RocknRolla

RocknRolla

Guy Ritchie está de volta!

Uma breve explicação pra quem não sabe de quem estou falando: No fim dos anos 90, surgiu um aparentemente despretensioso filme inglês chamado Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, que mostrava o submundo inglês de uma forma nunca antes vista: uma trama às vezes confusa, mas bem amarrada, com imagens ágeis, personagens cool, violência e humor. Esse era Guy Ritchie! Pouco depois ele nos apresentou Snatch, desta vez com elenco hollywoodiano (incluindo um sensacional Brad Pitt num pequeno papel). Ok, Snatch parecia uma continuação de Jogos, Trapaças, mas mesmo assim é um ótimo filme!Aí apareceu a Madonna na vida dele. Quem tem boa memória se lembra que, ao contrário da carreira musical, no cinema Madonna é bem irregular. E, quando trabalha com cônjuges, fica ainda pior – Surpresa de Shangai, o filme que ela fez com o então marido Sean Penn, é considerado um dos piores da década de 80. E Guy Ritchie resolveu fazer Destino Insólito (Swept Away) com sua recém casada esposa – e foi massacrado por público e crítica.

Agora Ritchie resolveu voltar ao que sabe fazer bem: estamos de volta ao submundo inglês!

A trama é rocambolesca: Lenny (Tom Wilkinson) é uma espécie de chefão do underground, subornando políticos, advogados e juízes e controlando vários marginais. Uri (Karl Roden), um bilionário russo ligado à máfia, resolve usar as influências de Lenny para construir em Londres, e para isso precisaria de 7 milhões para subornos. Para isso, usa a contadora Stella (Thandie Newton), que, por sua vez, chama One Two (Gerard Butler) para roubar o dinheiro. E ainda tem um quadro emprestado roubado por um rockstar “morto”. Todas estas histórias se entrelaçam, o que nos lembra os seus primeiros filmes.

Como num “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes 3”, temos muita violência e muito humor, além de cenas memoráveis, como a dança entre One Two e Stella com textos escritos na tela, ou toda a sequência do segundo assalto, com a perseguição nos trilhos. E o elenco, como sempre, está ótimo.

Acredito que o grande defeito do filme seja que ele aparentemente está incompleto: durante os créditos vemos um aviso sobre uma segunda parte, “The Real RocknRolla”. Senti falta de conclusão na história de alguns personagens…

Mesmo assim, a diversão é garantida!

O Bom, o Mau e o Bizarro

Sexta começa o Festival do Rio, data mais esperada do ano de 10 entre 10 cinéfilos cariocas!

Esse ano dei uma olhada na programação, mas não teve muita coisa de encher os olhos… Mas acho que consigo ver uns seis ou sete até o fim do Festival.

Ontem consegui ir numa sessão de imprensa, então começo aqui os meus pitacos sobre o festival:

O Bom, o Mau e o Bizarro

Em primeiro lugar, preciso falar que este filme está no lugar errado. Quando programam um filme coreano chamado O Bom, o Mau e o Bizarro na mostra Midnight Movies, heu espero ver algo no mínimo estranho. E este filme não é estranho. Srs. programadores do Festival, por favor, tratem este filme como um filme “normal”, não um “Midnight”!

Dito isso, o filme é um faroeste coreano, impressionantemente bem feito.

Na Coréia, na década de 30, um homem (o “mau”) é contratado para roubar um mapa, num trem. Só que este trem está sendo roubado por um sujeito meio trapalhão (o “bizarro”), que foge com o mapa. E um caçador de recompensas (o “bom”) começa a caçar ambos.

Os cenários estão perfeitos, as cenas no deserto são lindíssimas. Os figurinos e elementos cênicos realmente convencem como uma super produção de época. E a movimentação entre os 3 personagens principais, cada um no seu clichê, também está muito boa: temos o mocinho que acerta todos os tiros e seu revólver nunca descarrega; o bandido mau, muito mau; e um “Didi Mocó” como alívio cômico.

Mas isso não é o suficiente, às vezes parece que estamos andando sem história. E o filme é longo, acho que foram mais de duas horas! Talvez fosse melhor dar uma enxugada: se o roteiro não tem muito o que contar, façamos um filme mais curto!

Além disso, por favor, vejamos os filmes certos nas mostras certas! Não é porque um filme é coreano que ele deve entrar numa mostra de filmes “estranhos”…

Mamma Mia!

Mamma Mia!

Alguns filmes parece que são feitos para um determinado tipo de público. Este é o caso de Mamma Mia, um musical baseado nas músicas do grupo sueco Abba: se você é fã de Abba, vai adorar. Mas se não for fã…

A idéia é até interessante: várias músicas do Abba são costuradas, criando uma história: uma menina de 20 anos, às vésperas do casamento, descobre que sua mãe teve aventuras amorosas com três diferentes homens antes de engravidar. Assim, ela manda convites para os possíveis pais, para tentar descobrir qual dos três é o verdadeiro pai.

Confesso que não sou fã de Abba (só reconheci 4 músicas!), então não sei se as adaptações foram fiéis ou se as músicas foram modificadas. Mesmo assim, a história quase sempre funciona, apesar dos personagens clichês.

Quase sempre funciona, heu disse. Tem coisas mal pensadas no roteiro, como, por exemplo, a época que o filme se passa. Fala-se de internet, então não se passa há muitos anos. Mas a menina de 20 anos foi gerada na época do “flower power”. Ou seja, uma menina gerada no fim dos anos 60 ou início dos 70, com 20 anos hoje em dia – bem, as minhas contas não bateram…

Um dos pontos positivos é o cenário: o filme se passa inteiramente em ensolaradas e belíssimas ilhas gregas. E o elenco quase funciona.

Sim, heu disse quase de novo. Meryl Streep está ótima como a mãe, e além de boa atriz, também canta bem – o momento “The winner takes it all” é ótimo. Amanda Seyfried não decepciona como a filha. E os 3 candidatos a pai são interpretados por Stellan Skarsgard, Colin Firth e Pierce Brosnan. E, bem, a voz deste último não funciona tão bem assim… Talvez a escolha do elenco devesse pensar também nas vozes que iriam cantar.

Mas, apesar de tudo, o filme diverte. Podia ser um pouco mais curto (precisava de Dancing Queen duas vezes?), mas, mesmo assim, é divertido.

Hell Ride

Hell Ride

Depois de À Prova de Morte, Quentin Tarantino produziu este Hell Ride, sobre gangues de motociclistas.

O filme prometia: produção de Tarantino e nomes como Michael Madsen, Dennis Hopper, David Carradine e Vinnie Jones? São elementos suficientes para um bom filme B na linha “grindhouseana”.

Prometia. Mas o ego do diretor / roteirista / ator principal Larry Bishop não deixou sair da promessa…

O fiapo de história fala da gangue de motociclistas Victors, e seus negócios e rivais. Mas é tudo muito forçado, Larry Bishop tenta copiar o estilo de Tarantino, mas sem o talento deste. Então o que podia ser “cool” fica simplesmente chato – ou mesmo ruim.

Ok, temos violência desnecessária e nudez gratuita, o que, num filme desses, melhora bastante a situação. Mas bem que o formato final podia ser mais bem cuidado…

Tarantino, cuidado com este tipo de discípulo!

Os Desafinados

Os Desafinados

Mais um simpático filme nacional, desta vez usando a bossa nova como tema. Os Desafinados é o nome de um quarteto de bossa nova que resolve tentar a sorte em Nova York, durante os anos 60 – justo na época que os militares tomam o poder no Brasil.

O filme conta com bons atores. Rodrigo Santoro faz Joaquim, o pianista do grupo, e que acaba se envolvendo com a personagem de Claudia Abreu, uma cantora e flautista brasileira que eles conhecem em Nova York. Selton Mello faz um cineasta que acompanha o grupo, e até funciona, mas algo que está virando clichê é o modo caricato como Selton interpreta seus personagens, todos iguais… Selton é um bom ator, talvez devesse tomar cuidado com essas armadilhas…

O filme, dirigido por Walter Lima Jr, é divertido, mas peca em uma coisa: são quase duas horas e meia de filme. Algumas situações poderiam ser enxugadas, e o filme ficaria mais leve.

Mesmo assim, o filme vale, inclusive para aqueles que, como heu, não são exatamente fãs de bossa nova…

Trovão Tropical

Trovão Tropical

Ben Stiller, Jack Black e Robert Downey Jr encabeçando uma comédia de guerra? Bem, se bem equilibrados, temos elementos para uma boa diversão. E é o caso aqui: um grupo de astros hollywoodianos está fazendo um filme de guerra, quando, de repente, se vêem no meio de uma guerra real.

Ben Stiller é mais conhecido como ator, mas de vez em quando ele dirige os próprios filmes. E aqui ele acerta a mão. Com um roteiro escrito por ele mesmo e pelo também ator Justin Theroux, Stiller fez uma boa comédia politicamente incorreta e com toques de humor negro.

Os três personagens exploram bem os seus clichês: Stiller é um astro de filmes de ação de uma série decadente, também famoso por ter feito um retardado mental num dramalhão ruim; Downey Jr é um grande ator, com 5 oscars no currículo, um australiano louro de olhos azuis que fez uma cirurgia de pigmentação de pele para ficar negro para este filme; e Jack Black, bem, Jack Black faz Jack Black, já é um clihê pronto, e sempre divertido nas doses certas…

O elenco não conta apenas com os três. A melhor parte do elenco é o produtor do “filme dentro do filme”, interpretado por um tal de Tom Cruise, careca, peludo, barrigudo e soltando todos os palavrões que deve segurar quando faz papéis de “bom moço”… E ainda temos Nick Nolte e Matthew McConaughey!

Foi tomado um cuidado especial em torno do “filme dentro do filme”. Os enquadramentos acompanham vários clichês de filmes de guerra. A cena do helicóptero vendo um soldado fugindo e levando tiros de vietnamitas, por exemplo, quem não se lembrou de Platoon? Mais: antes de começar o filme, temos falsos trailers de novos filmes dos atores interpretados pelos atores…

E, pra quem gosta de humor negro, a morte do diretor é genial!

O Nevoeiro

O Nevoeiro

Demorou, mas finalmente The Mist foi lançado por aqui. Não sei por que demorou tanto, afinal, acredito que seria fácil de se vender “do mesmo diretor e roteirista de Um Sonho de Liberdade e À Espera de um Milagre, o mais novo filme baseado em Stephen King”!

Uma cidade pequena, à beria de um lago, é açoitada por ventos fortes à noite. Na manhã seguinte, David Drayton (Thomas Jane), um artista local, vai até o supermercado com seu filho. E uma névoa envolve a cidade – e existe algo misterioso dentro da névoa.

O suspense é muito bem montado – não sabemos o que há dentro da névoa! E começa um clima claustrofóbico dentro do supermercado, onde o medo do desconhecido começa a mudar as pessoas.

Uma coisa muito interessante aqui é o foco nos personagens presos no supermercado., e não no que está na névoa. Marcia Gay Harden interpreta Mrs Carmody, uma religiosa que aos poucos começa a exacerbar o seu fanatismo – e conquistar “fiéis”, afinal, ninguém sabe o que está acontecendo lá fora…

E assim, o suspense toma conta do filme. Boas interpretações, boa fotografia, e o talento do diretor e roteirista Frank Darabont são essenciais para criar esse clima.

Não gostei muito do fim, acho que poderia ser diferente. Mas não estraga a beleza do filme.

The Boy from Hell

The Boy from Hell

Um garoto morre num acidente de carro. Sua mãe, ajudada por uma velha esquisita, faz uma feitiçaria pra ele voltar à vida, mas ele volta como um monstro.

Parece pouco, e é.

Tosco, tosco e tosco. Já vi muito filme tosco na vida, mas se bobear, coloco esse em primeiro lugar!

Os atores são tristes de tão caricatos. A história além de clichê não faz nenhum sentido. Os cenários e efeitos são mal feitos ao extremo – só pra dar um exemplo, o garoto é substituído por um anão quando vira monstro!

Agora, se você conseguir relevar esses “detalhes”, até que o filme pode ser divertido… Sabe quando algo é tão ruim que fica engraçado? Pois é o caso aqui.

Outra coisa que ajuda é a duração. Na verdade é um média metragem, são 45 minutos apenas. Segundo o que pesquisei na internet, faz parte de uma hexalogia, todos baseados nos mangás Hideshi Hino’s Theater of Horror.

Devo ser um cara estranho. Quero ver os outros 5…

The Machine Girl

The Machine Girl

Um filme pode ser ruim e bom ao mesmo tempo? Claro que sim!

The Machine Girl parece uma resposta japonesa ao Kill Bill do Tarantino. Um filme onde uma mulher busca vingança pela morte do irmão, assassinado pela Yakusa. Só que em vez de usar elementos orientais, o filme e seus personagens são japoneses.

Logo de cara o filme mostra ao que veio. Com dois minutos de filme a mocinha Ami Hyuga diz que só tem um braço, mostrando o cotoco do outro braço. Logo depois ela pula, com OS DOIS BRAÇOS ABERTOS! Sensacional, não?

As atuações são péssimas e caricatas – o que é aquele irmão da Ami? O roteiro traz situações dignas de Didi Mocó. E, mesmo assim, o filme é divertidíssimo!

Em momento nenhum o filme se propõe a ser sério. A cada membro cortado, muito sangue jorra como se fosse num esguicho de mangueira. E temos um desfile de situações gore-bizarras na tela: um braço-metralhadora, um sutiã-furadeira, uma guilhotina voadora, e por aí vai…

Importante: semanas atrás falei de A L’Interieur, um filme onde o excesso de gore nos traz mal-estar. Bem, aqui em Machine Girl, o excesso de gore nos traz gargalhadas…

Infelizmente, é mais um filme sem previsão de ser lançado no Brasil.

Star Wars – The Clone Wars

Star Wars – The Clone Wars

Uma nova série animada de Star Wars vem aí, novamente para o Cartoon Network, assim como foi a outra série Clone Wars, criada por Genndy Tartakovsky (o mesmo de Laboratório do Dexter). Só que, desta vez, a qualidade das imagens é bem melhor, e resolveram juntar os 3 primeiros episódios e lançá-los antes no cinema, como se fosse um filme: Star Wars – The Clone Wars.

Tive a oportunidade de ver a pré-estréia, junto com o pessoal do Conselho Jedi do RJ, e posso dizer que, de um modo geral, o filme agradou! Como fã, posso dizer que me diverti à beça vendo batalhas entre Clone Troopers e exércitos de robôs, e vendo vários novos duelos entre jedis e siths…

A nova série se situa entre os episódios II (O Ataque dos Clones) e III (A Vingança do Sith). Obi Wan Kenoby e Anakin Skywalker estão junto a exércitos de Clone Troopers, no meio da guerra contra os andróides – as “Guerras Clônicas” do título! – quando Anakin, sem pedir, “ganha” uma padawan (aprendiz de jedi), Ahsoka Tano. Ao mesmo tempo, Jabba o hutt (o mesmo que aparece em O Retorno do Jedi) pede ajuda aos Jedi porque seu filho foi sequestrado. E descobrimos que o grande vilão Conde Dooku e sua assecla Asaj Ventress estão por trás disso.

Só vejo dois problemas aqui. Um deles é a improvável aliança entre os Jedi e Jabba – achei um pouco forçado, são estilos de vida e de trabalho completamente diferentes e incompatíveis. O outro problema é que, infelizmente, já sabemos o fim da história. Como Ahsoka não é mencionada nos filmes posteriores, infelizmente já sabemos que ela vai morrer. Assim como já sabemos que alguns dos duelos não terão fatalidades, afinal, vemos os personagens depois…

Apesar disso, a história funciona bem. Os novos personagens são interessantes – além de Ahsoka e seu ímpeto adolescente ainda somos apresentados a mais Hutts! E as cenas de ação, com mais cara de Pixar do que de Cartoon Network, são ótimas! Ok, talvez o humor dos andróides lembre os filmes dos trapalhões, mas nada que estrague o resultado final…

Que a força esteja com vocês!