Titanic

Crítica – Titanic

Hora de rever Titanic!

84 anos depois, Rose DeWitt Bukater, uma senhorinha de 101 anos, conta sua viagem no Titanic, desde o embarque até o naufrágio, e como conheceu e se relacionou com Jack Dawson, um passageiro de uma classe inferior.

O que falar hoje, 15 anos depois, de Titanic, um dos filmes mais vistos de toda a história do cinema?

Em primeiro lugar, existe a relação amor & ódio que acompanha o filme. Quase todo mundo viu este recordista de prêmios e de bilheteria – se não me engano, é dono da segunda maior arrecadação da história até hoje, quinze anos depois. E quase todo mundo encheu o saco. Daí a rejeição atual de boa parte das pessoas em volta – não sei vocês, mas a maioria dos meus amigos olhou torto quando disse que ia rever Titanic no cinema.

No fundo, essas pessoas estão erradas. Titanic é um filmaço!

Mas voltemos no tempo. Hoje a gente vê o sucesso que se tornou, mas antes da estreia, Titanic era uma grande – e cara – incógnita. Muita coisa deu errado durante a produção do filme, prazos e orçamentos foram estourados muito mais do que o aceitável, e muita gente apostava na falência iminente do diretor megalomaníaco James Cameron. Lembro de ler notícias na época, eram poucos os que acreditavam que Titanic pudesse escapar de ser um grande fracasso.

E o filme estreou, e ficou muitas semanas em primeiro lugar nas bilheterias. E depois veio a consagração com os Oscars. Na história de Hollywood, pouca gente conseguiu uma volta por cima como Cameron neste filme. Se antes tudo deu errado, depois tudo deu certo. Titanic é um épico grandioso, uma história romântica e um eletrizante filme catástrofe – tudo ao mesmo tempo.

A parte técnica é impecável. Cameron construiu um navio cenográfico quase do tamanho do Titanic original, onde foram feitas as filmagens do navio afundando – acredito que dificilmente ele conseguiria tamanho realismo em estúdio. Isso, aliado aos melhores efeitos especiais que a tecnologia de então permtia, criou um visual que continua impressionante até hoje.

Sobre o elenco, Titanic é daqueles filmes onde os atores assumem papel secundário, não tem espaço para grandes atuações. Mas pelo menos ninguém atrapalha. Muita gente fala mal do Leonardo DiCaprio, mas sou fã do cara, acho que ele é um dos grandes atores da sua geração. E Kate Winslet aqui teve sua grande porta de entrada para Hollywood, antes ela era uma atriz pouco conhecida (mas heu já era fã dela desde Almas Gêmeas!). Ainda no elenco, Billy Zane, Kathy Bates, Gloria Stuart, David Warner, Frances Fisher, Jonathan Hyde, Bill Paxton, Suzy Amis e Victor Garber.

A trilha sonora de James Horner é excelente, mas hoje sofre com o “trauma da Celine Dion”. A cantora canadense gravou uma música para o filme – que só rola nos créditos. Mas a música tocou MUITO na época do filme. A ponto de encher o saco! Aí, toda vez que toca aquele teminha na pan flute pá-rá-rááá, a gente lembra da Celine Dion e pensa NÃÃÃO…

Titanic é um dos maiores vencedores da história do Oscar. Até então, todos acreditavam que a marca de 11 estatuetas conquistadas por Ben-Hur em 1959 nunca mais seria alcançada (seis anos depois, em 2003, O Senhor dos Aneis – O Retorno do Rei seria o terceiro filme a ganhar 11 Oscars). Titanic ganhou os prêmios de melhor filme, diretor, direção de arte, fotografia, figurino, som, efeitos sonoros, efeitos especiais, edição, trilha sonora e canção (a tal música chata da Celine Dion). E ainda concorreu, mas não ganhou, a melhor atriz (Kate Winslet), melhor atriz coadjuvante (Gloria Stuart) e melhor maquiagem!

Ainda preciso falar do 3D. Existem dois tipos de filmes 3D, os que são filmados assim, e os que são filmados de maneira convencional e depois convertidos. Normalmente estes ficam mal feitos. Mas Cameron é perfeccionista, e conseguiu a melhor conversão já feita até hoje – o 3D está realmente muito bem feito. Heu é que não sou muito fã de filmes 3D…

Ainda preciso falar do Imax. Fui ver na tela gigantesca do Imax da Barra. A primeira metade do filme nem faz diferença. Mas a segunda metade – quando Titanic vira um filme catástrofe – aí sim é legal ver numa tela grande e com um som bom!

Último comentário: tinham muitos adolescentes perto de mim no cinema. Três meninos ao meu lado esquerdo estavam impacientes, me parece que estavam entediados pela longa duração do filme (mais de 3 horas). E do meu lado direito, um grupo de meninas – e uma delas passou a última meia hora do filme chorando copiosamente. Não aguentei e, numa das cenas mais tristes, soltei uma gargalhada por causa do exagero do choro… Tá, o filme é triste, mas não precisa de tanto, né?

No fim da sessão, saí do cinema confirmando o que já sabia desde 1997: Titanic é um filmaço!

.

.

Se você gostou de Titanic, o Blog do Heu recomenda:
Avatar
Cavalo de Guerra
A Origem
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Shame

Crítica – Shame

Muito tem se falado sobre Shame. Incensado por uns, odiado por outros, qualé a desse filme polêmico?

Bem sucedido profissionalmente, Brandon cuida de sua vida particular de modo que consiga cultivar o seu vício por sexo. Até que sua problemática irmã Sissy aparece e bagunça sua rotina.

O tema de Shame é polêmico por natureza – o dia-a-dia de um cara viciado em sexo. Mas o filme é daqueles que se baseiam na polêmica para se vender, porque tirando o sexo e o impressionante trabalho dos atores principais, não sobra muita coisa.

Pra começar, o roteiro é fraquíssimo. Muito pouca coisa acontece ao longo de pouco mais de hora e meia. E o ritmo é leeento… O diretor Steve McQueen (também co-roteirista) usa planos demasiadamente longos em algumas cenas – por exemplo, pra que a câmera acompanha Brandon por mais de dois minutos enquanto ele pratica cooper? Ou então a interminável tomada no restaurante, quase seis minutos de câmera quase parada! Se a gente pegasse só história, ia ter só meia hora de filme…

Shame é lento, mas nem achei o filme muito chato – apesar das cenas mais longas do que o necessário. A sequência fora de ordem cronológica na parte final (quando ele apanha no bar) é muito boa, com a narrativa indo e vindo em diversos eventos na mesma noite.

Além disso, a atuação de Michael Fassbender merece todo e qualquer elogio. O Magneto de X-Men Primeira Classe e o Jung de Um Método Perigoso mostra aqui que é um ator do primeiro time. E Carey Mulligan não fica atrás. Prato cheio para os fãs da dupla.

E agora a parte polêmica – o sexo. Sim, tem mais do que o padrão – rola muita nudez frontal masculina, o que não é comum em Hollywood. Mas não achei nada tão chocante em termos gráficos. As cenas de sexo sugerem mais do que mostram, mesmo as duas mais faladas – o menage e a boate gay. Tem filme por aí mostrando mais…

No fim, fica aquela sensação de que Shame poderia ser um filme melhor, se se preocupasse com o roteiro. O filme tem seus méritos, mas o resultado final é vazio. Acho que o burburinho em torno do filme é mais pela polêmica do que pelas suas qualidades.

Por fim, me pergunto: heu sou o único que achei o nome do diretor estranho? Steve Mcqueen não é o ator de Papillon e Bullit, que morreu em 1980? 😉

O Ultimato Bourne

Crítica – O Ultimato Bourne

Último filme da trilogia Bourne visto!

Jason Bourne, o agente sem memória, continua sumido. Até que uma investigação de um jornal britânico faz a CIA caçá-lo novamente. Só que desta vez, Bourne contra-ataca, pois vê uma oportunidade de descobrir o seu passado.

O Ultimato Bourne segue bem a linha do segundo filme, A Supremacia Bourne, com tudo o que isso traz de bom e de ruim. Por um lado, é um eficiente filme de ação, com um bom elenco e algumas sequências extremamente bem filmadas; por outro lado, a repetição do diretor traz de volta a irritante câmera propositalmente trêmula.

Confesso que não gosto desse estilo de câmera na mão usado pelo diretor Paul Greengrass. Funciona em algumas cenas, mas não deveria ser usado ao longo de todo o filme – chega a dar dor de cabeça! Mesmo assim, admito que Greengrass fez um bom trabalho nas cenas de ação. Como aconteceu nos outros dois filmes, O Ultimato Bourne tem uma alucinante perseguição de carros, além de uma ótima sequência a pé pelos telhados de Tangier, no Marrocos. Ah, sim, como acontece nos outros, este filme se passa em vários países.

Aliás, é bom falar: quem gostou dos outros filmes não vai se decepcionar aqui. Não só o alto nível é mantido, como a história de Jason Bourne tem um desfecho – não termina com aqueles desnecessários ganchos para continuações.

(E, para mim, particularmente, a história traz um atrativo curioso: o dia 15 de abril de 1971 é uma data chave na trama. E foi exatamente o dia que heu nasci!)

No elenco, Matt Damon volta a mostrar eficiência no papel de Jason Bourne. Também voltam aos seus papeis Joan Allen e Julia Stiles. O elenco ainda conta com David Strathairn, Scott Glenn, Albert Finney e Edgar Ramirez.

Li no imdb que existem planos para um quarto filme, O Legado Bourne, aparentemente sem Matt Damon, previsto para este ano de 2012. Que mantenham a qualidade!

The Divide

Crítica – The Divide

Um grupo de vizinhos se refugia no porão do prédio onde moram quando acontece um ataque nuclear. Isolados do resto do mundo, eles precisam sobreviver uns aos outros.

The Divide está classificado no imdb como terror, suspense e ficção científica, mas acho que está mais para drama. Um violento drama apocalíptico sobre a degeneração humana, mas um drama.

A trama lembra um pouco Ensaio Sobre a Cegueira – quais seriam as reações de pessoas colocadas em um ambiente descontrolado e cada vez mais hostil. Até quando aquele grupo iria funcionar como um grupo unido antes de entrar em colapso?

O diretor Xavier Gens (Hitman) já tinha demonstrado que sabia fazer dramas violentos no limite do terror com o seu A Fronteira, filme mal lançado por aqui. Aliás, os dois filmes são bem parecidos em suas essências: pessoas colocadas em situações limite.

O elenco, claro, não traz nomes de ponta. Mas temos alguns atores mais ou menos conhecidos, como Lauren German (O Albergue 2), Rosanna Arquette (Pulp Fiction), Milo Ventimiglia (Heroes), Michael Biehn (Exterminador do Futuro) e Courtney B Vance (Law & Order Criminal Intent). De um modo geral, o elenco está bem, gostei da atuação de Ventimiglia, até agora só o tinha visto em Heroes, e ele passava a impressão de ser apenas mais um galãzinho – o que não rola aqui nem de longe.

O roteiro não é perfeito – por exemplo, pra que selar a porta se a fossa era aberta? Mas a construção dos personagens e a inspirada atuação do elenco compensam essas pequenas falhas. Além disso, gostei do início acelerado e do ritmo intenso da sequência final.

Ainda rolam alguns destaques, como a boa fotografia do filme, que ajuda no clima desolado do subterrâneo. A maquiagem e a trilha sonora também são muito boas.

The Divide é aquele tipo de filme que tem cara que não vai entrar em cartaz. e mesmo sem entrar, não agradar a muita gente – rolam umas perversões bem distorcidas ao longo da projeção. Mas, para aqueles de estômago forte, recomendo!

Um Método Perigoso

Crítica – Um Método Perigoso

O filme mostra o início da psicanálise. Um jovem Carl Jung começa um tratamento inovador na histérica Sabina Spielrein, envolvendo interpretações de sonhos e associações de palavras, sob orientação de seu mestre, Sigmund Freud – que usa uma metodologia diferente.

Admito que não gostei do filme, mas não posso dizer que me decepcionei. Um Método Perigoso (A Dangerous Method, no original) é compatível com a carreira recente do diretor David Cronenberg.

Cronenberg não era um diretor “de ponta”, mas era reconhecido como um grande realizador de filmes de terror, com clássicos como Scanners, Videodrome e A Mosca no currículo. O gore era tão presente nos seus filmes quez ele tinha o “carinhoso” apelido “Cronembleargh”… Mesmo quando não estava no terror, seus filmes filmes eram coerentes, como Gêmeos – Mórbida Semelhança, Crash – Estranhos Prazeres e eXistenZ.

Aí parece que o cara resolveu “crescer”, e passou a fazer filmes “sérios”: Marcas da Violência (2005), Senhores do Crime (2007) e agora este Um Método Perigoso. Não posso dizer que ele está errado com esta nova fase na carreira, afinal, ele ganhou mais reconhecimento da crítica em geral e seus atores são indicados a prêmios importantes (Viggo Mortensen foi indicado ao Oscar por Senhores do Crime e ao Globo de Ouro por Um Método Perigoso; William Hurt concorreu ao Oscar de melhor ator coadjuvante  por Marcas da Violência). Mas posso dizer que, pelo menos na minha humilde opinião, sua carreira ficou sem graça. Heu preferia os seus filmes anteriores…

Um Método Perigoso é a adaptação da peça The Talking Cure (de Christopher Hampton, também roteirista aqui), baseada no livro A Most Dangerous Method, de John Kerr. O filme não chega a ser ruim. O problema é que é um filme chato – se baseia quase que totalmente em diálogos monótonos, um papo cabeça sobre psicologia / psiquiatria. Tem gente que curte isso, me  lembro dos meus tempos de frequentador do bar “Sujinho”, na UFRJ, campus Praia Vermelha, ao lado do Instituto de Psicologia. Naquela época, talvez heu tivesse paciência pra toda essa discussão cabeça, e a mania de Freud de dizer que tudo tem a ver com sexo. Mas confesso que hoje em dia não tenho mais saco…

Se tem algo muito bom aqui são as interpretações dos atores. Michael Fassbender e Viggo Mortensen estão bem como Jung e Freud; Vincent Cassel idem, num papel pequeno, como Otto Gross. E Keira Knightley está excelente como a desequilibrada (e depois controlada) Sabina Spielrein.

Mas no geral, é chato. Sinto que sou uma voz sozinha na multidão, mas mando o meu recado para o diretor: “Volte, Cronenberg!”

O Senhor Dos Anéis – As Duas Torres

Crítica – O Senhor Dos Anéis – As Duas Torres

Hora de falar do segundo filme da saga!

A trama segue exatamente de onde acabou o primeiro filme. Frodo precisa levar o Um Anel até Mordor, mas a Sociedade do Anel acaba se desfazendo em três núcleos, que seguem caminhos diferentes.

As Duas Torres é uma continuação diferente da maioria. O padrão em Hollywood é só pensarem na sequência depois do sucesso do primeiro filme – por isso tantas continuações são inferiores aos originais. Mas O Senhor dos Anéis foi pensado desde o início como um filme só, dividido em três partes. Por isso, heu arriscaria dizer que As Duas Torres é ainda melhor que A Sociedade do Anel – o primeiro filme tem que nos apresentar a trama e os personagens e por isso é um pouco lento; este segundo filme vai direto ao assunto.

O grupo se separa, e a trama se divide em caminhos paralelos: temos Frodo, Sam e Gollum a caminho de Mordor; Merry e Pippin fugindo de orcs; e Aragorn, Legolas e Gimli com os cavaleiros de Rohan, entre outras sub-tramas. Sim, são quase quatro horas; sim, o ritmo é quase o tempo todo tenso. E o clímax no Abismo de Helm é sensacional. Mesmo vista hoje, dez anos depois, a batalha que coloca homens e elfos enfrentando milhares de orcs ainda é excelente. Não dá pra saber o que era ator maquiado ou o que era computação gráfica – e também, quem se importa em saber? Só sei que a pancadaria rola solta, em cenas de altíssima qualidade – a sequência é ainda hoje uma das melhores batalhas da história do cinema.

Ainda sobre os efeitos especiais: é hora de falar do Gollum. Em 1999, George Lucas resolveu colocar um personagem digital no seu Star Wars ep I – A Ameaça Fantasma: o controverso Jar Jar Binks. Foi um marco na história dos efeitos especiais, mas a concepção do personagem ficou capenga – Jar Jar era um alívio cômico caricato e insuportavelmente chato. Peter Jackson foi mais feliz: Gollum não só é um personagem mais bem construído, como tecnicamente muito superior a Jar Jar – em Star Wars, um ator com uma máscara interagiu com o resto do elenco, e depois foi substituído pelo personagem digital; aqui, o ator Andy Serkis usou uma roupa com sensores de captura de movimentos – o personagem digital inserido tinha movimentos muito melhores, assim como interagia muito melhor com o resto do elenco.

E como está o Gollum hoje, dez anos depois, agora que já estamos mais acostumados a ver filmes quase inteiros em cgi? Olha, em algumas cenas, conseguimos ver claramente que ele não está no mesmo plano que o resto do filme. Mas essas cenas são minoria, o Gollum de dez anos atrás é melhor que muito cgi atual.

Alguns novo personagens são apresentados, para acompanhar o bom elenco do primeiro filme, como Brad Dourif como Grima Língua de Cobra, Miranda Otto como Eowyn, David Wenham como Faramir e Karl Urban como Eomer. Curiosidade: John Rhys-Davies, o Gimli, faz a voz do Barbárvore!

O ritmo do filme é muito bom, mas nem tudo é perfeito. Os livros davam pouca importância à Arwen e ao seu romance com Aragorn. Já os filmes dedicam muito tempo a esse romance. Essas partes são arrastaaadas… Me pareceu ser uma imposição dos produtores, ter uma “mocinha” e um “mocinho” para ajudar a vender o filme. Não gostei, podia ser como acontece no livro: o romance está lá, mas em segundo plano.

O Oscar não foi muito generoso com esta segunda parte, da trilogia este é o filme com menos prêmios e indicações. Concorreu a seis estatuetas: ganhou efeitos especiais (merecidíssimo) e edição de som; não levou melhor filme, edição, direção de arte e som.

Em breve vou rever o terceiro filme e falo dele aqui!

À Toda Prova

Crítica – À Toda Prova

Um grande elenco, cheio de atores consagrados, liderados por uma lutadora de MMA? Pode ser uma boa…

Mallory é uma agente secreta que trabalha para uma empresa privada que presta serviços para a CIA – uma espécie de mercenária do mundo moderno. Algo aconteceu de errado em sua última missão, e agora ela está agindo sozinha para salvar a própria vida.

O diretor Steven Soderbergh alterna a sua carreira: às vezes trabalha em pequenos projetos com cara de cinema independente; às vezes são super produções hollywoodianas com elencos grandiosos. À Toda Prova (Haywire, no original)faz parte do segundo grupo. Afinal, não é todo dia que vemos um elenco que conta com Ewan McGregor, Antonio Banderas, Michael Douglas, Michael Fassbender, Channing Tatum e Bill Paxton.

Logo a figura central do elenco é “caloura”: a lutadora Gina Carano. Por um lado, foi legal colocar uma mulher que realmente sabe bater, as lutas são muito bem coreografadas, Gina convence que uma mulher pode bater em caras maiores que ela. Mas por outro lado, a inexperiência de Gina é um dos pontos fracos aqui – sua habilidade para expressar emoções parece ser inversamente proporcional à sua habilidade com a luta…

(Curiosamente, não é a primeira vez que Soderbergh traz uma atriz de outro universo para estrelar um filme seu. Em 2009 foi a vez de Sasha Grey, atriz pornô que protagonizou Confissões de uma Garota de Programa. Pelo visto Soderbergh não gosta muito de arriscar: uma atriz pornô interpretando uma prostituta; uma lutadora fazendo um filme de ação…)

A trama é um pouco confusa, são muitas idas e vindas (boa parte do filme é em flashback), mas não vi pontas soltas no fim. E Gina Carano pode ser limitada, mas não chega a atrapalhar o bom elenco. Também gostei da trilha sonora de David Holmes.

À Toda Prova não vai entrar pra história como um grande filme de ação. Mas é um filme divertido. E sempre é legal ver mulher metendo a p%$#@rrada!

.

.

Se você gostou de À Toda Prova, o Blog do Heu recomenda:
Os Mercenários
Os Especialistas
Vingança Entre Assassinos

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel

Crítica –  O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel

É hora de encarar (mais uma vez) a trilogia estendida d’O Senhor dos Anéis!

Antes de falar do filme em si, vamos a algumas informações interessantes. Os três livros O Senhor dos Anéis, escritos por J. R. R. Tolkien entre 1937 e 1949, e lançados pela primeira vez em 1954 e 55, eram considerados “infilmáveis”. O diretor neo-zelandês Peter Jackson já tinha cinco filmes no currículo, mas nada que enchesse os olhos dos estúdios – eram três trash (Bad Taste – Náusea Total, Fome Animal e Meet The Feebles), um cult (Almas Gêmeas) e uma comédia de terror feita em Hollywood (Os Espíritos). Mesmo assim, ele conseguiu convencer o estúdio New Line Cinema a bancar um projeto ambicioso: Jackson iria com toda a equipe para a Nova Zelândia (por causa das locações naturais e da mão de obra barata), ficaria lá por 13 meses e filmaria os três filmes de uma vez. Claro que o estúdio preferia fazer só o primeiro filme, afinal, se fosse um fracasso de público, o que fariam com as continuações? Mas Jackson bateu o pé e conseguiu carregar a galera para o seu país natal – e assim foi criada uma das melhores sagas da história do cinema!

Quando os três filmes foram lançados em 2001, 2002 e 2003 nos cinemas, cada um tinha cerca de três horas de duração. As versões estendidas, onde cada filme tem cerca de quatro horas, só passaram aqui no Brasil em sessões especiais, não entraram no circuito. E acho que não foram lançadas em dvd aqui no Brasil. Só recentemente tivemos versões oficiais, já em blu-ray. Mas não comprei o blu-ray nacional, já que o box importado, com 15 discos, tem legendas e dublagem em português – comprei o meu pela Amazon.

Vamos ao filme? Quando o “Um Anel”, um anel mágico de poder dado como desaparecido há muito tempo, é encontrado, o pequeno hobbit Frodo tem a tarefa de levá-lo para ser destruído. Ele não está sozinho na sua jornada: é acompanhado por Aragorn, Boromir, o mago Gandalf, o elfo Legolas, o anão Gimli e seus amigos hobbits Sam, Merry e Pippin.

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel é um daqueles raros e felizes casos onde tudo dá certo. Adaptação literária bem feita, bom elenco, excelentes efeitos especiais, tudo isso numa trama simples (o bem contra o mal), mas contada de uma maneira excepcional.

A adaptação, que era uma grande incógnita, foi muito bem feita. Os fãs mais xiitas do livro reclamaram de algumas ausências, como por exemplo os trechos envolvendo o personagem Tom Bombadil (ignorado pelo filme), mas, afinal, era uma “adaptação”, não tinha como entrar tudo em um filme para cinema (talvez em uma mini série).

Acho que uma das coisas mais difíceis era mostrar personagens de tamanhos diferentes. Temos homens, elfos e orcs, mas todos têm tamanhos semelhantes. Já os hobbits, personagens importantíssimos na saga, são seres da altura de uma criança. E ainda tem um anão – interpretado por John Rhys-Davies, um ator de 1,85. E esses seres de tamanhos diferentes aparecem juntos vááárias vezes, e em nenhuma delas parece falso. Digo mais: hoje em dia seria tudo cgi, mas naquela época o cgi ainda não era o que é hoje (vou falar mais do cgi no texto sobre o próximo filme, As Duas Torres). Jackson usou truques de câmera e dublês nas cenas em close. O resultado ficou irretocável!

O elenco misturava atores desconhecidos com alguns de fama intermediária, como Ian McKellen, Liv Tyler, Cate Blanchett, Ian Holm e Christopher Lee. Boa parte do elenco soube capitalizar em cima do sucesso dos filmes e hoje são nomes bem conhecidos, mas antes eram nomes “lado B” – também, quem estava disposto a se mandar pra Nova Zelândia por um projeto arriscado e com mais de um ano de duração? Mas mesmo assim, a escolha do elenco foi perfeita, cada ator “vestiu” perfeitamente o seu personagem.

Lembro de Viggo Mortensen como coadjuvante de Demi Moore em GI Jane e num pequeno papel em O Pagamento Final – hoje o cara é protagonista de grandes produções como A Estrada e Um Método Perigoso – e chegou a concorrer ao Oscar de melhor ator por Senhores do Crime. Antes desconhecido, Orlando Bloom depois esteve nos três primeiros Piratas do Caribe e em Os Três Mosqueteiros. Elijah Wood participou de bons filmes como Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças e Sin City. Dominic Monaghan teve papéis importantes em séries badaladas como Lost e Flash Forward; Sean Bean foi o personagem central da primeira temporada da elogiada série Game of Thrones. Hugo Weaving antes era mais lembrado por Priscilla, a Rainha do Deserto; hoje o currículo dele é bem extenso, com filmes do porte de Matrix, Capitão América, O Lobisomem, V de Vingança e a franquia Transformers.

Outros atores ainda estão por aí, mas não são tão famosos hoje. John Rhys-Davies já tinha uma extensa carreira, mesmo não sendo um rosto muito conhecido – acho que o seu papel mais famoso era o Sallah de Os Caçadores da Arca Perdida (1981) e Indiana Jones e a Última Cruzada (1989). Sean Astin é outro que também já tinha currículo, ele foi o ator principal de Os Goonies quando tinha 14 anos. E acho que o único do elenco principal que era desconhecido e continua assim até hoje é Billy Boyd, o hobbit Pippin…

Os efeitos especiais também são sensacionais. Tudo bem que o que a trilogia traz de mais impressionante (o Gollum) só aparece no segundo filme. Mas mesmo assim, tudo aqui é extremamente bem feito – a começar pelo tamanho dos personagens que falei alguns parágrafos acima. Um universo onde a magia faz parte do dia-a-dia é mostrado e, hoje, uma década depois, os efeitos ainda não “perderam a validade”.

Ainda preciso falar das locações. Jackson estava certo quando quis fazer seu filme na Nova Zelândia – florestas, montanhas, planícies, rios, neve, tem todas as paisagens que o livro pedia. Boa escolha!

O filme concorreu a 13 Oscars, incluindo melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado e melhor ator coadjuvante para Ian McKellen. Não ganhou nenhum desses, mas levou quatro estatuetas: trilha sonora, fotografia, efeitos especiais e maquiagem.

Heu poderia continuar falando do filme, mas – caramba, o post já tá gigantesco! Só preciso falar mais uma coisa: a versão que passou nos cinemas é boa, mas, se você é fã, procure a versão estendida. É um total de 12 horas de filme, mas vale a pena!

Em breve, falo do segundo filme aqui!

.

.

Se você gostou de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, o Blog do Heu recomenda:
Guerra nas Estrelas
Alice no País das Maravilhas
O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus
Amor Além da Vida
Sucker Punch – Mundo Surreal

Identidade Paranormal

Crítica – Identidade Paranormal

Uma psiquiatra forense especializada em desmascarar casos falsos de múltipla personalidade encontra um paciente mais complexo do que o habitual.

Dirigido pela dupla Måns Mårlind e Björn Stein, a mesma que fez o fraco Anjos da Noite 4, Identidade Paranormal (Shelter no original) é um daqueles filmes onde tudo dá errado. Digo mais: o filme começa mais ou menos, fica ruim, e, perto do fim, rola um “plot twist” e o que já era ruim consegue ficar ainda pior!

De início, parece que vamos ver um suspense sobre múltipla personalidade, lembrei de As Duas Faces de um Crime, bom filme de estreia de Edward Norton. Mas logo o filme descamba para o terror vagabundo. E, nessa troca de estilo, parece que esqueceram do roteiro. E ainda tem aquele “plot twist”, mas antes de falar disso, os avisos de spoiler!

SPOILERS!

SPOILERS!

SPOILERS!

O cara vê uma nuvem no video de segurança. Copia e cola a imagem da nuvem num programa de música, e transforma em uma onda sonora. E a onda sonora fala com a voz da velhinha!!! Sério mesmo, ninguém se tocou de quão ridículo isso seria???

FIM DOS SPOILERS!

Acho que a única coisa que se salva aqui é a atuação dos principais atores. Julianne Moore, como sempre, está bem. E Jonathan Rhys Meyers é a melhor coisa do filme – ele consegue convencer em suas diferentes personalidades.

Pena que o resto do filme é bem ruim…

The Walking Dead – Segunda Temporada

The Walking Dead – Segunda Temporada

E chegou ao fim a segunda temporada de The Walking Dead!

Continuamos acompanhando o pequeno grupo que sobreviveu aos zumbis na primeira temporada. Eles encontram uma fazenda habitada por uma família e montam acampamento por lá.

A primeira temporada teve seus altos e baixos. O início foi muito bom, o meio foi fraco, mas terminou bem. A segunda temporada teve uma baixa significativa: Frank Darabont (Um Sonho de Liberdade, O Nevoeiro), que além de ser produtor executivo, trabalhou como roteirista e chegou a dirigir o episódio piloto, se afastou do projeto. Seu nome continua como produtor executivo, mas pelo que se lê por aí, ele não palpita mais.

Curta, com apenas 13 episódios, a temporada foi dividida em duas partes: seis episódios em outubro e novembro de 2011, sete episódios em fevereiro e março de 2012. E a estrutura das duas metades foi bem parecida: ritmo demasiado lento até o penúltimo episódio, e um último capítulo muito bom.

Os dois capítulos “finais” (o último e o antes da pausa) foram tão bons que mascararam o clima monótono que rolou ao longo da série – determinados momentos parecia que estávamos vendo a novela das oito!

Um outro problema foi a falta de carisma de certos personagens. Lori, a esposa do protagonista, era tão chata que gerou uma onda de protestos pela internet que me lembrou a revolta gerada pela filha do Jack Bauer entre os fãs de 24 Horas. Fica difícil torcer por uma série com personagens mala…

Mas como foram apenas 13 episódios de 40 minutos, a série passou “rápido”. E, como disse, terminou bem, tivemos inclusive a introdução de um novo e misterioso personagem muito elogiado por aqueles que acompanham os quadrinhos da série. Agora é torcer pra acertarem a mão na terceira temporada.