Como o CGI Mudou o Plano-sequência

Festim Diabólico

Cena de Festim Diabólico

Como o CGI Mudou o Plano-sequência

Antes de tudo, vamos a uma definição de plano-sequência. Segundo o wikipedia, é “um plano que registra a ação de uma sequência inteira, sem cortes“. Ou seja, uma sequência onde a câmera passeia pela cena em um único take.

Não se sabe quando o cinema começou a dar importância aos planos-sequência. Mas queria citar dois clássicos famosos. Primeiro, claro, o filme Festim Diabólico, onde Alfred Hitchcock concebeu um longa metragem como se fosse um único plano. Claro, temos alguns cortes mas, mesmo assim, o filme, feito em 1948, impressiona até hoje. E também queria falar da abertura de A Marca da Maldade, de 1958, onde Orson Welles passeou com a câmera por algumas dezenas de pessoas e vários carros em movimento, incluindo um take do alto de uma grua.

Nos anos 90 e 00, com novas câmeras e novas técnicas, alguns diretores arriscavam planos-sequência cada vez mais ousados, como vimos em Os Bons Companheiros (Martin Scorsese, 1990), Fervura Máxima (John Woo, 92), Boogie Nights (Paul Thomas Anderson, 97), Olhos de Serpente (Brian de Palma, 98), Oldboy (Chan-wook Park, 2003) e Fihos da Esperança (Alfonso Cuarón, 06) – isso porque não estou falando da Arca Russa (2002), teoricamente filmado em um único plano-sequência de 96 minutos!

Até que – não sei exatamente quando – descobriram que o cgi poderia ajudar a continuidade. Um cgi discreto, mais próximo do Forrest Gump de Robert Zemeckis – um efeito que está lá para não aparecer. O cgi neste caso auxilia a arte do cinema, em vez de tentar substituí-la (como acontece com alguns filmes por aí, que são apenas efeitos especiais, sem conteúdo). Atualmente o cgi é usado para ajudar o plano-sequência, a fim de parecer que tudo foi feito em um único take, mesmo que existam cortes ao longo do processo.

Não li em lugar nenhum, mas desconfio que o plano-sequência de Presságio (2009), quando Nicolas Cage anda pelos destroços de um avião que acabou de cair, seja um desses casos onde o cgi ajudou. O mesmo penso sobre o filme uruguaio A Casa (2010), filmado inteiramente em um único take. Em ambos os casos, não li nenhuma informação sobre cortes, mas acredito que existam. E mesmo que existam, não tiro o mérito dos realizadores, pois, mesmo com cgi, o plano-sequência ainda precisa de um minucioso planejamento.

É aí que entra a beleza do novo conceito de plano-sequência. Antes, o desafio era técnico: como fazer tudo no set fluir ao longo do take, porque se alguém erra, todos recomeçam do zero. Agora o desafio é a concepção: como bolar um plano-sequência cada vez mais criativo e, se precisar, usar o cgi para unir os takes e apagar os erros.

Um exemplo disso é a cena da perseguição em As Aventuras de Tintim (2011). Aquilo é animação, então não tem problema alguém errar no meio do “take”. E, mesmo assim, o plano-sequência é genial! O recente 300: A Ascenção do Império  (2014) tem um plano-sequência do mesmo estilo – o cavalo passa pelo fogo, cai na água, etc – acredito que quase tudo aquilo foi desenhado no computador.

Em Operação Invasão 2 (2014) temos um take que começa dentro de um carro em alta velocidade, a câmera sai pela janela, entra no carro de trás, e sai pela janela do outro lado do carro – sem nenhum corte! Neste caso, o cgi foi usado apenas para criar uma porta no segundo carro – que não tinha porta para facilitar a entrada da câmera. E A Casa Silenciosa, a refilmagem hollywoodiana de A Casa, também é um único take, mas os produtores admitiram que fizeram planos de aproximadamente oito minutos (o que já é bastante) e depois emendaram digitalmente.

Enfim chegamos aos dois exemplos recentes mais impressionantes. Gravidade, que levou 7 Oscars ano passado, tem planos-sequência geniais, onde provavelmente tudo (menos os rostos dos atores) foi feito no computador: a câmera flutua no espaço, dá cambalhotas, entra no capacete e sai pelo outro lado… Qual a diferença técnica entre isso e uma sequência com vários cortes, já que tudo é digital?

Um ano depois vemos Birdman, de Alejandro González Iñárritu, que está concorrendo a 9 Oscars este ano: um longa de duas horas onde temos um plano-sequência que dura quase o filme todo (tem uma meia dúzia de planos curtos perto do fim). Claro que Birdman não foi filmado em um take único, temos passagens temporais claras (o filme se passa ao longo de três dias). Só que todas essas emendas foram apagadas por cgi, o filme todo flui sem cortes.

Se antes o plano-sequência já era impressionante, agora com o cgi os realizadores podem sonhar alto e impressionar mais ainda. Que venham mais planos-sequência deste nível! Que mais diretores usem os efeitos digitais para melhorar sua arte!

Tusk

TuskCrítica – Tusk

Filme novo do Kevin Smith!

Um podcaster vai até o Canadá atrás de uma boa história, mas acaba sendo sequestrado – para virar uma morsa.

Kevin Smith está numa fase da carreira onde ele pode arriscar. E fez isso com este estranho Tusk.

Smith tem um podcast, o “Smodcast”. Uma vez, ele leu uma notícia bizarra, onde um homem oferecia casa e comida, de graça, desde que o inquilino topasse se vestir de morsa. O que era pra ser apenas uma piada rápida virou um papo de quase uma hora. Smith então perguntou aos seus ouvintes se eles queriam ver um filme sobre isso. Adivinhem qual foi a resposta…

Tusk começa bem, num clima entre o humor negro e o suspense. Auxiliados por bons diálogos, escritos pelo próprio Smith, Michael Parks e Justin Long constroem uma tensa e interessante relação, com um que de Encaixotando Helena e outro de Centopeia Humana.

Mas tem um momento que o filme sai do trilho. É quando aparece um Johnny Depp, fantasiado e anônimo (ele não está nos créditos). Seu personagem, Guy Lapointe, é bobo e sem graça, e mesmo assim tem muito tempo de tela – além de um papo looongo, chato e desinteressante, num café, ainda rola um flashback desnecessário.

Assim, um filme que começa esquisito mas promissor termina confuso e arrastado. Pena…

Digo pena porque heu era muito fã do Kevin Smith, na sua fase “Jay & Silent Bob”. Gosto muito de O Balconista, Barrados no Shopping, Procura-se Amy, DogmaO Império do Besteirol Contra-Ataca. Entendo que ele queira coisas diferentes na sua carreira, mas confesso que prefiro a primeira fase da sua filmografia.

No elenco, além dos já citados Parks e Long, Tusk traz Haley Joel “I see dead people” Osment e Genesis Rodriguez. Jennifer Schwalbach Smith, a sra. Kevin Smith, faz uma ponta como uma garçonete; e as duas atendentes da loja de conveniência são Harley Quinn Smith e Lily-Rose Melody Depp, são as filhas de Kevin Smith e Johnny Depp. Ah, e tem Johnny Depp, infelizmente num papel bem abaixo do que costuma fazer.

Tusk faz parte de uma trilogia baseada no Canadá, com outros filmes a serem escritos e dirigidos também por Smith, Yoga HosersMoose Jaws, a serem lançados este ano e ano que vem. Parece que Johnny Depp estará nos outros dois com o seu Guy Lapointe. Tomara que ele e Smith acertem a mão nos próximos filmes!

[REC] 4: Apocalipsis

REC4Crítica – [REC] 4: Apocalipsis

Ficou pronto o esperado [REC] 4: Apocalipsis! Será tão ruim quanto o 3, ou será que a voltaram à qualidade dos primeiros filmes?

A repórter de tv Ángela é resgatada do prédio e levada a um navio para ser examinada. Contudo, as pessoas no navio não sabem que ela carrega a semente do vírus demoníaco.

Antes de tudo, analisemos a franquia [REC]. O primeiro filme, lançado em 2007, é, na minha humilde opinião, o melhor filme já feito usando o recurso de câmera encontrada, e figura fácil em listas de melhores filmes de terror dos anos 00. O segundo filme, de 2009, não é tão bom quanto o primeiro, mas em compensação traz um twist sensacional à história.

Os dois primeiros filmes foram dirigidos pela dupla Paco Plaza e Jaume Balagueró. Para concluir a saga, a dupla se separou – Plaza foi fazer o [REC] 3, que contaria a origem de tudo, enquanto Balagueró faria o 4, a conclusão. Como o 3 foi decepcionante, a expectativa para o 4 era grande.

Mas… Infelzmente, [REC] 4: Apocalipsis  ([REC] 4: Apocalypse fora da Espanha) também decepciona…

Vejam bem, [REC] 4 não é exatamente um filme ruim. Se fosse um filme genérico de zumbis / monstros, seria um filme ok. Mas, com o nome “Rec” e com Balagueró na direção, a gente não esperava um filme apenas “ok”. Pô, este filme tem pedigree!

Outro problema: o subtítulo “apocalipse”. Com um subtítulo desses, a gente imaginava um novo Extermínio, uma devastação em um nível coerente com o nome do filme. Mas, que nada, [REC] 4 se passa num navio…

Assim como no terceiro filme, a idéia de câmera encontrada foi deixada de lado. Mas não achei ruim, na verdade me cansei do estilo “found footage”.

Resumindo, [REC] 4: Apocalipsis é apenas um filme mediano. Temos a volta de Manuela Velasco ao papel de Ángela Vidal, alguns sustos aqui e acolá e efeitos especiais eficientes, mas nada que chame a atenção. Muito pouco.

No fim rola um gancho para um possível quinto filme. Que heu sinceramente espero que não aconteça.

Killers

0-Killers (2014)Crítica – Killers

Mais um filme da Indonésia!

Um frio psicopata japonês acidentalmente aciona o “lado negro” de um jornalista tailandês. Eles começam a se comunicar pela internet e criam um estranho laço.

Depois que vi Macabre, vi no imdb que os diretores Kimo Stamboel e Timo Tjahjanto (os Mo Brothers) tinham um filme novo a ser lançado em 2014. Killers visto: com 5 minutos de filme, a gente já vê uma cena de sexo e um assassinato brutal. Nada mal!

Killers tem a narrativa dividida: são duas histórias paralelas, uma na Indonésia e outra no Japão, que vão se encontrar em determinado momento do filme. E o que é mais legal é que os personagens são completamente diferentes, mas o elo de ligação entre eles é coerente.

Os Mo Brothers mostraram em Macabre que têm boa mão para a violência. Killers não tem tanto sangue como o filme anterior, mas quem curte violência gráfica não vai se decepcionar. Além disso, as atuações são boas e a fotografia é bem cuidada – adorei a cena do vidro do carro quebrando em câmera lenta!

O nome do Gareth Evans está no poster, ele estava na produção de Killers. Mas não esperem nada parecido com a série The Raid. Acho que não tem nenhum lutador aqui…

Killers é bem legal, pena que escorrega aqui e acolá. Certa cena, um cara sozinho, cercado por uns vinte que querem capturá-lo, consegue fugir, sem nenhum dos perseguidores pular em cima dele. Aí não, né?

Enfim, mais uma boa opção indonésia. Definitivamente, virei fã do cinema daquele país!

Podcrastinadores.S03E01 – Os Melhores Filmes de 2014

Podcrastinadores.S03E01 – Os Melhores Filmes de 2014

Bem-vindos senhoras e senhores ao primeiro episódio da terceira temporada dos Podcrastinadores! 

Entrando 2015 com um podcast especial para os fãs do cinema, vamos debater os melhores filmes que estiveram nas telonas do Brasil em 2014. Guardiões das GaláxiasNo Limite do AmanhãLucyOperação Invasão, e muitos outros.

Será que você concorda com a nossa lista e nossos argumentos? Participe e opine você também!

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Com Gustavo GuimarãesHelvécio ParenteRodrigo Montaleão e Tibério Velasquez.


Links relacionados a este episódio:

Episódio dos Podcrastinadores sobre Frozen The Raid, e Interestelar.


À propósito, queremos ouvir sua opinião sobre os episódios do ano passado ano. Qual você mais gostou? Conta pra gente aqui: https://pt.surveymonkey.com/s/GXGTZYD


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Whiplash – Em Busca da Perfeição

WhiplashCrítica – Whiplash – Em Busca da Perfeição

Imagine o que acontece quando um aluno de música obcecado com a perfeição encontra um professor rígido demais, a ponto de agredir física e psicologicamente os seus alunos?

Andrew, um jovem e talentoso baterista, estudante de uma prestigiada universidade de música, entra na banda do professor Fletcher, o mais conceituado da escola, mas que costuma abusar psicologicamente dos seus alunos, sempre forçando os limites de cada um.

Antes de tudo, um comentário vindo de um músico semi-profissional (toco em bandas há quase trinta anos): sou contra os métodos do professor Fletcher, assim como sou contra a obsessão de Andrew. Mas admito que, no filme, a exploração desta relação de amor e ódio funcionou muito bem.

O filme é dos dois, de Andrew versus Fletcher – aliás, o filme é dos atores Miles Teller e J.K. Simmons. Ambos estão impressionantes!

Miles Teller não é um rosto muito conhecido, mas passa a impressão de “já vi esse cara em algum lugar”. Bem, ele estava em Divergente, Projeto X e na nova versão de Footloose, e agora está escalado para o papel de Sr Fantástico no polêmico reboot do Quarteto Fantástico. Já J.K. Simmons é um eterno coadjuvante (quem não se lembra do seu JJ Jameson em Homem Aranha?). Com certeza o star power de ambos vai aumentar depois de Whiplash.

Ainda Teller: o ator toca bateria desde os 15 anos de idade. Para o filme fez 4 horas de aula, 3 vezes por semana. Boa parte do que vemos nas telas era o próprio ator tocando!

Whiplash foi escrito e dirigido pelo pouco conhecido Damien Chazelle. Sem fundos para realizar seu filme, Chazelle fez um curta homônimo (também estrelado por Simmons) e o inscreveu no festival Sundance. O curta acabou ganhando a competição, e assim Chazelle conseguiu seu financiamento.

Não vi o curta, mas pelo longa podemos atestar o talento de Chazelle, que consegue um excelente ritmo no seu duelo entre personalidades fortes, além de usar ótimos ângulos ao filmar os instrumentos da big band em closes.

Ah, tem a música, né? Não sou muito fã de jazz, mas curto big bands, assim como curto compassos compostos (a música Whiplash é em 7/8 – em vez de contar 1, 2, 3, 4, conta-se 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7). E, vamos combinar: é sempre legal ver boa música sendo bem tocada, independente do estilo. E Whiplash está repleto de música boa!

Diz a lenda que todas as sessões de Whiplash no Festival do Rio de 2014 terminaram com a plateia batendo palmas. Bem, o final do filme realmente pede palmas, isso deve acontecer em várias sessões por aí.

p.s.: Determinado momento rola uma alfinetada, onde o filme diz “quem não é bom músico vai tocar rock”. Bem, os 3 melhores bateristas que conheço – Ian Paice, Carl Palmer e Neil Peart – são de bandas de rock…

Modus Anomali

modus-anomaliCrítica – Modus Anomali

Mais um filme da Indonésia!

Depois de ser enterrado vivo, um homem acorda, sem memória, e agora precisa encontrar seus filhos.

Estou virando fã do cinema indonésio. Ok, tenho que confessar que Modus Anomali não é tão bom quanto Macabre, mas mesmo assim, é melhor do que o terror que Hollywood tem feito. Pelo menos uma das mortes mostradas no filme me fez pular da poltrona.

Dirigido por Joko Anwar, Modus Anomali é uma produção simples, um filme curto (87 min), poucos atores, poucos cenários – tudo se passa em uma floresta e em cabanas dentro desta floresta. O grande lance do filme é que a parte final do roteiro também escrito por Anwar tem uma reviravolta sensacional. Não vou falar muito por causa de spoilers, só digo que o fim do filme é genial.

Provavelmente pensando no mercado internacional, os diálogos são em inglês, diferente dos outros quatro filmes indonésios que vi recentemente. Não sei se isso atrapalhou os atores. Mas sei que não gostei muito do elenco coadjuvante, pra mim, o único ator que fez um bom trabalho foi o protagonista Rio Dewanto.

Claro, Modus Anomali não foi lançado no Brasil – se não me engano, só passou no Fantaspoa de 2013 (o filme é de 2012). Tomara que um dia o brasileiro perca o preconceito com o cinema indonésio!

(enquanto isso não acontece, vou catar Killers, o filme novo dos diretores de Macabre…)

Snowpiercer – Expresso do Amanhã

SnowpiercerCrítica – Snowpiercer – Expresso do Amanhã

Filme novo do Joon-ho Bong!

No futuro, uma tentativa de se combater o aquecimento global falha e acaba criando uma nova era do gelo, matando toda a vida do planeta, exceto alguns poucos sortudos que conseguiram embarcar no Snowpiercer, um trem autossuficiente que fica rodando pelo globo, e onde uma luta de classes está prestes a acontecer.

O coreano Bong ficou famoso no ocidente com O Hospedeiro, um “filme de monstro” que era bem mais complexo do que o cinema americano costuma apresentar. Agora ele conseguiu cacife para seu primeiro filme em inglês, uma superprodução com estrelas hollywoodianas e parte técnica de primeira linha.

Baseado na graphic novel francesa “Le Transperceneige”, Expresso do Amanhã (Snowpiercer, no original) é mais uma “ficção científica usando futuro distópico”. Mas, diferente dos filmes adolescentes que querem pegar carona no sucesso de Jogos Vorazes, Expresso do Amanhã tem um tema mais adulto, é quase um estudo sobre a sociedade, baseado no microcosmo que habita o trem.

A ambientação claustrofóbica do trem é excelente. A fotografia bem cuidada consegue criar um estilo diferente para cada vagão, desde os sujos e apertados vagões do fim do trem até os agradáveis vagões da primeira classe. E a cena do “vagão escola” é sensacional!

Os efeitos também são ótimos. Além disso, o cinema oriental sabe filmar lutas como ninguém no ocidente. Expresso do Amanhã não é um “filme de luta”, mas temos uma luta sensacional, alternando momentos em câmera lenta e câmera normal, assim como momentos claros e escuros. Ah, é bom avisar: o filme é bem violento, tem muito sangue.

Liderando o elenco, temos talvez a melhor interpretação da carreira de Chris Evans, hoje um nome grande em Hollywood por causa do Capitão América. Mas quem chama mais a atenção é Tilda Swinton, num papel completamente diferente de tudo o que vemos por aí. Expresso do Amanhã também conta com duas estrelas coreanas, Kang-ho Song e Ah-sung Ko (ambos estavam em O Hospedeiro), e isso me fez pensar por que não havia nenhum brasileiro em O Jardineiro Fiel (2005) e Robocop (2014), as estreias hollywoodianas de Fernando Meirelles (Cidade de Deus) e José Padilha (Tropa de Elite)… Ainda no elenco, John Hurt (em seu terceiro filme de futuros distópicos, depois de 1984 e V de Vingança), Ed Harris, Jamie Bell, Octavia Spencer, Ewen Bremner e Allison Pill.

Expresso do Amanhã não vai agradar a todos. Algumas coisas soam forçadas, como o trem levar um ano inteiro para dar uma volta ao mundo (a que velocidade este trem anda?). Mas isso não me incomodou. Na minha humilde opinião, o ponto fraco do filme é o final – mas não digo mais por causa de spoilers.

Não sei por que, mas Expresso do Amanhã não foi lançado por aqui – mesmo tendo nomes fortes (e vendáveis) no elenco, e mesmo constando em listas de melhores filmes de 2014. Aguardemos um bom lançamento em dvd/blu-ray.

Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba

Uma-Noite-no-Museu-3Crítica – Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba

Ninguém pediu, mas, olha lá fizeram mais um Uma Noite no Museu

Para salvar a tábua de Ahkmenrah, Larry precisa levá-la até o British Museum em Londres.

A série Uma Noite no Museu não é ruim. São filmes leves e com cara de sessão da tarde, com algumas piadas boas, e outras nem tanto. O problema é que a ideia original era divertida, mas não pedia continuações. Porque fica tudo previsível, algumas piadas acabam se repetindo…

Dirigido pelo mesmo Shawn Levy (dos outros dois filmes da série), Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba (Night at the Museum: Secret of the Tomb, no original) é aquilo mesmo que o espectador está esperando. Mas o cara que se propuser a ir ao cinema para ver a parte 3 de uma franquia destas sabe o tipo de piada que o espera, e sabe que vai ver algumas delas repetidas.

Pra não dizer que Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba só tem piadas repetidas e previsíveis, tem pelo menos duas sequências “novas” muito boas: rola uma perseguição sensacional dentro de um quadro do Escher, e a piada do Wolverine foi hilária!

Sobre o elenco: parece que Robin Williams já tinha filmado toda a sua parte (o ator faleceu alguns meses antes do filme ficar pronto), o seu Teddy Roosevelt tem grande participação ao longo de todo o filme. A outra nota triste: também foi o último filme do veterano Mickey Rooney. Ben Stiller, Owen Wilson, Steve Coogan e Ricky Gervais voltam aos seus papeis, e o elenco ainda ganha os nomes de Ben Kingsley, Rebel Wilson, e Dan Stevens como sir Lancelot, além de pontas de Hugh Jackman e Alice Eve.

Enfim, Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba não vai mudar a vida de ninguém, mas proporcionará uma hora e meia de um divertimento honesto àqueles que se aventurarem.

p.s.: Mais alguém achou que o Laa, interpretado pelo Ben Stiller, ficou a cara do Tom Cruise? 🙂

Assim Na Terra Como No Inferno

Assim-na-terra-como-no-infernoCrítica – Assim Na Terra Como No Inferno

Um grupo de exploradores entra nas Catacumbas de Paris atrás da Pedra Filosofal, mas eles acabam descobrindo um terrível segredo que se esconde debaixo da cidade.

Assim Na Terra Como No Inferno (As Above, So Below, no original) ia ser lançado nos cinemas brasileiros, então rolou um trailer por aí uns meses atrás. O trailer era empolgante. Mas o lançamento parece que foi cancelado. E, depois de visto, descobrimos que o filme não é tão empolgante assim como foi vendido pelo trailer.

Assim Na Terra Como No Inferno não é exatamente ruim, mas tropeça em uns problemas básicos de falta de coerência. Por exemplo: alguns personagens precisam enfrentar fantasmas dos seus passados, enquanto outros parece que só estão lá para aumentar a “contagem de corpos” (coisa comum em filmes de terror) – dois dos personagens morrem sem passar por nada. Isso sem contar que um dos sobreviventes tem zero de desenvolvimento de personagem.

Outra coisa: era pra ser “câmera encontrada”, né? Como as câmeras foram recuperadas?

Pelo menos a ambientação do filme dirigido por John Erick Dowdle (Quarentena, Demônio) dentro das catacumbas de Paris é legal. O clima do filme é bem claustrofóbico. Os efeitos especiais são discretos e funcionam bem, assim como o elenco de rostos desconhecidos (Perdita Weeks, Ben Feldman , Edwin Hodge , François Civil, Marion Lambert e Ali Marhyar).

Mas é pouco. Coerente com a “safra 2014”, Assim Na Terra Como No Inferno é mais um filme de terror que fica devendo.