem moral na F1!)

Inicialmente achei que o roteiro ia ser aquele clichê de sempre, conflito entre o piloto veterano e o novato, dificuldade numa corrida aqui, dificuldade diferente depois, talvez um acidente, e um final apoteótico. Ok, parte disso até acontece, mas, preciso dizer que o roteiro é bem estruturado a ponto de guardar algumas surpresinhas aqui e ali. E adorei as estratégias e “truques sujos” que os personagens usam. Não tenho ideia se são coisas comuns no mundo da F1, mas achei algumas sacadas geniais, de como eles dobram as regras do jogo para ultrapassar as adversidades.

A trilha sonora também é boa, tanto a trilha original do Hans Zimmer quanto as músicas pop espalhadas ao longo do filme. As músicas ajudam na empolgação das corridas.

O elenco é bom. Não é um tipo de filme onde cabem grandes atuações, mas os atores escolhidos funcionam para o que o papel pede. Brad Pitt tem carisma suficiente pra fazer a gente se importar pelo seu personagem, idem sobre Javier Bardem. Também no elenco, Kerry Condon e Damson Idris.

Por fim, uma piadinha para cinéfilos. Parece que Joseph Kosinski está seguindo os passos de Tony Scott, que dirigiu Top Gun em 1986 e em 1990 fez um filme sobre carros de corrida, Dias de Trovão. Será que em breve Kosinski vai dirigir um roteiro do Tarantino?

Predador: Assassino de Assassinos

Crítica – Predador: Assassino de Assassinos

Sinopse (imdb): Três dos guerreiros mais ferozes da história da humanidade se tornam vítimas do maior assassino de assassinos.

A saga O Predador traz um conceito muito bom, apesar do péssimo nome – o cara não é um predador, ele é um caçador, que pratica caça como esporte, e procura adversários fortes, porque ele quer encarar desafios. (Aliás, por causa deste conceito, a ideia de “Alien vs Predador” é muito boa, porque é um exímio caçador enfrentando um animal muito perigoso. Pena que os dois filmes são ruins.)

Pensando nisso, podemos ter um vasto leque de continuações e spin offs. E acredito que este Predador: Assassino de Assassinos quer abrir essa porta.

Um dos diretores é Dan Trachtenberg, que aparentemente é o novo “dono” da franquia – ele dirigiu anterior, O Predador: A Caçada, de 2022, e também o próximo, Predador: Terras Selvagens, com previsão de lançamento ainda este ano. A diferença é que este Predador: Assassino de Assassinos é uma animação.

Predador: Assassino de Assassinos é curto, pouco menos de uma hora e meia, e traz três histórias independentes, além de uma quarta história que une as três. São três momentos históricos distintos, onde aparece um “Yautja” (a raça dos Predadores) diferente em cada momento, enfrentando um grande adversário – uma guerreira viking no ano 841, um samurai (ou ninja, não sei ao certo) no Japão feudal, em 1609, e um piloto de avião da Segunda Guerra Mundial. Na quarta parte, vemos os três personagens juntos, no planeta dos Yautjas.

Achei as duas primeiras histórias muito boas. Ursa, a guerreira viking, tem uma cena sensacional em “plano sequência” (as aspas são porque é uma animação) onde ela ataca inimigos. Muita violência, muito sangue, a sequência é muito boa. A segunda parte, onde o Yautja entra no meio de uma briga entre os irmãos Kenji e Kiyoshi, também é muito bem executada. Pena que não posso dizer o mesmo sobre a terceira. É uma batalha entre uma nave espacial e pequenos aviões monomotores, uma briga muito injusta – e não me lembro de algum Yautja usando uma nave para brigar nos outros filmes, o lance deles sempre foi a batalha no mano a mano, mesmo usando armas e aparelhos tecnológicos.

A quarta história traz os três juntos, lutando numa arena. E é a parte que menos gostei. Primeiro porque Torres, o piloto da Segunda Guerra, não teria condições de enfrentar os outros, é um personagem nitidamente mais fraco que Ursa e Kenji. Aí tiveram que transformá-lo em alívio cômico.

Mas tem outra coisa ainda pior (mesmo que seja, infelizmente, algo relativamente comum em filmes). Primeiro, vemos um monstro alienígena, que come um Yautja, e o despedaça com seus dentes. Logo depois, ele come o Torres – que logo aparece, vivo e inteiro, dentro da barriga do monstro. Cara, se o monstro engole sem mastigar, por que mostrar ele mastigando logo antes? Mas calma que piora. Torres é um bom piloto, mas não é bom na parte mecânica. Ele tem dificuldade em consertar um avião, com tecnologia terrestre. Mas, encontra uma peça de tecnologia alien dentro da barriga do monstro, e consegue hackear a tecnologia Yautja, a ponto de fugir do monstro, dirigir um pequeno transporte e depois pilotar a nave deles! Caramba, de onde surgiram essas habilidades? Ele foi apresentado como alguém que não sabia da parte mecânica e tecnológica!

Tem outro problema, mas talvez isso não seja nada grave, heu que sou chato. A primeira história é falada em inglês, a Ursa é viking mas fala inglês. A segunda é em japonês. Aí quando os três estão juntos, o roteiro vem me dizer que existe uma barreira linguística entre eles, porque cada um fala uma língua diferente. Eles precisam lutar juntos mas não conseguem se comunicar. Mas, caramba, se a Ursa falava inglês antes, por que agora não entende???

Por fim, outro problema comum nos dias de hoje: Predador: Assassino de Assassinos não acaba. No fim, os mocinhos fogem, o vilão manda naves atrás deles, e… aguardemos a continuação. Qual é o problema de se fechar uma história?

Durante esta parte final, fiquei na dúvida se o filme envolvia viagem no tempo, mas tem um detalhe bem no finzinho que mostra que os guerreiros que vencem Yautjas ficam congelados para lutas futuras. E o filme acaba com um easter egg, mas nada surpreendente.

No fim, a gente lembra daquele meme do desenho do cavalo. Porque Predador:Assassino de Assassinos começa bem, mas vai piorando cada vez mais.

June e John

Crítica – June e John

Sinopse (imdb): Fascinado por uma mulher enigmática que rouba sua atenção, um homem comum cuja vida é marcada pela monotonia se vê imerso em um romance intenso que o arrasta para uma jornada imprevisível.

Sou fã do Luc Besson desde os anos 80, época que vi Subway e Imensidão Azul no Estação Botafogo. Lembro que fiquei impressionado quando vi Nikita, foi a primeira vez que vi um filme de ação bom, bem produzido, bem filmado, e que não era falado em inglês. E sou muito fã de O Profissional e O Quinto Elemento. Mas, infelizmente, preciso reconhecer que há muito tempo Besson não faz algum filme desse nível. Continuo vendo tudo o que ele faz, mas esse June e John, escrito e dirigido por ele, é mais um dos que deixam a desejar.

June e John começa bem, conhecemos o personagem, entendemos o que ele está passando. O filme flui muito bem nessa primeira parte. Mas a partir do momento que ele começa a interagir com a personagem da June, as coisas começam a degringolar.

John é um jovem que vive uma vida medíocre, trabalha num lugar que ele não gosta, sofre assédio do patrão, toma remédios pra seguir vivendo. Aí ele conhece June, que é uma mulher meio maluquinha e que bagunça a vida dele. Inicialmente, o encontro deles foi tão fantasioso que heu até achei que ela era fruto da sua imaginação e não uma pessoa real. Mas aos poucos a gente descobre que sim, era uma pessoa real.

Aí o filme entra num caminho be, forçado. Tipo, ele consegue encontrá-la numa rede social no meio de centenas de homônimas, e sem nenhuma informação a mais sobre ela. E logo no dia seguinte ela consegue descobrir onde é o trabalho dele, igualmente sem nenhuma informação a mais. Como eles conseguiram? Não sei, o filme não deixa claro, mas acho que é pra gente entrar no clima de fantasia do filme.

Mas pra mim o pior foi ter um casal é completamente forçado. Ele se apaixonar por ela é algo crível, mas ela, com uma doença terminal, não ia viver seus últimos dias de vida ao lado de um loser como ele. Uma mulher com aquele perfil, livre e descolada, teria amigos. E igualmente forçada é a jornada “Thelma e Louise” que eles entram.

O visual do filme é bonito, Luc Besson é um cara experiente, sabe fazer belas imagens, não tenho queixas com relação ao visual. Os dois atores principais também estão ok, apesar dos personagens serem ruins. Inclusive eu gostei da atriz Matilda Price, achei que ela lembra a Milla Jovovich no Quinto Elemento.

Mas o problema é que a jornada do casal é muito fora da realidade, então chega um certo ponto que o espectador já não se importa mais com aquilo. E June e John vira um filme chato.

Por fim, um último comentário. Deveriam mudar o nome de pelo menos um dos personagens. Porque já temos um Johnny & June bem mais famoso…